Arquivo para janeiro \31\UTC 2013

No final de fevereiro, o primeiro DVD da Blind Spot, a quase S.S.T. Band

Por Alexei Barros

Se há alguns anos o mais alucinado fã da S.S.T. Band sonhasse com o retorno da banda da Sega – a primeira de game music do mundo; não aceite os genéricos –, esse aficionado seria tachado de maluco. Afinal de contas, em 2013, vão se completar 20 anos do anúncio do fim da S.S.T. Band no palco do Game Music Festival ‘93. Mas as notícias não podiam ser mais animadoras: desde 2011, a S.S.T. Band renasceu como Blind Spot, não por acaso o mesmo nome do álbum formado por músicas originais, sem relação com games lançado em 1992.

O melhor vem agora: em 27 de fevereiro será lançado o primeiro produto que marca a redenção da Blind Spot, o DVD Blind Spot Live!, que, por enquanto, está à venda na Amazon e pode ser encomendado por outros lugares do mundo. É o registro do show no Takadanobaba Club Phase realizado dia 29 de setembro de 2012.

São generosas 18 faixas, conforme listado abaixo, e peço que você escute trecho delas, uma a uma, para ler os meus comentários depois. O melhor é que, diferentemente daquele vídeo promocional do After Burner (que, por sinal, já foi retirado do ar), o som não parece embolado, e, o baixo do Masato Saitoh, que estava quase mudo, agora pode ser ouvido com mais realce.

01. Wave Motion (original)
02. I Can Survive (original)
03. Sword of Vermilion (Sword of Vermilion)
04. Earth Frame G (G-LOC: Air Battle)
05. Wilderness (Golden Axe)
06. Last Wave (Out Run)
07. Passing Breeze (Out Run)
08. Blue Moon (S.D.I.)
09. System Down (S.D.I.)
10. Theme From Super Monaco GP
11. Tachyon (original)
12. Beyond the Galaxy (Galaxy Force)
13. Thunder Blade Medley (Thunder Blade)
14. Space Harrier Main Theme (Space Harrier)
15. Outride a Crisis (Super Hang-On)
16. Like The Wind (Power Drift)
17. Magical Sound Shower (Out Run)
18. After Burner (After Burner)

Em meio às músicas da Sega, há as composições provenientes do supracitado álbum Blind Spot, como “Wave Motion”, “Tachyon” e “I Can Survive”. Com exceção da última, não havia registro de performances ao vivo dessas faixas. Todas tinham sido tocadas no GMF ’92, mas somente a “I Can Survive”… sobreviveu no CD do evento. Até tinha me esquecido o quanto eu gosto da “Wave Motion”, que, aliás, é assinada pelo Takenobu Mitsuyoshi, o que mostra que eles não se prenderam somente às músicas assinadas por integrantes atuais da Blind Spot, até porque, não tocar as composições do Hiro só porque ele não está mais na banda seria um pecado.

Na parte de jogos da Sega – ainda bem que conseguiram licenciar as músicas –, a maior surpresa é a “Theme From Super Monaco GP”, não aquele do Ayrton Senna, que é a continuação, mas o original mesmo. Enquanto existe uma versão em estúdio no Super Sonic Team -G.S.M. SEGA 3-, nenhum dos álbuns ao vivo contém a música. Nas mesmas condições, há a “Passing Breeze” do Out Run.

Para completar, o “Thunder Blade Medley”, se seguir a track list daquele show do retorno, é o mesmo que o Koichi Namiki tocou no Galaxy Force II & Thunder Blade Original Sound Track. Tem também a “Outride a Crisis”, do Super Hang-On. Desse jogo, a S.S.T. Band só tinha a “Sprinter”. Agora a Blind Spot incorporou o arranjo fenomenal que o mesmo Namiki havia feito na coletânea de aniversário Super Hang-On 20th Anniversary Collection.

O cenário atual é bastante animador porque temos dois filhotes da S.S.T. Band: além da Blind Spot, não podemos nos esquecer da [H.], que anda meio preguiçosa ultimamente, mas já tem mais de dez anos. Quem diria que, em pleno 2013, com muitos se referindo à Sega como uma empresa morta, teríamos DUAS bandas tocando músicas antigas do imenso legado da empresa?

Grato ao Rafael “S.S.T. Band” Fernandes por transmitir a novidade.

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Artwork do dia: Final Symphony

Por Alexei Barros

Dos cinco primeiros jogos da série Final Fantasy, todos, com exceção do FFII, apresentam um enredo que girava em torno dos cristais mágicos que mantinham o equilíbrio do mundo e protegiam o planeta das forças malignas.

Ainda que esses episódios não façam parte do programa do Final Symphony, o cristal está lapidado na forma de um violoncelo na artwork oficial do concerto que acontecerá em maio de 2013, por enquanto com duas apresentações na Alemanha e uma na Inglaterra. A semelhança com a o controle-violino da capa do Symphonic Fantasies e a espada com cabo de violoncelo do Symphonic Odysseys não é coincidência, visto que o artista anônimo da agência schech.net é o mesmo. Só espero que essa arte também esteja no CD desse concerto que terá músicas do FFVI, FFVII e FFX – antes o álbum precisa ser anunciado.

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1” (Final Fantasy II) ~ “Battle 2” (Final Fantasy III) ~ “Fight 2” (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1” (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1” do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2” do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2” (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1”, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.


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