“Suikoden II Medley” – Suikoden II (Symphonic Gamers 2)

Por Alexei Barros

A série Suikoden tem trilhas incríveis, mas a representatividade em performances orquestrais, embora existam, são bastante limitadas perto do montante de músicas excelentes – basta ver a quantidade, variedade e qualidade de álbuns com versões arranjadas nos estilos mais diversificados.

Até mesmo pela escassez de músicas executadas, este medley da JAGMO (JApan Game Music Orchestra) do Suikoden II é facilmente o melhor. Até então, só existiam performances da “Into a World of Illusions” (Suikoden) no Press Start 2009 e 2014 e no concerto sueco Score e da “Opening” (Suikoden II) nas apresentações suecas Settings e Score.

A maioria das músicas de Suikoden II são da Miki Higashino. Miki-Chang, como ela gostava de ser creditada, é certamente uma das minhas compositoras favoritas (Gradius do arcade, Knightmare do MSX, Tartarugas Ninja do arcade não é para qualquer um), mas infelizmente ela se aposentou, apesar de volta e meia fazer uma participação especial.

Única das escolhidas já orquestrada na trilha, a magnânima “Opening BGM” que abre o medley perde bastante impacto sem coral (a original ainda conta com um solo vocal étnico), mas tem o seu valor. Inclusive vale destacar que Suikoden II saiu no Japão dois meses antes de Final Fantasy VIII e sua idolatrada “Liberi Fatali”. Porém, a diferença de popularidade entre as duas é gigantesca. O que vem a seguir é a continuação do tema de abertura, que termina com um impressionante dueto de violino.

A “Reminiscence” também tinha uma breve intervenção do vocal étnico, porém nesse arranjo o oboé é que faz esse papel – genial! Em destaque mesmo é o piano em uma bela interpretação da instrumentista com as cordas de fundo.

Imitando a timbragem da música sintetizada, “Those Who Don’t Work Don’t Eat” entra com os fagotes, os contrabaixos e a flauta, além de solos de viola e violoncelo. Aos poucos a orquestra cresce e chega a “One Minute Showdown”. Pelo que informa a legenda no vídeo, essa música toca no evento de batalha de culinária no restaurante do chef de cozinha Hai Yo. Pode ser viagem minha, mas ela apresenta uma pegada meio Dragon Quest. Ela acelera até culminar em uma rápida alusão referente ao segmento “March of the Swiss Soldiers” da obra “William Tell Overture” de Gioachino Rossini.

Depois de uma breve pausa, aparece a “The Even More Glorious, Beautiful Golden Capital” (música assinada pelo Tappy Iwase, aliás) com bastante percussão e até palmas em um clima meio celta. A bateria faz a passagem para a “Confrontation with Monsters Again” com a potência dos metais.

Mas o ápice do medley é a “Gothic Neclord” em toda a sua imponência e majestade. A “Gothic Neclord” no arranjo da banda Yajuh-Ohkoku do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Hiroyuki Namba é uma das minhas favoritas de todos os tempos com uma pegada diferente pela presença da guitarra em combinação com o violino. Mas eu achei essa versão melhor do que a “Gothic Neclord” do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Kentaro Haneda que é orquestrada. Com as cordas mais afiadas do que nunca e a batida da bateria (muito presente e, ainda assim, sem acobertar os demais instrumentos), a JAGMO conseguiu aproveitar ao máximo a excelência da composição. A legenda nem avisa, mas o oboé e a flauta resgatam a “Into a World of Illusions” para fechar esse medley de maneira fabulosa.

Algo que eu não entendi é que a JAGMO está vendendo no site Chakushin Uta em versão digital o segmento chamado “Genso Suikoden II Medley ~Tabibitotachi no Tsuisou Suite ver.~”, mas com uma seleção de faixas um pouco diferente desta apresentação. Também existe um medley similar do primeiro Suikoden intitulado “Genso Suikoden Medley ~Tabibitotachi no Tsuisou Suite ver.~”. Todos esses medleys são de autoria de Kunio Matsuzaki, que faz parte da equipe interna da JAGMO e nasceu em 1992 – mais um jovem talento do mundo dos arranjos para orquestra.

Honestamente, se várias dessas músicas fossem de uma série mais popular como Final Fantasy, elas teriam um reconhecimento maior. De toda forma, a Konami ultimamente não tem ajudado muito em valorizar as suas franquias.

– “Suikoden II Medley”
“Opening BGM” ~ “Reminiscence” ~ “Those Who Don’t Work Don’t Eat” ~ “One Minute Showdown” ~ “March of the Swiss Soldiers” ~ “Confrontation with Monsters Again”“The Even More Glorious, Beautiful Golden Capital” ~ “Gothic Neclord” ~ “Into a World of Illusions”

Agradecido ao Fabão por ter me informado sobre esse medley e também pela tradução da legenda.

Anúncios

Distant Worlds: music from Final Fantasy The Journey of 100: quase sem novidades

Por Alexei Barros

Se eu já estava atrasado comentando sobre concertos que aconteceram há meses, o que dizer deste que foi organizado quase três anos atrás? Mesmo sem empolgar muito, me sinto na obrigação de falar dos lançamentos do Distant Worlds e notei que tinha faltado comentar este e o próximo que pelo menos é mais recente.

Distant Worlds: music from Final Fantasy The Journey of 100, como o nome sugere, foi a centésima apresentação da turnê que aconteceu em janeiro de 2015 e foi lançada em Blu-ray em agosto do mesmo ano.  É o terceiro concerto registrado em vídeo do Distant Worlds, sucedendo o DVD Returning Home (2011) e o Blu-ray The Celebration (2013).

O espetáculo se deu em Tóquio, com a Tokyo Philharmonic Orchestra e o DWFF Tokyo Choir sob a regência de Arnie Roth. A cantora americana Susan Calloway, que costuma cantar todos os temas vocais da série, esteve presente, mas a “Melodies of Life” foi cantada pela artista original do Final Fantasy IX, a Emiko Shiratori.

Os álbuns em estúdio da turnê, como o Distant Worlds III que saiu antes deste Blu-ray, não creditam individualmente os arranjadores. Porém, os lançamentos em vídeo têm esse cuidado, o que permite confirmar algumas suspeitas. Quando fiz posts dos segmentos “Balance is Restored” e “Character Theme Medley” do Final Fantasy VI, eu não sabia quem eram os arranjadores. Pois bem, a “Balance is Restored”, que é basicamente a parte final da “Ending Theme”, foi arranjada pelo Hiroyuki Nakayama (aquele mesmo pianista que veio duas vezes para o Brasil) e era a que eu tinha gostado mais, apesar de estar longe do ideal, que é ter o tema completo. Já a “Character Theme Medley”, que apresenta uma transição muito ruim, foi feita pelo próprio Arnie Roth e o seu filho Eric Roth. A “Rose of May” do Final Fantasy IX eu imaginei algo semelhante. Parecia elaborada demais para ser feito pelo Arnie Roth, que é bastante literal em suas partituras. Não é que o arranjo também é do Hiroyuki Nakayama?

Posto isso, comento os dois segmentos novos que estrearam especificamente na apresentação desse Blu-ray The Journey of 100. Por ora, não há os registros completos dos números em questão no YouTube, então tive de apelar para os vídeos incompletos do canal da Square Enix. Em compensação, clicando nos nomes das músicas, é possível ouvir os arranjos gravados em estúdio para o álbum Distant Worlds IV, que ainda vou abordar melhor em um post futuro.

