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Piano Opera music from Final Fantasy 2016: Bravo! A incrível passagem de Nobuo Uematsu pelo Brasil

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Um piano, um telão e muitas lembranças

Por Alexei Barros

Apesar do imenso potencial para receber espetáculos oficiais de game music, o Brasil ainda tem uma tradição bastante limitada nesse cenário. Um dos mais importantes capítulos dessa humilde trajetória aconteceu no dia 2 de março, com a realização do Piano Opera music from Final Fantasy no Teatro Gamaro em São Paulo.

O principal motivo para isso foi a presença de Nobuo Uematsu em território nacional – algo que eu julgava quase impossível uns anos atrás – nessa performance de piano do Hiroyuki Nakayama das músicas de Final Fantasy de I a IX. Em 2014, o pianista já havia se apresentado no Grande Auditório do MASP em São Paulo e prometeu na ocasião que traria o compositor para o País.

A demanda para esse tipo de espetáculo por aqui é notória, considerando a rapidez com que os mais de 750 ingressos foram esgotados, dos quais 150 eram VIP e garantiam o chamado “Meet & Greet” com Uematsu e Nakayama após o recital – uma foto com os dois japoneses e o direito de ter itens de coleção autografados, além de uma cópia do CD promocional Final Fantasy Music Sampler CD -Limited Edition-. Um desses itens inclusive podia ser adquirido no próprio local: o Piano Opera Final Fantasy I-IX Piano Arrangement Album, que foi vendido por R$ 220. Não é um valor absurdo se considerarmos que se trata de um álbum triplo, que abrange todas as músicas executadas no dia e tantas outras da série.

Se a localização do Teatro Gamaro não é das melhores para quem mora perto do centro de São Paulo, havia estações de metrô próximas que garantiam a facilidade de acesso. Do interior da casa de espetáculo eu tenho muitos elogios: é um lugar perfeito para uma apresentação mais intimista. A acústica do ambiente também garantia que a performance no piano, que teve o som amplificado com microfones, fosse plenamente apreciada. A arquitetura do Teatro Gamaro permitia uma visualização perfeita do palco e, mesmo sentado no segundo mezanino, pude ver o teclado do piano sem esforçar a vista. Minha única queixa do local é a ausência de luzes nas escadas. As pessoas que entraram depois, já no escuro, ficavam perdidas, com dificuldade de encontrar os assentos certos.

Marcada para as 20 horas, a apresentação atrasou alguns minutos e, com as luzes meio apagadas, um certo senhor bigodudo de rabo de cabalo vestido de branco entrou rapidamente no palco, acompanhado da tradutora. Era, enfim, Nobuo Uematsu, saudando o público em português.

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Com muita simpatia, a tradutora transmitiu todo o bom humor de Nobuo Uematsu

Foi com surpresa e certa ponta de decepção que ouvi da boca dele o estímulo para a plateia se manifestar a qualquer momento que desse vontade, sem precisar esperar a música acabar. Os gritos até eram de certo modo “organizados”: Uematsu distribuiu botons para algumas pessoas aleatórias, que deveriam bradar “Bravo!” no meio do espetáculo. Com seu tradicional bom humor, ele falou que mesmo quem não tivesse recebido também podia berrar.

O público brasileiro, claro, toma esse tipo de incentivo como uma ordem. Na maioria das vezes, as pessoas não esperavam nem a música começar para gritar “Bravo!”. O maior paradoxo de tudo isso é que os gritos nitidamente desconcertavam Nakayama.

Por várias vezes, ele aproximava as mãos do piano, mas hesitava em começar a tocar a cada grito de “Bravo!” que tirava sua concentração. Em certos momentos, o próprio Nakayama pediu que a plateia se acalmasse, dando a impressão que a fala de Uematsu no início parecia mais uma trollada com o instrumentista. Felizmente, durante as músicas, com a performance já em andamento, os gritos em passagens virtuosísticas ou em cenas que eram projetadas no telão (falarei mais adiante sobre isso) não atrapalharam o talentoso pianista.

