Posts Tagged 'The Legend of Zelda: Skyward Sword'

Interview with Thomas Boecker, game concert producer in Germany (part 1 of 2)

By Alexei Barros

At the end of last year, the London Symphony Orchestra recorded Final Fantasy Symphony, an album with arrangements from Final Fantasy VI, VII and X. The album release, which for now will happen only in digital format with X5 Music Group distribution, was promised for the beginning of 2015. But the release date was already revealed: February 23rd, a week from today.

Taking advantage of the occasion, I bring an interview with the producer of this concert and responsible for Merregnon Studios, Thomas Boecker, that produces game concerts since 2003. He is known for various pioneering events in that area, like First Symphonic Game Music Concert (2003), the first game concert released outside Japan; Symphonic Shades (2008), the first game concert with live radio broadcasting; and, more notoriously, Symphonic Fantasies (2009), the first game concert with live video transmission. Just to name a few.

Besides the production of Symphonic Game Music Concert series in Leipzig (2003-2007) and the tetralogy Symphonic Shades, Fantasies, Legends and Odysseys in Cologne (2008-2011), Boecker was the coordinator of the albums Vielen Dank (2007) and drammatica (2008) and consultant of the world tours Play! A Video Game Symphony (2006 to 2007) and Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007 to 2011).

Since 2008 I have exchanged e-mails with Boecker. And it surprised me that, back then, he told me he reads Hadouken – after all, the blog posts are written in Portuguese. I feel that I should have done this interview previously, but the moment has come.

In the interview, I preferred to focus on specific curiosities about the concerts, which helps to show how it is laborious to create concerts with new arrangements, but it is very rewarding. This is just the first part of the interview – the second part will be published next week. To help possible foreign readers, this interview will also be published in English.
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Entrevista com Thomas Boecker, produtor de concertos de games na Alemanha (parte 1 de 2)

Por Alexei Barros

No final do ano passado, a London Symphony Orchestra gravou no Abbey Road Studios o Final Fantasy Symphony, álbum com arranjos de Final Fantasy VI, VII e X. O lançamento do álbum, que, a princípio será feito no formato digital com distribuição da X5 Music Group, estava prometido para o começo de 2015. Mas já foi revelada a data: 23 de fevereiro, daqui a uma semana.

Aproveitando a ocasião, trago uma entrevista com o produtor desse espetáculo e responsável pela Merregnon Studios, Thomas Boecker, que produz concertos de games desde 2003. Ele é conhecido por diversos pioneirismos nessa área, como o First Symphonic Game Music Concert (2003), primeiro concerto de games realizado fora do Japão; Symphonic Shades (2008), primeiro concerto de games transmitido ao vivo pelo rádio; e, mais notoriamente, o Symphonic Fantasies (2009), primeiro concerto de games com transmissão ao vivo em vídeo. Apenas para citar alguns.

Além de produzir a série Symphonic Game Music Concert em Leipzig (2003-2007) e da tetralogia Symphonic Shades, Fantasies, Legends e Odysseys em Colônia (2008-2011), Boecker foi o coordenador dos álbuns Vielen Dank (2007) e drammatica (2008) e consultor das turnês mundiais Play! A Video Game Symphony (2006 a 2007) e Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007 a 2011).

Desde 2008 tenho trocado e-mails com Boecker, que me surpreendeu na ocasião quando ele me disse que acompanhava o Hadouken – afinal, os posts do blog são escritos em português. Sinto que deveria ter feito essa entrevista anteriormente, mas enfim chegou o momento.

Na entrevista, preferi me focar em curiosidades específicas sobre os concertos, o que ajuda a mostrar o quanto é trabalhoso criar espetáculos com arranjos novos, mas é muito recompensador. Esta é apenas a primeira parte da entrevista – a outra será publicada daqui a uma semana. Para facilitar a vida de possíveis leitores estrangeiros, a entrevista também está sendo publicada em inglês.

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Symphonic Legends em Londres: as músicas de Zelda em um concerto superlativo

O Symphonic Legends em Londres foi um dos maiores concertos de games da história, com cerca de 220 pessoas no palco


Por Alexei Barros

Ainda que tardiamente, não posso deixar de mencionar por aqui a realização do concerto Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series em 13 de julho. Sim, no mesmo dia em que a Alemanha se sagrou tetracampeã mundial no Maracanã, o  Barbican Centre London no Reino Unido sediou uma apresentação com músicas da série Zelda com a presença de cerca de 2000 pessoas.

Em termos de números de participantes, a performance foi uma das maiores (se não a maior) que se tem notícia entre os concertos de games, com a conceituada London Symphony Orchestra e o London Symphony Chorus somando cerca de 220 pessoas conduzidas pelo maestro Rasmus Baumann. Foi o segundo espetáculo com músicas de games da LSO, sendo que o Final Symphony, apresentado no ano passado, foi o primeiro. Não bastasse tudo isso, ainda teve o grupo Spark, formado por dois flautistas, um violinista, um violoncelista e um pianista.

O set list foi basicamente um mix dos números de Zelda já executados nos concertos Symphonic na Alemanha produzidos por Thomas Boecker:  a fanfarra assinada por Jonne Valtonen “Fanfare for the Common 8-bit Hero” e o “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”, que foram originalmente apresentados no Symphonic Legends (o segundo também foi executado no LEGENDS); além do “The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra” e “Gerudo Valley”, que apareceram pela primeira vez no Symphonic Selections e novamente contaram com a participação do Spark. Esse segundo segmento, da música com pegada flamenco do The Legend of Zelda: Ocarina of Time, não estava anunciado no encarte e foi uma surpresa, inclusive. A única estreia de fato foi o “The Legend of Zelda: Skyward Sword — Overture”, um segmento arranjado por Roger Wanamo que tem cerca de 20 minutos de duração com músicas do jogo mais recente da série principal.

A London Symphony Orchestra estava com duas harpas – geralmente uma orquestra tem apenas uma

Porém, mesmo para quem conhecia esses arranjos dos concertos passados, houve novidades interessantes. O The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra” contou com algumas alterações mínimas na partitura, assim como as suítes do Symphonic Fantasies foram aprimoradas para o Symphonic Fantasies Tokyo.

Mas a maior mudança aconteceu no “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”, que, por sinal, já havia sido modificado para o LEGENDS, no qual o arranjo havia recebido 4 minutos adicionais. Segundo o report que linkei no fim do post, o tempo total da peça é de 44 minutos, ou seja 8 minutos a mais de quando o poema sinfônico debutou no Symphonic Legends (ele tinha 36 minutos originalmente). A primeira parte foi quase que re-escrita, o movimento “Battlefield” também foi alterado e a seção da “Light Spirit” passou a ser da versão cantada no Soundtrack Cologne: East meets West, com solo da soprano Lucy Feldman. O arranjador Jonne Valtonen levou pelo menos 3 meses para concluir essa revisão.

Infelizmente, o Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series foi um privilégio restrito aos presentes na casa de espetáculos em Londres, já que, por conta da atual filosofia restritiva da Nintendo, dificilmente o concerto será lançado em CD. Para piorar, um usuário chegou a publicar gravações (em uma qualidade terrível) no YouTube, mas elas foram retiradas a pedido da London Symphony Orchestra. Portanto, dificilmente vai dar para ouvir alguma coisa dos segmentos em um registro apreciável. Até o momento, não há planos de apresentações em outros locais, porque essa grandiloquência de instrumentistas e coristas só foi possível, por ora, para esse espetáculo em Londres. Contudo, o encarte do Symphonic Legends confirmou que em 2015 haverá um novo concerto de games com a London Symphony Orchestra. Tomara que ao menos o futuro espetáculo também não fique só na memória dos espectadores.

