Posts Tagged 'The Legend of Zelda: Twilight Princess'

Symphonic Legends em Londres: as músicas de Zelda em um concerto superlativo

O Symphonic Legends em Londres foi um dos maiores concertos de games da história, com cerca de 220 pessoas no palco


Por Alexei Barros

Ainda que tardiamente, não posso deixar de mencionar por aqui a realização do concerto Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series em 13 de julho. Sim, no mesmo dia em que a Alemanha se sagrou tetracampeã mundial no Maracanã, o  Barbican Centre London no Reino Unido sediou uma apresentação com músicas da série Zelda com a presença de cerca de 2000 pessoas.

Em termos de números de participantes, a performance foi uma das maiores (se não a maior) que se tem notícia entre os concertos de games, com a conceituada London Symphony Orchestra e o London Symphony Chorus somando cerca de 220 pessoas conduzidas pelo maestro Rasmus Baumann. Foi o segundo espetáculo com músicas de games da LSO, sendo que o Final Symphony, apresentado no ano passado, foi o primeiro. Não bastasse tudo isso, ainda teve o grupo Spark, formado por dois flautistas, um violinista, um violoncelista e um pianista.

O set list foi basicamente um mix dos números de Zelda já executados nos concertos Symphonic na Alemanha produzidos por Thomas Boecker:  a fanfarra assinada por Jonne Valtonen “Fanfare for the Common 8-bit Hero” e o “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”, que foram originalmente apresentados no Symphonic Legends (o segundo também foi executado no LEGENDS); além do “The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra” e “Gerudo Valley”, que apareceram pela primeira vez no Symphonic Selections e novamente contaram com a participação do Spark. Esse segundo segmento, da música com pegada flamenco do The Legend of Zelda: Ocarina of Time, não estava anunciado no encarte e foi uma surpresa, inclusive. A única estreia de fato foi o “The Legend of Zelda: Skyward Sword — Overture”, um segmento arranjado por Roger Wanamo que tem cerca de 20 minutos de duração com músicas do jogo mais recente da série principal.

A London Symphony Orchestra estava com duas harpas – geralmente uma orquestra tem apenas uma

Porém, mesmo para quem conhecia esses arranjos dos concertos passados, houve novidades interessantes. O The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra” contou com algumas alterações mínimas na partitura, assim como as suítes do Symphonic Fantasies foram aprimoradas para o Symphonic Fantasies Tokyo.

Mas a maior mudança aconteceu no “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”, que, por sinal, já havia sido modificado para o LEGENDS, no qual o arranjo havia recebido 4 minutos adicionais. Segundo o report que linkei no fim do post, o tempo total da peça é de 44 minutos, ou seja 8 minutos a mais de quando o poema sinfônico debutou no Symphonic Legends (ele tinha 36 minutos originalmente). A primeira parte foi quase que re-escrita, o movimento “Battlefield” também foi alterado e a seção da “Light Spirit” passou a ser da versão cantada no Soundtrack Cologne: East meets West, com solo da soprano Lucy Feldman. O arranjador Jonne Valtonen levou pelo menos 3 meses para concluir essa revisão.

Infelizmente, o Symphonic Legends – Featuring music from The Legend of Zelda series foi um privilégio restrito aos presentes na casa de espetáculos em Londres, já que, por conta da atual filosofia restritiva da Nintendo, dificilmente o concerto será lançado em CD. Para piorar, um usuário chegou a publicar gravações (em uma qualidade terrível) no YouTube, mas elas foram retiradas a pedido da London Symphony Orchestra. Portanto, dificilmente vai dar para ouvir alguma coisa dos segmentos em um registro apreciável. Até o momento, não há planos de apresentações em outros locais, porque essa grandiloquência de instrumentistas e coristas só foi possível, por ora, para esse espetáculo em Londres. Contudo, o encarte do Symphonic Legends confirmou que em 2015 haverá um novo concerto de games com a London Symphony Orchestra. Tomara que ao menos o futuro espetáculo também não fique só na memória dos espectadores.

Set list:

Ato I

01. “Fanfare for the Common 8-bit Hero”
02. “The Legend of Zelda: Skyward Sword — Overture”
03. “The Legend of Zelda: The Wind Waker — Concerto for Spark and Orchestra”
04. “Gerudo Valley” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time)

Ato II

05. “The Legend of Zelda: Symphonic Poem”

Composição: Jonne Valtonen (01), Nintendo (02~05)
Arranjo: Jonne Valtonen (01, 04, 05), Roger Wanamo (02, 03)

05-SLL_Spark_02

O grupo Spark garantiu uma performance virtuosística no arranjo com influência folk de The Legend of Zelda: The Wind Waker

 

[via Blipico, Zelda Informer, LSO, spielemusikkonzerte.de]

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Soundtrack Cologne – East meets West: a vez de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess


Por Alexei Barros

Mesmo que sem o mesmo impacto dos concertos alemães de Colônia como o Symphonic Fantasies ou o Symphonic Odysseys, o Soundtrack Cologne – East meets West, apresentação marcada para o dia 16 de novembro na mesma cidade, está ficando, a cada par de atualizações, mais interessante e fora do lugar-comum. Primeiro foi Journey e Turrican II, depois Xenogears e Unlimited: SaGa. Agora é a vez das confirmações nintendistas de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess.

Quando disse “Star Fox”, entenda Star Fox, de SNES, e o Star Fox 64: o arranjo preparado por Jonne Valtonen, de nome “Toward the Celestial Sphere”, abriu o LEGENDS, versão revisada do Symphonic Legends mostrada na Suécia. Nenhuma objeção pela repetição. O único registro, e amador ainda por cima, está no YouTube e nem cobre toda a música. Já que o Soundtrack Cologne vai ser transmitido ao vivo via rádio, poderemos escutar, com qualidade infinitamente superior, esse segmento à moda de John Williams. Aliás, pela primeira vez na história, músicas da Nintendo serão veiculadas ao vivo em um espetáculo que não tem só músicas dela no programa.

A outra adição, do The Legend of Zelda: Twilight Princess, é a “Light Spirit”, que creio ser baseada no excerto do solo soprano do extenso “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)”, também do Symphonic Legends e LEGENDS. Embora já a conheçamos, não deixa de dar variedade ao set list e, verdade seja dita, é um dos grandes momentos do segmento.

Com essa mistura de Square Enix e Nintendo no programa, fica no ar um gostinho de Orchestral Game Concert dos tempos atuais, já que a série japonesa de concertos era focada especialmente nessas duas empresas.

[via Facebook]

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley” – série The Legend of Zelda (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Há muitos anos achava que o segmento de Zelda do Video Games Live – baseado no arranjo do Orchestral Game Concert 1 referente ao A Link to the Past –, deveria dar lugar a um número que fizesse por merecer toda a série e não reduzisse tudo a uma única faixa, mesmo que a mais famosa. Coube ao Rio de Janeiro, cidade que iniciou a excursão brasileira de 2011, receber a estreia mundial do novo arranjo da série elaborado pela Laura Intravia, que já havia apresentado um número cômico tocando flauta em 2009. A indumentária de Link e o instrumento se mantêm, mas se trata de uma iniciativa mais séria, por assim dizer. Honestíssima, devo adiantar.

O problema é o debute acontecer só agora, em 2011, quando já foram feitos os medleys orquestrados “The Legend of Zelda Medley 2006″ no Press Start 2006 (e reprisado em 2007), dois no Play! A Video Game Symphony (o primeiro do Jonne Valtonen baseado no The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony e o outro do Chad Seiter), um Poema Sinfônico no Symphonic Legends/LEGENDS e, para completar, uma turnê só de Zelda. Não tem muito o que se surpreender a essa altura do campeonato.

Para mim, todas as transições ficaram decentes – para você ver que eu não reclamo por reclamar. A icônica “Title Theme” do Ocarina of Time é uma escolha excelente para o solo de flauta, afinal a composição original procurava simular a impressão de que uma ocarina estava sendo tocada no meio da floresta. Utilizando a melodia do despertar do dia do Ocarina é feita a emenda para o tema principal, trecho em que Intravia não toca, mas o público sempre faz questão de cantarolar. Numa variação o clima fica mais carregado, viajando para a tristeza de “Midna’s Theme”, seguida pela popular “Princess Zelda’s Rescue”, ambas com a decisiva participação da flauta. The Wind Waker é lembrado com a “Dragon Island” e Twilight Princess com a “Hyrule Field Main Theme”, que enfim recebeu a orquestração que merece, não aquela versão em MIDI. De maneira muito apropriada, parte do “Staff Credits” do Twilight Princess é utilizado para o encerramento do segmento. Atrasado, mas com substância.

