Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.

ABERTURA

01 – “Opening Fanfare”

Composição: Nobuo Uematsu e Jonne Valtonen
Arranjo: Jonne Valtonen

Pelo que notei nos Symphonic anteriores, só é usada uma música de jogo para a fanfarra de abertura quando já existe uma composição com tal característica, como foi a absoluta “Grand Monster Slam (Opening Fanfare)” no Symphonic Shades e a “Lylat Wars and StarWing (Toward the Celestial Sphere)” (referente ao Star Fox) no LEGENDS, que é uma espécie de spin-off da série de concertos alemã inspirado no Symphonic Legends. Não me recordo de nenhuma faixa do Uematsu para um jogo que pudesse ser aproveitada, por isso foi natural a ideia que o homenageado escrevesse uma música especialmente para a ocasião, contando com a cocomposição e arranjo de Jonne Valtonen. O resultado é mais feliz do que a “PLAY! Opening Fanfare”, criada por ele para a abertura das apresentações da turnê: em fanfarras, a utilização dos metais costuma ser muito mais incisiva, mas, no lugar, as madeiras e flautas se destacam mais do que os trompetes – uma suavidade que norteou o concerto. O fraseado das cordas logo do início que se repete na faixa com outros instrumentos e com variações atinge o momento mais esplêndido quando as flautas e o piano tocam juntamente. Três minutos de puro encanto.

O PASSADO NA SQUARE


02 – “Final Fantasy (Concerto for Piano and Orchestra)”

I. Grave – Allegro
Originais: “Opening Theme” (FFVI) ~ “Prelude” ~ “Main Theme” (FFI) ~ “Battle Scene 3” ~ “Battle Scene 2” ~ “Battle Scene 3” ~ “Battle Scene 2” (FFII) ~ “Main Theme” (FFI) ~ “Opening Theme” (FFI) ~ “Opening Theme” (FFVI)

II. Adagio Cantabile
Originais: “Aria de Mezzo Carattere” (FFVI) ~ “The Boundless Ocean” (FFIII) ~ “Aria de Mezzo Carattere” (FFVI) ~ “The Boundless Ocean” (FFIII)

III. Allegro Molto
Originais: “The Dreadful Fight” (FFIV) ~ “The Fierce Battle” (FFVI) ~ “The Dreadful Fight” (FFIV) ~ “Clash on the Big Bridge” (FFV) ~ “The Fierce Battle” (FFVI) ~ “The Dreadful Fight” (FFIV) ~ “The Unforgiven” (FFVI)

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Roger Wanamo

Atendendo ao desejo de Nobuo Uematsu ouvir mais arranjos de trabalhos antigos, o enfoque do concerto para piano é nos seis primeiros capítulos da série. Em tese, circunscrever um sexteto de jogos em um segmento é muito quando, até então, costumava-se confinar os três títulos iniciais em medleys. Além disso, a “Fantasy IV: Final Fantasy” do Symphonic Fantasies, embora possua muitos pontos altos, parece mais um medley do que uma suíte, porque não teve o mesmo senso de unidade de Kingdom Hearts, Secret of Mana e Chrono, já que são trilhas com estilos muito diferentes, em especial comparando as faixas do FFVII (“Those Who Fight” e “Bombing Mission”) com as demais (“The Mystic Forest” do FFVI e “Clash on the Big Bridge” do FFV), que correspondem ao período aqui homenageado.

A solução encontrada por Roger Wanamo foi dividir a suíte em três movimentos, abrindo e fechando miniarcos narrativos que não interagem entre si, mas formam um todo muito coerente. E, se havia algum receio por novamente ver muitos jogos em um mesmo número, em vez de uma suíte enfocada em um capítulo específico, o temor caiu instantaneamente, à medida que me embevecia ao reconhecer as melodias da minha fase preferida do Nobuo Uematsu em um arranjo intricado e complexo – repare que foi necessária a presença de uma pessoa ao lado esquerdo de Nuss para virar as páginas da partitura sem interferir na performance. Para completar, a estima que tinha da suíte, que já era elevada (é o meu número favorito do Symphonic Odysseys), ficou ainda mais por conta de um detalhe que você saberá em instantes.

Contribuiu para tanto a preferência nas seleções por Final Fantasy VI, que respingou nos três movimentos. De cara, ouvir a “Opening Theme” foi uma trovoada de nostalgia, com a tradução dos timbres de órgão de tubo e coral para o impacto da orquestra. Quando entra Benyamin Nuss cintilando o tema de abertura nas teclas do piano eu me pergunto: como ninguém pensou nisso antes? Este excerto estranhamente não foi aproveitado na “Opening Theme~Terra” do Final Fantasy VI Grand Finale. Bem ao fundo, as cordas acompanham e dão continuidade ao clima perverso que rodeia a música. A ponte de madeira, as montanhas de gelo: “Long ago, the War of the Magi reduced the world to a scorched wasteland, and Magic simply ceased to exist.” Como não se arrepiar?

Enquanto isso, Nuss executa pausadamente o tema principal da série e, na sequência, retorna para “Opening Theme”. O trompete com surdina e as flautas encerram a peça com o piano, antes do ponto na original em que entraria a melodia que conhecemos por “Terra”. Abdicar de um tema tão popular, mas muito batido, foi a melhor opção. De maneira direta, sem enrolação, a harpa toca a “Prelude”, interligando com a “Main Theme”, que se ouve no mapa-múndi do primeiro Final Fantasy. Mesmo já arranjada duas vezes (estreando na “Scene V ~Prelude~” do Symphonic Suite Final Fantasy e depois no “Final Fantasy I-III Medley” do 20020220), o espírito aventureiro da faixa ficou melhor do que nunca.

De súbito, a participação de Nuss fica muito mais contundente até que… PARA TUDO! Como comentado neste post, o álbum All Sounds of Final Fantasy I • II não só traz a trilha original dos dois primeiros FF, como quatro faixas não aproveitadas. Pois bem: uma destas, a “Battle Scene 3”, que corresponde ao FFII e não está na versão final do jogo, é a música que toca em seguida, alternando com a próxima – quem poderia imaginar que arranjariam as descartadas? A “Battle Scene 2” ficou caótica, ombreando e quiçá superando a versão do Shiro Hamaguchi no “Final Fantasy I-III Medley 2004” no Tour de Japon, graças às soberbas passagens pianísticas – a “Scene II” nem precisava se esforçar muito. A “Main Theme” regressa ainda mais majestosa, unindo-se à “Opening Theme” do FFI (música que se tornaria o tema principal da série). E, para fechar o primeiro movimento, a “Opening Theme” do FFVI ressurge em seu momento de maior mistério.

O interlúdio é o mais emotivo, iniciando com a “Aria de Mezzo Carattere”, que compartilha parte da melodia com a “Celes”. Rapidamente Nuss transita para a singeleza de “The Boundless Ocean”, recebendo o reforço de uma flauta. Outros instrumentos de sopro e as cordas se ajuntam no crescendo da orquestra. Com a maior naturalidade volta a “Aria de Mezzo Carattere”, que, por razões óbvias do contexto do jogo, sempre foi executada por um solo de soprano. Aqui as cordas é que tocam a melodia, com enfeites do piano. Uma pausa para as cordas reproduzirem um trecho exclusivo da “Aria de Mezzo Carattere”, referente à ópera, que não aparece na “Celes”), com o piano forte em seguida. A flauta relembra a “The Boundless Ocean”, seguida por solos de violino, viola, violoncelo e finalmente o clarinete.

O mesmo chofre da abertura vale para o início do terceiro movimento, com o tema de chefe “The Dreadful Fight” – enfim, FFIV –, executado, pela primeira vez na história dos concertos, com a onipotência da orquestra. Nuss, que não tocou a parte anterior, surge com a “The Fierce Battle” do FFVI, interpolando com a orquestra. “The Dreadful Fight” volta na sequência da melodia, e as alternâncias entre piano e orquestra são ainda mais velozes e espetaculares. No piano Nuss toca um trecho muito familiar da “Clash on the Big Bridge”, saltando a introdução da original, e aproveitando a rapidez da progressão de acordes, como nesta parte. Mesmo que a faixa já tenha aparecido na “Fantasy IV: Final Fantasy” (em outra abordagem, com coral, e incluindo a mencionada introdução), não é exagero uma nova aparição, afinal o tema de combate nunca tinha sido orquestrado antes do Symphonic Fantasies. “The Fierce Battle” e “The Dreadful Fight” são retomadas para a conclusão da suíte, com uma breve alusão à “The Unforgiven” no final.

Há uma mescla equilibrada de temas conhecidos por concertos antigos e outros nunca arranjados anteriormente – a maioria, na verdade. Falando do primeiro caso, a “Matoya’s Cave” já foi arranjada duas vezes, primeiro na “Scene III” e mais tarde no “Final Fantasy I-III Medley”, mas não acharia exagero uma nova releitura, visto que a composição tem o significado especial de ser a primeira música do Nobuo Uematsu tocada em um concerto, o que é mais interessante, em uma apresentação do Koichi Sugiyama, como informa o Wikipedia japonês. Nada muito sério, entretanto. Das intocadas, penso que “Dungeon” do FFI ou a “Magician’s Tower” do FFII combinam com piano e o terceiro movimento me fez renascer a esperança de um dia ouvir a “The Decisive Battle” do FFVI em arranjo profissional. Mas uma coisa de cada vez. Ainda que existam tantos outras, as seleções me agradaram sobremaneira, bem como a ordem com que as faixas foram concatenadas, fugindo dos clichês de abrir com a “Prelude” e fechar com o tema principal da série. Simplesmente memorável o arranjo do Roger Wanamo.

03 – “King’s Knight (A Pretty Day Out)”
Originais: “Opening” ~ “Field” ~ “Dungeon” ~ “Victory” ~ “Dungeon” ~ “Field” ~ “Dungeon”*
*nomes das faixas não oficiais

Arranjo: Jonne Valtonen
Letra: Mikko Laine

Inicialmente lançado em 1986 no Japão para Famicom e MSX, foi programado pelo desconhecido estúdio Workss e publicado pela Square, aportando em 1989 nos EUA. Único jogo precedente a Final Fantasy no programa, King’s Knight é o único não RPG e a escolha mais obscura do concerto, tendo sido arranjado uma vez, por Shogo Sakai, com uma aparição da “Field” no medley de composições antigas do Press Start 2008.

Mesmo com músicas tão simples, Valtonen é capaz de empregar uma sofisticação ímpar sem dificultar o reconhecimento das melodias. Utilizando o pequeno instrumento de sopro chamado kazoo, o coral confere uma interpretação pitoresca da “Opening”. Alternadamente com o coral, a orquestra toca a “Field”, aumentando cada vez mais a velocidade da variação, em um trecho que exprime com precisão a natureza de rolagem vertical automática do jogo – é como se o herói tentasse continuamente seguir em sua missão, mas tem um obstáculo no caminho que impede de avançar. As trompas seguem executando o tema, com uma orquestração de muita riqueza (repare na breve intervenção da flauta). Os trechos em que os metais tocam em conjunto com a percussão conferem o clima de heroísmo perfeito com o jogo. O coral volta com os kazoos, e o uso do flexatone mostra uma iminente ameaça capaz de tremer os ossos: os ambientes subterrâneos. Desta vez cantando, o coro apresenta o perigo da “Dungeon” de forma extraordinária. A fase terminou como informa a “Victory” tocada pela orquestra, e a “Dungeon” volta ainda mais épica com o coral. A “Field” é reforçada pelas vozes do coro, incluindo as alternâncias com a orquestra. A “Dungeon” novamente aparece e fica encarregada de terminar grandiosamente.

04 – “Chrono Trigger (Silent Light)”
Original: “Silent Light”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen
Letra: Mikko Laine

O Symphonic Odysseys não é tão polêmico quanto o Symphonic Legends, que trouxe algumas releituras que podem não ser de agrado do grande público, mas se há um segmento que tem potencial para causar discórdia e opiniões adversas é este. Em parte, isso é causado pela expectativa de ouvir um arranjo com a mesma sonoridade dos anteriores, já que, no Chrono Trigger, as nove composições do Uematsu se agregam à trilha de maneira uniforme com o trabalho do Yasunori Mitsuda, em seu jogo de estreia como compositor. Sem os créditos, seria até difícil de saber a autoria das faixas. Como a participação do Uematsu ocorreu por acaso – quando a úlcera de Mitsuda se agravou, teve de interromper as férias a pedido de Hironobu Sakaguchi –, não é normal tocarem algumas das nove em concertos oficiais. De fato, é a primeira vez que isso acontece.

A princípio, na transmissão, o arranjo não me cativou o quanto esperava, confesso, muito por conta da supracitada expectativa. Ao lembrar o momento em que a “Silent Light” toca, quando a trupe de personagens entra em uma igreja amaldiçoada, a decisão de abrir mão da orquestra e enfocar o arranjo no coral meu pareceu adequada, ao menos foi a minha interpretação. A própria etimologia do termo que designa a ausência de acompanhamento instrumental, “a cappella”, tem como origem no canto gregoriano, praticado em muitas ocasiões nas capelas adjuntas às igrejas. Voltando duas faixas antes na trilha, é possível perceber a intenção de ambientar uma catedral ainda mais evidente: “Manoria Cathedral” e “A Prayer for the Wayfarer” (ambas do Mitsuda).

Mais do que nunca, a peça evidencia o talento de Jonne Valtonen para a escrita de música coral, explorando todas as nuances dos quatro naipes de vozes. As mulheres começam o canto e entram os homens. Adiante, cantam sopranos, contraltos, tenores e baixos, respectivamente, em rápida interpolação. Depois de novas alternâncias, termina a primeira rendição da melodia. O breve solo do tenor Kwon-Shik Lee irrompe, com a entrada do canto feminino e depois masculino. Daí em diante a peça fica cada vez mais imponente, assustadora e sombria. É um arranjo um pouco mais difícil de compreender do que o normal, mas o resultado final é assombroso.

05 – “The Final Fantasy Legend and Final Fantasy Legend II (Main Theme and Save the World)”
Originais: “Main Theme” ~ “Save the world” ~ “Main Theme”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen

A série SaGa nasceu para aproveitar a ascensão do Game Boy no final da década de 1980, e seu criador, Akitoshi Kawazu, convocou Nobuo Uematsu porque queria uma sonoridade similar aos dois primeiros Final Fantasy – Makai Toushi SaGa foi lançado em 1989, no ínterim de FFII e FFIII. De início, o compositor demorou a se acostumar com o hardware diferente, mas pôde desfrutar do som em estéreo. São 15 faixas, e a “Prologue” e a “Main Theme” fizeram parte do medley do Press Start 2008 mencionado acima. Na sequência, SaGa 2 Hihou Densetsu (1990), ajudou o então novato Kenji ito, que sentiu muita pressão na época logo em seu trabalho de estreia na Square. Uematsu assinou dez músicas e Ito nove da trilha que pode ser considerada ainda mais inspirada que do predecessor. Como é sabido, os títulos foram lançados como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II nos EUA.

Foi selecionada uma faixa de cada jogo para a suíte. O uso dos trompetes e das trompas na abertura, de forma similar a uma fanfarra, remete a John Williams (uma das inspirações de Nobuo Uematsu). Na companhia das cordas, os metais conseguem transmitir perfeitamente o senso de heroísmo da original, com a habitual orquestração suntuosa de Valtonen. Aos poucos, a suíte parece querer alertar para um perigo iminente, a preparação do terreno para o frenético tema de batalha “Save the world”. Os trombones iniciam a melodia, que é continuada pelas madeiras, mantendo a velocidade e a empolgação de diálogos da sintetizada – repare que, simultaneamente, as trompas tocam a “Main Theme”. As flautas seguem a música, enquanto as cordas se mantêm no pizzicato. Na desaceleração, as cordas regressam em um novo momento de orquestração rica. A peça transmite a ideia que a batalha foi vencida, e os metais, com bastante peso, relembram a “Main Theme”, que funciona praticamente como um tema da vitória até o pomposo desfecho. O arranjo cumpriu a minha expectativa e confirmou a sensação que as faixas soariam fantásticas orquestradas. Não deve ser a vontade de muita gente, mas a suíte, que ficou de boa duração, poderia até se estender um pouco, porque imagino como ficariam faixas tais quais a aventureira “Searching for the Secret Treasure” com semelhante orquestração.

06 – “Final Fantasy X (A Fleeting Dream)”
Original: “A Fleeting Dream”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Roger Wanamo
Letra: Mikko Laine

Ausente do Symphonic Fantasies, FFX apareceu em dois segmentos avulsos, ambos com envolvimento do Masashi Hamauzu. Aqui, participação indireta: a atmosférica “A Fleeting Dream”, que possui a base da melodia no tema vocal “Suteki da ne”, teve como arranjador o músico alemão na trilha original. Não é porque o arranjo implementa coral que a faixa ficou parecida com a “Suteki da ne”, garantindo a presença da bela melodia e fugindo da canção manjada. Em vez do pop, erudição: pouco após a introdução sombria da orquestra, a harpa e o clarinete servem de pano de fundo para o valioso solo da soprano Insun Min-Neuburger. Entram as mulheres do coral, depois os homens. Todo o coro canta, e a emoção aumenta. Na volta, a soprano recebe o reforço da contralto Carola Günther, do tenor Kwon-Shik Lee e do baixo Hee-Kwang Lee. Um quarteto magnífico. Um intermédio instrumental se destaca pelos solos de flauta e clarinete até o coral retornar mais poderoso ainda, crescendo progressivamente. Depois disso, um final singelo com as madeiras. O grito eufórico da plateia após a performance mostra como agradou o arranjo, que adota um estilo alternativo aos do Shiro Hamaguchi nos concertos da série: nem sempre o coral precisa ser bombástico como uma “Liberi Fatali” da vida.

O PRESENTE COMO FREELANCER

07 – “The Last Story (Spreading Your Wings)”
Original: “Toberu mono (Instrumental)”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jani Laaksonen

The Last Story é um trabalho atípico do Nobuo Uematsu por imitar o estilo hollywoodiano, mas algumas faixas ainda seguem a conduta melódica que lhe é característica, e uma destas é e a escolhida que emocionou desde o primeiro sample no site oficial do jogo. Por este prisma, é curiosa a decisão de não escolher uma música de ambiência do jogo mais recente, nem sequer lançado no ocidente: ainda que muito provavelmente não ficasse interessante no concerto, uma música hollywoodiana como, por exemplo, a “Theme of The Last Story”, poderia mostrar outro lado da musicalidade de Uematsu que não esteve representado no Symphonic Odysseys. Apenas uma conjectura, não necessariamente uma vontade.

A emotividade da faixa pedia por uma orquestração completa: na original, apenas o violino é de verdade, com todo o restante da sinfonia sintetizada. Se antes se destacava um timbre de oboé na primeira interpretação da música, Jani Laaksonen conferiu um rebusque maior, estabelecendo um diálogo entre violoncelo e violino. As flautas aparecem rapidamente e, com a harpa, o violino se destaca. Depois da grandeza contida, o diálogo é retomado, e a flauta e as cordas entram mais incisivas. A hora em que entra o solo de violino na original com a harpa ganha o colorido dos clarinetes nesta versão. A orquestra toma uma proporção grandiosa e, depois do impacto, solos alternados de violoncelo, violino e a participação das flautas. O solo de violino no final do spalla Juraj Cizmarovic é algo lancinante.

08 – “Final Fantasy XIV (On Windy Meadows)”
Original: “On Windy Meadows”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen

Confissão: a “On Windy Meadows” não está entre as minhas favoritas do FFXIV, mas, ao menos, não tinha sido tocada na turnê Distant Worlds. De todo modo, compreendo a escolha pelo estilo incomum da música andina. Como muito bem salientado no programa em alemão, foi no Lost Odyssey que começaram os primeiros experimentos de Uematsu no gênero, por músicas como “Neverending Journey”. No The Last Story tem também outra investida, a “Pub for Gathering”.

Em qualquer outro concerto, a primeira parte da faixa seria reproduzida por um grupo folclórico de musicistas à parte da orquestra. A graça do Symphonic Odysseys, por assim dizer, é reproduzir a sonoridade do charango e da quena com os instrumentos normais da orquestra, tipo de desafio que é perfeito para Valtonen, que manifesta a sua criatividade em ações inusitadas. Os contrabaixistas usam o próprio corpo do instrumento como percussão e a pianista puxa as cordas do interior do piano. Enquanto as cordas são beliscadas, as madeiras fazem a vez da quena, com o suporte dos bongôs tocados com baquetas. Chegada a segunda parte fica fácil, com a magnitude expressa pela orquestra, com destaque para as trompas. Regressa a seção andina brevemente, com ênfase nos violoncelos. A outra metade retoma a peça e, após o crescendo, um fulminante solo de viola, seguindo para a apoteose da orquestra. A performance fica mais pesada com o uso contundente da percussão, encerrando com uma variação do trecho andino.

09 – “Blue Dragon (Waterside)”
Original: “Waterside”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen

A “Waterside” é um solo de piano profundamente singelo e tocante que originou na trilha original a “Waterside ~for Piano and Orchestra~”, a primeira faixa de Uematsu composta como concerto para piano. Ambas foram executadas no Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, e uma nova versão não é demais, porque é diferente das duas. O detalhe é que o arranjo de Jonne Valtonen é baseado na “Waterside” somente, ensejando muito mais liberdade pela simplicidade de um só instrumento. O finlandês abdicou das madeiras, dos metais, da percussão e até mesmo do piano para se concentrar nas cordas.

Ouve-se apenas o início da música e parece que as cordas querem exprimir a afluência das águas de um rio. De pé (a posição adequada para músicas mais difíceis), Juraj Cizmarovic executa pungentemente a “Waterside”, enquanto, lá no fundo, um violoncelo responde. Todas as cordas se ajuntam para ficar ainda melhor. Após um breve suspiro, é a vez do cello solar, e a música ganha cada vez mais comovência. Nova pausa e Cizmarovic repete a simulação dos movimentos aquáticos do início no violino, encerrando com uma sustentação do arco no instrumento que mostra a sua técnica admirável. Sublime!

10 – “Lost Odyssey (Suite)”
Originais: “Main Theme” ~ “A Mighty Enemy Appears!”“A Sad Tolten” ~ “Dark Saint” ~ “Light of Blessing ~ A Letter” ~ “Main Theme”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Jonne Valtonen
Letra: Mikko Laine

Para mim, merecido o tratamento conferido à trilha do RPG da Mistwalker lançado em 2007 para Xbox 360, não só o jogo com mais tempo de programa do concerto depois da série Final Fantasy, como emprestando o nome para o espetáculo. E com uma escolha de faixas muito melhor que a do Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, que, das selecionadas, tocou somente a “A Mighty Enemy Appears!” e a “Main Theme”, esta que costumava aparecer no Play! A Video Game Symphony também como dito anteriormente.

Mesmo que o segmento esteja classificado e siga a estrutura de uma suíte, eu senti certa similaridade na abordagem inspirada no período romântico do “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)”. A “Main Theme” abraça a suíte na abertura e no encerramento, com outras breves lembranças; no decorrer da peça há dois temas de combate intercalados por dois temas sentimentais. Para estabelecer conexões coerentes entre as faixas, Valtonen também compôs trechos adicionais.

A “Main Theme” apresenta o mesmo sentimento da original, de uma jornada extenuante, com toques de tristeza. Há um trabalho mais bem elaborado nas madeiras, prevalecendo a percussão e sem os efeitos eletrônicos, evidentemente. Diferença maior é a adoção do coral: na original, era apenas o solo vocal da Yurie Kokubu. Depois de uma entrada forte do coro, o clima se acalma, lembrando um pouco a trilha de Halo. A dissonância da harpa, seguida pela flauta e flautim é uma transição feita por Valtonen até o impacto explosivo da “A Mighty Enemy Appears!”, com uso pesado da percussão e uma nova intervenção do coral, sucedida pelas cordas – pena não ter sido aproveitado aquele trompete estridente da original. A parte que se segue, entre diferentes solos dos instrumentos e o pizzicato das cordas, é a que mais me trouxe memórias do poema sinfônico. Depois de tanta tensão e nervosismo, volta a tranquilidade com um excerto de ligação de Valtonen nas cordas, momento em que se ouve a flauta tocando a “Main Theme”. A exemplo da original, o oboé de “A Sad Tolten” transmite toda a melancolia, com as cordas de fundo. Aparece com mais vigor e abre espaço para as flautas e o flautim. Como novidade, a inserção do coral – em dado momento, as mulheres entoam a “Main Theme”.

Hora de voltar para a batalha, com a brutal “Dark Saint”, infelizmente abreviando aquela introdução poderosa no piano. O maior destaque na original é a maneira com que a guitarra distorcida do Satoshi Henmi interage com a orquestra. Ao vivo, em uma sala de concerto, onde o som dos instrumentos não é amplificado, a guitarra tende a acobertar a orquestra – também não é intenção da produção simplesmente imitar a original. No arranjo, não há um instrumento que faça a vez da guitarra, mas o coral canta a parte que corresponde ao solo de guitarra. Pouco depois, na original, entra o coral mesmo, e a novidade é que o trecho cantado possui letra. A “Dark Saint” acaba no ponto alto, sem a referência àquele estupendo desfecho do piano.

Depois da turbulência, uma nova composição de Valtonen apresenta coral suave e o anúncio do êxito nos metais. A pausa foi boa para respirar fundo, porque sabia que a faixa que vinha a seguir era um dos momentos que mais aguardava do concerto: “Light of Blessing ~ A Letter”. O que me fascina na original é a maneira sutil com que o órgão aparece na introdução, as cordas brandas se apresentam, as madeiras… uma pintura. Na original, o coral entra suave cantando “Uuuh” com mais de um minuto de música e se despede rapidamente. Nesse sentido, a rendição de Valtonen vai direto ao ponto rápido demais: além de descartar os 11 segundos iniciais da introdução do órgão, o coral foi adiantado para o trecho em que apareciam somente as cordas na original, proferindo a letra escrita por Mikko Laine. O excerto seguinte, que era instrumental, ficou mais bombástico no arranjo por conta da utilização do coral, e acaba no belo excerto das flautas (sem coro como na versão do jogo), antes do solo de piano da original. Ainda prefiro a solenidade da original do que a pompa do arranjo, mas a versão do Valtonen é eminente.

Um solo de trompete recupera a “Main Theme”, continuada por um violoncelo. A coral retoma a performance em um novo trecho com letra, em interpretação mais grandiosa do que nunca da “Main Theme”, e forte participação do tímpano. O desfecho lembra um pouco a “Fantasy II: Secret of Mana”. Depois do final, ainda tem mais, como se você avistasse algo se afastando no horizonte: se no Symphonic Fantasies eram partituras tremuladas, aqui centelham os sons dos pratos de dedo (instrumento mais utilizado para a prática da dança do ventre, acredite você), que equipavam cada um dos integrantes da orquestra.

BIS

11 – “Final Fantasy X (Ending Theme)”
Original: “Ending Theme”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Masashi Hamauzu

Como o LEGENDS teve dois números para o bis, já imaginava que com o Symphonic Odysseys aconteceria o mesmo, e martelava na minha cabeça a dúvida de quais seriam as ditas surpresas.

Difícil de entender por que nunca os concertos de Final Fantasy tocaram a “Ending Theme” do FFX, como a versão do jogo é naturalmente orquestrada por Shiro Hamaguchi, bastando usar as partituras da trilha original. Na hora da transmissão, achei demasiada a preferência por FFX, falando por um gosto puramente pessoal, de quem não elege esta trilha uma das melhores da série. Mas a beleza do arranjo, somada à revelação de que a releitura era do Masashi Hamauzu, o que não esperava de forma alguma e tem uma significância especial por ele ter trabalhado na composição da mesma trilha, me convenceram de que não foi exagero FFX de novo, mesmo porque não teve nada no jogo no Symphonic Fantasies. Detalhe que a surpresa valeu também para Nobuo Uematsu: ele só soube que Hamauzu era o autor do arranjo em solo alemão, no ensaio final, e ficou maravilhado.

Hamauzu já havia feito um arranjo da “Ending Theme” na Piano Collections Final Fantasy X e foi além no Symphonic Odysseys ao alterar a estrutura da música, servindo como um medley alternativo do FFX. A “Ending Theme” original é formada pela abertura tristonha, o motivo da “Song of Prayer”, um entremeio no piano, o motivo da “At Zanarkand” e um desfecho esperançoso. Em vez de seguir esta ordem, Hamauzu pegou um trechinho do encerramento da original e antecedeu a “At Zanarkand”, com os característicos ornatos tão bem reproduzidos por Benyamin Nuss no piano – não sei como nem cogitei que fosse o Hamauzu o arranjador na hora do concerto. Pouco depois, entra a orquestra de uma maneira que lembra o arranjo do Shiro Hamaguchi da “At Zanarkand” para o Tour de Japon. Mas a similaridade acaba aí: a “Song of Prayer”, que aparecia antes, vem agora, com um bom trabalho nos oboés e nas flautas. Outra diferença é que regressa a “At Zanarkand” , em outro trecho com fino acompanhamento da orquestra. A seção da abertura da original é relembrada rapidamente em uma passagem virtuosística, emendando na parte equivalente ao encerramento, com a entrada das flautas e cordas majestosas. Hamauzu ainda não se deu por feliz e escondeu uma alusão à “Main Theme” de Final Fantasy no piano. Genial! Detalhe: tudo isso com um minuto a menos que a original, muito mais enxuto.

12 – “Battle Tracks from Final Fantasy VII”
Originais: “Those Who Fight”“One-Winged Angel”“J-E-N-O-V-A” ~ “The Birth of God” ~ “Those Who Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Roger Wanamo
Letra: Mikko Laine

Sem FFVII no concerto até então, não poderia esperar por outro jogo no segundo bis, e a grande referência deste fan service é o Symphonic Fantasies. O detalhamento das faixas aí em cima mostra a estrutura básica, porque o arranjo variava de um tema para o outro muito rapidamente.

De maneira lépida, Benyamin Nuss toca a “Those Who Fight” em versão similar ao arranjo da “Those Who Fight” do Shiro Hamaguchi da Piano Collections Final Fantasy VII – a música inclusive vinha sendo usada como bis para a turnê que ele fez na Europa para promover o Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Mas logo a orquestra se junta… e o coral também, como na “Fantasy IV: Final Fantasy”. Há dois anos, foi um choque ouvir o tema de combate convencional com coro, tanto que afirmei sem pestanejar que se tratava de uma das melhores coisas que escutei de game music. Mesmo tendo ouvido diversas vezes, fui absorvido pela combinação, com as diferenças do piano em evidência, do andamento muito mais rápido e dos versos cantados em inglês e não mais em latim. A “J-E-N-O-V-A” aparece timidamente nas flautas – mais sobre a faixa adiante. A falsa entrada da “One-Winged Angel” aconteceu de novo, e aqui cabe um desabafo. Ao menos na apresentação que foi transmitida, o público estava comportado, acumulando a euforia para liberá-la no fim de cada segmento. Bastou reconhecer os segundos iniciais da “One-Winged Angel”, tocada bilhões de vezes em outras ocasiões, incluindo o próprio Symphonic Fantasies, para quebrar o protocolo e berrar tresloucadamente no meio da música.

Melhor é que veio outra piada, fazendo alusão à “Encore (Final Boss Suite)”. O percussionista Rony Barrak se ausentou desta vez porque não havia nenhuma faixa em que ele pudesse brilhar e mostrar a sua habilidade, mas o libanês esteve presente em espírito, com o início do solo de darbuka do Symphonic Fantasies reproduzido nos bongôs. Para a alegria de alguns e provavelmente tristeza da maioria que aparentemente só vai a concertos para ouvir a “One-Winged Angel”, o famoso tema da última batalha do FFVII apareceu somente em breves excertos ao longo do medley.

Em seguida, vem a “J-E-N-O-V-A”, que fora arranjada anteriormente pelo próprio maestro do concerto, Arnie Roth, para o Distant Worlds II. Com acompanhamento da bateria, a “J-E-N-O-V-A” utilizava os metais para reproduzir a melodia e o coral cantando apenas em vocalize. Embora a pegada jazzística de Roth esteja em plena sintonia com o meu gosto, não dá para negar que a versão do Roger Wanamo combina mais com o jogo, por causa da “One-Winged Angel” e pelo que foi feito com a “Those Who Fight”, com o coral de fato proferindo versos. A mistura do piano, das flautas, da percussão e a parte das cordas, que é sutil na sintetizada e quase ignorada no arranjo do Roth, está mais de acordo com a complexidade harmônica original. Mesmo com tudo isso, Wanamo ainda conseguiu enfiar referências à “Those Who Fight” no xilofone e no piano.

O apogeu é a “The Birth of God”, a única das quatro jamais arranjadas e talvez não tenha aparecido anteriormente em outra oportunidade porque o grande público só quer saber de “One-Winged Angel”. Com coral, ficou soberba – eu ainda tento escutar esta parte sem não me arrepiar. Ao mesmo tempo, os trompetes tocam parte da “One-Winged Angel”, aliás. Para fechar, “Those Who Fight” volta para o coral, alternando com a “One-Winged Angel”. Não era intenção incluir todos os temas de batalha do FFVII, mas quando Arnie Roth anunciou o segundo bis eu pensei instantaneamente na “Those Who Fight Further”, o rock do combate contra chefes que não foi aproveitado.

À sombra da fantasia, o fim de uma lendária odisseia

Como adiantado por Thomas Boecker na entrevista precedente ao concerto ao SEMO, a experiência total do Symphonic Odysseys é mais suave que o Symphonic Fantasies, enaltecendo a capacidade do compositor de criar melodias emocionais. Felizmente, isso aconteceu com “Waterside”, “The Boundless Ocean” e “Toberu mono (Instrumental)” e não as manjadas, como “Theme of Love”, “Terra”, “Aerith’s Theme” e “Eyes on Me”. Aliás, a seleção de faixas dentre os jogos selecionados, no geral, foi espetacular, cobrindo algumas das minhas favoritas de todos os tempos, como “The Dreadful Fight”, “Save the world” e “Light of Blessing ~ A Letter”; as músicas ausentes que citei eventualmente resultam de um gosto de quero mais que os arranjos deixam na boca, ou melhor, nos ouvidos.

Com isso, hora de fazer um balanço geral. A tetralogia iniciada com Chris Huelsbeck, seguida por Square Enix e Nintendo e encerrada com Nobuo Uematsu trouxe um novo padrão de qualidade dos concertos de games, com releituras requintadas que fazem muitas vezes arranjos de outras produções soarem simplórios demais. O Symphonic Odysseys aproveitou o progresso conquistado pelos predecessores, e provavelmente é o ápice desta escalada. As duas suítes são herança do Symphonic Fantasies; a de Final Fantasy aproveita o conceito de concerto para piano do Symphonic Shades e a de Lost Odyssey reflete as inspirações românticas do poema sinfônico do Symphonic Legends.  E não ficou no mais do mesmo, implementando um segmento a cappella e outro concentrado nas cordas. Imagine então o que pode ser feito a partir daí, em um futuro talvez não muito distante? O Symphonic Odysseys ainda não esgotou Final Fantasy e muito menos Nobuo Uematsu. Com tanta coisa boa, um novo concerto tributo para alguém tão talentoso não seria exagero.

Trato o lançamento do CD do Symphonic Odysseys como uma consequência natural, pois já foram publicadas músicas da Square Enix e Mistwalker em um mesmo álbum anteriormente. O único empecilho é o tempo, pouco mais de 90 minutos – para caber somente  em um disco alguns segmentos precisariam ser cortados. Além disso, o advento do álbum é necessário: dada a natureza experimentalista dos arranjos, como Chrono Trigger, Final Fantasy XIV e Lost Odyssey, que usam sons com volume muito baixo que não puderam ser totalmente escutados na transmissão, seria possível entender melhor o efeito almejado com uma mixagem apropriada. Afinal, toda odisseia precisa ser conservada para seguir adiante e transcender gerações.

Muito grato ao produtor Thomas Boecker pelos esclarecimentos, informações e detalhes.

[Imagens em cores: Philippe Ramakers; imagens em preto e branco: Klaudius Dziuk]

10 Responses to “Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu”


  1. 1 Radical Dreamer 22/07/2011 às 6:28 pm

    Excelente post como sempre Alexei, extremamente detalhado e completo. Sempre gosto de ler seus relatos e opiniões, visto que são sempre feitos com o maior zelo possível.

    Quanto ao concerto, só posso recobrir de elogios. Além de ter sido agraciado com a possibilidade de estar presente no evento, fui como todos presenteado com uma apresentação digna do poderio artístico da game music, com a produção soberba de Thomas Boecker e seu time de arranjadores, e, é claro, a música de Nobuo Uematsu.

    Minha peça favorita também foi o concerto para piano dedicado a Final Fantasy, e assim que ela terminou soube que já seria assim. O momento inicial com Final Fantasy VI foi surpreendente, dramático, a primeira de muitas ótimas surpresas. Quando entra o tema principal da série por cima, não consigo deixar de ficar arrepiado, é simplesmente épico! Como se o primeiro movimento já não fosse sensacional na seleção de faixas antigas, vem o segundo com a entrada sublime de “Celes” após a já fantástica “The Boundless Ocean”. Confesso que me emocionou fortemente, é o ponto alto do concerto para mim. E acabada tal obra-prima, entra Final Fantasy IV com “The Dreadful Fight”, de forma poderosa. Devastador.

    “King`s Knight” era a única que não conhecia no momento da revelação do concerto, mas posso dizer que seu arranjo se tornou um dos meus favoritos! Com melodia cativante e coral imponente, é extremamente memorável. Não soube muito bem o que pensar após ouvir a “Silent Light”, foi como se o vácuo deixado pela ausência da orquestra me incomodasse. No entanto, na performance da noite, já sabendo o que esperar, comecei a compreender melhor a mensagem que Valtonen queria transmitir, e, agora quando a ouço, me deleito com a sutileza e a atmosfera criada. Capta muito bem a melancolia e a intensidade emocional que permeia Chrono Trigger, e é igualmente um dos meus arranjos favoritos já feitos por Jonne Valtonen.