14. “Torn from the Heavens” (Final Fantasy XIV)
Original: “Torn from the Heavens”

Composição: Masayoshi Soken
Arranjo: Yoshitaka Suzuki e Shota Nakama

Liberada na versão orquestrada como bônus para download do álbum Heavensward: Final Fantasy XIV Original Soundtrack, esta peça imponente e magnífica chama a atenção por dois pontos. O primeiro deles é não ser uma composição de Nobuo Uematsu, mas sim do mexicano Masayoshi Soken, um dos nomes mais importantes da safra de compositores mais novos da Square Enix. O outro é o arranjo ser de uma dupla inusitada formada por Yoshitaka Suzuki, que tem um currículo impressionante por jogos como Metal Gear Solid 4, Bayonetta e Final Fantasy XIII-2; e Shota Nakama, o líder da Video Game Orchestra que vem conquistando cada vez mais espaço nas gravações das trilhas das séries Final Fantasy e Kingdom Hearts. Não sei mensurar qual a porcentagem de participação de cada um no arranjo, mas a performance incisiva do coral chama a atenção. Esta e outras adições recentes mostram que enfim a turnê está mais aberta a músicas que não são compostas pelo Nobuo Uematsu.

19. “Jenova Complete” (Final Fantasy VII)
Original: “Jenova Complete”

Composição Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Também conhecida por “Jenova Absolute” ou “Perfect Jenova”, dependendo da tradução, esta faixa eu confesso que estava fora dos meus radares quando só depois me lembrei que ela aparece em um arranjo supremo no terceiro movimento “The Planet’s Crisis” da sinfonia de Jonne Valtonen para o concerto/álbum Final Symphony. Mesmo assim, acho que há espaço para esta releitura por ser um número avulso e, diferentemente da versão do finlandês, ela usa coral. Mais um arranjo competente de Hiroyuki Nakayama, que conseguiu captar bem o caos da música sintetizada. Por que não acionam mais ele?

“Light Eternal” – Lightning Returns: Final Fantasy XIII (Distant Worlds 2014 em Londres)

Por Alexei Barros

Mais um segmento novo (ou já seria velho?) que eu quase passei batido – o número nem foi incluso nos lançamentos mais recentes do Distant Worlds. E trata-se de uma adição bastante curiosa por ser de uma sequência direta. Todos sabemos da dificuldade que é a turnê tocar músicas de jogos derivados ou spin-offs. Por exemplo, Final Fantasy X-2 nunca foi executado no Distant Worlds – a “1000 Words Orchestra Version” do FFX-2 apareceu por um milagre no Beginning of Fantasy, concerto realizado na Indonésia. E outro fato curioso é a escolha ser do Lightning Returns, sem passar antes pelo antecessor Final Fantasy XIII-2.

A “Credits – Light Eternal -“ original tem mais de dez minutos de duração e é um medley que contém trechos de músicas assinadas não só pelo Masashi Hamauzu, como também pelo Mitsuto Suzuki e Naoshi Mizuta. Este último e Yohei Kobayashi fizeram o arranjo da peça para o jogo. Porém, a performance do Distant Worlds compreende apenas os quatro minutos finais do tema de encerramento. Essa parte corresponde a uma variação mais calma do acelerado tema de combate “Blinded by Light”, já presente no repertório da turnê, tendo estreado no DVD Returning Home e depois aparecido no álbum Distant Worlds III. Ou seja, um número um tanto redundante. E não curto muito a ideia de a música inteira não ter sido executada na íntegra, assim como tinha acontecido com a “Ending Theme” do Final Fantasy VI.

“Hymn of the Fayth ~ The Sending” – Final Fantasy X (Distant Worlds 2014 em Londres)

Por Alexei Barros

Este post deveria ter sido publicado uns quatro anos atrás (!), mas somente com os lançamentos recentes do Distant Worlds foi possível concluir que este é (ou era na época) um arranjo novo do Final Fantasy X.

Já existia uma versão a cappella “Hymn of the Fayth” (também conhecida por “Song of Prayer”) que o Masashi Hamauzu fez para o Voices. Eu só não tinha certeza se essa versão do Distant Worlds reaproveitava alguma coisa dessa partitura, mas não é o caso. Registrado em estúdio no Distant Worlds III e ao vivo no Blu-ray Distant Worlds: music from Final Fantasy The Journey of 100, o novo segmento na verdade foi arranjado pelo próprio maestro do espetáculo Arnie Roth e pelo filho Eric Roth.

