Arms: um envolvente tema principal e sua deliciosa rendição 8-bit


Por Alexei Barros

O que eu ultimamente mais estou gostando de ver na Nintendo é o ímpeto para apostar em novas franquias, ainda mais numa época em que o mercado se mostra muito mais receptivo para novas IPs do que há 15 anos. E a parte mais interessante disso é ver compositores novatos da casa criando temas icônicos, o que antes parecia ser privilégio de nomes da velha guarda, como Koji Kondo e Hirokazu Tanaka (obviamente estou me limitando aos principais nessa rápida menção).

O caso mais recente dessa ousadia nintendista é Arms, jogo de luta cujo tema principal já me fisgou desde o vídeo de revelação do Switch em janeiro deste ano. Antes mesmo do lançamento do jogo, essa música já podia ser ouvida na íntegra.

Os atabaques, os apitos e o canto de torcida me trouxeram lembranças da já saudosa trilha do Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Game, embora não tenham nenhum compositor em comum. Infelizmente, ainda não existe um álbum da trilha sonora de Arms para revelar os instrumentistas das músicas, já que o jogo é bem lacônico nos créditos, citando apenas a performance da Arms Band, além dos nomes dos compositores Atsuko Asahi e Yasuaki Iwata (os mesmos que trabalharam na magnífica trilha de Mario Kart 8).

De toda forma, a maioria da trilha de Arms passeia por variações desse tema, mas as faixas dos estágios reservam algumas surpresas, como o tema “Ninja College (Ninjara’s Stage)”, com solos de shamisen que me lembraram a “Daddy Mulk” do Ninja Warriors.

Além do tema principal que muitos já devem ter ouvido, deixo como recomendação esta excelente versão chiptune de autoria do Loeder, o que nos faz confundir a cabeça e imaginar que essa franquia poderia existir desde a geração 8-bit.

Anúncios

Orchestral Memories: fragmentos de Dark Souls em um concerto enigmático da Bandai Namco


Por Alexei Barros

No dia 4 de fevereiro – eu sei, quatro meses atrás -, aconteceu no Salle Pleyel em Paris, França, a estreia da série Dark Souls em um concerto oficial, o Orchestral Memories, uma apresentação dedicada às diversas franquias da Bandai Namco.

Eu queria poder falar mais detalhadamente do set list de um espetáculo surpreendente como esse, ainda mais no Ocidente e numa era pós-Press Start, mas as reportagens do evento falharam miseravelmente nesse aspecto, pincelando por cima os jogos (nem sequer as músicas) que apareceram no programa – é isso que acontece quando a apresentação não é realizada no Japão, onde detalham tudo. Por alto, deu para saber que também foram tocados números das séries Tales (que já teve dois concertos próprios recentemente), Soulcalibur, Tekken, God Eater, Pac-Man e Ace Combat (estava louco para ouvir!). Nomes da orquestra, do coral e do maestro são enigmas que eu não consegui desvendar.

Ao menos, um release de imprensa teve a dignidade de detalhar especificamente as faixas executadas da série Dark Souls. O maior destaque e a única, na realidade, orquestrada, é o tema principal “Dark Souls III” assinado pela Yuka Kitamura que toca na tela-título e no menu principal. Mesmo aparecendo tão brevemente no vídeo do fim do post, dá para arrepiar ao ouvir o solo vocal da soprano, reproduzindo com perfeição a performance da cantora Kokia na faixa original.

Embora tenha gostado do pouquíssimo que vi também por escolherem o jogo mais recente da série numa agilidade que lembrou o Press Start, eu me pergunto se a “Firelink Shrine” do primeiro Dark Souls não seria a composição mais apropriada para a estreia orquestrada da série. Mas pode ser uma sensação exclusivamente minha.

De qualquer forma, em uma rara participação em um concerto, Motoi Sakuraba, o principal compositor da série, esteve presente para tocar no piano dois outros temas: “Gwyn, Lord of Cinder” (tema do chefe final de Dark Souls… Isso é um spoiler?) e “Sir Alonne” (tema do chefe que aparece no DLC Memory of the Old Iron King de Dark Souls II).