    “Final Fantasy Legend I-II” foi para mim o único número que deixou a desejar, a começar pela seleção. O tema principal não me parece muito mais que outro tema genérico de um RPG; se o objetivo era tentar dar unidade ao arranjo com um tema principal, não sei porque não escolher a “Prologue”, mais bela e presente em ambos os jogos. Melodias não faltavam. “A Fleeting Dream” ficou fantástica e poderosa, é emocionante ouvir a forma como se desenvolve e cresce; é como se a cada momento o herói se aproximasse do momento crucial que significa também o seu fim.

    As cordas em “The Last Story” estão tocantes, e o arranjo só me fez realimentar as esperanças de que um dia o jogo seja localizado aqui. Ainda não ouvi a trilha completa do Final Fantasy XIV (aguardo o lançamento oficial), mas sempre gostei da “On Windy Meadows”, e ouvi-la com uma flauta e orquestra só a tornaram mais bela e grandiosa. “Waterside” é um dos melhores arranjos de Valtonen, pois o trabalho nas cordas, além de exprimir muito bem a beleza do tema, realmente simulam o movimento das águas, criando uma atmosfera ímpar. Ouvir o arranjo ao vivo, com as cores azuis dançando ao fundo, foi sensacional.

    Tenho que admitir que a trilha do Lost Odyssey, embora amada pela grande maioria e considerada por ela uma das melhores trilhas de Uematsu, nunca me impactou da forma como a música de Final Fantasy, soando até mesmo menos memorável que Bue Dragon. Apesar disso, o arranjo de Valtonen é fenomenal, pegando o melhor que a trilha tinha a oferecer. Se criticava Valtonen por seus arranjos de temas de ação (como o arranjo de a “Fight to the Death” na suíte de Kingdom Hearts do Symphonic Fantasies, que por mais que eu tente não me agrada muito), tenho que reconsiderar após “A Mighty Enemy Appears!” e “Dark Saint”, tão frenéticas e excitantes como as originais. Os momentos do coral em “A Sad Tolten” e no tema principal estão poderosos, e o arranjo no todo só prova que Valtonen dominou o formato de suítes, entregando mais uma excepcional.

    Poderia copiar e colar o que foi dito sobre o encore do Final Fantasy X. Reação incial desfavorável, mas que mudou dada a seleção nova, a beleza da música e o arranjo de Masashi Hamauzu. Também não me conformo de não ter reconhecido Hamauzu como arranjador com passagens do piano tão características. Dada a ausência de Final Fantasy VII, também imaginei que seria o segundo encore, devido a sua popularidade. Apesar de ter estado presente para ouvir, ainda preferiria que fosse feita uma seleção de faixas nunca arranjadas, ainda que o tema de “Those Chosen by the Planet” esteja magnífico e macabro no coral. Se era para acabar com Final Fantasy VII, poderiam ter acabado com os temas de Cid ou Tifa.

    No final, depois de acabadas as longas e merecidas palmas, estava triste de ter que deixar o ambiente da Kölner Philharmonie. Exaurido e ao mesmo tempo excitado pela grande odisséia que tinha acabado de experienciar, queria continuar vivendo aqueles momentos de fantasia, que dominavam todos que também se retiravam, como se percebia pelo ânimo reinante ao final de tal obra-prima.

    E Alexei, não esqueci o combinado: como ainda estou viajando e não trouxe o cabo para ligar máquina fotográfica e PC, quando retornar ao Brasil te passo as fotos do Symphonic Fantasies, do Benyamin Nuss Plays Uematsu e da trilha do Final Fantasy IX assinadas!

    • 2 Alexei Barros 22/07/2011 às 11:06 pm

      Valeu pelas palavras, RD, muito agradecido! Esse detalhamento só foi possível pela transmissão em vídeo mesmo; do contrário, se fosse de uma gravação amadora não daria para ser minucioso. Aliás, modéstia à parte ou não, vi pelo Facebook alguns reports de pessoas que foram ao concerto e simplesmente disseram de maneira muito vaga coisas como “a suíte de Final Fantasy ficou excelente”, sem nem sequer mencionar uma dentre as faixas tocadas ou que mais chamaram a atenção – o que, obviamente, não é o caso do seu comentário que vale por um post! Ainda mais pode você ter comparecido em pessoa, afinal a experiência ao vivo é a melhor possível para tirar conclusões.

      De maneira geral, acho que concordamos em tudo, apenas uma coisa ou outra divergimos:

      – Faço as suas as minhas palavras sobre o impacto por FFVI no começo. Eu tremi nas bases em frente à tela do computador, imagino lá no Cologne Philharmonic Hall. Muito bem observado sobre a aparição do tema principal. Desde quando volta a “Main Theme” (a do mapa-múndi) até culminar no tema da série é algo fabuloso mesmo, a começar por aquele rufar do tímpano. Como disse no final, fiquei muito satisfeito que essa emotividade foi apresentada com a “Celes” e a “The Boundless Ocean”, porque a “Theme of Love” ou “Terra” já estão muito batidas. O mais curioso é que mesmo o Jonne Valtonen sendo o arranjador principal dos concertos, sempre os arranjos do Roger Wanamo (ou com envolvimento dele) se tornou o meu favorito: foi assim com o Chrono no Symphonic Fantasies (como coarranjador), com Super Mario Galaxy no Symphonic Legends e agora com a FF Suite no Symphonic Odysseys.

      – King’s Knight também me surpreendeu e se tornou um dos meus segmentos favoritos. Eu conhecia um pouco melhor somente o tema principal, como cheguei até a jogar um pouco, mas fiquei estupefato quando descobri como era o tema original da área subterrânea depois de ouvir o arranjo.

      – Incrível como sua opinião sobre Chrono Trigger foi ao encontro da minha. “Como assim, a orquestra não vai tocar?”, eu pensei. Nesse tuíte do Thomas não havia compreendido que a música utilizava somente o coral, e fiquei confuso na hora. Só depois é que deu para absorver mesmo – e espero que as pessoas em geral tenham a mesma paciência. Entrei no YouTube para ver os comentários quando, para minha surpresa, há duas declarações interessantes do próprio Jonne Valtonen!

      “The reason why this piece was arranged for choir only is that I REALLY wanted to showcase the human voice. Besides the more conventional singing there´s a lot of effects to extend the drama. (which unfortunately got somewhat buried in the noise coming from the fans of the lights). The music is interacting strongly with the lyrics, so by leaving the orchestra out, I wanted to grab the full attention of the listener to the story written.”

      “. I did think long and hard if I should write the orchestral extra “oomph” in there, but then it would´ve changed the aesthetics and the character of the piece to a totally different one imho. I also think that it would´ve made the the text quite unintelligeble and you´ve might´ve lost the fragility, which I think is present at the moment. I really love how the WDR rundfunkchor sang the piece and how Nicolas Fink, who rehearsed the choir, nailed the character of the piece spot on!”

      -O único segmento em que discordamos mais severamente é o Final Fantasy Legend I e II, pois foi um dos meus preferidos, sobretudo pela presença da “Save the world”, cujo arranjo eu acho que captou a empolgação da original, o que nem sempre acontece com músicas de rápida progressão de acordes. Concordo que a “Prologue” se encaixaria bem, mas repare que a “Main Theme” é, de certa forma, uma variação da primeira, com alguns trechos similares. Aliás, aprecio bastante a “Main Theme”… =( Embora goste mais até da “Searching for Secret Treasure”.

      – Você definiu perfeitamente a sensação que transmite o arranjo da “A Fleeting Dream”. Melhor versão possível da melodia da “Suteki Da Ne”.

      – Nada muito relevante a acrescentar sobre The Last Story e Final Fantasy XIV, a não ser por Blue Dragon: nem passou pela minha cabeça a escolha da cor da iluminação.

      – Sobre Lost Odyssey, acho que já discordamos anteriormente em relação à trilha original, hahaha… Quanto ao arranjo, mesmo com a exclusão de algumas partes dos dois temas de batalha que me agradavam (o solo estridente de trompete da “A Mighty Enemy Appears!” e a entrada e saída no piano da “Dark Saint”), imagino que para manter a cadência e respeitar a abordagem da suíte, e a “Light of Blessing ~ A Letter” para mim não tendo superado a original, no todo gostei bastante do resultado, superando facilmente o segundo ato inteiro do Orchestral Pieces.

      – Também sem mais considerações sobre o Encore 1. No que se refere ao Encore 2, embora a “Cid’s Theme” suplique para uma orquestração e a “Tifa’s Theme” poderia ser uma alternativa à “Aerith’s Theme” pela emotividade, eu acho que as duas não oferecem a apoteose para o desfecho com aquele coral bombástico que creio ser a característica do Nobuo Uematsu a qual o público em geral mais gosta. Porém, se a ideia valer para o Encore 1, também preferiria uma das duas sugeridas (e dois números de FFVII não seriam exagero pela fama do jogo), apesar da minha estima pelo arranjo fabuloso do Hamauzu. No fim das contas, foi mais um fan service para os admiradores do Symphonic Fantasies.

      – Nem ouso dizer mais nada sobre o seu penúltimo parágrafo, sensacional!

      – Que isso, não tenha pressa para mandar as fotos! Na verdade, eu que tenho de agradecer por ler o post gigantesco e ainda escrever um comentário tão longo mesmo durante a viagem. Valeu!

  2. 5 Marcelo 26/07/2011 às 9:15 pm

    Alguma alma caridosa teria o link para o download completo do espetáculo? Tenho dos outros concertos, esse não poderia faltar.

    • 6 Alexei Barros 26/07/2011 às 9:18 pm

      Em MP3 você diz? É possível conseguir neste fórum aqui. O problema é que o cara simplesmente ripou as faixas em VBR dos vídeos do YouTube, e os aplausos nem estão editados. Mas melhor que nada.

      Este ano minha gravação do áudio falhou miseravelmente, tanto que nem disponibilizei os links para o Goear como em outras oportunidades. Ainda estou no aguardo de uma gravação definitiva, ao menos enquanto o CD não é lançado (embora não tenha sido anunciado, acho muito provável que saia).

  3. 7 Marcelo 26/07/2011 às 9:41 pm

    Obrigado Alexei. : ) Não é o ideal (já que não tem a parte de vídeo), mas por enquanto da pra quebrar um galho.

    Já baixei e estou escutando, e parece que esse espetáculo sonoro foi o melhor dos três que acompanhei. Em segundo ficaria o evento com Shimomura, Kikuta, Mitsuda e também Uematsu. E por último os com as músicas da Nintendo.

    Independente de qual foi melhor ou pior. Posso dizer que estão a passos a frente da maioria dos eventos relacionados a game music. Espero que sempre haja eventos assim.

    • 8 Alexei Barros 26/07/2011 às 10:04 pm

      Ah, você queria o vídeo…. Eu não sei onde tem para baixar diretamente, mas não é difícil de encontrar programas que ripem os vídeos do YouTube, ainda que nem sempre a qualidade fique boa.

      Se é o melhor da série Symphonic? Não saberia dizer de bate e pronto, não à toa eu tasquei um “provavelmente” no texto. No geral, certamente é a melhor série de concertos na atualidade em termos de qualidade – estilo daí vai de cada um. Eu só não excluiria o Symphonic Shades desta série. Mesmo que os jogos sejam muito obscuros para o contexto brasileiro mais influenciado por EUA e Japão, também é fantástico, afinal foi feito pelos mesmos responsáveis.

      O futuro ainda está meio nebuloso e se acontecer outros espetáculos eu creio que deverá ser com uma proposta diferente de concerto tributo. A única pista é que o concerto de 2012 (fora as reprises do Symphonic Fantasies) novamente terá relação com Final Fantasy, como o produtor deixou no ar em entrevistas a sites alemães (aqui e aqui).

  4. 9 DGC 27/07/2011 às 1:20 pm

    Bravo!
    Como sempre um nada menos que impecável post, caro Alexei.

    Nada mais a acrescentar.
    Final Fantasy pra mim foi, pra variar, o melhor. Afinal nem sequer tinha ouvido falar de alguns dos outros jogos, tampouco ouvido suas trilhas antes.

    • 10 Alexei Barros 27/07/2011 às 1:48 pm

      Valeu mais uma vez, DGC, sempre assíduo nos posts da série alemã Symphonic.

      Jogo por jogo, eu só conhecia os FFI-VII, FFVII, FFX e Chrono Trigger, além de poucos minutos de King’s Knight (na hora nem reconheci o tema subterrâneo). Ainda vou me esforçar para conhecer a trinca da Mistwalker (falta o The Last Story sair em inglês). Quanto ao FFXIV, lamento que o Nobuo Uematsu tenha voltado à composição solo em um MMORPG, o que já me desanima completamente. Ainda por cima dizem ser horroroso se levarmos a ferro e fogo as notas péssimas dos sites internacionais.


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