“Mega Man X Medley” – Mega Man X (Nostalgeek)

Por Alexei Barros

Eu sou do tempo em que não existiam orquestrações da série Mega Man. Passados os anos e muitas versões depois, eu me pergunto se vão arranjar uma música diferente da “Dr. Wily Stage 1” do Mega Man 2.

Nesse cenário de mesmice, saturação e falta de criatividade, surge a orquestra de sopro canadense L’Orchestre de Jeux Vidéo com uma escolha óbvia: Mega Man X. Quer dizer, deveria ser óbvia para qualquer concerto de games, mas o jogo do SNES faz parte de um montante de títulos populares que estranhamente não tiveram suas músicas devidamente exploradas em detrimento de jogos até menos conhecidos e com composições não tão memoráveis.

Basta um segundo de performance para constatar – vou me repetir – o óbvio: as músicas de Mega Man X ficam estupendas orquestradas. A “Title” realmente é de cair da cadeira e tentar se recuperar a tempo de ouvir a espetacular transição na bateria para a “Opening Stage”.

Seguindo a ordem dos acontecimentos do jogo da fase de abertura, aparece a “Vava 1”, a “Vava 2” e a “Zero”. Um dos grandes momentos do medley vem com os saxofones e trombones relembrando a “Stage Select 1” – dessa vez, devo confessar que eu não esperava que uma melodia tão curta ficasse fantástica desse jeito. A “Stage Start” é tocada de maneira grandiosa e não literal, transitando a peça para a “Storm Eagleed Stage” – curiosamente, o único tema de estágio da miscelânea. A “Title” volta a aparecer no final, fechando muito adequadamente o banquete nostálgico.

O medley poderia ter outras músicas das fases, como “Icy Penguigo Stage”, “Sting Chameleao Stage” (esses são os nomes que estão na OST) e o Acid certamente vai lamentar a ausência da “Password”, mas é difícil de criticar muito diante de tamanho ineditismo. O jogo é de 1993 e a performance é de 2018: foram 25 anos esperando por um arranjo como este.

– “Mega Man X Medley”
“Title” ~ “Opening Stage” ~ “Vava 1” ~ “Vava 2” ~ “Zero” ~ “Stage Select 1” ~ “Stage Start” ~ “Storm Eagleed Stage” ~ “Title”

A boa surpresa da biografia em HQ de Tetris

Por Claudio Prandoni

Nas últimas semanas estou relendo aos poucos o fantástico Console Wars, de Blake Harris, que narra e explica a incrível rivalidade entre Nintendo e Sega nos anos 90 – saiu aqui no Brasil como A Guerra dos Consoles, pela editora Intrínseca.

Porém, fiz uma pausa em alguns dias para encaixar outra leitura sobre games, o excelente Tetris: The Games People Play, de Box Brown (ainda sem lançamento oficial no Brasil, infelizmente).

Em formato de HQ o livro conta a história de criação do clássico puzzle Tetris, um dos meus games favoritos de todos os tempos.

A narrativa dá bastante atenção também para o complicado processo de licenciamento do jogo, culminando com a super popular versão portátil para Game Boy.

O traço caricato dá certa leveza para o conteúdo, que aborda de formas pontuais também o próprio conceito de jogo e a criação da Nintendo.

Mas pra mim a grande estrela mesmo é todo o drama para licenciar o Tetris, um jogo que não era exatamente de uma empresa, mas sim do próprio governo da União Soviética.

Um registro inusitado, mas bem representativo de um período importante da História recente e que ajuda a dar a dimensão da importância do Tetris, renovado até hoje, como nos hipnotizantes Tetris Effect e Tetris 99.

Artwork do dia: artes INÉDITAS de Alex Kidd in Miracle World

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Por Claudio Prandoni

Dia desses chegou ao Switch a versão SEGA AGES do fantabuloso Alex Kidd in Miracle World.

Guardo a aventura lançada em 1986 para o Master System com carinho no coração: foi o primeiro game que joguei na vida!

Assim, logo que essa nova edição saiu dei um jeito de comprar. O pacote é robusto e traz a função de rebobinar a partida em alguns segundos, jogar com música reproduzida ao estilo chip FM, desafios com rankings online e… artes INÉDITAS feitas especialmente de apresentação de cada fase!

Dias atrás pensava em você / Não é assim mas joguei o game do início ao fim e capturei cada telinha para dividir com você por aqui.

O que achou?

