Chikage Games: review de Dark Souls III

Por Alexei Barros

Provavelmente seria apedrejado se falasse isto em público, mas não sou daqueles que acham que séries anuais são o câncer da indústria. Claro, dentro de um bom senso e, acima de tudo, mantendo a qualidade, realmente não consigo encarar como um problema sério. Digo isso porque com os lançamentos de Dark Souls II (2014), Bloodborne (2015) e agora Dark Souls III (2016), a série Souls, contabilizando o spin-off do ano passado, virou praticamente anual.

É incrível como a From Software, com um cronograma apertado, conseguiu se organizar de modo a lançar três jogos desse escopo em tão pouco tempo, enquanto projetos como Final Fantasy XV e The Last Guadian se arrastam no desenvolvimento há pelo menos dez anos. Mais importante: com um nível de excelência ímpar. Mesmo Dark Souls II, que está abaixo dos demais por diversos fatores (chefes genéricos, alguns cenários medianos), é um jogo gigantesco.

Verdade que assim fica difícil estar 100% atualizado com a série – eu ainda estou jogando a DLC The Old Hunters do Bloodborne. Como todo mundo sabe, Dark Souls III foi recentemente lançado e muitos já concluíram ou estão usufruindo de mais uma rodada de ambientes fantásticos e combates épicos do jeito que só a From Software é capaz de fazer. Um desses afortunados é o Edu Baggio, do Chikage Games, canal a qual fui apresentado há poucos dias pelo próprio. O vídeo que destaquei é um review do Dark Souls III, mas ele gravou outros vídeos relacionados do universo Souls/Bloodborne – outro que recomendo é o “9 motivos para jogar a série Souls”, que também aborda a trilha sonora. Como jogador experiente da franquia, o Edu falou sobre as novidades de gameplay e diferenças que o Dark Souls III traz em relação aos predecessores, além de comentários a respeito da parte técnica.

Bra★Bra 2: uma nova rodada de arranjos para orquestra de sopro

top_logo
Por Alexei Barros

Outro álbum digno de nota que sai hoje, dia 23 de março, no Japão, é o Bra★Bra Final Fantasy Brass de Bravo 2. Há pouco mais de um ano comentei com entusiasmo a respeito do lançamento do álbum anterior, que se provou ser realmente fantástico. O grande atrativo dos discos é a performance da orquestra de sopro Siena Wind Orchestra.

Se o o primeiro CD possuía gratas surpresas que fugiam do senso comum, como “The Airship Medley”, “FF Dungeon Medley” e outras, o segundo já entra na mesmice de hits do Distant Worlds e do Piano Opera. Faixas como “Festival of the Hunt” e “The Man with the Machine Gun” foram arranjadas à exaustão, embora eu goste sobremaneira de ambas. Mesmo assim, “Main Theme FFI/II/III” e especialmente a “Mambo de Chocobo” (FFV) me surpreenderam. Veja o set list abaixo.

01 “Battle at the Big Bridge” (FFV)
02 “Main Theme Of Final Fantasy IV” (FFIV)
03 “Cosmo Canyon” (FFVIII)
04 “Festival of the Hunt” (FFIX)
05 “Main Theme FFI/II/III”: “Main Theme” (FFI) ~ “Main Theme” (FFII) ~ “Eternal Wind” (FFIII)
06 “Something to Protect” (FFIX)
07 “Kefka” (FFVI)
08 “Gold Saucer” (FFVII)
09 “The Man with the Machine Gun” (FFVIII)
10 “Fight With Seymour” (FFX)
11 “Fragments of Memories” (FFVIII)
12 “Mambo de Chocobo” (FFV)

O time de arranjadores é o mesmo de antes, com o quinteto Yasumasa Sato, Tsutomu Narita, Rika Ishige, Youhei Kobayashi e Nobuhiko Kashiwara. O experiente Shiro Hamaguchi, que foi o principal arranjador de Final Fantasy no passado, também está creditado na “Fragments of Memories”, mas acho que isso se deve apenas pelo fato de Yasumasa Sato provavelmente ter se baseado na partitura feita para o álbum FITHOS LUSEC WECOS VINOSEC.