A primeira, além de ser icônica e belíssima, já é originalmente um solo de piano e obviamente se justifica ser executada dessa forma – ainda mais pelo próprio Sakuraba! Agora a outra… Eu não consegui entender o motivo da escolha para um solo de piano. A música é pomposa e pede orquestra e coral, que de fato estavam disponíveis na ocasião. Fora que chama a atenção terem selecionado uma faixa tão específica de um combate opcional que aparece em um DLC no que é considerado por muitos (eu incluso) o pior jogo da série (o que não é um demérito tão grande, só não está no mesmo nível dos demais).

Dito isso, deixo dois vídeos sobre o concerto. O primeiro, da própria Bandai Namco, mostra declarações de fãs ao som da vinheta de introdução de Pac-Man, seguido pela performance do supracitado tema arrepiante de Dark Souls III. Depois, há rápidos flashes de Motoi Sakuraba ao piano e um pouco de God Eater, Tales, além de Sakuraba e Go Shiina no palco.

Já o segundo, do programa Nyûsu Show, mostra mais cenas do concerto, porém com músicas nas versões originais, não nas que foram tocadas na ocasião. Sakuraba e Shiina foram entrevistados, mas o único senão é o vídeo estar em francês.

Music Concert Summary

Nyûsu Show

[via Gamasutra, FragStorm e Gamergen]

Video Game Music in Concert: uma nova transmissão em vídeo direto da Alemanha

motiv_03-400x400
Por Alexei Barros

Há tempos que não acontecia um concerto de games na Alemanha com transmissão em vídeo – a verdade é que o Symphonic Fantasies, lá em 2009, nos deixou mal acostumados. Depois do Symphonic Odysseys (2011), se não me engano, o último havia sido o Symphonic Selections (2013).

Esse hiato vai acabar com a transmissão em vídeo do Video Game Music in Concert, concerto com a Munich Radio Orchestra no Prince Regent Theatre em Munique, Alemanha. O espetáculo será conduzido pelo maestro Eckehard Stier, com moderação de Nino Kerl.

O programa será um mix de números já executados em outros concertos, mas com alguns segmentos curiosos, como  Angry Birds e Clash of Clans. Do pouco que vi no YouTube de transmissões de apresentações com outras temáticas, a captação de imagens é suprema.

Jonne Valtonen: Fanfare for the Common 8-bit Hero
Chris Huelsbeck: Turrican II: Concerto for Laser and Enemies
Nobuo Uematsu: Blue Dragon: Waterside
Ari Pulkkinen: Angry Birds – Medley
Nobuo Uematsu: Final Fantasy VI – Symphonic Poem
Jonne Valtonen: Albion Online – Medley
Ari Pulkkinen: Super Stardust – Medley
Martin Schiøler: Clash of Clans
Chris Huelsbeck: Great Giana Sisters- Suite

A récita está marcada o dia 1 de fevereiro, e o concerto vai começar às 16h30 no horário de Brasília. O link para a transmissão é este – inclusive há até uma contagem regressiva para o início do espetáculo.

[ATUALIZAÇÃO] No mesmo link da transmissão é possível ver a gravação do concerto na íntegra.

[via BR-Klassik Concert, Münchner Rundfunkorchester]

“Shadow of the Colossus Suite” – Shadow of the Colossus (Sagas – Orchestral Fantasy Music)

Por Alexei Barros

Passados mais de dez anos do lançamento de Shadow of the Colossus e apenas a algumas semanas da chegada do sucessor The Last Guardian, é impressionante o efeito que a trilha do jogo de 2005 ainda é capaz de provocar em nossos sentimentos. Essa sensação foi reforçada ao ver esta surpreendente e estonteante performance no concerto Sagas – Orchestral Fantasy Music, realizado em novembro, na Noruega, com músicas de filmes, seriados e games no programa.

Não que o jogo seja inédito em apresentações de game music. Acontece que, via de regra, os espetáculos costumam revisitar a “The Opened Way ~Battle With the Colossus~”, um dos mais populares temas de combate do jogo, ou então o tema do desfecho “Epilogue ~Those Who Remain~”. Em termos de escolhas de faixas, uma das poucas que fugiram do senso comum foi o concerto Score, com uma fantástica suíte apresentada em 2010.

