Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X

Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc. Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também.

Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades. Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, como o Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu.

A novidade é que o Luiz escreveu um report para compartilhar no Hadouken! Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.

Ato I
01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. Kessen”

Ato II
04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI”

Por Luiz Macedo

A série Final Fantasy não é estranha a concertos de game music. Desde os Orchestral Game Music Concerts no Japão, os primeiros do gênero, a franquia já se mostrava presente com arranjos da quarta geração dos games. Symphonic Suite Final Fantasy marcou o primeiro concerto dedicado oficialmente a Final Fantasy, e outros ocorreram no Japão e Estados Unidos. Não só isso, mas a série Distant Worlds viaja o mundo tocando arranjos de diversos dos jogos, desde o primeiro até o mais recente, Final Fantasy XIV.

Com tamanha qualidade musical, não demorou para o produtor e fã de game music Thomas Boecker incluir a franquia em seus bem-sucedidos concertos na Alemanha, os primeiros do gênero fora do Japão. Diferentes temas da série estiveram presentes nos Symphonic Game Music Concerts, e uma suíte dedicada a Final Fantasy marcou presença no icônico Symphonic Fantasies. Em Symphonic Odysseys, tributo ao compositor Nobuo Uematsu, novos arranjos foram idealizados, os quais incluíam um concerto para piano. Agora, no décimo aniversário da série de concertos de games idealizada por Thomas Boecker, uma nova produção focada exclusivamente na música de Final Fantasy foi elaborada.

Final Symphony surge então com o intuito de melhor explorar o vasto legado musical deixado por mestres como Nobuo Uematu e Masashi Hamauzu. A ideia não só é lógica em decorrência da riqueza das composições da série, mas também pelos contatos que Boecker manteve ao longo de todos seus anos de experiência. Uematsu foi o primeiro a expressar o desejo de ouvir um concerto dedicado a Final Fantasy que incorporasse o estilo único presente em Symphonic Fantasies. Quando Boecker apresentou o conceito de Final Symphony a Uematsu, o compositor foi rápido em mostrar sua aprovação, e a companhia Square Enix também se mostrou interessada pelo projeto.

Como em produções anteriores de Thomas Boecker, o programa do concerto não se pautou por obviedades. O objetivo do time é contar a história dos games através da música e aproveitar temas nunca arranjados até então, e para tanto o número de jogos foi limitado a três: os episódios VI, VII e X da franquia. Os formatos são oriundos da música clássica: Final Fantasy VI se torna um poema sinfônico, Final Fantasy X é transformado por Hamauzu em um concerto para piano e Final Fantasy VII é recontado a partir de uma sinfonia em três movimentos.

A estreia mundial do concerto ocorreu em Wuppertal, Alemanha, no dia 11 de maio de 2013, com duas apresentações, às 14:30 e 19:30 locais. O histórico Stadthalle Wuppertal sediou o evento, com Eckehard Stier conduzindo a Orquestra Sinfônica de Wuppertal. Nobuo Uematsu, que também foi consultor do projeto, e Masashi Hamauzu, arranjador da peça dedicada a Final Fantasy X, estavam presentes em sessões de autógrafos antecedendo as apresentações. Os arranjadores Jonne Valtonen e Roger Wanamo também marcaram presença. Por fim, Benyamin Nuss retornou como o pianista principal após sua participação em produções anteriores, com destaque para a suíte de Kingdom Hearts em Symphonic Fantasies e o concerto para piano em Symphonic Odysseys.

A fila para conseguir um autógrafo dos compositores estava tipicamente longa. Mesmo com uma hora e meia para cada sessão, muitos não conseguiram chegar ao local onde se encontravam Uematsu e Hamauzu. No dia estavam à venda CDs de Symphonic Fantasies em Tóquio e pôsteres dedicados ao concerto, mas muitos levavam suas trilhas sonoras, jogos e até mesmo consoles para serem assinados pelos seus ícones. Terminadas as sessões, todos se dirigiram à sala principal para experienciar a música através dos novos e ambiciosos arranjos.

