Archive for the 'E3' Category

Hadouken ao vivo? Hitz e Prandas se aventuram em Resident Evil VII

Por Claudio Prandoni

De repente, não mais do que repentinamente, eis que decidimos abrir um canal no YouTube e mostrar o Hitz & Prandas jogando AO VIVO e A CORES a demo Beginning Hour de Resident Evil VII, lançada outro dia aí, durante a E3 2016.

Devo dizer que orgulhosamente destrinchamos a tal demo: fizemos os três finais já conhecidos, exploramos cada cantinho DAQUELA NOVA mansão e até vimos a garota-fantasma-do-capeta-ai-meldels.

O vídeo completo você confere acima, em nosso canal no YouTube (já se inscreveu?) ou em nossa página no Facebook (já curtiu?).

Aliás: teremos novos vídeos? Novos streamings ao vivo? Coisa e tal?

Talvez. Provável que sim, mas ainda não sei dizer. Depende do Hitz. E mais ainda do Alexei, claro.

Sugestões? Mais do que benvindas, pode mandar, pls, pfvr!

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A volta de The Last Guardian

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Por Alexei Barros

Para mim, um dos grandes momentos da E3 2015 foi, sem sombra de dúvidas, a abertura da conferência da Sony com a volta de The Last Guardian. Revelado oficialmente na E3 2009, o jogo marcaria a estreia do minimalismo de Fumito Ueda no PlayStation 3, dando continuidade ao legado de ICO e Shadow of the Colossus em uma nova plataforma. Depois de mais duas aparições – TGS 2009 e TGS 2010 –, The Last Guardian ficou preso em um limbo de incertezas e falta de informações.

A expectativa já tinha se transformado em impaciência, depois em indignação e não demorou muito para prevalecer o conformismo: com tantos rumores, muitos já se acostumavam com o cancelamento de The Last Guardian. No final de 2011, surgiu a notícia de que Fumito Ueda tinha deixado a Sony, embora permanecesse trabalhando no jogo. Para saber de todo o vai e vem dos boatos, recomendo esta linha temporal compilada pelo Kotaku americano (que, aliás, precisava ser atualizada).

Na E3 2015 enfim foi esclarecido que Ueda fundou o gen DESIGN, que trabalha na parte criativa de The Last Guardian. Espero que depois desse jogo essa parceria com a Sony não acabe por aí – por exemplo, em uma relação parecida da que o estúdio Sora de Masahiro Sakurai teve com a Nintendo (inclusive essa softhouse nem existe mais).

O desenvolvimento de The Last Guardian começou em 2007, e tanta demora foi justificada por problemas técnicos, pois o PlayStation 3 não seria capaz de atender à visão que Ueda tinha para o projeto. Por mais que pareça uma desculpa esfarrapada (afinal, são oito anos!), outros game designers falaram a respeito da dificuldade de trabalhar com o hardware do PS3 – como Kazunori Yamauchi, criador de Gran Turismo. Com isso, The Last Guardian migrou do PlayStation 3 para o PlayStation 4, repetindo a história de ICO, cujo projeto começou no primeiro PlayStation, mas foi realocado para o PlayStation 2.

Um dos aspectos menos comentados do jogo até agora é a trilha sonora. O trailer da E3 2009 não mostrou muito esmero nesse aspecto, pois reciclava a “Opening Titles” do filme Miller’s Crossing, apesar de a música combinar belissimamente com a interação do garoto protagonista com o animal indefinido. Os demais vídeos, incluindo o trailer da E3 2015, trouxeram músicas sinfônicas incidentais, mas nada digno de chamar a atenção. Considerando o resultado primoroso da trilha sonora de Shadow of the Colossus, que parece melhorar a cada ano que passa, eu torceria para as músicas ficarem sob a batuta de Kow Otani. Nem sei se existiria uma opção melhor que ele.

Eu só espero que o jogo seja realmente lançado em 2016 como prometido. Passou tanto tempo que alguns até acham que The Last Guardian nem seria mais necessário nos tempos atuais da indústria, como neste artigo do Kotaku americano. Discordo frontalmente dessa visão, já que um jogo artístico com esse escopo e a sensibilidade única de Fumito Ueda é bem-vindo em qualquer época ou contexto do mercado.

Depois de rever os trailers antigos e assistir ao vídeo mais recente com toda a resolução que tem direito, concluo que The Last Guardian está sim mais bonito, embora ainda sem o impacto gráfico que muitos esperariam de um jogo do PlayStation 4.

O alpha de Destiny e o futuro da E3

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Claudio Prandoni

Nada mais oportuno do que um blockbuster de ficção científica para indicar os rumos do maior show de videogames do planeta.

De uns três anos pra cá, a E3 deixou de vez de ser uma fanfarra única para os visitantes in loco para se tornar uma experiência compartilhada pelo mundo todo, começando pelas hypadas conferências pré-evento e culminando em um sem número de transmissões ao vivo de veículos diversos e, principalmente, das próprias produtoras de games.

A Nintendo, por exemplo, na minha opinião, deu show com sua programação Treehouse Live @ E3, em que um dos departamentos internos mais conceituados do braço norteamericano da empresa mostrou à exaustão e contento os principais títulos da Big N na feira – contando, frequentemente, com a presença de figurinhas consagradas, como Eiji Aonuma e o próprio Shigeru Miyamoto.

Destiny, porém, foi diferente. E não digo pela sua proposta, que para mim soa como um amontoado bem pensado de fórmulas de sucesso como Diablo, Halo e Star War.

O lance diferente foi o alpha, exclusivo para PlayStation 4. Anunciado na conferência pré-E3 da Sony, o teste alpha era aberto para todos os jogadores de PS4: era só cadastrar seu login na PSN em um site lá e você recebia bonitinho o código para jogar o alpha, que durou míseros quatro dias e uns quebrados.

Isso que foi legal: poder jogar algo que, a princípio, estaria só lá na feira, em Los Angeles, em algum cubículo apertado (ou não) super disputado por jornalistas e varejistas do mundo inteiro. Eu não, pude conferir tudo com calma, do conforto do lar, explorando tranquilo, no meu próprio ritmo.

Devo dizer até, jogar o alpha foi crucial para eu definir pela compra do jogo. No PS4, inclusive, onde eu já estava jogando e vendo que funcionava legal. Até então, confesso que estava em cima do muro, não sendo lá muito fã de FPS e menos ainda de mundos persistentes online – mas bem interessado pelo universo sci-fi e disposto a dar uma chance à Bungie.

Durante a semana da E3 ainda, conversando com meu amigo Pablo Raphael, que estava lá em LA cobrindo a feira, foi muito bacana poder conversar sobre a mesma missão que ambos tínhamos jogado: eu na minha casa e ele no glamour da feira. Experiências e visões diferentes sobre um mesmo conteúdo, resultando, na minha opinião, em conhecimento formado mais completo e diverso sobre um jogo tão esperado.

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Enfim, acho que esse breve alpha aponta uma tendência que deve se tornar mais forte nos próximos anos. Já está consolidada a produção própria de conteúdo por parte das próprias desenvolvedoras. Não foi só a Nintendo: Sony, Microsoft, Square Enix, Konami e outras tantas produziram horas e horas de conteúdo sobre seus próprios jogos.

Claro que todo mundo vai tentar puxar sardinha para os seus jogos e tal, mas não deixa de ser uma oferta de acesso direto às empresas e as mentes responsáveis pelos games em exibição.

Nas próximas E3, chuto (e espero) que aumente bastante também a quantidade de demos, alphas e betas disponíveis para a galera em casa testar e tirar suas próprias opiniões. Afinal, se deu tempo de preparar demos para mostrar lá na feira, em teoria a cada ano é mais fácil de pegar esses arquivos e disponibilizar nas redes online dos consoles e afins. Por que não? Dá até pra fazer algum esquema de a demo parar de funcionar após certa data, tal qual o alpha do Destiny.

A revelação de Donkey Kong Country: Tropical Freeze e o retorno de David Wise à composição

Por Alexei Barros

Eu me lembro do choque que foi o anúncio do regresso de Donkey Kong Country na E3 2010… Por mais que houvesse outros jogos do gorila de gravata vermelha nos anos 2000, eu era órfão da trilogia DKC que abrilhantou o SNES de 1994 a 1996. DKC Returns veio para Wii em 2010 e pude constatar (mesmo com algum tempo de atraso) o talento da Retro Studios em manter a essência da trinca de jogos criados pela Rare.

Três anos depois, sem aquela tradicional apresentação gigante realizada pelas fabricantes de consoles, a Nintendo revelou a nova sequência em sua conferência online Nintendo Direct comandada pelo presidente da empresa, Satoru Iwata. Eu disse nova? Não sei se era porque estava meio por fora ou se a edição do vídeo não fez por merecer as novidades, quando o jogo foi apresentado, eu imaginei que, por qualquer motivo, eles ainda estavam falando do Donkey Kong Country Returns 3D, versão do supracitado jogo para 3DS lançada em maio de 2013.

Só fui me ligar que era um jogo novo quando o Donkey Kong entrou na água, uma vez que não havia seções subaquáticas no DKC Returns, diferentemente da trilogia original 16-bit. Sei que é toperice minha, mas eu achei os dois jogos, o DKC Returns e o recém-anunciado Donkey Kong Country: Tropical Freeze, também desenvolvido pela Retro Studios, muito parecidos visualmente. A mim, à primeira vista, não pareceu haver aquele frescor de continuações como Super Mario Galaxy 2 e o próprio Donkey Kong Country 2. Isso que eu não tenho nada contra continuações (desde que elas respeitem o bom senso). Outra novidade foi a inclusão de Dixie Kong como personagem auxiliar de Donkey Kong, além do Diddy. Tudo leva a crer que o jogo manterá a ideia de deixar um símio ajudante nas costas, da mesma maneira que no primeiro DKC Returns.

Mas a melhor novidade foi revelada depois da Nintendo Direct, no estande da produtora na E3, com a confirmação de David Wise como compositor do jogo. Na época de sua revelação, o DKC Returns teve o nome de Kenji Yamamoto anunciado para esse cargo, mas os créditos também deram os nomes de Minako Hamano, Masaru Tajima, Shinji Ushiroda e Daisuke Matsuoka, sem especificações de funções. Nem mesmo o encarte do álbum da trilha sonora Donkey Kong Returns Original Sound Track permite saber quem são os compositores e os arranjadores. Seja como for, nem de longe, nem mesmo utilizando músicas antigas arranjadas, a trilha do Returns causou o impacto das trilhas do DKC 16-bit. Eles já deveriam tê-lo chamado na ocasião, já que Wise saiu da Rare e nada impediria que ele voltasse de onde nunca deveria ter saído. DKC sem David Wise é Mario sem Koji Kondo ou Chrono sem Yasunori Mitsuda. Agora, com o regresso de Wise a um jogo que lembra os seus bons tempos da Rare, a história é totalmente diferente e já sonho com composições novas do nível de “Aquatic Ambiance” e “Stickerbush Symphony”.

[ATUALIZAÇÃO] A Nintendo também liberou um vídeo com declarações do produtor Kensuke Tanabe, falando mais sobre as novidades do jogo. Além da Dixie e do Diddy, haverá um terceiro personagem secundário ainda não revelado.

[via GoNintendo, WiiClube]

Zelda: 25 anos, dois discos, uma turnê e muitos jogos


Por Alexei Barros

Quem sentia falta de pompa e circunstância para a efeméride dos 25 anos de Zelda não teve o que reclamar com os anúncios reservados aos minutos iniciais da conferência da Nintendo na E3 2011. Surpreendente a revelação de uma turnê de concertos e álbuns das trilhas sonoras no palco de um evento em que normalmente são divulgadas novidades de jogos e consoles somente. Seria um indício da retomada da produtora à fartura de lançamentos de game music na década de 1990? Não sei e faço algumas ressalvas.

Aniversário de 25 anos de Zelda na E3 2011

Para abrir, orquestra e coral de nomes desconhecidos tocaram um medley de músicas da série contendo as faixas “Overworld”, “Ganondorf’s Theme”, “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e o tema do trailer do Skyward Sword. De cara, não achei nada demais a performance com uma qualidade aquém da perfeição de que se espera da Nintendo. Nem era grande pela limitação de espaço, e a própria técnica dos instrumentistas não é das melhores, com deficiências no violino e coro sem potência. Confirmando um rumor espalhado dias antes da conferência, tratava-se de um coral de estudantes. Você pode pensar que sou muito exigente e ter achado o máximo. Eu não me empolguei tanto assim.

Shigeru Miyamoto entrou no palco com o indefectível sorriso acompanhado por uma fanfarra da orquestra. Pouco depois, chamou o intérprete Bill Trinen, que tinha a irritante mania de não esperar o designer acabar de falar para começar a traduzir. Em um vídeo, não haveria o problema, porque o áudio do Miyamoto seria deixado em segundo plano. Duas vozes estavam no mesmo volume de altura, criando uma confusão mental digna da Torre de Babel. O criador da série ressaltou a importância das músicas para a experiência de Zelda e solicitou que a orquestra reproduzisse as breves melodias instantaneamente reconhecíveis. Foi tocada a vinheta da resolução de puzzles, da coleta de item especial e o tema da Fairy Fountain. Daí o Miyamoto solicitou que tocassem novamente a da coleta de artefato… para quê? O pedido aparentemente fugiu do combinado e pegou de surpresa a maestrina, que perguntou qual era a música. Para piorar, a flautista começou a tocar a Fairy Fountain até a orquestra entrar em sintonia.

Pularei as novidades referentes aos jogos – entre no Andria Sang (em inglês) se quiser se aprofundar –, para enfocar nos anúncios musicais. O mais inusitado: a turnê comemorativa The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, que imaginava ser produzida por uma companhia japonesa, como a Company AZA, do Press Start e do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. Conforme divulgado pelo OSV, a excursão é produzida pela JMP Productions, do Dear Friends: music from Final Fantasy, More Friends: music from Final Fantasy e Play! A Video Game Symphony – e aqui a minha expectativa caiu um bocado por causa do controverso CD, ainda que tenha apreciado os últimos arranjos da turnê. Terá passagens nos Estados Unidos, Europa e Japão, e a visita ao arquipélago nipônico já foi marcada para o dia 10 de outubro no Sumida Triphony Hall, com a Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta de Taizo Takemoto. Ingressos de 1.500 a 3.000 ienes que estarão disponíveis para quem adquirir The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Com isso, acredito que a JMP Productions será responsável somente pelas apresentações nos EUA.

Em seguida, foi a vez da divulgação de dois álbuns de game music, o que não me lembro de acontecer antes na E3. Um deles é baseado justamente na récita, com lançamento em conjunto com o The Legend of Zelda: Skyward Sword, que sai no final de 2011. O outro é o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D Official Soundtrack, disco promocional que pode ser conseguido via Club Nintendo.

[ATUALIZAÇÃO] O álbum terá 50 faixas no total, sendo que muitas jamais foram lançadas antes. O medley orquestrado que cito na sequência está incluso, assim como o encarte com ilustrações especiais para a releitura do 3DS e comentários do Miyamoto e do Kondo. Quem adquirir o Ocarina of Time 3D e ser filiado ao Club Nintendo pode seguir os passos no site e receber o disco gratuitamente.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D

Acabada a parte da E3, aproveito o ensejo para comentar o bate-papo do Iwata Asks com Koji Kondo e Mahito Yokota sobre o vindouro remake agendado para 19 de junho. Inicialmente, a trilha do Ocarina of Time 3D ficaria sob a responsabilidade de compositores novatos, e Kondo falou para Yokota os supervisionar, mas ele não conseguia só ficar olhando porque sempre foi fã de Ocarina of Time, então pediu que cuidasse de tudo. A intenção inicial era arranjar as músicas para modernizar os timbres. Com cerca de metade do trabalho pronto, Kondo disse subitamente para deixar fiel ao som do Nintendo 64…

Parece fácil pelo fato de as faixas soarem hoje passadas, porém foi realmente difícil recriar o áudio do N64 para um portátil como o Nintendo 3DS. A qualidade pode ser um pouco melhor no remake de acordo com Kondo, que deu os seus pitacos como autor da obra. Para ele, a ocarina da “Title Theme” estava muito alta, sem reverberação. Kondo queria passar a ideia que o instrumento fosse tocado de bem longe, no meio da floresta. Comentou-se que o jogo exigiu bastante capacidade do 3DS pelo dinamismo e interatividade das músicas, uma das grandes inovações do original, levando em consideração que os efeitos de som e outros ruídos precisaram ser readequados para a taxa de quadros por segundo, que passou de 20 para 30.

Yokota colocou uma faixa orquestrada no jogo e manteve o segredo para que os jogadores descobrissem… nem saiu e encontraram. Toca nos créditos e é um medley com a “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e “Overworld”. E já riparam. Se quiser ouvir por sua conta e risco, basta clicar no link para o Goear abaixo. Coloquei o trailer abaixo também.

“Staff Credits Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D)

The Legend of Zelda: Skyward Sword

Na mesma entrevista, Yokota afirmou que trabalhou em dois Zeldas simultaneamente, sendo Skyward Sword o outro, logo depois do Super Mario Galaxy 2. Para o trailer da E3 2010, evento que revelou o jogo, ele discutiu com Miyamoto sobre a utilização de uma música orquestrada, mas Miyamoto-san não achou que seria necessário. Refresque sua memória:

No intervalo do verão japonês, finalmente decidiram colocar músicas orquestradas no Skyward Sword, e Yokota se juntou ao time, usando a técnica de carregar as faixas em streaming do Super Mario Galaxy. O toque mágico do Yokota na orquestração pôde enfim ser contemplado no trailer da E3 2011. Quanta diferença:

Agradecimentos ao DGC pelas dicas via e-mail.

[via Andria Sang, OSV, The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, Iwata Asks; crédito da foto: AVS Forum]

Goldeneye nunca morre


Por Alexei Barros

Parece que foi outro dia que ficava atiçado para alugar aquele jogo, chamar os amigos e tirar infindáveis partidas multiplayer. Infelizmente, não foi o meu caso, porque a besta aqui não teve Nintendo 64, mas foi a história de muitos, os afortunados que jogaram Goldeneye 007 nos idos de 1996. Como possuidor de um PlayStation e fã do gênero tiro em primeira pessoa, comecei uma busca por títulos similares em consoles porque era difícil ter um PC poderoso para jogar os mais recentes. Uma procura que foi parcialmente findada com Medal of Honor, claramente inspirado pelo clima de espionagem e objetivos por fase, e mais ainda pelo estupendo, genial e imbatível Medal of Honor: Underground.

Era FPS, mas não James Bond. Sim, acreditei que o trágico 007: Tomorrow Never Dies pudesse ser uma continuação digna, mesmo em terceira pessoa, quando foi uma tremenda caca. A EA Games deu continuidade à tradição nos videogames alternando entre pontos baixos e altos. Verdade seja dita, quando dão tempo à EA, ela consegue, e o maior exemplo disso é o espetacular James Bond 007: Everything or Nothing, que levou dois anos para ser feito. Enquanto isso os frutos resultavam na sequência espiritual Perfect Dark, por ser um FPS da Rare, e na ótima série TimeSplitters, do estúdio Free Radical Design (hoje Crytek UK), que inclui na sua equipe alguns dissidentes daquela época. O design ímpar das armas e a jogabilidade suave confirmam.

Tempos depois, mesmo com o visual bastante ultrapassado, pude finalizar o Goldeneye 007 e comprovar pelo emulador que se trata de uma obra paradigmática. Diria mais, triplamente paradigmática. FPSs não são jogáveis em consoles? FPSs só são atirar e atirar? Jogos licenciados são uma porcaria? Tudo foi derrubado. Para não dizer do multiplayer em tela dividida. Goldeneye 007 revolucionou, trazendo mais inteligência ao gênero – avanços que foram emburrecidos em Halo, equivocadamente tido como um sucessor no que se refere a referências nos FPSs de console.

Apesar da influência exercida por todos os títulos mencionados, quem mais sofreu pela lacuna foi a Nintendo, que nunca teve outro FPS exclusivo do mesmo quilate – Metroid Prime é um jogo de aventura, aliás, também influenciado por Goldeneye 007, ou então de onde você acha que foi inspirada a animação da câmera que mostra o cenário e entra na visão do personagem principal?

Todo este longo introito é para dizer que foi com surpresa que recebi a notícia da reinvenção de Goldeneye 007 para Wii na E3 2010, mesmo porque já se passaram seis filmes da franquia, e o ator principal nem é mais Pierce Brosnan, mas Daniel Craig, como se sabe.

Não me empolgaria mais do que o normal se não fosse por um detalhe: Goldeneye 007 é da Eurocom, a desenvolvedora britânica que fez o melhor FPS do James Bond depois da Rare, o excepcional James Bond 007: Nightfire nas versões de PlayStation 2, Xbox e GameCube – de PC era da Gearbox Software. A publicação, como o Quantum Solace, será da Activision, a atual detentora dos direitos autorais. A expectativa é muito maior do que de um Goldeneye: Rogue Agent, por exemplo, aquela picaretagem que tentou aproveitar o nome forte do olho de ouro ainda possui nos jogos.

Bem como Donkey Kong Country Returns, e também por ser uma herança da Rare, o novo Goldeneye está livre da obrigação de causar o mesmo impacto, e sim apenas trazer à tona muitas das lembranças áureas do N64. Mas que é bizarro ver Daniel Craig em vez de Pierce Brosnan no jogo, isso é.

Abaixo o trailer de revelação do título que já sai em novembro.

O inacreditável retorno retrô de Donkey Kong Country


Por Alexei Barros

A conferência da Nintendo na E3 2010 foi um momento de fortes emoções. Muitas. Então vou começar pelo que para mim foi o ápice. Minhas expectativas estavam baixas porque já esperava por uma avalanche decepcionante de tranqueiras casuais (perdão pela franqueza), no instante em que Reggie Fils-Aime, o CEO da Nintendo of America, comentou que o próximo jogo a ser mostrado estava em desenvolvimento pela Retro Studios. Daí começou a tocar uma certa música familiar. Pensei: “ah, não… não me diga que…”

Lá vem o clichê: era bom demais para ser verdade. E era. Um novo Donkey Kong. Um novo Donkey Kong, e 2D, com os mesmos personagens, barris e carrinhos de minas que consagraram a suprema trilogia do Super Nintendo. No final do trailer, mais um sobressalto que confirmava aquilo que sonhava em vão há 14 anos: Donkey Kong Country Returns!

Um delírio que parecia enterrado no momento em que a Rare, a responsável pela trinca, fora adquirida pela Microsoft em 2002, uma compra que, como todos sabem, até o momento não justificou os 375 milhões de dólares desembolsados. Mesmo porque os principais cabeças nem estão mais lá. Sempre me perguntava: será que a Nintendo precisava mesmo da Rare para fazer o Donkey Kong Country 4? Pior! A Rare disse que por ela não haveria problema, claro, imaginando-se para um portátil, em que não vale a exclusividade da Microsoft. A decisão de incumbir a Retro Studios do desenvolvimento é magistral, porque o estúdio californiano que se consagrou com a trilogia Metroid Prime, a despeito de todo o ceticismo antes do primeiro jogo, é perfeito para ocupar o posto de sucessor da Rare, no que diz respeito a uma softhouse second-party de alto nível, capaz de lidar com as poderosas marcas da Nintendo com naturalidade.

Nesse interregno, o personagem que já salvou o panorama nintendístico em duas oportunidades (1981 e 1994) foi relegado a um plano secundário de jogos de propostas alternativas, para não esquecer dos infindáveis adaptações e versões para GBC, GBA, DS e Virtual Console da trilogia. Foram muitos anos de batucadas em bongôs, musicais ou não, ou de títulos que, nem fazendo muita força, como DK Jungle Climber, poderiam se equiparar à relevância que DKC ocupava na geração 16-bits. O único lampejo de aventura foi Donkey Kong 64, que não era Country. Não que Donkey Kong Country Returns vá repetir o feito de 1994, afinal os tempos são outros, os jogadores  são outros, mas uma sessão de nostalgia capaz de relembrar as maravilhosas aventuras em progressão lateral por cenários fotorrealistas era o mínimo que desejava durante todo esse tempo.

Abaixo o vídeo de revelação, que foi recebido euforicamente pelo público:


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