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Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
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Symphonic Odysseys: suíte de Lost Odyssey terá coral e órgão de tubo; três músicas confirmadas

Por Alexei Barros

Se Final Fantasy será a série representada em maior quantidade do Symphonic Odysseys, ocupando quase 50% do programa, possivelmente o jogo que vem em segundo lugar é Lost Odyssey, como já sugeria o nome do espetáculo, com uma suíte à Symphonic Fantasies de 15 minutos.

Se a suíte correspondente a Final Fantasy é um concerto para piano, deve ficar reservada para o primeiro ato, ao passo que Lost Odyssey é destinada para o segundo, haja vista os elementos normalmente apresentados mais próximos do encerramento do concerto: coral e órgão de tubo. O primeiro será o WDR Radio Choir Cologne, o mesmo do Symphonic Fantasies, que regressa ao palco do Cologne Philharmonic Hall após a ausência em 2010. Por melhor que fosse o State Choir Latvija no Symphonic Legends, tenho a sensação que o WDR Radio Choir Cologne é superior, com 40 vozes potentes e afinadas. Aparentemente, como nunca o instrumento terá tanto destaque na série Symphonic tal qual neste segmento; o órgão de tubo explodia apenas na “Lavos’ Theme” durante o “Encore (Final Boss Suite)” do Symphonic Fantasies e na “Theme of Super Metroid” do “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” do Symphonic Legends. Quem sabe o instrumento também não possa ser usado para rendições de “Dancing Mad” do Final Fantasy VI e “Atlas” do Front Mission: Gun Hazard, cujas sintetizadas emulam órgão de tubo.

As três composições divulgadas são, em minha opinião, algumas das melhores da trilha e não poderiam faltar para um número tão extenso enfocado em mostrar a aura de Lost Odyssey. Incrivelmente nenhuma delas apareceu no Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, concerto que conseguiu a proeza de executar sete faixas do RPG do Xbox 360 lançado em 2007 que não estas.

“Prologue”

Trata-se da primeira faixa da trilha, uma versão instrumental da poderosa “Main Theme” que já foi tocada no próprio Orchestral Pieces, além do Play! A Video Game Symphony e do Nobuo Uematsu Show. Provavelmente abrirá a suíte – será que logo de cara o solo similar da “Main Theme” se expandirá para todo o coral entoando a tocante melodia?

“Dark Saint”

Tensa, nervosa, explosiva. Tem tudo para ficar estupenda no arranjo do Jonne Valtonen: já que não haverá guitarra no concerto, como será que ele vai adaptar os inflamados solos do instrumento da original para orquestra? A parte do coral, com os assombrosos vocais masculinos em destaque, também é digna de nota.

“Light of Blessing ~ A Letter”

Em uma palavra: morri. Pouco antes de serem reveladas as faixas, assim que foi divulgada a combinação Lost Odyssey, coral e órgão de tubo pensei nesta música, que é uma das maiores obras-primas do Nobuo Uematsu, com uma sensibilidade digna dos seus primeiros trabalhos na Square Enix sob uma roupagem moderna no melhor estilo John Williams. Será que Jonne Valtonen poderá melhorar o que já é sublime?

[via Symphonic Odysseys]

Novidades do programa do Symphonic Odysseys; confirmadas suítes de Final Fantasy e Lost Odyssey


Por Alexei Barros

O produtor Thomas Boecker concedeu entrevista ao SEMO acerca dos seus dois projetos de 2010, LEGENDS e Symphonic Odysseys, comentando a experiência do primeiro e divulgando novas informações interessantes do outro.