Eckehard Stier subiu ao palco para reger a performance da “Fantasy Overture”, composição inédita de Jonne Valtonen para abrir o concerto. Como em Symphonic Fantasies e Symphonic Legends, Valtonen escreve uma peça apropriada para o conteúdo que virá posteriormente. Explorando diversas seções da orquestra para manifestar a ideia temática principal, a peça mantém a pompa com a explosão nos metais e as cores com o desenvolvimento nas cordas. Não deixa de lembrar em momentos John Williams, compositor de cinema pelo qual Valtonen já mostrou admiração. Uma bela composição para um cenário fantástico.

O poema sinfônico escrito por Roger Wanamo baseado no jogo Final Fantasy VI tem como foco a jornada da protagonista Terra Branford, em sua busca para descobrir mais sobre si mesma após ser escrava do Império e em sua luta contra o vilão psicótico Kefka Palazzo. O arranjo mostra desde o início que será uma grande e emocionante jornada musical por aquela que é considerada por muitos como a melhor trilha de um jogo já composta.

Começando da mesma maneira que a “Overture” da lendária “Opera Maria and Draco”, o poema nos lembra a marcante história que estamos prestes a reviver. Passamos ao tema “The Empire “Gestahl”” retratando a opressão do Império enquanto o tema da protagonista, “Terra’s Theme”, é referenciado em partes. Em meio a essa opressão, o tema se completa pela primeira vez de maneira melancólica e pungente, um dos momentos mais emocionantes do arranjo. “Kefka” então aparece para mostrar sua relação com o Império. O tema, a princípio humorístico com sua melodia circense, torna-se cada vez mais caótico e violento, perfeitamente representando a personalidade maliciosa e perversa do antagonista. O poema continua com Terra em busca de seu passado, ao apresentar “Another World of Beasts”, e a melodia misteriosa soa excelente com a orquestra. No entanto, o retorno de “Kefka” e o crescendo poderoso mostram que o inevitável conflito chegou, o qual é retratado com “Battle Theme” e “Save Them!”. Ambas, nunca orquestradas anteriormente, soam semelhantes às originais, mas Wanamo introduz novos detalhes e referências aos temas do vilão, de forma que a sequência de ação se mantém empolgante, com especial menção à percussão furiosa. Terminada a batalha e dissipada a fumaça, “Terra’s Theme” se destaca vitoriosa, e o tema retorna para a sua interpretação mais grandiosa e triunfante no arranjo. A protagonista chega a um acordo com seu passado e pode viver em liberdade. A “Overture” da “Opera Maria e Draco” termina com graça a jornada contada em Final Fantasy VI e magistralmente recontada por Roger Wanamo.
O próximo arranjo é  dedicado a Final Fantasy X, e dessa vez o próprio compositor foi o responsável pela sua elaboração. Masashi Hamauzu arranjou composições suas e de Uematsu para o concerto para piano, enquanto Roger Wanamo foi responsável pela orquestração. A respeito dele, Hamauzu teve a dizer: “Ele é um dos melhores orquestradores da Europa”.

Como fã de longa data de Hamauzu, aguardava ansiosamente o arranjo, já que um concerto para piano parece o formato ideal para o compositor, considerando sua paixão pelo piano e os resultados formidáveis que podemos ouvir quando Hamauzu o utiliza em suas peças. Ele aqui teve a intenção de expandir ideias que não conseguiu transmitir quando trabalhava em Final Fantasy X.

Imediatamente percebemos que a peça só poderia ter sido escrita por Hamauzu. O piano impressionista que lidera a peça e o violoncelo que marca presença no começo são elementos típicos de sua obra. “At Zanarkand” é desenvolvida extensamente com novos ritmos e acordes, e o resultado é extremamente belo. O arranjo pode não agradar a alguns fãs, já que não é uma versão óbvia e direta da música, mas tais interpretações nunca foram o objetivo de qualquer dos concertos de Boecker. Posteriormente, “Besaid Island” é bem adaptada para soar orgânica com a orquestra. Pode-se visualizar uma praia iluminada com a escolha dos instrumentos, com “At Zanarkand” sendo tocada em justaposição, até o fim do primeiro movimento.

