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The Orchestral SaGa -Legend of Music-: à espera de um álbum lendário

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A FILMharmonic Orchestra Prague é conhecida por um longo histórico de performances em concertos e trilhas de games


Por Alexei Barros

Apesar da qualidade e da excelência musical da série SaGa, a franquia tem uma representatividade muito pequena em arranjos orquestrais, seja em concertos ou álbuns. Mais isso vai mudar um pouco com o lançamento do CD duplo The Orchestral SaGa -Legend of Music-, que acontece hoje, dia 23 de março no Japão.

Gravado no Rudolfinum’s Dvořák Hall com a FILMharmonic Orchestra Prague na cidade de Praga na República Tcheca, o primeiro disco contém dez faixas em formatos de medleys. As seleções percorrem músicas de todos os compositores da série, desde o início com Nobuo Uematsu e Kenji Ito, até a era impressionista de Masashi Hamauzu, passando pelas faixas de Ryuji Sasai e Chihiro Fujioka em Jikuu no Hasha: SaGa 3.

A melhor decisão que podiam tomar é deixar os arranjos sob os auspícios de Kousuke Yamashita. Já pude ouvir diferentes trilhas de games, animes, J-dramas e tokusatsus e é impressionante o talento do japonês com músicas orquestrais. Entre tantos arranjos para os concertos de Monster Hunter, ele também arranjou e regeu o Nobunaga no Yabou 30th Anniversary Concert. Curiosamente, é a primeira colaboração de Yamashita com a Square Enix.

Na página oficial do The Orchestral SaGa -Legend of Music-, é possível ouvir diversos samples. Destaco a surpreendente aparição da “Battle Theme I” do Unlimited Saga na faixa 1, a “Decisive Battle! Saruin” do Romancing SaGa na faixa 5 e a “Feldschlacht I” do Saga Frontier II na faixa 9.

O segundo CD, por sua vez, traz apenas quatro faixas e foi gravado no Japão. Pelo que entendi nesta entrevista que Kenji Ito concedeu ao 4Gamer.net, na verdade são arranjos originalmente preparados para o Imperial SaGa, jogo da série para browser, mas acabaram ficando de fora. As releituras desse disco foram feitas pela Natsumi Kameoka e se diferem por terem bateria, baixo elétrico e guitarra. Chamo a atenção para a “Seven Heroes Battle” do Romancing Saga 2 e a “Four Demon Nobles Battle 1” do Romancing SaGa 3 na faixa 4 desse disco.

Claro que nem tudo é perfeito: ainda vou ficar sonhando com a “Searching for the Secret Treasure” do SaGa 2 Hihou Densetsu, a “Battle #1” do SaGa Frontier e a “Battle 1” do Romancing SaGa orquestradas. Já posso imaginar outro álbum nesse formato?

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O compositor Kenji Ito e o arranjador Kousuke Yamashita foram até Praga para supervisionar a gravação das partituras

[via 4Gamer.net e Square Enix]

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Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continue lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

Symphonic Odysseys: as lendas fantasiosas de Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu

Por Alexei Barros

Para tudo. Perdi a conta de quantas vezes mencionei a vontade de que Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu fizessem parte do repertório do Symphonic Odysseys, concerto em homenagem ao Nobuo Uematsu a acontecer na Alemanha dia 9 de julho. A bem da verdade, temia pela ausência, como são jogos de Game Boy monocromático lançados originalmente no Japão em 1989 e 1990. Sim, saíram no ocidente em 1990 e 1991. Teimosamente prefiro chamá-los assim, pelos nomes originais, visto que a localização preferiu batizá-los de The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II, para aproveitar a fama crescente da franquia no ocidente naquela época em que os RPGs em inglês ainda engatinhavam. São na realidade pertencentes à série SaGa criada por Akitoshi Kawazu.  E para aumentar a obscuridade, os remakes (do primeiro para WonderSwan Color e celular e do segundo para Nintendo DS) nem sequer apareceram nos EUA.

Devo ter jogado muito pouco de ambos, mas minha empolgação se deve ao vigor melódico de ambas as trilhas, a do SaGa 2 feita em parceria com o Kenji Ito (aliás, o seu jogo de estreia na Squaresoft). É da era mágica da carreira do Nobuo Uematsu com a criatividade em efervescência. Não consigo imaginar em que outra situação se justificaria um arranjo desses dois jogos e, de fato, a única vez em que isso aconteceu foi com a aparições da “Prologue” e da “Main Theme” no medley de títulos antigos dele no Press Start 2008. Pela representatividade das faixas, creio que a suíte arranjada pelo Jonne Valtonen terá a “Wipe Your Tears Away”, que chegou a figurar no Romancing SaGa e Romancing SaGa 2 do Super Famicom. E eu não ia reclamar se tiver temas de combate como a “Save the world” do SaGa 2.

[via Animania]

“SaGa 2 for Clarinet Sextet” – SaGa 2: Hihou Densetsu (Nekketsu High School Wind Ensemble)

Por Alexei Barros

A série SaGa continua fazendo muito sucesso no Japão e pouca coisa no ocidente. O remake do SaGa 2: Hihou Densetsu para DS foi lançado lá e duvido que sairá aqui. Foi anunciada a releitura SaGa 3 Jiku no Hasha: Shadow or Light também para DS, incluindo o álbum da trilha sonora, e mais do que nunca mantenho meu pessimismo quanto à localização. E continuo a publicar performances amadoras da série e você ignorando aí.

O trio de cordas Ensemble Game Classica já havia mostrado como as músicas do SaGa 2: Hihou Densetsu, originalmente do Game Boy e lançado bisonhamente como Final Fantasy Legend II nos EUA, ficam encantadoras com uma nova roupagem no “SaGa 2 Medley”. Agora o conjunto de clarinetes Nekketsu High School Wind Ensemble, aqui representado por seis pessoas, oferece um panorama diferenciado com uma seleção mais abrangente das faixas, comprovando mais uma vez como o Nobuo Uematsu estava iluminado à época.

Cinco das dez faixas são de autoria dele, das quais se destaca a soberba “Save the world” (6:50), de melodia frenética, e muito bem executada com a harmonia proporcionada pelos clarinetes. Kenji Ito também não deixou por menos nas outras cinco selecionadas, em especial na “Lethal Strike” (4:00), que pode ser considerado o apogeu do medley, não obstante as desafinadas (4:37 e 4:45), até que perdoáveis pela complexidade da melodia – quem imaginaria algo assim para uma mera faixa chiptune 8-bits. No mais, 12 minutos de boa música (com algumas pausas ao longo da performance) dos tempos antigos da Square.

“SaGa 2 for Clarinet Sextet”
“The Legend Begins”
~ “Searching for the Secret Treasure” ~ “Peaceful Land” ~ “Through the Cramped Darkness” ~ “Lethal Strike” ~ “Wipe Your Tears Away” ~ “Burning Blood” ~ “Save the world” ~ “Ending Theme 1” ~ “Ending Theme 2”

“SaGa 2 Medley” – SaGa 2 Hihou Densetsu (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Quando foi anunciado o Symphonic Odysseys, o concerto em homenagem ao Nobuo Uematsu a acontecer em 2011, fiquei imaginando o que poderia fazer parte do repertório além de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, que já foram executados em tantas oportunidades. Sempre me esqueço que, enquanto ainda trabalhava na Squaresoft, ele colaborou para outros RPGs, como Chrono Trigger, Front Mission: Gun Hazard e em dois jogos da série SaGa.

Este medley muito encantador da Ensemble Game Classica mostra um pouco do trabalho fora de FF do Uematsu, porque as primeiras duas das quatro músicas são de autoria dele – as demais foram criadas pelo Kenji Ito. A performance se refere ao RPG SaGa 2 Hihou Densetsu do Game Boy, aquele que foi nojentamente localizado em 1991 como Final Fantasy Legend II, e refeito em 2009 para DS apenas no Japão.

Somente com violino, viola e violoncelo a EGC consegue conferir nova vida à majestosa “The Legend Begins” da introdução. Mas a miscelânea brilha quando surge (3:14) a “Searching for the Secret Treasure”, que, mesmo com um looping diminuto, aparece por um tempo generoso e recebeu diferentes interpretações. A parte Uematsu do medley acaba aqui, e o trecho Kenji Ito inicia (5:22) com a adorável “Peaceful Land”, que poderia passar por uma música do bigodudo sem o menor ressentimento pela similaridade de estilo – lembra a “Town” do primeiro Final Fantasy. De maneira sutil, praticamente imperceptível, a peça é sobreposta (a partir de 6:29) pela “Theme of the New God”, que mais adiante é executada por todo o trio de instrumentos. É isso, uma beleza. Se amadores fizeram tal maravilha, mal imagino como as músicas ficariam sob os cuidados de um arranjador profissional para serem tocadas por uma orquestra completa.

– “SaGa 2 Medley”

“The Legend Begins” ~ “Searching for the Secret Treasure” ~ “Peaceful Land” ~ “Theme of the New God”

Os 20 anos da série SaGa

Por Alexei Barros

Você provavelmente não viu o menor objetivo, mas eu gostei do anúncio do remake para DS de SaGa 2: Hihou Densetsu, que saiu nos EUA como Final Fantasy Legend II – ainda tento compreender porque pularam o antecessor The Makai Toushi Sa•Ga / Final Fantasy Legend. Minha apreciação é pela altíssima qualidade das músicas, em especial os temas de combate. Digo isso porque mal joguei, mal conheço.

Essa releitura, por exemplo, tem composições de Nobuo Uematsu e Kenji Ito, que cuidará dos novos arranjos – no site oficial ouve-se um belo solo de violino. Servirá também para celebrar as duas décadas da criação de Akitoshi Kawazu, como resume bem o vídeo de quase sete minutos que rememora todos os capítulos da série SaGa:

[via SEMO]


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