A suíte do Sagas vai além emendando três faixas curiosamente incomuns nas performances que representam uma fração (no caso, 1/16) da experiência de Shadow of the Colossus, com a música misteriosa que dá o tom de suspense na busca pelo colosso, um tema de confronto com um dos gigantes, e a melodia melancólica que se escuta a cada triunfo no jogo. Como a peça segue essa ordem, não há uma necessidade tão urgente por transições mais elaboradas.

Sendo assim, a “Sign of the Colossus” é reproduzida com toda aura de mistério, mesmo que sem aproveitar a bela passagem pianística presente na faixa original. A impactante “Revived Power ~Battle With the Colossus~”, que só havia aparecido no Press Start 2007 e no A Night in Fantasia 2007 (não há registro dessa performance), surge de maneira majestosa e absoluta. Depois dos intensos arrepios, o batalhão de coristas ao fundo do palco entra em cena, entoando, suavemente, o coro angelical de “The End of the Battle”, que termina com toda a singeleza das cordas da Trondheim Symphony Orchestra, sob a regência do maestro Torodd Wigum. Simplesmente transcendental.

– “Shadow of the Colossus Suite”
“Sign of the Colossus” ~ “Revived Power ~Battle With the Colossus~” ~ “The End of the Battle”

Symphonic Fantasies Tokyo e Final Symphony ganham versões em vinil

Os vinis do Symphonic Fantasies Tokyo e do Final Symphony são itens de colecionador até para quem não tem uma vitrola

Por Alexei Barros

Apesar de a tendência atual ser de lançamentos digitais, é alentador surgir uma notícia como esta: Symphonic Fantasies Tokyo e Final Symphony, dois dos mais aclamados concertos de games, vão ser lançados em vinil. Ambos já haviam sido publicados em CD, mas, como os puristas bem sabem, o vinil garante uma reprodução de áudio muito mais orgânica.

O Symphonic Fantasies Tokyo foi gravado ao vivo no Japão em 2012, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e do Tokyo Philharmonic Chorus e repertório com músicas de Kingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger/Cross e Final Fantasy. Já o Final Symphony foi gravado no Abbey Road Studios com músicas de Final Fantasy VI, VII e X executadas pela London Symphony Orchestra.

Ambos os concertos estão disponíveis em um pacote de luxo com três vinis cada e possuem belas capas ilustradas. Cada um custa US$ 45 (fora impostos e outros gastos), mas podem ser adquiridos em conjunto por US$ 80.

Os dois espetáculos também foram relançados com esse acabamento de luxo em CD. Cada álbum duplo sai por US$ 15, ao passo que juntos custam US$ 25.

Os vinis e os CDs vão ser lançados em dezembro e já estão disponíveis para pré-venda no site da publicadora Laced Records.

Os dois álbuns em CD também ganharam novas ilustrações

[via release de imprensa]

“Sogno di Volare” – Sid Meier’s Civilization VI

62466-1477011650
Por Alexei Barros

Sid Meier’s Civilization VI foi recentemente lançado para PC, e a trilha sonora do jogo de estratégia tem como grande atrativo o retorno de Christopher Tin à composição do tema principal. O americano, que não participou de Civilization V, é o autor da consagrada “Baba Yetu”, tema do menu de Civilization IV. Cantada no idioma suaíli, a música exótica ganhou o Grammy quando foi lançada no álbum Calling All Dawns, que inclui outras faixas de Tin, mas sem relação com games.

A julgar pela inspiração do novo tema de Cilivization VI, potencial é o que não falta para Christopher Tin ganhar o Grammy e outros prêmios. Mesmo que não tenha o frescor e o ineditismo para uma música de videogame como a “Baba Yetu”, a “Sogno di Volare” (em português, “Sonho de Voar”) é uma composição transcendental, de arrepiar. O tema é cantado em italiano, e a letra é uma adaptação de Chiara Cortez de um texto de… Leonardo da Vinci. A gravação do tema foi feita com a Macedonian Symphonic Orchestra, e os corais Angel City Chorale e Cappella SF.

Eu já iria fazer um post para comentar a música, mas tive um incentivo extra quando soube da performance ao vivo da faixa. No dia 19 de julho, a “Sogno di Volare” teve a sua estreia mundial no Cadogan Hall em Londres, Inglaterra, com performance da Royal Philharmonic Orchestra e do Angel City Chorale e do Prima Vocal Ensemble. Além de exibir um coral simplesmente gigantesco – a ponto de a orquestra, que já aparentava estar em uma formação diminuta, parecer desproporcional –, o vídeo também mostra Christopher Tin na regência em toda a sua empolgação.

A título de curiosidade, a música foi lançada em um single digital, juntamente com a “A New Course (Opening Movie)”, que é uma variação desse tema.

Recomendo assistir aos três vídeos abaixo. O primeiro mostra a música original, com os versos em italiano e a tradução em inglês, o segundo revela a performance supracitada na Inglaterra e o último um making of com trechos da gravação no Abbey Road Studios.

“Sogno di Volare” – original, com a letra em italiano e tradução em inglês

“Sogno di Volare” – primeira performance da música no Cadogan Hall

Making of “Sogno di Volare”

Agradecido ao Thales Nunes Moreira pela recomendação.

“Chrono Cross Another Story” – Chrono Cross (Cosmosky Orchestra in Olympus Hall Hachioji)

Por Alexei Barros

Primeiro foi a Cosmosky Orchestra. Depois a Brass Exceed Tokyo. Agora volto a trazer uma nova performance da Cosmosky de Chrono Cross porque eles reformularam aquele medley de 2012 que já era fabuloso.

Para começo de conversa, a Cosmosky Orchestra me parece ter dado uma encorpada, com um número ainda maior de cordas. Além disso, o Chor Crystal Mana agora é reforçado pelo Tokyo Takinogawa Junior Choir – a quantidade de coristas não é gigantesca, mas parece ser mais do que o suficiente para o arranjo de Tomomi Hakamata (o mesmo de quatro anos atrás).

A sequência inicial de três músicas é a mesma, com “Garden of God”, “Scars of Time” e “Arni Village ~ Home”, mas muda a partir daí com a inserção da “Arni Village: Another”. Essa música, que estava presente na versão da Brass Exceed Tokyo, ficou agradabilíssima com as castanholas e o duo de oboé e clarinete, seguido pelas flautas.

Numa transição que chega meio sem avisar nem nada, como em um encontro aleatório, há a novidade do tema de combate “Gale”, que até então só havia sido orquestrado na suíte de Chrono do Symphonic Fantasies. É bem interessante a forma como a música vai crescendo, especialmente com a participação do tímpano.

Quando a vitória é sagrada na harpa, surge o momento que me deu arrepios de nostalgia: a dobradinha “Victory ~Summer’s Cry~” (nos metais) e “Victory ~Spring’s Gift~” (nas flautas), cuja melodia é, como todo mundo sabe, o tema da Lucca de Chrono Trigger. Depois, com o solos de piano e flauta, eis que aparece a emocionante “The Girl Who Stole the Stars”. É para derrubar qualquer um esse trecho que ainda tem toda a sua delicadeza reproduzida no coral.

Daí em diante, a sequência de músicas é bastante similar à versão de 2012, com o tema de chefe “The Brink of Death”, a breve “Grief” e o tema de batalha contra o Miguel “Prisoners of Fate”. Depois, deixando a melancolia de lado, vem “Beginning of a Dream”, “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~”, “The Dream that Time Dreams”, “Radical Dreamers” (em uma brevíssima alusão) e fechando com a “Scars of Time”.

Ouvindo de ponta a ponta, é fácil perceber que algumas transições não são muito adequadas e também dá para imaginar uma ordem melhor na sequência das faixas, mas as novidades dos temas de combate e da vitória, além da “The Girl Who Stole the Stars” valem a apreciação e o reconhecimento.

– “Chrono Cross Another Story”

“Garden of God” ~ “Scars of Time” ~ “Arni Village ~ Home” ~ “Arni Village: Another” ~ “Gale” ~ “Victory ~Summer’s Cry~” ~ “Victory ~Spring’s Gift~” ~ “The Girl Who Stole the Stars” ~ “The Brink of Death” ~ “Grief” ~ “Prisoners of Fate” ~ “Beginning of a Dream” ~ “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~” ~ “The Dream that Time Dreams” ~ “Radical Dreamers” ~ “Scars of Time”


RSS

Twitter

RSS Box art do dia

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_gamerbr

%d blogueiros gostam disto: