As músicas da demo de Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII

Por Alexei Barros

Os fãs mais impacientes não perdem por esperar pela trilha de Final Fantasy XIV, que terá o retorno integral de Nobuo Uematsu à composição – repito, o que não acontecia desde FFIX. Mas ainda aguardo com muita expectativa as músicas de FFXIII por confiar no talento do alemão Masashi Hamauzu. Falando nisso, curiosamente Uematsu ainda não terminou o tema de FFXIII, conforme informou o Fabão via Twitter.  Ademais, um mero chute, não espero uma participação especial como do Taro Hakase e Yuji Toriyama no FFXII.

A demonstração do RPG que veio junto com a versão japonesa do Blu-ray Final Fantasy VII Advent Children Complete (recente aquisição de Cloud Prandoni, claro que a edição americana) saiu em 16 de maio, mas mesmo atrasado preferi não passar em branco.

Do pouco que conheço do trabalho do Hamauzu, fico com a impressão de que ele adota o mesmo estilo do SaGa Frontier II, Unlimited SaGa e Sigma Harmonics, ou seja, ênfase em piano e violino com ressonâncias eletrônicas, só que com a inspiração na potência máxima. Até onde sei os ripadores conseguiram extrair oito faixas, das quais três eram conhecidas: uma do primeiro trailer da E3 2006 e duas que vieram do site oficial.

- “Main Menu”

Era a primeira BGM que tocava na página do jogo. O solo de piano de início da a impressão de que teremos uma sucessora à altura de “Zanarkand” (FFX) ou mesmo uma equivalente de “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts), porém logo se unem instrumentos de sopro e cordas para um encerramento mais pomposo.

- “Opening Movie (SFX)”

Calma, tranquila, com violinos e piano até entrar a orquestra, alternando para momentos mais serenos e de pura grandiosidade. Por ser de uma cutscene, possui indesejáveis ruídos das cenas de ação.

- “Battle On the Train”

Essa também conhecíamos: era o segundo BGM que brotou no site oficial. O princípio e o desfecho eletrônicos refletem o que comentei na introdução, passando para toda a tensão que exige uma música de combate.

- “Battle Theme”

O tema é, na realidade, a música daquele primeiro trailer de anúncio do FFXIII na E3 2006. Agora completo. É uma variação da anterior, com a diferença de que há um solo de violino que irrompe e sobressai de maneira majestosa, acompanhada pela batida da bateria. Essa eu queria em um concerto.

- “Boss Battle”

O clima militar deixado pelos metais graves deixa um ar de Hitoshi Sakimoto, especialmente em FFXII. Mas o piano é totalmente Hamauzu, pois não faz o mero acompanhamento, e sim dita os passos do tema, como em um concerto para piano.

- “Restricted Area ~ Hanged Edge”

Eis uma música puramente Masashi Hamauzu, com a introdução povoada por efeitos eletrônicos em parceria com as cordas. Pouco depois, há uma pausa para uma intervenção no piano, que cresce vagarosamente e interpola de novo com as cordas. Mais para o final, um inesperado solo de violino emerge e desaparece subitamente.

- “Resistance Front ~Hanged Edge”

Metais entram, a bateria faz a batida militar, e a orquestra dá continuidade à magnitude. Outra com quê de Hitoshi Sakimoto à la FFXII.

- “The Bridge”

Mistério total. Esparsas notas do piano conferem suspense. Sons eletrônicas surgem e se confundem com os outros elementos. Um estilo enigmático que Final Fantasy não estava acostumado a apresentar.

“The Legend of Zelda: A Link to the Past Medley” – The Legend of Zelda: A Link to the Past (Last Elixir Wind Orchestra)

The Legend of Zelda: A Link to the Past
Por Alexei Barros

Repare que foram raras as vezes em que fiz posts sobre as trilhas da série Zelda. O problema é que a maioria das performances sofre da síndrome de Mario, que reduzem todo um universo musical para um tema, a “Overworld” de The Legend of Zelda. Mas esse apego ao óbvio definitivamente não passa pela mente das orquestras amadoras japonesas.

A Last Elixir Wind Orchestra, em mais uma prova de talento, fez um medley de cerca de cinco minutos, selecionando músicas quase nunca lembradas, mas que sempre estiveram lá, suplicando para serem arranjadas. Algumas (bem poucas) transições, sempre elas, são feitas subitamente, mas no meu modo de ver são aceitáveis porque a sequência de faixas recria a experiência de jogo.

Isso fica comprovado logo no início. Depois da entrada triunfante do tema da tela-título “Title”, vem a “Select Screen”. Não entendo como costumavam ignorar uma música tão bela – e tão simples também.  Porém, é acompanhada por notas esparsas na flauta que imitam o som de mudança de letras enquanto você escolhe o seu nome. É um mero detalhe que nunca vi feito dessa forma, e denota a criatividade da LEWO.

Em seguida vem a aclamada “Overworld”, que transita vagarosamente para a singela “Forest” até a fanfarra “Master Sword Demo”. A “Dark World” vem logo após, encerrando com a melodia na flauta entoada pelo Flute Boy (atenção para o spoiler no vídeo), outro detalhe pontual altamente nostálgico. Uma pausa, e aparece a pompa de “Hyrule Castle”, emendada no nervosismo da “Boss ~BGM~”. Batalha vencida, o tilintar dos tímpanos abre a estrada para comemoração “Boss Clear Fanfare”. Totalmente espetacular!

Senti a ausência de duas músicas fundamentais: “Kakariko Village” e “Dark Mountain Forest”, mas uma coisa de cada vez. Foram tantas lembranças de faixas ignoradas que nem consigo protestar com tanta força pela criatividade de seleções e da performance do medley.

“The Legend of Zelda: A Link to the Past Medley”

“Title” ~ “Select Screen” ~ “Overworld” ~ “Forest” ~ “Master Sword Demo” ~ “Dark World” ~ “Hyrule Castle” ~ “Boss ~BGM~” ~ “Boss Clear Fanfare”

Symphonic Fantasies: a presença de Yoko Shimomura

Yoko Shimomura

Por Alexei Barros

Há quase quatro meses não falava do Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Recapitulando, será um concerto que prestará tributo às séries Final Fantasy, Chrono, Mana e Kingdom Hearts, a acontecer em 12 de setembro no Philharmonic Hall em Colônia, Alemanha. Nesse meio tempo, foi confirmada uma nova apresentação para o dia 11 do mesmo mês no König Pilsener Arena em Oberhausen. Um dos maiores atrativos da récita – e uma constante nas produções do Thomas Böcker –, é a presença de compositores japoneses na plateia. Serão três: a identidade deles estava mantida em segredo até então.

A primeira da lista é ninguém menos do que Yoko Shimomura, aquela que fez trilhas do naipe de Street Fighter II, Super Mario RPG, Parasite Eve, Legend of Mana, Kingdom Hearts… Surpreende? “Ano passado gravei um álbum juntamente com a WDR Radio Orchestra. Agora será uma grande honra para mim ouvir música ao vivo, dessa vez junto com os fãs!”, é a mensagem que ela deixou. Pois então, o álbum citado é o drammatica: The Very Best of Yoko Shimomura, cuja gravação da WDR Radio Orchestra, a mesma do Symphonic Fantasies, foi acompanhada por Shimomura na Alemanha. Com os coralistas do Choir Cologne, serão cerca de 120 instrumentistas sob a regência de Arnie Roth.

No dia 4 de agosto, a mestra também estará na Suécia para acompanhar o concerto Sinfonia Drammatica, e o repertório incluirá oito das 16 presentes no disco, sendo quatro de Legend of Mana, três da série Kingdom Hearts e uma de Live a Live. Ressalto, porém, que todos os arranjos do Symphonic Fantasies serão novos, aos cuidados do meticuloso Jonne Valtonen, e portanto diferentes do drammatica. Minha maior dúvida, sempre referente ao set list: haverá Kingdom Hearts e Legend of Mana ou apenas Kingdom Hearts? Porque o Legend não é mencionado no release, somente Secret of Mana da série Seiken Densetsu, o que acho positivo, porque assim haverá mais espaço para as melodiosas composições do Hiroki Kikuta, além do que Legend será homenageado como nunca no espetáculo sueco.

[via release]

“Final Fantasy Medley” – FFVII, VIII e X (VGO @ Berklee Performance Center)

Por Alexei Barros

Pode notar nas atualizações passadas que os episódios 16-bits de Final Fantasy são os preferidos das orquestras amadoras japonesas. A norte-americana Video Game Orchestra, por sua vez, fez um medley se concentrando em jogos mais recentes, à moda do que acontece nos concertos da série.

A “Aerith’s Theme” (FFVII) costuma aparecer constantemente nessas apresentações oficiais, e foi tocada com maestria. A transição para a “Hymn of the Faith” (FFX) é refinada e sutil a ponto de ser difícil distinguir quando acaba uma e inicia a outra. A escolha da música é uma prova de ousadia, porque é assinada por Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu – os concertos monopolizam as trilhas do principal compositor de FF. Nada de atabaques, somente o coral em atuação etérea. A segunda passagem também é feita de forma tênue para a entrada da “Liberi Fatali”.

