“Shadow of the Colossus Suite” – Shadow of the Colossus (Sagas – Orchestral Fantasy Music)

Por Alexei Barros

Passados mais de dez anos do lançamento de Shadow of the Colossus e apenas a algumas semanas da chegada do sucessor The Last Guardian, é impressionante o efeito que a trilha do jogo de 2005 ainda é capaz de provocar em nossos sentimentos. Essa sensação foi reforçada ao ver esta surpreendente e estonteante performance no concerto Sagas – Orchestral Fantasy Music, realizado em novembro, na Noruega, com músicas de filmes, seriados e games no programa.

Não que o jogo seja inédito em apresentações de game music. Acontece que, via de regra, os espetáculos costumam revisitar a “The Opened Way ~Battle With the Colossus~”, um dos mais populares temas de combate do jogo, ou então o tema do desfecho “Epilogue ~Those Who Remain~”. Em termos de escolhas de faixas, uma das poucas que fugiram do senso comum foi o concerto Score, com uma fantástica suíte apresentada em 2010.

A suíte do Sagas vai além emendando três faixas curiosamente incomuns nas performances que representam uma fração (no caso, 1/16) da experiência de Shadow of the Colossus, com a música misteriosa que dá o tom de suspense na busca pelo colosso, um tema de confronto com um dos gigantes, e a melodia melancólica que se escuta a cada triunfo no jogo. Como a peça segue essa ordem, não há uma necessidade tão urgente por transições mais elaboradas.

Sendo assim, a “Sign of the Colossus” é reproduzida com toda aura de mistério, mesmo que sem aproveitar a bela passagem pianística presente na faixa original. A impactante “Revived Power ~Battle With the Colossus~”, que só havia aparecido no Press Start 2007 e no A Night in Fantasia 2007 (não há registro dessa performance), surge de maneira majestosa e absoluta. Depois dos intensos arrepios, o batalhão de coristas ao fundo do palco entra em cena, entoando, suavemente, o coro angelical de “The End of the Battle”, que termina com toda a singeleza das cordas da Trondheim Symphony Orchestra, sob a regência do maestro Torodd Wigum. Simplesmente transcendental.

– “Shadow of the Colossus Suite”
“Sign of the Colossus” ~ “Revived Power ~Battle With the Colossus~” ~ “The End of the Battle”

Symphonic Fantasies Tokyo e Final Symphony ganham versões em vinil

Os vinis do Symphonic Fantasies Tokyo e do Final Symphony são itens de colecionador até para quem não tem uma vitrola

Por Alexei Barros

Apesar de a tendência atual ser de lançamentos digitais, é alentador surgir uma notícia como esta: Symphonic Fantasies Tokyo e Final Symphony, dois dos mais aclamados concertos de games, vão ser lançados em vinil. Ambos já haviam sido publicados em CD, mas, como os puristas bem sabem, o vinil garante uma reprodução de áudio muito mais orgânica.

O Symphonic Fantasies Tokyo foi gravado ao vivo no Japão em 2012, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e do Tokyo Philharmonic Chorus e repertório com músicas de Kingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger/Cross e Final Fantasy. Já o Final Symphony foi gravado no Abbey Road Studios com músicas de Final Fantasy VI, VII e X executadas pela London Symphony Orchestra.

Ambos os concertos estão disponíveis em um pacote de luxo com três vinis cada e possuem belas capas ilustradas. Cada um custa US$ 45 (fora impostos e outros gastos), mas podem ser adquiridos em conjunto por US$ 80.

Os dois espetáculos também foram relançados com esse acabamento de luxo em CD. Cada álbum duplo sai por US$ 15, ao passo que juntos custam US$ 25.

Os vinis e os CDs vão ser lançados em dezembro e já estão disponíveis para pré-venda no site da publicadora Laced Records.

Os dois álbuns em CD também ganharam novas ilustrações

[via release de imprensa]

“Sogno di Volare” – Sid Meier’s Civilization VI

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Por Alexei Barros

Sid Meier’s Civilization VI foi recentemente lançado para PC, e a trilha sonora do jogo de estratégia tem como grande atrativo o retorno de Christopher Tin à composição do tema principal. O americano, que não participou de Civilization V, é o autor da consagrada “Baba Yetu”, tema do menu de Civilization IV. Cantada no idioma suaíli, a música exótica ganhou o Grammy quando foi lançada no álbum Calling All Dawns, que inclui outras faixas de Tin, mas sem relação com games.

A julgar pela inspiração do novo tema de Cilivization VI, potencial é o que não falta para Christopher Tin ganhar o Grammy e outros prêmios. Mesmo que não tenha o frescor e o ineditismo para uma música de videogame como a “Baba Yetu”, a “Sogno di Volare” (em português, “Sonho de Voar”) é uma composição transcendental, de arrepiar. O tema é cantado em italiano, e a letra é uma adaptação de Chiara Cortez de um texto de… Leonardo da Vinci. A gravação do tema foi feita com a Macedonian Symphonic Orchestra, e os corais Angel City Chorale e Cappella SF.

Eu já iria fazer um post para comentar a música, mas tive um incentivo extra quando soube da performance ao vivo da faixa. No dia 19 de julho, a “Sogno di Volare” teve a sua estreia mundial no Cadogan Hall em Londres, Inglaterra, com performance da Royal Philharmonic Orchestra e do Angel City Chorale e do Prima Vocal Ensemble. Além de exibir um coral simplesmente gigantesco – a ponto de a orquestra, que já aparentava estar em uma formação diminuta, parecer desproporcional –, o vídeo também mostra Christopher Tin na regência em toda a sua empolgação.

A título de curiosidade, a música foi lançada em um single digital, juntamente com a “A New Course (Opening Movie)”, que é uma variação desse tema.

Recomendo assistir aos três vídeos abaixo. O primeiro mostra a música original, com os versos em italiano e a tradução em inglês, o segundo revela a performance supracitada na Inglaterra e o último um making of com trechos da gravação no Abbey Road Studios.

“Sogno di Volare” – original, com a letra em italiano e tradução em inglês

“Sogno di Volare” – primeira performance da música no Cadogan Hall

Making of “Sogno di Volare”

Agradecido ao Thales Nunes Moreira pela recomendação.

“Chrono Cross Another Story” – Chrono Cross (Cosmosky Orchestra in Olympus Hall Hachioji)

Por Alexei Barros

Primeiro foi a Cosmosky Orchestra. Depois a Brass Exceed Tokyo. Agora volto a trazer uma nova performance da Cosmosky de Chrono Cross porque eles reformularam aquele medley de 2012 que já era fabuloso.

Para começo de conversa, a Cosmosky Orchestra me parece ter dado uma encorpada, com um número ainda maior de cordas. Além disso, o Chor Crystal Mana agora é reforçado pelo Tokyo Takinogawa Junior Choir – a quantidade de coristas não é gigantesca, mas parece ser mais do que o suficiente para o arranjo de Tomomi Hakamata (o mesmo de quatro anos atrás).

A sequência inicial de três músicas é a mesma, com “Garden of God”, “Scars of Time” e “Arni Village ~ Home”, mas muda a partir daí com a inserção da “Arni Village: Another”. Essa música, que estava presente na versão da Brass Exceed Tokyo, ficou agradabilíssima com as castanholas e o duo de oboé e clarinete, seguido pelas flautas.

Numa transição que chega meio sem avisar nem nada, como em um encontro aleatório, há a novidade do tema de combate “Gale”, que até então só havia sido orquestrado na suíte de Chrono do Symphonic Fantasies. É bem interessante a forma como a música vai crescendo, especialmente com a participação do tímpano.

Quando a vitória é sagrada na harpa, surge o momento que me deu arrepios de nostalgia: a dobradinha “Victory ~Summer’s Cry~” (nos metais) e “Victory ~Spring’s Gift~” (nas flautas), cuja melodia é, como todo mundo sabe, o tema da Lucca de Chrono Trigger. Depois, com o solos de piano e flauta, eis que aparece a emocionante “The Girl Who Stole the Stars”. É para derrubar qualquer um esse trecho que ainda tem toda a sua delicadeza reproduzida no coral.

Daí em diante, a sequência de músicas é bastante similar à versão de 2012, com o tema de chefe “The Brink of Death”, a breve “Grief” e o tema de batalha contra o Miguel “Prisoners of Fate”. Depois, deixando a melancolia de lado, vem “Beginning of a Dream”, “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~”, “The Dream that Time Dreams”, “Radical Dreamers” (em uma brevíssima alusão) e fechando com a “Scars of Time”.

Ouvindo de ponta a ponta, é fácil perceber que algumas transições não são muito adequadas e também dá para imaginar uma ordem melhor na sequência das faixas, mas as novidades dos temas de combate e da vitória, além da “The Girl Who Stole the Stars” valem a apreciação e o reconhecimento.

– “Chrono Cross Another Story”

“Garden of God” ~ “Scars of Time” ~ “Arni Village ~ Home” ~ “Arni Village: Another” ~ “Gale” ~ “Victory ~Summer’s Cry~” ~ “Victory ~Spring’s Gift~” ~ “The Girl Who Stole the Stars” ~ “The Brink of Death” ~ “Grief” ~ “Prisoners of Fate” ~ “Beginning of a Dream” ~ “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~” ~ “The Dream that Time Dreams” ~ “Radical Dreamers” ~ “Scars of Time”

“Final Fantasy VIII (Mono no aware)” (Final Symphony II 2016 em Estocolmo, Suécia)

Por Alexei Barros

O concerto Final Symphony II estreou em setembro do ano passado com músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII e, desde então, já passou por diversos lugares do mundo, incluindo até o Japão. Porém, diferentemente do predecessor Final Symphony, ainda não foi lançado um álbum correspondente desse concerto – o que imagino que vá acontecer algum dia.

Para compensar a vontade de ouvir as peças orquestrais desses jogos, a própria Royal Stockholm Philharmonic Orchestra publicou a suíte de Final Fantasy VIII, “Mono no aware”, que foi executada no início deste ano em Estocolmo, Suécia. O arranjo é do talentoso e competente Roger Wanamo, que já conhecemos desde o Symphonic Fantasies. Para quem não se lembra, a própria RSPO já tinha publicado uma gravação da suíte de Final Fantasy VI em 2014.

Não é novidade que o FFVIII em si não está entre os meus preferidos da série, mas este jogo tem uma grande importância na história musical de Final Fantasy, por hits como “Liberi Fatali” e “Eyes on Me”. Naturalmente, ambas estão presentes em diferentes momentos da suíte. Curioso que mesmo em versão instrumental, sem coral, a “Liberi Fatali” não perdeu impacto.

Como o próprio texto do site oficial do concerto explica, o arranjo explora a semelhança da melodia de algumas faixas da trilha, como “Eyes on Me” com a “Waltz for the Moon”. A “Balamb Garden” é outra música que vem fácil à mente de quem jogou pelo menos o início do jogo, sendo evocada de uma maneira bem singela. Porém, eu sou presa fácil para temas de combate, e a “Don’t Be Afraid” é outra faixa que me cativou.

Sob a regência da maestrina Giedré Slekyté, é uma performance para ver e apreciar mais de uma vez.

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[via Gameconcerts.com]

Final Fantasy XV Live at Abbey Road Studios: quase uma hora da genialidade musical de Yoko Shimomura

Por Alexei Barros

Neste movimentado feriado de 7 setembro, com os anúncios do PlayStation 4 Pro e de Super Mario Run para iPhone e iOS, a Square Enix organizou um concerto de Final Fantasy XV no Abbey Road Studios. Alguns afortunados puderam presenciar a performance da London Philharmonic Orchestra e do London Philharmonic Choir, mas o espetáculo foi transmitido ao vivo no YouTube e no Twitch. O mais bacana de tudo é que a própria compositora Yoko Shimomura esteve presente com toda a sua simpatia e ainda tocou piano na última música.

A Shimomura havia sido escalada para o jogo quando Final Fantasy XV ainda era Final Fantasy Versus XIII. Aliás, o projeto vem de tão longe que a primeira faixa que ela compôs para o jogo, a “Somnus”, estreou no álbum drammatica lá de 2008. Tanto essa música, como a “Omnis Lacrima”, presente no disco memória!, foram executadas.

O concerto comprova mais uma vez a capacidade da Shimomura de criar melodias memoráveis, seja em músicas mais introspectivas ou mais pomposas, com direito a coral em latim e ênfase em passagens no piano. Entre as faixas, surpreendeu a aparição, ainda que breve, da bateria e das guitarras na “Veiled Agression”, em um recinto adjacente ao da orquestra e do coral. No mais, a trilha do Final Fantasy XV promete estar entre as melhores da série apenas por essa breve amostragem.

Para assistir o espetáculo na íntegra, vá direto ao play ali embaixo. Se preferir ouvir as faixas individualmente, clique no nome da música correspondente.

01. “Song of the Stars / Dawn”
02. “Fight Fantastica”
03. “Nox Aeterna”
04. “Luna”
05. “End of the Road”
06. “Wonferful View”
07. “Starlit Waltz”
08. “Noctis”
09. “Omnis Lacrima”
10. “Veiled Agression”
11. “Somnus”
12. “Appocalypsis Noctis”

Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games: trilha sonora já é o maior legado da Olimpíada

Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games
Por Alexei Barros

Antes mesmo de Super Smash Bros. Brawl, Mario & Sonic at the Olympic Games foi o primeiro jogo estrelado pelos mascotes da Nintendo e da Sega lá em 2008. Apesar desse encontro histórico, eu jamais imaginaria que a série continuaria até hoje, aparecendo a cada dois anos, ora na Olimpíada de Verão, ora na Olimpíada de Inverno.

Mesmo que pareça uma série caça-níqueis, é impressionante o empenho dedicado à trilha sonora, ainda que as músicas nunca sejam lançadas em CD. Em especial, os temas de abertura orquestrados são estupendos – a “Opening Theme” de Vancouver evoca 2001 – Uma Odisseia no Espaço e a estonteante “Opening Theme” de Londres é acompanhada por uma guitarra fabulosa.

Aproveitando o ensejo de a Olimpíada de 2016 ser no Rio de Janeiro, a trilha incorpora a sonoridade associada à música brasileira, com ênfase em bateria, bossa nova e até samba. O resultado disso ficou fantástico, como veremos nos comentários das faixas que mais me chamaram a atenção.

Antes, é importante ressaltar que parte da trilha musical foi gravada no estúdio CIATEC – Companhia dos Técnicos no Rio de Janeiro e em diferentes estúdios em Tóquio. Nos créditos aparecem instrumentistas proeminentes da música brasileira, como Mestre Paulinho Botelho (mestre de bateria), Marcelo Mariano (baixo), Lula Galvão (guitarra), Alessandro Valente Vieira (cavaquinho) e Chico Chagas (acordeão). Embora eles não sejam nomes conhecidos do grande público, os músicos se destacaram por acompanhar artistas famosos – Lula Galvão, por exemplo, já tocou com Caetano Veloso e Ivan Lins.

Em relação à autoria das músicas, as composições ficaram a cargo de uma talentosa equipe de compositores da Sega habituada a trabalhar nos jogos mais recentes do Sonic, como Kenichi Tokoi, Teruhiko Nakagawa, Tomoya Ohtani, Naofumi Hataya, Jun Senoue e outros. Vale lembrar que as trilhas das versões de 3DS e Wii U são diferentes em termos de qualidade e, em algumas faixas, até mesmo em instrumentação.

– “Main Theme”

Os instrumentos de percussão da bateria já nos deixam plenamente ambientados no Brasil. Depois de uma breve participação do coral, os metais entram com tudo e o saxofone simplesmente arrebatador nos conduz por todos os pontos turísticos do Rio de Janeiro. Que tema é esse?

– “Deodoro”

Bossa nova encantadora com sons de marimba e violão. Talvez seja a proximidade com a Nintendo, mas dá para sentir um quê de Kazumi Totaka em Wii Sports.

– “Barra”

Flauta, acordeão e violão se destacam em uma música agradabilíssima, mais uma vez com lembranças de trilhas de jogos da Nintendo.

– “Maracanã”

Com muita percussão, os metais é o que mais brilham nesta faixa jazzística, com belos solos alternados.

– “Copacabana” (3DS)

Facilmente a minha favorita da trilha e é fácil saber o porquê disso: especialmente a parte com violão me lembrou muito o T-Square – por sinal, a banda também tem uma música chamada “Copacabana”. Até mesmo o acordeão me deixou com uma sensação parecida. Apesar de o instrumento não ser usado com frequência pelo T-Square, a “Islet Beauty” conta com o acordeão.

– “Copacabana” (Wii U)

Embora os metais sejam muito mais presentes, esta versão do Wii U para mim perdeu o charme de parecer o T-Square por descartar o violão e o acordeão, colocando no lugar um saxofone e um coral que não me agradou.

– “Vento Brasileiro”

Mais uma música excelente, com forte participação dos metais e um solo de trombone.

– “Vento Brasileiro” (segunda versão)

Flauta e violão deixam a mesma música com uma pegada mais bossa nova.

– “Golf Event”

Mais uma música que me faz imaginar que Kazumi Totaka trabalhou em segredo neste jogo. Além das belas passagens pianísticas, há timbres de flauta e clarinete.

– “Carnaval do Rio!”

Não que eu tenha gostado deste samba enredo, mas vale pela curiosidade. Quando eu poderia imaginar que existiria uma música de jogo, nesse estilo, cantada em português, com versos como “Alô, Alô, Carnaval do Rio! Vai Sonic!”, “Do azul do Sonic, desse mar que se espalha”, “Mario ama a Terra e nos ilumina”? Inacreditável! Histórico!


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