Samples de todas as faixas podem ser conferidos no site da Square Enix.

No ano passado foi realizada uma turnê de apresentações no Japão e algumas músicas presentes no Bra★Bra Final Fantasy Brass de Bravo 2 já foram tocadas ao vivo, como mostra este vídeo promocional.

[via Square Enix]

The Orchestral SaGa -Legend of Music-: à espera de um álbum lendário

The Orchestral SaGa_003

A FILMharmonic Orchestra Prague é conhecida por um longo histórico de performances em concertos e trilhas de games


Por Alexei Barros

Apesar da qualidade e da excelência musical da série SaGa, a franquia tem uma representatividade muito pequena em arranjos orquestrais, seja em concertos ou álbuns. Mais isso vai mudar um pouco com o lançamento do CD duplo The Orchestral SaGa -Legend of Music-, que acontece hoje, dia 23 de março no Japão.

Gravado no Rudolfinum’s Dvořák Hall com a FILMharmonic Orchestra Prague na cidade de Praga na República Tcheca, o primeiro disco contém dez faixas em formatos de medleys. As seleções percorrem músicas de todos os compositores da série, desde o início com Nobuo Uematsu e Kenji Ito, até a era impressionista de Masashi Hamauzu, passando pelas faixas de Ryuji Sasai e Chihiro Fujioka em Jikuu no Hasha: SaGa 3.

A melhor decisão que podiam tomar é deixar os arranjos sob os auspícios de Kousuke Yamashita. Já pude ouvir diferentes trilhas de games, animes, J-dramas e tokusatsus e é impressionante o talento do japonês com músicas orquestrais. Entre tantos arranjos para os concertos de Monster Hunter, ele também arranjou e regeu o Nobunaga no Yabou 30th Anniversary Concert. Curiosamente, é a primeira colaboração de Yamashita com a Square Enix.

Na página oficial do The Orchestral SaGa -Legend of Music-, é possível ouvir diversos samples. Destaco a surpreendente aparição da “Battle Theme I” do Unlimited Saga na faixa 1, a “Decisive Battle! Saruin” do Romancing SaGa na faixa 5 e a “Feldschlacht I” do Saga Frontier II na faixa 9.

O segundo CD, por sua vez, traz apenas quatro faixas e foi gravado no Japão. Pelo que entendi nesta entrevista que Kenji Ito concedeu ao 4Gamer.net, na verdade são arranjos originalmente preparados para o Imperial SaGa, jogo da série para browser, mas acabaram ficando de fora. As releituras desse disco foram feitas pela Natsumi Kameoka e se diferem por terem bateria, baixo elétrico e guitarra. Chamo a atenção para a “Seven Heroes Battle” do Romancing Saga 2 e a “Four Demon Nobles Battle 1” do Romancing SaGa 3 na faixa 4 desse disco.

Claro que nem tudo é perfeito: ainda vou ficar sonhando com a “Searching for the Secret Treasure” do SaGa 2 Hihou Densetsu, a “Battle #1” do SaGa Frontier e a “Battle 1” do Romancing SaGa orquestradas. Já posso imaginar outro álbum nesse formato?

The Orchestral SaGa_005

O compositor Kenji Ito e o arranjador Kousuke Yamashita foram até Praga para supervisionar a gravação das partituras

[via 4Gamer.net e Square Enix]

Piano Opera music from Final Fantasy 2016: Bravo! A incrível passagem de Nobuo Uematsu pelo Brasil

IMG_20160302_202851838_HDR

Um piano, um telão e muitas lembranças

Por Alexei Barros

Apesar do imenso potencial para receber espetáculos oficiais de game music, o Brasil ainda tem uma tradição bastante limitada nesse cenário. Um dos mais importantes capítulos dessa humilde trajetória aconteceu no dia 2 de março, com a realização do Piano Opera music from Final Fantasy no Teatro Gamaro em São Paulo.

O principal motivo para isso foi a presença de Nobuo Uematsu em território nacional – algo que eu julgava quase impossível uns anos atrás – nessa performance de piano do Hiroyuki Nakayama das músicas de Final Fantasy de I a IX. Em 2014, o pianista já havia se apresentado no Grande Auditório do MASP em São Paulo e prometeu na ocasião que traria o compositor para o País.

A demanda para esse tipo de espetáculo por aqui é notória, considerando a rapidez com que os mais de 750 ingressos foram esgotados, dos quais 150 eram VIP e garantiam o chamado “Meet & Greet” com Uematsu e Nakayama após o recital – uma foto com os dois japoneses e o direito de ter itens de coleção autografados, além de uma cópia do CD promocional Final Fantasy Music Sampler CD -Limited Edition-. Um desses itens inclusive podia ser adquirido no próprio local: o Piano Opera Final Fantasy I-IX Piano Arrangement Album, que foi vendido por R$ 220. Não é um valor absurdo se considerarmos que se trata de um álbum triplo, que abrange todas as músicas executadas no dia e tantas outras da série.

Se a localização do Teatro Gamaro não é das melhores para quem mora perto do centro de São Paulo, havia estações de metrô próximas que garantiam a facilidade de acesso. Do interior da casa de espetáculo eu tenho muitos elogios: é um lugar perfeito para uma apresentação mais intimista. A acústica do ambiente também garantia que a performance no piano, que teve o som amplificado com microfones, fosse plenamente apreciada. A arquitetura do Teatro Gamaro permitia uma visualização perfeita do palco e, mesmo sentado no segundo mezanino, pude ver o teclado do piano sem esforçar a vista. Minha única queixa do local é a ausência de luzes nas escadas. As pessoas que entraram depois, já no escuro, ficavam perdidas, com dificuldade de encontrar os assentos certos.

Marcada para as 20 horas, a apresentação atrasou alguns minutos e, com as luzes meio apagadas, um certo senhor bigodudo de rabo de cabalo vestido de branco entrou rapidamente no palco, acompanhado da tradutora. Era, enfim, Nobuo Uematsu, saudando o público em português.

IMG_20160302_201027439

Com muita simpatia, a tradutora transmitiu todo o bom humor de Nobuo Uematsu

Foi com surpresa e certa ponta de decepção que ouvi da boca dele o estímulo para a plateia se manifestar a qualquer momento que desse vontade, sem precisar esperar a música acabar. Os gritos até eram de certo modo “organizados”: Uematsu distribuiu botons para algumas pessoas aleatórias, que deveriam bradar “Bravo!” no meio do espetáculo. Com seu tradicional bom humor, ele falou que mesmo quem não tivesse recebido também podia berrar.

O público brasileiro, claro, toma esse tipo de incentivo como uma ordem. Na maioria das vezes, as pessoas não esperavam nem a música começar para gritar “Bravo!”. O maior paradoxo de tudo isso é que os gritos nitidamente desconcertavam Nakayama.

Por várias vezes, ele aproximava as mãos do piano, mas hesitava em começar a tocar a cada grito de “Bravo!” que tirava sua concentração. Em certos momentos, o próprio Nakayama pediu que a plateia se acalmasse, dando a impressão que a fala de Uematsu no início parecia mais uma trollada com o instrumentista. Felizmente, durante as músicas, com a performance já em andamento, os gritos em passagens virtuosísticas ou em cenas que eram projetadas no telão (falarei mais adiante sobre isso) não atrapalharam o talentoso pianista.

Além disso, conforme os jogos se repetiam no programa, as pessoas já ficavam mais anestesiadas de ver os logos de seus episódios favoritos e pareciam se dar conta de que não valia a pena ficar gritando tanto. É bom que se diga que, quando aconteciam, os gritos não eram tão prolongados e não interferiam tanto na apreciação da performance. Em nenhum momento eu me perguntei: “O que eu estou fazendo aqui se não dá para ouvir nada?”.