O segundo movimento, “Inori”, inicia-se com “Song of Prayer”, arranjada também de forma impressionista, até que “Thunder Plains” é introduzida, com seus acordes elegantes, mantendo-se energética como a original e com a adição de detalhes sublimes no piano. “Yuna’s Decision” aparece imediatamente após, ainda que brevemente, quase que como o clímax de “Thunder Plains”. É uma aparição que causa surpresa, pois a original foi arranjada por Junya Nakano, o terceiro compositor de Final Fantasy X, ainda que a partir de uma composição de Uematsu. “Song of Prayer” retorna, contemplativa e hipnótica como só Hamauzu sabe criar. O arranjo preenche a sala de uma forma simplesmente mágica. Ela cresce, acalmando-se novamente e terminando o movimento.

Já o terceiro movimento, “Kessen”, distingue-se dos outros dois por focar-se em temas de batalha. Após a breve introdução com o tema presente em “Ending Theme” e um apenas um pouco mais de “Yuna’s Decision”, “Assault” nos toma de surpresa, e aqui Benyamin Nuss mostra toda sua habilidade. O arranjo é empolgante com suas passagens virtuosísticas, enquanto a orquestra toca o tema de forma bem semelhante ao original. Em meio à ação, ocorre uma transição natural para “Decisive Battle”, na qual o virtuosismo prepondera e o arranjo mantém o alto nível de empolgação. Após a execução de ambas as peças, o arranjo retoma “At Zanarkand” e fecha num crescendo.

Se há uma crítica a ser feita, é quanto ao desenvolvimento das peças escolhidas, ou melhor, como ele poderia ter sido maior e mais integrado com o resto em alguma delas. Gostaria que Hamauzu tivesse desenvolvido mais os seus temas, em especial os de batalha. Igualmente, a aparição de “Yuna’s Decision” durante “Thunder Plains” poderia ter sido mais bem aproveitada, como poderiam também as identidades musicais que aparecem no terceiro movimento para simbolizar Zanarkand e o fim do jogo. A sensação que fica é que as peças originais são utilizadas, mas sem criar exatamente uma relação maior com o que está sendo tocado. No geral, o arranjo, ainda que excelente e mantendo o espírito das peças originais (e explorando fantasticamente “At Zanarkand”), poderia ter criado um arco emocional mais satisfatório enquanto concerto para piano.

Após a pausa, o momento em que grande parte das audiências mais esperava, como se pode inferir da reação da plateia à simples menção de Final Fantasy VII. Jonne Valtonen ficou encarregado de contar a história do jogo através de sua música, e para tanto o formato de sinfonia foi adotado. Os três movimentos somados são mais longos que os cinco do poema sinfônico da série The Legend of Zelda, também por Valtonen, estreado no concerto Symphonic Legends. Isso torna a sinfonia de Final Fantasy VII o mais longo arranjo da série de concerto de games na Alemanha, e consequentemente a mais longa peça orquestral com música de jogos. Mais uma vez, a produção de Boecker bate recordes e entra para a história.

O primeiro movimento, intitulado “Nibelheim Incident”, tem como foco o antagonista Sephiroth, e reflete o seu tumulto interior na vila de Nibelheim. A sinfonia começa com “Those Chosen by the Planet”, na qual o tema secundário de três notas do vilão é introduzido. Tal início mostra o tom sombrio do jogo e da sinfonia, e de fato esse tom dominará o arranjo. “Opening” aparece nos metais em meio a esse cenário conturbado. Em seguida, “Who am I?” denota a confusão e desespero do vilão ao descobrir sua origem na vila. O tema de três notas é retomado e expandido de forma macabra, sendo que as cordas produzem sons reminiscentes da trilha de Psicose num ritmo familiar, e isso só pode querer dizer uma coisa: “One-Winged Angel” está perto. Porém, “J-E-N-O-V-A” aparece antes, e em versão mais sombria do que qualquer outra já feita, com o tema carregado pelas cordas. O som se torna progressivamente caótico, e, após os efeitos criados pelo clarinete e piano, “One-Winged Angel” aparece em sua integridade. Duas coisas podem parecer imediatamente surpreendentes: a primeira é a posição da peça já no final do primeiro movimento, e a segunda, a ausência do coro, elemento que define a peça e pelo qual o tema é tão relembrado por quem quer que o ouça. A primeira faz sentido considerando a lógica da sinfonia, pois “One-Winged Angel” representa o fim do tumulto de Sephiroth e a sua loucura. Quanto à segunda, as habilidades de Valtonen como compositor fazem com que a falta do coro não seja um problema. O tema cantado pelo coro é alternadamente tocado em diferentes seções da orquestra. As três notas do “Sephiroth” cantado pelo coro são tocadas por toda a orquestra, criando enorme impacto onde todos sabem estar o nome do vilão. Além disso, o tema secundário de Sephiroth é incorporado no final, tornando tudo ainda mais sombrio. Valtonen usa a percussão de maneira muito eficiente ao longo do arranjo, de forma que o tema se mantém ameaçador e intimidante durante toda a sua execução. Mesmo sem o coro, o arranjo consegue ser mais interessante que o de Shiro Hamaguchi, por ser mais detalhado e apresentar maior variação durante o seu desenvolvimento.
“Words Drowned by Fireworks” é dedicado ao lado romântico de Final Fantasy VII, e explora os temas de amor e perda. “Interrupted by Fireworks”, como não poderia deixar de ser, abre o movimento, e Valtonen desenvolve bem o tema para explorar sua melodia romântica. No entanto, o som atonal súbito mostra que o encontro entre Cloud e Aerith é apenas um breve momento de pausa no contexto sombrio do jogo. Passamos então ao “FFVII Main Theme” em toda a sua glória, e a partir desse momento o foco será as duas protagonistas, Tifa e Aerith. “Tifa’s Theme” é a primeira a ganhar o espaço e ver seu tema desenvolvido integralmente. O resultado é fantástico, e é também a primeira vez que a peça é orquestrada. Chega a vez de “Aerith’s Theme”, e Valtonen aproveita para explorar o tema, inclusive uma vez no glockespiel. O tema se repete, mas apresentando dissonâncias, para representar o futuro cruel que aguarda a protagonista. De repente, o ritmo de “One-Winged Angel” entra furiosamente, e nós sabemos o que isso significa. “Aerith’s Theme” retorna, mas com muitas incertezas, e a inocência do tema é contrastada com o tema secundário de Sephiroth, o qual fica cada vez mais alto. “Aerith’s Theme” entra numa dança desesperada, e as cordas, produzindo sons completamente distorcidos, denotam puro horror. Um estrondo leva ao silêncio completo na sala. Simplesmente incrível o que todo esse segmento transmite para quem conhece a história do jogo. Finalmente, as cordas produzem sons fracos e frágeis, como de uma vida que se esvai.

O último movimento, “The Planet’s Crisis”, começa com a curta mas impactante “The Countdown Begins”, e aqui o tema comum é a luta do bem contra o mal. Para a surpresa e o agrado geral, ouvimos as primeiras notas de “Cid’s Theme”. Mas “The Great Warrior” aparece em sua totalidade antes, expondo o tema de Red XIII. O arranjo da melodia tocante começa com oboé, e é expandido nas cordas e nos metais, conferindo um tom heroico ao personagem. “Cid’s Theme” é ouvido logo em seguida, finalmente marcando sua estreia em um arranjo orquestral, e Valtonen permite que o tema se desenvolva expondo sua melodia sublime. Tal começo é um dos pontos altos do concerto, e é uma pena que esse segmento dedicado às identidades musicais dos dois personagens seja tão curto. Mas o fim está próximo, e o conflito é representado por “Jenova Absolute”. Os temas dos personagens são retomados brevemente, para mostrar sua união contra o mal comum. “World Crisis” expressa o confronto final, e as identidades de Sephiroth se manifestam uma última vez, anunciando a sua derrota. A sinfonia termina grandiosamente baseada em “World Crisis”, num tom de triunfo e cura com a destruição do meteoro. O “FFVII Main Theme” pode ser ouvido durante esse momento de vitória, e posteriormente, pondo fim à jornada musical absolutamente espetacular criada por Jonne Valtonen.

Esse não era o fim do evento, porém. Como nos concertos passados da série alemã, os fãs foram ainda presenteados com dois encores. Dessa forma, o concerto se aproxima mais de Symphonic Odysseys, em que dois encores foram tocados, mas que eram mais tradicionais em sua estrutura. A noite era realmente de Final Fantasy VII, para o delírio de muitos dos fãs presentes, e o primeiro encore apresentou “Continue” e “Anxious Heart”, ambos do jogo, e o famoso prelúdio representando a série. O segundo lembrou o momento “One-Winged Angel” e “Chocobo” da suíte Final Fantasy no Symphonic Fantasies, porque aqui ocorre a mesma coisa, só que com “The Fierce Battle” e “Mog”, de Final Fantasy VI (a melodia da última é baseada na “Moogles’ Theme”, de Final Fantasy V). A primeira, agressiva e intimidante, foi subitamente interrompida pelo tema dos Moogles, que se desenvolveu com o charme habitual. Os encores foram mais diretos nas interpretações, mas não menos satisfatórios, com destaque para “Anxious Heart” e “Mog”.

A performance da Orquestra Sinfônica de Wuppertal, sob a regência de Eckehard Stier, deu vida aos arranjos de forma extraordinária, e a acústica excelente do Stadthalle permitiu que a música repercutisse na sala com todo o drama e a emoção desejados. Não é preciso dizer que a reação da plateia foi incrivelmente entusiástica. A salva de aplausos que seguia cada item do programa mostrava a paixão e o entusiasmo dos que estavam presentes. A plateia mostrava sua euforia quando os compositores e arranjadores entravam na sala no começo de cada ato, e também quando os compositores eram associados a suas respectivas peças pelo apresentador Winfried Fechner. Muitos, inclusive quem escreve, aplaudiam de pé.
Só deixo uma crítica nesse aspecto, relativa ao tempo dedicado aos discursos do apresentador. No total, creio que aproximadamente 30 minutos foram dedicados à sua fala apenas, e, enquanto tal situação possa parecer pior para quem não fala alemão, acredito que os discursos não tinham duração proporcional às peças (antes do concerto para piano, o discurso durou mais de 10 minutos, e a peça em si tem 20). Mas agradeço a menção ao Brasil na lista de países presentes no evento (isso ao menos entendi)!

No final, ficou muito claro que Final Symphony é um sucesso absoluto. Boecker e seu time retomam elementos de concertos passados para expandi-los e refiná-los, e o resultado são arranjos do mais alto nível, que podem e devem ser apreciados tanto por quem conhece as composições originais como por quem tem interesse em música orquestral. A união das fantásticas composições originais com o talento e a ambição dos arranjadores produz mais uma vez um concerto que se destaca em relação aos demais do gênero, e que desde já deixa uma marca muita clara na história dos concertos de música de jogos.

Há ainda muito no futuro de Final Symphony. A produção passará por outros lugares ao redor do mundo. Com data já marcada, o concerto ocorrerá no dia 30 de maio no Barbican Hall, em Londres, com a prestigiosa London Symphony Orchestra. É a primeira vez que a orquestra tocará músicas de games ao vivo, o que marca mais um momento histórico para as produções de Boecker, Final Fantasy e música de games em geral. Uma gravação em CD é uma possibilidade para o ano que vem, segundo Boecker. Com isso, ficamos na esperança de que esse evento histórico seja gravado para que a sinfonia final se repita ainda muitas e muitas vezes.

Crédito das quarta, sétima e última fotos:  Luiz Macedo

Crédito das demais fotos:

© intuitive fotografie köln // Philippe Ramakers

Mais uma vez agradeço ao Luiz pelo report extenso, detalhado e sensacional do espetáculo, assim como pelas belas imagens fotografadas.

12 Responses to “Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X”


  1. 1 Radical Dreamer 19/05/2013 às 11:45 am

    Alexei, mais uma vez obrigado pelo capricho na publicação. Ficou excelente! Valeu :)

  2. 4 Marcelo Martins 23/05/2013 às 10:38 am

    Luiz e Alexei,

    Muito obrigado pelo esforço conjunto para compartilhar essas informações. O texto ficou excelente, com a qualidade esperada aqui no Hadouken. Alexei, muitíssimo obrigado por caçar esse bootleg pra gente poder ouvir o que aconteceu nesse dia. Uma coisa boa de concertos sinfônicos é que o pessoal fica bem caladinho! ;) Dá pra ouvir tudo muito bem.

    O novo arranjo de Zanarkand transformou bastante a música. É praticamente uma releitura inspirada na original e ficou muito bonita. Para mim, soa muito mais moderna do que a versão original. Também sou fã de Hamauzu e as coisas de piano que ele faz são geniais. Inclusive, recomendo dar uma conferida no álbum solo dele (Imeruat – Black Ocean). É uma mistura de música eletrônica com new age e lembra algumas coisas de Final Fantasy XIII-2.

    Fiquei muito curioso pra ouvir a “Fantasy Overture”, de Valtonen. O link na página não funciona. ;(

  3. 5 Alexei Barros 24/05/2013 às 2:55 am

    @ Radical Dreamer

    Como te disse no e-mail, que isso! Eu que agradeço pelo tempo que você passou escrevendo o artigo. Valeu!

    @ fezones

    Pois é, bota privilégio nisso.. E a gente com cada coisa por aqui anualmente no segundo semestre…rs

    @ Marcelo

    Poxa, mas o mérito todo é do Luiz; foi ele quem esteve lá de fato, hehe…

    Muito bem lembrado sobre o comportamento silencioso do público. Mesmo no Symphonic Fantasies e Odysseys deu para notar uma galera um pouco mais exaltada que nem esperava a música acabar direito para aplaudir. Mas, claro, nada ainda no nível animalesco do VGL. No Final Symphony o pessoal se comportou como… japoneses.

    Para ser sincero, nem deu tanto trabalho assim encontrar esse bootleg. A fonte dele é o fórum do maior site de compartilhamentos de músicas de games que todo mundo conhece. :P Os bootlegs do Press Start, quando existiam, eram muito mais difíceis de conseguir.

    Concordo sobre a Zanarkand, e incrível como esse arranjo conseguiu fundir os estilos do Uematsu e do Hamauzu em uma coisa só. Aliás, seria legal que houvesse outras trilhas com essa dobradinha, se não me engano foi o único jogo que eles trabalharam juntos. E ainda preciso correr atrás do Imeruat – Black Ocean, lapso ainda não ter ouvido.

    Por fim, por uma besteira minha, o link para a “Fantasy Overture” no report estava errado, mas o da track list estava ok. De qualquer forma, está arrumado, valeu pelo toque.

    Não sei também o que o Luiz/Radical Dreamer acha, mas essa fanfarra para mim só perde para a “Opening Fanfare” (que tem o dedo do Uematsu na composição) do Symphonic Odysseys que é a minha favorita. Gostei mais do que a “Fanfare for the Common 8-Bit Hero” do Symphonic Legends e a “Fanfare Overture” do Symphonic Fantasies.

    • 6 Radical Dreamer 27/05/2013 às 7:33 pm

      @ Marcelo

      Obrigado mesmo Marcelo! Espero que com o texto todos tenham uma noção melhor do que aconteceu. Mas o Alexei foi muito cuidadoso e também tem seus méritos!

      @ Alexei

      Concordo Alexei. O Valtonen não tem o dom pra melodias que o Uematsu tem, mas essa fanfarra foi no geral mais excitante e memorável do que as do Legends e Fantasies. Mais uma vez estamos de acordo!

  4. 7 jejepinheiro 10/06/2013 às 1:40 am

    Parabéns pela matéria vocês dois! Fiquei maravilhada aqui, ainda mais escutando os arranjos da sequência Final Fantasy X, meu favorito diga-se de passagem. O que mais gostei inclusive foi terem dado destaque aos temas principais mesmo, e para minha surpresa, até mesmo Thunder Plains foi incluído na composição… Foi então que arrepiei e quase chorei de emoção.

    Lindo demais! Não desmerecendo trabalhos alheios, mas esta foi de longe a orquestra mais bem feita sobre Final Fantasy que já escutei.

    • 8 Alexei Barros 11/06/2013 às 5:13 pm

      Bom, mas todo o mérito é do Luiz por ter estado lá e ainda ter escrito o artigo. :P

      Gostei muito também do segmento de FFX, e acho que não tinha como dar errado quando anunciaram o Masashi Hamauzu como arranjador. Minha parte favorita é definitivamente a “Decisive Battle”.

      E olha que mesmo sendo o concerto épico acho incrível como ainda sobraram muitas músicas excelentes que para mim mereciam ser arranjadas…


  1. 1 Final Symphony ganha novas apresentações na Dinamarca, Suécia e Japão | Hadouken Trackback em 07/02/2014 às 11:36 am
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