Textos categorizados 'Jonne Valtonen'

Agora focado em Zelda, Symphonic Legends renasce ainda mais lendário

Por Alexei Barros

Para quem gosta de futebol, haverá um grande motivo para permanecer no Brasil ano que vem. Um motivo chamado Copa do Mundo 2014. Mas, se não for o seu caso – e ainda me espanta saber quantos jogadores de videogame não gostam de futebol -, você pode ter uma excepcional razão para fazer uma visita a Londres. Agora, se você acompanhar futebol e ser fã das músicas de Zelda… você poderá ficar bastante dividido.

Tudo isso porque no dia 13 de julho de 2014, exatamente o dia da final da Copa do Mundo marcada para o Maracanã, no Rio de Janeiro, acontecerá a retomada do Symphonic Legends. Outrora o nome dado para o concerto que homenageou diversas franquias da Nintendo, agora o espetáculo será totalmente dedicado à série Zelda.

A apresentação acontecerá no Barbican Centre London, com performance da London Symphony Orchestra, renomadíssima orquestra que tocou o Final Symphony em maio de 2013. Desta vez, porém, a orquestra será acompanhada pelo London Symphony Chorus, totalizando mais de 200 pessoas no palco!

O Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series promete trazer partituras novas e revisadas dos jogos A Link to the Past, Ocarina of Time, The Wind Waker e Twilight Princess, além da première mundial do tema de abertura do Skyward Sword. Os arranjadores são aqueles competentes de sempre, os finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo, com a produção executiva do Thomas Boecker.

Desde já fica a dúvida quais arranjos serão revisados, já que Zelda constantemente aparece nas produções do Boecker. No próprio Symphonic Legends de 2010, por exemplo, tivemos o Poema Sinfônico, e no recente Symphonic Selections, que ainda comentarei aqui, foi tocado um arranjo extenso e magnífico do The Wind Waker. O jogo do GameCube inclusive estreou mundialmente em um concerto do Boecker, o First Symphonic Game Music Concert, lá em 2003.

Vale lembrar que esse concerto não tem nenhuma relação com a turnê Zelda: Symphony, que inclusive vai encerrar dia 14 de dezembro, com uma apresentação em San Jose, Califórnia.

Aos interessados no Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series, os ingressos já estão à venda, com preços que vão de 30 a 85 libras.

[via release de imprensa]

“Toward the Celestial Sphere” – Star Fox e Star Fox 64 (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Sempre dedico longos posts aos concertos realizados na Alemanha, mas acabei não falando ainda do Soundtrack Cologne – East meets West, realizado em novembro de 2012. Como alguns números são reprises que eu comentei em outras oportunidades, preferi pinçar os segmentos mais interessantes da transmissão do rádio para comentá-los em posts avulsos, assim ninguém precisará ler quilômetros de texto de uma só vez.

E eu começo… pelo começo, com a música de abertura, “Toward the Celestial Sphere”, arranjada por Jonne Valtonen. A partitura havia sido originalmente preparada para o concerto LEGENDS, apresentado na Suécia em 2011, que não teve transmissão ao vivo e contou com poucas gravações amadoras em vídeo. No caso, o espetáculo foi uma revisão do Symphonic Legends com a substituição de alguns segmentos. Um dos números alterados foi justamente o do Star Fox.

No Symphonic Legends, o arranjo “Star Fox (Space Suite)” do Shiro Hamaguchi foi um dos destaques do concerto, com a participação celestial do coral State Choir Latvija, cantando em latim – o trecho da “BGM (Corneria)” é especialmente arrepiante. Por isso, chama a atenção que esse medley tão magnifíco tenha sido trocado pela “Toward the Celestial Sphere” no LEGENDS. De qualquer forma, a versão do Jonne Valtonen ganhou uma nova abordagem, porque o número serviu também como fanfarra de abertura – tanto no LEGENDS como no East Meets West.

Em diversas oportunidades, Valtonen pegou inspiração em John Williams e mais do que nunca essa influência pode ser percebida nesse segmento do Star “Wars” Fox. O uso dos metais na abertura na “Opening” do Star Fox 64 é um belo exemplo disso, impressão reforçada pela entrada majestosa das cordas. Em seguida, o trecho da “BGM (Corneria)” é uma bela viagem espacial que alterna entre momentos de ação e um pouco de observação dos arredores, e você de fato se sente no comando da Starwing em um confronto estelar – provavelmente com uma Estrela da Morte ali perto, se é que você me entende. Fechando o arco, há uma nova interpretação da “Opening”, passando a sensação de dever cumprido. É um arranjo belíssimo, épico, mas ainda prefiro o coral imbatível da versão do Hamaguchi. Sorte a nossa de poder apreciar dois arranjos tão bons em pouco tempo, ainda que com a seleção similar de faixas.

- “Toward the Celestial Sphere”
“Opening” (Star Fox 64) ~ “BGM (Corneria)” (Star Fox) ~ “Opening” (Star Fox 64)

P.S.: Falando em Star Fox, é uma pena que provavelmente nunca haverá um arranjo orquestral com as músicas do Star Fox 2, jogo que seria lançado para SNES, mas a Nintendo cancelou para privilegiar o advento do Star Fox 64. Há músicas inspiradíssimas, como da tela-título e dos créditos que tem timbres orquestrais e combinariam muito com esse tipo de arranjo.

Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X


Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc.

Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também. Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades.

Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, privilégio que coube ao Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu. A novidade é que o Luiz escreveu um report da experiência para compartilhar no Hadouken!

Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.

Ato I

01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. III. Kessen”

Ato II

04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI”
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Soundtrack Cologne – East meets West: a vez de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess

Por Alexei Barros

Mesmo que sem o mesmo impacto dos concertos alemães de Colônia como o Symphonic Fantasies ou o Symphonic Odysseys, o Soundtrack Cologne – East meets West, apresentação marcada para o dia 16 de novembro na mesma cidade, está ficando, a cada par de atualizações, mais interessante e fora do lugar-comum. Primeiro foi Journey e Turrican II, depois Xenogears e Unlimited: SaGa. Agora é a vez das confirmações nintendistas de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess.

Quando disse “Star Fox”, entenda Star Fox, de SNES, e o Star Fox 64: o arranjo preparado por Jonne Valtonen, de nome “Toward the Celestial Sphere”, abriu o LEGENDS, versão revisada do Symphonic Legends mostrada na Suécia. Nenhuma objeção pela repetição. O único registro, e amador ainda por cima, está no YouTube e nem cobre toda a música. Já que o Soundtrack Cologne vai ser transmitido ao vivo via rádio, poderemos escutar, com qualidade infinitamente superior, esse segmento à moda de John Williams. Aliás, pela primeira vez na história, músicas da Nintendo serão veiculadas ao vivo em um espetáculo que não tem só músicas dela no programa.

A outra adição, do The Legend of Zelda: Twilight Princess, é a “Light Spirit”, que creio ser baseada no excerto do solo soprano do extenso “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)”, também do Symphonic Legends e LEGENDS. Embora já a conheçamos, não deixa de dar variedade ao set list e, verdade seja dita, é um dos grandes momentos do segmento.

Com essa mistura de Square Enix e Nintendo no programa, fica no ar um gostinho de Orchestral Game Concert dos tempos atuais, já que a série japonesa de concertos era focada especialmente nessas duas empresas.

[via Facebook]

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continuar lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

Symphonic Odysseys: suíte de Lost Odyssey terá coral e órgão de tubo; três músicas confirmadas

Por Alexei Barros

Se Final Fantasy será a série representada em maior quantidade do Symphonic Odysseys, ocupando quase 50% do programa, possivelmente o jogo que vem em segundo lugar é Lost Odyssey, como já sugeria o nome do espetáculo, com uma suíte à Symphonic Fantasies de 15 minutos.

Se a suíte correspondente a Final Fantasy é um concerto para piano, deve ficar reservada para o primeiro ato, ao passo que Lost Odyssey é destinada para o segundo, haja vista os elementos normalmente apresentados mais próximos do encerramento do concerto: coral e órgão de tubo. O primeiro será o WDR Radio Choir Cologne, o mesmo do Symphonic Fantasies, que regressa ao palco do Cologne Philharmonic Hall após a ausência em 2010. Por melhor que fosse o State Choir Latvija no Symphonic Legends, tenho a sensação que o WDR Radio Choir Cologne é superior, com 40 vozes potentes e afinadas. Aparentemente, como nunca o instrumento terá tanto destaque na série Symphonic tal qual neste segmento; o órgão de tubo explodia apenas na “Lavos’ Theme” durante o “Encore (Final Boss Suite)” do Symphonic Fantasies e na “Theme of Super Metroid” do “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” do Symphonic Legends. Quem sabe o instrumento também não possa ser usado para rendições de “Dancing Mad” do Final Fantasy VI e “Atlas” do Front Mission: Gun Hazard, cujas sintetizadas emulam órgão de tubo.

As três composições divulgadas são, em minha opinião, algumas das melhores da trilha e não poderiam faltar para um número tão extenso enfocado em mostrar a aura de Lost Odyssey. Incrivelmente nenhuma delas apareceu no Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, concerto que conseguiu a proeza de executar sete faixas do RPG do Xbox 360 lançado em 2007 que não estas.