Devo confessar que considero o telão dispensável, mas já que a apresentação se propõe a ter as cenas de jogos, eu me sinto à vontade para comentar. Alguns vídeos, especialmente nos jogos 8-bit, estavam com uma taxa de quadros muito baixa, quase parando. Em uma época em que há vídeos 1080p de jogos antigos aos montes no YouTube, esperava que eles estivessem em melhor qualidade. Também seria interessante se os vídeos identificassem os nomes das músicas, pois algumas faixas tocadas não são tão conhecidas. Ao menos, os trechos de gameplay eram intercalados com a câmera que focava o teclado do piano, algo muito mais válido, apesar do pequeno delay entre a performance e a imagem projetada. Sei que estou soando muito chato reclamando desses detalhes, mas nessas horas eu digo: quem mandou ter telão?

Falando enfim do que realmente interessa, que são as músicas, o programa foi em sua maior parte baseado no Piano Opera Final Fantasy VII/VIII/IX, terceiro álbum da coleção que não havia sido lançado na apresentação de 2014. Do total de 12 faixas do disco, apenas três ficaram de fora: “Fight On” (FFVII), “Liberi Fatali” (FFVIII) e “Roses of May” (FFIX). A omissão das duas primeiras é curiosa, já que estão entre as mais famosas composições de Nobuo Uematsu. Eu que sou intolerante com a repetição de algumas músicas, não seria louco reclamar de ouvi-las ao vivo, considerando o ineditismo da ocasião.

O set list foi complementado com a “Prelude ~ Opening” (FF) e “Town Medley” (FF I, II e III) do Piano Opera Final Fantasy I/II/III, além de “Kefka” e “Dancing Mad” (FFVI), “Troian Beauty” (FFIV) e “Clash on the Big Bridge” (FFV) do Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI. Curiosamente, todos esses segmentos dos dois primeiros álbuns são reprises da apresentação de 2014. Por que não tocar músicas diferentes, como “Battle Medley” e “Red Wings ~ Kingdom Baron”?

De qualquer forma, eu reclamo de boca cheia, porque “Festival of the Hunt” (FFIX), “The Man with the Machine Gun” (FFVIII), “Clash on the Big Bridge” (FFV) e especialmente a magnânima “Dancing Mad” (FFVI) estão entre as minhas músicas favoritas do Uematsu e me provocaram arrepios de nostalgia – reforçando o que falei acima, esse sentimento foi proporcionado pelas melodias, não pelas imagens do telão. Na parte do bis, deu para ouvir na plateia pedidos de “One-Winged Angel” (FFVII) e “At Zanarkand” (FFX), mas vale lembrar que todo o repertório é baseado nos arranjos que o próprio Nakayama fez para os três álbuns Piano Opera e ambas as músicas não aparecem na coleção – FFX então nem sequer está representado nesses CDs.

Em um dos intervalos das músicas, foram ditas algumas informações bacanas sobre composições da série, enquanto Nakayama tocava de fundo a “Theme of Love” (FFIV). Por exemplo, o fato de a equipe de produção de FFVII achar a “One-Winged Angel” uma música tensa demais para entrar no jogo, embora isso não tenha sido muito bem explicado na hora. Outro acontecimento curioso é que a “Prelude” foi feita às pressas. Uematsu disse ironicamente que se soubesse que Final Fantasy ia durar tanto tempo teria feito algo melhor. Talvez a curiosidade mais interessante é que a letra da “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de FFVI foi escrita por Yoshinori Kitase como uma declaração para a sua namorada, que depois se tornou sua esposa. Nesse bloco também foi citada a premiada canção “Eyes on Me” (FFVIII), que Uematsu chegou a cantarolar brevemente. Só o final do espetáculo foi meio estranho, já que não tinha ficado claro se haveria mais alguma música a ser executada, deixando o público indeciso e com gosto de quero mais. Quem comprou o ingresso normal demorou um pouco para ir embora.

A noite do dia 2 de março vai ficar para sempre na memória dos presentes e, o melhor de tudo, o sentimento muito promissor no ar da realização de novas apresentações no futuro, tomara que contemplando outras cidades do País. E digo mais: depois do que presenciei naquela quarta-feira, sonhar com o Distant Worlds no Brasil já não me parece uma loucura.

A passagem de Nobuo Uematsu por São Paulo foi rápida como um cometa e sem espaço para entrevistas, mas mesmo assim, o comparsa Claudio Prandoni conseguiu arrancar dele a informação de que ele se motivou a fazer a “Samba de Chocobo!” (FFIV) pela paixão pelo samba brasileiro, tema que ainda merece ser aprofundado.

Set list:

Ato I

01. “Prelude ~ Opening” (Final Fantasy)
02. “Ami” (Final Fantasy VIII)
03. “Festival of the Hunt” (Final Fantasy IX)
04. “Words Drowned by Fireworks” (Final Fantasy VII)
05. “Town Medley” (Final Fantasy I, II e III)
06. “Not Alone” (Final Fantasy IX)
07. “Cosmo Canyon” (Final Fantasy VII)
08. “The Man with the Machine Gun” (Final Fantasy VIII)

Ato II

09. “Opening ~ Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
10. “Kefka” (Final Fantasy VI)
11. “Troian Beauty” (Final Fantasy IV)
12. “Melodies of Life” (Final Fantasy IX)
13. “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)

Bis

14. “Force Your Way” (Final Fantasy VIII)
15. “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)

IMG_20160302_203028926

Uma cena que dificilmente se imaginaria acontecer no Brasil

Grato ao Fabão, que tirou uma foto com o Hiroyuki Nakayama e o Nobuo Uematsu, e ao report do Final Fantasy Brasil: ambos me ajudaram a lembrar das ordens das músicas do set list (por que eu não levei uma caneta?).

Fotos: Claudio Prandoni

Final Symphony II: sucesso absoluto em 2015

l_561c726a566b3

Thomas Boecker, Mischa Cheung, Masashi Hamauzu, Nobuo Uematsu, Eckehard Stier e os instrumentistas da LSO são ovacionados ao fim de uma das apresentações no Japão

Por Alexei Barros

Faz tempo que não falo do Final Symphony II, mas o concerto com músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII foi um imenso sucesso nas apresentações na Alemanha, Inglaterra e Japão em 2015.

Aliás, no espetáculo de Londres Nobuo Uematsu e o produtor Thomas Boecker ganharam prêmios do Guinness World Records. Uematsu recebeu o prêmio de compositor mais tocado em concertos de games e Boecker foi condecorado por ter produzido o primeiro concerto de games fora do Japão, o First Symphonic Game Music Concert em 2003. Não bastasse isso, Boecker também foi agraciado em novembro com o prêmio “Cultural and Creative Pilots” do governo federal da Alemanha.

Como não poderia deixar de ser, outro momento marcante neste ano foi a miniturnê do Final Symphony II no Japão, com uma apresentação em Osaka e duas em Yokohama com a London Symphony Orchestra e as presenças de Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu. Além deles, os compositores Koji Kondo, Yoko Shimomura, Mahito Yokota e Takenobu Mitsuyoshi assistiram ao espetáculo e ninguém menos do que Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy, também esteve presente. O público japonês, tradicionalmente tímido, aplaudiu efusivamente o concerto.

E não vai parar por aí. Em 2016, o Final Symphony II terá novas apresentações. No dia 1 de abril, o Tampere Hall na Finlândia receberá a Tampere Philharmonic Orchestra e o pianista Mischa Cheung, com a regência de Kimmo Tullila. Já em 9 de junho, será a vez da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra e do pianista Terés Löf tocarem no Stockholm Concert Hall na Suécia sob a batuta do maestro Giedré Slekyté. Nesta última apresentação, Masashi Hamauzu será um convidado.

Além disso, o primeiro Final Symphony vai ganhar uma apresentação em Amsterdã, Holanda, no dia 7 de maio de 2016, com a Nederlands Philharmonisch Orkest e a pianista Katharina Treutler com o maestro Eckehard Stier. Da mesma forma, em 21 de outubro esse concerto chegará à cidade de Auckland, na Nova Zelândia. Novamente com Eckehard Stier na regência, a performance será da Auckland Philharmonia Orchestra e do pianista Stephen de Pledge no Aotea Centre.

E no dia 6 de outubro, o Symphonic Fantasies, originalmente tocado em 2009, ganhará uma reapresentação no Barbican Hall em Londres, Inglaterra, dessa vez com a London Symphony Orchestra e o London Symphony Chorus com Eckehard Stier. Além de Slava Sidorenko no piano, o concerto terá o percussionista Rony Barrak na darbuka.

Falando do Barbican Hall, os dois vídeos abaixo dão uma amostra da excelência do Final Symphony II. No primeiro aparecem apenas as músicas, enquanto que no outro há depoimentos de fãs de game music intercalados com as cenas do concerto em Londres. Agora é esperar pelo álbum do Final Symphony II…

Fire Emblem 25th Anniversary: a série tática da Nintendo em um concerto emblemático

fe25th_01

A cantora Renka, que dubla a personagem Azura, durante a performance de “if ~Hitori Omou~” (Fire Emblem Fates)

Por Alexei Barros

Neste ano marcado por muitas comemorações musicais no Japão, faltou eu falar do Fire Emblem 25th Anniversary, concerto que comemorou os 25 anos da série de RPG tático da Nintendo. Estranhamente, o espetáculo não foi reportado nos grandes sites japoneses, o que dificultou a garimpagem pela busca de informações.

No total, foram três apresentações: uma no dia 24 de julho e duas no dia 25 do mesmo mês, todas com a Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta de Ikuro Fujiwara no Tokyo Dome City Hall. Masahiro Sakurai, criador de Kirby e Super Smash Bros., foi o anfitrião do evento que contou com a presença de diversos seiyuus (dubladores japoneses), dependendo da ocasião. Chegou a ser feita até uma performance ao vivo de um minidrama da série (uma espécie de radionovela). Eu estava na expectativa que a Yuka Tsujiyoko, compositora principal de Fire Emblem, tivesse comparecido, mas não foi dessa vez que ela deu as caras.

De acordo com o Fire Emblem Wiki, todos os jogos da série foram representados no programa, exceção feita a Fire Emblem: Thracia 776, um dos últimos jogos do Super Famicom (o título foi lançado em 1999). O site diz que o set list consiste de cinco suítes extensas à la Symphonic Fantasies, mas eu não estou certo disso, já que alguns dos números são medleys, e não faz muito sentido ter medleys dentro de suítes…

Ainda que não conste no site oficial, a canção “if ~Hitori Omou~” do Fire Emblem Fates para Nintendo 3DS foi apresentada, com a performance vocal da cantora Renka. Outra música ausente no site é o número do bis “Fire Emblem Theme (Opera Version)”, arranjo do tema principal originalmente feito para um comercial de TV e recriado para o Super Smash Bros. Brawl. Uma releitura dessa versão havia sido tocada no Press Start 2007.

Para completar, há uma bagunça de nomes das faixas e dos jogos. Fire Emblem do GBA, o primeiro jogo da série lançado no Ocidente, era o sétimo considerando todos que saíram no Japão. Embora os seis anteriores (dois do Famicom, três do Super Famicom e ainda um do GBA), não tenham aterrissado neste lado do mundo, a Nintendo criou os títulos oficiais em inglês de alguns desses jogos por conta da extensa participação dos personagens em Super Smash Bros. Esses nomes, por sua vez, se confundem com a tradução literal dos títulos em japonês. Para citar um exemplo: o supracitado Fire Emblem de 2003 é conhecido no Japão por Fire Emblem Rekka no Ken, que literalmente em inglês seria Fire Emblem: The Sword of Flame. Porém, o site do concerto se refere a esse jogo como  Fire Emblem: Blazing Sword. Para evitar a confusão, eu também coloquei links de referência para os jogos no programa.

Segundo o relato do site Serenes Forest, o concerto foi oficialmente gravado, mas por ora não há nenhuma informação a respeito do álbum em CD ou, sonhando muito, o DVD. A foto que abre o post é a única que eu encontrei do espetáculo. Em compensação, há diversas fotos da memorabilia disponível no evento aqui, aqui, aqui e aqui.

[ATUALIZAÇÃO 1] Foi só eu falar do concerto que anunciaram o DVD da apresentação! O lançamento foi agendado para 26 de fevereiro de 2016.

[ATUALIZAÇÃO 2] Um vídeo de procedência misteriosa mostra trechos da apresentação. Valeu MajoraMan28 pela descoberta.

Set list

Main Theme
01. “Fire Emblem Main Theme” (Fire Emblem: Ankoku Ryuu to Hikari no Tsurugi)

He Who Succeeds the Light

02. “Strife of Agustria” (Fire Emblem: Seisen no Keifu)
03. “Eldigan the Lionheart” (Fire Emblem: Seisen no Keifu)
04. “The Final Holy War” (Fire Emblem: Seisen no Keifu)
05. “Ending Ballad” (Fire Emblem: Seisen no Keifu)

Hero-King
06. “Shadow Dragon and Blade of Light Story Medley” (Fire Emblem: Ankoku Ryuu to Hikari no Tsurugi)
07. “Gaiden Story Medley” (Fire Emblem Gaiden)
08. “Legend of the Divine Dragon” (Fire Emblem: Monshou no Nazo)
09. “He Who Carves a New History” (Fire Emblem: Monshou no Nazo)

10. “if ~Hitori Omou~” (Fire Emblem Fates)

Manaketes and Sacred Stone
11. “The Binding Blade, Blazing Sword, Sacred Stones Battle Medley” (Fire Emblem: Fuuin no Tsurugi, Fire Emblem Rekka no Ken e Fire Emblem: The Sacred Stones)
12. “Suspicious -The Theme of the Three Dragon Generals-“ (Fire Emblem: Fuuin no Tsurugi)
13. “Winds Across the Plains” (Fire Emblem Rekka no Ken)
14. “Treasured Memories” (Fire Emblem: The Sacred Stones)

Radiance and Awakening
15. “Life Returns” (Fire Emblem: Path of Radiance)
16. “Bonds, Eternal” (Fire Emblem: Radiant Dawn)
17. “…somehow, it feels a bit itchy.” ~ “My name is MARTH.” (Fire Emblem: Awakening)
18. “Id” Medley (Fire Emblem: Awakening)

Bis
19. “Fire Emblem Theme (Opera Version)” (Super Smash  Bros. Brawl)

[via Fire Emblem 25th Anniversary, Fire Emblem Wiki, Barks, nijiiroleina.blog49, Reddit e Serenes Forest]

Game Symphony Japan 14th Concert Sega Special: o dia em que a Sega voltou ao estrelato

l_5620b49b87337

O coral não perdeu a oportunidade de fazer uma coreografia

Por Alexei Barros

Confesso que ultimamente nem tenho me animado muito em falar dos concertos pró-amadores. À medida que eles aumentam de quantidade, os registros diminuem. Os posts sempre ficam na lamentação… Bom, este não será muito diferente, mas não tinha como passar batido.

l_5620b49b8d11f

O showman Takenobu Mitsuyoshi cantou músicas como “Let’s Go Away” e “Burning Hearts ~Angel~”

No dia 10 de outubro, o Tokyo Art Theater Concert Hall sediou o Game Symphony Japan 14th Concert Sega Special, simplesmente um concerto com músicas da Sega em um total de três atos. O primeiro foi dedicado ao Sonic; o segundo teve jogos variados como Fantasy Zone, Daytona USA, Virtua Fighter 2 e Burning Rangers; e o terceiro foi enfocado no NiGHTS into dreams…, chegando a contar com quase todas as músicas da trilha. Para completar, ainda teve um bis com algumas reprises.

Se isso por si só já não fosse sensacional o bastante, a apresentação ganhou um tom oficial pela presença de diversas personalidades da produtora: Yuji Naka, um dos criadores do Sonic; os compositores Hiroshi Kawaguchi, Takenobu Mitsuyoshi, Jun Senoue, Tomoko Sasaki, Naofumi Hataya e Tomoya Ohtani; o dublador Kagawa Nomizuwari; e o produtor Yosuke Okunari (responsável pela série 3D Classics na Sega). Até porque, para ter tanta gente assim, certamente eles adquiriram a licença para executar as músicas.

Mais fantástico é que tanto o Jun Senoue (na guitarra) como o Takenobu Mitsuyoshi (no vocal) participaram do espetáculo de uma forma que nunca tinha sido feita antes, já que não existiam arranjos orquestrados de Sonic Adventure e Daytona USA. Com regência de Kenichi Shimura, a performance foi da Tokyo Chamber Orchestra e do coral Tokyo Philharmonic Chorus. Também tocaram a banda Meine Meinung, o baterista Issei Machiyama e o tecladista Ryuta. No final, ainda teve o grupo vocal Sega Hard Girls, formado por seis cantoras.

Infelizmente, o Game Symphony Japan não tem costume de publicar gravações das apresentações e parece que não foi dessa vez que eles mudaram de hábito. Veja abaixo o set list, com links para as músicas originais.

Concert Sega Special_03

Jun Senoue tocando guitarra com a orquestra foi uma das grandes atrações do concerto. Como ninguém teve essa ideia antes?

Ato I
01. “Title” ~ “Green Hill Zone” (Sonic the Hedgehog)
02. “Chemical Plant Zone” (Sonic the Hedgehog 2)
03. “Sky Sanctuary Zone” ~ “Title” (Sonic & Knuckles)
04. “Emerald Coast Zone” (Sonic Adventure)
05. “Escape from the City” ~ “Live & Learn” (Sonic Adventure 2)

Ato II

06. “Segagaga March” (Segagaga)
07. “Mexican flyer” ~ “Ulala’s Swinging Report Show” ~ “Spaceport: Introducing Ulala!!” (Space Channel 5)
08. “ハロハロナリヤンス音頭” (New Roommania: Porori Seishun)
09. “Geki! Teikoku Kagekidan” (Sakura Wars)
10. “Opa-Opa!” (Fantasy Zone)
11. “Beginning” ~ “Akira” ~ “Lion” ~ “Kage” (Virtua Fighter 2)
12. “Let’s Go Away” (Daytona USA)
13. “Conquista Ciela” (Cyber Troopers Virtual-On Marz)
14. “I Will Die for You (Complete Version)” (Feel the Magic: XY/XX)
15. “赤ちゃんはどこからくるの?” (The Rub Rabbits!)
16. “Burning Hearts ~Angel~” (Burning Rangers)

Ato III

17. “Fragmented Nights” ~ “Gate of Your Dream” ~ “Paternal Horn” ~ “Gloom of The N.H.C.” ~ “Suburban Museum” ~ “The Amazing Water” ~ “Take The Snow Train” ~ “Under Construction” ~ “The Dragon Gave a Loud Scream” ~ “She Had Long Ears” ~ “Deep It Lies” ~ “E-LE-KI Sparkle” ~ “The Mantle” ~ “NiGHTS and Reala” ~ “Growing Wings” ~ “D’Force Master” ~ “Peaceful Moment” ~ “NiGHTS, Forever in Our Heart” ~ “Sowing Seeds” ~ “DREAMS DREAMS” ~ “Fragmented Nights:Epilogue Ver.” (NiGHTS into dreams…)

Bis

18. “ハロハロナリヤンス音頭” (New Roommania: Porori Seishun) [reprise]
19. “Geki! Teikoku Kagekidan” (Sakura Wars) [reprise]
20. 社歌 若い力 -SEGA HARD GIRLS MIX-

Concert Sega Special_02

Mais de 100 pessoas no palco, com convidados, instrumentistas, vocalistas… Dá para chamar esse concerto de amador?

Agradecido ao sempre atento seguista Rafael Fernandes por me manter atualizado sobre as novidades desse concerto.

[via Famitsu]


RSS

Twitter

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_gamerbr

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.622 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: