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O fim dos Black Mages


Por Alexei Barros

Há alguns anos me decepcionei quando conheci a maioria das bandas das produtoras, como Kukeiha Club, S.S.T. Band, Gamadelic, Zuntata, Alph Lyra e outras, ao saber que nem existiam mais, e começaram e terminaram sem que soubesse na época. Com The Black Mages foi diferente, porque deu para acompanhar atentamente boa parte da trajetória que se encerra em 2010.

Isso mesmo, em recente entrevista ao programa de rádio NHK FM Housou’s Kyou ha Ichinici Game Ongaku Zanmai, Nobuo Uematsu comunicou o término das atividades da banda. O motivo para o encerramento ainda carece de confirmação, mas desde a gravação do terceiro álbum, The Black Mages III Darkness and Starlight, estava evidente a dificuldade de reunir os integrantes, tanto que as reuniões começavam à noite. Além das atividades normais de cada membro, complicou a mudança de Tsuyoshi Sekito para Osaka e os compromissos acadêmicos de Kenichiro Fukui – os dois são os principais cérebros dos Black Mages.

Todavia, não pense que Uematsu desistiu da ideia de tocar hard rock ao vivo. A banda Earthbound Papas, que estreou na versão da “Dancing Mad” no Distant Worlds II: more music from Final Fantasy foi formada como sucessora espiritual dos Black Mages, tal qual a [H.] é para a S.S.T. Band, ou a jdk Band para a J.D.K. Band. Só gostaria de saber quem são, afinal, os integrantes, porque até o momento não foram revelados.

Momento apropriado para relembrar a história e os principais trabalhos dos sete anos da banda que representa ao lado de OCRemix, Video Games Live e mais alguma coisa o supra-sumo da game music casual. Ou seja, alguém com o mínimo interesse por músicas de jogos conhece pelo menos de nome. É o poder de Final Fantasy. É o poder do rock. Quando os dois se misturam então…

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Músicos polivalentes

Por Alexei Barros

Resolvi fazer uma versão visual desse tema que chegou até a render um podcast, já que o assunto é bastante interessante (para mim, pelo menos). Já falei de Hirokazu Tanaka, que não feliz em ser um excepcional compositor, idealizou a câmera e a impressora do Game Boy e atualmente é presidente da manufaturadora de cards Pokémon, a Creatures Inc. Nesse mesmo post também citei um caso de um designer que fez músicas: Miyamoto e a sua participação sonora em Donkey Kong. Só que além deles, outros também chegaram a se aventurar em áreas diferentes. Compositores viraram designers. Designers se tornaram compositores. Ou os dois ao mesmo tempo.

– Yuzo Koshiro

yuzo-koshiro1.jpgAntes de qualquer coisa, vou dizer de novo: Yuzo Koshiro fará o arranjo da Green Hill Zone na fase do Sonic no Smash Bros. Brawl. Ponto. Não irei contar de novo a sua trajetória, mesmo porque há uma biografia cabal dele em português. Normalmente, Koshiro já seria versátil por adotar diferentes gêneros musicais, só que ele expandiu ainda mais a sua multiplicidade ao atuar como compositor e produtor em Beyond Oasis, vulgo o “Zelda: A Link to the Past do Mega Drive” desenvolvido pela Ancient, estúdio o qual foi fundado por sua mãe e onde atua a sua irmã, que é designer de personagens. Também se envolveu em games totalmente recônditos, como Culdcept e Vatlva, ambos do Saturno exclusivos do Japão. Não sei se é coincidência ou não, mas depois que Koshiro decidiu fazer não apenas músicas sua inspiração nunca mais foi a mesma. Após aparentemente ter se encontrado, Koshiro então participou de trilhas expressivas como Castlevania: Portrait of Ruin e Super Smash Bros. Brawl, em que remixou o tema da fase de Sonic (tomara!).

– Chihiro Fujioka

fujioka.jpgTudo bem, Fujioka bolou a história do esquecível Final Fantasy: Mystic Quest, só que ele dirigiu Super Mario RPG. Começou sua carreira em 1983 ao ingressar na desenvolvedora de jogos para PC, Xtalsoft, que viria a se fundir com a T&E Soft em 1985 até finalmente ser comprada pela Square. Em 1992, fez a trilha com Ryuji Sasai e a direção de Final Fantasy Legend III, ou SaGa III no Japão, do Game Boy. Seu nome está creditado nos agradecimentos especiais de Mario & Luigi: Superstar Saga e trabalhou ainda no design de campo de Mario & Luigi: Partners in Time. Precisava também voltar a fazer músicas.

– Akira Yamaoka

akira-yamaoka1.jpgUm dos poucos compositores que conseguiu transcender as músicas sem deixar de fazê-las com excelência. Yamaoka compôs trilhas de vários jogos, como Sparkster (aquele saudoso game de plataforma 2D para SNES e Mega cujo protagonista aparecerá no International Track & Field 2007) e Winning Eleven 3 e 4. Em Silent Hill se consagrou: compôs todas as trilhas da série, sendo que em SE3 e SE4 também assumiu a produção e no filme, a produção executiva. Ainda se dá o luxo de tocar guitarra em apresentações ao vivo, como acontece esporadicamente no PLAY! com “Theme of Laura” de Silent Hill 2 e como ocorreu no EXTRA Hyper Game Music Event 2007, em que fez dupla da Konami com o saxofonista Norihiko Hibino (Metal Gear Solid) para executar faixas como “Silent Hill” e “Snake Eater” (!).

– Daisuke Ishiwatari

daisuke-ishiwatari1.jpgApesar dos traços orientais, Ishiwatari nasceu em Johannesburg, África do Sul. Ele é a mente por trás da série de luta Guilty Gear, sendo não apenas o responsável pela criação da história, mas ainda pelo design de personagens e por grande parte da composição da ótima trilha sonora hard rock / metal da saga. Ainda por cima dubla os lutadores Sol Badguy e Holy Order Sol. O que falta mais ele fazer?

– Michio Okamiya

michio-okamiya1.jpgCo-produtor de Vagrant Story e Final Fantasy Tactics, produtor de Romancing Saga 3 e outras atividades relacionadas ao marketing: Michio Okamiya era apenas um guitarrista amador quando foi convidado por Uematsu para participar dos The Black Mages. No segundo CD da banda, The Skies Above (e onde está o terceiro?), arranjou “Otherworld” (FFX) e “Maybe I’m a Lion” (FFVIII). Destacou-se a ponto de ser escalado para a releitura de “The Story of the Hero’s Birth” do álbum Etrian Odyssey Arrange Version, cuja trilha original é do Yuzo Koshiro. Aliás, um remix excelente, que declina mais para o fusion do que para o hard rock das supracitadas, o que denuncia o seu ecletismo.

– Hiroki Kikuta

hiroki-kikuta1.jpgEsse é um que não desiste nunca. Possivelmente o mais versátil de todos eles. Envolveu-se em várias atividades, a maioria delas bem obscuras: foi ilustrador do mangá Raven, colaborou com um artigo da coletânea The Ghost in Machine Head 2, escreveu o romance Tennin so Kitan e já fundou duas empresas diferentes: Sacnoth e Norstrilia. Tudo isso. E muito mais.

Na Square, assinou as trilhas de Secret of Mana, Seiken Densetsu 3 e Soukaigi (os dois últimos só no Japão). Em 1998, tornou-se o CEO da Sacnoth, estúdio formado por ele um ano antes com a ajuda da SNK. Lá, praticamente doou seu sangue para o RPG Kouldelka (também apenas no oriente), com a composição, roteiro original e direção das CGs. Com a má fase financeira da SNK, Kikuta saiu da Sacnoth e fundou a Norstrilia em 2001: convergiu suas forças no MMORPG Chou Bukyo Taisen, que acabou sendo cancelado. Nos últimos dedicou-se à composição de músicas de jogos hentai para PC, além do também MMORPG Concerto Gate com Kenji Ito. Para completar, publicou dois álbuns solo: Lost Files (2006), que contém alguns samples do início de sua carreira que o fizeram ser contratado pela Square, e Alphabet Planet (2007), CD duplo com 35 faixas originais que remetem aos bons tempos de Secret of Mana.

Estava quase me esquecendo de comentar o disco secret of mana+, que é um dos mais ousados. Nele, Kikuta apresenta apenas uma música de quase 50 minutos, que mistura fragmentos sonoros do jogo com ruídos de água escorrendo, toques de telefone e outros barulhos. Sim, ele deve ser meio doido mesmo.


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