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Kirby 25th Anniversary Orchestra Concert: um concerto improvável, mas muito bem-vindo

Quem poderia imaginar que Kirby teria o seu próprio concerto antes de Super Mario, Metroid e Donkey Kong?

Por Alexei Barros

De todas as séries da Nintendo, Kirby era uma das menos prováveis a ganhar um concerto dedicado, mesmo que a pelota rosa já tenha rolado no Orchestral Game Concert, Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, Press Start e LEGENDS. Kirby repete o que aconteceu com Zelda em 2011 e Fire Emblem em 2015 quando essas séries completaram 25 anos de vida, mas isso não é uma regra entre as franquias da Nintendo: Super Mario foi agraciado com muitos shows próprios, mas não teve um espetáculo exclusivo com orquestra quando comemorou 25 anos em 2010 nem depois.

E não foram poucas as apresentações do Kirby 25th Anniversary Orchestra Concert, apesar de obviamente não chegar a ser uma turnê. Primeiro foi no dia 16 de abril no Bunkamura Orchard Hall em Tóquio, com uma performance à 13h30 e outra às 18h com a participação da Tokyo Philharmonic Orchestra. Depois, um repeteco ocorreu no dia 18 de junho, no Orix Theater em Osaka com a Osaka Symphony Orchestra. E, para completar, no dia 20 de julho a Tokyo Philharmonic Orchestra voltou para o Bunkamura Orchard Hall para tocar o concerto que foi transmitido em vídeo pelo serviço pago Nico Nico Live. Eu cheguei a ver um segmento do Kirby Air Ride que foi publicado no YouTube, mas essa gravação foi pulverizada da internet.

Em todas as ocasiões, Taizo Takemoto, o maestro Press Start, assumiu a regência. Falando em Press Start, o criador de Kirby, Masahiro Sakurai, e o responsável pelos arranjos, Shogo Sakai, ambos da produção da extinta série de concertos, também estavam entre os convidados do espetáculo. Considerando que é a mesma equipe, curiosamente os dois arranjos já produzidos – Kirby’s Dream Land no Press Start 2009 e Kirby Air Ride no Press Start 2012 – não foram reutilizados. Apenas um medley, do Kirby: Squeak Squad e Kirby & The Amazing Mirror, não foi arranjado por Sakai, mas sim pela novata Megumi Ohara, que entrou para a HAL Laboratory em 2015. Curiosidade: ela nasceu em 1991 e, como Kirby, também estava com 25 anos na época da realização do concerto.

Não tenho condições de avaliar as seleções do set list por causa do meu desconhecimento da série, mas, a julgar pelos elogios em redes sociais, o concerto foi bem abrangente, dando oportunidade para jogos que dificilmente seriam tocados em espetáculos com músicas de outras franquias.

De maneira inacreditável, o concerto foi publicado em áudio e vídeo. Estão disponíveis os pacotes com dois CDs, dois CDs e um DVD ou então dois CDs e um Blu-ray – o segundo disco chamado de Kirby Memorial Arrange tem arranjos variados com big band, banda, chiptune e até vocal. Porém, não pense você, fã de Kirby, que para adquirir qualquer um desses três produtos basta gastar uma nota preta no Play-Asia ou CD Japan. Os lançamentos são exclusivos da loja virtual ValueMall, que faz a grande gentileza de não entregar para fora do Japão – uma saída é contratar serviços de intermediários, o que obviamente encarece o produto para preços ainda mais estratosféricos. Não bastasse isso, as encomendas só são permitidas por tempo limitado.

Segue abaixo o set list. Chamo a atenção que o número do bis foi diferente para cada apresentação, mas ambos apareceram no último concerto em Tóquio. Geralmente não gosto de listar os medleys sem detalhar as músicas (o que muito fantasticamente foi feito no report da Famitsu), mas vou ficar devendo dessa vez, já que a inexistência de diversas trilhas originais em CD e o falecimento do Goear, serviço pelo qual eu havia subido milhares de músicas, dificultaram a manutenção desse hábito.

Os samples da gravação do concerto e do disco Kirby Memorial Arrange podem ser conferidos no site oficial.

Ato I
01. “Kirby 25th Anniversary Grand Opening”
02. “Kirby’s Adventure Medley”
03. “King Dedede & Meta Knight Tag Medley”
04. “Kirby’s Dream Land 2 Friends Medley”
05. “Kirby’s Dream Land 3 & Kirby 64: The Crystal Shards Medley”
06. “Kirby Super Star Medley”

Ato II
07. “Kirby Air Ride Medley”
08. “Kirby & The Amazing Mirror & Squeak Squad Medley”
09. “Kirby Ball Medley”
10. “Kirby Triple Deluxe Medley”
11. “Kirby Planet Robobot Medley”
12. “Kirby’s Return to Dream Land Medley”

Bis
13. “Tomorrow is a New Day” (Kirby’s Dream Land)
14. “Milky Way Wishes” (Kirby Super Star)

A apresentadora Nozomi Yuzuriha, a arranjadora Megumi Ohara, o maestro Taizo Takemoto, o arranjador Shogo Sakai e a outra apresentadora Mirin Furukawa em um daqueles altos papos que acontecem entre um segmento e outro

[via VGMdb, Kirby Wikia, Promax, Famitsu, Game Watch]

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Metal Gear in Concert: o início sólido de uma turnê certa na hora errada

Metal Gear Solid 3: Snake Eater abre o concerto por ser cronologicamente o primeiro jogo na história da série

Por Alexei Barros

Se me perguntassem anos atrás uma série que teria potencial para render um concerto, uma das respostas seria Metal Gear. Praticamente todas as apresentações e turnês de game music já tocaram diferentes músicas da franquia, que reúne um grande repertório musical e imensa popularidade mundial. Ficava fácil imaginar a viabilidade de um espetáculo dedicado. Isso anos atrás. Esse dia enfim chegou, mas tinha que ser justo depois que o criador Hideo Kojima saiu daquela forma que todo mundo sabe da Konami? E nesse momento de “expectativa” por Metal Gear Survive?

De qualquer forma, a série completou 30 anos em 2017, e o Metal Gear in Concert estreou no dia 30 de julho no Orix Theater em Osaka com performance da Osaka Symphony Orchestra. Uma segunda apresentação foi feita no dia 2 de agosto no Tokyo International Forum Hall A em Tóquio, dessa vez com a participação da Tokyo Philharmonic Orchestra. Ambos os espetáculos tiveram a regência do australiano Nicholas Buc, que também foi o responsável pelos arranjos. A julgar pelo seu site oficial, ele não tem experiência em games, mas já regeu diversos concertos com músicas de cinema, além de compor para filmes e documentários. A cantora Donna Burke, também da Austrália, participou das duas apresentações de uma forma que detalharei mais adiante.

Em relação ao set list, achei muito bacana a ideia de o programa ser na ordem cronológica da história da série, com medleys dos principais jogos. Só lamento que, apesar de o concerto não se chamar Metal Gear “Solid” in Concert, os dois primeiros jogos para MSX2, Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake, foram ignorados. O único consolo é que a “VR Training”, presente no segmento de Metal Gear Solid, resgata as músicas “Operation Intrude N313” e “Theme Of Tara” da trilha do Metal Gear de 1987. Até por isso fiquei com a impressão que essa música sem relação direta com o jogo principal ficou meio deslocada. Aliás, falando de Metal Gear Solid, não entendi a ausência da marcante “Encounter” pela quantidade de vezes que ela toca durante o jogo.

Minha maior dúvida em relação ao espetáculo é se o tema principal da série assinado por Tappy Iwase – justamente uma das músicas mais memoráveis de Metal Gear –, aparece de alguma forma nesses medleys, já que a Konami abandonou a composição após a revelação de que ela era fortemente inspirada em dois segmentos assinados pelo russo Georgy Sviridov. Além da “METAL GEAR SOLID” Main Theme na versão do Metal Gear Solid 3, a “Debriefing” do mesmo jogo e a “Freedom to Decide” do Metal Gear Solid 2 fazem referências à melodia proibida. Tem que ver isso aí….

Tirando certas faixas instrumentais, sem dúvidas as músicas cantadas estão entre as mais icônicas, mas há dois problemas com relação a isso. Algumas das canções são licenciadas, como a “The Man Who Sold The World” do David Bowie (The Phantom Pain) ou a “Here’s To You” do Ennio Morricone (Metal Gear Solid 4). Essas e todas outras não foram lembradas e honestamente não fizeram falta.

O outro contratempo é que as cantoras originais são de épocas e origens completamente diferentes e me parecia ser impossível reunir todas para um concerto estilo Voices: music from Final Fantasy – inclusive a cantora da “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), Carla White, faleceu em 2007.

A solução foi entregar para a Donna Burke não só as músicas que ela já interpretava originalmente (“Sins of the Father” do The Phantom Pain e “Heavens Divide” do Peace Walker), como também a “Snake Eater”, cantada no jogo pela Cynthia Harrell. É exatamente o que a Susan Calloway faz com as diferentes canções de Final Fantasy no Distant Worlds. Isso é um sinal da intenção de o Metal Gear in Concert virar uma turnê, pois ter apenas uma cantora facilita bastante as visitas do concerto em outros países – estão previstas apresentações na América do Norte e na Europa.

Porém, olhando para o set list, estão listadas duas músicas que originalmente são cantadas e ela não participou. A primeira é a “Love Deterrence” (Peace Walker), que tem a voz da Nana Mizuki na versão original. Por uma coincidência interestelar, dá para ver um trecho do arranjo instrumental dessa canção em uma das gravações amadoras que foram publicadas no canal do YouTube da Donna Burke. J-pop ou J-rock orquestrado não tem como ser diferente: ficou espetacular.  E, para ser sincero, faz uma bela contraposição com a maioria maciça de faixas cinematográficas e pouco melódicas.

A outra música, para minha decepção, é a “The Best Is Yet To Come”, que originalmente é cantada no idioma gaélico pela Aoife Ní Fhearraigh. Não consigo imaginar que uma versão sem voz consiga manter a sublimidade da canção, mas não vou criticar o que não ouvi. O mais curioso é que a própria Donna Burke tinha feito um arranjo da “The Best Is Yet To Come”, dessa vez com os versos cantados em inglês, para o álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks. Se fosse para cantar essa versão, para mim seria melhor nem ter vocal como de fato aconteceu. Confesso que o arranjo não me agrada nem um bocado, já que tira vários elementos que considero essenciais, como a arrepiante introdução a cappella (“An cuimhin leat an grá…”), a flauta de pã que dá o “toque de Yasunori Mitsuda” à música, o bouzouki que foi substituído pela harpa e até mesmo a participação menos presente dos back vocals (na versão em inglês são apenas dois, enquanto que na original é um coral de dez vozes). Fora a letra incompreensível que é parte do charme.

Curiosamente, no mesmo álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks a Donna Burke também fez covers da supracitada “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), além da “Love Theme” (Metal Gear Solid 4), cantada em hebraico pela Jackie Presti no jogo, e até mesmo da “Quiet’s Theme” (The Phantom Pain), que é interpretada originalmente pela Stefanie Joosten (e que ela própria cantou ao vivo no The Game Awards 2015). As três canções não estão no programa, mas em tese Donna Burke se garantiria em qualquer uma delas.

Outra lamentação é a ausência de compositores importantes da série. Claro que eu não iria imaginar o Tappy Iwase fazendo um solo de bateria, mas o Norihiko Hibino seria um nome bem-vindo no saxofone, apesar de mal ter participado das trilhas do Metal Gear Solid 4 e Peace Walker e nem passar perto do Metal Gear Solid V.

Ainda fico no aguardo do CD do concerto, mesmo com todas as ressalvas. O canal YongYea fez o grande favor de reunir em um único vídeo todos os trechos avulsos publicados da apresentação em Osaka. Apesar de não ter dado para ouvir tão bem pelo áudio meio ruim da câmera, me chamou a atenção que a performance conta com bateria e baixo elétrico na companhia da orquestra, o que muitas vezes não acontece nesse tipo de concerto. Confira no fim do post.

Donna Burke participou de três canções do Metal Gear in Concert – apenas a “Snake Eater”, com a voz da Cynthia Harrell na trilha do jogo, não é cantada originalmente por ela

Set list

Ato I

01. “METAL GEAR SOLID” Main Theme ~ “Across The Border” ~ “The Pain” ~ “Fortress Sneaking” ~ “Sidecar – Escape From The Fortress -“ ~ “Takin’On The Shagohod” ~ “Troops in Gathering” ~ “Life’s End” ~ “Debriefing” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
02. “Rain of Bane” ~ “Marshland” ~ “PUPA” ~ “Uninterrupted Signal” ~ “METAL GEAR SOLID PEACE WALKER Main Theme” ~ “Love Deterrence” (Metal Gear Solid: Peace Walker)
03. “Ground Zeroes” ~ “Bloodstained Anthem” (Metal Gear Solid V: Ground Zeroes) ~ “V Has Come To” ~ “Shining Lights, Even in Death” ~ “Sahelanthropus Dominion” ~ “Sins of The Father” (Metal Gear Solid V: The Phantom Pain)

Ato II
04. “VR Training” ~ “Intruder 1” ~ “Mantis’ Hymn” ~ “Hind D” ~ “Escape” ~ “The Best Is Yet To Come” (Metal Gear Solid)
05.  “Opening Infiltration” ~ “Olga Gurlukovich” ~ “Ray Escapes” ~ “Fortune” ~ “It’s the Harrier!” ~ “Battle” ~ “Freedom to Decide” (Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty)
06. “Old Snake” ~ “Gekko” ~ “Mobs Alive” ~ “Guns of the Patriots” ~ “Everything Ends” ~ “Father & Son” ~ “METAL GEAR SAGA” (Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots)

Bis
07. “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
08. “Heavens Divide” (Metal Gear Solid: Peace Walker)

Mais uma vez agradecido ao Fabão pelo link do report.

[via Metal Gear in Concert, 2083, Famitsu, NB Press Online, ameblog.jp]


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