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Press Start 2014: a celebração musical de Super Smash Bros. for Nintendo 3DS

Como na época do Super Smash Bros. Brawl, o Press Start foi no embalo de um lançamento da série. Neste ano, o primeiro ato inteiro e o bis tiveram relação com o novo jogo para o 3DS


Por Alexei Barros

Se você estava contando os dias para o lançamento de Super Smash Bros. for Nintendo 3DS eventualmente soube que o jogo saiu 13 de setembro no Japão. Aproveitando a ocasião, o Press Start 2014 aconteceu nesse dia, com duas apresentações no Tokyo Metropolitan Art Space e performance da Kanagawa Philharmonic Orchestra com programa idêntico em ambas as ocasiões. O primeiro ato foi todo dedicado às músicas relacionadas com o jogo portátil, ao passo que o segundo foi mais variado. Seguindo a tradição, confira o set list detalhado para depois saber minhas observações sobre o concerto baseado nas informações que consegui filtrar do report da Famitsu.

Ato I

01. Super Smash Bros. for Nintendo 3DS: “Main Theme”
02. Super Mario Bros.: Medley
03. Super Metroid: “Space Warrior – Samus Aran’s Theme”
04. Star Fox: “Planet Corneria”
05. Donkey Kong Country: “Jungle Level”
06. Animal Crossing: New Leaf: Kotobuki Land Medley
07. Kirby’s Dream Land: “Green Greens”
08. Kid Icarus Uprising: “Dark Pit’s Theme”
09. The Legend of Zelda: Ocarina of Time: “Gerudo Valley”
10. Mega Man 2: Medley
11. Fire Emblem: Shadow Dragon: “Fire Emblem”
12. Pokémon X & Y: Battle! (Trainer Battle)

Ato II

13. Persona 4: “Poem for the Souls of Everybody” ~ “Reach Out To The Truth” ~ “A Corner of Memory”
14. Castlevania: Symphony of the Night: “Dracula’s Castle” ~ “Wood Carving Partita” ~ “Lost Painting” ~ “Dance of Pales” ~ “Death’s Ballad”
15. Etrian Odyssey: “Labyrinth I – Emerald Woodlands [Dungeon 1F~5F]” ~ “Battle – Initial Strike [Normal Battle – First Part]” ~ “Battle – Destruction Begets Decay [Normal Battle – Last Part]” ~ “Labyrinth V – The Fallen Capital of Shinjuku [Dungeon 21F~25F]”
16. Suikoden: “Into a World of Illusions”
17. Toukiden: “The Time of Oni” ~ “Ephemeral” ~ “March of Heroes” (Toukiden: The Age of Demons) ~ “ウタカタ・秋艶” ~ “千年ヲ駆ケシモノ” (Toukiden Kiwami)
18. Pokémon X & Y: “Title Screen” ~ “Kalos Region Theme” ~ “Lumiose City” ~ “Snowbelle City” ~ “The Sun Shines Down”
19. Final Fantasy XIII: “Vanille’s Theme” ~ “Blinded By Light” ~ “Final Fantasy XIII – The Promise”

Bis

20. The Legend of Zelda: Ocarina of Time: “Zelda’s Lullaby” ~ “Song of Storms” ~ Epona’s Song ~ “Song of Time” ~ “Saria’s Song”
21. EarthBound: “Onett”
22. Super Smash Bros. for Nintendo 3DS: “Staff Roll (Super Smash Bros.) Ver. 2”

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“Toward the Celestial Sphere” – Star Fox e Star Fox 64 (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Sempre dedico longos posts aos concertos realizados na Alemanha, mas acabei não falando ainda do Soundtrack Cologne – East meets West, realizado em novembro de 2012. Como alguns números são reprises que eu comentei em outras oportunidades, preferi pinçar os segmentos mais interessantes da transmissão do rádio para comentá-los em posts avulsos, assim ninguém precisará ler quilômetros de texto de uma só vez.

