Posts Tagged 'Hitoshi Sakimoto'

Press Start 2015: o fim de uma era

press2015Por Alexei Barros

Pelo excesso de reprises, eu esperava uma despedida um tanto melancólica do Press Start. Mesmo assim, estava no aguardo do tradicional report do concerto no site da Famitsu, que produziu a série japonesa de espetáculos orquestrais. E eu fiquei esperando… esperando… esperando… E nada. Nada de fotos da apresentação também.

O jeito foi me basear nas análises dos blogues japoneses, que sempre se preocupam em detalhar o set list o máximo possível. O concerto foi realizado em duas apresentações no dia 8 de agosto (e eu extrapolando todos os limites da demora para fazer post), com performance da Kanagawa Philharmonic Orchestra no Tokyo Metropolitan Art Space. Pelo menos foi feita uma surpresa bacana no final. Set list e minhas considerações a seguir.

Ato I

01. Final Fantasy VIII: “Liberi Fatali”
02. “Classic Medley 2015 Ver.”
03. Super Mario Bros.: “Overworld” ~ “Underwater” ~ “Underworld” ~ “Overworld”
04. The Legend of Zelda: “Main Theme”
05. Shadow of the Colossus: “Revived Power ~ Battle With the Colossus” ~ “Grotesque Figures ~ Battle With the Colossus~”
06. Ace Combat Zero: The Belkan War: “Zero”
07. Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~”

Ato II

08. Ore no Shikabane o Koete Yuke: “Flower”
09. Rhythm Heaven: “Ninja”
10. El Shaddai: Ascension of the Metatron: “Theme of El Shaddai” ~ “The Faraway Creation ~ Enoch’s Theme” ~ “Tragic Scream”
11. Xenoblade Chronicles: “Xenoblade” ~ “Gaur Plains” ~ “Mechanical Rhythm” ~ “Riki the Legendary Hero” ~ “Sator, Phosphorescent Land / Night” ~ “Those Who Bear Their Name” ~ “Confrontation with the Enemy”
12. Mother: “Pollyanna (I Believe In You)” ~ “Bein’ Friends” ~ “Eight Melodies”
13. Chrono Trigger/Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger) ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)
14. “Goodbye Medley”:
Press Start 2006
– ICO
– PopoloCrois Story
– Ys I & II
Press Start 2007
– Kingdom Hearts
– Space Invaders
– Super Smash Bros. Brawl
– Sakura Wars
Press Start 2008
– Wild Arms 2
– Spelunker
– Final Fantasy IX
Press Start 2009
– Persona 4
– Okami
– Final Fantasy X
– Kirby’s Dream Land
Press Start 2010
– New Super Mario Bros. Wii
– Muramasa: The Demon Blade
– Famicom Disk System Start-up
Press Start 2011
– 428 ~Fuusasareta Shibuya de~
– Pokémon Red & Blue
– NieR
– Xenogears
Press Start 2012
– Kid Icarus: Uprising
– Final Fantasy XI
– Ihatovo Monogatari
Press Start 2014
– Toukiden
– Final Fantasy XIII
– Super Smash Bros. for Wii U e 3DS

“Liberi Fatali” é uma das reprises mais batidas em concertos da série Final Fantasy, mas nunca tinha sido tocada no Press Start. Aliás, a escolha dessa música do FFVIII foi uma surpresa para mim, porque o Press Start não vinha usando corais em suas apresentações. Acredito que foi usado um coro não muito grande.

– Em relação aos convidados, a soprano Oriko Takahashi mais uma vez cantou a “Zero” de Ace Combat Zero. Mesmo sem ter participado da gravação da trilha original, ela foi a intérprete mais recorrente dessa música fabulosa com toques de flamenco no Press Start.

– A “Song of Mana” teve a voz da australiana Louise Bylund, que morou por diversos anos de sua vida na Suécia e atualmente reside no Japão. Essa mistura garantiu que ela fosse a escolhida para a performance dessa maravilhosa canção, que tem versos em sueco.

– A Lioko Kihara foi outra convidada do espetáculo e, diferentemente das outras duas cantoras, ela também tocou piano ao melhor estilo Angela Aki no segmento de Ore no Shikabane o Koete Yuke.

– Como de praxe, o duo ACE formado por Tomori Kudo (guitarra) e CHiCO (vocal) participou da performance de Xenoblade Chronicles, além da cantora Manami Kiyota.

– O segmento de Mother é o mesmo tocado no Press Start 2010, inclusive com os versos do álbum vocal Mother (1989) escritos pela letrista Linda Henrick (provavelmente um pseudônimo). Na ocasião, a performance contou com a voz da cantora Melody Chubak, que na época tinha 13 anos. Agora com 18, a moça voltou as palcos para cantar no mesmo segmento.

– Além do quinteto que produz o concerto (Taizo Takemoto, Kazushige Nojima, Shogo Sakai, Nobuo Uematsu e Masahiro Sakurai), também estiveram presentes os compositores Keiki Kobayashi e Masato Kouda. A Yoko Shimomura deixou uma mensagem em vídeo.

– Não foi feita nenhuma homenagem musical a Satoru Iwata, mas o desfecho do concerto foi bastante especial. Embora muito provavelmente não seja um segmento com transições elaboradas, o medley final resgata seleções icônicas de todas as edições anteriores do Press Start, com exceção de 2013, ano que foi tomado por reprises. Fantástica a ideia!

