Posts Tagged 'Final Fantasy VII'

Interview with Thomas Boecker, game concert producer in Germany (part 2 of 2)

e03afec4b50d36e9e2d69091107993cfBy Alexei Barros

Finally the day has come! Today happens the worldwide digital release of Final Symphony on iTunes. The album contains 94 minutes of music from Final Fantasy VI, VII and X recorded at Abbey Road Studios with performance by London Symphony Orchestra with arrangements by Jonne Valtonen, Roger Wanamo and Masashi Hamauzu.

Surprisingly, the track list brings some new features compared to the set list of the first concert in Germany back in 2013. In the second part of the interview, producer Thomas Boecker answered these and other questions for Hadouken, which brings also more curiosities and discusses the viability of other concerts (including a concert with Yuzo Koshiro’s music!).

Track list:
01 Fantasy Overture (Circle within a Circle within a Circle)
02 Final Fantasy VI (Symphonic Poem: Born with the Gift of Magic)
03 Final Fantasy X (Piano Concerto)
04 Encore: Final Fantasy X (Suteki Da Ne)
05 Final Fantasy VII (Symphony in Three Movements)
06 Encore: Final Fantasy VII (Continue?)
07 Encore: Final Fantasy Series (Fight, Fight, Fight!)
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Entrevista com Thomas Boecker, produtor de concertos de games na Alemanha (parte 2 de 2)

e03afec4b50d36e9e2d69091107993cfPor Alexei Barros

Enfim chegou o dia! Hoje acontece o lançamento digital mundial do Final Symphony no iTunes. O álbum contém 94 minutos de música de Final Fantasy VI, VII e X gravadas no Abbey Road Studios com performance da London Symphony Orchestra e arranjos de Jonne Valtonen, Roger Wanamo e Masashi Hamauzu.

Surpreendentemente, a track list possui algumas novidades em relação ao set list da primeira apresentação feita na Alemanha em 2013. Essas e outras questões foram esclarecidas pelo produtor Thomas Boecker na segunda parte da entrevista para o Hadouken, que também traz mais curiosidades e discute a viabilidade de outros concertos (incluindo até um espetáculo com músicas do Yuzo Koshiro!).

Track list:

01 Fantasy Overture (Circle within a Circle within a Circle)
02 Final Fantasy VI (Symphonic Poem: Born with the Gift of Magic)
03 Final Fantasy X (Piano Concerto)
04 Encore: Final Fantasy X (Suteki Da Ne)
05 Final Fantasy VII (Symphony in Three Movements)
06 Encore: Final Fantasy VII (Continue?)
07 Encore: Final Fantasy Series (Fight, Fight, Fight!)
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Final Symphony: concerto será gravado no Abbey Road Studios com a London Symphony Orchestra

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Por Alexei Barros

Chegou o momento: o espetáculo Final Symphony finalmente vai ganhar um álbum, previsto para o início de 2015. Com extensas suítes de Final Fantasy VI, VII e X arranjadas, respectivamente, por Roger Wanamo, Jonne Valtonen e Masashi Hamauzu, o concerto estreou lá em maio de 2013 na Alemanha e já havia passado pela Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Japão. Até então apreciá-lo com a qualidade que a apresentação merece era um privilégio só para quem viu ao vivo nas respectivas casas de espetáculos desses países (a não ser pelo fantástico vídeo da “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)” gravado em Estocolmo).

Diferentemente dos CDs do Symphonic Shades, Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys, que foram registrados ao vivo, a gravação será feita em estúdio, mas não em qualquer estúdio: no renomado Abbey Road Studios em Londres (a mixagem e a masterização também), com a supervisão de Nobuo Uematsu, compositor original da maioria das músicas da série que foram arranjadas para esse espetáculo (as demais foram assinadas pelo Masashi Hamauzu). Cada local contou com a participação de uma orquestra diferente, mas a escolhida para a performance foi a London Symphony Orchestra, que evidentemente tocou na apresentação do Final Symphony em Londres, no que foi o primeiro concerto de games dessa afamada orquestra.

O maestro Eckehard Stier, que conduziu a maioria das apresentações do Final Symphony, regerá a gravação e quem tocará piano é a Katharina Treutler – ela foi a solista nos concertos na Dinamarca, Suécia e Japão. A distribuição será feita pela X5 Music Group, que recentemente fez o lançamento digital do Symphonic Fantasies Tokyo. “O álbum vai mostrar a game music em sua qualidade mais alta e eu mal posso esperar para compartilhá-lo com o mundo”, afirma o produtor Thomas Boecker.

O anúncio foi feito hoje na rádio britânica Classic FM, a maior rádio de música erudita do planeta, que reservou um especial na sua programação com as melhores composições de game music de 2014 (acompanhei parte da transmissão e achei bem interessante). O melhor é que antes do lançamento do Final Symphony, a Classic FM vai transmitir com exclusividade um trecho do álbum.

[via Spielemusikkonzerte]

Final Symphony ganha novas apresentações na Dinamarca, Suécia e Japão


Por Alexei Barros

Depois das apresentações na Inglaterra e Alemanha (em dois horários) em maio de 2013, o concerto Final Symphony agora vai passar pela Dinamarca, Suécia e Japão neste ano. O espetáculo tem o repertório baseado em três episódios da série Final Fantasy: VI, VII e X. Para cada jogo, há uma extensa e trabalhada peça musical de longa duração.

No Japão, a performance será da Tokyo Philharmonic Orchestra no Tokyo Bunka Kaika no dia 4 de maio, em dois horários diferentes. Além de participar de uma grande variedade de trilhas e concertos, essa orquestra foi a mesma que tocou o Symphonic Fantasies Tokyo, o primeiro concerto realizado pelo produtor Thomas Boecker no Japão, isso lá em 2012. Se a produção está voltando para lá, é porque os japoneses, mestres na arte dos concertos de game music, gostaram do que ouviram.

A próxima apresentação se dará na Dinamarca no dia 9 de maio, com a Aarhus Symphony Orchestra no Musikhuset Aarhus. Essa visita ao país escandinavo já havia sido anunciada em novembro do ano passado, mas aproveito a ocasião para mencioná-la.

Por fim, a Suécia – país frequentemente agraciado com concertos de games – terá a sua apresentação em 18 de junho, no tradicional Konserthuset Stockholm. Como não poderia deixar de ser, quem vai tocar as músicas é a competentíssima Royal Stockholm Philharmonic Orchestra, já conhecida de outros espetáculos, como o LEGENDS.

No Japão e na Dinamarca, a regência será do maestro Eckehard Stier, que, na Suécia, passará a batuta para o regente Andreas Hanson. Outra novidade é que o piano terá a performance da Katharina Treutler, pianista que vai substituir o Benyamin Nuss, que tocou nas apresentações em 2013.

Torço para que alguma dessas reprises seja gravada e lançada em CD – no site oficial, a imagem de um álbum coberto por um véu vermelho com três pontos de interrogação, mostrando que alguma coisa está nos planos.

Para informações mais detalhadas do repertório do Final Symphony, não deixe de ver ou rever o report in loco escrito pelo Luiz “Radical Dreamer” Macedo do espetáculo na Alemanha.

[via Square Enix, aarhussymfoni.dkkonserthuset.se]

Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X

Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc. Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também.

Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades. Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, como o Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu.

A novidade é que o Luiz escreveu um report para compartilhar no Hadouken! Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.

Ato I
01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. Kessen”

Ato II
04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI” Continue lendo ‘Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X’

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy II) ~ “Battle 2″ (Final Fantasy III) ~ “Fight 2″ (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1″ do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2″ do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2″ (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1″, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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