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“Albion Online (Suite)” – Albion Online (Music in Motion)

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Por Alexei Barros

Além de Final Fantasy XII e Legend of Mana, a seção de games do concerto Music in Motion contou com a presença de um jogo muito menos conhecido, Albion Online. Trata-se de um MMO produzido na Alemanha para PC, Mac, Android e iOS cuja presença no concerto se deu por um motivo especial: a trilha desse jogo é assinada pelo finlandês Jonne Valtonen, mais conhecido pelos mais variados e fabulosos arranjos e eventuais composições (como as fanfarras de abertura) na série de apresentações Symphonic na Alemanha.

Na verdade, Valtonen é um compositor de game music das antigas, colecionando diversos trabalhos desde a década de 90 – acontece que muitos desses jogos não são dos mais populares, como Alien Incident (PC, 1996) e Project S-11 (Game Boy, 2000). De fato, ultimamente o finlandês tem voltado a compor para jogos, desta vez colecionando todo o conhecimento e experiência na produção de músicas orquestradas.

Como não conheço a trilha original do Albion Oline, fica difícil saber quais faixas a suíte do Music in Motion compreende, mas a miscelânea é variada, começando com uma clima pomposo, que dá sequência para uma atmosfera opressiva. Mais adiante, surge a harpa e a flauta, no momento que dá para se sentir no meio de uma vila medieval. No final, a peça de sete minutos recupera a pompa do início.

O trailer do Albion Online e o vídeo do making of também permite apreciar outras músicas compostas por Jonne Valtonen que inclusive apresentam coral (a performance do Music in Motion foi instrumental).

Albion Online (Suite)

Trailer

Making of

“Song of Mana ~Ending Theme~” – Legend of Mana (Music in Motion)

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Por Alexei Barros

A parte de games do concerto Music in Motion realizado em 2014 pela WDR Radio Orchestra Cologne não teve apenas a surpreendente e magnífica “Final Fantasy XII Suite”. O espetáculo também contou com uma performance da maravilhosa “Song of Mana ~Ending Theme~”, tema de encerramento do Legend of Mana cantado em sueco.

O RPG do PlayStation não foi lançado na Europa, o que parecia diminuir a probabilidade de as músicas da Yoko Shimomura serem executadas por lá. Ainda assim, quatro faixas do jogo já tinham sido tocadas no concerto Sinfonia Drammatica, realizado na Suécia em 2009, com os arranjos da Shimomura e orquestração da Natsuki Kameoka usados no álbum drammatica. O mesmo quarteto de músicas selecionado para o espetáculo e mais a “Song of Mana ~Opening Theme~” deram origem a um medley tocado no Press Start 2012 que teve a performance da cantora sueca Sofi Persson.

Além disso tudo, a canção ganhou um arranjo orquestral da Natsumi Kameoka para o álbum memória, que comemorou 25 anos de carreira da Yoko Shimomura e vergonhosamente não citei por aqui. A “Song of Mana – Orchestral Version -“, como a faixa foi rebatizada, é belíssima e conta com a performance da mesma cantora do jogo, a sueca Annika Ljungberg. No lugar dos instrumentos de banda (bateria, guitarra e baixo) e da flauta de pã, as cordas e especialmente o piano apresentam maior proeminência do que na canção original.

A versão do Music in Motion, por sua vez, foi arranjada pelo sempre competente Jonne Valtonen, que já havia explorado as músicas da Shimomura na suíte de Kingdom Hearts no Symphonic Fantasies. Porém, esse arranjo segue uma linha mais tradicional do que a costumeira abordagem artística do finlândes, mantendo inclusive o vocal da música. No Music in Motion, o solo foi novamente da cantora alemã Viviane Essig, como no segmento de Final Fantasy XII.

Embora tenha uma leve preferência pelo arranjo do memória por conta do timbre mais suave da Annika e das intervenções no piano, essa performance ao vivo tem o seu valor pela forma com que a orquestra dialoga com Essig e como as cordas reproduzem os trechos da flauta de pã. Clicando no link abaixo é possível ouvir a gravação deste segmento.

“Song of Mana ~Ending Theme~”

Interview with Thomas Boecker, game concert producer in Germany (part 2 of 2)

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Finally the day has come! Today happens the worldwide digital release of Final Symphony on iTunes. The album contains 94 minutes of music from Final Fantasy VI, VII and X recorded at Abbey Road Studios with performance by London Symphony Orchestra with arrangements by Jonne Valtonen, Roger Wanamo and Masashi Hamauzu.

Surprisingly, the track list brings some new features compared to the set list of the first concert in Germany back in 2013. In the second part of the interview, producer Thomas Boecker answered these and other questions for Hadouken, which brings also more curiosities and discusses the viability of other concerts (including a concert with Yuzo Koshiro’s music!).

Track list:
01 Fantasy Overture (Circle within a Circle within a Circle)
02 Final Fantasy VI (Symphonic Poem: Born with the Gift of Magic)
03 Final Fantasy X (Piano Concerto)
04 Encore: Final Fantasy X (Suteki Da Ne)
05 Final Fantasy VII (Symphony in Three Movements)
06 Encore: Final Fantasy VII (Continue?)
07 Encore: Final Fantasy Series (Fight, Fight, Fight!)
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Entrevista com Thomas Boecker, produtor de concertos de games na Alemanha (parte 2 de 2)

e03afec4b50d36e9e2d69091107993cfPor Alexei Barros

Enfim chegou o dia! Hoje acontece o lançamento digital mundial do Final Symphony no iTunes. O álbum contém 94 minutos de música de Final Fantasy VI, VII e X gravadas no Abbey Road Studios com performance da London Symphony Orchestra e arranjos de Jonne Valtonen, Roger Wanamo e Masashi Hamauzu.

Surpreendentemente, a track list possui algumas novidades em relação ao set list da primeira apresentação feita na Alemanha em 2013. Essas e outras questões foram esclarecidas pelo produtor Thomas Boecker na segunda parte da entrevista para o Hadouken, que também traz mais curiosidades e discute a viabilidade de outros concertos (incluindo até um espetáculo com músicas do Yuzo Koshiro!).

Track list:

01 Fantasy Overture (Circle within a Circle within a Circle)
02 Final Fantasy VI (Symphonic Poem: Born with the Gift of Magic)
03 Final Fantasy X (Piano Concerto)
04 Encore: Final Fantasy X (Suteki Da Ne)
05 Final Fantasy VII (Symphony in Three Movements)
06 Encore: Final Fantasy VII (Continue?)
07 Encore: Final Fantasy Series (Fight, Fight, Fight!)
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“Final Fantasy XII Suite” – Final Fantasy XII (Music in Motion)


Por Alexei Barros

Desde o concerto PROMS: That’s Sound, That’s Rhythm realizado em 2008, as músicas de games entraram de vez nos programas da WDR Radio Orchestra Cologne. Após a conclusão da quadrilogia de espetáculos tributo Symphonic Shades, Fantasies, Legends e Odysseys, essa tradição perdurou com o Soundtrack Cologne – East meets West (2012) e o Symphonic Selections (2013). E em 2014? Neste ano aconteceu o Music in Motion, no qual os games dividiram o espaço com músicas de filmes e animes (aliás, todos os números desse bloco, que inclui algumas composições do Joe Hisaishi, tiveram a orquestração de Roger Wanamo).

Apesar de a apresentação não ter o nível de esmero desses concertos passados, houve algumas surpresas interessantes na parte de games, e uma delas é uma nova interpretação da “Kiss Me Good-bye” do Final Fantasy XII. Ao menos é assim que está creditado no programa – achei mais apropriado chamar o número de “Final Fantasy XII Suite”, já que não se trata de qualquer performance da “Kiss Me Good-bye”. Até porque o segmento não inclui apenas essa canção…

Dá para dizer que a extensa trilha do FFXII foi criada por três frentes, com o trio Hitoshi Sakimoto, Masaharu Iwata e Hayato Matsuo na ponta de lança, sonorizando a maior parte do jogo (especialmente o primeiro), o Nobuo Uematsu com a citada música-tema “Kiss Me Good-bye” e a inesperada participação da dupla Taro Hakase e Yuji Toriyama com a Symphonic Poem “Hope”.

Não é raro ver comentários de que a “Kiss Me Good-bye” destoa do clima sombrio do restante da trilha. E, apesar de a Symphonic Poem “Hope” ter sido inspirada pelo tema principal do Hitoshi Sakimoto como diz os créditos do encarte, é difícil imaginar uma performance dela com outras músicas do jogo. Reunir essas três frentes em um único segmento parece impossível dada a disparidade de estilos… Mas não para o Roger Wanamo, o responsável pelo arranjo. Embora o site da WDR não faça a menor questão de dizer, o número inclui sim fragmentos de músicas do Hitoshi Sakimoto e do Taro Hakase/Yuji Toriyama.

Surgem os segundos iniciais das cordas magistrais da “Overture”, primeiro movimento da Symphonic Poem “Hope” para logo confluir na “Ending Movie” do Sakimoto (na faixa original, corresponde ao trecho a partir de 3:57). A forma com que as músicas foram emendadas chega a ser inacreditável, a ponto de parecer que ela foi originalmente criada assim. Quando o clima dá uma acalmada, é possível ouvir as trompas e o oboé evocando ressonâncias da “Road of Hope”, o terceiro e mais fantástico movimento da Symphonic Poem “Hope”.

Entra em cena a cantora Viviane Essig com sua poderosa voz em um tipo de solo mais pop que não se costuma ver nos concertos de games da WDR. De fundo, não há o piano em destaque como na original (até porque o instrumento foi tocado pela própria Angela Aki, intérprete na versão do jogo), mas as cordas – em especial o contrabaixo. No interlúdio instrumental, inacreditavelmente surge uma nova lembrança da “Road of Hope” em um solo de violoncelo. O estrondo do tímpano interrompe essa música, e volta a melodia da “Kiss Me Good-bye” no trompete. A Viviane Essig torna a participar, desta vez acompanhada pela flauta e depois por toda a orquestra. Depois, surge uma nova e arrebatadora lembrança instrumental da “Kiss Me Good-bye” e a cantora regressa mais uma vez para colocar o fim nessa peça inesperada e surpreendente.

No geral, é interessante notar como a “Kiss Me Good-bye”, uma canção J-pop, ganhou no arranjo uma dose de erudição, até porque a performance não teve baixo elétrico e bateria como acontece originalmente (na versão do Voices, arranjada pela Sachiko Miyano, já não tinha banda mesmo). Realmente não poderia acreditar que as inserções da Symphonic Poem “Hope” e “Ending Movie” pudessem originar um arranjo com esse senso de unidade – tarefa que só um arranjador talentosíssimo como o Roger Wanamo é capaz de fazer.

O Music in Motion chegou a ser transmitido em vídeo quando aconteceu em novembro de 2014, mas soube do streaming somente na hora pelo Twitter e não consegui gravar. Aparentemente, ninguém registrou o vídeo e o site da WDR, ao menos por enquanto, não disponibilizou a gravação como aconteceu com outros concertos. Felizmente, o espetáculo foi reprisado em dezembro – somente o áudio, no entanto –, o qual consegui gravar e compartilho abaixo. Aproveite, porque arranjos novos de Final Fantasy não surgem todos os dias – quanto mais do Final Fantasy XII.

“Final Fantasy XII Suite”
Originais: “Overture” ~ “Ending Movie” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye”

“Ruby’s Theme” – Unlimited Saga (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Apesar do vasto legado musical, a série SaGa costuma ser deixada de lado nos concertos como sua popularidade é mais restrita ao Japão. O problema é que até as apresentações nipônicas oficiais não se esforçam muito para melhorar essa panorama, com exceção de Romancing SaGa no Press Start 2006. Ironicamente, mesmo a série não sendo das mais conhecidas na Europa, são os espetáculos alemães que compensam isso, com SaGa Frontier II no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007),  Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu (ou The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II) no Symphonic Odysseys (2011) e essa performance de Unlimited Saga no Soundtrack Cologne – East meets West (2012).

Nunca tive a oportunidade de jogar, mas, a julgar pelas análises, Unlimited Saga não é um RPG dos mais memoráveis. Lamento que o Masashi Hamauzu tenha criado uma trilha magnífica para um jogo tão criticado, o que diminuiria sensivelmente as chances de ouvir as músicas em uma apresentação. Por tudo isso, é um acontecimento incomum a lembrança de Unlimited Saga em um concerto ocidental.

Como o título jamais havia sido tocado, imaginei que, para começar, a escolha natural seria a faixa mais representativa, a “Unlimited Saga: Overture”, que já é originalmente orquestrada no jogo (por sinal, pelo Shiro Hamaguchi, que inclusive estudou com o Hamauzu na Tokyo University of the Arts). Em vez disso, a seleção vai além do senso comum com um tema de personagem, a encantadora “Ruby’s Theme”, que, embora não tenha performance de instrumentos reais na trilha, apresenta timbres convincentes.

De maneira geral, o arranjo do Roger Wanamo preserva a instrumentação e delicadeza da composição, mas com uma orquestração mais rica e refinada, que explora com maestria as cordas. Como a releitura tem o dobro de duração da faixa original, há espaço para as variações e diferentes participações dos instrumentos (como os breves solos de clarinete e flauta), além de um desfecho adequado para a peça executada pela WDR Radio Orchestra Cologne. O concerto foi transmitido via rádio, portanto a qualidade da gravação está plenamente apreciável.

“Ruby’s Theme”
Original: “Ruby’s Theme”

 

“Turrican II – Anthology Suite” – Turrican II: The Final Fight (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Nas cinco edições da série Symphonic Game Music Concert, em cada uma delas houve pelo menos um segmento com músicas de Chris Huelsbeck, e a série que mais lembranças recebeu foi Turrican, em especial o segundo jogo. Para completar, quando foi a vez do compositor alemão ser homenageado no espetáculo Symphonic Shades, o Turrican II ganhou um concerto para piano que é uma das grandes obras-primas do arranjador Jonne Valtonen.

Para quem não conhece o jogo, é natural pensar que já estava de bom tamanho tantas performances, mas não foi nenhuma surpresa saber que o Turrican II ganhou uma inédita e bem-vinda releitura para o Soundtrack Cologne – East meets West. O mais bacana é que esse novo arranjo ficou sob os auspícios do Roger Wanamo, que ainda não fazia parte da equipe do Merregnon Studios na época do Symphonic Shades (sua estreia seria no Symphonic Fantasies, na suíte do Chrono). Com isso, o finlandês construiu uma suíte de 11 minutos com vários temas do Turrican II como veremos mais detalhadamente a seguir.

Para um início pomposo, foi perfeita a escolha da “Concerto for Lasers and Enemies” (tema da primeira das três fases de navinha do jogo, a 3-1). O brilho dos metais dão todo o clima John Williams que o tema tem direito. Logo aos 1:10, há uma competente transição para o “The Final Fight” (da tela-título), o tema que Valtonen usou em todo o concerto para piano. Esse trecho explora as cordas e, diferentemente do Symphonic Shades, também faz uso do coral, dando uma sensação bem diferente de outros arranjos do Turrican já feitos. Em meio ao pizzicato dos violinos, há um solo de clarinete bem inesperado, enquanto o coro cria um clima sombrio e imponente. Depois de explorar muito bem esse tema, a viagem vai para a introspectiva “The Great Bath” (ela toca apenas nas áreas aquáticas da fase 2-1). Depois de uma pausa para pensar, o coral entoa a melodia a capella em um momento de pura inspiração, e pouco depois a orquestra se junta em plena harmonia. Aos 8:00, a “Concerto for Lasers and Enemies” retorna brevemente para fazer a ponte até surgir, aos 8:20, a “Freedom” (tema dos créditos), orquestrada pela primeira vez. Em uma bela participação do coral, a melodia genial da música é tocada de maneira magnífica, terminando com o regresso da “The Final Fight” aos 9:47.

Pode parecer brincadeira, mas ainda não acho que o segmento tenha encerrado a cota de músicas do Turrican II que deviam ser orquestradas no meu entendimento. Um dia ainda queria ouvir a surpreendente “Traps” (da fase 1-2) e a envolvente “The Hero” (tela de hi-score), para citar apenas as composições do Turrican II. Se abrirmos para a série toda, a “Wormland”, do Super Turrican 2 é outra indispensável.

– “Turrican II – Anthology Suite”
Originais: “Concerto for Lasers and Enemies” ~ “The Final Fight” ~ “The Great Bath” ~ “Concerto for Lasers and Enemies” ~ “Freedom” ~ “The Final Fight”

“Toward the Celestial Sphere” – Star Fox e Star Fox 64 (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Sempre dedico longos posts aos concertos realizados na Alemanha, mas acabei não falando ainda do Soundtrack Cologne – East meets West, realizado em novembro de 2012. Como alguns números são reprises que eu comentei em outras oportunidades, preferi pinçar os segmentos mais interessantes da transmissão do rádio para comentá-los em posts avulsos, assim ninguém precisará ler quilômetros de texto de uma só vez.

E eu começo… pelo começo, com a música de abertura, “Toward the Celestial Sphere”, arranjada por Jonne Valtonen. A partitura havia sido originalmente preparada para o concerto LEGENDS, apresentado na Suécia em 2011, que não teve transmissão ao vivo e contou com poucas gravações amadoras em vídeo. No caso, o espetáculo foi uma revisão do Symphonic Legends com a substituição de alguns segmentos. Um dos números alterados foi justamente o do Star Fox.

No Symphonic Legends, o arranjo “Star Fox (Space Suite)” do Shiro Hamaguchi foi um dos destaques do concerto, com a participação celestial do coral State Choir Latvija, cantando em latim – o trecho da “BGM (Corneria)” é especialmente arrepiante. Por isso, chama a atenção que esse medley tão magnifíco tenha sido trocado pela “Toward the Celestial Sphere” no LEGENDS. De qualquer forma, a versão do Jonne Valtonen ganhou uma nova abordagem, porque o número serviu também como fanfarra de abertura – tanto no LEGENDS como no East Meets West.

Em diversas oportunidades, Valtonen pegou inspiração em John Williams e mais do que nunca essa influência pode ser percebida nesse segmento do Star “Wars” Fox. O uso dos metais na abertura na “Opening” do Star Fox 64 é um belo exemplo disso, impressão reforçada pela entrada majestosa das cordas. Em seguida, o trecho da “BGM (Corneria)” é uma bela viagem espacial que alterna entre momentos de ação e um pouco de observação dos arredores, e você de fato se sente no comando da Starwing em um confronto estelar – provavelmente com uma Estrela da Morte ali perto, se é que você me entende. Fechando o arco, há uma nova interpretação da “Opening”, passando a sensação de dever cumprido. É um arranjo belíssimo, épico, mas ainda prefiro o coral imbatível da versão do Hamaguchi. Sorte a nossa de poder apreciar dois arranjos tão bons em pouco tempo, ainda que com a seleção similar de faixas.

“Toward the Celestial Sphere”
Originais: “Opening” (Star Fox 64) ~ “BGM (Corneria)” (Star Fox) ~ “Opening” (Star Fox 64)

P.S.: Falando em Star Fox, é uma pena que provavelmente nunca haverá um arranjo orquestral com as músicas do Star Fox 2, jogo que seria lançado para SNES, mas a Nintendo cancelou para privilegiar o advento do Star Fox 64. Há músicas inspiradíssimas, como da tela-título e dos créditos que tem timbres orquestrais e combinariam muito com esse tipo de arranjo.

Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com Final Fantasy em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos entre os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
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Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
Continue lendo ‘Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária’


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