Textos categorizados 'Noriyuki Iwadare'

“Theme of Grandia” – Grandia (Video Game Orchestra ~Live at Boston Symphony Hall~)

Por Alexei Barros

Uma vez que Grandia foi escolhido para integrar o programa do concerto da Video Game Orchestra em Boston de 2012, a “Theme of Grandia”, evidentemente, era uma escolha obrigatória, mesmo que eu tenha ficado mais surpreso pela rendição espetacular da “Battle 1”.

Como comentado no post anterior, o arranjo para a apresentação foi preparado pelo próprio compositor do RPG do Saturn e adaptado para PlayStation, Noriyuki Iwadare, que assistiu à performance in loco. No post do espetáculo no fórum do Soundtrack Central, aliás, eu soube que a homenagem à Grandia foi além do esperado: também estava na plateia a viúva do criador da série e fundador do estúdio Game Arts, Takeshi Miyaji, falecido em 2011 de complicações cirúrgicas realizadas em decorrência de um tumor no cérebro. Bela homenagem póstuma.

Diferentemente da “Battle 1”, originalmente sintetizada, a “Theme of Grandia” já era orquestrada na trilha do jogo, contando também com bateria, baixo elétrico e guitarra – que, na OST, foi tocada pelo talentoso Jun Kajiwara, frequente em diversos álbuns com arranjos da SNK. O mais legal é que a VGO tem todos esses instrumentos normalmente e não depende de subterfúgios duvidosos – falo do repulsivo uso do playback. Por isso, vale a emoção de ouvir essa música de abertura que incorpora o espírito de aventura e descoberta do jogo… nem que seja com um ângulo de câmera meio baixo e com cabeças na frente (foi a gravação com o melhor áudio que achei).

Destaque para o solo de violino de cortar o coração maravilhosamente tocado e, claro, aquele solo de guitarra que o instrumentista fica na ânsia a música toda esperando só para mostrar a que veio. Obrigado, Shota Nakama. Obrigado, VGO.

“Battle 1” – Grandia (Video Game Orchestra ~Live at Boston Symphony Hall~)

Por Alexei Barros

Ouvir de uma vez por todas Grandia em um concerto de games, ainda que em uma gravação amadora do YouTube, é a realização de um sonho. Por que demorou tanto? Mesmo que a série não tenha prosperado, é muita música boa para ser ignorada.

Como disse no outro post, Grandia foi mostrado em um concerto da Video Game Orchestra no Boston’s Symphony Hall. A história contada pelo líder da VGO, Shota Nakama, é que alguns meses atrás ele pediu ao compositor Noriyuki Iwadare para incluir músicas do Grandia na apresentação. Iwadare respondeu: “Ok, eu vou fazer um arranjo para você”.

A informação era de que seria uma suíte de 15 minutos do jogo. Bem, apesar da minha empolgação provocada pela lembrança do RPG da Game Arts, não considero o que vi e ouvi exatamente uma suíte, que seria um segmento com várias faixas tocadas continuamente, com transições entre elas. Na verdade, foram executadas quatro músicas avulsas intercaladas por interrupções. Não dá para dizer que estou completamente decepcionado dado o ineditismo da performance.

Das quatro escolhidas, a que mais me empolgou, pela ordem das seleções, foi a segunda: “Battle 1”, ou seja, o primeiro tema de batalha do jogo (que grande observação essa). É que, com o passar da aventura, a música para os combates normais muda e não fica aquela repetição toda muito recorrente nos Final Fantasies da vida.

Ver uma orquestra dessa envergadura, com guitarra, teclado, baixo, bateria e percussão à sua frente no palco, tocando uma música empolgante como a “Battle 1”… não tem como resistir: eu simplesmente me esqueci do quão espetacular era esse tema de combate. A versão é um pouco diferente da original. Basicamente, em vez do solo de teclado, há um solo de guitarra e o naipe de metais tem uma participação mais incisiva. Só uma pena que a gravação, a de qualidade mais aceitável que encontrei, não permite escutar o baixo elétrico. Mas, felizmente, aquele álbum financiado via Kickstarter conseguiu atingir o valor necessário e Grandia está na track list para podermos ouvir essa maravilha em melhor qualidade (nem que seja um sample).

Próximo concerto da VGO terá quatro convidados japoneses; programa inclui suíte de 15 minutos de Grandia arranjada por Noriyuki Iwadare


Por Alexei Barros

Como faz tempo que não falo da Video Game Orchestra por aqui. Até queria comentar mais, acontece que não encontrava performances diferentes das que já publiquei anteriormente. Nesse meio tempo, a orquestra liderada por Shota Nakama ganhou bastante reconhecimento, chegando, inclusive, a participar do Distant Worlds em Boston em março de 2012, em um cross over outrora inconcebível entre as produções de concertos de games.

Mas em 7 de outubro, no Boston’s Symphony Hall, nos EUA, a VGO promete realizar uma apresentação ainda mais ambiciosa. Kinuyo Yamashita, Hitoshi Sakimoto, Yoko Shimomura e Noriyuki Iwadare estarão na plateia. Este último inclusive preparou um arranjo de 15 minutos de Grandia especialmente para o espetáculo… morri. Eu já estava feliz se fosse só a “Theme of Grandia”… Agora uma suíte? De 15 minutos? (E provavelmente com os temas de batalha?)

Além de Grandia, teremos no set list um número intitulado “Sakimoto Medley”. Sinceramente não sei o que pode vir aí, se as obras mais famosas dele (Final Fantasy XII) ou as mais cult, como Verytex, Gauntlet IV, Radiant Silvergun, Gradius V… Na torcida pela segunda opção. Porque a “Return” ainda ressoa na minha mente…

Completam o programa, entre os segmentos já anunciados: “Bombing Mission” (Final Fantasy VII), Street Fighter II, God of War, “Baba Yetu” (Civilization IV), “Vampire Killer” (Castlevania), Kingdom Hearts, “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3), Chrono Trigger e Cross e Final Fantasy VII Suite.

Foi aberta uma campanha via Kickstarter para financiar a gravação parcial do concerto com o custo de 30.000 dólares, mas, faltando 13 dias para encerrar o prazo, o valor ainda não atingiu a metade do necessário. De qualquer jeito, eu já vou ficar mais do que satisfeito de ver um videozinho da suíte de Grandia.

[via Kickstarter]

Kid Icarus: Uprising: Koshirão, Mitsuda, Sakuraba, Iwadare e Masafumi Takada são os compositores; ouça os primeiros samples


Por Alexei Barros

Eu sou fervorosamente favorável ao retorno de séries estimadas que estão há anos em letargia. Fico satisfeito com o regresso. Foi assim na E3 2010 com o anúncio de Kid Icarus: Uprising, terceiro jogo da franquia da Nintendo que possuía apenas dois jogos, o primeiro para NES (1987) e a continuação, Kid Icarus: Of Myths and Monsters, para Game Boy (1991). Como se não bastasse no mesmo evento ter sido anunciado Donkey Kong Country Returns.

Mas, se DKC Returns saiu para Wii em 2010, eu confesso ter desanimado ao saber que Uprising seria para 3DS. Nada contra o aparelho, é que eu pensei: “Com tanta coisa para jogar para DS ainda, por que eu compraria JÁ outro portátil?”. Claro que o descaso seria temporário. Temporário até sair o Professor Layton vs. Ace Attorney eu imaginava.

Nem acompanhava com muito afinco as novidades e vídeos de Kid Icarus: Uprising pela expectativa mediana. Daí notei que o meu desdém era descabido quando vi que: 1) O jogo tirou 40/40 da Famitsu. Certo que a nota máxima da revista ficou um pouco banalizada, mas muitos títulos AAA não gozaram da mesma avaliação; 2) Revelam os compositores da trilha, simplesmente: Yuzo Koshiro, Masafumi Takada, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare e Yasunori Mitsuda. Só isso. Os três últimos são mestres dos RPGs – fizeram as trilhas de Star Ocean, Grandia e Chrono Trigger, respectivamente. Takada acompanhou a loucura de Goichi Suda em jogos como killer7 e No More Heroes antes de virar freelancer e Koshirão não preciso dizer quem é.

Masahiro Sakurai, o líder da Project Sora, desenvolvedora do Uprising, realmente tem um cuidado especial com as músicas de suas produções. Não é de se estranhar que ele seja um dos responsáveis da série de concertos Press Start, que, aliás, tocou Kid Icarus em 2011, e tenha angariado 36 compositores para os arranjos da trilha de Super Smash Bros. Brawl.

Para criar expectativa, ele inclusive havia avisado que o compositor do Uprising trabalhou no jogo de (luta? Ou gênero indefinido?) de 2008. Isso dava margem para a participação de Hirokazu Tanaka, que criou, para variar, músicas soberbas no jogo original, tal como em Metroid.

Mesmo sem ele, como reclamar com um quinteto desses? O melhor é que o site oficial do jogo é bem generoso: até agora são sete faixas, e as amostras podem ser ouvidas na íntegra. Acompanhe na ordem.

As duas primeiras possuem um viés sinfônico (não arriscaria dizer que foram gravadas por uma orquestra de fato), e a segunda, do Koshirão, tem timbres de coral. A terceira, de novo do Sakuraba, tem potencial para ser uma nova “Gerudo Valley”, com um violão estilo flamenco simplesmente magnífico. Para quem reclama da mesmice Sakurabística no rock progressivo, aí está a resposta.

O Sakuraba volta a roubar a cena na quarta, com reminiscências do tema “Underworld” do Hip Tanaka que é a música-chave da série. Essas cordas ficaram uma pintura, e depois são reforçadas por uma guitarra alucinante. Guitarra? De novo na quinta, em uma promissoríssima faixa do Yasunori Mitsuda. Na sexta temos a pompa dos melhores tempos de Noriyuki Iwadare em Grandia – para você ver o nível do negócio. Do Masafumi Takada pode se esperar tudo. Tudo menos um solo de violino acompanhado por percussão, retomando o flamenco da terceira.

Abaixo os links diretos para as faixas, levando em conta que esses nomes não são as traduções oficiais.

01 – “Main Theme” (Motoi Sakuraba)
02 – “Magna Theme” (Yuzo Koshiro)
03 – “Black Pit Theme” (Motoi Sakuraba)
04 – “Chapter 4 Air Battle” (Motoi Sakuraba)
05 – “Boss Battle” (Yasunori Mitsuda)
06 – “Star Pirate Theme” (Noriyuki Iwadare)
07 – “Practice Room” (Masafumi Takada)

Com todo o respeito ao Final Fantasy XIII-2, já temos a trilha do ano?

[ATUALIZAÇÃO] Antes que eu ousasse reclamar do lançamento do álbum, a Nintendo anunciou a Shin Hikari Shinwa Palutena no Kagami Music Selection, que pode ser trocada na Club Nintendo nipônica por 400 pontos (ou 250 se você morar no Japão e tiver comprado o Uprising). Ou seja, não dependeremos dos ripadores do YouTube desta vez.

[via Andria Sang, My Nintendo News]

Um raro e excepcional EP com arranjos de Grandia II


Por Alexei Barros

Se já foi um acontecimento do ano (de 2007) a aparição da “A Deus” do Grandia II em um concerto de games, o que dirá um EP amador com músicas do RPG da Game Arts? De um aficionado ocidental, ainda por cima – é algo muito incomum. E de muita qualidade.

Não surpreende que a inusitada ação não ocorreu por meios normais – dos arranjadores e/ou instrumentistas serem fãs do jogo, por exemplo. Em março de 2011, no evento MAGfest, foi promovido um leilão entre os participantes a fim de arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas dos terremotos no Japão. O vencedor tinha o direito de escolher uma música para que fosse arranjada. (Aliás, uma iniciativa similar foi feita por ocasião das chuvas torrenciais no Rio de Janeiro, não é mesmo Gagá / Cosmonal?). Por sorte, o ganhador escolheu Grandia II e sugeriu algumas músicas para Grant “Stemage” Henry, que ficou conhecido pelo trabalho na série de álbuns Metroid Metal. Então Stemage arranjou quatro faixas e lançou dia 14 de outubro o Frets of Valmar: Grandia II no Bandcamp. Todas as músicas podem ser ouvidas inteiras e em qualquer momento gratuitamente. Para baixá-las, você define um preço, e todo o valor é redirecionado à Cruz Vermelha Japonesa.

Não comentarei as faixas muito minuciosamente, mas os links para cada uma estão aí no fim do post, acompanhados das originais. A primeira que ouvi foi o tema de combate, que contava com uma guitarra real totalmente alucinante. O Stemage conseguiu melhorar o que já era incrível com a guitarra base e a guitarra solo. É a minha favorita do EP. A mencionada “A Deus” ganhou uma versão instrumental lembrando a “Distant Worlds” do Black Mages: uma canção que originou um arranjo acústico, mais calmo e com violões. “Dangerous Zone” tem um vocal metal, que, felizmente (para mim, falo pelo meu gosto) aparece muito pouco. A música é permeada por solos dos integrantes da banda Arm Cannon e do Chunkstyle. Para fechar, a “Purification of Darkness ~ Battle with the Parts” recebeu uma bela atualização, na tradução da sinfonia sintetizada para um show de guitarras.

01 – “A Deus”
Original: “A Deus”

02 – “FIGHT!”
Original: “FIGHT!! Ver.1″

03 – “Dangerous Zone (featuring Arm Cannon and Chunkstyle)”
Original: “Dangerous Zone”

04 – “Purification of Darkness”
Original: “Purification of Darkness ~ Battle with the Parts”

Gyakuten Kenji 2: o trailer da TGS 2010

Por Alexei Barros

Qualquer espirro da Capcom de Ace Attorney é digno de atenção, quanto mais o primeiro trailer do recém-revelado Gyakuten Kenji 2. Em termos de história e jogabilidade, nada de muito novo em relação ao que já se sabia, a não ser por uma ou outra aparição de certos personagens, e pela amostragem em movimento do sistema que envolve peças de xadrez e ajudará Edgeworth a solucionar os casos.

O destaque é o tema alucinante assinado por Noriyuki Iwadare, com direito a um solo de guitarra incidental (0:42) no melhor estilo Grandia e um interlúdio misterioso (1:09). Lembra do tema do trailer do Gyakuten Kenji na Tokyo Game Show 2008? Foi orquestrado no arranjo “Testimony – Lying Coldly Full Orchestra Arrange” do pacote promocional Gyakuten Kenji Orchestra & Video Album. Espero que o mesmo aconteça com este tema da sequência.

“Theme of Grandia” – Grandia (Japan Expo 2010)

Por Alexei Barros

Não sei você. Eu acho a “Theme of Grandia” não só uma das melhores músicas do Noriyuki Iwadare, como de toda a história dos videogames. É o tipo de composição que me fez pensar: olha onde a game music conseguiu chegar, além de encaixar perfeitamente com as cenas da abertura da extensa aventura de Justin, Feena e cia.

Isso em 1997, e tal resultado foi obtido graças à utilização de instrumentos reais no tema, desde cordas, madeiras, metais até bateria, baixo elétrico e guitarra, que emerge em um breve solo em 3:24 tocado por Jun Kajiwara, aquele mesmo que aparece em quase todos os álbuns arranjados da SNK. Apesar da interessante versão “Theme of Grandia” do álbum Vent ~ Grandia Arrange Version e da “Theme of Grandia (Marching Ver.)” presente no Grandia Online − Perfect Sound Library − ser bem bacana, para mim não conseguem se equiparar à original.

Até hoje não consigo entender por que nunca foi executada com a instrumentação completa em um concerto oficial. Em compensação, ainda não com orquestra, só com banda, o tema foi tocado no evento francês Japan Expo 2010.

Supera em parte a decepção de sequer ver ou ouvir, apenas sonhar com fotos a performance do show History of Grandia Live na Square Enix Party 2005, por ocasião da revelação do Grandia III. A formação da banda era parecida, com a diferença é que lá havia violino e Iwadare tocava piano, não teclado como aqui.

Mesmo com a riqueza da orquestra resumida a timbres de sintetizador, a “Theme of Grandia” não perdeu tanta força como imaginava, e ganha respeito pela presença do compositor. Além disso, o enlevo provocado pela surpresa do solo de guitarra inexiste, visto que o instrumento participa ativamente desde o começo da performance. No entremeio, ainda tem a tradicional apresentação dos integrantes da banda também formada por Wo-Lya (baixo), Roze Horiguchi (bateria) e Yasufumi Fukuda (guitarra).

“Godot ~ The Fragrance of Dark-Colored Coffee” – Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations (Japan Expo 2010)

Por Alexei Barros

O enigmático promotor mascarado Godot é um dos personagens que mais desperta fascínio nos juristas virtuais de Ace Attorney. O tema “Godot ~ The Fragrance of Dark-Colored Coffee” exprime a identidade que tanto conquista admiradores com um jazz suave que nos deixa lembrar das xícaras e mais xícaras de café, do sarcasmo e de todas as pilhérias sem sentido.

Para causar este efeito, é  indispensável o uso do saxofone, como mostrado nas adaptações do Gyakuten Saiban Jazz Album (na capa Godot aparece tocando sax) e dos concertos da série. Sabendo disso e que o Noriyuki Iwadare não levou um saxofonista para a França no Japan Expo 2010, imaginei que a música seria automaticamente descartada. Não.

No começo o próprio teclado faz as vezes do sax, e depois a guitarra entra para ajudar. Se continuasse assim, a performance corria sério risco de ficar monótona. Solução: aceleração de ritmo. A seguir, solos de guitarra e baixo no melhor estilo smooth jazz, terminando com toda a atenção no teclado. A ausência foi muito bem driblada graças à criatividade do arranjo – esqueça o “indispensável” que escrevi no parágrafo anterior.

- “Godot ~ The Fragrance of Dark-Colored Coffee”

“Gyakuten Saiban 3 Medley” – Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations (Japan Expo 2010)

Por Alexei Barros

Soube tempos depois: nos dias 1 a 4 de julho o evento Japan Expo 2010 reuniu convidados não só dos games, como do entretenimento nipônico em geral. O diretor de animes Kenji Kodama (City Hunter), o mangaka Tsukasa Hojo (também do City Hunter) e o grupo J-pop de cantoras Morning Musume. Também teve um doidão, um cara meio desconhecido, Hideo Kojima. E um compositor de game music, um tal de Noriyuki Iwadare.

Seria normal se fosse no Japão, acontece que a reunião de nomes importantes se deu em Paris, França, um país onde a cultura japonesa desempenha influência pela popularidade de animes, não sei o quanto comparado com o Brasil. Voltando ao Iwadare, se aparecesse sozinho para tocar piano já seria um acontecimento e tanto. Que nada, ele levou uma banda e uma cantora não para um show, mas dois!

Infelizmente, os franceses não são tão detalhistas quanto os japoneses e não pude encontrar um site sequer capaz de detalhar a ordem de jogos, quanto mais de músicas do set list. Os vídeos, quando não incompletos, estão sem identificação. Por isso, nem consegui fazer ideia de quais foram tocadas. Do que conferi teve nada menos do que seleções de Lunar, Grandia e até Ace Attorney.

Com Iwadare nos teclados (dois apenas, não uma dezena como Motoi Sakuraba nos shows de rock progressivo de Star Ocean e Valkyrie Profile), a banda é completada por Wo-Lya (baixo), Roze Horiguchi (bateria) e Yasufumi Fukuda (guitarra), que merece uma atenção maior por ser também compositor, haja vista as recentes trilhas fora de série de The King of Fighters 2002: Unlimited Match e Tokimeki Memorial 4. Como instrumentista, tocou guitarra na “Hades Castle” (arranjada pelo Iwadare) no álbum Deathsmiles Arrange Album e ainda violão em três músicas do Soulcalibur IV.

Não surpreende que seja o instrumentista de maior destaque na performance com um timbre de guitarra muito bem escolhido – afiado, poderoso, sem ser muito pesado. Uma pena que neste vídeo o nosso amigo francês de óculos tapou a visão. Insisti na gravação para privilegiar a qualidade de áudio.

