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Piano Opera music from Final Fantasy 2016: Bravo! A incrível passagem de Nobuo Uematsu pelo Brasil

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Um piano, um telão e muitas lembranças

Por Alexei Barros

Apesar do imenso potencial para receber espetáculos oficiais de game music, o Brasil ainda tem uma tradição bastante limitada nesse cenário. Um dos mais importantes capítulos dessa humilde trajetória aconteceu no dia 2 de março, com a realização do Piano Opera music from Final Fantasy no Teatro Gamaro em São Paulo.

O principal motivo para isso foi a presença de Nobuo Uematsu em território nacional – algo que eu julgava quase impossível uns anos atrás – nessa performance de piano do Hiroyuki Nakayama das músicas de Final Fantasy de I a IX. Em 2014, o pianista já havia se apresentado no Grande Auditório do MASP em São Paulo e prometeu na ocasião que traria o compositor para o País.

A demanda para esse tipo de espetáculo por aqui é notória, considerando a rapidez com que os mais de 750 ingressos foram esgotados, dos quais 150 eram VIP e garantiam o chamado “Meet & Greet” com Uematsu e Nakayama após o recital – uma foto com os dois japoneses e o direito de ter itens de coleção autografados, além de uma cópia do CD promocional Final Fantasy Music Sampler CD -Limited Edition-. Um desses itens inclusive podia ser adquirido no próprio local: o Piano Opera Final Fantasy I-IX Piano Arrangement Album, que foi vendido por R$ 220. Não é um valor absurdo se considerarmos que se trata de um álbum triplo, que abrange todas as músicas executadas no dia e tantas outras da série.

Se a localização do Teatro Gamaro não é das melhores para quem mora perto do centro de São Paulo, havia estações de metrô próximas que garantiam a facilidade de acesso. Do interior da casa de espetáculo eu tenho muitos elogios: é um lugar perfeito para uma apresentação mais intimista. A acústica do ambiente também garantia que a performance no piano, que teve o som amplificado com microfones, fosse plenamente apreciada. A arquitetura do Teatro Gamaro permitia uma visualização perfeita do palco e, mesmo sentado no segundo mezanino, pude ver o teclado do piano sem esforçar a vista. Minha única queixa do local é a ausência de luzes nas escadas. As pessoas que entraram depois, já no escuro, ficavam perdidas, com dificuldade de encontrar os assentos certos.

Marcada para as 20 horas, a apresentação atrasou alguns minutos e, com as luzes meio apagadas, um certo senhor bigodudo de rabo de cabalo vestido de branco entrou rapidamente no palco, acompanhado da tradutora. Era, enfim, Nobuo Uematsu, saudando o público em português.

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Com muita simpatia, a tradutora transmitiu todo o bom humor de Nobuo Uematsu

Foi com surpresa e certa ponta de decepção que ouvi da boca dele o estímulo para a plateia se manifestar a qualquer momento que desse vontade, sem precisar esperar a música acabar. Os gritos até eram de certo modo “organizados”: Uematsu distribuiu botons para algumas pessoas aleatórias, que deveriam bradar “Bravo!” no meio do espetáculo. Com seu tradicional bom humor, ele falou que mesmo quem não tivesse recebido também podia berrar.

O público brasileiro, claro, toma esse tipo de incentivo como uma ordem. Na maioria das vezes, as pessoas não esperavam nem a música começar para gritar “Bravo!”. O maior paradoxo de tudo isso é que os gritos nitidamente desconcertavam Nakayama.

Por várias vezes, ele aproximava as mãos do piano, mas hesitava em começar a tocar a cada grito de “Bravo!” que tirava sua concentração. Em certos momentos, o próprio Nakayama pediu que a plateia se acalmasse, dando a impressão que a fala de Uematsu no início parecia mais uma trollada com o instrumentista. Felizmente, durante as músicas, com a performance já em andamento, os gritos em passagens virtuosísticas ou em cenas que eram projetadas no telão (falarei mais adiante sobre isso) não atrapalharam o talentoso pianista.

Além disso, conforme os jogos se repetiam no programa, as pessoas já ficavam mais anestesiadas de ver os logos de seus episódios favoritos e pareciam se dar conta de que não valia a pena ficar gritando tanto. É bom que se diga que, quando aconteciam, os gritos não eram tão prolongados e não interferiam tanto na apreciação da performance. Em nenhum momento eu me perguntei: “O que eu estou fazendo aqui se não dá para ouvir nada?”.

Devo confessar que considero o telão dispensável, mas já que a apresentação se propõe a ter as cenas de jogos, eu me sinto à vontade para comentar. Alguns vídeos, especialmente nos jogos 8-bit, estavam com uma taxa de quadros muito baixa, quase parando. Em uma época em que há vídeos 1080p de jogos antigos aos montes no YouTube, esperava que eles estivessem em melhor qualidade. Também seria interessante se os vídeos identificassem os nomes das músicas, pois algumas faixas tocadas não são tão conhecidas. Ao menos, os trechos de gameplay eram intercalados com a câmera que focava o teclado do piano, algo muito mais válido, apesar do pequeno delay entre a performance e a imagem projetada. Sei que estou soando muito chato reclamando desses detalhes, mas nessas horas eu digo: quem mandou ter telão?

Falando enfim do que realmente interessa, que são as músicas, o programa foi em sua maior parte baseado no Piano Opera Final Fantasy VII/VIII/IX, terceiro álbum da coleção que não havia sido lançado na apresentação de 2014. Do total de 12 faixas do disco, apenas três ficaram de fora: “Fight On” (FFVII), “Liberi Fatali” (FFVIII) e “Roses of May” (FFIX). A omissão das duas primeiras é curiosa, já que estão entre as mais famosas composições de Nobuo Uematsu. Eu que sou intolerante com a repetição de algumas músicas, não seria louco reclamar de ouvi-las ao vivo, considerando o ineditismo da ocasião.

O set list foi complementado com a “Prelude ~ Opening” (FF) e “Town Medley” (FF I, II e III) do Piano Opera Final Fantasy I/II/III, além de “Kefka” e “Dancing Mad” (FFVI), “Troian Beauty” (FFIV) e “Clash on the Big Bridge” (FFV) do Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI. Curiosamente, todos esses segmentos dos dois primeiros álbuns são reprises da apresentação de 2014. Por que não tocar músicas diferentes, como “Battle Medley” e “Red Wings ~ Kingdom Baron”?

De qualquer forma, eu reclamo de boca cheia, porque “Festival of the Hunt” (FFIX), “The Man with the Machine Gun” (FFVIII), “Clash on the Big Bridge” (FFV) e especialmente a magnânima “Dancing Mad” (FFVI) estão entre as minhas músicas favoritas do Uematsu e me provocaram arrepios de nostalgia – reforçando o que falei acima, esse sentimento foi proporcionado pelas melodias, não pelas imagens do telão. Na parte do bis, deu para ouvir na plateia pedidos de “One-Winged Angel” (FFVII) e “At Zanarkand” (FFX), mas vale lembrar que todo o repertório é baseado nos arranjos que o próprio Nakayama fez para os três álbuns Piano Opera e ambas as músicas não aparecem na coleção – FFX então nem sequer está representado nesses CDs.

Em um dos intervalos das músicas, foram ditas algumas informações bacanas sobre composições da série, enquanto Nakayama tocava de fundo a “Theme of Love” (FFIV). Por exemplo, o fato de a equipe de produção de FFVII achar a “One-Winged Angel” uma música tensa demais para entrar no jogo, embora isso não tenha sido muito bem explicado na hora. Outro acontecimento curioso é que a “Prelude” foi feita às pressas. Uematsu disse ironicamente que se soubesse que Final Fantasy ia durar tanto tempo teria feito algo melhor. Talvez a curiosidade mais interessante é que a letra da “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de FFVI foi escrita por Yoshinori Kitase como uma declaração para a sua namorada, que depois se tornou sua esposa. Nesse bloco também foi citada a premiada canção “Eyes on Me” (FFVIII), que Uematsu chegou a cantarolar brevemente. Só o final do espetáculo foi meio estranho, já que não tinha ficado claro se haveria mais alguma música a ser executada, deixando o público indeciso e com gosto de quero mais. Quem comprou o ingresso normal demorou um pouco para ir embora.

A noite do dia 2 de março vai ficar para sempre na memória dos presentes e, o melhor de tudo, o sentimento muito promissor no ar da realização de novas apresentações no futuro, tomara que contemplando outras cidades do País. E digo mais: depois do que presenciei naquela quarta-feira, sonhar com o Distant Worlds no Brasil já não me parece uma loucura.

A passagem de Nobuo Uematsu por São Paulo foi rápida como um cometa e sem espaço para entrevistas, mas mesmo assim, o comparsa Claudio Prandoni conseguiu arrancar dele a informação de que ele se motivou a fazer a “Samba de Chocobo!” (FFIV) pela paixão pelo samba brasileiro, tema que ainda merece ser aprofundado.

Set list:

Ato I

01. “Prelude ~ Opening” (Final Fantasy)
02. “Ami” (Final Fantasy VIII)
03. “Festival of the Hunt” (Final Fantasy IX)
04. “Words Drowned by Fireworks” (Final Fantasy VII)
05. “Town Medley” (Final Fantasy I, II e III)
06. “Not Alone” (Final Fantasy IX)
07. “Cosmo Canyon” (Final Fantasy VII)
08. “The Man with the Machine Gun” (Final Fantasy VIII)

Ato II

09. “Opening ~ Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
10. “Kefka” (Final Fantasy VI)
11. “Troian Beauty” (Final Fantasy IV)
12. “Melodies of Life” (Final Fantasy IX)
13. “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)

Bis

14. “Force Your Way” (Final Fantasy VIII)
15. “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)

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Uma cena que dificilmente se imaginaria acontecer no Brasil

Grato ao Fabão, que tirou uma foto com o Hiroyuki Nakayama e o Nobuo Uematsu, e ao report do Final Fantasy Brasil: ambos me ajudaram a lembrar das ordens das músicas do set list (por que eu não levei uma caneta?).

Fotos: Claudio Prandoni

Final Symphony II: sucesso absoluto em 2015

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Thomas Boecker, Mischa Cheung, Masashi Hamauzu, Nobuo Uematsu, Eckehard Stier e os instrumentistas da LSO são ovacionados ao fim de uma das apresentações no Japão

Por Alexei Barros

Faz tempo que não falo do Final Symphony II, mas o concerto com músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII foi um imenso sucesso nas apresentações na Alemanha, Inglaterra e Japão em 2015.

Aliás, no espetáculo de Londres Nobuo Uematsu e o produtor Thomas Boecker ganharam prêmios do Guinness World Records. Uematsu recebeu o prêmio de compositor mais tocado em concertos de games e Boecker foi condecorado por ter produzido o primeiro concerto de games fora do Japão, o First Symphonic Game Music Concert em 2003. Não bastasse isso, Boecker também foi agraciado em novembro com o prêmio “Cultural and Creative Pilots” do governo federal da Alemanha.

Como não poderia deixar de ser, outro momento marcante neste ano foi a miniturnê do Final Symphony II no Japão, com uma apresentação em Osaka e duas em Yokohama com a London Symphony Orchestra e as presenças de Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu. Além deles, os compositores Koji Kondo, Yoko Shimomura, Mahito Yokota e Takenobu Mitsuyoshi assistiram ao espetáculo e ninguém menos do que Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy, também esteve presente. O público japonês, tradicionalmente tímido, aplaudiu efusivamente o concerto.

E não vai parar por aí. Em 2016, o Final Symphony II terá novas apresentações. No dia 1 de abril, o Tampere Hall na Finlândia receberá a Tampere Philharmonic Orchestra e o pianista Mischa Cheung, com a regência de Kimmo Tullila. Já em 9 de junho, será a vez da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra e do pianista Terés Löf tocarem no Stockholm Concert Hall na Suécia sob a batuta do maestro Giedré Slekyté. Nesta última apresentação, Masashi Hamauzu será um convidado.

Além disso, o primeiro Final Symphony vai ganhar uma apresentação em Amsterdã, Holanda, no dia 7 de maio de 2016, com a Nederlands Philharmonisch Orkest e a pianista Katharina Treutler com o maestro Eckehard Stier. Da mesma forma, em 21 de outubro esse concerto chegará à cidade de Auckland, na Nova Zelândia. Novamente com Eckehard Stier na regência, a performance será da Auckland Philharmonia Orchestra e do pianista Stephen de Pledge no Aotea Centre.

E no dia 6 de outubro, o Symphonic Fantasies, originalmente tocado em 2009, ganhará uma reapresentação no Barbican Hall em Londres, Inglaterra, dessa vez com a London Symphony Orchestra e o London Symphony Chorus com Eckehard Stier. Além de Slava Sidorenko no piano, o concerto terá o percussionista Rony Barrak na darbuka.

Falando do Barbican Hall, os dois vídeos abaixo dão uma amostra da excelência do Final Symphony II. No primeiro aparecem apenas as músicas, enquanto que no outro há depoimentos de fãs de game music intercalados com as cenas do concerto em Londres. Agora é esperar pelo álbum do Final Symphony II…

Final Symphony II: detalhes do programa

finalsymphony21Por Alexei Barros

Anunciado em março, o concerto Final Symphony II, que terá músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII, já estava com cinco apresentações marcadas para os meses de agosto e setembro, passando por Alemanha, Inglaterra e Japão. Até então não havia nenhuma informação sobre o programa, mas chegou o momento que aguardava com mais expectativa.

Cada episódio teve quatro faixas reveladas. Evidentemente, haverá outras músicas nas suítes que devem ter de 15 a 20 minutos de duração cada. Como de costume, uma fanfarra original assinada por Jonne Valtonen abrirá o espetáculo. Minhas considerações a respeito de cada uma após o set list:

01. “In a Roundabout Way – Fanfare”
Composição, arranjo e orquestração: Jonne Valtonen

02. Final Fantasy XIII – “Utopia in the Sky”
(“Prelude to Final Fantasy XIII” | “Vanille’s Theme” | “Nautilus” | “Blinded by Light” etc.)
Composição: Masashi Hamauzu
Arranjo: Masashi Hamauzu e Jonne Valtonen

03. Final Fantasy IX – “For the People of Gaia”
(“Vivi’s Theme” | “Hunter Chance” | “Mourning the Sky” | “Assault of the Silver Dragons” etc.)
Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Roger Wanamo

04. Final Fantasy VIII – “Mono no aware”
(“Don’t be Afraid” | “The Landing” | “Waltz for the Moon” | “The Oath” etc.)
Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Roger Wanamo

05. Final Fantasy V – “Library of Ancients”
(“Main Theme of Final Fantasy V” | “Lenna’s Theme” | “The Dragon Spreads Its Wings” | “The Evil Lord Exdeath” etc.)
Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen

– Final Fantasy XIII: ainda não houve uma performance de FFXIII que não fosse uma reprodução literal ou então muito similar às músicas do jogo. Ouvir as majestosas composições de Masashi Hamauzu em uma única suíte promete ser um segmento e tanto. Como as faixas já são naturalmente orquestradas, fico curioso para ver como elas serão reinventadas. Por exemplo, a “Vanille’s Theme”, uma das escolhidas, é um solo de piano na trilha original. Será que ela vai continuar assim? O tema de combate “Blinded by Light” era obrigatório. Evidentemente, também gostei da confirmação da belíssima “Prelude to Final Fantasy XIII” e da pomposa “Nautilus”. A mistura de estilos de Masashi Hamauzu e Jonne Valtonen, que arranjaram a suíte, deverá ser bastante interessante.

–  Final Fantasy IX: a trilha do último Final Fantasy para PlayStation é a mais extensa da série, com mais de uma centena de músicas. Logo de cara me chamou a atenção a “Hunter Chance”. A versão do Distant Worlds já era boa, mas com um arranjador mais talentoso como o Roger Wanamo promete ficar melhor ainda. “Mourning the Sky” não era uma música que estava nos meus radares, e sua melodia emocionante merecia ser arranjada para cordas reais. A militar “Assault of the Silver Dragons” e a irreverente “Vivi’s Theme” mostram que esse segmento deve ser bastante eclético.

– Final Fantasy VIII: o tema de combate “Don’t be Afraid” já foi arranjado pelo Shiro Hamaguchi no 20020220, mas sempre é uma boa pedida. “The Oath” também já teve um arranjo orquestral, dessa vez no Tour de Japon. As outras duas, em compensação, jamais foram tocadas em concertos oficiais da série. Não me lembrava da “The Landing”, uma música cuja sintetização não permitia transmitir toda a imponência da composição. “Waltz for the Moon”, a famosa música da CG do baile, promete ser um dos pontos altos da suíte. Embora não tenha sido confirmada, a “Liberi Fatali” deve fazer alguma aparição – em algum arranjo sem coral, já que o concerto terá apenas orquestra.

– Final Fantasy V: já cansei de dizer o quanto aprecio a era SNES na carreira de Nobuo Uematsu e, como não poderia deixar de ser, esse é o segmento que estou com mais expectativa. A “Main Theme” já foi arranjada duas vezes (OGC2 e Tour de Japon), porém não podia ser ignorada dada a sua importância. Acredito ser um dos temas de abertura mais empolgantes da série. Agora… “The Dragon Spreads Its Wings”? Dado o meu histórico com músicas favoritas não arranjadas, não imaginei que essa faixa pudesse ser escolhida. Fantástico! A emotiva “Lenna’s Theme” é um tema que talvez já teria sido arranjado antes se FFV fosse um jogo mais popular. Para fechar, ainda tem a poderosa “The Evil Lord Exdeath”.

[via Spielemusikkonzerte]

Final Symphony II ganha miniturnê no Japão com a London Symphony Orchestra

Final Symphony II_JapanPor Alexei Barros

Não é a novidade que as produções da Merregnon Studios vêm invadindo o Japão, como as apresentações do Symphonic Fantasies (2012) e Final Symphony (2014) em Tóquio. Com o anúncio do Final Symphony II, concerto com músicas dos episódios V, VIII, IX e XIII de Final Fantasy, seria de esperar que esse espetáculo também aparecesse no Japão. Mas não da forma como vai acontecer.

No total, serão três apresentações do Final Symphony II na Terra do Sol Nascente: uma no Festival Hall em Osaka no dia 27 de setembro e duas no Minato Mirai Hall em Yokohama em 4 de outubro. A novidade é que, em vez de usar orquestras locais, esse trio de concertos terá a performance da renomada London Symphony Orchestra, que também vai executar essa récita em Londres, dia 12 de setembro. Nunca um concerto de games japonês teve a performance de uma orquestra ocidental, e os espetáculos no Japão serão promovidos pela KAJIMOTO, uma das maiores empresas nipônicas na área de gerência de música erudita.

Faltou comentar por aqui também que a première do Final Symphony II acontecerá no dia 29 de agosto no Beethovenhalle em Bonn, Alemanha, com a atuação da Beethoven Orchestra. Todas as apresentações terão a regência do maestro Eckehard Stier; o pianista Slava Sidorenko tocará em Londres e nas demais Mischa Cheung, do grupo instrumental Spark, será o pianista. Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu também estarão presentes em todas essas ocasiões, com exceção da première mundial, que só contará com Hamauzu.

Com tantas apresentações assim, fico na expectativa se alguma delas vai originar algum CD ou se o álbum do concerto será gravado em estúdio como o primeiro Final Symphony. Mesmo após o anúncio do sucessor, esse concerto não foi esquecido e ganhará uma nova apresentação no Concertgebouw em Amsterdã, com a Netherlands Philharmonic Orchestra no dia 7 de maio de 2016.

[via Spielemusikkonzerte]

Final Symphony II anunciado com músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII

finalsymphony21Por Alexei Barros

Por esta eu realmente não esperava: Final Symphony II. Enquanto ainda estamos absorvendo o banquete musical do álbum do Final Symphony, já foi anunciado seu sucessor para o dia 12 de setembro de 2015, com a produção de Thomas Boecker e arranjos de Jonne Valtonen, Roger Wanamo e Masashi Hamauzu. O encarte do Symphonic Legends em Londres havia sugerido uma nova apresentação de game music e ontem foi prometido que aconteceria o anúncio. Mas, de novo, essa revelação me pegou de surpresa.

Enquanto o predecessor homenageava as músicas de Final Fantasy VI, VII e X, desta vez os capítulos escolhidos para terem as faixas arranjadas são quatro: FFV, VIII, IX e XIII. Há um imenso terreno a ser explorado por Valtonen e Wanamo, já que, com exceção do FFV, os demais jogos ainda não tinham aparecido no Symphonic Fantasies ou Symphonic Odysseys.

Embora tenha ficado triste com o esquecimento do FFIV, a trilha do FFV me empolga sobremaneira por ter sido feita em um período de grande inspiração do Nobuo Uematsu e que foi lembrada raras vezes nos concertos da série. Também estou na expectativa por FFXIII, já que a trilha original do Masashi Hamauzu está, a meu ver, entre as melhores da série. Inclusive o próprio compositor será o responsável pelo arranjo. Como o primeiro Final Symphony em Londres, o concerto terá performance da London Symphony Orchestra e regência do maestro Eckehard Stier. É interessante notar que, como antes, não haverá coral. A novidade será o ucraniano Slava Sidorenko no piano, substituindo a Katharina Treutler.

Aos interessados, os ingressos estarão à venda a partir do dia 20 de março. Antes do concerto, Nobuo Uematsu vai responder questões do público em um bate-papo que exige ingressos à parte do espetáculo e que também estarão à venda na mesma data.

[via Spielemusikkonzerte]

Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration: uma celebração aquém das tradições da série

Por Alexei Barros

O que faço comentando um Blu-ray que saiu há mais de um ano? Eu não deveria me importar tanto com a data de lançamento dos álbuns de game music, até porque as trilhas são atemporais. Mas o principal motivo é que a turnê Distant Worlds recentemente adicionou novos números no programa e quando fui ver os posts antigos percebi que passei batido por algumas novidades do ano passado. Então senti que devia reparar essa lacuna.

Lançado em junho de 2013, o Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration registra o espetáculo comemorativo de 25 anos da série da Square Enix realizado no Japão com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Real Singers of Tokyo sob a regência de Arnie Roth. Algumas partituras novas que estrearam no Final Fantasy Orchestral Album foram gravadas oficialmente em vídeo pela primeira vez, como “The Dreadful Fight” (FFIV), “The Mystic Forest” (FFVI) e “The Dalmasca Estersand” (FFXII) – segmentos que, se me dissessem que foram tocados uns anos atrás, eu acharia uma mentira. Fora isso, o concerto é carente de novidades mais relevantes, mas, ainda assim, há dois medleys mais ou menos inéditos. Mesmo que eles não sejam tão bons quanto deveriam, eles reservam algumas curiosidades interessantes.

10. “Chocobo Medley 2012”
Originais: “Choc-a-bye Baby” (Final Fantasy XI) ~ “Mambo de Chocobo!” (Final Fantasy V) ~ “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII)
Composição: Naoshi Mizuta, Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

A versão anterior do medley dos chocobos, “Chocobo Medley 2010”, combinava a “Bo-down” (FFXIV) e a “Brass de Chocobo” (FFX), que, por sua vez, era um segmento próprio de nome “Swing de Chobo” tocado desde o More Friends. A nova edição foi totalmente reformulada, agora com três faixas relacionadas às aves da série. A primeira delas, do FFXI, não traz a icônica melodia dos chocobos e, na realidade, é uma música cortada do jogo, embora tenha sido lançada no Final Fantasy XI Original Soundtrack Premium Box (ela está no sexto disco, que contém 18 faixas não aproveitadas). É a segunda vez que uma composição excluída foi orquestrada, já que a “Battle Scene 3” (FFII) foi arranjada no Symphonic Odysseys. Se isso virar uma tendência, espero que não se esqueçam das faixas excluídas do FFIV e FFV.

Mas voltando aos chocobos… A  “Choc-a-bye Baby” é tocada em toda a sua singeleza, imitando com fidelidade os timbres da composição do Naoshi Mizuta. Essa delicadeza vai embora com a animação da “Mambo de Chocobo!” (FFV), em uma performance lúdica do coral que imita os urros da sintetizada. Com os coristas soletrando “chocobo”, é feita a transição para a fantástica “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII), que considero a melhor versão do tema dos chocobos e enfim encontrou seu lugar no Distant Worlds.

18. “Battle & Victory Theme Medley”
Originais: “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) ~ “Seymour Battle” (Final Fantasy X) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Fanfare” (Final Fantasy)
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Por mais que seja atraente a ideia de juntar três temas de batalha e mais a fanfarra da vitória, esse segmento parece feito no improviso, meio amador, meio aleatório. As transições não ficaram nada boas, e não tenho dúvidas que um arranjador do nível de um Shiro Hamaguchi faria algo muito melhor, isso se a ideia fosse apresentar um arranjo similar às originais. A “Clash on the Big Bridge” já aparecia em um segmento próprio e a “Those Who Fight” foi arranjada em releituras superiores (no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys). A única novidade é a “Seymour Battle” (FFX), que havia participado uns anos atrás de uma enquete feita com o público para decidir qual música devesse ser arranjada. O trecho desse tema ficou decente, com boa participação da bateria e dos metais. Não sei se ela merecia um número só para ela, mas talvez o potencial da faixa não foi completamente explorado no meio das outras duas.

Ah, a apresentação está inteirinha no YouTube. Ou pelo menos enquanto a Square Enix não solicitar a retirada do vídeo.

Piano Opera Final Fantasy: o raro dia em que Hiroyuki Nakayama aterrissou em São Paulo


Por Alexei Barros

Como amplamente divulgado, ontem, dia 19 de fevereiro, aconteceu um desses espetáculos de game music que é difícil de acreditar que ocorreu no Brasil: Piano Opera Final Fantasy. Às 20 horas, o Grande Auditório do MASP recebeu o japonês Hiroyuki Nakayama para interpretar músicas da série Final Fantasy no piano, em um evento organizado pela Fundação Japão em São Paulo.

“Chopin” Nakayama, como é apelidado, é figura recorrente em gravações de trilhas sonoras originais de games, a exemplo de Blue Dragon, Lost Odyssey, Xenoblade Chronicles, entre outras. No piano, ele já mostrou talento na coletânea Piano Collections Kingdom Hearts e, também como arranjador, nos álbuns Piano Collections Kingdom Hearts Field & Battle e PiA-COM II na companhia de outras pessoas. Mas coube a ele a honra de arranjar e tocar sozinho todas as músicas dos discos Piano Opera Final Fantasy I/II/III e Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI, ambos lançados em 2012. O repertório de ontem foi justamente um mix desses dois álbuns, com quatro faixas do primeiro e oito do segundo.

Para testemunhar a performance de Nakayama, os fãs da série foram obrigados a fazer um plantão no MASP. Como o evento era gratuito, os ingressos para os 374 lugares foram distribuídos uma hora antes do espetáculo, mas o problema é que quase o dobro de pessoas compareceu no local e, com isso, muita gente ficou de fora, sem poder ver o pianista. Eu iria ao evento, mas infelizmente fui acometido por um mal-estar desgraçado (enjoo temperado com um embrulho no estômago), porém irei repassar o que os reports citados no fim do post informam e o que o Fabio Santana me contou sobre o evento.

O Nakayama sofreu com o sono por causa do fuso-horário da viagem, mas superou as dificuldades para tocar as 11 músicas previstas no programa e mais uma no bis, a “Theme of Love” (Final Fantasy IV), que não estava originalmente anunciada. Simplesmente incrível uma apresentação dessas ter acontecido apenas com músicas dos seis primeiros jogos, considerando que a quantidade de fãs da série explodiu mesmo com o FFVII. Com isso, o eterno FFVI, que inclusive completa 20 anos em 2014, tomou conta do set list com quatro faixas.

Levando em conta as músicas que já foram arranjadas nos dois álbuns, a seleção foi ótima, embora, devo confessar, se ali estivesse, sentiria a falta do “Battle Medley”, pela nostalgia dos temas de batalha mais antigos, e a “Red Wings ~ Kingdom Baron”, por conta da minha fascinação pelo FFIV. Mas como reclamar de alguma coisa diante da sequência imbatível “Dancing Mad” e “Clash on the Big Bridge”?

Uma das melhores notícias que pude saber é que o público brasileiro se comportou como deveria ser em qualquer apresentação erudita e como não é no VGL: silenciosamente durante as músicas e aplaudindo efusivamente após a performance. Aí sim!

Em maio, vai ser publicado o terceiro álbum dessa série Piano Opera, desta vez com os episódios FFVII, VIII e IX da era PlayStation, com direito a uma apresentação no Japão para comemorar o lançamento. O melhor é que o Nakayama prometeu voltar ao Brasil, quem sabe para apresentar músicas desse novo CD. Ele disse que ia tentar trazer o Nobuo Uematsu na próxima oportunidade. Será?

Set list:

01. “Prelude ~ Opening” (Final Fantasy)
02. “Troian Beauty” (Final Fantasy IV)
03. “Town Medley” (Final Fantasy I, II e III)
04. “Rebel Army Theme” (Final Fantasy II)
05. “Searching for Friends” (Final Fantasy VI)
06. “Gurgu Volcano” (Final Fantasy)
07. “Kefka” (Final Fantasy VI)
08. “Save Them” (Final Fantasy VI)
09. “Home, Sweet Home” (Final Fantasy V)
10. “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)
11. “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)
12. “Theme of Love” (Final Fantasy IV)


Crédito das imagens:
©Rafael Salvador / Nikko Fotografia

[via Pop e Game World]


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