Textos categorizados 'Shuhei Kamimura'

“Okami” – Okami (Press Start 2009 ~Symphony of Games~)

Por Alexei Barros

A série de concertos Press Start, que desde a sua concepção em 2006 é uma das minhas preferidas, sempre sofreu com a falta de lançamentos oficiais das performances. Essa queixa em parte foi resolvida com a coletânea Press Start The 5th Anniversary, publicada em 2010. Por mais que fosse um álbum curto e com mixagem cheia de reverberação, era um registro, sem contar os CDs promocionais com uma faixa ou outra (do Professor Layton, Mario e Muramasa). Em vídeo? Absolutamente nada. Zero. O máximo que deu para ver eram vídeos amadores da edição chinesa em 2008, mas, apesar de contar com os mesmos arranjos do original japonês, a performance foi muito pobre, parecendo até que era uma orquestra amadora a contratada.

Até que, enfim, seis anos depois, surge o vídeo do medley de Okami no Press Start 2009; vídeo oficial, com várias câmeras e tudo mais. Verdade que, na parte musical, não há muita novidade, como o segmento arranjado por Shuhei Kamimura esteve no Press Start The 5th Anniversary. Porém, a gravação permite ter uma ideia melhor de toda a magnitude da Tokyo City Philharmonic Orchestra. Com a regência do maestro Taizo Takemoto, o número conta ainda com as intervenções tocantes do duo Hide-Hide, com Hideki Ishigaki no shamisen e Hideki Onoue no hakuhachi. Tais artistas no palco do Tokyo Metropolitan Art Space nos conduzem aos tempos do Japão feudal, uma sensação que também aconteceu com o arranjo do Muramasa. Com uma performance soberana do naipe de cordas (gigantesco!), o ponto alto é mesmo a rendição da “Reset” ~”Thank You” Version~, em versão instrumental da canção “Reset”. Como disse milhares de vezes, orquestrar temas J-pop nunca dão errado.

Aproveitando o ensejo (e o futuro relançamento em HD de Okami na PSN), também foi anunciado o álbum Okami Goju no Onchou para o dia 31 de outubro, embora não esteja claro do que se trata exatamente.

- “Okami”
“The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~

Álbum com arranjos de Muramasa traz faixa executada no Press Start 2010


Por Alexei Barros

Se há um compositor consagrado que é negligenciado nos concertos de games este é Hitoshi Sakimoto. Uma das raras ocasiões em que ele teve uma música executada foi no Press Start 2010, apresentação que contou com uma inusitada performance de Muramasa: The Demon Blade, aquele RPG de ação da Vanillaware para Wii. A trilha não é só dele; também participaram outros compositores da Basiscape, como Masaharu Iwata e Azusa Chiba. O medley, porém, compreende somente duas faixas assinadas pelo Sakimoto.

Um acontecimento raro desses não podia se perder no tempo e, felizmente, a gravação foi incluída no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku, lançado dia 1º de outubro de 2011. Isso que o jogo saiu em 2009. Dane-se o hype! O CD conta com versões arranjadas dessa mesma galera da Basiscape enfatizando as raízes do Japão Feudal com o uso de instrumentos típicos como erhu e shakuhachi, a exemplo das fabulosas trilhas de Okami e da série Samurai Shodown já homenageadas em edições anteriores do espetáculo nipônico. Todavia, eu me limitarei a comentar o segmento do Press Start 2010 que é arranjado por Shuhei Kamimura, do time interno da Company AZA, o qual também fez o arranjo da “Professor Layton and the Curious Village”.

- “Muramasa: The Demon Blade” (Press Start 2010)
Originais: “Introduction” ~ “Impermanence”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Shuhei Kamimura
Tsugaru Shamisen: Takemi Hirohara
Shakuhachi: Kohei Matsumoto
Guitarra: Haruo Kubota

Não é fácil conciliar orquestra e guitarra em uma performance ao vivo. Também não é fácil conciliar orquestra e instrumentos folclóricos japoneses ao vivo. E o que dizer de uma execução ao vivo com orquestra, guitarra, tsugaru shamisen e shakuhachi? Somente o arrojo por conciliar elementos tão díspares é digno de aplausos, ainda que o resultado não seja exatamente memorável.

A primeira diferença para ambas as originais são as intervenções da guitarra durante a peça, instrumento que inexistia anteriormente. Sem coral na apresentação, não há algum elemento que remeta aos timbres de coro da composição do jogo.

Na “Introduction”, o tsugaru shamisen não toca desde o início, entrando apenas em um trecho mais incisivo. Apesar do vazio no momento em que surge a “Impermanence” (em 2:19), a colagem entre uma e outra foi feita sutilmente, sem pressa. O shakuhachi faz o solo, imitando a original (a partir de 1:39), com a mesma participação recorrente da harpa. Depois de alternâncias do shakuhachi e orquestra, todos os instrumentos se juntam no desfecho, e a mistura incrivelmente funciona. Gostaria de ouvir uma segunda opinião, mas minha impressão é que a reverberação, ainda que não seja a ideal, não ficou tão alta como no Press Start The 5th Anniversary.

Super Mario Bros. 25th Anniversary Special Sound Track Press Start Edition: 25 anos em três faixas


Por Alexei Barros

Quando soube da existência do Press Start 2006 o programa chamou a atenção pela ausência de um segmento do Mario, o que muitos poderiam considerar fundamental no set list de um concerto com diversas franquias. Encarava isso como uma virtude, uma prova de desplante, já que tal obrigação muitas vezes fez com que se apelasse para uma performance frívola, como são tão comuns os solos de piano do Mario 1, para jogar seguro e agradar o público.

Ironicamente, todas as edições seguintes incluíram números do Mario, e o primeiro deles, o arranjo de Keiichi Oku “Super Mario Bros.” no Press Start 2007, chega a ser uma piada de tão limitado, com menos de dois minutos de duração, em um exemplo de nostalgia fugaz. Depois a situação melhorou especialmente pela rapidez com que jogos recentes foram adicionados ao repertório. É o que torna especial o Super Mario Bros. 25th Anniversary Special Sound Track Press Start Edition, o terceiro lançamento relacionado à série japonesa de concertos. Os anteriores foram o single Professor Layton Series Soundtrack Premium CD e o álbum Press Start The 5th Anniversary.

Brinde do Super Mario Collection Capture Book e Super Mario Bros. 25th Anniversary Book lançados em um pacote dia 9 de dezembro de 2010, é um CD com três faixas do Mario, com performance da Kanagawa Philharmonic Orchestra no Bunkamura Orchard Hall no Press Start 2008 e no Tokyo Metropolitan Art Space no Press Start 2010, e da Tokyo City Philharmonic Orchestra neste segundo local no Press Start 2009.

Infelizmente, a minha principal reclamação do Press Start The 5th Anniversary persiste: a reverberação exagerada. Isso é muito desanimador, porque se foram lançados dois CDs com mixagem parecida, é o que a produção acha o ideal. Não há perspectiva que possíveis futuros lançamentos do Press Start tratem de corrigir isso. Em compensação, não tenho do que contestar da qualidade dos arranjos.

Quando ao repertório, há de se lamentar mais uma vez que do primeiro Super Mario Bros. há um pulo, ou melhor, um voo de capa até o Super Mario Galaxy, com uma aterrissagem no New Super Mario Bros. Wii. Quanta coisa boa não tem do Super Mario Bros. 2, Super Mario Bros. 3, Super Mario World, Super Mario 64 e Super Mario Sunshine… Da lista dos principais sobra Super Mario Galaxy 2. Se for mantida a tradição de um Mario por Press Start deve ser o candidato com mais potencial a figurar na provável edição 2011.

Mas chega de devaneios. Depois do Hadouken as minhas impressões da trinca de faixas bigodudas.

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Press Start The 5th Anniversary: desfalcado, reverberado e abrupto


Por Alexei Barros

Arranjos exclusivos, fartura de jogos nipônicos, seleções obscuras… são alguns motivos para mostrar tanta admiração pela série de concertos Press Start, que conta com apresentações desde 2006 no Japão. A cada ano lamentava pela inexistência de CDs e DVDs, o que significava que as performances se perderiam no tempo e no espaço, exceto pelas gravações da plateia que surgiram em 2006 e 2007, sendo que de 2008 em diante não passou do terreno da imaginação.

Então o impossível aconteceu: em agosto foi anunciada a compilação comemorativa de aniversário Press Start The 5th Anniversary, à venda em 11 de setembro, dia da realização do Press Start 2010. Apesar de celebrar o quinto aniversário, o álbum mescla seleções de somente duas apresentações: do Press Start 2008, com a Kanagawa Philharmonic Orchestra no Bunkamura Orchard Hall, e do Press Start 2009, com a Tokyo City Philharmonic Orchestra no Tokyo Metropolitan Art Space. Sempre que um produto muito aguardado finalmente é lançado, vem a inevitável pergunta: a espera valeu a pena? Respondo de cara: não. O que leva a outro questionamento: “você ficava elogiando toda hora e agora vem dizer que não é tão bom assim?”. Calma.

À primeira vista chateia a pouca quantidade de faixas para uma coletânea: nove, em um total de 50 minutos – para efeitos de comparação, o Video Games Live: Level 2 e o Play! A Video Game Symphony Live estão entupidos até a boca, com 74 minutos. Ou seja, sobraram 24 minutos de CD. Se fossem segmentos de seis minutos, caberiam mais quatro faixas. Imagino a substância que trariam Out Run, Castlevania, Mega Man 2 e Wild Arms. Isso até daria para relevar.

O principal problema do álbum é a equalização equivocada, que conta com muita reverberação (valeu, 00Agent!), prejudicando a nitidez dos instrumentos, a ponto de parecer que a orquestra está muito mais longe do que verdadeiramente está. Fora isso, não existe a profundidade sonora que torna as performances orquestradas tão especiais. Ainda que gravado ao vivo, é inaceitável para um CD como ambas as apresentações aconteceram em salas de concerto, onde a arquitetura privilegia a acústica. Seria covardia comparar com o Symphonic Fantasies, um exemplo de perfeição entre os concertos de games. Para pegar um caso mais próximo, japonês, cotejo com o Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert ~Hunting Music Festival~, que, inclusive, aconteceu no Tokyo Metropolitan Art Space, o mesmo local do Press Start 2009, e viceja uma qualidade invejável de produção. Mais desanimador é que a reverberação exagerada persiste no Super Mario Bros. 25th Anniversary Special Sound Track Press Start Edition, que ainda farei um post específico.

Segundo, os arranjos não são tão bons quanto deveriam. As transições que reclamo tanto são irregulares em vários números do álbum. Não que sejam ruins, é que o Kazuhiko Toyama e o Nobuyuki Nakamura definitivamente não estão entre os melhores arranjadores do mundo. Falta polimento em muitas passagens e percepção de como encadear as músicas em um medley. Às vezes parece que as faixas e a sequência são pré-definidas por alguém e eles têm que se virar com isso, no momento em que mudanças e cortes poderiam ser feitos para o bem dos arranjos.

Mesmo assim, a track list foge do padrão do que se costuma ouvir nos concertos ocidentais. Importante ressaltar que o disco não representa a totalidade da experiência, como não há nada da Square Enix e da Nintendo. Depois do Hadouken minhas pútridas impressões do álbum que, mesmo com os já mencionados contratempos, tem os seus momentos.

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A escolinha do Professor Layton


Por Alexei Barros

Que milagre! Vim lhe trazer esse humilde presente… A primeira música tocada na série de concertos nipônica Press Start foi lançada oficialmente. É irrisório ante o total de 41 segmentos (considerando as peças orquestradas e descartando as reprises idênticas) de 2006, 2007 e 2008, mas abre-se um precedente que pode sinalizar iniciativas similares no futuro.

Já que Nintendo e Square Enix (e possivelmente outras) não permitem a publicação de CDs que contenham músicas das demais produtoras, e é praticamente impensável organizar um concerto multifranquias sem jogos das duas empresas – ainda mais que quatro dos cinco organizadores têm ou tiveram relação com uma ou outra; Shogo Sakai e Masahiro Sakurai com Nintendo e Nobuo Uematsu e Kazushige Nojima com Square Enix –, sempre me perguntei: por que não fazem coletâneas ou discos promocionais com algumas das faixas apresentadas?

Isso aconteceu na época da série de shows Game Music Festival, em que os espetáculos se destrincharam em produtos de várias frontes. Por exemplo, que tal um álbum apenas com os segmentos da Nintendo? Verdade que isso não resolveria os casos do “Puzzle Medley” (2006, com Meteos, Dr. Mario e Tetris) e do “Shooting Medley” (2007, com Star Fox), mas evidentemente é melhor apreciar a maior parte dos concertos em qualidade profissional do que nada.

A música em questão é do segmento do Professor Layton and the Curious Village do Press Start 2008, que já tivera um sample no site oficial. A forma para conseguir o disco que contém a faixa não é das mais simples. Cada um dos álbuns da trilogia da série contém um ticket, e juntando os três é possível trocá-los pelo Professor Layton Series Soundtrack Premium CD. Espero que a medida, ainda que restrita, faça escola. Ouça a música no Goear e veja os comentários sobre a performance da Kanagawa Philharmonic Orchestra:

- “Professor Layton and the Curious Village” (Press Start 2008)
Originais: “Puzzle” ~ “Professor Layton’s Theme”

Composição: Tomohito Nishiura
Arranjo: Shuhei Kamimura

Professor Layton and the Curious VillageAs escolhas são perfeitas: a música que se escuta na maior parte do tempo e o tema principal. Imitando a original, a “Puzzle” é reproduzida no vibrafone, mas com o enfeite adicional das cordas. A transição para a “Professor Layton’s Theme” transcorre de maneira apurada, momento em que irrompe o solo de violino exuberante. Mas não há acordeão, bateria, flauta e contrabaixo acústico como na “Professor Layton’s Theme (Live Version)”. Em compensação, os metais, o oboé e toda a massa sonora advinda da orquestra conferem grandiosidade, ainda que o flerte jazzístico seja muito mais tímido que no arranjo supracitado.


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