Uma performance de uma música manjada como o tema de abertura do FFVIII só se justifica se trazer algo novo, e a VGO faz isso ao introduzir uma banda para juntar-se à orquestra e ao coral. E o que importa se os The Black Mages não releram a “Liberi Fatali”? As duas guitarras entram quando a faixa cresce vagarosamente, e impressionam no duelo (5:30 a 5:36) pela forma com que se encaixam aos versos – embora o timbre de uma delas não tenha me agradado muito. Porém, no excerto (5:46 a 5:53), o coro da VGO mostra que não é tão bom quanto a orquestra e a banda porque me vem à mente imediatamente a referência do coral avassalador das performances grandiosas. Comparando com a versão do jogo, dá para perceber que foi excluída aquela parte sinfônica após o clímax do encerramento (2:56 a 3:03 na original). Talvez a VGO até poderia realizar uma performance melhor no futuro, mas a impressão geral desta é ótima pelo arrojo.

“Final Fantasy Medley”

“Aerith’s Theme” (FFVII) ~ “Hymn of the Faith” (FFX) ~ “Liberi Fatali” (FFVIII)

Mario e o Lobo

Por Alexei Barros

O primeiro semestre de 2009 mal acabou e já foi confirmado o primeiro concerto de 2010. Mas com conceito diferente do convencional, que é apenas evocar sentimentos e memórias por meio das músicas ou então apresentar novas composições. Super Mario Galaxy – A Musical Adventure será uma récita voltada especialmente para as crianças com viés pedagógico, ou seja, enfocando o ensinamento dos conceitos musicais e das sonoridades dos instrumentos. Em outras palavras, é uma versão moderna e nintendista de Pedro e o Lobo, obra de 1936 assinada por Sergei Prokofiev que narrava uma história musical em que cada personagem era representado por um instrumento.

Serão cinco apresentações em escolas das cidades de Meissen, Grossenhain e Riesa na Alemanha nos dias 20, 21 e 22 de janeiro. Regida por Christian Voss, a Neue Elbland Philharmonie tocará cerca de 30 minutos de música de Super Mario Galaxy, e ainda um escritor profissional criará uma história para essa aventura pela galáxia que será narrada ao vivo em um total de 15 minutos. Com a produção voluntária de Thomas Böcker, Super Mario Galaxy – A Musical Adventure terá arranjos do finlandês Jonne Valtonen, os mesmos do Symphonic Shades e do vindouro Symphonic Fantasies. A Nintendo, evidentemente, deu o aval e patrocina o concerto.

[via SEMO]

Artwork do dia: e se New Super Mario Bros. Wii fosse…

1

Por Claudio Prandoni

…o Super Mario Bros. original?

smb2

…ou o fraudulento Super Mario Bros. 2?

smb3

…o fantabuloso Super Mario Bros. 3?

smw

…ou até o inesquecível Super Mario World?

Mais um trabalho fantástico realizado pela gurizada marota do fórum NeoGAF.

Alguém se habilita a fazer com o visual de Super Mario World 2: Yoshi’s Island?

“Darkness and Starlight” – Final Fantasy VI (The Black Mages III: Darkness and Starlight Live)

Por Alexei Barros

Confissão: hoje não gosto tanto dos Black Mages como há alguns anos. Parte da perda de interesse se deve ao fato de que o álbum The Black Mages III foi um tanto quanto mediano, e quase na mesma época saiu o sensacional Falcom jdk Band 2008 Spring, também com arranjos hard rock, só que de jogos diversos da Falcom. Inevitável comparar por conta do estilo. Em muitas músicas a jdk Band possui o adicional do violino em meio às guitarras pesadas, e mais um detalhe: diferentemente do Darkness and Starlight, não conhecia uma música original sequer das relidas no CD. Como a poderosa “Overdosing Heavenly Bliss” do The Legend of Heroes: Sora no Kiseki the 3rd.

Com a empolgação baixa, natural que não esperasse nada muito bombástico em relação ao DVD The Black Mages III Darkness and Starlight Live. Apesar disso, trago o prato principal do show, a performance da música-título “Darkness and Starlight”, vulgo o arranjo rock da ópera do Final Fantasy VI.