Grato ao Thales Nunes Moreira pela consultoria Zeldística no reconhecimento das faixas.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Midna’s Theme” (The Legend of Zelda: Twilight Princess) ~ “Princess Zelda’s Rescue” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Dragon Island” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Staff Credits” (The Legend of Zelda: Twilight Princess)

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: turnê terá número de 18 minutos de Twilight Princess


Por Alexei Barros

Desde a E3 2011 não falei mais sobre a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, a turnê comemorativa da série que excursionará por Japão, Europa e EUA, mas provavelmente você foi mais atento que eu e não perdeu os detalhes. Relembro apenas o que já havia dito: a primeira apresentação acontecerá dia 10 de outubro, no Sumida Triphony Hall em Tóquio, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e regência de Taizo Takemoto. Os ingressos só poderão ser adquiridos se antes você comprar o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Que coisa, não?

Agora as novidades apregoadas nesse meio tempo:

– Dia 21 de outubro ocorrerá uma apresentação em Los Angeles, EUA, no Pantages Theatre. Sem informações sobre orquestra e maestro.

– Embora o site nipônico da turnê seja diferente do americano, tudo leva a crer que a excursão inteira, em âmbito mundial (ou melhor, do hemisfério norte) e não somente as apresentações no ocidente como eu achava, é produzida pela Jason Michael Paul Productions. Sinceridade? Não sei por que a Nintendo o procurou, tendo em vista as inconstâncias do Play! A Video Game Symphony.

– Concluo assim, porque neste tuíte, Chad Seiter disse que ele e Koji Kondo são os arranjadores. Para quem não se recorda, Seiter é o responsável pelos novos números de Mario, Zelda, Metroid e Castlevania, entre outros, do Play! Apesar da boa impressão inicial da releitura vampiresca, achei as versões da Nintendo em um nível inferior. E outra: estranha a informação que o Kondo também vai arranjar, a não ser que ele, Seiter, faça a orquestração – não me lembro de arranjos para orquestra do Kondo. De toda forma, fico surpreso por Mahito Yokota não estar envolvido de alguma maneira como é o orquestrador número 1 da Nintendo. Talvez revelem depois.

– A única informação verdadeiramente empolgante e relevante é a revelação neste tuíte de que o segundo movimento do concerto será de um segmento enfocado no The Legend of Zelda: Twilight  Princess com 18 minutos. Essa extensão lembra alguma coisa? Symphonic Fantasies, Symphonic Odysseys? Aliás, o tempo é metade dos 36 minutos do Symphonic Poem de Zelda do Symphonic Legends, estendidos para 40 no LEGENDS. Vamos ver como será um número extenso que não é produzido na série germânica Symphonic. Não é só enfileirar várias músicas aleatórias como acontece nos medleys de orquestras amadoras que publico; para ser uma suíte é necessário que o segmento conte uma história, com começo, meio e fim, que seja cativante durante todo esse tempo e que mantenha um equilíbrio entre estilos de músicas.  Sabendo o quanto os concertos alemães demandam de ensaios, em apresentações únicas, realizadas no máximo no mesmo dia ou final de semana, fico com o receio por não haver tempo hábil para treinos, como se trata de uma turnê, ainda que poucas visitas tenham sido marcadas. Não contente em soltar a informação, o tuíte também linkou para uma imagem de uma janela de um software utilizado para o arranjo, corroborando a presença da “Midna’s Theme”.

Fico atiçado para mais novidades, só espero que a divulgação seja um pouco mais organizada com notas no site em vez de novidades no Twitter.

[via My Nintendo News]

LEGENDS: as 100.000 notas lendárias de Zelda

Por Alexei Barros

Antes do Symphonic Fantasies, eram raros segmentos de dez minutos em concertos de games. As suítes de 18 minutos de duração pavimentaram o caminho para que o produtor Thomas Boecker e o arranjador Jonne Valtonen idealizassem algo ainda mais ambicioso, um poema sinfônico de Zelda que contava uma história por meio dos 36 minutos de música no Symphonic Legends. História esta que vai ser contada de novo no LEGENDS.

“O Poema Sinfônico conta a lenda de Zelda por uma sinfonia em cinco atos. É uma história de como Link, a jovem princesa cresce, eles se encontram e aceitam o destino para finalmente confrontar o pior inimigo”, diz Valtonen. “Com esta peça eu quis inspirar o ouvinte para encontrar a sua própria história. A melhor coisa sobre a música é quanto menos se explica mais pessoal e única é a experiência”.

Após discutir com Boecker os objetivos e discutirem a seleção de faixas, Valtonen levou mais de seis meses para concluir o trabalho, alcançando uma marca incrível. “Um total de 100.000 notas foram escritas na partitura, e eu trabalhei cuidadosamente em cada uma delas. Todos conhecemos a música original e, com o meu arranjo, eu tento expandir o universo de The Legend of Zelda. Eu quis criar novos lugares e situações que não existiam  antes.  E acima de tudo eu quis descobrir lugares onde eu nunca estive antes – talvez lugares que você já tenha visitado”, comenta.

Pensa que acabou aí?  O Poema Sinfônico foi totalmente revisado para o LEGENDS e, como se não bastasse tamanho perfeccionismo, o quarto ato, “IV. Battlefield”, ganhou em torno de dois a quatro minutos adicionais em relação ao que foi apresentado em Colônia. Outra diferença é que desta vez Rony Barrak não participará da performance.

Não deixe de ler a entrevista do SEMO feita em outubro de 2010 com Thomas Boecker e Jonne Valtonen sobre o processo de confecção do Poema Sinfônico. Depois do Hadouken, publico de novo a gravação do número.

[via Facebook]

Twilight Symphony: a trilha de Twilight Princess como todo mundo sempre quis


Por Alexei Barros

Se é para imitar uma orquestra, que seja uma reprodução convincente. Caso contrário, prefiro me contentar com a original, mesmo que fique eternamente no desejo por um arranjo sinfônico. É o que penso ao ouvir o álbum de fãs Ocarina of Time Reorchestrated, que repaginou (ou tentou pelo menos) as músicas sintetizadas do The Legend of Zelda: Ocarina of Time para uma roupagem pseudo-orquestrada, ou seja, sem qualquer utilização de instrumentos reais. Meu desânimo com a sonoridade pobre foi o bastante para nem sequer redigir uma menção sobre o projeto do grupo ZREO (sigla de Zelda Reorchestrated). Pior ainda é saber que levou seis anos para ser concluído. Se quiser tirar as suas conclusões e confrontar com a minha pútrida opinião, baixe aqui.

A ZREO então deu continuidade à ideia e seguirá para o The Legend of Zelda: Twilight Princess, com o projeto batizado Twilight Symphony, que terá quase 40 faixas em um total de duas horas e meia de música. A novidade é que, além de usar samples orquestrados, os arranjos serão mais naturais e orgânicos porque vão ser encorpados com as gravações de alguns musicistas. Aubrey Ashburn, cantora americana da avassaladora “Out of Darkness (Prologue)” (Devil May Cry 4) e da trinca “Dragon Age: Origins”, “I Am The One (High Fantasy Version)” e “I Am The One (Dark Fantasy Version)” do Dragon Age: Origins, participará do projeto. Seria perfeito se não fosse por um detalhe: eles querem utilizar um coral, acontece que a contratação dos coristas será financiada pelas doações dos fãs por meio do serviço Kickstarter – a meta é de 18 mil dólares até o dia 20 de março. Nos tempos em que as barreiras entre amadores e profissionais foram derrubadas, ainda acontecem coisas como essa duras de engolir. Coisas que abomino.

Como arranjador principal, temos Wayne Strange, amparado pelo time Tim Stoney, Eric Buchholz, Leonard Cheung, Nick Perrin e Alex Bornstein. Surpreendentemente, o arranjo da faixa de abertura do álbum “Overture” baseada no tema da tela-título foi utilizado como base para a orquestração de Chad Seiter (orquestrador do Medal of Honor: Airborne e que trabalha frequentemente com Michael Giacchino) que será executada no Play! A Video Game Symphony – acredite, a turnê ainda existe. Com sete minutos de duração, a peça enfim é um adendo interessante ao repertório do Play!, que não tinha nada desse nível desde que… Super Mario Galaxy foi adicionado, isso em 2008. Mais detalhes serão revelados acerca da estreia do segmento, mas é de conhecimento que a partitura foi escrita para uma orquestra de 90 instrumentistas.

O Original Sound Version, aquele blogue que sempre lança perguntas no final de cada post, liberou com exclusividade quatro minutos de amostras para nosso deleite. Como se não bastasse, o Destructoid também fez o mesmo, só que com outras músicas. Soa promissor. Muito promissor.

Sample do OSV:

Sample do Destructoid:

Grato ao Fabão por comunicar a novidade.

[via OSV, Destructoid]

Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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