Archive for the 'Chrono' Category

Symphonic Fantasies Tokyo ganha lançamento digital mundial

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Por Alexei Barros

Passados cinco anos da apresentação original em Colônia, Alemanha, o Symphonic Fantasies não perdeu o seu encanto: volta e meia escuto as extensas suítes de Kingdom Heats, Secret of Mana, Chrono Trigger/Cross e Final Fantasy para matar as saudades desse concerto de games revolucionário. Em 2012, o espetáculo foi tocado em duas oportunidades em Tóquio, Japão, mas não foram meras reprises: além de as partituras de Jonne Valtonen e Roger Wanamo terem sido aprimoradas, o encore com temas de chefes foi reformulado.

No mesmo ano, o concerto foi lançado no CD duplo Symphonic Fantasies Tokyo, com publicações na Europa e no Japão. Pois bem: a partir de hoje, 1 de dezembro de 2014, o espetáculo também estará disponível para qualquer lugar do mundo no formato digital, graças a uma parceria com a distribuidora X5 Music Group. A loja virtual da Amazon abriu a pré-venda do álbum, e o concerto também está disponível no iTunes. Por menos de US$ 6 é possível comprar os seis segmentos do espetáculo em MP3, em um total de 1h20 de programa.

Sob a regência de  Eckehard Stier, a performance é da Tokyo Philharmonic Orchestra e do Tokyo Philharmonic Chorus, com participações especiais de Benyamin Nuss (piano) e Rony Barrak (darbuka). A suíte de Kingdom Hearts apresentou as mudanças mais sensíveis, mas o grande destaque é o mencionado encore, que traz uma impensável batalha entre Kefka e Sephiroth, vilões de Final Fantasy VI e VII, respectivamente. Os temas  “Kefka” e “One-Winged Angel” se misturam de maneira surpreendente, com direito ao coral entoando “Kefka!” em vez de “Sephiroth!”. É simplesmente incrível! Se você ainda não adquiriu o Symphonic Fantasies Tokyo, eis a oportunidade perfeita.

Disponível em: Amazon e iTunes

[via spielemusikkonzerte.de]

“Chrono Cross Medley” – Chrono Cross (Brass Exceed Tokyo)

Por Alexei Barros

Em 2012 eu publiquei um arrojado medley de Chrono Cross da Cosmosky Orchestra, mais uma dessas incríveis orquestras pró-amadoras japonesas. Se não viu, faça o favor de ver (e rever). Como são raras as ocasiões em que outras músicas do RPG do PlayStation são tocadas além de “Scars of Time” e “Radical Dreamers”, eu não poderia sonhar com outra performance similar… Daí me surge a Brass Exceed Tokyo para apresentar um medley diferente, no mínimo tão bom quanto o da Cosmosky (algumas escolhas de faixas são semelhantes inclusive). É inacreditável!

Como o próprio nome diz, trata-se de um grupo de instrumentos de sopro (curiosamente reforçado por dois contrabaixos), mas isso não significa que a quase ausência de cordas prejudique a interpretação das músicas de Yasunori Mitsuda – é tudo uma questão de adaptação. E como a Cosmosky, a Brass Exceed Tokyo é acompanhada na performance por um coral (aqui, o Chorus Exceed).

E é justamente o coro que inicia o medley, seguido pela flauta se destacando na parte mais calma da melodia de “Scars of Time”, com acompanhamento do violão e do baixo elétrico. Na virada da música, o solo é feito por um saxofone soprano com um resultado no mínimo surpreendente. O coral volta a participar, entoando a melodia etérea de “Garden of God”.

Quebrando um pouco o clima dessa atmosfera sagrada, surge uma castanhola e toda a Brass Exceed Tokyo para tocar a “Arni Village: Another”, no momento que considero o ápice do medley tamanha a perfeição com que a música foi reproduzida. Eu me senti novamente explorando a cidade de Termina na realidade alternativa. Em seguida, harpa e violão se destacam na performance da The Bend of Time, que ganha a participação dos trombones e do coral em um momento inspirador.

A partir daí a miscelânea segue os passos da versão da Cosmosky, apresentando a “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~”, com direito a guitarra e percussão. Os metais e a bateria se unem, aumentando a empolgação (basta reparar no gingado do maestro). Em um trecho fantástico dos xilofones e das flautas a “The Dream that Time Dreams” tem início e quando entra a referência do tema do “Chrono Trigger” já presente na original o coral vem com tudo. Para concluir, surge uma nova aparição da “Scars of Time” com coral. Esses japoneses estão de parabéns.

Detalhe: tudo isso pode ser apreciado com uma gravação muito competente, com várias câmeras e tudo mais. O áudio também está uma beleza.