– Foi uma satisfação ter acompanhado e feito os posts sobre o Press Start durante esses nove anos, mesmo com tão raros registros oficiais das performances. Mal custo a acreditar que o primeiro post que fiz no Hadouken, lá em 2006, era justamente sobre a primeira edição do concerto a qual fiquei extasiado com uma mera gravação da plateia.

Não existiu outra série de apresentações com um repertório tão diversificado, cheio de seleções únicas e surpreendentes. Claro que tamanha variedade me fez querer mais e é uma pena saber que o Press Start acabou sem tocar músicas de jogos que dificilmente veremos nos demais concertos, como Bayonetta, Eternal Sonata, Panzer Dragoon, Valkyria Chronicles, Front Mission, Dark Souls e tantos outros.

Eu torço fortemente para que se não o próprio Press Start, outra série de concertos japonesa apareça algum dia sem demorar muito – houve um hiato de nove anos entre o Orchestral Game Concert 5 de 1995 e o Press Start 2006, considerando apresentações sinfônicas no Japão que abrangem diversas franquias.

Press Start: vou sentir saudades.

Grato ao Fabão pelos links e também pelas diversas informações e traduções nos posts do Press Start.

Foto tirada no Press Start 2008, com alguns dos maiores nomes japoneses de game music (além de outros desenvolvedores): Noriyuki Iwadare, Nobuo Uematsu, Motoi Sakuraba, Yasunori Mitsuda, Mahito Yokota, Kazushige Nojima, Michiko Naruke, Shogo Sakai, Koichi Sugiyama, Masahiro Sakurai e Koji Kondo

[via sarian198919, mugendai, comdoc5964nijiiroleina 1, 2 e 3]

Diggin’ in the Carts: um fascinante documentário sobre game music japonesa


Por Alexei Barros

Documentários de game music em vídeo não aparecem todos os dias. Focados em game music japonesa então… Por conta da barreira de idioma, são quase inexistentes – uma exceção é o especial francês do Game One que publiquei anos atrás.

Por isso, uma superprodução como a Diggin’ in the Carts da Red Bull Music Academy deve ser aplaudida. Como muitos sabem e demorei séculos para comentar aqui, o documentário é dividido em seis episódios que falam sobre a evolução da game music nipônica, com declarações de compositores, artistas e produtores.

Hally, especialista de game music, e Rolling Uchizawa, ex-editor da Famitsu (que também aparecia no documentário da Game One), são os principais responsáveis pela excelente contextualização dos assuntos abordados, afinal eles viveram tudo aquilo de perto.

Fiquei pasmado com a quantidade de compositores expoentes que a reportagem conseguiu entrevistar: Nobuo Uematsu, Yuzo Koshiro, Hitoshi Sakimoto, Hiroshi Kawaguchi, Yoko Shimomura, Hirokazu Tanaka, Junko Ozawa…

O único problema é que quando isso acontece fica um gostinho de quero mais, já que não aparecem nomes importantes como Koji Kondo, Koichi Sugiyama, Yasunori Mitsuda, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare, Akira Yamaoka, Michiko Naruke, Takenobu Mitsuyoshi, Kenji Ito, Motoaki Furukawa, Hisayoshi Ogura, Masashi Hamauzu, Michiru Yamane, Miki Higashino, Hiroki Kikuta, Norihiko Hibino, Ayako Saso, Daisuke Ishiwatari, Shoji Meguro, Manabu Namiki… É meio impossível falar com todo mundo. Talvez com mais uns 34 episódios…

Ainda assim, fiquei bastante surpreso com as aparições de Akio Dobashi (Lagrange Point) e Masashi Kageyama (Gimmick!), que são extremamente obscuros no Ocidente e só os conhecia de nome. E nunca esperava ver o Hayato Matsuo em vídeo.

Fora isso, pode ser implicância minha, mas algumas falas dos artistas ocidentais não acrescentaram muita coisa e parecem meio deslocadas. Pelo menos alguns deles falaram algo útil e, no geral, foram influenciados pelo trabalho dos mestres japoneses. Não compromete, é claro. Outro ponto que deve ser elogiado é a direção de fotografia: simplesmente exuberante.

Para quem não viu ou já assistiu e quer rever, publico os seis episódios do Diggin’ in the Carts com breves comentários sobre cada parte, além dos episódios extras. Caso queira ver pelos links abaixo, não se esqueça de ativar as legendas do YouTube (tem em português), clicando no botão correspondente em cada janela.

[ATUALIZAÇÃO] Coincidentemente, a Folha de S. Paulo traz hoje (01/01/2015) uma ótima reportagem falando sobre o Diggin’ in the Carts. A parte mais interessante do artigo são as declarações do produtor do documentário, o neozelandês Nick Dwyer. Entre outras coisas, ele diz que o único compositor que queria incluir no vídeo e não conseguiu é o Koji Kondo, porém, por problemas de direitos autorais, a Nintendo não autorizou a participação do músico. Ou seja, ele não pode ser entrevistado em um vídeo jornalístico, mas tudo bem acompanhar no piano uma música do Imagine Dragons no The Game Awards 2014? Qual o sentido disso? E apenas uma chatice de minha parte: o único equívoco do texto foi falar que o NES foi lançado em 1983. Na verdade, o correspondente japonês do NES, o Famicom, é que saiu nesse ano. O NES chegou às lojas em 1985.

Episode 1: The rise of VGM

Primórdios da game music com Space Invaders e Rally X. Em uma raríssima entrevista, a compositora Junko Ozawa fala sobre seu trabalho em The Tower of Druaga e as limitações da época. Hiroshi Okubo, chefe da equipe de som da Bandai Namco, também ajuda a demonstrar como o áudio era rudimentar nos arcades antigos. Mais adiante, o mestre Hirokazu Tanaka relembra suas influências de reggae e como era trabalhar na Nintendo nos anos 80. Primoroso.

Episode 2: The outer reaches of 8-bit

A importância da Konami para a game music por jogos como Castlevania e Contra e pelo uso dos chips de canais adicionais de som, como o VRC6. Uma pena que os compositores que trabalharam na empresa ficaram no anonimato. Em compensação, o músico Akio Dobashi, que não é originário dos games, aparece  para dizer como foi diferente para ele compor a trilha do RPG Lagrange Point. Depois, o produtor Nobuhiro Yoshikawa, que lança trilhas de game music retrô pelo selo Clarice Disc (até onde eu sei, ele não é compositor, como diz o vídeo), lembra a importância musical da Sunsoft durante a era Famicom. Masashi Kageyama, autor da trilha de Gimmick!, faz uma inacreditável participação para rememorar os seus tempos de compositor – atualmente ele não trabalha mais com música.

Episode 3: The dawn of a new era

O advento da era 16-bit, com a surpreendente aparição de Hayaso Matsuo, que, embora hoje seja mais conhecido como um arranjador e orquestrador, relembra sua história como compositor de jogos antigos. Ele mesmo dá o gancho para o documentário abordar a carreira do Hitoshi Sakimoto. Para fechar de maneira magistral, a Yoko Shimomura é escalada para falar sobre a histórica trilha sonora de Street Fighter II. A explicação para a inspiração do tema do Blanka é sensacional.

Episode 4: The cool kid

A importância do Mega Drive na história da game music. O genial Hiroshi Kawaguchi faz uma essencial participação, comentando como foi criar as trilhas de Hang-On e OutRun. Ainda falando da Sega, os artistas se derretem pela nostalgia das trilhas do Sonic. Pena que não há declarações do compositor Masato Nakamura. No final, o mago do som Yuzo Koshiro fala sobre as restrições da época e as trilhas de The Revenge of Shinobi e especialmente Streets of Rage.

Episode 5: The Role of Role Play

Episódio dedicado totalmente ao Nobuo Uematsu e sua participação na série Final Fantasy. A parte de concertos de game music foi muito bem representada. O maestro e produtor da turnê Distant Worlds, Arnie Roth, revela a curiosa inspiração da “One-Winged Angel” em “Purple Haze” do Jimi Hendrix. Depois, o documentário viaja para a Suécia, no Stockholm Concert Hall, por ocasião do concerto Final Symphony. Ao som do piano tocado pela Katharina Treutler, o produtor Thomas Boecker fala sobre o First Symphonic Game Music Concert, primeiro concerto de games realizado fora do Japão que teve o Nobuo Uematsu como convidado. Mais adiante, ele comenta como os compositores não esperavam ser tão reconhecidos e viraram celebridades, com fãs pedindo autógrafos. Os arranjadores finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo também aparecem, embora só o segundo fale sobre o Final Symphony. Enquanto isso, trechos do poema do sinfônico de Final Fantasy VI podem ser apreciados.

Episode 6: The end of an era

O advento dos CDs, mostrando mais uma vez a importância da Namco nesse segmento. Aparece o produtor de Tekken, Katsuhiro Harada, e uma série de compositores que trabalham na empresa ou já estiveram lá: Kanako Kakino, Yoshie Takayanagi, Nobuyoshi Sano, Akitaka Tohyama, Taku Inoue, Rio Hamamoto, Keiichi Okabe e Yuu Miyake. Após esse bloco da Namco, Hideo Kojima fala sobre o áudio e as músicas cinematográficas de Metal Gear. O editor principal de áudio, Akihiro Teruda, também conta como é  produzir o design de som dos jogos da série. Nesse trecho, o único compositor entrevistado é o Ludvig Forssell, da Kojima Productions. A meu ver, este episódio não está no mesmo nível dos demais e fugiu um pouco do tema principal do documentário, embora não deixe de ser interessante.

Hidden Levels: Yoko Shimomura & Manami Matsumae

As compositoras relembram como era trabalhar na Capcom. A Manami Matsumae não chegou a aparecer no documentário principal.

Hidden Levels: Shinji Hosoe

Por algum motivo, Shinji Hosoe não é visto nos seis episódios, mas aqui ele discorre sobre a trilha de Ridge Racer. Pela quantidade de jogos na carreira, Hosoe merecia maior destaque.

Hidden Levels: Nobuo Uematsu

Nobuo Uematsu fala sobre as bandas e artistas que o influenciaram, especialmente Elton John.

“Final Fantasy XII Suite” – Final Fantasy XII (Music in Motion)


Por Alexei Barros

Desde o concerto PROMS: That’s Sound, That’s Rhythm realizado em 2008, as músicas de games entraram de vez nos programas da WDR Radio Orchestra Cologne. Após a conclusão da quadrilogia de espetáculos tributo Symphonic Shades, Fantasies, Legends e Odysseys, essa tradição perdurou com o Soundtrack Cologne – East meets West (2012) e o Symphonic Selections (2013). E em 2014? Neste ano aconteceu o Music in Motion, no qual os games dividiram o espaço com músicas de filmes e animes (aliás, todos os números desse bloco, que inclui algumas composições do Joe Hisaishi, tiveram a orquestração de Roger Wanamo).

Apesar de a apresentação não ter o nível de esmero desses concertos passados, houve algumas surpresas interessantes na parte de games, e uma delas é uma nova interpretação da “Kiss Me Good-bye” do Final Fantasy XII. Ao menos é assim que está creditado no programa – achei mais apropriado chamar o número de “Final Fantasy XII Suite”, já que não se trata de qualquer performance da “Kiss Me Good-bye”. Até porque o segmento não inclui apenas essa canção…

Dá para dizer que a extensa trilha do FFXII foi criada por três frentes, com o trio Hitoshi Sakimoto, Masaharu Iwata e Hayato Matsuo na ponta de lança, sonorizando a maior parte do jogo (especialmente o primeiro), o Nobuo Uematsu com a citada música-tema “Kiss Me Good-bye” e a inesperada participação da dupla Taro Hakase e Yuji Toriyama com a Symphonic Poem “Hope”.

Não é raro ver comentários de que a “Kiss Me Good-bye” destoa do clima sombrio do restante da trilha. E, apesar de a Symphonic Poem “Hope” ter sido inspirada pelo tema principal do Hitoshi Sakimoto como diz os créditos do encarte, é difícil imaginar uma performance dela com outras músicas do jogo. Reunir essas três frentes em um único segmento parece impossível dada a disparidade de estilos… Mas não para o Roger Wanamo, o responsável pelo arranjo. Embora o site da WDR não faça a menor questão de dizer, o número inclui sim fragmentos de músicas do Hitoshi Sakimoto e do Taro Hakase/Yuji Toriyama.

Surgem os segundos iniciais das cordas magistrais da “Overture”, primeiro movimento da Symphonic Poem “Hope” para logo confluir na “Ending Movie” do Sakimoto (na faixa original, corresponde ao trecho a partir de 3:57). A forma com que as músicas foram emendadas chega a ser inacreditável, a ponto de parecer que ela foi originalmente criada assim. Quando o clima dá uma acalmada, é possível ouvir as trompas e o oboé evocando ressonâncias da “Road of Hope”, o terceiro e mais fantástico movimento da Symphonic Poem “Hope”.

Entra em cena a cantora Viviane Essig com sua poderosa voz em um tipo de solo mais pop que não se costuma ver nos concertos de games da WDR. De fundo, não há o piano em destaque como na original (até porque o instrumento foi tocado pela própria Angela Aki, intérprete na versão do jogo), mas as cordas – em especial o contrabaixo. No interlúdio instrumental, inacreditavelmente surge uma nova lembrança da “Road of Hope” em um solo de violoncelo. O estrondo do tímpano interrompe essa música, e volta a melodia da “Kiss Me Good-bye” no trompete. A Viviane Essig torna a participar, desta vez acompanhada pela flauta e depois por toda a orquestra. Depois, surge uma nova e arrebatadora lembrança instrumental da “Kiss Me Good-bye” e a cantora regressa mais uma vez para colocar o fim nessa peça inesperada e surpreendente.

No geral, é interessante notar como a “Kiss Me Good-bye”, uma canção J-pop, ganhou no arranjo uma dose de erudição, até porque a performance não teve baixo elétrico e bateria como acontece originalmente (na versão do Voices, arranjada pela Sachiko Miyano, já não tinha banda mesmo). Realmente não poderia acreditar que as inserções da Symphonic Poem “Hope” e “Ending Movie” pudessem originar um arranjo com esse senso de unidade – tarefa que só um arranjador talentosíssimo como o Roger Wanamo é capaz de fazer.

O Music in Motion chegou a ser transmitido em vídeo quando aconteceu em novembro de 2014, mas soube do streaming somente na hora pelo Twitter e não consegui gravar. Aparentemente, ninguém registrou o vídeo e o site da WDR, ao menos por enquanto, não disponibilizou a gravação como aconteceu com outros concertos. Felizmente, o espetáculo foi reprisado em dezembro – somente o áudio, no entanto –, o qual consegui gravar e compartilho abaixo. Aproveite, porque arranjos novos de Final Fantasy não surgem todos os dias – quanto mais do Final Fantasy XII.

“Final Fantasy XII Suite”
Originais: “Overture” ~ “Ending Movie” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye”

VGO Live at Symphony Hall: a vez dos esquecidos Final Fantasy Tactics, Final Fantasy XII e Grandia

35736-1396846648
Por Alexei Barros

Quando fiz o primeiro post sobre a Video Game Orchestra lá em 2009, honestamente não imaginava que eles poderiam chegar tão longe, com a participação na gravação da Lightning Returns: Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Não é para qualquer um. Não bastasse isso, a orquestra liderada por Shota Nakama vem protagonizando diversos crossovers com outras produções: em março de 2012, a VGO tocou no Distant Worlds; em fevereiro de 2015, vão tocar na turnê The Legend of Zelda: Symphony of Goddesses; e, em março, no Video Games Live!

Esse fato chama a atenção porque a VGO também possui espetáculos próprios, e a gravação da apresentação realizada em Boston no Boston’s Symphony Hall em outubro de 2012 estava há tempos prometida para sair em CD, com financiamento do Kickstarter. Depois de alguns adiamentos, o álbum Live at Symphony Hall finalmente foi lançado em abril de 2014 e cá estou para comentá-lo com meses de atraso.

No geral, o disco é muito competente na performance, mas vou me limitar a falar apenas de três dos dez segmentos que são os mais incomuns desse lançamento. Não que os outros não sejam bons, pelo contrário. Só que alguns jogos já cansaram pela repetição exaustiva de seus maiores hits, como Chrono Trigger, Portal, God of War, God of War II e Final Fantasy VII. Curiosamente, a página do Kickstarter falava que a “Snake Eater” do Metal Gear Solid 3 estaria no álbum. Acredito que deve haver algum problema em licenciar essa canção, visto que aconteceu a mesma coisa no The Greatest Video Game Music 2 (a música está prometida para o álbum Video Games Live: Level 4, a ser lançado em fevereiro de 2015).

Quanto ao Street Fighter II e Castlevania, ambos os números são tocados somente pela banda. Honestamente, não me empolgaram tanto quanto as faixas orquestradas, talvez pelo excesso de improvisações, mas não dá para negar que são instrumentistas habilidosos.

Vamos enfim aos três famigerados arranjos que mais me agradaram.

05 – “Final Fantasy Tactics Medley”
Originais: “Bland Logo ~ Title Black” ~ “Backborn Story”  ~ “Trisection” ~ “Ovelia’s Worries” (Final Fantasy Tactics) ~ “Sorrow (Liberation Army Version)” ~ “A Moment’s Rest” ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII)
Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: David Saulesco

Originalmente intitulado “Sakimoto Medley”, o que já achava impreciso, o medley ganhou um nome mais equivocado ainda porque cita apenas o Final Fantasy Tactics e acoberta a raríssima lembrança de músicas do Final Fantasy XII. Mais apropriado seria “Ivalice Alliance Medley”. Começando pela parte tática, a “Bland Logo ~ Title Black” aflora em toda a sua beleza orquestral com o toque militar característico do Sakimoto. O coral faz a incursão na peça com a “Backborn Story” até as cordas ficarem cada vez mais nervosas com a “Trisection”. O coro então retorna com a “Ovelia’s Worries”. Seguindo para o FFXII, há a “Sorrow (Liberation Army Version)”, nas cordas, e a “A Moment’s Rest”, com a flauta anunciando sua entrada. Duas músicas que são essencialmente de ambiente, mas caíram muito bem no medley. A percussão dá início ao apogeu da miscelânea, a poderosa “Boss Battle” em sua totalidade – no “Battle Medley 2012” do Final Fantasy Orchestral Album, a segunda parte da faixa não foi aproveitada, e aqui esse trecho ainda tem coral. Só esse final já vale o medley e a rara performance das composições do Hitoshi Sakimoto.

06 – “The End of the World” (Grandia)
Original: “The End of the World”
Composição e arranjo: Noriyuki Iwadare

É com extrema satisfação que ouço com a qualidade que merece a primeira aparição do Grandia original nos concertos, mas não dá deixar de esconder um desapontamento. No espetáculo, foram tocados quatro faixas arranjadas pelo próprio Noriyuki Iwadare, mas apenas duas delas estão no CD. E uma das eliminadas foi justamente a “Battle 1”, que tinha ficado simplesmente excepcional e me deixou estupefato quando vi a gravação amadora… – a outra cortada foi a “Farewell to Sue”.

A “Battle 1” era a única das selecionadas presente no Grandia Original Soundtracks II, segundo volume da trilha que contém as faixas originalmente sintetizadas no jogo. As outras três estão no primeiro Grandia Original Soundtracks e já são normalmente orquestradas. Falta de tempo no CD não é um problema, pois sobraram 14 minutos no disco. A única explicação que encontrei deve ser para não sobrecarregar a track list com Grandia, mas dada a singularidade do momento não haveria tanto problema.

Enfim falando da “The End of the World”, a música mostra toda a sensibilidade de Iwadare no uso dos violinos, que a VGO consegue reproduzir com maestria no concerto (o arranjo segue os passos da faixa original). É uma bela peça melódica que tem momentos de brilhantismo… Porém, se pudesse escolher ficaria com a “Battle 1”.

07 – “Theme of Grandia” (Grandia)
Original: “Theme of Grandia”
Composição e arranjo: Noriyuki Iwadare

Eis o grande momento que sonhei por anos: uma performance ao vivo de uma das maiores obras-primas de Iwadare, a magnífica “Theme of Grandia”, com todos os instrumentos que ela tem direito (e tudo sendo tocado ao vivo, é claro): bateria, percussão, baixo elétrico e guitarra (que aparece mais ao longo da peça e não só no solo). Assim como a faixa anterior, a partitura é bastante similar ao jogo (só não sei com certeza se é idêntica, porque sempre há sutilezas aqui e ali), com aquele solo de violino genial e, mais adiante, o já citado solo de guitarra. O canal da VGO inclusive publicou a gravação do segmento, o qual reproduzo abaixo. Momento histórico, sem dúvidas.

“Sakimoto Medley” – Final Fantasy Tactics e Final Fantasy XII (Video Game Orchestra ~Live at Boston Symphony Hall~)

Por Alexei Barros

Ainda nem sequer publiquei todas as quatro faixas do Grandia executadas na apresentação da Video Game Orchestra em Boston, mas me sinto no dever de trazer antes outro segmento diante da comoção causada pela inesperadíssima inclusão de uma faixa do Final Fantasy XII na turnê Distant Worlds assinada pelo Hitoshi Sakimoto.

O compositor ganhou um medley próprio no espetáculo da VGO, embora, talvez o título possa provocar certa decepção: seria mais apropriado “Sakimoto Final Fantasy Medley”, ou ainda melhor, “Sakimoto Ivalice Alliance Medley”, como a peça é toda dedicada às composições de FF Tactics e FFXII, deixando no ar a vontade de ouvir outras franquias que podiam aparecer – Radiant Silvergun é o jogo que vem em primeiro na minha lista.

Há uma boa alternância de temas mais calmos e mais nervosos e, mesmo que a maioria das escolhidas penda para a música ambiente, a peça é capaz sim de evocar memórias e até provocar arrepios, apresentando uma clara divisão de faixas do Tactics e do FFXII.

Com as cordas de fundo e as notas cintilantes do teclado, a “Bland Logo ~ Title Black”, como não poderia ser diferente, abre o medley, caminhando cada vez para o clima militar. A “Backborn Story” que não é uma composição do Sakimoto, mas do Masaharu Iwata, surge de mansinho com a participação do coral, elemento que a original sintetizada não sugeria. O clima vai esquentando e, quando as coisas pareciam acalmar, surge o grande momento dessa parte, com a lembrança da “Trisection”, arrancando gritos da plateia. De novo com o coral, temos a “Ovelia’s Worries” para finalizar a metade tática do medley.

Já no FFXII, a “Sorrow (Liberation Army Version)” aparece extremamente relaxante nas cordas e, em seguida, a “A Moment’s Rest” é rememorada com a flauta. Toda essa calmaria é compensada com o impacto da “Boss Battle”, uma das minhas faixas preferidas do FFXII especialmente pela segunda metade, que deixa no ar uma sensação de que a vitória da batalha está na iminência.

É, aos poucos o Sakimotão vai ganhando a simpatia da galera (basta ver os aplausos efusivos no final).

“Sakimoto Medley”

“Bland Logo ~ Title Black” ~ “Backborn Story”  ~ “Trisection” ~ “Ovelia’s Worries” (Final Fantasy Tactics) ~ “Sorrow (Liberation Army Version)” ~ “A Moment’s Rest” ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII)

“The Dalmasca Estersand” – Final Fantasy XII (Distant Worlds 2012 em Londres)

Por Alexei Barros

Alguém poderia me beliscar, por favor? Seis anos depois do lançamento de Final Fantasy XII, enfim o jogo foi lembrado na turnê oficial Distant Worlds (antes só a “Kiss Me Good-Bye”, do Nobuo Uematsu tinha sido tocada). Nesse ínterim, até mesmo o FFXIII (2010) e FFXIV (2010), antes de ser lançado, apareceram antes que o negligenciado RPG do PlayStation 2. Mais notoriamente, apenas o A Night in Fantasia se deu ao trabalho de homenagear o jogo que sempre foi tratado como um spin-off pela turnê por ter a maioria das composições assinadas por Hitoshi Sakimoto e não pelo Nobuo Uematsu. A ocasião histórica aconteceu em Londres, dia 2 de novembro, na apresentação intitulada Distant Worlds: London The Celebration, que contou com a performance da Royal Philharmonic Concert Orchestra.

Na trilha do FFXII, apenas o tema de abertura e encerramento são naturalmente orquestrados, e o fato de nenhum dos dois ter sido escolhido já é um bom indício de que a escolha não foi feita de qualquer jeito – afinal, bastava solicitar a partitura original, acertar todos os detalhes burocráticos e sair tocando. Mas não. A faixa selecionada, “The Dalmasca Eastersand”, apresenta a famosa sintetização sinfônica do Sakimoto e foi arranjada pela dupla Arnie Roth e Eric Roth. Um arranjador mais de peso, um Hayato Matsuo da vida, que foi o orquestrador dos dois temas supracitados, seria a melhor opção, mas tudo bem. A escolha, aliás, considero perfeita: a música é envolvente, é melódica, é marcante. Quem jogou FFXII fatalmente vai se lembrar. O arranjo não procurou ser ousado, seguindo à risca todas as sugestões de timbres que a original dava, ou ao menos foi a impressão que esta gravação deixou.

Para um começo, está ótimo, mas espero que tenha muito mais FFXII ainda.

Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre

Por Alexei Barros

No dia 23 de setembro, aconteceu em Tóquio a sétima edição do concerto Press Start em duas apresentações, ambas com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta do maestro Taizo Takemoto. Até aqui, nada de muito surpreendente, mas, confirmando a expectativa causada pelas excelentes seleções de jogos, o espetáculo neste ano aparentou ser dos mais inspirados.

Minhas impressões baseadas nas fotos do concerto e nas poucas informações compreensíveis pelo tradutor do Google foram publicadas depois do Hadouken.
Continue lendo ‘Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre’

Próximo concerto da VGO terá quatro convidados japoneses; programa inclui suíte de 15 minutos de Grandia arranjada por Noriyuki Iwadare


Por Alexei Barros

Como faz tempo que não falo da Video Game Orchestra por aqui. Até queria comentar mais, acontece que não encontrava performances diferentes das que já publiquei anteriormente. Nesse meio tempo, a orquestra liderada por Shota Nakama ganhou bastante reconhecimento, chegando, inclusive, a participar do Distant Worlds em Boston em março de 2012, em um crossover outrora inconcebível entre as produções de concertos de games.

Mas em 7 de outubro, no Boston’s Symphony Hall, nos EUA, a VGO promete realizar uma apresentação ainda mais ambiciosa. Kinuyo Yamashita, Hitoshi Sakimoto, Yoko Shimomura e Noriyuki Iwadare estarão na plateia. Este último inclusive preparou um arranjo de 15 minutos de Grandia especialmente para o espetáculo… morri. Eu já estava feliz se fosse só a “Theme of Grandia”… Agora uma suíte? De 15 minutos? (E provavelmente com os temas de batalha?)

Além de Grandia, teremos no set list um número intitulado “Sakimoto Medley”. Sinceramente não sei o que pode vir aí, se as obras mais famosas dele (Final Fantasy XII) ou as mais cult, como Verytex, Gauntlet IV, Radiant Silvergun, Gradius V… Na torcida pela segunda opção. Porque a “Return” ainda ressoa na minha mente…

Completam o programa, entre os segmentos já anunciados: “Bombing Mission” (Final Fantasy VII), Street Fighter II, God of War, “Baba Yetu” (Civilization IV), “Vampire Killer” (Castlevania), Kingdom Hearts, “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3), Chrono Trigger e Cross e Final Fantasy VII Suite.

Foi aberta uma campanha via Kickstarter para financiar a gravação parcial do concerto com o custo de 30.000 dólares, mas, faltando 13 dias para encerrar o prazo, o valor ainda não atingiu a metade do necessário. De qualquer jeito, eu já vou ficar mais do que satisfeito de ver um videozinho da suíte de Grandia.

[via Kickstarter]

Press Start 2012: um pouco de tudo na segunda meia-dúzia de segmentos

Por Alexei Barros

Se nas primeiras seis atualizações do Press Start 2012 havia especialmente títulos portáteis, nesta segunda atualização, que trouxe mais meia-dúzia de novidades, há uma boa diversidade de jogos antigos e novos para diversos sistemas diferentes. Vamos a elas:

– Muramasa: The Demon Blade: “Introduction” ~ “Impermanence”

Eu normalmente não gosto quando o Press Start reprisa segmentos, mas, quando não existe um registro oficial do número, aumentam as chances de a performance sair em algum CD. O problema é que isso já aconteceu com o Muramasa no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku. Inclusive comentei em detalhes a  “Muramasa: The Demon Blade”, executada anteriormente no Press Start 2010 aqui. O maestro Taizo Takemoto relembrou a ocasião com saudade no texto de revelação, exaltando a mistura de orquestra com guitarra e instrumentos japoneses (tsugaru shamisen e shakuhachi). A escolha mostra como a organização nem sempre se importa com o hype, visto que o Wii já está em vias de se despedir.

– Phoenix Wright: Ace Attorney: “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All) ~ “Ryuuichi Naruhodou ~ Objection!” ~ “Investigation ~ Overtaked“ (Phoenix Wright: Ace Attorney)

Eu normalmente não gosto quando o Press Start… não preciso repetir a primeira frase do segmento anterior, né? Mais uma reprise, desta vez do Press Start 2008. A diferença é que o número arranjado pelo Noriyuki Iwadare não chegou a ser registrado oficialmente. Não que faça uma falta absurda, de outro mundo. As três faixas que formam o medley, talvez as mais icônicas da série, foram orquestradas separadamente nos concertos da saga de advocacia virtual realizados naquele mesmo ano de 2008. Milagre: consegui entender alguma coisa aproveitável no Google Translator; Kazushige Nojima lembrou que o primeiro Gyakuten Saiban (como o jogo é conhecido originalmente) saiu em 2001 (para Game Boy Advance) e que parece que foi outro dia que isso aconteceu. Inclusive ele soube do jogo pela Famitsu e ficou bastante impressionado pelo conceito na ocasião – “Objection!”, “Hold It” e todos aqueles impropérios. Mas será que não valeria mais a pena se fosse tocada alguma do Gyakuten Kenji 2 (aquele que a Capcom se recusa a localizar para o Ocidente)?

– Ihatovo Monogatari

O adventure da desconhecida Hect com toques de RPG do Super Famicom está um passo mais fundo da obscuridade dos jogos nunca lançados nos EUA, porque nem tradução de fãs o título recebeu. Nobuo Uematsu disse que a trilha tem o seu lugar na história da game music, com músicas ternas que simulam as cordas (eu achei relativamente convincentes, como mostra a “Ihatovo Praise (from Opening)”, levando em conta que é o SNES). Além disso, ele lembrou que o compositor do Ihatovo Monogatary, Tsukasa Tawada, participou do álbum colaborativo Ten Plants, que possui músicas originais de compositores de games. Apesar de essa lembrança parecer única, o jogo foi homenageado no Orchestral Game Concert 5, o último da série de concertos, com a faixa “Ihatovo Hymn”, em arranjo do próprio Tsukasa Tawada.