Como era de se imaginar, o medley é do Trials and Tribulations, cuja trilha é do Iwadare. O medley é formado pelos temas de julgamento no formato consagrado pelos concertos, e mesmo conhecidos é uma experiência nova como as músicas nunca foram apresentadas (oficialmente) desta maneira. Ainda mais com uma combinação como a do órgão de tubo simulado no teclado da “Gyakuten Saiban 3 – Trial” e a guitarra irrompendo tudo. A “Examination ~ Allegro 2004” (espero que seja) ficou quase irreconhecível eu diria porque a ênfase foi toda para os teclados, mais imitando um órgão – se você comparar com a original é o som que se ouve mais ao fundo. Intervenções do baixo e do teclado em 2:25 foram muito bem-vindas.

Eis que Noriyuki Iwadare ergue o braço com o dedo em riste e brada: “IGIARI!”. Um momento único que nem os três concertos de Ace Attorney pôde proporcionar: a imitação do momento mais icônico da sére do lendário compositor. Depois vem a acelerada “Investigation ~ Cross-examining” para encerrar com a guitarra mais incisiva do que nunca. Já dá para imaginar um álbum novo nesse estilo…

“Gyakuten Saiban 3 Medley”
“Gyakuten Saiban 3 – Trial” ~ “Examination ~ Allegro 2004” ~ “Investigation ~ Cross-examining”

Gyakuten Kenji Original Soundtrack: investigando as músicas originais


Por Alexei barros

Finalmente! Dia 16 de fevereiro, o primeiro spin-off da série Ace Attorney de nome Gyakuten Kenji, conhecido por aqui como Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth, foi lançado nos Estados Unidos. Impressionante que o tempo que demorei para escrever o post, visto que o álbum Gyakuten Kenji Original Soundtrack saiu em 24 de junho de 2009, não foi suficiente para ficar defasado. Levou quase um ano para a localização ser consumada (a versão japonesa é de 28 de maio de 2009). Nada de anormal, o problema é que ficamos mal acostumados com o Justice for All e o Trials and Tribulations que foram lançados para DS em 2007.

Falemos das músicas. Na verdade é a segunda vez, porque já comentei sobre o pacote promocional Gyakuten Kenji Orchestra & Video Album, que antecipava dois segmentos orquestrados. É um caso curioso, não raro, de conhecermos as versões arranjadas antes das originais. Naquela ocasião se sabia que Noriyuki Iwadare era o compositor. Com o advento do álbum, foi confirmada também a inesperada participação da ex-Zuntata (estúdio e banda da Taito) Yasuko Yamada, que assinou trilhas de jogos como Bubble Symphony (Arcade) e Deep Sea Adventure: Kaitei Kyuu Panthalassa no Nazo (PlayStation).  Com isso, repete-se o costume de usar colaboradores externos e não compositores da Capcom, como aconteceu em todos os episódios menos no Trials and Tribulations, que é do Iwadare. Apesar de tantas pessoas já terem se envolvido, o nível de inspiração sempre foi elevado (um pouco menos no Justice for All, a bem da berdade).

Entretanto, o encarte comete o pecado – muito frequente nos álbuns do Mega Man – de não trazer os créditos de cada faixa. Não sei por que ainda fazem isso. Não custa nada falar quem compôs o que, ora bolas. Além do mais, na Gyakuten Saiban 4 OST há a informação. A única dica foi liberada pelo Iwadare em recente entrevista ao SEMO: “Acredito que fiz mais da metade da trilha sonora”, diz. “Realmente não conseguiria dizer quais faixas compus exatamente, mas por favor ouça as músicas e descubra quais tem o estilo Iwadare”. Espero que um dia os detalhes venham à baila porque não sou nada familiarizado com o estilo da Yasuko Yamada, e mesmo do Noriyuki Iwadare, que conheço um pouco melhor, não arriscaria dizer. E mesmo que um dia consiga quero ter a confirmação de fato. Mais triste, nem sempre os compositores anotam as faixas que criaram, e podem acabar esquecendo no decorrer dos anos. Serei obrigado a pentelhar o Iwadare todos os dias no Twitter?

Você que ainda não jogou ou não conhece a série muito provavelmente não achará as músicas tão impressionantes assim (em parte pelas limitações do DS), mas pelo menos comigo todas as faixas melhoraram depois que comecei a me aventurar nas investigações (fantásticas, como não poderia deixar de ser). De toda forma serve para se habituar com as melodias, já vislumbrando um novo álbum arranjado ou concerto da série.

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