Além disso, conforme os jogos se repetiam no programa, as pessoas já ficavam mais anestesiadas de ver os logos de seus episódios favoritos e pareciam se dar conta de que não valia a pena ficar gritando tanto. É bom que se diga que, quando aconteciam, os gritos não eram tão prolongados e não interferiam tanto na apreciação da performance. Em nenhum momento eu me perguntei: “O que eu estou fazendo aqui se não dá para ouvir nada?”.

Devo confessar que considero o telão dispensável, mas já que a apresentação se propõe a ter as cenas de jogos, eu me sinto à vontade para comentar. Alguns vídeos, especialmente nos jogos 8-bit, estavam com uma taxa de quadros muito baixa, quase parando. Em uma época em que há vídeos 1080p de jogos antigos aos montes no YouTube, esperava que eles estivessem em melhor qualidade. Também seria interessante se os vídeos identificassem os nomes das músicas, pois algumas faixas tocadas não são tão conhecidas. Ao menos, os trechos de gameplay eram intercalados com a câmera que focava o teclado do piano, algo muito mais válido, apesar do pequeno delay entre a performance e a imagem projetada. Sei que estou soando muito chato reclamando desses detalhes, mas nessas horas eu digo: quem mandou ter telão?

Falando enfim do que realmente interessa, que são as músicas, o programa foi em sua maior parte baseado no Piano Opera Final Fantasy VII/VIII/IX, terceiro álbum da coleção que não havia sido lançado na apresentação de 2014. Do total de 12 faixas do disco, apenas três ficaram de fora: “Fight On” (FFVII), “Liberi Fatali” (FFVIII) e “Roses of May” (FFIX). A omissão das duas primeiras é curiosa, já que estão entre as mais famosas composições de Nobuo Uematsu. Eu que sou intolerante com a repetição de algumas músicas, não seria louco reclamar de ouvi-las ao vivo, considerando o ineditismo da ocasião.

O set list foi complementado com a “Prelude ~ Opening” (FF) e “Town Medley” (FF I, II e III) do Piano Opera Final Fantasy I/II/III, além de “Kefka” e “Dancing Mad” (FFVI), “Troian Beauty” (FFIV) e “Clash on the Big Bridge” (FFV) do Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI. Curiosamente, todos esses segmentos dos dois primeiros álbuns são reprises da apresentação de 2014. Por que não tocar músicas diferentes, como “Battle Medley” e “Red Wings ~ Kingdom Baron”?

De qualquer forma, eu reclamo de boca cheia, porque “Festival of the Hunt” (FFIX), “The Man with the Machine Gun” (FFVIII), “Clash on the Big Bridge” (FFV) e especialmente a magnânima “Dancing Mad” (FFVI) estão entre as minhas músicas favoritas do Uematsu e me provocaram arrepios de nostalgia – reforçando o que falei acima, esse sentimento foi proporcionado pelas melodias, não pelas imagens do telão. Na parte do bis, deu para ouvir na plateia pedidos de “One-Winged Angel” (FFVII) e “At Zanarkand” (FFX), mas vale lembrar que todo o repertório é baseado nos arranjos que o próprio Nakayama fez para os três álbuns Piano Opera e ambas as músicas não aparecem na coleção – FFX então nem sequer está representado nesses CDs.

Em um dos intervalos das músicas, foram ditas algumas informações bacanas sobre composições da série, enquanto Nakayama tocava de fundo a “Theme of Love” (FFIV). Por exemplo, o fato de a equipe de produção de FFVII achar a “One-Winged Angel” uma música tensa demais para entrar no jogo, embora isso não tenha sido muito bem explicado na hora. Outro acontecimento curioso é que a “Prelude” foi feita às pressas. Uematsu disse ironicamente que se soubesse que Final Fantasy ia durar tanto tempo teria feito algo melhor. Talvez a curiosidade mais interessante é que a letra da “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de FFVI foi escrita por Yoshinori Kitase como uma declaração para a sua namorada, que depois se tornou sua esposa. Nesse bloco também foi citada a premiada canção “Eyes on Me” (FFVIII), que Uematsu chegou a cantarolar brevemente. Só o final do espetáculo foi meio estranho, já que não tinha ficado claro se haveria mais alguma música a ser executada, deixando o público indeciso e com gosto de quero mais. Quem comprou o ingresso normal demorou um pouco para ir embora.

A noite do dia 2 de março vai ficar para sempre na memória dos presentes e, o melhor de tudo, o sentimento muito promissor no ar da realização de novas apresentações no futuro, tomara que contemplando outras cidades do País. E digo mais: depois do que presenciei naquela quarta-feira, sonhar com o Distant Worlds no Brasil já não me parece uma loucura.

A passagem de Nobuo Uematsu por São Paulo foi rápida como um cometa e sem espaço para entrevistas, mas mesmo assim, o comparsa Claudio Prandoni conseguiu arrancar dele a informação de que ele se motivou a fazer a “Samba de Chocobo!” (FFIV) pela paixão pelo samba brasileiro, tema que ainda merece ser aprofundado.

Set list:

Ato I

01. “Prelude ~ Opening” (Final Fantasy)
02. “Ami” (Final Fantasy VIII)
03. “Festival of the Hunt” (Final Fantasy IX)
04. “Words Drowned by Fireworks” (Final Fantasy VII)
05. “Town Medley” (Final Fantasy I, II e III)
06. “Not Alone” (Final Fantasy IX)
07. “Cosmo Canyon” (Final Fantasy VII)
08. “The Man with the Machine Gun” (Final Fantasy VIII)

Ato II

09. “Opening ~ Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
10. “Kefka” (Final Fantasy VI)
11. “Troian Beauty” (Final Fantasy IV)
12. “Melodies of Life” (Final Fantasy IX)
13. “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)

Bis

14. “Force Your Way” (Final Fantasy VIII)
15. “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)

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Uma cena que dificilmente se imaginaria acontecer no Brasil

Grato ao Fabão, que tirou uma foto com o Hiroyuki Nakayama e o Nobuo Uematsu, e ao report do Final Fantasy Brasil: ambos me ajudaram a lembrar das ordens das músicas do set list (por que eu não levei uma caneta?).

Fotos: Claudio Prandoni

Data de lançamento e track list do Piano Opera Final Fantasy I/II/III

Por Alexei Barros

Numa boa, às vésperas de 2012, quem ainda aguenta coletâneas com músicas antigas de Final Fantasy? Eu! Porque mais uma está chegando.

Quem comprou um CD na Na Tokyo Game Show 2011 recebia de brinde o Square Enix Music Sampler CD 2011 Vol.6. Como de costume, esses discos bônus adiantam os próximos lançamentos da Square Enix e nesse chamou a atenção a oitava faixa, de nome “The Rebel Army” from Piano Collections Final Fantasy I-II-III (temporary).

E, enfim, temos a confirmação. Abandonando o nome “Piano Collections”, adotado desde o FFIV, a nova velha compilação se chama Piano Opera Final Fantasy I/II/III, tapando a lacuna de três episódios que nunca tiveram uma antologia do tipo (tirando os spin-offs, somente FFXII e FFXIV não possuem também). Sabe se lá o que “Piano Opera” quer dizer de diferente. O número de catálogo é o SQEX-10302, e o preço de 2800 ienes. O lançamento ainda vai demorar um pouco, só em 29 de fevereiro de 2012. Arranjador e pianista: Hiroyuki Nakayama, o mesmo das duas coletâneas de piano de Kingdom Hearts e que participou do Pia-Com II.

Você sabe que tenho o péssimo hábito de mencionar aleatoriamente faixas memoráveis que ouço e são pouco reverenciadas. Parece que, quanto maior o meu apreço por essas, menor as chances de as músicas serem lembradas. Ao menos uma! Por ocasião do Symphonic Odysseys – aliás, o CD do concerto sai hoje no Japão –, eu senti que a “Magician’s Tower” do FFII combinaria com a suíte tocada pelo Benyamin Nuss. Estará no álbum, é a oitava faixa. Mas a “Dungeon” do FFI nem a pau. De resto, a track list me parece um pouco previsível. Certamente os medleys dos temas de batalha e dos temas de cidade são os mais promissores para mim. Coloco os links originais para facilitar:

No site oficial é possível ouvir um sample da “Prelude”. Creio que até o lançamento devem liberar muitas amostras mais.

01 “Prelude” ~ “Opening” (Final Fantasy)
02 “Main Theme” (Final Fantasy)
03 “Town Medley” [“Town” ~ “Town” ~ “My Home Town”] (Final Fantasy I/II/III)
04 “Gurgu Volcano” (Final Fantasy)
05 “Matoya’s Cave” (Final Fantasy)
06 “Main Theme” (Final Fantasy II)
07 “Rebel Army Theme” (Final Fantasy II)
08 “Magician’s Tower” (Final Fantasy II)
09 “Battle Medley” [“Battle Scene” ~ “Battle 1” ~ “Battle 1”] (Final Fantasy I/II/III)
10 “The Boundless Ocean” (Final Fantasy III)
11 “Crystal Cave” (Final Fantasy III)
12 “Eternal Wind” (Final Fantasy III)
13 “This is the Last Battle” (Final Fantasy III)

[via Piano Opera Final Fantasy I/II/III]

Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continue lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

“Final Fantasy Medley” – FF, FFII, FFVI, FFVII, FFIX e FFX

Por Alexei Barros

Nova orquestra amadora nipônica fazendo estreia no blog. Conhecida como… denominada… batizada… chamada… não consegui identificar o grupo seja no YouTube, seja no Nico Nico Douga. O vídeo simplesmente surgiu do nada.

Já publiquei diversos medleys de Final Fantasy anteriormente com a condição de que trouxessem faixas nunca antes orquestradas. A performance da orquestra abaixo por pouco não seguiria a receita, se não fosse pela incursão da “Messenger of Destruction” (FFIX), uma faixa que pende para o rock cada vez mais popular entre os grupos do ramo. Fora isso, ainda que todas as outras músicas tenham sido arranjadas oficialmente (e em versões muito melhores, diga-se), não deixa de ser interessante o encadeamento de determinadas faixas, como “Aerith’s Theme” e “Terra’s Theme”. Parece óbvio, mas nunca vi alguém fazer. O único problema é que, embora existam passagens, são de músicas muito calmas para agitadas, o que prejudica um pouco o resultado final, somada à performance deficiente em alguns momentos, abaixo do nível pró-amador que circula por aqui. Os trompetes em especial precisam de polimento.

Não obstante, chama a atenção a quantidade de integrantes (cerca de 50 pessoas) para uma orquestra amadora, que inclui instrumentos de corda (muitos grupos similares possuem instrumentos de sopro somente), ainda mais regida por um maestro trajado de Vivi (?) e precedida pela performance da “The Place I’ll Return to Someday” em um quarteto de flautas doce.

-“Final Fantasy Medley”
“The Place I’ll Return to Someday” (FFIX) – “At Zanarkand” (FFX) ~ “Messenger of Destruction” (FFIX) ~ “Aerith’s Theme” (FFVII) ~ “Terra’s Theme” (FFVI) ~ “Those Who Fight” (FFVII) ~ “Fanfare” (FF) ~ “Chocobo!” ~ “Rebel Army Theme” (FFII) ~ “Matoya’s Cave” ~ “Final Fantasy” (FF)

“Final Fantasy Medley” – FF, FFII, FFVI e FFIX (Music Creators)

Por Alexei Barros

Perdão pelo quarto post seguido relacionado com Final Fantasy… ah, o que importa? Não resisto em demorar a publicar mais uma esplendorosa performance da banda de sopro Music Creators – o que 30 fãs japoneses de game music não fazem quando são audaciosos.

Bem como o “FF Great Ensemble Medley”, é gratificante pelas seleções da miscelânea, não pelo todo – sequer há uma tentativa de transições entre as faixas. A imponente “Rebel Army Theme” , que nos últimos anos costumava ser ignorada, é a encarregada de abrir a peça, só que não impressiona porque já foi arranjada profissionalmente no Symphonic Suite Final Fantasy, a “Scene VII”, numa versão que vai ser difícil superar. Do nada vem a “Rose of May” (0:35) em um solo de piano encantador, embora completamente fora de hora.

Agora começa a sequência de quatro composições do FFVI jamais relidas em concertos oficiais que valem tudo e causam sucessivas pontadas no coração. Nunca poderia imaginar que a “Techno de Chocobo” (3:29) ficasse tão boa com os instrumentos de sopro – impressionante a introdução fielmente traduzida. Essa não teve nem no concerto de Final Fantasy VI da Little Jack Orchestra.

“The Decisive Battle” (4:16) ficou muito mais apurada que na versão que está no “Final Fantasy VI Medley” da Last Elixir Wind Orchestra (embora não com aquela passagem fantástica), e o mesmo vale para a “Searching for Friends” (5:25), eternamente maravilhosa. E o que você me diz de “The Fierce Battle” (6:13)? Morri. “Final Fantasy” (7:47) é um desfecho bem previsível, mas nem deu tempo para escutar, pois já não consegui sobreviver depois de ouvir o quarteto do FFVI.

“Final Fantasy Medley”

“Rebel Army Theme” (FFII) ~ “Rose of May” (FFIX) ~ “Techno de Chocobo” (FFVI) ~ “The Decisive Battle” (FFVI) ~ “Searching for Friends” (FFVI) ~ “The Fierce Battle” (FFVI) ~ “Final Fantasy” (FF)

A track list final do Distant Worlds II


Por Alexei Barros

Cumprir os prazos de lançamento deveria ser o normal entre as gravações de concertos, mas virou algo elogiável diante de CDs que atrasam meses e mais meses e escancaram a falta de profissionalismo de algumas produções. Se você não tem certeza, para que prometer antes da hora e enraivecer os compradores do álbum?

Não foi o caso do Distant Worlds II: more music from Final Fantasy. O disco gravado em estúdio em janeiro na Suécia foi agendado para junho. Depois foi marcado para o primeiro dia do mês. Não parou por aí. Um mês antes o álbum já pode ser comprado digitalmente por míseros 10 dólares no site oficial no formato que você bem entender: MP3 em 320 kbps, AAC, ALAC e, para os tarados por qualidade e com terabytes livres no disco rígido, o ignorante FLAC em HD 24bit / 88,2khz. O pacote virtual inclui ainda um PDF de 12 páginas com as letras, liner notes e fotos da gravação. Mas, de novo, não acabou aqui. O CD pode ser escutado de graça em streaming na íntegra! Não são meros samples, e sim faixas completíssimas em excepcional qualidade. Nem vou precisar republicar no Goear.

Vamos falar sobre a track list. Minha previsão ficou parcialmente furada. A “Kiss Me Good-Bye” (FFXII) e a “Twilight Over Thanalan ~ Beneath Bloody Borders” (FFXIV) não entraram, nem mesmo aquelas duas do FFXIII que vão fazer parte do repertório da turnê. No lugar, “Prima Vista Orchestra” (FFIX) e “Dear Friends” (FFV), de apenas um minuto e meio, que estrearam nos concertos Voices e 20020220, respectivamente. Com isso, sobraram poucas músicas dos concertos passados que ainda não foram gravadas em estúdio nem nesse e nem no predecessor.

A performance da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra e do Elmhurst College Concert Choir (isso sim é um coral) são tão impolutas que, sem exageros, passei a gostar mais de algumas músicas que não estimava muito. A “Suteki da ne”, pela primeira vez com a letra em inglês (é possível conferir os versos no link), é um exemplo por conta do agradibilíssimo timbre da Susan Calloway – acho que o meu problema era com a Rikki, a cantora da “Suteki da ne” original. Sendo assim, tomarei a liberdade de comentar somente as faixas inéditas que estrearam no Distant Worlds II, as que mais ansiava:

01 – “Prelude” (Final Fantasy series)
02 – “The Man with the Machine Gun” (Final Fantasy VIII)
03 – “Ronfaure” (Final Fantasy XI)
04 – “A Place to Call Home ~ Melodies of Life” (Final Fantasy IX)
05 – “Zanarkand” (Final Fantasy X)

06 – “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)
Original: “Dancing Mad”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Adam Klemens e Kenichiro Fukui
Órgão de tubo: Oskar Ekburg
Banda: Earthbound Papas

Como herança do Fourth Symphonic Game Music Concert (2006), oportunidade em que estreou a “Dancing Mad” orquestrada, depois de tanto tempo intocada, a música passou a fazer parte do programa do PLAY! A Video Game Symphony. Em Estocolmo em 2007, a banda Machinae Supremacy ladeou a orquestra, coral e órgão na “Dancing Mad”. Pelo que acompanhei dos vídeos e gravações a mistura não funcionou muito bem ao vivo, porque é difícil conciliar em um mesmo ambiente instrumentos elétricos e a bateria com os coitados dos violinos e das flautas. Como aqui não é ao vivo, é possível isolar cada parte conflitante e misturar tudo. Isso mesmo o que aconteceu: aquela “Dancing Mad” do Fourth SGMC foi fundida com a “Dancing Mad” do The Black Mages, aqui representado pelo Earthbound Papas, resultando na mais perfeita, majestosa e avassaladora interpretação do tema da batalha final do FFVI. É a versão definitiva, enfim.

Felizmente, o solo de órgão de tubo, outrora limado na apresentação em Chicago, regressou. O ápice, o momento mais arrepiante, é naquele instante próximo do desfecho (8:22), em que a música alcança contornos épicos. Antes era só o coral ou apenas a guitarra. Agora são os dois, igualmente audíveis e não conflitantes. Uma loucura completa. Próximo passo: “Ending Theme”.

07 – “Victory Theme” (Final Fantasy series)
Original: “Fanfare”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Arnie Roth

Meu ceticismo se confirmou: apenas segundos de música. Apesar de sempre desejá-la orquestrada, não deveria ser em um segmento tão diminuto assim, porque não é substancial o bastante. O que custava tocar a melodia que vem logo na sequência?

08 – “Suteki da ne” (Final Fantasy X)
09 – “Terra’s Theme” (Final Fantasy VI)
10 – “Main Theme of Final Fantasy VII” (Final Fantasy VII)
11 – “Prima Vista Orchestra” (Final Fantasy IX)
12 – “Dear Friends” (Final Fantasy V)

13 – “JENOVA” (Final Fantasy VII)
Original: “J-E-N-O-V-A”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Arnie Roth, Eric Roth e Nobuo Uematsu

Quem diria que uma música tão repetitiva e, convenhamos, um tanto quanto sem graça originalmente apresentasse semelhante empolgação na versão orquestrada deste arranjo que é o primeiro preparado especialmente para o Distant Worlds (a “Victory Theme” não conta). A batida da bateria, aqui sem brigar com nenhum instrumento, é uma das principais responsáveis por isso, para não esquecer do coral e dos solos jazzísticos dos metais.

[via Distant Worlds]

Avatar, 3D e joguinhos de videogame

Por Claudio Prandoni

Nesta última sexta-feira finalmente consegui assistir ao Avatar. Em 3D, claro. Se o James Camarão Cameron levou 12 ou sei lá quantos anos pra fazer o bendito filme porque queria em 3D vou eu não assistir em 3D?

Gostei bastante do filme. A história é uma compilação bem amarrada de clichês eficientes que empolgam e emocionam na medida e momento que devem, as imagens de natureza são lindas, personagens carismáticos (para o bem ou mal) e as lutas intensas. Só teria deixado um pouco mais curtinho, com início e fim mais aceleradinhos, mas beleza.

Enfim, como um apaixonado por joguinhos, alguém que lida profissionalmente com o assunto e também curioso por tecnologia, não pude deixar de associar a tecnologia 3D do filme o tempo todo a games. Óbvio, não dá para ignorar também toda a questão da convergência multimídia, a aproximação cada vez maior entre cinema e games e todo aquele lance de interação e tal.

Que seja, nos parágrafos seguintes – logo após o Hadouken – me dedico a expor minhas impressões sobre o tema.

Continue lendo ‘Avatar, 3D e joguinhos de videogame’


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