– Darius


Uma atualização do tipo “só tem no Press Start”. O mais legal é que isso mostra como eles gostam de volta e meia pegar um shump para colocar no repertório como teve Fantasy Zone em 2009 e Gradius em 2011; isso sem contar, o “Shooting Medley” de 2007, que, inclusive, tocava a “Captain Neo” do Darius. Pelo que dá a entender no texto do Masahiro Sakurai, o arranjo do jogo da Taito de três telas no arcade terá essa e a “Main Theme – Chaos”. Que venham outros shmups!

– Legend of Mana

Até que enfim! Legend of Mana é um desses casos (Shenmue é outro) de um jogo japonês já executado em concertos ocidentais que não apareceram em um espetáculo nipônico. Na verdade, isso só aconteceu uma vez: no Sinfonia Drammatica, realizado na Suécia em 2009, concerto que teve os quatro arranjos do Legend of Mana do álbum drammatica tocados ao vivo. Kazushige Nojima falou sobre a revelação e, pelo que li, será um medley com cinco faixas selecionadas pela compositora Yoko Shimomura. Acredito que “Legend of Mana ~Title Theme~”“Hometown Domina” estejam entre essas como foram citadas. Com essa recordação da série, desde já fica a torcida para o Secret of Mana (com “Danger”) nos próximos anos.

– Final Fantasy XI

Em todas as edições do Press Start, sempre teve um segmento de Final Fantasy. Até 2010, foi meio desanimador: reprises, reprises, reprises. E de segmentos bastante conhecidos. O cenário mudou em 2011, quando foi feito um arranjo novo e exclusivo do Final Fantasy IV. E, de acordo com o que diz o site, mais uma vez será feito um arranjo inédito, desta vez do MMORPG Final Fantasy XI, que completou dez anos de vida em 2012 (considerando o lançamento original para PlayStation 2 no Japão), como lembrou o Nobuo Uematsu. O número será um medley com três faixas, sendo que “Vana’diel March” e “The Republic of Bastok” foram citadas. Como a primeira é do Naoshi Mizuta e a outra da Kumi Tanioka, aparentemente há a intenção de ter uma música de cada compositor. Sabendo que a terceira é do Nobuo Uematsu, deve ser a Final Fantasy XI Opening Theme”. A despeito de eu somente ter citado brevemente o concerto de FFXI no anúncio da apresentação, o espetáculo gerou o DVD Final Fantasy XI Vana♪Con Anniversary 11.11.11 e é sensacional – espero comentar as melhores faixas sem muita demora.

Set list até o momento:

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

[via PRESS START]

Álbum com arranjos de Muramasa traz faixa executada no Press Start 2010


Por Alexei Barros

Se há um compositor consagrado que é negligenciado nos concertos de games este é Hitoshi Sakimoto. Uma das raras ocasiões em que ele teve uma música executada foi no Press Start 2010, apresentação que contou com uma inusitada performance de Muramasa: The Demon Blade, aquele RPG de ação da Vanillaware para Wii. A trilha não é só dele; também participaram outros compositores da Basiscape, como Masaharu Iwata e Azusa Chiba. O medley, porém, compreende somente duas faixas assinadas pelo Sakimoto.

Um acontecimento raro desses não podia se perder no tempo e, felizmente, a gravação foi incluída no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku, lançado dia 1º de outubro de 2011. Isso que o jogo saiu em 2009. Dane-se o hype! O CD conta com versões arranjadas dessa mesma galera da Basiscape enfatizando as raízes do Japão Feudal com o uso de instrumentos típicos como erhu e shakuhachi, a exemplo das fabulosas trilhas de Okami e da série Samurai Shodown já homenageadas em edições anteriores do espetáculo nipônico. Todavia, eu me limitarei a comentar o segmento do Press Start 2010 que é arranjado por Shuhei Kamimura, do time interno da Company AZA, o qual também fez o arranjo da “Professor Layton and the Curious Village”.

“Muramasa: The Demon Blade” (Press Start 2010)
Originais: “Introduction” ~ “Impermanence”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Shuhei Kamimura
Tsugaru Shamisen: Takemi Hirohara
Shakuhachi: Kohei Matsumoto
Guitarra: Haruo Kubota

Não é fácil conciliar orquestra e guitarra em uma performance ao vivo. Também não é fácil conciliar orquestra e instrumentos folclóricos japoneses ao vivo. E o que dizer de uma execução ao vivo com orquestra, guitarra, tsugaru shamisen e shakuhachi? Somente o arrojo por conciliar elementos tão díspares é digno de aplausos, ainda que o resultado não seja exatamente memorável.

A primeira diferença para ambas as originais são as intervenções da guitarra durante a peça, instrumento que inexistia anteriormente. Sem coral na apresentação, não há algum elemento que remeta aos timbres de coro da composição do jogo.

Na “Introduction”, o tsugaru shamisen não toca desde o início, entrando apenas em um trecho mais incisivo. Apesar do vazio no momento em que surge a “Impermanence” (em 2:19), a colagem entre uma e outra foi feita sutilmente, sem pressa. O shakuhachi faz o solo, imitando a original (a partir de 1:39), com a mesma participação recorrente da harpa. Depois de alternâncias do shakuhachi e orquestra, todos os instrumentos se juntam no desfecho, e a mistura incrivelmente funciona. Gostaria de ouvir uma segunda opinião, mas minha impressão é que a reverberação, ainda que não seja a ideal, não ficou tão alta como no Press Start The 5th Anniversary.


RSS

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej

%d blogueiros gostam disto: