Dragon Quest 1 no mobile

Por Claudio Prandoni

O último jogo que terminei em 2018 foi o primeiro Dragon Quest. Isso mesmo, o comecinho da série, a estreia, o primogênito.

Digo mais: joguei o game inteiro no celular, ao longo de alguns poucos meses.

Nunca foi o ‘jogo principal’ da minha playlist, mas sim um jogo pra curtir em intervalos, nas salas de espera, no vai-e-vem do ônibus e metrô. Ajuda o fato de que não se trata de uma aventura gigantesca: com apenas um herói, o descendente do lendário Erdrick, a jornada acabou com algo entre 9 e 10 horas de partida.

Ajudou também a mecânica clássica JRPG estabelecida por jogos como o próprio Dragon Quest, que exige muito grind para subir de nível, melhorar atributos e conquistar poderes. Qualquer 15 minutos no metrô virou motivo pra entrar no game e matar alguns slimes pra acumular XP – e sem a preocupação de o 3G funcionar ou não, já que é um game todo offline, dos desconectados anos 80.

Agora embarquei em Dragon Quest 2, que já se mostra uma epopéia muito mais elaborada e desinibida, com um mundo consideravelmente maior e aliados para recrutar. Adiante, guerreirinhos!

Anúncios

T-Square 40th Anniversary Celebration Concert: é maravilhoso, mas não é o show dos sonhos

O palco do show de 40 anos do T-Square é o mesmo da icônica apresentação Casiopea vs The Square the Live!! de 2003

Por Alexei Barros

Por mais desatualizado que este espaço esteja, não posso deixar de analisar um dos acontecimentos que mais aguardava neste quase findo ano de 2018: o show de 40 anos do T-Square, realizado no Pacifico Yokohama no dia 5 de agosto e cujo Blu-ray foi lançado em 12 de dezembro. Até porque comentei – quase uma década atrás! – do evento similar de 30 anos. Para quem não sabe, trata-se da banda liderada por Masahiro Andoh, compositor de Gran Turismo e Arc the Lad.

Antes vale mencionar rapidamente sobre o espetáculo de 35 anos realizado em 2013 – esse sim eu não falei por aqui. Embora o programa registrado no Blu-ray (o qual eu tenho um exemplar) seja excelente, com direito à melhor performance da “Rondo”, vale mencionar uma decepção. Naquele ano, foram realizadas duas apresentações com convidados diferentes e set lists levemente distintos. Justamente a edição do show que não está gravada no Blu-ray é a que teve a “Knight’s Song” (a.k.a. “Moon Over the Castle”, tema de Gran Turismo) tocada na íntegra (e não em um medley como no show de 30 anos) com participação especial do guitarrista Kyoji Yamamoto.

Partindo para os 40 anos, o motivo que mais me deixava na expectativa era saber se enfim nessa ocasião estaria presente o genial saxofonista Masato Honda, que atuou na banda de 1990 a 1997. Ausente das apresentações de 25, 30 e 35 anos do T-Square, ele é não só um multi-instrumentista talentoso, como um exímio compositor, por músicas famosas da banda como “Megalith” e “Bad Moon”. Essas faixas continuam sendo tocadas em sua carreira solo, que não é das mais prolíficas quanto em outros tempos (de 2008 para cá ele só lançou três álbuns).

Nunca consegui descobrir a razão para todas essas ausências, apenas rumores infundados. Um dos boatos que eu vi em comentários do YouTube foi uma suposta briga de Honda que culminou em sua saída da banda em 1997. Se é assim, por que ele participou do Farewell and Welcome Live ‘1998 e do show de 20 anos do T-Square já como ex-integrante? E mais: por que Honda colaborou com a composição da música “A Distancia” para o álbum Brasil (2001) – a faixa também está presente no CD solo Cross Hearts (2001) – como músico freelancer?

De qualquer forma, dessa vez havia uma esperança mínima de sua aparição: em 2015, Masahiro Andoh publicou em seu Twitter uma foto com Masato Honda e outros instrumentistas no que parece ter sido um encontro casual no meio da rua. Não tem cara que havia algum desentendimento entre os dois. Ainda que os atuais integrantes do T-Square não participem dos álbuns solo do Masato Honda, ex-membros da banda, como Hiroyuki Noritake, Mitsuru Sutoh, Keiji Matsumoto e Hirotaka Izumi, costumam tocar com o saxofonista.

Mas tudo foi por terra abaixo no vídeo de revelação que anunciou todos os participantes desse show. O que não entendo é que o safado do Masato Honda esteve presente simplesmente em todos os shows de aniversário de carreira do cantor/guitarrista Toshiki Kadomatsu (20, 25, 30 e 35 anos), inclusive aparecendo de maneira muito mais discreta do que seria em um espetáculo do T-Square, apenas integrando o naipe de metais com solos ocasionais. A carreira do saxofonista deve muito mais ao T-Square do que ao Toshiki Kadomatsu.

Tudo isso é bastante lamentável, considerando o tanto de bandas que acabaram com as mortes de integrantes-chave ou que nem sequer conseguem mais reunir o suficiente de músicos vivos para formar uma banda. Por sinal, o único ex-membro falecido do T-Square é o Jun Aoyama, baterista que teve uma rápida passagem pelo grupo em 1980 e morreu em 2013.

Em contrapartida, fiquei feliz com o nome de Daisaku Kume, que só esteve presente anteriormente na apresentação de 20 anos. Arranjador da “Beyond the Bounds” (Zone of the Enders: The 2nd Runner), ele é o compositor da “Change Your Mind”, música ainda bastante tocada pelo T-Square. Em 2017, Kume completou 60 anos e fez um show comemorativo com as presenças de Masahiro Andoh e Takeshi Itoh, além do percussionista Kiyohiko Semba.

De resto, são os mesmos nomes do show de 30 anos, exceto pela ausência do primeiro baixista Yuji Nakamura e pela presença do baixista Shingo Tanaka, que não é exatamente um membro oficial da banda, mas é figura recorrente nos álbuns novos e já havia aparecido no show de 35 anos.

Porém, a grata surpresa foi a participação das instrumentistas Chihiro Yamazaki (trompete) e Kayoko Yuasa (trombone). As duas inclusive tocaram na gravação do álbum City Coaster, o primeiro lançado em abril pelo T-Square em 2018 apenas com músicas dos atuais membros. O outro que foi publicado este ano, no mês de novembro, It’s a Wonderful Life!, não teve o envolvimento de ambas, mas contou com composições de vários ex-integrantes, assim como os álbuns de aniversário Spirits (2003), Wonderful Days (2008) e Smile (2013). Aliás, vale elogiar o esforço por produzir dois CDs com músicas originais em um único ano, algo que só aconteceu quatro vezes nesses 40 anos de T-Square (antes só em 1978, 1984 e 2000). Isso porque a inclusão do trompete e trombone quebrou uma tradição de apenas os concertos de aniversário em anos terminados em “5” (25 e 35 anos) contarem com o reforço de um naipe de metais, visto que os shows de 20 e 30 anos não tiveram esses instrumentos. São 18 músicos no total:

T-Square Super Band Special
Guitarra: Masahiro Andoh, Yuhji Mikuriya
Saxofone & EWI: Takeshi Itoh, Takahiro Miyazaki
Piano & teclado: Daisaku Kume, Hirotaka Izumi, Junko Miyagi, Keizoh Kawano
Baixo: Toyoyuki Tanaka, Mitsuru Sutoh, Shingo Tanaka
Bateria & Percussão: Kiyohiko Semba, Michael S. Kawai, Tohru Hasebe, Hiroyuki Noritake, Satoshi Bandoh

Trombone: Kayoko Yuasa
Trompete: Chihiro Yamazaki

As duas fizeram a diferença, apesar de ter achado o set list dos 40 anos um pouco fechado nas músicas mais famosas e exaustivamente repetidas, sensação que aumentou com a inexistência de algum medley, que em outras ocasiões favoreceu a lembrança de pérolas esquecidas pelo tempo (do T-Square são tantas…). Eu gosto da “Sailing the Ocean”, mas ela já tinha aparecido nos shows de 20 e 25 anos (em um medley). Mesma coisa a “Midnight Lover”, que foi lembrada nas apresentações de 20 e 30 anos.

Músicas como “Dans sa Chambre”, “Mistral” e “Crown and Roses”, que apresentavam metais nas versões originais em estúdio, ficaram sensacionais ao vivo. Pena que ainda poderiam ter outras com essa mesma característica, como a “Anchor’s Shuffle” e a sempre ignorada “Glorious Road” (tão ignorada que eu não encontrei um link com a música original no YouTube). E fico só imaginando o quão fantástico seriam músicas do Masato Honda como “Natsu No Shinkirou”, “Splash!” e “Samurai Metropolis”… Porém, assim como nos shows de 25 e 35 anos, algumas músicas que ganharam arranjos com metais especialmente para a apresentação, como a “Little Pop Sugar”, que ficou surpreendente e incrível na abertura e a própria “It’s a Wonderful Life!”. Nesse sentido, falando das composições do Mitsuru Sutoh, fico imaginando que seria melhor trocar a “Explorer” pela “Scrambling”, mesmo que ela já tivesse aparecido no show de 30 anos. A versão em estúdio não tinha metais, mas a parte do teclado claramente busca reproduzir esses instrumentos. E em relação às faixas mais recentes, a “幻想の世界” não poderia ter faltado.

Outra novidade neste ano foi a participação em três faixas da Adachi-ku Nishi Arai Chugakko Suisogaku Bu, orquestra de sopro japonesa. A “Omens of Love”, “Takarajima” e “Twilight In Upper West” – todas elas composições de Hirotaka Izumi – são músicas extremamente populares entre esses grupos, graças aos arranjos de Toshio Mashima para a série de álbuns New Sounds in Brass.

Apesar de tudo, o aniversário de 40 anos ainda é um dos melhores shows da banda especialmente por causa do naipe de metais. De resto, o óbvio: só espero que em futuras efemérides Masato Honda esteja presente (não custa sonhar).

A gravação em áudio do T-Square 40th Anniversary Celebration Concert pode ser conferida na íntegra no Spotify. Abaixo, um breve comercial do DVD e Blu-ray com cenas do show ao som da “It’s a Wonderful Life!”.

 

Concerto com músicas de Yuzo Koshiro será transmitido ao vivo neste sábado, 1º de dezembro

Por Alexei Barros

Neste dia 1º de dezembro, a apresentação NJBP Concert #1 “Koshiro Matsuri (Ancient Festival)” vai acontecer às 14h no Japão (3h da manhã no horário do Brasília) com um atrativo bombástico: o concerto terá transmissão online pelo YouTube! Como o nome diz, o espetáculo é dedicado às composições de Yuzo Koshiro, mais especificamente as músicas de The Scheme, Streets of Rage, Streets of Rage 2, Etrian Odyssey e ActRaiser.

Aconteceu tudo tão rápido que é até difícil de acreditar, considerando a dificuldade e a demora para ouvir arranjos orquestrais de tantas obras-primas de um dos maiores gênios da game music. Embora Streets of Rage seja o jogo que desperte a minha maior expectativa, eu também estou muito curioso para ouvir a “Symphonic Suite: ActRaiser 2018”. De acordo com Koshiro no site oficial do espetáculo, pela primeira vez todas as músicas do jogo serão executadas. Fico na dúvida se ele se refere às faixas perdidas ou ao fato de muitas músicas nunca terem sido tocadas ao vivo.

Obviamente, Yuzo Koshiro estará presente, e a Ancient, estúdio do compositor, está na supervisão do concerto, que terá a New Japan BGM Philharmonic Orchestra sob a regência de Yusuke Ichihara. Neste vídeo do ensaio é possível sentir um gostinho de ActRaiser e Etrian Odyssey.

O link da transmissão pode ser conferido aqui:

[via Twitter e NJBP]

CRPG Book Project: 528 páginas com 40 anos da história dos RPGs de computador


Por Alexei Barros

Em 2015, eu havia feito um post sobre o CRPG Book Project, um livro em inglês editado pelo brasileiro Felipe Pepe a respeito dos RPGs de computador. Após uma jornada de quatro anos, neste último dia 5 de fevereiro de 2018 a obra foi finalizada e já está disponível gratuitamente para download.

Com 528 páginas, o livro tem reviews de mais de 400 RPGs lançados de 1975 a 2015 escritos por 112 voluntários, entre fãs, jornalistas e desenvolvedores. É um material tão denso e rico que deve ser apreciado aos poucos, não só para relembrar a importância de títulos mais conhecidos ao longo da história, mas também para conhecer algumas pérolas obscuras até para os mais inveterados jogadores de computador.

Entre as análises, há contextualizações históricas de diferentes eras, com os principais lançamentos de jogos e sistemas que marcaram cada período. O final do livro também possui uma breve relação de RPGs cancelados e esse tipo de assunto sempre desperta o meu interesse.

O Felipe Pepe ainda estuda a possibilidade de lançar uma versão física, mas não está nada definido. Além disso, é provável que o livro ganhe alguns artigos extras e reviews adicionais no futuro.

Não perca mais tempo e baixe aqui.

[via CRPG Book Project]

Seiken Densetsu 25th Anniversary Orchestra Concert: o perigo real de um tema de combate contra chefes no concerto da série Mana

No Japão, sempre vai ter público em um concerto de games

Por Alexei Barros

Depois de décadas, alguém da Square Enix parece ter se tocado em 2017 que não é apenas Final Fantasy que merece concertos dedicados. A série Seiken Densetsu/Mana comemorou 25 anos de existência em 2016 com o lançamento de Final Fantasy Adventure para Game Boy em 1991, mas a apresentação de aniversário só aconteceu no dia 24 de março de 2017. O álbum Seiken Densetsu 25th Anniversary Orchestra Concert CD com a gravação do espetáculo demorou para sair e só foi lançado quase um ano mais tarde, no dia 24 de janeiro de 2018. O evento teve envolvimento na produção do site 4Gamer.net e, inclusive, foi chamado de Music 4Gamer #1, sugerindo que esse é o primeiro de uma série de concertos temáticos.

Antes da apresentação no Bunkamura Orchard Hall em Tóquio, aconteceu um bate-papo com os compositores Hiroki Kikuta (Secret of Mana e Seiken Densetsu 3) e Kenji Ito (Final Fantasy Adventure e Dawn of Mana), o dublador Nobuhiko Okamoto e o escritor Mafia Kajita, que costuma assinar artigos para o 4Gamer.Net. A Yoko Shimomura (Legend of Mana e Heroes of Mana) não pôde comparecer por conflitos na sua agenda de trabalhos. Em um dos intervalos, Kajita e Okamoto conversaram ainda com Masaru Oyamada, produtor de Rise of Mana; Hiromichi Tanaka, produtor de Secret of Mana e diretor de Seiken Densetsu 3; e Koichi Ishii, o criador da série.

Agora falando do que mais interessa, a performance foi da Tokyo Symphony Orchestra sob a regência do maestro Maiku Shibata. Não houve coral nem instrumentos elétricos, como guitarra e baixo. Os arranjos foram do quarteto formado pelos experientes Kousuke Yamashita, Sachiko Miyano e Natsumi Kameoka e pelo novato Naoya Iwaki.

Assim que vi o set list, eu simplesmente fiquei incrédulo com a presença da “Danger”, tema de batalha contra chefes do Secret of Mana que ganhou seu primeiro arranjo orquestral oficial. Há anos eu esperava por esse momento e cheguei a pensar que era um fã solitário da melodia alucinante – parece umas cinco músicas em uma só. O resultado me agradou sobremaneira, pois capta toda a montanha-russa de notas da original, explorando a multiplicidade de instrumentos da orquestra. A música é tocada inteira uma vez, repetindo apenas um trecho do início que serve como um desfecho. Com todo o respeito, é muito superior às versões de duas orquestras pró-amadoras/profissionais japonesas: a Game Band e a JAGMO (esta eu nem publiquei por aqui, especialmente pela qualidade de áudio não estar nada legal, apesar de ser a gravação de uma transmissão).

As músicas do primeiro jogo da série, Final Fantasy Adventure (Seiken Densetsu), nunca tinham sido tocadas antes. Secret of Mana, Seiken Densetsu 3 e Legend of Mana já apareceram em outros concertos

Embora achasse o talentoso Kousuke Yamashita o mais indicado para arranjar a “Danger”, a missão foi realizada com muita competência pela Sachiko Miyano, que tem um longo currículo de participações em concertos de Final Fantasy. Ela inclusive é a autora do arranjo da “Hightension Wire” (Seiken Densetsu 3), que soa Hiroki Kikuta mais do que nunca. Yamashita foi o responsável pelo excelente arranjo da “Meridian Dance” (Secret of Mana) – essa já tinha sido arranjada duas vezes anteriormente em medleys; primeiro pelo Jonne Valtonen no Symphonic Fantasies e depois pelo Roger Wanamo no Symphonic Fantasies Tokyo.

Passada a empolgação, me chamou a atenção a completa aleatoriedade com que as faixas foram organizadas, muitas vezes reunindo em um mesmo medley músicas de jogos diferentes, de estilos distintos e sem nenhum tema em comum. A própria “Danger” que eu rasguei elogios aparece em um medley com a “Mana’s Tale”, uma música tranquila do Kenji Ito para o Dawn of Mana… Não faz sentido. Nesse aspecto, me lembrou alguns segmentos do Press Start, com a diferença que a falecida série de concertos não era temática. Nessa ocasião, seria muito mais fácil organizar os medleys por jogos ou por temas de personagens ou de combate.

Além disso, me incomodaram algumas transições muito mal feitas ou simplesmente inexistentes, como a hora em que a “Endless Battlefield” vai para a “Into the Thick of It” e dessa para a “Swivel”. Só um parêntesis: é interessante a forte presença da marimba na “Into the Thick of It”. Embora não tão marcante na faixa original, o timbre desse instrumento é uma das principais marcas da trilha de Secret of Mana. Mas voltando a pegar no pé do Naoya Iwaki, que é o responsável por essa partitura, a transição da “The Fool’s Dance”para a “The Final Decisive Battle” também não foi satisfatória. Não há nenhuma conexão da “In Sorrow” para a “Let Your Thoughts Ride On Knowledge”, mas como as músicas são suaves não houve tanto problema. A única transição aceitável que o Iwaki fez foi no enésimo arranjo da “Angel’s Fear” – apesar de já ter sido tocada muitas vezes, não poderia faltar – para a “Meridian Child”, no qual realmente se nota que ele se esforçou em interligar as duas faixas.

Felizmente, os demais arranjadores foram muito melhores nas transições restantes. Eu até achei que os arranjos do Legend of Mana tivessem sido reaproveitados dos álbuns drammatica e memória!, mas as partituras são novas, misturando músicas já arranjadas com outras ainda não orquestradas. Até mesmo a faixa 11, que segue a mesma ordem de músicas do arranjo do drammatica e também é da Natsumi Kameoka não é exatamente igual.

Apesar de o concerto chegar a apenas 59 minutos do CD (confira no fim do post), duas músicas tocadas na apresentação foram cortadas do álbum: a “Angel’s Fear” em arranjo alternativo – como se não bastassem os cinco já existentes e mais a versão que apareceu no próprio espetáculo – e a “Rising Sun” em um solo de piano do Kenji Ito. Nem fizeram tanta falta assim.

Entre acertos e tropeços, a realização do sonho de ouvir a “Danger” orquestrada deixa o saldo positivo e me faz aumentar a expectativa pelo remake de Secret of Mana que será lançado neste mês de fevereiro de 2018 com um time de peso de arranjadores, que inclui, além de nomes como Tsuyoshi Sekito e a citada Sachiko Miyano, ninguém mais, ninguém menos do que Yuzo Koshiro!

Hiroki Kikuta e Kenji Ito dividem a autoria das composições da série Seiken Densetsu. Ainda tem a Yoko Shimomura, que infelizmente não pôde estar presente

Ato I
01. “Rising Sun” (Final Fantasy Adventure)
02. “Endless Battlefield” (Final Fantasy Adventure) ~ “Into the Thick of It” (Secret of Mana) ~ “Swivel” ~ (Seiken Densetsu 3)
03. “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Earth Painting” (Legend of Mana)
04. “Mana’s Tale” (Dawn of Mana) ~ “Danger” (Secret of Mana)

Ato II
05. “Angel’s Fear” (Secret of Mana) ~ “Meridian Child” (Seiken Densetsu 3)
06. “City of Flickering Destruction” (Legend of Mana)
07. “In Sorrow” ~ “Let Your Thoughts Ride On Knowledge” (Final Fantasy Adventure)

Ato III
08. “Pain the Universe” (Legend of Mana) ~ “Black Soup” (Seiken Densetsu 3)
09. “The Fool’s Dance” (Dawn of Mana) ~ “Final Battle” (Final Fantasy Adventure)
10. “Meridian Dance” (Secret of Mana)

Bis
11. “Hometown of Domina” ~ “Where the Heart Resides” ~ “Hometown of Domina” (Legend of Mana)
12. “Hightension Wire” (Seiken Densetsu 3)

Composição: Kenji Ito (Final Fantasy Adventure e Dawn of Mana), Hiroki Kikuta (Secret of Mana e Seiken Densetsu 3) e Yoko Shimomura (Legend of Mana)
Arranjo:
Kousuke Yamashita (01, 09, 10), Naoya Iwaki (02, 05, 07), Natsumi Kameoka (03, 06, 11) e Sachiko Miyano (04, 08, 12)

[via 4Gamer.net, Square Enix]

“Deus Ex Medley” – Deus Ex: Human Revolution e Deus Ex: Mankind Divided (Montreal Video Game Symphony)

Por Alexei Barros

Há muitos anos o Canadá se tornou um dos principais polos de desenvolvimento de jogos, mais especificamente Montreal, que abriga mais de 125 estúdios. Para celebrar os 375 anos da cidade e essa fartura de produções canadenses, o compositor Maxime Goulet (Dungeon Hunter IV, Warhammer 40,000: Eternal Crusade) produziu o Montreal Video Game Symphony, concerto realizado no dia 29 de setembro de 2017 no Place des Arts. Como o nome diz, um espetáculo apenas com jogos feitos em Montreal: desde jogos AAA como Assassin’s Creed, Mass Effect: Andromeda e Dragon Age: Inquisition, até jogos indie como FEZ, Outlast 2 e Papo & Yo, além de outros extremamente obscuros. Confira o programa completo aqui.

Assim que soube da apresentação, fiquei na curiosidade para ouvir o segmento do Deus Ex. Não encontrei nenhuma gravação amadora, mas daí soube que no dia 12 de dezembro o vídeo do espetáculo ficou disponível na íntegra no Twitch e no YouTube por 24 horas… Isso depois da data. Com a “sorte” que eu tenho para esse tipo de coisa, achei que perderia essa oportunidade única, mas depois alguns segmentos foram compartilhados no Facebook e no YouTube até que hoje, finalmente, foi publicado o número do Deus Ex no próprio canal da Eidos Montreal, atual desenvolvedora da série. E por que tanta expectativa?

Deus Ex: Human Revolution (2011) e depois Deus Ex: Mankind Divided (2016) realmente me conquistaram com duas jornadas memoráveis do protagonista Adam Jensen. Ambos mesclam FPS, RPG, exploração, furtividade, suspense, ação, intrigas, conspirações, enfim, gêneros, estilos e mecânicas que estão entre os elementos que mais me cativam em um jogo. A trilha sonora evidentemente entra nesse pacote com uma mistura entre o sinfônico e o eletrônico que confere uma atmosfera perfeita para a experiência. O canadense Michael McCann é o principal responsável pelas músicas – ele também compôs para Splinter Cell: Double Agent e XCOM: Enemy Unknown –, assinando a trilha inteira de Deus Ex: Human Revolution. No Mankind Divided ele teve uma participação menor, já que a maioria das faixas é de Sascha Dikiciyan – Ed Harrison completa o trio de compositores da sequência.

Fora a trilha original, dá para dizer que Deus Ex foi tocado praticamente pela primeira vez por uma orquestra nesta ocasião. A “Icarus Main Theme” (Deus Ex: Human Revolution) está naquele álbum The Greatest Video Game Music 2 (que comentei aqui, mas na época ainda não tinha jogado e não falei desse arranjo). É muito redundante fazer uma versão tão parecida com a original dessa forma, ainda que tenha os seus momentos (as cordas mais orgânicas da London Philharmonic Orchestra, a guitarra e o solo da soprano Sarah Covey). Vale lembrar que antes deste concerto, Deus Ex: Human Revolution apareceu no espetáculo L’Odyssée musicale du jeu vidéo, em abril de 2017, porém tenho minhas dúvidas se essa apresentação aconteceu mesmo, levando em conta a inexistência de reportagens ou qualquer tipo de registro sobre o evento. Nem no Japão há concertos tão secretos.

Minha maior dúvida era saber como eles iriam reproduzir os elementos eletrônicos das músicas. Uma das saídas seria usar playback (como o Video Games Live faz no número de Metal Gear Solid), utilizar um teclado (como o saudoso espetáculo holandês Games in Concert provavelmente faria) ou realizar uma performance 100% sinfônica – o que foi o caso aqui. Sob a regência da maestrina Dina Gilbert, a Orchestre Métropolitain, que contabiliza 60 pessoas, foi acompanhada pelo gigantesco Chœur Métropolitain, com 120 vozes. O programa credita Benoît Groulx como o arranjador principal, então imagino que esta partitura tenha sido feita por ele.

A maior diferença da “Icarus – Main Theme” para a versão original é que não há aquele solo etéreo feminino que permeia praticamente toda a música. O coral é quem canta no lugar, aumentando a grandiosidade da peça. Mas o que eu achei mais interessante foi justamente a forma com que a parte eletrônica do começo foi reproduzida, misturando os timbres de piano, harpa e marimba (tenho quase certeza que é uma marimba) e depois os mesmos instrumentos tocando o trecho eletrônico final. Além da presença das cordas, os metais conferiram um impacto essencial.

O público afoito para aplaudir e a ausência de transição prejudicaram um pouco a performance, que continuou com a “Embrace What You Have Become” – é a música do trailer de revelação do Deus Ex: Mankind Divided lá em abril de 2015. Dessa vez sem a participação do coral, que se sentou ao fim da música anterior, a orquestra toca o tema cinematográfico com toda a sua urgência, respeitando as pausas e mudanças de motivos na original. Porém, penso ser um tanto questionável a escolha da música de um trailer em detrimento de uma faixa que realmente toque com frequência no jogo, como a “Sewers” ou a “TF29”. A atmosférica “Detroit City Ambient (Part 1)” do Deus Ex: Human Revolution então seria um sonho.

Não acredito que o medley vai estimular pessoas que não conhecem a série a se interessar pelas músicas de Michael McCann, mas é uma performance respeitável e honesta, especialmente pela primeira parte do medley correspondente ao Deus Ex: Human Revolution.

“Deus Ex Medley”
“Icarus – Main Theme” (Deus Ex: Human Revolution) ~ “Embrace What You Have Become” (Deus Ex: Mankind Divided)

A inesperada ressurreição sonora de Panzer Dragoon Saga 20 anos depois

Por Alexei Barros

Se hoje qualquer jogo de segunda linha tem trilha sonora orquestrada, na geração 32-bit a situação era bem diferente. Falando especificamente dos J-RPGs que apareciam aos montes na época, apenas alguns projetos tinham, quando muito, os temas de abertura e de encerramento com músicas de instrumentos reais, como Suikoden II, Final Fantasy VIII e Chrono Cross.

Graças ao lançamentos de álbuns e realizações de concertos, essas trilhas sonoras sintetizadas finalmente estão recebendo o tratamento que mereciam. Para comemorar os 20 anos do lançamento japonês do Panzer Dragoon Saga (no Japão o jogo se chama Azel: Panzer Dragoon RPG) neste 29 de janeiro, a compositora principal do RPG do Saturn, Saori Kobayashi, lançou o álbum Resurrection: Panzer Dragoon Saga 20th Anniversary Arrangement Soundtrack. O CD pode ser ouvido todo no Bandcamp (e comprado por 12 dólares). Uma versão em vinil está prevista para o dia 2 de abril. De acordo com Kobayashi, essa é a sonoridade que ela queria atingir 20 anos atrás, mas as limitações do Saturn e sua inexperiência não permitiram atingir na época.

Apesar da empolgação de ver um jogo tão de nicho sendo lembrado dessa forma, lamento o álbum não ser exatamente como eu gostaria. A primeira queixa é o fato de os arranjos não serem do Hayato Matsuo. A própria Saori Kobayashi foi quem arranjou as composições dela e da Mariko Nanba, a outra autora da trilha.

Além de Matsuo ser um orquestrador de mais alto gabarito, ele já participou da própria trilha original com o arranjo da canção “Ecce valde generous ale (Behold The Precious Wings)”. É dele também o arranjo da “Anu Orta Veniya” do Panzer Dragoon Orta do Xbox. E a outra reclamação é a performance não ser de uma orquestra completa, apenas de um quarteto de cordas, o Triforce Quartet, além de uma flauta e da vocalista Eri Itoh, a intérprete da “Sona mi areru ec sancitu (Art Thou the Holy One)”.

Apesar disso, não dá para negar que as 20 faixas da trilha escolhidas para o CD ficaram muito interessantes e talvez nem fosse vontade dela querer que as músicas soassem muito orgânicas, já que muitos elementos sintetizados ainda estão presentes. A própria disse na entrevista ao The Verge que a intenção era que os arranjos não fugissem da proposta das originais.

Grato ao Gagá pela dica e ao Vinicius por me chamar a atenção do álbum.

[via The Verge]


RSS

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: