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Time Trax: uma trilha à frente do tempo no Mega Drive que só veio à tona em 2013


Por Alexei Barros

Acredito que 98% dos posts que escrevo aqui são de compositores japoneses – o restante é dedicado a poucos nomes ocidentais que gosto, como David Wise e Richard Jacques. Mais recentemente, entre tantos caras citados em sites de game music, passei a admirar o trabalho do britânico de nome Tim Follin, que os mais inteirados em jogos antigos já devem conhecer.

Como Yuzo Koshiro, o Tim Follin é um daqueles compositores das antigas que tiravam leite de pedra, conseguindo reproduzir timbres inacreditáveis com chips de som limitados – incrível que, seja por falta de orçamento ou talento, mesmo sem essas restrições, há músicos de hoje em dia que não acertam a mão nos timbres (estou pensando na trilha sintetizada do The Last Story quando falo isso).

Seja no NES, SNES ou então computadores como o Amiga e Commodore 64, ele deixou sua marca com aquelas músicas que você coloca em dúvida se aquilo saiu mesmo de um videogame – ou de um computador.

Um dos trabalhos dele que mais me impressionaram foi para a lata do lixo – isso até julho de 2013. A série de ficção científica de TV Time Trax (desconheço por completo) originaria duas adaptações 16-bit, uma para SNES e outra para Mega Drive. Como de praxe na época, isso ia provocar mais uma discussão entre usuários dos consoles para ver qual delas era melhor. Só que, nesse caso, quem teve um Mega Drive, nem teve chance de argumentar, porque essa versão foi cancelada.

Para cada versão foi escalado um compositor diferente: Richard Joseph, compositor falecido em 2007, ficou com o SNES, ao passo que Tim Follin ficou com o Mega. Por ironia, com todo o respeito ao Joseph que descansa em paz, o trabalho dele não foi nem sombra do Follin, justamente a trilha que foi feita para nada porque o jogo não foi lançado. Para completar, a trilha do Time Trax foi a única que Follin compôs para o Mega Drive e que usaria um driver de som relativamente avançado desenvolvido por Dean Belfield, programador da época do ZX Spectrum e Amstrad CPC.

Já há algum tempo, alguém subiu no YouTube o tema da tela-título e fiquei completamente absorto pela genialidade da música. Felizmente, em julho de 2013, a ROM do protótipo foi dumpada e a trilha ripada, permitindo conhecer mais cinco músicas que Tim Follin havia feito para o jogo. Os nomes acredito não serem oficiais, apenas são identificações genéricas para diferenciar uma faixa da outra.

Comentarei brevemente cada uma delas e peço que você faça o favor de ouvi-las. Todas. Mais de uma vez, se possível. As faixas estão separadas aí embaixo, mas, se você preferir, pode escutá-las continuamente via YouTube.

00:00 – “Title”

Choque… É inacreditável que essa densidade tenha saído do chip YM2612 da Yamaha. Se você prestar atenção, a sonoridade não deixa mentir que se trata de um Mega Drive. Em meio às múltiplas camadas de sons, surge um timbre que lembra mais uma guitarra, seguindo por linhas melódicas criativas. Genial!

04:42 – “Mission Objective”

Essa música provavelmente tem os cinco segundos iniciais mais fantásticos da história do Mega (frase que não deve ser levada a muito sério, porque foi dita por alguém que jogou poucos clássicos do console). Reminiscências dos sons espaciais da tela-título aparecem e, lá para um minuto, a música ganha uma pegada mais jazzística. Mais um pouco e e eu me sentiria navegando pelos menus do Gran Turismo…

12:28 – “Ingame 1”

A meu ver não tão inspirada quanto as demais, a faixa apresenta uma introdução com muita cara de música de jogos de computador em MIDI. Quem jogava FPSs na época do DOS deve se sentir em casa (eu me senti).

04:42 – “Ingame 2”

Retornando à pegada do tela-título, o timbre de guitarra dá o ar da graça, mas os solos alternados são alucinantes e surpreendentes. Para fechar, a guitarra também surge em um solo empolgante.

12:28 – “Ingame 3”

Tema mais pesado que, entre grandes momentos da guitarra sintetizada, apresenta timbres bem característicos do chip de som do Mega Drive.

17:49 – “Game Over”

Apenas 15 segundos de uma guitarra berrante e sons psicodélicos. Tira na hora a frustração de o jogo ter acabado…

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