- “Prologue”

Trata-se da primeira faixa da trilha, uma versão instrumental da poderosa “Main Theme” que já foi tocada no próprio Orchestral Pieces, além do Play! A Video Game Symphony e do Nobuo Uematsu Show. Provavelmente abrirá a suíte – será que logo de cara o solo similar da “Main Theme” se expandirá para todo o coral entoando a tocante melodia?

- “Dark Saint”

Tensa, nervosa, explosiva. Tem tudo para ficar estupenda no arranjo do Jonne Valtonen: já que não haverá guitarra no concerto, como será que ele vai adaptar os inflamados solos do instrumento da original para orquestra? A parte do coral, com os assombrosos vocais masculinos em destaque, também é digna de nota.

- “Light of Blessing ~ A Letter”

Em uma palavra: morri. Pouco antes de serem reveladas as faixas, assim que foi divulgada a combinação Lost Odyssey, coral e órgão de tubo pensei nesta música, que é uma das maiores obras-primas do Nobuo Uematsu, com uma sensibilidade digna dos seus primeiros trabalhos na Square Enix sob uma roupagem moderna no melhor estilo John Williams. Será que Jonne Valtonen poderá melhorar o que já é sublime?

[via Symphonic Odysseys]

Symphonic Odysseys: as lendas fantasiosas de Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu

Por Alexei Barros

Para tudo. Perdi a conta de quantas vezes mencionei a vontade de que Makai Toushi SaGa e SaGa 2: Hihou Densetsu fizessem parte do repertório do Symphonic Odysseys, concerto em homenagem ao Nobuo Uematsu a acontecer na Alemanha dia 9 de julho. A bem da verdade, temia pela ausência, como são jogos de Game Boy monocromático lançados originalmente no Japão em 1989 e 1990. Sim, saíram no ocidente em 1990 e 1991. Teimosamente prefiro chamá-los assim, pelos nomes originais, visto que a localização preferiu batizá-los de The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II, para aproveitar a fama crescente da franquia no ocidente naquela época em que os RPGs em inglês ainda engatinhavam. São na realidade pertencentes à série SaGa criada por Akitoshi Kawazu.  E para aumentar a obscuridade, os remakes (do primeiro para WonderSwan Color e celular e do segundo para Nintendo DS) nem sequer apareceram nos EUA.

Devo ter jogado muito pouco de ambos, mas minha empolgação se deve ao vigor melódico de ambas as trilhas, a do SaGa 2 feita em parceria com o Kenji Ito (aliás, o seu jogo de estreia na Squaresoft). É da era mágica da carreira do Nobuo Uematsu com a criatividade em efervescência. Não consigo imaginar em que outra situação se justificaria um arranjo desses dois jogos e, de fato, a única vez em que isso aconteceu foi com a aparições da “Prologue” e da “Main Theme” no medley de títulos antigos dele no Press Start 2008. Pela representatividade das faixas, creio que a suíte arranjada pelo Jonne Valtonen terá a “Wipe Your Tears Away”, que chegou a figurar no Romancing SaGa e Romancing SaGa 2 do Super Famicom. E eu não ia reclamar se tiver temas de combate como a “Save the world” do SaGa 2.

[via Animania]

“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)” – The Legend of Zelda: A Link to the Past (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Não bastassem os segmentos novos de Star Fox, Pikmin, Super Metroid, F-Zero e da inclusão de Kirby, jogo não representado no Symphonic Legends, a revisão LEGENDS adicionou outro número inédito em relação ao concerto em Colônia. Total surpresa, o primeiro bis, logo após a execução do poema sinfônico de Zelda. E, depois de uma jornada musical de 40 minutos, nada melhor do que contemplar uma doce melodia, um bálsamo para recuperar as energias: “Healing”, arranjo do Jonne Valtonen da faixa que estreou como “Select Screen” no A Link to the Past, figurando no Ocarina of Time com o título “Great Fairy’s Fountain”.

Sinceramente? Talvez nunca tenha externado por aqui, mas dentro da minha limitada experiência da série, não me conformava como uma música tão icônica, que me fazia demorar um bocado para começar a jogar, passasse batido pelas partituras oficiais no passado. Mal comparando, seria como se, por cerca de 20 anos de existência, só agora fosse arranjada a “Prelude” do Final Fantasy. Especialmente porque a composição é incrivelmente simples, profundamente tocante.

A simplicidade da melodia favorece a criatividade, ainda mais com o tempo de um segmento inteiro para trabalhar. As notas cintilantes do piano de Benyamin Nuss, interpolados com o pizzicato dos violinos, o solo de flauta e o crescendo da orquestra formam uma peça encantadora, que termina com sutil participação das cordas e das trompas.

Só lamento a deficiência da única gravação completa do número no YouTube. Além de a tomada da câmera não favorecer a visibilidade da orquestra, há um ruído de fundo. Quem sabe um dia não possamos escutá-la com a qualidade que a performance merece…

-“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)”
Original: “Select Screen”

Composição: Koji Kondo
Arranjo: Jonne Valtonen
Piano: Benyamin Nuss

Novidades do programa do Symphonic Odysseys; confirmadas suítes de Final Fantasy e Lost Odyssey


Por Alexei Barros

O produtor Thomas Boecker concedeu entrevista ao SEMO acerca dos seus dois projetos de 2010, LEGENDS e Symphonic Odysseys, comentando a experiência do primeiro e divulgando novas informações interessantes do outro.

Depois de dedicar vários posts ao LEGENDS, eu planejava escrever um extenso texto semelhante ao do Symphonic Legends, comentando número por número, inéditos e reprises, mas a quantidade pífia de gravações amadoras decepcionou profundamente: até agora ninguém teve a bondade de subir no YouTube segmentos completos de Star Fox, Kirby, Pikmin e Super Metroid, além dos quatro minutos adicionais no poema sinfônico de Zelda. Daí caio em um dilema: esperar por uma gravação em áudio completa da plateia que nunca poderá vir à tona ou publicar o pouco que saiu em posts avulsos, com a ameaça de algum registro e repetir opiniões? Está mais para a segunda opção mesmo…

Quanto ao Symphonic Odysseys, marcado para o dia 9 de julho, muitas certezas e as minhas tradicionais especulações:

- A fanfarra de abertura assinada pelo Nobuo Uematsu terá o dedo do Jonne Valtonen não só no arranjo e na orquestração, como se imaginava, mas também na composição;

- À moda do Symphonic Fantasies, haverá uma suíte de Final Fantasy de cerca de 15 minutos de duração que não é baseada em um jogo específico, abordando um contexto mais amplo. Roger Wanamo, que ajudou Valtonen na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, é o responsável pelo arranjo. Em julho mais informações serão comunicadas. Por ocasião do Symphonic Fantasies, Nobuo Uematsu se mostrou admirado pelo experimentalismo da “Fantasy II: Secret of Mana”, apesar de a “Fantasy IV: Final Fantasy” já ser um bocado. Creio que desta vez muito mais;

- Ainda sobre Final Fantasy, estão confirmadas músicas avulsas da série. Não preciso nem dizer que gostei do que Boecker disse: “Eu acho que não é muito surpreendente que estamos nos concentrando em músicas que não foram executadas ainda e, se isso acontecer, ofereceramos um panorama diferente.”

- O título do concerto não foi escolhido aleatoriamente. Bem como Final Fantasy, Lost Odyssey terá uma suíte de 15 minutos, sendo que o arranjador é o Jonne Valtonen. Aparentemente, Lost Odyssey possuirá uma parte maior do programa do que Blue Dragon, jogo também da Mistwalker para Xbox 360 que costumava estar lado a lado em quantidade, como no Orchestral Pieces. Fico sonhando com “Light of Blessing ~ A Letter”;

- Falando de forma mais abrangente, “o concerto irá refletir as diversas facetas da musicalidade de Nobuo Uematsu”. Não acho o Nobuo Uematsu extremamente versátil, mas é fato que ele já assinou músicas em muitos estilos diferentes (pop, celta, techno e composições influenciadas pelo período clássico), o que deve garantir boa diversidade ao set list. Torço para que entre essas facetas representadas esteja o rock, porque imagino que faixas como “Those Who Fight Further” (FFVII), “Otherworld” (FFX) e até algumas da trilha do Lord of Vermilion renderiam fantásticas releituras 100% sinfônicas;

- Comparado com o Symphonic Fantasies, o Symphonic Odysseys será mais suave, realçando a capacidade do compositor de emocionar com melodias ricas e melancólicas. Nobuo Uematsu é uma pessoa bem-humorada, e o concerto levará isso em conta – suponho que com piadas como a falsa entrada da “One-Winged Angel” na “Fantasy IV: Final Fantasy”;

- Alguns jogos do programa são bastante exóticos, como é o caso do confirmado King’s Knight. Embora infinitamente mais difundido, The Last Story  nem sequer foi lançado no ocidente e é uma escolha inusitada. Espero que caiba na categoria alguma coisa do SaGa, SaGa 2: Hihou Densetsu, Rad Racer, Rad Racer II e Front Mission: Gun Hazard;

- O Symphonic Odysseys fechará a tetralogia de concertos Symphonic da WDR Radio Orchestra, mas é certo que a orquestra tocará game music em 2012.

[via SEMO]


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