Enquanto o arranjo do Hamauzu começa com todos os homens do coral e depois continua também com as mulheres, essa nova versão explora mais os solos dos coristas. A performance tem início com um solo de tenor entoando os versos com sílabas em japonês que não fazem sentido, mas escondem um significado seguido pela soprano.

O coral entra na parte que corresponde à “The Sending” e não existia na versão do Hamauzu por ter o acompanhamento da percussão, conferindo a atmosfera tribal tão presente em Final Fantasy X. Pessoalmente, tenho outras preferências na trilha do RPG do PlayStation 2 (não vou me estender para os jogos da geração 16-bit porque seria covardia), mas não deixa de ser uma música com um tom diferente e ameno em relação às faixas pomposas e bombásticas com coral.

– “Hymn of the Fayth ~ The Sending”
Originais: “Hymn of the Fayth” ~ “The Sending”

Kirby 25th Anniversary Orchestra Concert: um concerto improvável, mas muito bem-vindo

Quem poderia imaginar que Kirby teria o seu próprio concerto antes de Super Mario, Metroid e Donkey Kong?

Por Alexei Barros

De todas as séries da Nintendo, Kirby era uma das menos prováveis a ganhar um concerto dedicado, mesmo que a pelota rosa já tenha rolado no Orchestral Game Concert, Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, Press Start e LEGENDS. Kirby repete o que aconteceu com Zelda em 2011 e Fire Emblem em 2015 quando essas séries completaram 25 anos de vida, mas isso não é uma regra entre as franquias da Nintendo: Super Mario foi agraciado com muitos shows próprios, mas não teve um espetáculo exclusivo com orquestra quando comemorou 25 anos em 2010 nem depois.

E não foram poucas as apresentações do Kirby 25th Anniversary Orchestra Concert, apesar de obviamente não chegar a ser uma turnê. Primeiro foi no dia 16 de abril no Bunkamura Orchard Hall em Tóquio, com uma performance à 13h30 e outra às 18h com a participação da Tokyo Philharmonic Orchestra. Depois, um repeteco ocorreu no dia 18 de junho, no Orix Theater em Osaka com a Osaka Symphony Orchestra. E, para completar, no dia 20 de julho a Tokyo Philharmonic Orchestra voltou para o Bunkamura Orchard Hall para tocar o concerto que foi transmitido em vídeo pelo serviço pago Nico Nico Live. Eu cheguei a ver um segmento do Kirby Air Ride que foi publicado no YouTube, mas essa gravação foi pulverizada da internet.

Em todas as ocasiões, Taizo Takemoto, o maestro Press Start, assumiu a regência. Falando em Press Start, o criador de Kirby, Masahiro Sakurai, e o responsável pelos arranjos, Shogo Sakai, ambos da produção da extinta série de concertos, também estavam entre os convidados do espetáculo. Considerando que é a mesma equipe, curiosamente os dois arranjos já produzidos – Kirby’s Dream Land no Press Start 2009 e Kirby Air Ride no Press Start 2012 – não foram reutilizados. Apenas um medley, do Kirby: Squeak Squad e Kirby & The Amazing Mirror, não foi arranjado por Sakai, mas sim pela novata Megumi Ohara, que entrou para a HAL Laboratory em 2015. Curiosidade: ela nasceu em 1991 e, como Kirby, também estava com 25 anos na época da realização do concerto.

Não tenho condições de avaliar as seleções do set list por causa do meu desconhecimento da série, mas, a julgar pelos elogios em redes sociais, o concerto foi bem abrangente, dando oportunidade para jogos que dificilmente seriam tocados em espetáculos com músicas de outras franquias.

De maneira inacreditável, o concerto foi publicado em áudio e vídeo. Estão disponíveis os pacotes com dois CDs, dois CDs e um DVD ou então dois CDs e um Blu-ray – o segundo disco chamado de Kirby Memorial Arrange tem arranjos variados com big band, banda, chiptune e até vocal. Porém, não pense você, fã de Kirby, que para adquirir qualquer um desses três produtos basta gastar uma nota preta no Play-Asia ou CD Japan. Os lançamentos são exclusivos da loja virtual ValueMall, que faz a grande gentileza de não entregar para fora do Japão – uma saída é contratar serviços de intermediários, o que obviamente encarece o produto para preços ainda mais estratosféricos. Não bastasse isso, as encomendas só são permitidas por tempo limitado.

Segue abaixo o set list. Chamo a atenção que o número do bis foi diferente para cada apresentação, mas ambos apareceram no último concerto em Tóquio. Geralmente não gosto de listar os medleys sem detalhar as músicas (o que muito fantasticamente foi feito no report da Famitsu), mas vou ficar devendo dessa vez, já que a inexistência de diversas trilhas originais em CD e o falecimento do Goear, serviço pelo qual eu havia subido milhares de músicas, dificultaram a manutenção desse hábito.

Os samples da gravação do concerto e do disco Kirby Memorial Arrange podem ser conferidos no site oficial.

Ato I
01. “Kirby 25th Anniversary Grand Opening”
02. “Kirby’s Adventure Medley”
03. “King Dedede & Meta Knight Tag Medley”
04. “Kirby’s Dream Land 2 Friends Medley”
05. “Kirby’s Dream Land 3 & Kirby 64: The Crystal Shards Medley”
06. “Kirby Super Star Medley”

Ato II
07. “Kirby Air Ride Medley”
08. “Kirby & The Amazing Mirror & Squeak Squad Medley”
09. “Kirby Ball Medley”
10. “Kirby Triple Deluxe Medley”
11. “Kirby Planet Robobot Medley”
12. “Kirby’s Return to Dream Land Medley”

Bis
13. “Tomorrow is a New Day” (Kirby’s Dream Land)
14. “Milky Way Wishes” (Kirby Super Star)

A apresentadora Nozomi Yuzuriha, a arranjadora Megumi Ohara, o maestro Taizo Takemoto, o arranjador Shogo Sakai e a outra apresentadora Mirin Furukawa em um daqueles altos papos que acontecem entre um segmento e outro

[via VGMdb, Kirby Wikia, Promax, Famitsu, Game Watch]

Metal Gear in Concert: o início sólido de uma turnê certa na hora errada

Metal Gear Solid 3: Snake Eater abre o concerto por ser cronologicamente o primeiro jogo na história da série

Por Alexei Barros

Se me perguntassem anos atrás uma série que teria potencial para render um concerto, uma das respostas seria Metal Gear. Praticamente todas as apresentações e turnês de game music já tocaram diferentes músicas da franquia, que reúne um grande repertório musical e imensa popularidade mundial. Ficava fácil imaginar a viabilidade de um espetáculo dedicado. Isso anos atrás. Esse dia enfim chegou, mas tinha que ser justo depois que o criador Hideo Kojima saiu daquela forma que todo mundo sabe da Konami? E nesse momento de “expectativa” por Metal Gear Survive?

De qualquer forma, a série completou 30 anos em 2017, e o Metal Gear in Concert estreou no dia 30 de julho no Orix Theater em Osaka com performance da Osaka Symphony Orchestra. Uma segunda apresentação foi feita no dia 2 de agosto no Tokyo International Forum Hall A em Tóquio, dessa vez com a participação da Tokyo Philharmonic Orchestra. Ambos os espetáculos tiveram a regência do australiano Nicholas Buc, que também foi o responsável pelos arranjos. A julgar pelo seu site oficial, ele não tem experiência em games, mas já regeu diversos concertos com músicas de cinema, além de compor para filmes e documentários. A cantora Donna Burke, também da Austrália, participou das duas apresentações de uma forma que detalharei mais adiante.

Em relação ao set list, achei muito bacana a ideia de o programa ser na ordem cronológica da história da série, com medleys dos principais jogos. Só lamento que, apesar de o concerto não se chamar Metal Gear “Solid” in Concert, os dois primeiros jogos para MSX2, Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake, foram ignorados. O único consolo é que a “VR Training”, presente no segmento de Metal Gear Solid, resgata as músicas “Operation Intrude N313” e “Theme Of Tara” da trilha do Metal Gear de 1987. Até por isso fiquei com a impressão que essa música sem relação direta com o jogo principal ficou meio deslocada. Aliás, falando de Metal Gear Solid, não entendi a ausência da marcante “Encounter” pela quantidade de vezes que ela toca durante o jogo.

Minha maior dúvida em relação ao espetáculo é se o tema principal da série assinado por Tappy Iwase – justamente uma das músicas mais memoráveis de Metal Gear –, aparece de alguma forma nesses medleys, já que a Konami abandonou a composição após a revelação de que ela era fortemente inspirada em dois segmentos assinados pelo russo Georgy Sviridov. Além da “METAL GEAR SOLID” Main Theme na versão do Metal Gear Solid 3, a “Debriefing” do mesmo jogo e a “Freedom to Decide” do Metal Gear Solid 2 fazem referências à melodia proibida. Tem que ver isso aí….

Tirando certas faixas instrumentais, sem dúvidas as músicas cantadas estão entre as mais icônicas, mas há dois problemas com relação a isso. Algumas das canções são licenciadas, como a “The Man Who Sold The World” do David Bowie (The Phantom Pain) ou a “Here’s To You” do Ennio Morricone (Metal Gear Solid 4). Essas e todas outras não foram lembradas e honestamente não fizeram falta.

O outro contratempo é que as cantoras originais são de épocas e origens completamente diferentes e me parecia ser impossível reunir todas para um concerto estilo Voices: music from Final Fantasy – inclusive a cantora da “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), Carla White, faleceu em 2007.

A solução foi entregar para a Donna Burke não só as músicas que ela já interpretava originalmente (“Sins of the Father” do The Phantom Pain e “Heavens Divide” do Peace Walker), como também a “Snake Eater”, cantada no jogo pela Cynthia Harrell. É exatamente o que a Susan Calloway faz com as diferentes canções de Final Fantasy no Distant Worlds. Isso é um sinal da intenção de o Metal Gear in Concert virar uma turnê, pois ter apenas uma cantora facilita bastante as visitas do concerto em outros países – estão previstas apresentações na América do Norte e na Europa.

Porém, olhando para o set list, estão listadas duas músicas que originalmente são cantadas e ela não participou. A primeira é a “Love Deterrence” (Peace Walker), que tem a voz da Nana Mizuki na versão original. Por uma coincidência interestelar, dá para ver um trecho do arranjo instrumental dessa canção em uma das gravações amadoras que foram publicadas no canal do YouTube da Donna Burke. J-pop ou J-rock orquestrado não tem como ser diferente: ficou espetacular.  E, para ser sincero, faz uma bela contraposição com a maioria maciça de faixas cinematográficas e pouco melódicas.

A outra música, para minha decepção, é a “The Best Is Yet To Come”, que originalmente é cantada no idioma gaélico pela Aoife Ní Fhearraigh. Não consigo imaginar que uma versão sem voz consiga manter a sublimidade da canção, mas não vou criticar o que não ouvi. O mais curioso é que a própria Donna Burke tinha feito um arranjo da “The Best Is Yet To Come”, dessa vez com os versos cantados em inglês, para o álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks. Se fosse para cantar essa versão, para mim seria melhor nem ter vocal como de fato aconteceu. Confesso que o arranjo não me agrada nem um bocado, já que tira vários elementos que considero essenciais, como a arrepiante introdução a cappella (“An cuimhin leat an grá…”), a flauta de pã que dá o “toque de Yasunori Mitsuda” à música, o bouzouki que foi substituído pela harpa e até mesmo a participação menos presente dos back vocals (na versão em inglês são apenas dois, enquanto que na original é um coral de dez vozes). Fora a letra incompreensível que é parte do charme.