Set list:

Ato I

01. “Fanfare for the Common 8-bit Hero”
02. “The Legend of Zelda: Skyward Sword — Overture”
03. “The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra”
04. “Gerudo Valley” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time)

Ato II

05. “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”

Composição: Jonne Valtonen (01), Nintendo (02~05)
Arranjo: Jonne Valtonen (01, 04, 05), Roger Wanamo (02, 03)

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O grupo Spark garantiu uma performance virtuosística no arranjo com influência folk de The Legend of Zelda: The Wind Waker

 

[via Blipico, Zelda Informer, LSO, spielemusikkonzerte.de]

Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre

Por Alexei Barros

No dia 23 de setembro, aconteceu em Tóquio a sétima edição do concerto Press Start em duas apresentações, ambas com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta do maestro Taizo Takemoto. Até aqui, nada de muito surpreendente, mas, confirmando a expectativa causada pelas excelentes seleções de jogos, o espetáculo neste ano aparentou ser dos mais inspirados.

Minhas impressões baseadas nas fotos do concerto e nas poucas informações compreensíveis pelo tradutor do Google foram publicadas depois do Hadouken.
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Press Start 2012 anunciado; supremacia portátil na primeira meia-dúzia de seleções

Por Alexei Barros

Vem ano, passa ano e chega essa época temos o quê? Anúncio de uma nova edição da série japonesa de concertos Press Start. Em 2012, isso aconteceu mais de um mês atrás, mas venho reparar essa falta. Para não ficar um post muito grande com todos os números do programa anunciados até agora, vou respeitar a ordem de atualizações em posts avulsos.

Como em 2011, serão três apresentações. As duas primeiras vão ocorrer em Tóquio no Bunkamura Orchard Hall dia 23 de setembro, às 14h00 e 18h30 locais, ambas com Taizo Takemoto na regência da Tokyo Philharmonic Orchestra. A última vai ser bem depois, dia 10 de novembro, em Nagoya, no Chukyo University Civic Center Cultural Hall. Takemoto voltará à condução, regendo a Nagoya Philharmonic Orchestra.

Como sempre há jogos japoneses recentes no programa, e a primeira rodada de atualizações serve quase como um parâmetro de tendências da indústria nipônica de games: quatro dos seis selecionados são de títulos para portáteis.

– “Save the Princess Famicom Medley”

Diria que a equipe organizadora do Press Start já foi mais criativa nas temáticas dos medleys – gostava especialmente dos que agrupavam jogos por gêneros ou produtoras. Neste segmento, a intenção é reunir músicas de jogos do Famicom que tenham o mote de salvar a princesa. Seria leviano dizer que são todos daquela saudosa geração dos 8-bit ou a maioria, mas, sem forçar a memória, dá para lembrar uma infinidade. Entre os títulos, temos “surpresas”, como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda. Sinceramente, consegui compreender pouca coisa aproveitável do texto de revelação do Kazushige Nojima. A única informação, talvez não tão interessante assim, é que alguns desses jogos são conversões de arcades da época.

– Kid Icarus: Uprising: “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb”

Kid Icarus, o original de NES, foi tocado no bis em 2011, uma lembrança em virtude da iminência do lançamento de Kid Icarus: Uprising. O jogo do Nintendo 3DS veio, tirou 40/40 na Famitsu, a desenvolvedora Project Sora acabou e a trilha sonora é formidável. Não poderia ser diferente, considerando os envolvidos. Só a nata: Noriyuki Iwadare, Motoi Sakuraba, Masafumi Takada, Yasunori Mitsuda e Yuzo Koshiro. Dentre tantas músicas magistrais, a escolhida é assinada por este último, o Koshirão para os mais íntimos. A “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb” já é orquestrada por natureza e valerá a experiência para quem estiver lá in loco mesmo. Pelo pouco que entendi no texto do Masahiro Sakurai, a mente por trás do Uprising, ele enalteceu o fato de que a música muda de pegada ao longo das viagens aéreas. Para representar isso, a faixa selecionada não poderia ser melhor, porque parece que são umas cinco músicas em uma tamanha a variação de motivos na mesma peça. Confesso que, das que me recordo, a “Chapter 15: Mysterious Invaders”, também do Koshiro, foi a que mais me impressionou, mas poderia perder graça ao vivo sem os efeitos eletrônicos.

– Gravity Rush

Conhecido por Gravity Daze no Japão, o jogo do PS Vita acabou empolgando tanto o Shogo Sakai que ele quase se esqueceu de falar da trilha sonora no texto do anúncio. Como nenhuma música foi citada especificamente, tudo leva a crer que será um medley. O autor, Kouhei Tanaka, é pródigo em fazer faixas que misturam orquestra e banda não só em jogos (as trilhas da série Alundra são dele), como também em animes e tokusatsus. Inclusive ele é o compositor do Flashman, e a espetacular “Star Condor, Take off!!” mostra bem isso o que comentei da mescla de instrumentos. O número do Gravity Daze promete. Faixas boas não faltam: a faixa-título “Gravity Daze” (bela virada com a entrada da bateria), “Clearly Dangerous” (guitarras em destaque… e o que é aquele saxofone rouco?), “Trump Card” (a pompa, a glória), entre outras. O jogo inclusive já foi tocado no Video Games Unplugged: Symphony of Legends.

– God Eater: “God and Man Vocal Ver.”

Curioso esse jogo só aparecer agora, sendo que, no Japão, foi lançado em 2010. Apesar de não considerar a obra-prima do talentoso compositor Go Shiina, é uma boa escolha. Embora eu ache que seleção melhor, depois do Tales of Legendia, seria o Mr. Driller Drill Land. Mas uma coisa de cada vez. A canção escolhida é a maravilhosa “God and Man Vocal Ver.”, interpretada pela australiana Donna Burke, que havia cantado a “Heaven’s Divide” (MGS: Peace Walker) no Press Start 2010. De acordo com Masahiro Sakurai, a música foi usada em comerciais e até foi nomeada na categoria “Melhor canção original de videogame” no Music Award Hollywood 2010. Isso pode ser considerado uma façanha para uma composição japonesa, visto que esse tipo de premiação ocidental ignora o oriente, como se, atualmente, apenas compositores americanos e europeus fossem bons.

– The Legend of Zelda: Skyward Sword: “Skyward Sword Main Theme”

De novo Zelda, mas, pela primeira vez, Skyward Sword. Ainda na onda dos 25 anos da série comemorados no The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, o Press Start 2012 vai mostrar a “Skyward Sword Main Theme” (aquela do trailer, da Zelda’s Lullaby ao contrário), executada como bis no concerto comemorativo. O maestro Taizo Takemoto, que assinou a revelação, foi quem regeu inclusive a apresentação no Japão da turnê. Muito legal isso tudo, só não entendo por quê, falando da Nintendo, a resistência às músicas de Metroid e Donkey Kong.

– Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

Assim como o Super Nintendo, o DS possui uma safra gigante de J-RPGs nunca lançados no ocidente, o que também ajuda a criar a sensação nesta geração de que há uma escassez desse gênero que foi tão prolífico no PlayStation. Lançado em 2011, Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo é um RPG da Atlus o qual nunca tinha ouvido falar antes do Press Start 2012, mesmo constatando que a trilha sonora é criada pela Michiko Naruke, a compositora principal da série Wild Arms. As faixas têm estilo celta e, sabendo você que não me embeveço tanto com esse tipo de música (claro, sempre há exceções), ouvi a OST inteira, mas não arriscaria apontar uma que se destaque. Tá bom, uma vai: “Everyday Lifestyle”. Pela paz e serenidade, fica no ar um clima bem pastoral, do campo. Uma novidade? Não entendi o que o Shogo Sakai disse no site. De todo modo, foi uma boa seleção para dar variedade ao programa.

[via PRESS START]

Skyward Sword: o passado é conclusão em um Zelda que é bom, mas não é o melhor

Por Claudio Prandoni

Legend of Zelda: Skyward Sword é, sem sombra de dúvidas ou falsa humildade, o melhor jogo para Wii em 2011. Pudera, praticamente não tem competição: a Nintendona pisou feio no tomate nesta temporada e gastou mais tempo patinando com o 3DS e esqueceu do videogame branquinho.

Em minha opinião, porém, não se trata do melhor Zelda de todos os tempos, como pintaram a Edge, a Famitsu e um bocado de publicações a reboque pelo resto do mundo. De fato, não acho nem que seja um dos três melhores episódios desta longeva e sensacional franquia, mas ainda assim é um título decisivo, fulminante, que sintetiza o legado de 25 anos, celebrados nesta temporada e sela o destino da grife: daqui em diante tudo vai ser diferente.

Mais do que isso, PRECISA ser diferente.

Caso você não tenha jogado ainda e esteja preocupado com spoilers, vai na fé: nesta primeira parte vou procurar fazer minha análise sem entrar em detalhes que estraguem a brincadeira. Depois do salto interdimensional, porém (que será bem sinalizado, prometo), descasco sem dó a cebola, o que ajudará também a ilustrar minha tese de como Zelda: Skyward Sword fecha a conta, passa a régua e fecha uma longa cadeia de ciclos e tradições. Vamos lá!

Skyward Sword não renova, mas inova de monte nos controles. Zelda sempre foi sobre a experiência de interagir e mudar o mundo com suas ações e ferramentas, algo vivenciado de forma única e íntima por aqui.

Com o poder do MotionPlus e a experiência de cinco anos de estripulias com o Wii Remote, a Nintendo concebeu uma experiência ímpar: quase tudo que o jogador faz é feito igualzinho pelo herói Link e versa-vice. O golpe da espada é o mesmo balanço do jogador com o controle. Jogar a bomba ou rolar como bola de boliche? Tudo uma questão de escolha de movimento.

Manejar um chicote, girar artefatos, tocar uma harpa. Tudo é feito tal qual o herói na tela e isso gera uma satisfação enorme. Pessoalmente, associo muitos dos momentos marcantes do game a uma memória como a música do momento, a roupa que estou vestindo ou coisa do tipo. Skyward Sword consegue criar uma relação sem igual, em que a memória é exatamente igual – ou quase, vá lá – daquilo que o herói faz na tela.

Mas fico triste em dizer que para por aí a grande novidade brilhante de Skyward Sword. De resto é a mesma boa e velha fórmula de Legend of Zelda que, apesar de boa, já está velha e mostra sinais de idade. O game até tenta mascarar um pouco isso com uma engenhosa série de vai-e-vens por três áreas distintas que, sempre acometidas por novidades, mudam e transformam o desafio. Prova de game design inteligente e tal, mas confesso que fiquei de saco cheio e senti falta de maior variedade. O que era para ser uma verdadeira jornada épica acaba virando a maior treta do bairro, com Link fazendo pequenas quests de um lado para o outro.

Por outro lado, os controles também pecam com alguns excessos, como nos momentos de controlar um pássaro como meio de transporte ou nadar. Nestas ocasiões o uso do sensor de movimento do Wii Remote fica tão intuitivo quanto usá-lo como volante em Mario Kart, mas vem ao custo da precisão que acostumamos a ter nos direcionais e alavancas dos controles. Talvez, a inclusão da opção de escolha de controle em alguns momentos pudesse ter resolvido o problema.

Ainda há outros velhos clichês que teimam em não evoluir: a verborragia absoluta durante toda a aventura, com personagens entoando explicação atrás da explicação (às vezes até para coisas que você já sabe fazer!) e um sem número de diálogos vazios que só fazem aumentar o tempo de jogo – e nada mais. O visual parece sofrer crise de identidade também, ficando num meio termo do estilo realista de Twilight Princess, mas com o colorido absoluto à la desenho animado de Wind Waker. Na dúvida entre um e outro, ficou no meio do caminho e não me agradou. Prefiro a convicção sombria e exótica do Twilight ou a animação vibrante de Wind Waker.

Enfim, de maneira geral, Skyward Sword soa como um remake de uma velha e agradável experiência: tudo soa muito familiar, a sucessão de fatos é pra lá de previsível, mas com controles bem mais bacanas e uma ou outra firula inútil – como os sistemas de upgrades de armas e criação de poções, os quais não usei em nenhum momento para terminar o game.

Bom, paro por aqui de destilar minha tristeza e agonia com Skyward Sword. Vale o bordão: não é um jogo ruim, pelo contrário, é uma excelente produção. Contudo, frente a outros peso-pesados como Ocarina of Time, A Link to the Past, Twilight Princess e Wind Waker faltou feijão para este aqui fazer mais bonito e marcar mais época.

Daqui em diante vou entrar em spoilers super spoilerentos que podem zoar totalmente sua experiência caso você leia sem querer. Então, se você já terminou Skyward Sword ou não se importar em saber mais sobre sua história vá em frente – caso contrário marque aí na sua agenda para ler o resto do post depois que zerar o jogo!

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Zelda: 25 anos, dois discos, uma turnê e muitos jogos


Por Alexei Barros

Quem sentia falta de pompa e circunstância para a efeméride dos 25 anos de Zelda não teve o que reclamar com os anúncios reservados aos minutos iniciais da conferência da Nintendo na E3 2011. Surpreendente a revelação de uma turnê de concertos e álbuns das trilhas sonoras no palco de um evento em que normalmente são divulgadas novidades de jogos e consoles somente. Seria um indício da retomada da produtora à fartura de lançamentos de game music na década de 1990? Não sei e faço algumas ressalvas.

Aniversário de 25 anos de Zelda na E3 2011

Para abrir, orquestra e coral de nomes desconhecidos tocaram um medley de músicas da série contendo as faixas “Overworld”, “Ganondorf’s Theme”, “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e o tema do trailer do Skyward Sword. De cara, não achei nada demais a performance com uma qualidade aquém da perfeição de que se espera da Nintendo. Nem era grande pela limitação de espaço, e a própria técnica dos instrumentistas não é das melhores, com deficiências no violino e coro sem potência. Confirmando um rumor espalhado dias antes da conferência, tratava-se de um coral de estudantes. Você pode pensar que sou muito exigente e ter achado o máximo. Eu não me empolguei tanto assim.

Shigeru Miyamoto entrou no palco com o indefectível sorriso acompanhado por uma fanfarra da orquestra. Pouco depois, chamou o intérprete Bill Trinen, que tinha a irritante mania de não esperar o designer acabar de falar para começar a traduzir. Em um vídeo, não haveria o problema, porque o áudio do Miyamoto seria deixado em segundo plano. Duas vozes estavam no mesmo volume de altura, criando uma confusão mental digna da Torre de Babel. O criador da série ressaltou a importância das músicas para a experiência de Zelda e solicitou que a orquestra reproduzisse as breves melodias instantaneamente reconhecíveis. Foi tocada a vinheta da resolução de puzzles, da coleta de item especial e o tema da Fairy Fountain. Daí o Miyamoto solicitou que tocassem novamente a da coleta de artefato… para quê? O pedido aparentemente fugiu do combinado e pegou de surpresa a maestrina, que perguntou qual era a música. Para piorar, a flautista começou a tocar a Fairy Fountain até a orquestra entrar em sintonia.

Pularei as novidades referentes aos jogos – entre no Andria Sang (em inglês) se quiser se aprofundar –, para enfocar nos anúncios musicais. O mais inusitado: a turnê comemorativa The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, que imaginava ser produzida por uma companhia japonesa, como a Company AZA, do Press Start e do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. Conforme divulgado pelo OSV, a excursão é produzida pela JMP Productions, do Dear Friends: music from Final Fantasy, More Friends: music from Final Fantasy e Play! A Video Game Symphony – e aqui a minha expectativa caiu um bocado por causa do controverso CD, ainda que tenha apreciado os últimos arranjos da turnê. Terá passagens nos Estados Unidos, Europa e Japão, e a visita ao arquipélago nipônico já foi marcada para o dia 10 de outubro no Sumida Triphony Hall, com a Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta de Taizo Takemoto. Ingressos de 1.500 a 3.000 ienes que estarão disponíveis para quem adquirir The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Com isso, acredito que a JMP Productions será responsável somente pelas apresentações nos EUA.

Em seguida, foi a vez da divulgação de dois álbuns de game music, o que não me lembro de acontecer antes na E3. Um deles é baseado justamente na récita, com lançamento em conjunto com o The Legend of Zelda: Skyward Sword, que sai no final de 2011. O outro é o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D Official Soundtrack, disco promocional que pode ser conseguido via Club Nintendo.

[ATUALIZAÇÃO] O álbum terá 50 faixas no total, sendo que muitas jamais foram lançadas antes. O medley orquestrado que cito na sequência está incluso, assim como o encarte com ilustrações especiais para a releitura do 3DS e comentários do Miyamoto e do Kondo. Quem adquirir o Ocarina of Time 3D e ser filiado ao Club Nintendo pode seguir os passos no site e receber o disco gratuitamente.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D

Acabada a parte da E3, aproveito o ensejo para comentar o bate-papo do Iwata Asks com Koji Kondo e Mahito Yokota sobre o vindouro remake agendado para 19 de junho. Inicialmente, a trilha do Ocarina of Time 3D ficaria sob a responsabilidade de compositores novatos, e Kondo falou para Yokota os supervisionar, mas ele não conseguia só ficar olhando porque sempre foi fã de Ocarina of Time, então pediu que cuidasse de tudo. A intenção inicial era arranjar as músicas para modernizar os timbres. Com cerca de metade do trabalho pronto, Kondo disse subitamente para deixar fiel ao som do Nintendo 64…

Parece fácil pelo fato de as faixas soarem hoje passadas, porém foi realmente difícil recriar o áudio do N64 para um portátil como o Nintendo 3DS. A qualidade pode ser um pouco melhor no remake de acordo com Kondo, que deu os seus pitacos como autor da obra. Para ele, a ocarina da “Title Theme” estava muito alta, sem reverberação. Kondo queria passar a ideia que o instrumento fosse tocado de bem longe, no meio da floresta. Comentou-se que o jogo exigiu bastante capacidade do 3DS pelo dinamismo e interatividade das músicas, uma das grandes inovações do original, levando em consideração que os efeitos de som e outros ruídos precisaram ser readequados para a taxa de quadros por segundo, que passou de 20 para 30.

Yokota colocou uma faixa orquestrada no jogo e manteve o segredo para que os jogadores descobrissem… nem saiu e encontraram. Toca nos créditos e é um medley com a “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e “Overworld”. E já riparam. Se quiser ouvir por sua conta e risco, basta clicar no link para o Goear abaixo. Coloquei o trailer abaixo também.

“Staff Credits Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D)

The Legend of Zelda: Skyward Sword

Na mesma entrevista, Yokota afirmou que trabalhou em dois Zeldas simultaneamente, sendo Skyward Sword o outro, logo depois do Super Mario Galaxy 2. Para o trailer da E3 2010, evento que revelou o jogo, ele discutiu com Miyamoto sobre a utilização de uma música orquestrada, mas Miyamoto-san não achou que seria necessário. Refresque sua memória:

No intervalo do verão japonês, finalmente decidiram colocar músicas orquestradas no Skyward Sword, e Yokota se juntou ao time, usando a técnica de carregar as faixas em streaming do Super Mario Galaxy. O toque mágico do Yokota na orquestração pôde enfim ser contemplado no trailer da E3 2011. Quanta diferença:

Agradecimentos ao DGC pelas dicas via e-mail.

[via Andria Sang, OSV, The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, Iwata Asks; crédito da foto: AVS Forum]


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