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Concerto germânico terá arranjos inéditos de Zelda e Super Mario Galaxy

Por Alexei Barros

E não para! Apenas pelas recentes apresentações da WDR Radio Orchestra a Alemanha tem uma quantidade generosa de concertos de games – ombreando com a Suécia e atrás do Japão –, agora então a conta só aumenta.

Dia 7 de junho a Bayer Philharmoniker (daquela mesma Bayer dos analgésicos e do time Bayer Leverkusen) tocará no Bayer Kulturhaus uma récita centrada na game music japonesa, especificamente Square Enix e Nintendo. Três números da série Kingdom Hearts serão executados, aqueles mesmos arranjos da Natsumi Kameoka do álbum drammatica e do Sinfonia Drammatica e mais quatro partituras do Shiro Hamaguchi de faixas conhecidas de Final Fantasy – ainda assim, destas somente a “One-Winged Angel” foi tocada anteriormente em solo alemão no Fourth Symphonic Game Music Concert (2006).

A melhor parte é a da Big N: quatro segmentos de Zelda e três de Mario inéditos preparados pelo talentoso Roger Wanamo, o autor das suítes “Super Mario Bros. (Retro Suite)” e “Super Mario Galaxy (Galactic Suite)” do Symphonic Legends. Desde já conclamo pela boa vontade do público em compartilhar essas maravilhas no YouTube. A icônica “Kakariko Village” sempre achei uma tremenda injustiça ser tão pouco lembrada… e o que dizer da “The Legend of Zelda – A Link to the Past Suite”? Imagina se tiver a “Dark Mountain Forest”?

Abaixo o set list completo, sendo que os arranjos novos estão com as músicas originais, evidentemente.

Kingdom Hearts
“Destati” (Kingdom Hearts)
“The Other Promise” (Kingdom Hearts II)
“The 13th Anthology” (Kingdom Hearts I, II e Chain of Memories)

The Legend of Zelda
“Death Mountain”
“Hyrule Field”
“Kakariko Village”
– “The Legend of Zelda – A Link to the Past Suite”

Super Mario Galaxy
– “Luma & The Star Festival
“Rosalina in the Observatory”
– “Egg Planet & Wind Garden

Final Fantasy
“Zanarkand” (Final Fantasy X)
“Don’t be Afraid”  (Final Fantasy VIII)
“Theme of Love” (Final Fantasy IV)
“One-Winged Angel” (Final Fantasy VII)

[via Bayer Kultur]

Nintendo Game Music Live: os incríveis shows com uma talentosa banda nintendista

Por Alexei Barros

O evento Nintendo World 2011 aconteceu nos dias 8, 9 e 10 de janeiro e só falo dele agora. Por que a demora? Porque custei a acreditar que, por um milagre da natureza, acontecessem apresentações de game music da Nintendo e, mais inacreditável, que fossem gravada oficialmente por diversas câmeras para futuras apreciações no site sabe se lá até quando. A desculpa é esfarrapadíssima, eu sei. Enfim o post.

Enquanto Sega, Taito, Capcom, Konami e outras produtoras foram representadas na saudosa série Game Music Festival com bandas que marcaram época, a Nintendo jamais possuiu um grupo similar. A trinca de álbuns Nintendo Sound Selection e Touch! Generations Sound Track trazem a performance de alguns compositores da casa em versões arranjadas, mas, até onde é de meu conhecimento, nunca saiu do estúdio.

Para surpresa total, uma banda no Nintendo Game Music Live tocou nos três dias. Afora as participações especiais dos compositores, todos os instrumentistas são convidados. Músicos profissionais que participaram de diversas gravações de trilhas de jogos e animes como o VGMdb me deixou saber.  Nesse sentido, me vem à mente instantaneamente a Shinsekai Gakkyoku Zatsugidan Special Band que se apresentou no Game Music Festival ’94 e teve uma seleção de faixas registrada no Neo•Geo Super Live! 1994. Sem compositores da SNK, todos convidados.

Os escolhidos para a banda não são tão conhecidos, mas a performance mostra uma intimidade com os instrumentos que, imagino, talvez os músicos da Nintendo não teriam.

São estes:

Teclado: Yasutaka Mizushima
Guitarra: Kazuya Takayama
Bateria: Atsuo Okubo
Baixo: Tooru Hebiishi
Sax & Flauta: Yoshinari Takegami
Trombone: Eijiro Nakagawa

O que mais me agradou foi a levada jazz fusion que permeia todos os arranjos preparados especialmente para o show pelo Yasutaka Mizushima, o tecladista, trazendo boas memórias de álbuns antigos da discografia da Nintendo, como o esplendoroso F-Zero ou o emblemático Super Mario World. A maioria deverá sentir falta de guitarronas pesadas e batidas aceleradas. Por isso, vale o aviso: nada de chifrinhos metaleiros aqui.

Foram quatro apresentações apresentadas pela Yumi Takanashi nos três dias, variando na ordem das músicas e participações especiais. Mahito Yokota, o principal compositor de Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 fez o segundo teclado no medley de Zelda no dia 8 de janeiro; Kazumi Totaka, dublador do Yoshi e autor de trilhas como Wave Race 64 e Wii Sports, tocou vibrafone no medley de Animal Crossing nos dois shows do dia 9; e, finalmente, Koji Kondo, você sabe muito bem quem, acompanhou a banda no teclado durante o medley do Mario e ainda apresentou, como número exclusivo do dia 10, um solo de piano com seleções da série (diferentes do medley do VGL 2009 em Tóquio).

Dá gosto de ver Donkey Kong voltar à ativa de outros tempos, graças ao Donkey Kong Country Returns. Ainda mais com a música “DK Island Swing”, herança da Rare e do David Wise, com forte participação do trombone e intervenções de guitarra e sax. Mario teve uma seleção bem básica, presa aos hits do jogo original. Pelo menos foram apresentados de uma forma diferente da que estamos acostumados. Claro que a “Overworld” é tocada com ênfase de música latina, mas a “Underworld” ganhou um novo sentido por conta dos solos alternados de sax à la Shinsekai e trombone. O saxofone mais uma vez brilha na “Overworld” do Zelda, o que mostra como a composição é incrivelmente versátil: nunca havia escutado uma rendição convincente do tema nesse estilo. “Gerudo Valley” ficou meio Rainha da Sucata no início, porém logo vêm solos de guitarra e trombone alucinantes. Mas o meu preferido de todos é o Animal Crossing, talvez pela surpresa (não conhecia nenhuma das faixas), talvez porque as composições do Totaka já pendem para o fusion. Depois da “Title” (Animal Crossing: Wild World) ser magnificamente entoada pelo sax, a banda emenda três músicas do cachorro cantor K.K. Slider (personagem baseado no Totaka): “K.K. Funk” com geniais metais jazzísticos, “K.K. Bossa”, com a flauta de Yoshinari Takegami fazendo a vez do assobio da original, e a “K.K. Samba”, com o trombone como estrela principal.

No mais, que esses shows não sejam acontecimentos isolados e venham muitos outros nos próximos anos.

Depois do Hadouken, os set lists detalhados de cada dia, com os tempos em que as músicas são tocadas. Clicando no fake player você será redirecionado para o player do site da Nintendo.

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Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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“The Legend of Zelda Suite” – Zelda, Zelda II, Zelda: A Link to the Past, Zelda: Link’s Awakening e Zelda: Ocarina of Time (PLAY! 2007 em Estocolmo)


Por Alexei Barros

Há eras estou para publicar esta suíte, e achei o momento muito apropriado, às vésperas da realização do Symphonic Legends, o concerto em homenagem à Nintendo cujo segundo ato será reservado a 35 minutos de Zelda. Como no aguardado poema sinfônico da iminente récita, o segmento do PLAY! A Video Game Symphony é arranjado pelo Jonne Valtonen. Evidentemente, é muito menos ambicioso, com seis minutos de duração.

Trata-se da mesma apresentação do PLAY! da “The Revenge of Shinobi Suite” realizada em Estocolmo em 2007 que possui uma atuação exemplar da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra. Zelda esteve ausente do duvidoso CD da turnê, diferentemente do Video Games Live, que conseguiu a licença para colocá-lo no Video Games Live: Level 2. Todavia, enquanto que o arranjo do VGL nada mais é do que uma transcrição da partitura do Orchestral Game Concert, aquela que já cansou faz tempo, a suíte do PLAY! é exclusiva e abarca outros jogos.

Como é de praxe nos trabalhos do Valtonen, todas as transições são bem acabadas, não há uma ponta solta sequer. Já a seleção de faixas, bastante variada, chama a atenção pela fartura de temas de tela-título. A reflexiva “Title Theme” do Ocarina of Time logo me vem à mente as tardes de 1998 em que observava a introdução com Link cavalgando na Epona no Nintendo 64… não foi o meu caso.

De um tema sereno para a pompa da “Title” do Zelda original a peça ganha em tamanho com a lembrança do tema principal, emendando com a muito bem-vinda “Underworld”, alarmante tema das dungeons. O terceiro e último tema de tela-título vem justamente do controverso Zelda II: The Adventure of Link, que de tão avesso à série a trilha nem é do Koji Kondo, mas do Akito Nakatsuka – e esta “Title” é ótima, por sinal. “Hyrule Castle” e “Overworld” do A Link to the Past não impressionam tanto como já estavam no Orchestral Game Concert (o arranjo não difere muito das versões “Hyrule Castle” e “Legend of Zelda Theme” do Toshiyuki Watanabe), o que não é o caso da essencial “Dark World”. No desfecho surge uma escolha incomum, a “Ballad of the Wind Fish” do Link’s Awakening, que tem a trilha do trio Kazumi Totaka, Minako Hamano e Kozue Ishikawa. Não é a suíte dos meus sonhos, mas procurou fugir do básico e óbvio com esmero.

“The Legend of Zelda Suite”
“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Title” ~ “Underworld” (The Legend of Zelda) ~ “Title” (Zelda II: The Adventure of Link) ~ “Hyrule Castle” ~ “Overworld” ~ “Dark World” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Ballad of the Wind Fish” (The Legend of Zelda: Link’s Awakening).


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