Textos categorizados 'Kazushige Nojima'

A glória anônima de Hércules no DS

Por Claudio Prandoni

Esta semana sai sorrateiramente um instigante, porém pouco alardeado título para Nintendo DS.

Em uma época em que grécia antiga relembra apenas a violência fantástica e exuberante de God of War e o filme 300, é interessante ver uma abordagem do mesmo assunto mais focada no enredo como acontece em Glory of Heracles.

Sexto da série e quinto da linhagem principal, este Glory of Heracles é o primeiro a sair no ocidente, preenchendo essa lacuna existente desde o já longe ano de 1987, quando saiu o primeiro game para NES.

Além de buscar inspiração em várias, várias histórias da mitologia grega, a franquia chama atenção por ser um dos primeiros trabalhos de Kazushige Nojima, roteirista que não prima muito por um bom estado odontológico, mas arrasa ao bolar enredos. A carreira amanheceu em Glory of Heracles, mas hoje em dia o cara já ostenta orgulhoso as histórias de vários Final Fantasy e Kingdom Hearts, incluindo FF VII e praticamente todos os filhotes dele.

O mais bacana é que o cara não abandona a cria e assina também a história deste novo Glory of Heracles. Aliás, não se engane com o nome: o fortão Hércules (que não é o Kevin Sorbo) é apenas coadjuvante da parada, visto que o herói mesmo é um carinha sem memória cavaleirinho básico de RPG. O que me leva a outro ponto: Glory of Heracles é RPG classicão japonês, com batalhas por turno, muito blablablá e coisa e tal. Confesso que parece enfadonho, mas acho que o ponto forte vai acabar sendo a história, o que para mim já deve ser o suficiente para prender a atenção.

Aproveitando, já poupo o maestro Alexei do post musical: o compositor do jogo é Yoshitaka Hirota. Como compositor ele possui poucos trabalhos notáveis, destacando-se principalmente pela série Shadow Hearts e DK Jungle Climber, mas na função de programador de efeitos sonoros tomou parte em obras memoráveis da Squaresoft (sim, Squaresoft), como Final Fantasy VI, VII e VIII, Seiken Densetsu 3, Parasite Eve, o fantabuloso Super Mario RPG e os além-do-bem-e-do-mal Chrono Trigger e Chrono Cross.

Lá fora, nos terrenos gringos, a Nintendo foi criativa e temática e mandou os cartuchos de teste para a imprensa em um simpático Cavalo de Tróia feito de papel, bem parecido com o que aparece no game. Duvido que isso role por aqui, mas seria bacana se as lojas tivessem cavalinhos como esse como preças promocionais.

Os trailers ocidentais não são tão bons, então coloco o extenso vídeo japonês que dá uma noção básica melhor da brincadeira – ou ao menos agrada com os muitos trechos em anime. Será que eles estão no cartucho também?

Héracles em toda a sua glória

Glory of Heracles

Por Alexei Barros

É incrível que entre tantas notícias grandiosas da E3 2009 acabo sempre me empolgando mais com as revelações menos comentadas. A notícia ocorreu durante o evento, e foi pouco propalada. Eu gostei do anúncio.

No Japão, há dezenas de séries de RPG que nem passaram por aqui ou apenas fizeram rápidas visitas, como é o caso de SaGa e Fire Emblem. Mas há muitas outras. Acabo inevitavelmente descobrindo por causa da trilha sonora ou pelo envolvimento de designers famosos. E uma dessas é Heracles no Eikou, Glory of Heracles em inglês, que existe há 22 anos (completos dia 12 de junho) e possui seis jogos – para variar, foi o Fabão Santana que me apresentou tal obscuridade. Originalmente da Data East, a série baseada na mitologia grega parecia enterrada com a falência da produtora, mas a Paon, formada por dissidentes da Data East, adquiriu as propriedades intelectuais da franquia e resolveu ressuscitá-la no DS com o capítulo que marcará a estreia no ocidente. Era uma localização que dava não como improvável, mas impossível.

Glory of HeraclesPor que ficar atento para o lançamento? O jogo inicial, ainda para Famicom, foi um dos primeiros com o roteiro de Kazushige Nojima, que viria a se consagrar nos trabalhos para a Square, como os entrechos de Final Fantasy VII, VIII, X e da série Kingdom Hearts, para não falar do modo Subspace Emissary de Super Smash Bros. Brawl. Aliás, Nojima esteve envolvido nos demais e neste episódio para DS. A título de curiosidade, além de participar da composição do quarto capítulo da série, Shogo Sakai, que se projetou na gigantesca trilha de Mother 3, arranjou e regeu a performance do medley “Memories of Atlantis ~ Beyond the Horizon ~ Battle with the Goblins” no Orchestral Game Concert 5. Lembro, mais uma vez, que atualmente ambos estão envolvidos na produção da série de concertos Press Start ~Symphony of Games~, então não estranhe se um dia Glory of Heracles surgir no set list de alguma edição. Pena ele não ter assinado as músicas desse jogo de DS – Yuichi Kanno e Yoshitaka Hirota fizeram a trilha.

A relação completa dos episódios da série logo abaixo. Os dois jogos 16-bits também saíram no Virtual Console japonês.

1987 – Toujin Makyou-den Heracles no Eikou (Famicom)
1989 – Heracles no Eikou II: Taitan no Metsubou (Famicom)
1992 – Heracles no Eikou III: Kamigami no Chinmoku (Super Famicom)
1992 – Heracles no Eikou: Ugokidashita Kamigami (Game Boy) [spin-off]
1994 – Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono (Super Famicom)
2008 – Heracles no Eikou: Tamashiu no Soumei (Nintendo DS)

E agora o trailer de debute japonês:

[via Nintendo E3 2009]


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