Posts Tagged 'Yumiko Kanki'

O que são esses arranjos de F-Zero em Mario Kart 8?

Mute City
Por Alexei Barros

Há inacreditáveis dez anos a Nintendo não lança um F-Zero – o último foi o F-Zero Climax, que saiu apenas no Japão para GBA em 2004. Desde então, a produtora tem gostado de provocar, e a mais recente referência é o primeiro DLC do Mario Kart 8, que, entre outras coisas, acrescenta o hovercar Blue Falcon e a pista Mute City.

A consequência disso é que, como não poderia deixar de ser, nessa pista toca o tema “Mute City”. Não apenas isso: a música originalmente assinada pela Yumiko Kanki foi arranjada com a mesma pegada das músicas jazz fusion do Mario Kart 8. Essa guitarra afiadíssima, esse saxofone arrebatador… Não achei que viveria para ver isto:

Mute City

Versão completa:

Assim como a trilha original, muitos nomes importantes do cenário J-Fusion participaram da gravação desse tema. Alguns dos instrumentistas são diferentes, o que me leva a deduzir que essa performance foi gravada depois. Destaco a participação na bateria de Hiroyuki Noritake, que foi integrante do T-Square de 1985 a 2000 – o atual baterista da banda, Satoshi Bandoh, foi quem havia tocado no restante da trilha. E, como antes, a guitarra é comandada por Takashi Masuzaki, do Dimension. O trompetista cubano Luis Valle e o violinista Masatsugu Shinozaki, que participou de bilhões de trilhas e álbuns (e ainda arranjou o onipotente Ogre -Grand Repeat-), são músicos novos em relação à lista original. Os dois e mais o Masato Honma (não confunda com o também saxofonista Masato Honda) estão creditados no fim do vídeo, mas não aparecem. A lista completa:

Guitarra: Takashi Masuzaki
Baixo: Teppei Kawasaki
Bateria: Hiroyuki Noritake
Trompete: Luis Valle
Saxofone alto: Masato Honma
Saxofone tenor/barítono: Takuo Yamamoto
Violino/erhu: Masatsugu Shinozaki

O arranjo está entre as melhores que já escutei da música com banda e só não sacramento esse título porque a competição é acirrada. Também gosto muito da “Mute City” do álbum F-Zero, da “Mute City” do Super Smash Bros. Melee e da “Endless Challenge”, na versão do F-Zero X do álbum F-Zero Guitar Arrange. Difícil eleger uma…

Podia ter ficado nisso, só que, como já disse, a Nintendo gosta de provocar. O que aconteceu: na tela de resultados das colocações foi inserida a versão arranjada da “Ending Theme” do F-Zero de SNES, uma música curta, porém altamente cativante e com baixo marcado ainda por cima. Mancada isso…

O canal da Nintendo publicou ainda vídeos das outras músicas do DLC, alguns deles também mostrando os instrumentistas. Neles é possível ver Masatsugu Shinozaki no erhu e violino e o Luis Valle no trompete.

Dragon Driftway

Hyrule Circuit

Muito agradecido pelas dicas dadas pelo Orakio “O Gagá” Rob e Rafael Fernandes, ambos proprietários felizes do Wii U.

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“F-Zero (Race for Piano and Orchestra)” – F-Zero (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Um dos assuntos que me fascinam nos concertos de games são as dificuldades de verter as músicas para orquestra, seja arranjos literais ou ousados. Melodias frenéticas e ritmos acelerados dificultam a adaptação do que antes era reproduzido por um chip e agora é feito por dezenas de instrumentistas. Do que acompanhei, já se comentou que “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) e a trilha do Mega Man 2 são difíceis de serem traduzidos para o idioma sinfônico. As duas foram relidas sem grandes traumas no Symphonic Fantasies e Distant Worlds no caso da primeira e Press Start no da outra, e gostei de todos os resultados.

A “Mute City” vem se mostrando muito mais avessa à orquestração, impressão esta confirmada pelo Eric “Cosmonal” Fraga. A música parece simples, mas esconde certa complexidade, desde a introdução até o diálogo entre dois instrumentos sintetizados. No primeiro arranjo oficial, “F-Zero (Race Suite)” do Shiro Hamaguchi para o Symphonic Legends, não me agradou a parte introdutória que parece oriunda de um filme sci-fi  e a inserção de outros enxertos originais que atrapalharam o reconhecimento da melodia e desaceleraram a escalada da música. Além disso, o andamento não correspondia à velocidade que exige um tema ingame de jogo de corrida. Não à toa, o segmento foi reformulado para a revisão LEGENDS com arranjo do finlandês Roger Wanamo.

De fato, se os arranjos fossem os hovercars de F-Zero, o veículo de Wanamo daria três voltas de vantagem no de Hamaguchi. A nova versão, um concerto para piano, é inegavelmente mais lépida e com todas as nuances que caracterizam uma ferrenha disputa do título do Super Nintendo. Em vez de abordar a “Mute City” em sua totalidade, o arranjo se concentra em um trecho, o intermédio da melodia (0:20 a 0:37), abandonando a introdução e o diálogo que vem na sequência, imagino que para privilegiar a fluidez. O piano de Benyamin Nuss se opõe às cordas, madeiras e trompas em alternâncias impressionantes, às vezes com a companhia do xilofone. A “Mute City” é encadeada maravilhosamente na “Big Blue” a partir de 3:15, em referência breve e pulando a introdução, para culminar em um solo virtuosístico de Nuss anunciando a retomada da “Mute City”. A orquestra regressa, cruzando a linha de chegada.

Por mais que as originais já deem uma sugestão para passagens pianísticas (como 0:48 a 0:54 na “Mute City” e 0:50 a 0:54 e “Big Blue”), não há tais alusões. É interessante perceber o desenvolvimento e o conflito de toda a peça, que se desenrola com um tom artístico. Porém, mesmo que excepcional e tão associável a F-Zero a ponto de se imaginar uma corrida com a performance, o segmento não me deixou plenamente satisfeito como fã das músicas originais. Aqui novamente evoco trabalhos pregressos. O único momento da “F-Zero (Race Suite)” que, para mim, foi capaz de captar a empolgação da sintetizada é o diálogo que se estabelece entre flautas e trompas. Pois bem: o tão repetido diálogo é, falando por uma opinião estritamente pessoal, se é que uma opinião pode ser impessoal, a minha parte favorita da melodia da “Mute City”. Sobre a “Big Blue”, a aparição da faixa no “Smash Bros. Great Medley” do Shogo Sakai vai mais ao encontro do impacto que se aproxima do rock que as sintetizadas do SNES pendiam e que se cristalizou na “Endless Challenge” de F-Zero X. Entre a velocidade de Wanamo, a adaptação do diálogo do Hamaguchi e o impacto do Sakai, ainda não há um candidato que possa chamá-lo de definitivo.

De todo modo, aproveite o vídeo, porque é um dos poucos disponíveis dos números inéditos do LEGENDS.

[ATUALIZAÇÃO] Pois bem, chega das minhas especulações. Há sim uma explicação para o concerto para piano omitir o trecho do diálogo dos trompetes sintetizados da “Mute City”. Agradeço ao produtor Thomas Boecker por obter a explicação com o próprio autor do arranjo. Com as palavras, Roger Wanamo:

“Você deve ter notado que a melodia da “Mute City” ficou cerca de 50% mais rápida que a original. Depois de um monte de testes, eu cheguei à conclusão de que tinha que acelerar o tempo para expressar a sensação de velocidade e corrida intensa com o piano. Com esse novo ritmo mais rápido, a outra metade da melodia da “Mute City” não funcionou em minha opinião. Eu tentei incluí-la, mas tive de cortá-la quando ficou bagunçada e não soou bem de jeito nenhum.”

– “F-Zero (Race for Piano and Orchestra)”
Originais: “Mute City” ~ “Big Blue” ~ “Mute City”

Composição: Yumiko Kanki e Naoto Ishida
Arranjo: Roger Wanamo
Piano: Benyamin Nuss

LEGENDS: a corrida para piano e orquestra de F-Zero

Por Alexei Barros

Nas vésperas do Symphonic Legends proclamei o segmento de F-Zero o mais aguardado por mim, por admirar a trilha e pelo quase ineditismo na orquestração das músicas. Fiquei confiante pela escolha do Shiro Hamaguchi, em decorrência de sua aptidão nos arranjos de Final Fantasy e Monster Hunter.

No momento em que ouvi a transmissão ao vivo da “F-Zero (Race Suite)”, não fui impactado tanto quanto gostaria. “Mute City” ficou devagar. Deveria ser lépida. “Big Blue” ficou formosa. Deveria ser empolgante. Faltou impacto e velocidade. Não que fossem necessariamente obrigatórias, as introduções de ambas (trechos até 0:19 e 0:15 nas originais, respectivamente) nem sequer foram aproveitadas. Para completar, um dos relatos in loco do evento comentou que a percussão eletrônica do Rony Barrak estava mais alta que a orquestra – desnível que não foi tão sentido pelo streaming. Resultado: a suíte é apenas OK, mas OK é pouco para o elevado patamar de releituras estabelecido pelos concertos de games em Colônia.

Acreditava que o número passaria por uma reformulação no LEGENDS, e logo pensei que o Roger Wanamo, até mais que Jonne Valtonen, seria o nome adequado para  verter satisfatoriamente as faixas de F-Zero, pelo que ele já fez no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends. Quem foi o escolhido? Então. Retomei a expectativa.

“Quando me pediram para arranjar F-Zero, a primeira coisa que pensei foi colocar Benyamin Nuss ao piano. Corrida é velocidade – e o piano confrontando a orquestra inteira é a combinação perfeita para traduzir este sentimento para a música”, afirma Wanamo. “Minha peça segue a estrutura de uma corrida intensa de F-Zero em três voltas. Algumas partes do segmento são suaves, enquanto outras contêm viradas rápidas e oferecem grandes oportunidades para ultrapassar o oponente e conquistar a liderança.”

Não esperava por um concerto para piano. Ainda mais do Wanamo, como as releituras não mostravam uma proeminência no instrumento, a não ser por alguns excertos do “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”. Porém, vale ressaltar que Wanamo estudou piano e chegou a dar aulas. Agora sim F-Zero tem tudo para chegar a mil por hora com a “Race for Piano and Orchestra”.

[via Facebook]

Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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