Por tentar reproduzi-la da maneira mais fiel possível, acabei não gostando dos mesmos elementos que depreciei na versão em estúdio. A narração execrável de Koori Masao continua lá. Minha principal crítica é quanto ao período entre 1:10 a 3:43, referente ao excerto que Nobuo Uematsu criou especialmente para essa versão, em que os integrantes da banda cantam como um coral. Essa parte é um playback. Os próprios tinham que fazer ao vivo (o que poderia ser constrangedor, já que eles não são cantores e portanto estariam mais susceptíveis a desafinações) ou então usar um coral, pequeno mesmo (o que deveria ser feito). Por fim, não sei se eu que não estou acostumado a musicais, o que dirá musicais gamers, mas não gostei da encenação do grupo R-Mix. O trio Etsuyo Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor) e Tetsuya Odagawa (baixo) dublou os dançarinos que interpretam os papéis da ópera, e não ficou lá muito convincente ver os atores abrindo e fechando a boca para sincronizar com a voz dos cantores.

Tantas antipatias à parte, ainda queria ver uma combinação jamais feita nessa música: “Darkness and Starlight” com Black Mages, vocalistas, coral e orquestra. Sem narração. Sem encenação.

“Darkness and Starlight”

“Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

“Main Theme” – Bomberman 2 (Low-tech Son: 9th Live)

Bomberman 2
Por Alexei Barros

A banda doujin Low-tech Son fez aquilo que deveria ser obrigação para todos esses grupos amadores japoneses: gravar as apresentações. No mais recente show 9th Live eles publicaram vídeos das músicas com a big band T.E.O. e MP3s das performances somente com o conjunto.

A faixa que destaco reproduz uma memorável melodia 8-bits de uma compositora de trajetória curiosa. Além de participar em games, June Chikuma faz parte do trio Le Club Bachraf enfocado em música egípcia e tunisiana e que recentemente tocou na trilha de Sonic and the Secret of Rings.

A “Main Theme” de Bomberman 2 é praticamente a mesma que toca no primeiro jogo, com uma variação ou outra. A escolha dos timbres da guitarra, do teclado e do órgão hammond são baseadas na original e soam como uma versão atual da música 8-bits. Depois entra o shakuhachi, flauta de bambu que destoa da banda conferindo um clima quase que do Japão Feudal. Nesse caso, gostaria que fosse saxofone ou então EWI. Solos de guitarra aguda e baixo comedido mais adiante para fechar. Preferências à parte, é mais uma performance pró-amadora de uma música pouco arranjada – é a primeira vez que falo das trilhas do Bomberman.

- “Main Theme” (Bomberman 2) – Low-tech Son

O adeus a Michael Jackson

moonwalker

Por Claudio Prandoni

E lá se foi o disco voador com o andarilho lunar. Michael Jackson se foi de forma rápida, às vésperas de ousar a reconquista pela glória em uma turnê de, no mínimo, 50 shows e fazer jus à esperança de fãs (como eu) que tinha esperança de vê-lo voltar a brilhar como artista.

MichaelJacksonMascotProvavelmente você sabe que o Rei do Pop deu algumas palhinhas de contribuição nos videogames. O clássico Moonwalker é o maior representante dessas participações, mas há outras tantas e até uma suposta parceria com o Sonic.

Não foi um revolucionário na mídia como tão bem fez com os videoclipes e até quem critique a qualidade dos games, mas eu curtia Moonwalker e acho muito divertidas as aparições de Space Michael em Space Channel 5.

Michael vai e fica aqui não a nossa tristeza, mas sim a homenagem e lembrança do artista pop master multimídia que foi. Abaixo, uma retro-tresloucada-psicodélica produção: Michael Quest III é uma espécie de videohack que exibe MJ interagindo com dezenas de clássicos nostálgicos dos games em uma batalha ferrenha contra Bowser e Super Mario.

TENTE não se divertir.

“Wind Scene” – Chrono Trigger (Nico Nico Quartet)


Por Alexei Barros

O Nico Nico Quartet, aquele mesmo que participou dos sublimes vídeos do Final Fantasy VI posts atrás (clique na tag para relembrá-los), verteu para as cordas da melhor maneira possível a memorável “Wind Scene” no meu entendimento. Enquanto a música aparece na flauta e violinos  no arranjo da Natsumi Kameoka no “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~” (de 1:14 a 1:57), que vem inspirando muitas outras versões orquestradas em concertos, aqui é tocada com o beliscar das cordas, aproximando-se ao máximo da original. O quarteto Devildom String Orchestra, que tem o The Screamer entre os integrantes, já havia executado de forma similar, mas o Nico Nico Quartet foi ainda mais feliz no resultado.

Há apenas o áudio da performance:

“Wind Scene” (Nico Nico Quartet)

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