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Concerto com músicas de Yuzo Koshiro será transmitido ao vivo neste sábado, 1º de dezembro

Por Alexei Barros

Neste dia 1º de dezembro, a apresentação NJBP Concert #1 “Koshiro Matsuri (Ancient Festival)” vai acontecer às 14h no Japão (3h da manhã no horário do Brasília) com um atrativo bombástico: o concerto terá transmissão online pelo YouTube! Como o nome diz, o espetáculo é dedicado às composições de Yuzo Koshiro, mais especificamente as músicas de The Scheme, Streets of Rage, Streets of Rage 2, Etrian Odyssey e ActRaiser.

Aconteceu tudo tão rápido que é até difícil de acreditar, considerando a dificuldade e a demora para ouvir arranjos orquestrais de tantas obras-primas de um dos maiores gênios da game music. Embora Streets of Rage seja o jogo que desperte a minha maior expectativa, eu também estou muito curioso para ouvir a “Symphonic Suite: ActRaiser 2018”. De acordo com Koshiro no site oficial do espetáculo, pela primeira vez todas as músicas do jogo serão executadas. Fico na dúvida se ele se refere às faixas perdidas ou ao fato de muitas músicas nunca terem sido tocadas ao vivo.

Obviamente, Yuzo Koshiro estará presente, e a Ancient, estúdio do compositor, está na supervisão do concerto, que terá a New Japan BGM Philharmonic Orchestra sob a regência de Yusuke Ichihara. Neste vídeo do ensaio é possível sentir um gostinho de ActRaiser e Etrian Odyssey.

O link da transmissão pode ser conferido aqui:

[via Twitter e NJBP]

“Petit Suite ActRaiser Act.1” – ActRaiser (Japan BGM Philharmonic Orchestra Ensemble Concert II)

Por Alexei Barros

Enquanto algumas músicas memoráveis do SNES demoraram décadas para serem orquestradas (quando são), ActRaiser teve esse privilégio a menos de um ano depois do lançamento original do jogo no Japão em dezembro de 1990. A orquestração de Kaoru Wada para o Symphonic suite from ActRaiser, álbum publicado em setembro de 1991, beira a perfeição e esse trabalho parecia intimidar iniciativas amadoras, que são praticamente inexistentes. Isso até agora…

A Japan BGM Philharmonic Orchestra é mais uma orquestra pró-amadora no Japão que faz performances dos mais variados jogos, mas que tem o péssimo hábito de ser bastante restrita na divulgação de suas atuações. No concerto Beyond the Game Music, eles chegaram a apresentar uma suíte de ActRaiser com coral, elemento que inexiste nos arranjos do Kaoru Wada. Daí a JBPO me divulga um vídeo em ótima qualidade, mas que não mostra o segmento completo… Pô, como assim?

Em compensação, a gravação que queria comentar está na íntegra, embora seja de um quarteto de cordas. O medley foge do que se poderia esperar de ActRaiser, pois começa com a “Sky Palace”. O tema, que apresenta timbre de órgão na original, ganhou um novo significado com as cordas e ficou magnífico. Depois de diferentes variações dessa música, surge a icônica “Opening”, que, por motivos óbvios, imaginaria ideal para iniciar a miscelânea. O diálogo entre a viola e o primeiro violino recria a melodia com perfeição. Depois da “Descent”, a avassaladora “World Tree” surge com opulência. Mesmo que essa faixa peça uma orquestra completa para mostrar a inspiração no John Williams da composição, a rendição ficou incrível, terminando a primeira parte da suíte com maestria.

Isso mesmo, primeira parte. Existe uma segunda, e por meio do Nico Nico Douga é possível saber quais músicas que a outra parte compreende: “Birth of the People”, “Descent” e “Fillmore” – simplesmente as minhas favoritas da trilha. Se publicaram um vídeo disso? Claro que não…

De todo modo, esse arranjo é acima da média para o nível das orquestras pró-amadoras, já que há a preocupação de fazer as transições entre as faixas, o que nem sempre acontece nesse tipo de performance. Isso não é por acaso: o autor desse arranjo de ActRaiser é o Nijuhachi Haneda, que foi responsável pelo medley de Etrian Odyssey no Press Start 2014. Espero que essa parceria com o Yuzo Koshiro não pare por aí…

Depois do vídeo do quarteto de cordas, também trago a citada gravação incompleta com a JBPO em sua formação com todos os instrumentistas (antes de ActRaiser, no início tem um pouco de Dragon Quest inclusive).

“Petit Suite ActRaiser Act.1”
Originais: “Sky Palace” ~ “Opening” ~ “Descent” ~ “World Tree”

Flashes do Beyond Game Music

ActRaiser: as geniais músicas perdidas

ActRaiser
Por Alexei Barros

Com o intuito de minimizar a lista de pendências gamísticas veio por meio deste post informar que há pouco mais de duas semanas me tornei menos fraude porque finalmente completei um jogo que sempre quis terminar (por causa da trilha sonora), e sempre batia a maldita preguiça casual quando sobrava tempo: ActRaiser. Pior que nem era tão difícil ou extenso como imaginava.

Vergonhoso encerrar um título de 1991 em pleno 2008, mas tenho uma boa desculpa.  Na época em que foi originalmente lançado, a única referência que eu tinha era uma foto na caixa do SNES, já que, por comprar revistas esporadicamente, jamais soube de mais detalhes. Nas lojas? Nunca vi. Tomei conhecimento muito tempo depois, não lembro direito como, e quase certeza que foi por causa do Yuzo Koshiro. Bem verdade que escutei por inúmeras vezes a trilha original e, claro, o clássico Synphonic Suite from ActRaiser.

Pude constatar como os cenários eram variados (pirâmides, catacumbas, pântanos, montanha e até mesmo o espaço sideral) e os gráficos detalhados para a época, afinal foi um dos primeiros títulos do sistema, num período em que os games 16-bits ainda se libertavam dos cenários chapados do 8-bits. Em contrapartida, a ingenuidade da história, apesar do mote original de você ser uma divindade e do final surpreendente, mostra sinais do tempo: o mal aparece subitamente e deve ser debelado a qualquer custo, mesmo que não exista um porquê do vilão ser assim. Porém, é elogiável o comportamento dos habitantes das cidades que você ordena na porção SimCity do jogo, principalmente no que diz respeito à interação entre elas, como, por exemplo, quando as cercanias de Blood Pool chegaram ao território vizinho de Fillmore, e o primeiro povo quis ensinar a pescaria para o segundo. A parte de plataforma é de uma simplicidade ímpar, limitando-se a pulos e somente um tipo de golpe de espada, com eventuais esquivas ou mágicas. Nada de combos ou power-ups.

ActRaiserEntão vamos às músicas. Poderia falar da excelência de “Fillmore” e “Birth of the People”, algumas das minhas preferidas de todos os tempos, da semelhança impressionante de “All Over the World” com as músicas de Guerra nas Estrelas ou da alusão à vinheta da 20th Century Fox no início da “Ending”, mas vou chamar a atenção para algo pouco comentado (ao menos só li mais a fundo na biografia escrita pelo Acid), que lembrei depois que terminei o jogo: as músicas perdidas de ActRaiser compostas na placa de som Soundboard II (originária do PC-8801), que vieram à tona no álbum Misty Blue (1991) e também estão na coletânea Yuzo Koshiro Best Collection vol. 1 (2007). Supostamente, foram feitas no sistema porque ainda não tinha em mãos o aparato técnico do SNES e, como é de conhecimento, nunca existiu uma versão de ActRaiser para PC-8801.

E não são poucas: 14. Até aí, nenhum problema se fossem exatamente as mesmas do SNES com diferente qualidade. Não são. Apenas quatro composições são as mesmas – “Fillmore”, “Blood Pool ~ Casandora”, “The Beast Appears” e “Sacrifices”. Até aí, nenhum problema se as dez faixas não usadas no jogo não fossem grande coisa. Que nada. São maravilhosas, jóias raras que deveriam receber o mesmo tratamento. É bem possível associar os nomes das faixas (disponibilizo todas no fim do post) com situações da jornada, o que me deixa ressabiado para saber o motivo da exclusão.

“In the Castle” e “Boss Fight” demonstram a mesma mistura de música eletrônica com toque erudito da trilha original, ao passo que “Flight” e “The Seven-Headed Monster” ganhariam uma pompa avassaladora se fossem orquestradas. “Space Fight” é realmente uma música especial, totalmente contagiante. “Jungle” destoa de tudo, e só consigo pensar em Streets of Rage pela batida techno. Ouça-as abaixo. E um dia ainda termino ActRaiser 2…

“In the Castle”
“Boss fight”
“Minotaur”
“God’s Trial”
“Desert”
“Endless Adventure”
“Flight”
“The Seven-Headed Monster”
“Jungle”
“Space Fight”

Press Start 2007: o novo Orchestral Game Concert?


Por Alexei Barros

Em 1986, principiava com Dragon Quest Suite os concertos com músicas de jogos no Japão sob a batuta de Koichi Sugiyama. Três anos depois veio Final Fantasy Symphonic Suite, o primeiro de muitos da grife FF. A despeito do pioneirismo dos dois, foi a série Orchestral Game Concert que criou um novo paradigma em apresentações de game music.

Em vez de uma franquia, diversas, incluindo Dragon Quest e Final Fantasy, com ênfase em títulos do Super Nintendo. Pela primeira oportunidade se ouvia o tema do Super Mario Bros. tocado por uma orquestra. Melodias de jogos importantes daquela época também receberam arranjos sinfônicos, tais como The Legend of Zelda, Super Mario World, Yoshi’s Island, Donkey Kong Country, Chrono Trigger, Secret of Mana, Star Fox e Super Metroid. Lá que a ópera “The Dream Oath ‘Maria and Draco” do FFVI foi reproduzida na íntegra, com 23 minutos de duração. No total, cinco apresentações – de 1991 a 1995 –, que inspiraram a criação de outros concertos.

O legado foi herdado por Video Games Live (EUA), PLAY! A Video Game Symphony (EUA), que  organizam espetáculos em vários lugares do mundo, e Symphonic Game Music Concert (Alemanha) e o A Night in Fantasia (Austrália), que realizam uma apresentação por ano. Mas não havia proveniente do Japão de trilhas de empresas diferentes como o Orchestral Game Concert.

Não havia até o ano passado – onze anos depois do último OGC. Eis que surgiu o Press Start ~Symphony of Games~. O repertório estava longe de fazer frente ao OGC em termos de significância, apesar de  ICO, Zone of the Enders 2, Metal Gear Solid 2, OutRun e Zelda.

Pensei que seria uma apresentação única. Estava enganado. Nos dias 17 e 22 de setembro aconteceu em Osaka e Yokohama a edição 2007 do concerto organizado por Nobuo Uematsu, Masahiro Sakurai, Shogo Sakai, Kazushige Nojima e Taizo Takemoto. Os convidados? Yuzo Koshiro e Keiki Kobayashi. E como em 2006, tive a oportunidade de ouvir um bootleg. A qualidade é razoável para ruim, mas o suficiente para ter uma idéia da grandiosidade.

pressstart.jpg

O set list mudou completamente: apenas duas faixas foram reprisadas. Isso sim é renovação. Houve um avanço substancial em relação aos musicistas. No ano passado era apenas a Tokyo City Philharmonic Orchestra e eventuais solistas. Novamente sob a regência de Taizo Takemoto, desta vez formou-se a Press Start Gadget Orchestra, que combina instrumentos de uma orquestra erudita (cordas, metais, madeiras etc.) com a de uma banda (baixo, guitarra, bateria e teclado) – algo que é feito no Brasil pela Orquestra Jazz Sinfônica. Essa combinação permite executar músicas com muito mais impacto e também amplia a gama de melodias que podem ser interpretadas com fidelidade e perfeição. Também estreou um coral.

Minha empolgação foi tanta que preferi comentar cada uma das faixas da apresentação de Yokohama  (e uma exclusiva de Osaka) baseando-se no bootleg.
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