Curiosamente, no mesmo álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks a Donna Burke também fez covers da supracitada “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), além da “Love Theme” (Metal Gear Solid 4), cantada em hebraico pela Jackie Presti no jogo, e até mesmo da “Quiet’s Theme” (The Phantom Pain), que é interpretada originalmente pela Stefanie Joosten (e que ela própria cantou ao vivo no The Game Awards 2015). As três canções não estão no programa, mas em tese Donna Burke se garantiria em qualquer uma delas.

Outra lamentação é a ausência de compositores importantes da série. Claro que eu não iria imaginar o Tappy Iwase fazendo um solo de bateria, mas o Norihiko Hibino seria um nome bem-vindo no saxofone, apesar de mal ter participado das trilhas do Metal Gear Solid 4 e Peace Walker e nem passar perto do Metal Gear Solid V.

Ainda fico no aguardo do CD do concerto, mesmo com todas as ressalvas. O canal YongYea fez o grande favor de reunir em um único vídeo todos os trechos avulsos publicados da apresentação em Osaka. Apesar de não ter dado para ouvir tão bem pelo áudio meio ruim da câmera, me chamou a atenção que a performance conta com bateria e baixo elétrico na companhia da orquestra, o que muitas vezes não acontece nesse tipo de concerto. Confira no fim do post.

Donna Burke participou de três canções do Metal Gear in Concert – apenas a “Snake Eater”, com a voz da Cynthia Harrell na trilha do jogo, não é cantada originalmente por ela

Set list

Ato I

01. “METAL GEAR SOLID” Main Theme ~ “Across The Border” ~ “The Pain” ~ “Fortress Sneaking” ~ “Sidecar – Escape From The Fortress -“ ~ “Takin’On The Shagohod” ~ “Troops in Gathering” ~ “Life’s End” ~ “Debriefing” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
02. “Rain of Bane” ~ “Marshland” ~ “PUPA” ~ “Uninterrupted Signal” ~ “METAL GEAR SOLID PEACE WALKER Main Theme” ~ “Love Deterrence” (Metal Gear Solid: Peace Walker)
03. “Ground Zeroes” ~ “Bloodstained Anthem” (Metal Gear Solid V: Ground Zeroes) ~ “V Has Come To” ~ “Shining Lights, Even in Death” ~ “Sahelanthropus Dominion” ~ “Sins of The Father” (Metal Gear Solid V: The Phantom Pain)

Ato II
04. “VR Training” ~ “Intruder 1” ~ “Mantis’ Hymn” ~ “Hind D” ~ “Escape” ~ “The Best Is Yet To Come” (Metal Gear Solid)
05.  “Opening Infiltration” ~ “Olga Gurlukovich” ~ “Ray Escapes” ~ “Fortune” ~ “It’s the Harrier!” ~ “Battle” ~ “Freedom to Decide” (Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty)
06. “Old Snake” ~ “Gekko” ~ “Mobs Alive” ~ “Guns of the Patriots” ~ “Everything Ends” ~ “Father & Son” ~ “METAL GEAR SAGA” (Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots)

Bis
07. “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
08. “Heavens Divide” (Metal Gear Solid: Peace Walker)

Mais uma vez agradecido ao Fabão pelo link do report.

[via Metal Gear in Concert, 2083, Famitsu, NB Press Online, ameblog.jp]

Gyakuten Saiban 15th Anniversary Orchestra Concert: concerto de debutante na sala de justiça

Nove anos depois, o maestro Hirofumi Narita voltou à sala de justiça para reger a Tokyo Philharmonic Orchestra

Por Alexei Barros

A justiça tarda, mas não falha: no dia 6 de maio aconteceram as duas apresentações do concerto comemorativo Gyakuten Saiban 15th Anniversary Orchestra Concert, que celebrou os 15 anos da série Ace Attorney (na verdade, esse aniversário de debutante aconteceu em 2016, como o primeiro Gyakuten Saiban para Game Boy Advance é de 2001).

O concerto de estreia de Ace Attorney ocorreu lá em abril de 2008 e saiu em CD e DVD – realmente parece que foi outro dia –, com direito a um repeteco em setembro do mesmo ano que incluía dois números inéditos. De lá para cá, a série ganhou seis jogos:

– Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth (DS, 2009)
– Gyakuten Kenji 2 (DS, 2001; inédito nos EUA)
– Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies (3DS, 2013)
– Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken (3DS, 2015; inédito nos EUA)
– Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice (3DS, 2016)
– Dai Gyakuten Saiban 2: Naruhodou Ryuunosuke no Kakugo (3DS, 2017; inédito nos EUA)

Portanto, um novo espetáculo seria totalmente justificado. Como eu falei acima, foram realizadas duas apresentações no Tokyo Bunka Kaikan e cada uma teve três segmentos exclusivos. Dai Gyakuten Saiban 2 foi lançado em agosto de 2017, depois do concerto, e não chegou a ser representado no programa.

Eu demorei tanto para fazer o post que deu tempo de o álbum ser lançado no dia 13 de setembro (no fim do post, há um link do YouTube). Um aspecto muito importante é que a Capcom não deixou nenhuma música de fora, registrando todos os 13 segmentos em um CD duplo. Como em 2008, os arranjos foram feitos por Noriyuki Iwadare, com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e a regência do maestro Hirofumi Kurita, que também conduziu os concertos de Monster Hunter.

As músicas mais icônicas, como o tema principal e dos personagens mais famosos, foram tocadas mais uma vez sem grandes surpresas, mas com muita nostalgia (a suíte dos três primeiros jogos é sempre primorosa). Porém, a meu ver, as suítes “Dai Gyakuten Saiban Suite” e “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (com temas de personagens) referentes ao Dai Gyakuten Saiban é que roubaram a cena por causa da presença do acordeão em diferentes momentos da performance. Chegou a me lembrar Professor Layton (ironicamente, a série com quem Ace Attorney já teve um crossover). Eu certamente apreciaria ainda mais se tivesse jogado, porém não há planos de localização em inglês, infelizmente.

O espetáculo deu tão certo que um novo concerto de Ace Attorney já está marcado para o dia 15 de abril de 2018, também com duas apresentações nesse mesmo esquema de set lists diferentes para cada horário. O site oficial promete arranjos inéditos.

Nas suítes de Dual Destinies e Spirit of Justice, o público foi incentivado a falar em coro os bordões da série

Set list (apresentação 14h)

Ato I
01. “Phoenix Wright ~ Objection!” (Phoenix Wright: Ace Attorney)
02. “Gyakuten Saiban 5 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies)*
03. “Gyakuten Kenji Meeting Suite” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)
04. “Gyakuten Kenji Suite – The Great Path” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)

Ato II
05. “Dai Gyakuten Saiban Suite” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
06. “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All)
07. “Mayoi Ayasato ~ Turnabout Sisters’ Theme” (Phoenix Wright: Ace Attorney)*
08. “Gyakuten Saiban 1~3 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney, Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All e Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations)*

Bis
09. “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
10. “Oo-edo Soldier Tonosaman” (Phoenix Wright: Ace Attorney)

Set list (apresentação 18h30)

Ato I
01. “Phoenix Wright ~ Objection!” (Phoenix Wright: Ace Attorney)
02. “Gyakuten Saiban 6 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice)*
03. “Gyakuten Kenji Meeting Suite” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)
04. “Gyakuten Kenji Suite – The Great Path” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)

Ato II
05. “Dai Gyakuten Saiban Suite” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
06. “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All)
07. “Godot ~ The Fragrance of Dark Coffee” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations)*
08. “Gyakuten Saiban 4 Courtroom Suite” (Apollo Justice: Ace Attorney)*

Bis
09. “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
10. “Oo-edo Soldier Tonosaman” (Phoenix Wright: Ace Attorney)

*Segmentos exclusivos de cada apresentação.

 

[via Capcom, 2083, Famitsu, Gamer, Dengeki Online, 黒薔薇卿歓楽館]


RSS

Twitter

RSS Box art do dia

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_gamerbr

%d blogueiros gostam disto: