Archive for the 'SaGa' Category

The Orchestral SaGa -Legend of Music-: à espera de um álbum lendário

The Orchestral SaGa_003

A FILMharmonic Orchestra Prague é conhecida por um longo histórico de performances em concertos e trilhas de games


Por Alexei Barros

Apesar da qualidade e da excelência musical da série SaGa, a franquia tem uma representatividade muito pequena em arranjos orquestrais, seja em concertos ou álbuns. Mais isso vai mudar um pouco com o lançamento do CD duplo The Orchestral SaGa -Legend of Music-, que acontece hoje, dia 23 de março no Japão.

Gravado no Rudolfinum’s Dvořák Hall com a FILMharmonic Orchestra Prague na cidade de Praga na República Tcheca, o primeiro disco contém dez faixas em formatos de medleys. As seleções percorrem músicas de todos os compositores da série, desde o início com Nobuo Uematsu e Kenji Ito, até a era impressionista de Masashi Hamauzu, passando pelas faixas de Ryuji Sasai e Chihiro Fujioka em Jikuu no Hasha: SaGa 3.

A melhor decisão que podiam tomar é deixar os arranjos sob os auspícios de Kousuke Yamashita. Já pude ouvir diferentes trilhas de games, animes, J-dramas e tokusatsus e é impressionante o talento do japonês com músicas orquestrais. Entre tantos arranjos para os concertos de Monster Hunter, ele também arranjou e regeu o Nobunaga no Yabou 30th Anniversary Concert. Curiosamente, é a primeira colaboração de Yamashita com a Square Enix.

Na página oficial do The Orchestral SaGa -Legend of Music-, é possível ouvir diversos samples. Destaco a surpreendente aparição da “Battle Theme I” do Unlimited Saga na faixa 1, a “Decisive Battle! Saruin” do Romancing SaGa na faixa 5 e a “Feldschlacht I” do Saga Frontier II na faixa 9.

O segundo CD, por sua vez, traz apenas quatro faixas e foi gravado no Japão. Pelo que entendi nesta entrevista que Kenji Ito concedeu ao 4Gamer.net, na verdade são arranjos originalmente preparados para o Imperial SaGa, jogo da série para browser, mas acabaram ficando de fora. As releituras desse disco foram feitas pela Natsumi Kameoka e se diferem por terem bateria, baixo elétrico e guitarra. Chamo a atenção para a “Seven Heroes Battle” do Romancing Saga 2 e a “Four Demon Nobles Battle 1” do Romancing SaGa 3 na faixa 4 desse disco.

Claro que nem tudo é perfeito: ainda vou ficar sonhando com a “Searching for the Secret Treasure” do SaGa 2 Hihou Densetsu, a “Battle #1” do SaGa Frontier e a “Battle 1” do Romancing SaGa orquestradas. Já posso imaginar outro álbum nesse formato?

The Orchestral SaGa_005

O compositor Kenji Ito e o arranjador Kousuke Yamashita foram até Praga para supervisionar a gravação das partituras

[via 4Gamer.net e Square Enix]

“Ruby’s Theme” – Unlimited Saga (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Apesar do vasto legado musical, a série SaGa costuma ser deixada de lado nos concertos como sua popularidade é mais restrita ao Japão. O problema é que até as apresentações nipônicas oficiais não se esforçam muito para melhorar essa panorama, com exceção de Romancing SaGa no Press Start 2006. Ironicamente, mesmo a série não sendo das mais conhecidas na Europa, são os espetáculos alemães que compensam isso, com SaGa Frontier II no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007),  Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu (ou The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II) no Symphonic Odysseys (2011) e essa performance de Unlimited Saga no Soundtrack Cologne – East meets West (2012).

Nunca tive a oportunidade de jogar, mas, a julgar pelas análises, Unlimited Saga não é um RPG dos mais memoráveis. Lamento que o Masashi Hamauzu tenha criado uma trilha magnífica para um jogo tão criticado, o que diminuiria sensivelmente as chances de ouvir as músicas em uma apresentação. Por tudo isso, é um acontecimento incomum a lembrança de Unlimited Saga em um concerto ocidental.

Como o título jamais havia sido tocado, imaginei que, para começar, a escolha natural seria a faixa mais representativa, a “Unlimited Saga: Overture”, que já é originalmente orquestrada no jogo (por sinal, pelo Shiro Hamaguchi, que inclusive estudou com o Hamauzu na Tokyo University of the Arts). Em vez disso, a seleção vai além do senso comum com um tema de personagem, a encantadora “Ruby’s Theme”, que, embora não tenha performance de instrumentos reais na trilha, apresenta timbres convincentes.

De maneira geral, o arranjo do Roger Wanamo preserva a instrumentação e delicadeza da composição, mas com uma orquestração mais rica e refinada, que explora com maestria as cordas. Como a releitura tem o dobro de duração da faixa original, há espaço para as variações e diferentes participações dos instrumentos (como os breves solos de clarinete e flauta), além de um desfecho adequado para a peça executada pela WDR Radio Orchestra Cologne. O concerto foi transmitido via rádio, portanto a qualidade da gravação está plenamente apreciável.

“Ruby’s Theme”
Original: “Ruby’s Theme”

 

“Battle #1” – SaGa Frontier (String Quartet)

Por Alexei Barros

Mais um daqueles vídeos que jogam na cara a minha negligência com a série SaGa. Nem que eu tenha que jogar só pelas músicas…

Entre tantas performances da série já publicados, a preferência maior dos japoneses sempre foi pela trilogia do Super Famicom. Como os dois primeiros do Game Boy, Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu, têm a participação do Nobuo Uematsu, também apareceram alguns arranjos desses; o SaGa Frontier II e o Unlimited SaGa têm as faixas assinadas pelo Masashi Hamauzu e por isso igualmente estão entre os preferidos. Com isso, há duas lacunas: Jikuu no Hasha: SaGa 3, ainda inédito por aqui, e finalmente o primeiro SaGa Frontier, cuja trilha é de autoria do principal compositor da série, Kenji Ito.

Enquanto a transição do Final Fantasy VI  para o VII é perceptível na mudança de estilo das músicas do Uematsu, no Kenji Ito a passagem do Romancing SaGa 3 (Super Famicom) para o SaGa Frontier (PlayStation) seu deu sem grandes mudanças. A “Battle #1” poderia se passar por qualquer outro tema de combate do SNES por conta do sintetizador como instrumento-líder e do baixo slap.

Dito isso, nessa interpretação do String Quartet, quarteto de cordas que não consegui descobrir mais informações (vale frisar que não é o Ensemble Game Classica), a música ficou uma maravilha totalmente sinfônica. O primeiro violino faz a parte do sintetizador, e, mesmo sem algo que faça a vez do baixo (como um contrabaixo acústico), os outros instrumentos dão textura à peça. Uma beleza!

 

Soundtrack Cologne – East meets West: Xenogears e Unlimited Saga no programa


Por Alexei Barros

Provisoriamente conhecido como Symphonic Game Music Concert 2012, o concerto a acontecer na Alemanha dia 16 de novembro deste ano (não confunda com o Final Symphony em maio de 2013) mudou de nome e tem reservado boas novidades para os amantes da música sinfônica gamística.

O espetáculo, agora intitulado Soundtrack Cologne – East meets West, tem o conceito, como o nome diz, de misturar em uma mesma apresentação as escolas japonesa e ocidental de composição. O lado do ocidente já teve dois representantes anunciados: Journey (do americano Austin Wintory) e Turrican II (do alemão Chris Huelsbeck). Mas do oriente o programa é ainda mais promissor, com Xenogears (do japonês Yasunori Mitsuda) e Unlimited Saga (do alemão – de olhos puxados – Masashi Hamauzu).

As duas adições são ousadas para um concerto germânico. Xenogears jamais foi lançado na Europa, nem mesmo no relançamento da PlayStation Network. O RPG filosofal será representado por uma suíte arranjada pelo finlandês Roger Wanamo – por consequência, uma suíte diferente da apresentada no bis do Press Start 2011, em que o jogo foi tocado ao vivo pela primeira vez. Mitsuda foi consultado para sugerir suas composições favoritas para a peça.

Unlimited SaGa foi publicado na Europa para PlayStation 2, mas não é um jogo lá muito famoso. Nunca joguei e não li comentários favoráveis a respeito. Já a trilha sonora… talvez esse seja o único motivo para o jogo ser lembrado hoje. Aliás, o último capítulo original da série SaGa lançado (isso em 2003), como depois só vieram remakes. Eu, se pudesse escolher, ficaria entre a “Battle Theme I” e a “Unlimited Saga Overture” (que compartilham o mesmo motivo inclusive). Mas a faixa escolhida é ótima, remetendo ao trabalho do Hamauzu em Final Fantasy XIII: a “Ruby’s Theme”. Como o Xenogears, o arranjo será do competente Roger Wanamo.

Além desses dois, está listado o segmento “Final Fantasy – Concerto for Piano and Orchestra”, que acredito ser o mesmo apresentado no Symphonic Odysseys. A performance da WDR Radio Orchestra Cologne e WDR Radio Choir Cologne no Funkhaus Wallrafplatz conduzida pelo maestro britânico Wayne Marshall não terá transmissão em vídeo como o Symphonic Fantasies e o Symphonic Odysseys, mas haverá sim transmissão em áudio, o que já considero um imenso privilégio.

[via Facebook]

Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com Final Fantasy em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos entre os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continue lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

Symphonic Odysseys: as lendas fantasiosas de Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu

Por Alexei Barros

Para tudo. Perdi a conta de quantas vezes mencionei a vontade de que Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu fizessem parte do repertório do Symphonic Odysseys, concerto em homenagem ao Nobuo Uematsu a acontecer na Alemanha dia 9 de julho. A bem da verdade, temia pela ausência, como são jogos de Game Boy monocromático lançados originalmente no Japão em 1989 e 1990. Sim, saíram no ocidente em 1990 e 1991. Teimosamente prefiro chamá-los assim, pelos nomes originais, visto que a localização preferiu batizá-los de The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II, para aproveitar a fama crescente da franquia no ocidente naquela época em que os RPGs em inglês ainda engatinhavam. São na realidade pertencentes à série SaGa criada por Akitoshi Kawazu.  E para aumentar a obscuridade, os remakes (do primeiro para WonderSwan Color e celular e do segundo para Nintendo DS) nem sequer apareceram nos EUA.

Devo ter jogado muito pouco de ambos, mas minha empolgação se deve ao vigor melódico de ambas as trilhas, a do SaGa 2 feita em parceria com o Kenji Ito (aliás, o seu jogo de estreia na Squaresoft). É da era mágica da carreira do Nobuo Uematsu com a criatividade em efervescência. Não consigo imaginar em que outra situação se justificaria um arranjo desses dois jogos e, de fato, a única vez em que isso aconteceu foi com a aparições da “Prologue” e da “Main Theme” no medley de títulos antigos dele no Press Start 2008. Pela representatividade das faixas, creio que a suíte arranjada pelo Jonne Valtonen terá a “Wipe Your Tears Away”, que chegou a figurar no Romancing SaGa e Romancing SaGa 2 do Super Famicom. E eu não ia reclamar se tiver temas de combate como a “Save the world” do SaGa 2.

[via Animania]

“SaGa 2 for Clarinet Sextet” – SaGa 2: Hihou Densetsu (Nekketsu High School Wind Ensemble)

Por Alexei Barros

A série SaGa continua fazendo muito sucesso no Japão e pouca coisa no ocidente. O remake do SaGa 2: Hihou Densetsu para DS foi lançado lá e duvido que sairá aqui. Foi anunciada a releitura SaGa 3 Jiku no Hasha: Shadow or Light também para DS, incluindo o álbum da trilha sonora, e mais do que nunca mantenho meu pessimismo quanto à localização. E continuo a publicar performances amadoras da série e você ignorando aí.

O trio de cordas Ensemble Game Classica já havia mostrado como as músicas do SaGa 2: Hihou Densetsu, originalmente do Game Boy e lançado bisonhamente como Final Fantasy Legend II nos EUA, ficam encantadoras com uma nova roupagem no “SaGa 2 Medley”. Agora o conjunto de clarinetes Nekketsu High School Wind Ensemble, aqui representado por seis pessoas, oferece um panorama diferenciado com uma seleção mais abrangente das faixas, comprovando mais uma vez como o Nobuo Uematsu estava iluminado à época.

Cinco das dez faixas são de autoria dele, das quais se destaca a soberba “Save the world” (6:50), de melodia frenética, e muito bem executada com a harmonia proporcionada pelos clarinetes. Kenji Ito também não deixou por menos nas outras cinco selecionadas, em especial na “Lethal Strike” (4:00), que pode ser considerado o apogeu do medley, não obstante as desafinadas (4:37 e 4:45), até que perdoáveis pela complexidade da melodia – quem imaginaria algo assim para uma mera faixa chiptune 8-bits. No mais, 12 minutos de boa música (com algumas pausas ao longo da performance) dos tempos antigos da Square.

“SaGa 2 for Clarinet Sextet”
“The Legend Begins”
~ “Searching for the Secret Treasure” ~ “Peaceful Land” ~ “Through the Cramped Darkness” ~ “Lethal Strike” ~ “Wipe Your Tears Away” ~ “Burning Blood” ~ “Save the world” ~ “Ending Theme 1” ~ “Ending Theme 2”

Press Start 2010: LocoRoco e Romancing SaGa

Por Alexei Barros

Sim, o Press Start 2010 aconteceu há mais de uma semana em Tóquio, mas enquanto a Famitsu e quem sabe o Jeriaska não publicam os relatos detalhados do concerto, cumprirei tabela com a atualização do site feita hoje com os dois números referentes ao bis que são duas reprises. Pelo pouco que consegui entender dos blogs japoneses, aconteceram algumas novidades muito interessantes, a despeito do meu desânimo geral pela escassez de segmentos inéditos. Mas mais maluco estou para ouvir de uma vez por todas o Press Start The 5th Anniversary!

– LocoRoco: “LocoRoco’s Song ~LocoRoco Yellow Version~”

LocoRoco estreou originalmente no Press Start 2007, e exemplifica o quão é diversificado o repertório – não consigo imaginar em outro concerto. Na ocasião, a canção “LocoRoco Main Theme” foi evocada pelo Press Start 2007 Chorus, um coral formado especialmente para a ocasião por adultos, claro. Aproveitando que estava lá o Suginami Junior Chorus e, mais importante, a cantora original (agora nove anos mais velha) Melody Chubak, hoje com 13, executaram a versão mais perfeita possível do tema ao vivo. O fato de terem repetido, e ainda em uma performance de luxo, reforça a minha impressão de que estará em um próximo CD.

– Romancing SaGa: “Overture” ~ “Opening Title”

Grande mistério a série Orchestral Game Concert ser tão atenciosa para jogos da Square no começo da década de 1990, como Final Fantasy, Secret of Mana, Seiken Densetsu 3 e Chrono Trigger, e Romancing SaGa ter ficado de fora mesmo com tamanha popularidade, ao menos pelo que noto na quantidade gigantesca de arranjos de fãs. Quase como uma obrigação, logo na primeira edição, o Press Start 2006, tocou a “Overture ~ Opening Title”, aproveitando a estupenda orquestração da “Overture ~ Opening Title” feita para o controverso remake do PlayStation 2 da faixa originária do Super Famicom. Como aqui e como nas duas apresentações contou com a performance do compositor Kenji Ito no piano. Reprisaram uma vez, beleza, mas nas próximas ocasiões podiam pensar em uma música diferente da série – e faixas boas não faltam do próprio Ito, do Masashi Hamauzu…

[via PRESS START]

“Romancing SaGa 3 Medley” – Romancing SaGa 3 (Game Addict’s Music Ensemble 2nd Concert)

Por Alexei Barros

Passeando pela primeira oportunidade nos palcos imundos do Hadouken está a Game Band, mais uma da extensa família de orquestras pró-amadoras japonesas que não espera pelos arranjos oficiais e produz material próprio. Já conhecia há um bom tempo por meio de links dos outros grupos, só não existia vídeos até agora pouco. Como a Famicom Band também se arrisca nas encenações cômicas durante a performance, que infelizmente quem não jogou não compreenderá em sua plenitude – o que conseguir é porque está habituado com os vícios da Square. E se a FCB atacou com um medley de Romancing SaGa 2, a Game Band já foi para a sequência lançada em 1995 para Super Famicom.

Qualquer tema de luta do Kenji Ito nesta época, quando adaptado para instrumentos de uma orquestra – aliás, somente de sopro, nada de cordas –, o resultado é explosivo, e não poderia ser diferente na sequência fatal “To the Battlefield…” (1:25), “Battle 2” (3:58) e “Four Demon Nobles Battle 2” (4:49). Como se não fosse o bastante, incluíram uma das músicas mais sensacionais que normalmente os concertos ignorariam. Não há como pensar diferente, “Superhero Robin’s Theme ~Evil Never Prevails!~” (2:35) é um tema de tokusatsu! Para fechar, a “The Pro-fes-sor’s Theme” (7:14) acaba com a maior cara de musical da Broadway.

Tenho a impressão de à direita do palco ver um baixista, pena que a qualidade do áudio não está adequada o suficiente para ouvir o instrumento que é extremamente frequente nas composições do Kenji Ito na era 16-bits, como comentei em outras oportunidades.

– “Romancing SaGa 3 Medley”

“Opening Title” ~ “To the Battlefield…” ~ “Superhero Robin’s Theme ~Evil Never Prevails!~” ~ “Battle 2” ~ “Four Demon Nobles Battle 2” ~ “Theme of Annihilation ~ “The Pro-fes-sor’s Theme”

“Romancing SaGa 2 Medley” – Romancing SaGa 2 (FCB 3rd Live)

Por Alexei Barros

Romancing SaGa 2 é um dos tantos jogos que a Squaresoft não localizou na época do Super Famicom e muito menos depois, visto que remakes só foram feitos do predecessor (este lançado nos EUA para PlayStation 2) e do SaGa 2 para DS. Lamento que o público ocidental, em sua maioria, desconheça a inspiração do Kenji Ito na ocasião. Se os 16-bits representam para mim a época áurea do Nobuo Uematsu, também é do Ito, talvez por influência ou proximidade. Os temas de combate tanto de um como de outro possuem melodias alucinantes.

Não por menos, a trilogia é uma das preferidas do cenário das bandas e orquestras doujin, e no âmbito profissional se limitou ao primeiro, vide Romancing SaGa no Press Start 2006. Para tapar lacunas como esta existem a Famicom Band, que mais uma vez foi muito feliz nas seleções, mais até do que a performance, já que os metais não estavam nos melhores dias. Coincidentemente ou não, foram escolhidas exatamente as duas músicas assinadas pelo Uematsu da trilha: a serena “The Legend Begins” (1:54) e a melancólica “Wipe Your Tears Away” (2:50), que foram originalmente compostas para o Makai Toushi SaGa do Game Boy. Antes, no começo tem a fantástica “Imperial Capital Avalon”, perfeita para abrir o medley. Só senti falta do baixo elétrico mais incisivo para estar de acordo com a original – as batidas graves eram recorrentes nos trabalhos do Kenji Ito naqueles tempos. “Last Battle” (4:15) é o único tema de batalha. Cresce aos poucos e segue em uma sucessão melódica arrebatadora confluindo na maravilhosa “Ending Theme” (6:25). Quando é evocada a “Opening Title” durante o tema de encerramento é puro êxtase.

“Romancing SaGa 2 Medley”

“Imperial Capital Avalon” ~ “The Legend Begins” ~ “Wipe Your Tears Away” ~ “Last Battle” ~ “Ending Theme”


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