E eu começo… pelo começo, com a música de abertura, “Toward the Celestial Sphere”, arranjada por Jonne Valtonen. A partitura havia sido originalmente preparada para o concerto LEGENDS, apresentado na Suécia em 2011, que não teve transmissão ao vivo e contou com poucas gravações amadoras em vídeo. No caso, o espetáculo foi uma revisão do Symphonic Legends com a substituição de alguns segmentos. Um dos números alterados foi justamente o do Star Fox.

No Symphonic Legends, o arranjo “Star Fox (Space Suite)” do Shiro Hamaguchi foi um dos destaques do concerto, com a participação celestial do coral State Choir Latvija, cantando em latim – o trecho da “BGM (Corneria)” é especialmente arrepiante. Por isso, chama a atenção que esse medley tão magnifíco tenha sido trocado pela “Toward the Celestial Sphere” no LEGENDS. De qualquer forma, a versão do Jonne Valtonen ganhou uma nova abordagem, porque o número serviu também como fanfarra de abertura – tanto no LEGENDS como no East Meets West.

Em diversas oportunidades, Valtonen pegou inspiração em John Williams e mais do que nunca essa influência pode ser percebida nesse segmento do Star “Wars” Fox. O uso dos metais na abertura na “Opening” do Star Fox 64 é um belo exemplo disso, impressão reforçada pela entrada majestosa das cordas. Em seguida, o trecho da “BGM (Corneria)” é uma bela viagem espacial que alterna entre momentos de ação e um pouco de observação dos arredores, e você de fato se sente no comando da Starwing em um confronto estelar – provavelmente com uma Estrela da Morte ali perto, se é que você me entende. Fechando o arco, há uma nova interpretação da “Opening”, passando a sensação de dever cumprido. É um arranjo belíssimo, épico, mas ainda prefiro o coral imbatível da versão do Hamaguchi. Sorte a nossa de poder apreciar dois arranjos tão bons em pouco tempo, ainda que com a seleção similar de faixas.

“Toward the Celestial Sphere”
Originais: “Opening” (Star Fox 64) ~ “BGM (Corneria)” (Star Fox) ~ “Opening” (Star Fox 64)

P.S.: Falando em Star Fox, é uma pena que provavelmente nunca haverá um arranjo orquestral com as músicas do Star Fox 2, jogo que seria lançado para SNES, mas a Nintendo cancelou para privilegiar o advento do Star Fox 64. Há músicas inspiradíssimas, como da tela-título e dos créditos que tem timbres orquestrais e combinariam muito com esse tipo de arranjo.

Soundtrack Cologne – East meets West: a vez de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess


Por Alexei Barros

Mesmo que sem o mesmo impacto dos concertos alemães de Colônia como o Symphonic Fantasies ou o Symphonic Odysseys, o Soundtrack Cologne – East meets West, apresentação marcada para o dia 16 de novembro na mesma cidade, está ficando, a cada par de atualizações, mais interessante e fora do lugar-comum. Primeiro foi Journey e Turrican II, depois Xenogears e Unlimited: SaGa. Agora é a vez das confirmações nintendistas de Star Fox e The Legend of Zelda: Twilight Princess.

Quando disse “Star Fox”, entenda Star Fox, de SNES, e o Star Fox 64: o arranjo preparado por Jonne Valtonen, de nome “Toward the Celestial Sphere”, abriu o LEGENDS, versão revisada do Symphonic Legends mostrada na Suécia. Nenhuma objeção pela repetição. O único registro, e amador ainda por cima, está no YouTube e nem cobre toda a música. Já que o Soundtrack Cologne vai ser transmitido ao vivo via rádio, poderemos escutar, com qualidade infinitamente superior, esse segmento à moda de John Williams. Aliás, pela primeira vez na história, músicas da Nintendo serão veiculadas ao vivo em um espetáculo que não tem só músicas dela no programa.

A outra adição, do The Legend of Zelda: Twilight Princess, é a “Light Spirit”, que creio ser baseada no excerto do solo soprano do extenso “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)”, também do Symphonic Legends e LEGENDS. Embora já a conheçamos, não deixa de dar variedade ao set list e, verdade seja dita, é um dos grandes momentos do segmento.

Com essa mistura de Square Enix e Nintendo no programa, fica no ar um gostinho de Orchestral Game Concert dos tempos atuais, já que a série japonesa de concertos era focada especialmente nessas duas empresas.

[via Facebook]

“Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” – LEGENDS

Por Alexei Barros

O que poderia ser um bônus do concerto acabou se tornando um dos segmentos favoritos de muitos (eu incluso) do Symphonic Legends, o “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”, que encadeia, mistura e alterna diferentes melodias, em especial temas de encerramento, de jogos da Nintendo. Surpreende que a origem das músicas não seguiu necessariamente os títulos representados ao longo do concerto. Por exemplo, teve uma suíte somente de Super Metroid, mas a trilogia Metroid Prime foi aludida no bis. São tantos detalhes que as repetidas apreciações se tornam um imperativo – numa iniciativa inusitada, o arranjo foi pensado prevendo que seria publicado no YouTube para que os fãs tentassem descobrir as referências que chegaram até Super Mario Galaxy 2, que saiu em maio de 2010 – o concerto se deu em setembro do mesmo ano.

O número não foi anunciado para a expansão LEGENDS, então fiquei curioso para conferir o vídeo a fim de cumprir tabela. O começo é igual: o piano fazendo dupla com a percussão (desta vez o próprio integrante da orquestra, não Rony Barrak) na “Staff Credits” do The Wind Waker, seguido por uma alusão a Pikmin (que não sei o momento exato) e, com o coral, pelos três temas dos créditos em ordem decrescente da trinca Metroid Prime. Não obstante o registro amador, foi possível ouvir a densidade da “Theme of Super Metroid” no órgão de tubos, o que, curiosamente, não dava para perceber muito bem na gravação da transmissão. O piano alude à faixa “Super Mario Galaxy” como de praxe, e… opa! A partitura tinha sido alterada.

Eu achei que todas as mudanças foram para melhor. Já era um estrondo e ficou ainda mais, e vou dar meus motivos. Conforme detalhado aí embaixo, as músicas com a seta para esquerda que estavam no Symphonic Legends deram lugar para as da direita no LEGENDS. Como Kirby foi uma adição no repertório, justo que também fosse lembrado no desfecho, apesar de não ter encontrado o ponto certo no vídeo. A “Opening” do Star Fox 64 era uma sutilíssima referência no trombone e, com a “Main Theme” do Star Fox, a série teve homenagem estendida de forma merecida. Na primeira versão, não havia nada relativo a Donkey Kong, aliás, a única franquia do concerto que não despontava no bis. Por menor que seja, é sensacional perceber o trompete tocar um trecho da “Donkey Kong Rescued” de um título marcante como Donkey Kong Country 2. Todas as melodias vinham de temas de encerramento (algumas apareciam antes, em outros momentos dos jogos, mas sempre figuravam no final), com exceção de Star Fox, que era breve como comentei acima, e F-Zero, que foi simbolizado pela “Big Blue”. Daí… que choque tomei quando ouvi a “Ending Theme” nos metais reproduzindo a melodia, com um tempero jazzístico um tanto incomum em concertos eruditos. Esses segundos, acredite, valeram todo o LEGENDS para mim, porque não esperava de jeito algum tal inclusão. Sobre a retirada da “Overworld” do Zelda, a série já teve o primeiro bis só para ela com a “Healing”, além do poema sinfônico, e sem falar que este segmento começa com Zelda. Lembro que por ocasião do Symphonic Legends, quase enfartei com a “Ending” do Super Mario Bros. 3 com coral em latim, mas foi bom terem incluído o tema dos créditos do F-Zero só agora, porque muito possivelmente não resistiria a dois enfartos em sequência. E, de novo, o que é esse final? Fez me lembrar da introdução cantada dos jogos da Sega, mas claro com o coral entoando “Nintendo”.

Coloco ambos os vídeos para comparação, e o mais legal é que no segundo dá para avistar a maravilhosa arquitetura do Konserthuset em Estocolmo e ver subirem no palco David Wise, Masashi Hamauzu, Jonne Valtonen e Roger Wanamo.

– “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”
Originais:
“Staff Credits” (The Legend of Zelda: The Wind Waker)
“A Panoramic View” (Pikmin)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 3: Corruption)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 2: Echoes)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime)
“Theme of Super Metroid” (Super Metroid)
“Super Mario Galaxy” (Super Mario Galaxy)
<– “Opening” (Star Fox 64)
<– “Overworld” (The Legend of Zelda)
<– “Big Blue” (F-Zero)
–> “Ending” (Kirby’s Dream Land)
–> “Main Theme” (Star Fox)
–> “Donkey Kong Rescued” (Donkey Kong Country 2)
–> “Ending Theme” (F-Zero)
“Ending” (Super Mario Bros. 3)
“Super Mario Galaxy 2” (Super Mario Galaxy 2)

Composição: diversos
Arranjo: Roger Wanamo

Symphonic Legends

LEGENDS

LEGENDS: rumo à esfera celeste da série Star Fox


Por Alexei Barros

A partir de hoje serão revelados diariamente, com exceção dos finais de semana, comentários acerca dos arranjos revisitados do LEGENDS, apresentação marcada para o dia 1º de junho na Suécia que é uma espécie de versão 2.0 do Symphonic Legends mostrado na Alemanha em 2010.

Se no antepassado germânico a abertura foi a “Fanfare for the Common 8-Bit Hero”, seguida pela épica “Star Fox (Space Suite)” de Shiro Hamaguchi, desta vez o arranjo intitulado “Toward the Celestial Sphere” de Star Fox e Star Fox 64 (Starwing e Lylat Wars na Europa) ficou sob responsabilidade de Jonne Valtonen e abrirá o espetáculo.

De acordo com o finlandês, o segmento deve se sustentar por si mesmo, mas também introduzir e convidar o público para a magnífica jornada através das décadas de história dos jogos lendários da Nintendo. Com fanfarras triunfantes e tons solenes, alerta dos perigos do chefe final. Será que Valtonen foi capaz de superar Hamaguchi? Porque aquele arranjo, com versos em latim entoados pelo State Choir Latvija, foi um dos mais estupendos que já apreciei.

[via Facebook]

“Nintendo Medley” – Super Metroid, Star Fox, Super Mario Bros. e The Legend of Zelda (Score)

Por Alexei Barros

Medleys apenas com jogos da Nintendo têm aos montes. São sempre centrados em um tema (como os da linha Touch! Generations no Press Start 2008), plataforma (Famicom, no Press Start 2009 e 2010) ou série (exemplos desnecessários). O concerto sueco Score, em contrapartida, apresentou uma miscelânea de ideia similar somente com a produtora em comum.

É nomeado “Nintendo Medley”, mas poderia se chamar muito bem “Orchestral Game Concert Nintendo Medley”, como todas as músicas usam como base arranjos antigos da série de espetáculos. Infelizmente, as emendas não foram muito elaboradas, com vazios entre um jogo e outro. Apesar de toda a reciclagem, achei de certa forma interessante acompanhar em vídeo a performance algumas partituras que antes só ouvia das gravações em CD do OGC e por sutis adaptações.

A “Theme of Super Metroid” é baseada no medley “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending” (OCG4), enquanto que a “Main Theme” (Star Fox) no “Theme of Star Fox” (OGC3). A parte do Super Mario Bros., de maneira previsível, vem da mastigada “Super Mario Bros.” (OGC). O excerto do Zelda, acredito, deve ser totalmente novo, porque não consigo encontrar na “Legend of Zelda Theme” (OGC) um trecho de semelhante grandiloquência. É de nível John Williams a interpretação da “Overworld”, e valeu todo o arranjo.

“Nintendo Medley”
“Theme of Super Metroid” (Super Metroid) ~ “Main Theme” (Star Fox) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Title” ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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