“Chrono Cross Medley”

“Scars of Time” ~ “Garden of God” ~ “Arni Village: Another” ~ “The Bend of Time” ~ “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~” ~ “The Dream that Time Dreams” ~ “Scars of Time”

“Guardia Millenial Fair” – Chrono Trigger (Collarblind)

Por Alexei Barros

Com a imensa quantidade de fãs do Chrono Trigger (que mesmo assim parecem não ser expressivos o bastante para a Square Enix querer fazer uma sequência), é gigantesco o número de músicos na internet apresentando suas próprias versões das faixas do jogo, sejam bandas ou orquestras.

Mas sem precisar depender de outras pessoas, o brasileiro André Colares fez um vídeo no formato “banda de homem só” da nostálgica “Guardia Millenial Fair”, tocada no Chrono Trigger assim que o protagonista acorda e sai de casa.

O André não se limitou a mostrar sua versatilidade na baixo, bateria, bandolim, melódica e o que mais vier, mas ainda reproduziu a música com perfeição, com direito às palmas e os dizeres “ah!” já presentes na original. Além disso, mais para o final, ele adicionou uma guitarra, dando um toque diferente para a performance. E ficou simplesmente fantástica! Um vídeo montado assim também permite visualizar melhor todos os timbres dos instrumentos na composição sintetizada do Yasunori Mitsuda.

E se para você soou familiar o nome do André Colares, você tem boa memória: não bastasse tocar toda essa pletora de instrumentos, ele foi o responsável por aquele arranjo sintetizado sinfônico com as músicas do Metal Gear de MSX que postei ano passado.

No final do vídeo o André deixa uma mensagem escrita, avisando que este não será o único vídeo e e até já anunciando a próxima. No aguardo!

Press Start 2013: do início ao fim, só no vale a pena ouvir de novo


Por Alexei Barros

Apenas para deixar registrado e não se fala mais nisso: dia 30 de agosto o Tokyo Metropolitan Art Space sediou a realização do Press Start 2013, oitava edição da série japonesa de concertos. Como já adiantado nos posts anteriores, neste ano a equipe organizadora decidiu fazer algo não muito empolgante: dedicar o set list todo às reprises. Para quem não esteve lá ao vivo, realmente não é nada animador. Sob a batuta de Taizo Takemoto, a Tokyo Philharmonic Orchestra tocou as dez faixas mais votadas do público em ordem crescente e mais quatro segmentos adicionais. Tinha a expectativa de que pelo menos os dois números do bis fossem inéditos, mas também foram desanimadores repetecos.

Para não ficar muito repetitivo, o post vai ser menor do que o dos anos anteriores. Apenas algumas poucas observações após o set list.

Ato I

01. Super Mario Bros.: “Overworld” ~ “Underwater” ~ “Underworld” ~ “Overworld” (2009)
02. [10º] Kirby’s Dream Land: “Title” ~ “Green Greens” ~ “Float Islands” ~ “Sweet Potato Shooting” ~ “King Dedede’s Theme” ~ “Ending” (2009)
03. [9º] Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight” (2011)
04. [8º] Okami: “The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~ (2009 e 2011)
05. [7º] Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~” (2012)
06. [6º] Baten Kaitos: “To the End of the Journey of Glittering Stars” (2008)
07. [5º] Mother Medley: “Eight Melodies” (Mother) ~ “Eight Melodies” (EarthBound) ~ “Snowman” (Mother) ~ “LOG-O-TYPE” ~ “Porky’s Theme” ~ “MOTHER 3 ‘Love Theme” (Mother 3) (2006)

Ato II

08. [4º] Wild Arms: “Wild Arms 2nd Ignition” Medley (Intro) ~ “Battle vs Lord Blazer” (Wild Arms 2) ~ “Into the Wilderness” (Wild Arms) ~ “First Ignition” (Wild Arms 2) (2008 e 2010)
09. Rhythm Heaven: “Ninja” (2009 e 2010)
10. [3º] NieR: “Shadowlord” ~ “Emil” ~ “Kainé” ~ “Song of the Ancients” (2011)
11. [2º] Chrono Trigger e Chrono Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger) ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) (2010)
12. [1º] Xenoblade Chronicles: “Xenoblade” ~ “Gaur Plains” ~ “Mechanical Rhythm” ~ “Riki the Legendary Hero” ~ “Sator, Phosphorescent Land / Night” ~ “Those Who Bear Their Name” ~ “Confrontation with the Enemy” (2011)

Bis

13. Final Fantasy X: “At Zanarkand” (2009 e 2010)
14. Monster Hunter: “Proof of a Hero” (2006 e 2008)

– Tirando o Super Mario Bros., que abriu o concerto, o segmento interativo do Rhythm Heaven, “At Zanarkand” e “Proof of a Hero”, o programa segue a ordem dos números favoritos do público japonês como detalhei acima. Fiquei um pouco surpreso por Xenoblade Chronicles na liderança, porque o jogo é recente e os japoneses costumam ser nostálgicos nessas votações. Fora isso, o Yasunori Mitsuda aparece duas vezes na lista, com Chrono em segundo e Xenogears em nono, assim como a Yoko Shimomura com Legend of Mana e Xenoblade Chronicles (este com outros compositores).

– De última hora, a sueca Sofi Persson não pôde comparecer para cantar a “Song of Mana ~Opening Theme~” do Legend of Mana, como ela fez no Press Start 2012. Em vez de improvisar com outra artista, a performance foi instrumental, só com a orquestra.

– De resto, foram todas aquelas participações especiais já previstas: Hide-Hide (Okami), Emi Evans (NieR), Manami Kiyota e ACE (Xenoblade Chronicles), Akihiro Hayakawa (Wild Arms), além do Haruo Kubota (violão) e Vagabond Suzuki (contrabaixo).

– Diferentemente dos anos anteriores, parece que não houve bate-papos com os compositores originais. Pelas fotos, não vi ninguém de diferente.

– Espero que a apresentação tenha servido para gravarem um CD, já que o último, Press Start the 5th Anniversary,  foi lançado lá em 2010. E, por favor, que no próximo ano compensem essa avalanche de repetecos só com novidades.

[via Famitsu]

Press Start 2013 confirmado; por enquanto apenas cinco reprises no set list

Por Alexei Barros

Passa ano, vem ano, mais Press Start. Desde 2006 tem sido assim, com pelo menos uma apresentação anual no Japão. Em 2013, o concerto acontecerá dia 30 de agosto no Tokyo Metropolitan Art Space, com capacidade para 2000 assentos, e performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a condução de Taizo Takemoto. Nesta oitava edição confesso não ter nada de muito novo para falar: “espero pelo segundo CD”, “aguardo novidades japonesas”, “quando vocês vão tocar Donkey Kong e Metroid?” etc. O de sempre. Ou seja, nada de novo.

Se eu não tenho grandes novidades para compartilhar sobre o Press Start 2013, o set list parece incorporar esse espírito da mesmice, com, até o momento, decepcionantes cinco reprises. Espero, pelo menos, que daqui em diante sejam somente novidades, com aquelas seleções marotas que só o Press Start possui. Por enquanto, só me resta comentar os números requentados e, para não ficar mais monótono do que já está, coloquei sugestões de números inéditos para cada uma.

– Okami: “The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~

Já executado no Press Start 2009 e 2011, considero um repeteco altamente dispensável porque é um dos poucos que já tivemos a oportunidade de ouvir e ver também, com um vídeo oficial mostrando a primeira vez em que o Okami foi tocado. Se pudesse trocar por outro jogo da Clover Studio/Platinum Games, optaria sem pestanejar pelo Bayonetta, que inclusive compartilha alguns compositores com o Okami, como o Hiroshi Yamaguchi, autor da “One Of A Kind”.

– Chrono Trigger e Chrono Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time”

Acho que só se justificaria um medley da série se fosse novo – como, por exemplo, fez muito bem a Cosmosky Orchestra, com músicas pouco usuais do Chrono Cross. Já teve Chrono em 2008 e 2010 com duas seleções de faixas diferentes, mas o site do concerto afirma que a reprise será idêntica à segunda vez que o jogo foi apresentado. No lugar, podiam fazer algo com o… Radical Dreamers.

– Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~”

Pela escolha feliz de composições, deve ter sido um dos melhores números do Press Start 2012. Com certeza isso os levou a quererem repetir sem muita demora já neste ano. Resta saber se haverá de novo a cantora sueca radicada no Japão Sofi Persson como em 2012. Mas, Shimomura por Shimomura, talvez pudessem tocar um medley do Kingdom Hearts mais caprichado que o de 2007.

– Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight”

Yasunori Mitsuda mais uma vez representado com um medley executado no Press Start 2011. Muito provavelmente a escolha se deu por Xenogears ter ficado na berlinda após o lançamento do Myth: The Xenogears Orchestral Album no mesmo ano. Inclusive o medley tem faixas não arranjadas nesse CD. Se pudesse trocar, ficaria evidentemente com Xenosaga, o qual o concerto Score já fez uma belíssima apresentação.

– NieR: “Shadowlord” ~ “Emil” ~ “Kainé” ~ “Song of the Ancients”

Outra repetição do Press Start 2011. Lembro na época como a trilha original polarizou opiniões em fóruns de discussão na internet. Ironicamente, eu fico no meio desses polos, porque há boas músicas, mas chega uma hora que a repetição começa a imperar. Como há dois anos, não teremos a “Grandma”, que, por uma nova ironia, considero a melhor da trilha. Para continuar com um jogo desenvolvido pela Cavia, que, aliás, fechou as portas após o lançamento do NieR, eu voltaria para a geração PlayStation 2 para se lembrar da transcendental trilha de Drakengard 2 por músicas como a “Fate”.

[via PRESS START]

“Chrono Cross Medley” – Chrono Cross (Cosmosky Orchestra in Bunkyo Civic Hall)

Por Alexei Barros

Eu sei que já passei da linha do insuportável elogiando os japoneses e suas performances, mas, me desculpe, serei obrigado afirmar de novo: os japoneses são os melhores.

Se você procurar por Chrono Cross no YouTube, certamente vai se deparar com uma pletora de gravações de concertos. A maioria será da “Scars of Time”, a música que, se repetida mais umas mil vezes, deverá empatar com a quantidade de execuções da “One-Winged Angel”.

Mas eis que surge a Cosmosky Orchestra em sua primeira aparição em vídeo na internet e toca um medley não só com a “Scars of Time”, mas com outras faixas do RPG do PlayStation que muitos nem se arriscaram chegar perto. Não só com orquestra. Com banda. E com coral – nunca vi tocarem Chrono Cross com coral. Antes mesmo de apertar o play lá embaixo, a imagem geral do palco já levanta dúvidas sobre o amadorismo (onde?) da apresentação. A Cosmosky Orchestra, contando por cima, deve ter cerca de 70 instrumentistas e o Chor Crystal Mana cerca de 40 vozes.

O começo do arranjo exclusivo, do Tomomi Hakamata, já é fora dos padrões, com a sublime “Garden of God” – como puderam ignorá-la esse tempo todo? Apenas ao som do xilofone e da harpa as mulheres entoam a música, climatizando o ambiente etéreo. A orquestra mostra a que veio, com um naipe gigantesco de cordas. Em seguida, a badalada “Scars of Time” é lembrada na flauta, com a harpa e, lá no fundão (do palco e da mixagem) o baixo elétrico, em uma participação mais tímida que na original. Na hora da virada e a percussão a toda, há uma diferença para a maioria dos concertos que tocam a música: a melodia é tocada pelas flautas e não em um solo de violino como é mais comum. No finalzinho, sim, tem o solo de violino, mas competindo com o coral. Deveria ser um ou outro, até porque a mixagem da gravação enterrou o violino.

Depois, vem a calmaria da “Arni Village ~ Home”, que representa o primeiro momento mais tranquilo depois da tensão do prólogo, chegando com a flauta e oboé acompanhados pelas flautas. Um pouco abruptamente surge a curtíssima “Grief”, seguida pela explosão da “The Brink of Death”. A rendição dessa música, devo confessar, ficou bem aquém do esperado pela lerdeza do andamento (basta lembrar a versão da suíte de Chrono no Symphonic Fantasies, com o andamento condizente com a composição). A emocionante “Prisoners of Fate” ganha uma nova dimensão de dramaticidade com o coral, que não existia na original.

O operador de câmera inclusive já sabia: a “Beginning of a Dream” é tocada em um solo de guitarra (sim, tem guitarra ainda por cima), mesmo que, na original, o timbre lembrasse mais uma flauta. A participação do instrumento é até mais justificada com a “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~”, que tinha guitarra mesmo, estabelecendo um diálogo com a orquestra. Daí depois entra, imitando a original, a bateria e o baixo elétrico… estupendo!

Com a percussão a mil, a “The Dream that Time Dreams” é tocada, inclusive com a enfartante alusão ao tema “Chrono Trigger” do predecessor já existente na original e com coral, além de breves ressonâncias da melodia da “Radical Dreamers”. Para fechar, a “Scars of Time” ganha uma rendição completamente diferente, com maior uso do coral.

Evidentemente, não é uma performance perfeita, mas mostra o abismo de qualidade do que temos de mais badalado por aí. Não ouço nenhum playback, não vejo nenhum telão, ninguém chutando cadeira ou tentando agitar a galera. Apenas uma apresentação de fãs que se sustenta pela música e nada mais do que a música.

 “Chrono Cross Medley”
“Garden of God” ~ “Scars of Time” ~ “Arni Village ~ Home” ~ “Grief” ~ “The Brink of Death” ~ “Prisoners of Fate” ~ “Beginning of a Dream” ~ “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~” ~ “The Dream that Time Dreams” ~ “Radical Dreamers” ~ “Scars of Time”

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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