Dragon Quest 1 no mobile

Por Claudio Prandoni

O último jogo que terminei em 2018 foi o primeiro Dragon Quest. Isso mesmo, o comecinho da série, a estreia, o primogênito.

Digo mais: joguei o game inteiro no celular, ao longo de alguns poucos meses.

Nunca foi o ‘jogo principal’ da minha playlist, mas sim um jogo pra curtir em intervalos, nas salas de espera, no vai-e-vem do ônibus e metrô. Ajuda o fato de que não se trata de uma aventura gigantesca: com apenas um herói, o descendente do lendário Erdrick, a jornada acabou com algo entre 9 e 10 horas de partida.

Ajudou também a mecânica clássica JRPG estabelecida por jogos como o próprio Dragon Quest, que exige muito grind para subir de nível, melhorar atributos e conquistar poderes. Qualquer 15 minutos no metrô virou motivo pra entrar no game e matar alguns slimes pra acumular XP – e sem a preocupação de o 3G funcionar ou não, já que é um game todo offline, dos desconectados anos 80.

Agora embarquei em Dragon Quest 2, que já se mostra uma epopéia muito mais elaborada e desinibida, com um mundo consideravelmente maior e aliados para recrutar. Adiante, guerreirinhos!

T-Square 40th Anniversary Celebration Concert: é maravilhoso, mas não é o show dos sonhos

O palco do show de 40 anos do T-Square é o mesmo da icônica apresentação Casiopea vs The Square the Live!! de 2003

Por Alexei Barros

Por mais desatualizado que este espaço esteja, não posso deixar de analisar um dos acontecimentos que mais aguardava neste quase findo ano de 2018: o show de 40 anos do T-Square, realizado no Pacifico Yokohama no dia 5 de agosto e cujo Blu-ray foi lançado em 12 de dezembro. Até porque comentei – quase uma década atrás! – do evento similar de 30 anos. Para quem não sabe, trata-se da banda liderada por Masahiro Andoh, compositor de Gran Turismo e Arc the Lad.

Antes vale mencionar rapidamente sobre o espetáculo de 35 anos realizado em 2013 – esse sim eu não falei por aqui. Embora o programa registrado no Blu-ray (o qual eu tenho um exemplar) seja excelente, com direito à melhor performance da “Rondo”, vale mencionar uma decepção. Naquele ano, foram realizadas duas apresentações com convidados diferentes e set lists levemente distintos. Justamente a edição do show que não está gravada no Blu-ray é a que teve a “Knight’s Song” (a.k.a. “Moon Over the Castle”, tema de Gran Turismo) tocada na íntegra (e não em um medley como no show de 30 anos) com participação especial do guitarrista Kyoji Yamamoto.

Partindo para os 40 anos, o motivo que mais me deixava na expectativa era saber se enfim nessa ocasião estaria presente o genial saxofonista Masato Honda, que atuou na banda de 1990 a 1997. Ausente das apresentações de 25, 30 e 35 anos do T-Square, ele é não só um multi-instrumentista talentoso, como um exímio compositor, por músicas famosas da banda como “Megalith” e “Bad Moon”. Essas faixas continuam sendo tocadas em sua carreira solo, que não é das mais prolíficas quanto em outros tempos (de 2008 para cá ele só lançou três álbuns).

Nunca consegui descobrir a razão para todas essas ausências, apenas rumores infundados. Um dos boatos que eu vi em comentários do YouTube foi uma suposta briga de Honda que culminou em sua saída da banda em 1997. Se é assim, por que ele participou do Farewell and Welcome Live ‘1998 e do show de 20 anos do T-Square já como ex-integrante? E mais: por que Honda colaborou com a composição da música “A Distancia” para o álbum Brasil (2001) – a faixa também está presente no CD solo Cross Hearts (2001) – como músico freelancer?

De qualquer forma, dessa vez havia uma esperança mínima de sua aparição: em 2015, Masahiro Andoh publicou em seu Twitter uma foto com Masato Honda e outros instrumentistas no que parece ter sido um encontro casual no meio da rua. Não tem cara que havia algum desentendimento entre os dois. Ainda que os atuais integrantes do T-Square não participem dos álbuns solo do Masato Honda, ex-membros da banda, como Hiroyuki Noritake, Mitsuru Sutoh, Keiji Matsumoto e Hirotaka Izumi, costumam tocar com o saxofonista.

Mas tudo foi por terra abaixo no vídeo de revelação que anunciou todos os participantes desse show. O que não entendo é que o safado do Masato Honda esteve presente simplesmente em todos os shows de aniversário de carreira do cantor/guitarrista Toshiki Kadomatsu (20, 25, 30 e 35 anos), inclusive aparecendo de maneira muito mais discreta do que seria em um espetáculo do T-Square, apenas integrando o naipe de metais com solos ocasionais. A carreira do saxofonista deve muito mais ao T-Square do que ao Toshiki Kadomatsu.

Tudo isso é bastante lamentável, considerando o tanto de bandas que acabaram com as mortes de integrantes-chave ou que nem sequer conseguem mais reunir o suficiente de músicos vivos para formar uma banda. Por sinal, o único ex-membro falecido do T-Square é o Jun Aoyama, baterista que teve uma rápida passagem pelo grupo em 1980 e morreu em 2013.

Em contrapartida, fiquei feliz com o nome de Daisaku Kume, que só esteve presente anteriormente na apresentação de 20 anos. Arranjador da “Beyond the Bounds” (Zone of the Enders: The 2nd Runner), ele é o compositor da “Change Your Mind”, música ainda bastante tocada pelo T-Square. Em 2017, Kume completou 60 anos e fez um show comemorativo com as presenças de Masahiro Andoh e Takeshi Itoh, além do percussionista Kiyohiko Semba.

De resto, são os mesmos nomes do show de 30 anos, exceto pela ausência do primeiro baixista Yuji Nakamura e pela presença do baixista Shingo Tanaka, que não é exatamente um membro oficial da banda, mas é figura recorrente nos álbuns novos e já havia aparecido no show de 35 anos.

Porém, a grata surpresa foi a participação das instrumentistas Chihiro Yamazaki (trompete) e Kayoko Yuasa (trombone). As duas inclusive tocaram na gravação do álbum City Coaster, o primeiro lançado em abril pelo T-Square em 2018 apenas com músicas dos atuais membros. O outro que foi publicado este ano, no mês de novembro, It’s a Wonderful Life!, não teve o envolvimento de ambas, mas contou com composições de vários ex-integrantes, assim como os álbuns de aniversário Spirits (2003), Wonderful Days (2008) e Smile (2013). Aliás, vale elogiar o esforço por produzir dois CDs com músicas originais em um único ano, algo que só aconteceu quatro vezes nesses 40 anos de T-Square (antes só em 1978, 1984 e 2000). Isso porque a inclusão do trompete e trombone quebrou uma tradição de apenas os concertos de aniversário em anos terminados em “5” (25 e 35 anos) contarem com o reforço de um naipe de metais, visto que os shows de 20 e 30 anos não tiveram esses instrumentos. São 18 músicos no total:

T-Square Super Band Special
Guitarra: Masahiro Andoh, Yuhji Mikuriya
Saxofone & EWI: Takeshi Itoh, Takahiro Miyazaki
Piano & teclado: Daisaku Kume, Hirotaka Izumi, Junko Miyagi, Keizoh Kawano
Baixo: Toyoyuki Tanaka, Mitsuru Sutoh, Shingo Tanaka
Bateria & Percussão: Kiyohiko Semba, Michael S. Kawai, Tohru Hasebe, Hiroyuki Noritake, Satoshi Bandoh

Trombone: Kayoko Yuasa
Trompete: Chihiro Yamazaki

As duas fizeram a diferença, apesar de ter achado o set list dos 40 anos um pouco fechado nas músicas mais famosas e exaustivamente repetidas, sensação que aumentou com a inexistência de algum medley, que em outras ocasiões favoreceu a lembrança de pérolas esquecidas pelo tempo (do T-Square são tantas…). Eu gosto da “Sailing the Ocean”, mas ela já tinha aparecido nos shows de 20 e 25 anos (em um medley). Mesma coisa a “Midnight Lover”, que foi lembrada nas apresentações de 20 e 30 anos.

Músicas como “Dans sa Chambre”, “Mistral” e “Crown and Roses”, que apresentavam metais nas versões originais em estúdio, ficaram sensacionais ao vivo. Pena que ainda poderiam ter outras com essa mesma característica, como a “Anchor’s Shuffle” e a sempre ignorada “Glorious Road” (tão ignorada que eu não encontrei um link com a música original no YouTube). E fico só imaginando o quão fantástico seriam músicas do Masato Honda como “Natsu No Shinkirou”, “Splash!” e “Samurai Metropolis”… Porém, assim como nos shows de 25 e 35 anos, algumas músicas que ganharam arranjos com metais especialmente para a apresentação, como a “Little Pop Sugar”, que ficou surpreendente e incrível na abertura e a própria “It’s a Wonderful Life!”. Nesse sentido, falando das composições do Mitsuru Sutoh, fico imaginando que seria melhor trocar a “Explorer” pela “Scrambling”, mesmo que ela já tivesse aparecido no show de 30 anos. A versão em estúdio não tinha metais, mas a parte do teclado claramente busca reproduzir esses instrumentos. E em relação às faixas mais recentes, a “幻想の世界” não poderia ter faltado.

Outra novidade neste ano foi a participação em três faixas da Adachi-ku Nishi Arai Chugakko Suisogaku Bu, orquestra de sopro japonesa. A “Omens of Love”, “Takarajima” e “Twilight In Upper West” – todas elas composições de Hirotaka Izumi – são músicas extremamente populares entre esses grupos, graças aos arranjos de Toshio Mashima para a série de álbuns New Sounds in Brass.

Apesar de tudo, o aniversário de 40 anos ainda é um dos melhores shows da banda especialmente por causa do naipe de metais. De resto, o óbvio: só espero que em futuras efemérides Masato Honda esteja presente (não custa sonhar).

A gravação em áudio do T-Square 40th Anniversary Celebration Concert pode ser conferida na íntegra no Spotify. Abaixo, um breve comercial do DVD e Blu-ray com cenas do show ao som da “It’s a Wonderful Life!”.

 

Concerto com músicas de Yuzo Koshiro será transmitido ao vivo neste sábado, 1º de dezembro

Por Alexei Barros

Neste dia 1º de dezembro, a apresentação NJBP Concert #1 “Koshiro Matsuri (Ancient Festival)” vai acontecer às 14h no Japão (3h da manhã no horário do Brasília) com um atrativo bombástico: o concerto terá transmissão online pelo YouTube! Como o nome diz, o espetáculo é dedicado às composições de Yuzo Koshiro, mais especificamente as músicas de The Scheme, Streets of Rage, Streets of Rage 2, Etrian Odyssey e ActRaiser.

Aconteceu tudo tão rápido que é até difícil de acreditar, considerando a dificuldade e a demora para ouvir arranjos orquestrais de tantas obras-primas de um dos maiores gênios da game music. Embora Streets of Rage seja o jogo que desperte a minha maior expectativa, eu também estou muito curioso para ouvir a “Symphonic Suite: ActRaiser 2018”. De acordo com Koshiro no site oficial do espetáculo, pela primeira vez todas as músicas do jogo serão executadas. Fico na dúvida se ele se refere às faixas perdidas ou ao fato de muitas músicas nunca terem sido tocadas ao vivo.

Obviamente, Yuzo Koshiro estará presente, e a Ancient, estúdio do compositor, está na supervisão do concerto, que terá a New Japan BGM Philharmonic Orchestra sob a regência de Yusuke Ichihara. Neste vídeo do ensaio é possível sentir um gostinho de ActRaiser e Etrian Odyssey.

O link da transmissão pode ser conferido aqui:

[via Twitter e NJBP]

CRPG Book Project: 528 páginas com 40 anos da história dos RPGs de computador


Por Alexei Barros

Em 2015, eu havia feito um post sobre o CRPG Book Project, um livro em inglês editado pelo brasileiro Felipe Pepe a respeito dos RPGs de computador. Após uma jornada de quatro anos, neste último dia 5 de fevereiro de 2018 a obra foi finalizada e já está disponível gratuitamente para download.

Com 528 páginas, o livro tem reviews de mais de 400 RPGs lançados de 1975 a 2015 escritos por 112 voluntários, entre fãs, jornalistas e desenvolvedores. É um material tão denso e rico que deve ser apreciado aos poucos, não só para relembrar a importância de títulos mais conhecidos ao longo da história, mas também para conhecer algumas pérolas obscuras até para os mais inveterados jogadores de computador.

Entre as análises, há contextualizações históricas de diferentes eras, com os principais lançamentos de jogos e sistemas que marcaram cada período. O final do livro também possui uma breve relação de RPGs cancelados e esse tipo de assunto sempre desperta o meu interesse.

O Felipe Pepe ainda estuda a possibilidade de lançar uma versão física, mas não está nada definido. Além disso, é provável que o livro ganhe alguns artigos extras e reviews adicionais no futuro.

Não perca mais tempo e baixe aqui.

[via CRPG Book Project]


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