Depois de dedicar vários posts ao LEGENDS, eu planejava escrever um extenso texto semelhante ao do Symphonic Legends, comentando número por número, inéditos e reprises, mas a quantidade pífia de gravações amadoras decepcionou profundamente: até agora ninguém teve a bondade de subir no YouTube segmentos completos de Star Fox, Kirby, Pikmin e Super Metroid, além dos quatro minutos adicionais no poema sinfônico de Zelda. Daí caio em um dilema: esperar por uma gravação em áudio completa da plateia que nunca poderá vir à tona ou publicar o pouco que saiu em posts avulsos, com a ameaça de algum registro e repetir opiniões? Está mais para a segunda opção mesmo…

Quanto ao Symphonic Odysseys, marcado para o dia 9 de julho, muitas certezas e as minhas tradicionais especulações:

– A fanfarra de abertura assinada pelo Nobuo Uematsu terá o dedo do Jonne Valtonen não só no arranjo e na orquestração, como se imaginava, mas também na composição;

– À moda do Symphonic Fantasies, haverá uma suíte de Final Fantasy de cerca de 15 minutos de duração que não é baseada em um jogo específico, abordando um contexto mais amplo. Roger Wanamo, que ajudou Valtonen na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, é o responsável pelo arranjo. Em julho mais informações serão comunicadas. Por ocasião do Symphonic Fantasies, Nobuo Uematsu se mostrou admirado pelo experimentalismo da “Fantasy II: Secret of Mana”, apesar de a “Fantasy IV: Final Fantasy” já ser um bocado. Creio que desta vez muito mais;

– Ainda sobre Final Fantasy, estão confirmadas músicas avulsas da série. Não preciso nem dizer que gostei do que Boecker disse: “Eu acho que não é muito surpreendente que estamos nos concentrando em músicas que não foram executadas ainda e, se isso acontecer, ofereceramos um panorama diferente.”

– O título do concerto não foi escolhido aleatoriamente. Bem como Final Fantasy, Lost Odyssey terá uma suíte de 15 minutos, sendo que o arranjador é o Jonne Valtonen. Aparentemente, Lost Odyssey possuirá uma parte maior do programa do que Blue Dragon, jogo também da Mistwalker para Xbox 360 que costumava estar lado a lado em quantidade, como no Orchestral Pieces. Fico sonhando com “Light of Blessing ~ A Letter”;

– Falando de forma mais abrangente, “o concerto irá refletir as diversas facetas da musicalidade de Nobuo Uematsu”. Não acho o Nobuo Uematsu extremamente versátil, mas é fato que ele já assinou músicas em muitos estilos diferentes (pop, celta, techno e composições influenciadas pelo período clássico), o que deve garantir boa diversidade ao set list. Torço para que entre essas facetas representadas esteja o rock, porque imagino que faixas como “Those Who Fight Further” (FFVII), “Otherworld” (FFX) e até algumas da trilha do Lord of Vermilion renderiam fantásticas releituras 100% sinfônicas;

– Comparado com o Symphonic Fantasies, o Symphonic Odysseys será mais suave, realçando a capacidade do compositor de emocionar com melodias ricas e melancólicas. Nobuo Uematsu é uma pessoa bem-humorada, e o concerto levará isso em conta – suponho que com piadas como a falsa entrada da “One-Winged Angel” na “Fantasy IV: Final Fantasy”;

– Alguns jogos do programa são bastante exóticos, como é o caso do confirmado King’s Knight. Embora infinitamente mais difundido, The Last Story  nem sequer foi lançado no ocidente e é uma escolha inusitada. Espero que caiba na categoria alguma coisa do SaGa, SaGa 2: Hihou Densetsu, Rad Racer, Rad Racer II e Front Mission: Gun Hazard;

– O Symphonic Odysseys fechará a tetralogia de concertos Symphonic da WDR Radio Orchestra, mas é certo que a orquestra tocará game music em 2012.

[via SEMO]

Octave Theory, o álbum de estreia da Earthbound Papas


Por Alexei Barros

A debandada do The Black Mages serviu para uma boa coisa: permitir que alguns dos remanescentes, os que tinham tempo à disposição, formassem a legítima sucessora Earthbound Papas. Além de preservar três integrantes – Nobuo Uematsu (órgão), Michio Okamiya (guitarra) e Arata Hanyuda (bateria) –, a banda debuta com um CD que registra um dos maiores hits do falecido grupo, “Advent One-Winged Angel”, atualização hard rock da “One-Winged Angel”.

Agendado para o dia 16 de março de 2011, o álbum intitulado Octave Theory (número de catálogo DERP-10015, com publicação da Dog Ear Records) traz nove faixas. Quatro são originais, sendo que há, para somar ao tema do Sephiroth do Final Fantasy VII: Advent Children que constava na respectiva OST, arranjos de outros trabalhos do Uematsu que não foram contemplados nos tempos de Black Mages: a “Eternity” (Blue Dragon), originalmente cantada pelo Ian Gillan, vocalista do Deep Purple, a poliglota (em japonês e latim) “Howl of the Departed” (Lost Odyssey), que foi renomeada “Bo-Kon-Ho-Ko”, “Thread of Fate” (do anime Guin Saga), e, finalmente com guitarras pesadas, “Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII).

A canção que mais ambicionava escutar não tem sample ainda, mas outras cinco podem ser conferidas em cerca de 40 segundos cada, conforme os links disponíveis na track list abaixo. Duas observações: considerando que a versão da “One-Winged Angel” foi rebatizada para “Advent One-Winged Angel”, não entendo por que o nome original foi mantido no se o site oficial diz que a faixa é do Advent Children. E “Eternity”, desta vez, será entoada em japonês por um cantor a descobrir.

Pelas amostras, constata-se que a sonoridade da Earthbound Papas permanece quase inalterada em relação à predecessora espiritual.

Track list (clique nos links disponíveis para baixar os samples em WMA):

01 Introduction ~ Octopus Theory
02 Liberi Fatali (from FINAL FANTASY VIII)
03 One Winged Angel (from FINAL FANTASY VII Advent Children)
04 Thread of Fate (from GUINSAGA)
05 Metal Hypnotized
06 Eternity (from BLUE DRAGON)
07 The Forest of a Thousand Years
08 Bo-Kon-Ho-Ko (from LOST ODYSSEY)
09 Homecoming

[via Nobuooo, Earthbound Papas Official Site]

Symphonic Odysseys: inaugurada a largada para a grande odisseia

Por Alexei Barros

Desde 2008 somos agraciados anualmente com a excelência dos concertos realizados na Alemanha por meio das heroicas transmissões ao vivo de rádio e vídeo streaming. Foi assim com o Symphonic Shades, depois o Symphonic Fantasies e, mais recentemente, com o Symphonic Legends, todos com o conceito de tributo. Primeiro a um compositor, Chris Huelsbeck, depois a duas produtoras, Square Enix e Nintendo, respectivamente.

O sucesso foi tamanho que Winfried Fechner, então administrador da WDR Radio Orchestra, hoje aposentado, anunciou em março de 2010 a intenção de realizar dois concertos por temporada (lembre-se que, assim como os campeonatos europeus de futebol, a temporada no Velho Continente começa no segundo semestre de um ano e termina no final do primeiro semestre do ano seguinte). Por isso o Symphonic Odysseys acontecerá ano que vem mais cedo do que os predecessores, dia 9 de julho de 2011 em Colônia, na Alemanha, e já começa hoje, 1º de dezembro, a disputada venda de ingressos dos assentos que vão de 10,10 a 29 euros no Cologne Philharmonic Hall para o espetáculo em homenagem à carreira de Nobuo Uematsu, que, evidentemente, assistirá ao concerto in loco.

Estavam confirmados os solistas Benyamin Nuss (piano) e Rony Barrak (percussão) e os retornos ao palco do maestro Arnie Roth e do coral WDR Radio Choir, ausentes no Legends. A princípio, os arranjos estão sob os cuidados, primariamente, de Jonne Valtonen. Mas Roger Wanamo também está envolvido. Pelo que foi apresentado, a dupla de finlandeses vem se mostrando competente ao extremo no que tange à finesse das releituras e à desenvoltura das transições. Basta comparar com os arranjos de outros concertos, que, para mim, passaram a soar simplórios demais em alguns casos e apresentam passagens súbitas, com uma dificuldade tremenda de conferir unidade a duas ou mais faixas.

Até então, o programa não passava de pura especulação de minha parte. Ao menos três séries foram confirmadas por enquanto: Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Minha maior expectativa é quanto da velha Square tomará do programa, considerando a obscuridade fora do Japão de jogos como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Rad Racer, King’s Knight, Square no Tom Sawyer, Cleopatra no Mahou e a lista vai longe.

[ATUALIZAÇÃO] A venda de ingressos começou às 10 horas locais de ontem e… terminou às 10 horas de hoje. Os ingressos esgotaram em impressionantes 12 horas! Recorde absoluto dos concertos germânicos, mostra mais uma vez a popularidade de Nobuo Uematsu e Final Fantasy. Os concertos de games da WDR Radio Orchestra já tem um público cativo na Alemanha que se espalha pela Europa. Será que vão anunciar uma reprise?

[via Symphonic Odysseys]

Benyamin Nuss Plays Uematsu: quando o prodígio encontra o mestre


Por Alexei Barros

É raro um pianista atuar simultaneamente em orquestras e bandas de jazz. Ainda por cima tão jovem. Quanto mais gamer! Benyamin Nuss é tudo isso com somente 21 anos de idade e logo em seu álbum de estreia homenageia um dos mais afamados compositores de jogos com a missão ambiciosa de introduzir game music aos apreciadores de música erudita.

Filho do trombonista Ludwig Nuss e irmão do pianista Hubert Nuss, ambos compositores e jazzistas internacionalmente conhecidos, Benyamin iniciou o aprendizado de piano com seis anos de idade, e a partir de então iniciou uma trajetória de sucesso sendo agraciado com diversos prêmios, ao mesmo tempo em que buscava se inspirar na técnica e interpretação de pianistas clássicos, como Sviatoslav Richter e Vladimir Horowitz, e na capacidade de improvisação de pianistas jazzísticos, como Chick Corea e Herbie Hancock.

Até aí pouca relação com jogos eletrônicos na música, ainda que tivesse crescido jogando videogames. Foi então que o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, conversou com ele sobre o concerto Symphonic Shades, e Benyamin compartilhou a admiração por game music. Dias depois recebeu uma ligação para gravar a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, na versão que acabou registrada no CD por se aproximar do intento original do compositor Chris Huelsbeck. Tratava-se de uma interpretação mais incisiva que a versão suave da “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” tocada pelo Jari Salmela na apresentação.

Mais famoso entre os fãs de game music Benyamin ficou no sucessor Symphonic Fantasies em 2009, desta vez participando do espetáculo ao vivo, na suíte de 15 minutos “Fantasy I: Kingdom Hearts”, em que o piano ganhou um destaque especial no arranjo de Jonne Valtonen. Em 2010, no Symphonic Legends, demonstrou incrível entrosamento com o violinista Juraj Cizmarovic na “Donkey Kong Country (Aquatic Ambiance)” arranjada por Masashi Hamauzu, e também tocou no bis “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”.

A notoriedade na Alemanha também em breve se estenderá ao Japão. Em 30 de outubro o pianista participará do evento Shinzo Kukaigi 5 e nos dias 6 e 7 de novembro do Distant Worlds music from Final Fantasy Returning Home, todos a acontecer em Tóquio, também para promover o lançamento japonês do disco, que se dará dia 27 de outubro. Isso que de setembro a novembro Benyamin Nuss excursiona por diversas cidades da Alemanha e Luxemburgo com performances do álbum de debute.

Publicado pela renomada Deutsche Grammophon (Universal Music), o disco Benyamin Nuss plays Uematsu foi produzido por Thilo Berg, baterista alemão, líder de big bands e administrador do pianista, com consultoria de Thomas Boecker, produtor executivo dos concertos Shades, Fantasies e Legends. São 15 faixas no total, gravadas nos dias 1, 2 e 4 de maio de 2010 no SWR Studio na cidade de Kaiserslautern. A seleção visitou Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, e contou com arranjadores de renome na game music e fora dela.

Shiro Hamaguchi é o arranjador da Piano Collections Final Fantasy VII, Piano Collections Final Fantasy VIII e Piano Collections Final Fantasy IX, e ficou encarregado de Lost Odyssey. Jonne Valtonen, autor do supramencionado arranjo de Turrican 3, de Blue Dragon. E Final Fantasy foi divido entre os menos versados em game music: Bill Dobbins, jazzista americano que dirigiu a WDR Big Band de 1994 a 2002, Torsten Rasch, alemão modernista que arranjou a ousada “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Symphonic Legends, e o russo Alexander Rosenblatt, compositor de piano. Para completar, Benyamin Nuss escreveu uma faixa em homenagem a Nobuo Uematsu e vice-versa. O encarte do álbum merece ser elogiado. Traz um breve comentário de Uematsu de cada uma das 15 faixas em japonês, alemão e inglês. Serviço completo.

Uma pena que o “Rad Racer Medley” de 10 minutos e meio de duração não coube no CD, que possui 68 minutos, e está disponível exclusivamente em formato digital na iTunes. Como é um jogo de corrida, proporcionaria variedade à supremacia de RPGs. O sample é promissor, ainda mais sabendo que o medley é arranjado por Francesco Tristano Schlimé, pianista luxemburguês que gosta de experimentações. Não bastasse a restrição, por enquanto, aos residentes na Alemanha por conta da limitação da loja virtual da Apple, o medley não pode ser comprado separadamente. Ou seja, quem adquiriu o álbum físico e quiser comprar a “Rad Racer Medley”, é obrigado a pagar os 9,99 dólares por todas as músicas.

Diante de tudo isso, finalmente os comentários faixa por faixa depois do Hadouken.
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“Main Theme”- Lost Odyssey (Nobuo Uematsu Show)

Por Alexei Barros

Volta e meia acontecem uns concertos de game music e pouca gente fica sabendo. No dia 28 de outubro de 2007, ocorreram duas apresentações em Florença, Itália, só com músicas do Nobuo Uematsu. Ou seja, Final Fantasy, mas agora também Blue Dragon e Lost Odyssey. Formada por 74 instrumentistas, a Orquestra “Nuovi eventi Musicali” foi acompanhada por um coral de 33 vozes e uma solista soprano.

No repertório, 12 faixas totalmente manjadas (“Dancing Mad” que é bom, nada…). Uma menos batida é o belo tema de Lost Odyssey. Confira a performance no vídeo abaixo:

01 – “Opening ~ Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
02 – “Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII)
03 – “At Zanarkand” (Final Fantasy X)
04 – “Terra’s Theme” (Final Fantasy VI)
05 – “FF I~III Medley”: “The Prelude” ~ “Main Theme” ~ “Matoya’s Cave” (FF) ~ “Elia, the Water Maiden” (FFIII) ~ “Chocobo’s Theme” ~ “Rebel Army Theme” (FFII)
06 – “Theme of Love” (Final Fantasy IV)
07 – “Blue Dragon Main Theme” (Blue Dragon)
08 – “Waterside ~ for Piano and Orchestra” (Blue Dragon)
09 – “Main Theme” (Lost Odyssey)
10 – “Aerith’s Theme” (Final Fantasy VII)
11 – “Final Fantasy” (Final Fantasy)
12 – “One-Winged Angel” (Final Fantasy VII)


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