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Tokyo Gametakt 2017: Yuzo Koshiro na regência, Hiroshi Kawaguchi no piano, Ace Combat 04 e Lunar 2: Eternal Blue em um mesmo concerto

De DJ a maestro: Yuzo Koshiro regeu o medley de Etrian Odyssey e revelou que ficou nervoso na condução da orquestra

Por Alexei Barros

Da série “deveria ter feito este post meses atrás” e também da série “não acredito que nunca ouviremos este concerto”. No dia 6 de maio de 2017 ocorreram as duas apresentações do espetáculo Tokyo Gametakt 2017. Produzido pelo estúdio noisycroak, do compositor Hideki Sakamoto, o evento buscou reforçar a importância da game music como um elemento cultural reunindo mais de 20 representantes de peso no Japão.

Além do concerto, também foram realizadas palestras com os compositores. Na verdade, esta foi a segunda edição do evento – a primeira foi a Okinawa Gametakt 2014. Agora parece que a intenção é tornar a periodicidade deste festival mais regular, tanto que já foi confirmado o Tokyo Gametakt 2018 para o dia 4 de maio do ano que vem. Um dado curioso é que a organização está recrutando instrumentistas e coristas para participarem dos ensaios e da performance.

Mas voltando para o Tokyo Gametakt 2017, a performance da Ryukyu Philharmonic Chamber Orchestra no Ota Kumin Hall Aprico “Great Hall” teve um aspecto muito interessante e que se aplicava ao saudoso Orchestral Game Concert que é o rodízio de maestros. Isso fez com que acontecessem algumas situações inusitadas, como a de Yuzo Koshiro reger o medley de Etrian Odyssey – aliás, de acordo com o report da Famitsu, ele confessou estar bem nervoso na ocasião.

O set list está recheado de músicas de jogos atuais de nicho para telefones móveis e portáteis, mas, entre esses títulos e mais alguns números de Final Fantasy, me chamaram a atenção três segmentos bastante incomuns que beiram a sacanagem não poder ouvir na íntegra. O primeiro deles é a “Main Theme” do Space Harrier com direito ao próprio compositor Hiroshi Kawaguchi no piano. Já sonhava com a orquestração de qualquer música dele na época áurea de arcades da Sega (After Burner, Power Drift, mais OutRun etc.), só não imaginava ele participando de uma performance orquestral.

Dos teclados da S.S.T. Band e [H.] para o piano acústico: Hiro participou da inesperada performance de Space Harrier

O segundo é a “Blue Skies”, tema dos créditos de Ace Combat 04. A “Zero” do Ace Combat Zero já tinha aparecido no Press Start algumas vezes, mas nunca poderia imaginar que iriam se lembrar dessa canção. A única ressalva que eu faço é que, pelo pouco que dá para ver no vídeo no fim do post, tocaram a versão original, não a adaptação “Blue Skies (Remix)” do Ace Combat 5 que pessoalmente me agrada mais. Pelo que entendi no tradutor do Google, o compositor Hiroshi Kubo estava preocupado com a performance da cantora SAK., já que foi desafiante cantar a música orquestrada sem nenhuma batida de referência por causa da síncope da canção.

E o terceiro e último segmento é de mais um jogo eternamente ignorado pelos concertos: Lunar 2: Eternal Blue, com a condução do próprio compositor Noriyuki Iwadare (ele já tinha regido um número no Gyakuten Saiban Special Courtroom 2008 Orchestra Concert). O set list do report da Famitsu não especificou quais faixas foram tocadas, mas o texto cita a música de abertura e temas de combate desse medley que teve arranjo do Iwadare.

Para deixar um gostinho, o canal do evento publicou um resumão em vídeo do concerto, mas adivinha se Space Harrier e Lunar 2: Eternal Blue aparecem? Pelo menos, como disse anteriormente, deu para conferir um pouco de Ace Combat 04. E no início Iwadare aparece regendo a suíte de Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice. Além disso, o canal do Hideki Sakamoto também publicou dois números completos de Bungo and Alchemist e Time Travelers. Também deixo os set lists com os links para as faixas originais (“set lists” no plural, porque o programa da apresentação da tarde foi bem diferente em relação à da noite).

Set list (apresentação 13h)

01. “Gate of Steiner” (Steins;Gate)
02. “Theme from Thousand Memories” (Thousand Memories) [regência: Keisuke Ito]
03. “Beast and Princess Medley” (Beast and Princess) [vocal: Haruka Shimotsuki]
04. “Main Theme” (Space Harrier)
05. “Awakening” (Final Fantasy XI)
06. “High Sky” (Terra Battle) [vocal: Akiko Kawano]
07. “Monster Strike Symphony 6th Movement ~Colossal~ (Game Takt Version)” (Monster Strike) [regência: Riichiro Kuwabara]
08. “The Days I’m Now Weaving” [String Quartet] (Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo)
09. “Blue Skies” (Ace Combat 04: Shattered Skies) [vocal: SAK.]
10. “Lunar 2: Eternal Blue Medley” (Lunar 2: Eternal Blue) [regência: Noriyuki Iwadare]
11. “Bungo and Alchemist” (Bungo and Alchemist) [regência: Hideki Sakamoto]
12. “Etrian Odyssey Medley 2017”: “Labyrinth I – Emerald Woodlands” ~ “Labyrinth V – The Fallen Capital of Shinjuku” (Etrian Odyssey) [regência: Yuzo Koshiro]
13. “Beyond the Sky” (Xenoblade Chronicles) [vocal: Sarah Àlainn]

Bis
14. “Blinded By Light” (Final Fantasy XIII)
15. “Glory” (Fortune Tellers Academy) [vocal: Sarah Àlainn/regência: Hideki Sakamoto]

Set list (apresentação 17h30)

01. “Main Theme” (Space Harrier)
02. “Juusei to Diamond” (Juusei to Diamond)  [regência: Keisuke Ito]
03. “Monster Strike Symphony 6th Movement ~Colossal~ (Game Takt Version)” (Monster Strike) [regência: Riichiro Kuwabara]
04. “You From a Distance” (Anata wo Yurusanai) [vocal: Akiko Kawano]
05. “Tokiwa-no-Orochi” (Toukiden 2) [regência: Hideki Sakamoto]
06. “Moujuutachi to Ohimesama Medley” (Moujuutachi to Ohimesama) [vocal: Haruka Shimotsuki]
07. “Gyakuten Saiban 6 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice) [regência: Noriyuki Iwadare]
08. “Sweet Dreams” [String Quartet] (100 Sleeping Princes & the Kingdom of Dreams)
09. “City Music Medley” (série Wild Arms) [regência: Michiko Naruke]
10. “Sekai no Owari to Saigo no Kotoba” (Shoumetsu Toshi) [vocal: Emi Evans]
11. “Blue Skies” (Ace Combat 04: Shattered Skies) [vocal: SAK.]
12. “Promised Grace” (Final Fantasy Crystal Chronicles) [regência: Kumi Tanioka]
13. “Azure Revolution” (Valkyria Revolution) [vocal: Sarah Àlainn]

Bis
14. “Blinded By Light” (Final Fantasy XIII)
15. “The Final Time Traveler” (Time Travelers) [vocal: Sarah Àlainn/regência: Hideki Sakamoto]

Resumo

“Bungo and Alchemist” (Bungo and Alchemist)

“The Final Time Traveler” (Time Travelers)

Agradecido ao Fabão, que me me mandou o link do report séculos atrás.

[via Famitsu, 2083]

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Kid Icarus: Uprising: Koshirão, Mitsuda, Sakuraba, Iwadare e Masafumi Takada são os compositores; ouça os primeiros samples


Por Alexei Barros

Eu sou fervorosamente favorável ao retorno de séries estimadas que estão há anos em letargia. Fico satisfeito com o regresso. Foi assim na E3 2010 com o anúncio de Kid Icarus: Uprising, terceiro jogo da franquia da Nintendo que possuía apenas dois jogos, o primeiro para NES (1987) e a continuação, Kid Icarus: Of Myths and Monsters, para Game Boy (1991). Como se não bastasse no mesmo evento ter sido anunciado Donkey Kong Country Returns.

Mas, se DKC Returns saiu para Wii em 2010, eu confesso ter desanimado ao saber que Uprising seria para 3DS. Nada contra o aparelho, é que eu pensei: “Com tanta coisa para jogar para DS ainda, por que eu compraria JÁ outro portátil?”. Claro que o descaso seria temporário. Temporário até sair o Professor Layton vs. Ace Attorney eu imaginava.

Nem acompanhava com muito afinco as novidades e vídeos de Kid Icarus: Uprising pela expectativa mediana. Daí notei que o meu desdém era descabido quando vi que: 1) O jogo tirou 40/40 da Famitsu. Certo que a nota máxima da revista ficou um pouco banalizada, mas muitos títulos AAA não gozaram da mesma avaliação; 2) Revelam os compositores da trilha, simplesmente: Yuzo Koshiro, Masafumi Takada, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare e Yasunori Mitsuda. Só isso. Os três últimos são mestres dos RPGs – fizeram as trilhas de Star Ocean, Grandia e Chrono Trigger, respectivamente. Takada acompanhou a loucura de Goichi Suda em jogos como killer7 e No More Heroes antes de virar freelancer e Koshirão não preciso dizer quem é.

Masahiro Sakurai, o líder da Project Sora, desenvolvedora do Uprising, realmente tem um cuidado especial com as músicas de suas produções. Não é de se estranhar que ele seja um dos responsáveis da série de concertos Press Start, que, aliás, tocou Kid Icarus em 2011, e tenha angariado 36 compositores para os arranjos da trilha de Super Smash Bros. Brawl.

Para criar expectativa, ele inclusive havia avisado que o compositor do Uprising trabalhou no jogo de (luta? Ou gênero indefinido?) de 2008. Isso dava margem para a participação de Hirokazu Tanaka, que criou, para variar, músicas soberbas no jogo original, tal como em Metroid.

Mesmo sem ele, como reclamar com um quinteto desses? O melhor é que o site oficial do jogo é bem generoso: até agora são sete faixas, e as amostras podem ser ouvidas na íntegra. Acompanhe na ordem.

As duas primeiras possuem um viés sinfônico (não arriscaria dizer que foram gravadas por uma orquestra de fato), e a segunda, do Koshirão, tem timbres de coral. A terceira, de novo do Sakuraba, tem potencial para ser uma nova “Gerudo Valley”, com um violão estilo flamenco simplesmente magnífico. Para quem reclama da mesmice Sakurabística no rock progressivo, aí está a resposta.

O Sakuraba volta a roubar a cena na quarta, com reminiscências do tema “Underworld” do Hip Tanaka que é a música-chave da série. Essas cordas ficaram uma pintura, e depois são reforçadas por uma guitarra alucinante. Guitarra? De novo na quinta, em uma promissoríssima faixa do Yasunori Mitsuda. Na sexta temos a pompa dos melhores tempos de Noriyuki Iwadare em Grandia – para você ver o nível do negócio. Do Masafumi Takada pode se esperar tudo. Tudo menos um solo de violino acompanhado por percussão, retomando o flamenco da terceira.

Abaixo os links diretos para as faixas, levando em conta que esses nomes não são as traduções oficiais.

01 – “Main Theme” (Motoi Sakuraba)
02 – “Magna Theme” (Yuzo Koshiro)
03 – “Black Pit Theme” (Motoi Sakuraba)
04 – “Chapter 4 Air Battle” (Motoi Sakuraba)
05 – “Boss Battle” (Yasunori Mitsuda)
06 – “Star Pirate Theme” (Noriyuki Iwadare)
07 – “Practice Room” (Masafumi Takada)

Com todo o respeito ao Final Fantasy XIII-2, já temos a trilha do ano?

[ATUALIZAÇÃO] Antes que eu ousasse reclamar do lançamento do álbum, a Nintendo anunciou a Shin Hikari Shinwa Palutena no Kagami Music Selection, que pode ser trocada na Club Nintendo nipônica por 400 pontos (ou 250 se você morar no Japão e tiver comprado o Uprising). Ou seja, não dependeremos dos ripadores do YouTube desta vez.

[via Andria Sang, My Nintendo News]

Vanquish e a tríade vencedora de compositores


Por Alexei Barros

Estava negligentemente alheio para as novidades do jogo de ação Vanquish para Xbox 360 e PlayStation 3 que sai dia 19 de outubro, mesmo com nomes como Atsushi Inaba e Shinji Mikami na produção, mas fiquei atiçado pela trilha ao tomar conhecimento do trio de compositores. Um tanto quanto inusitado juntos, só que trabalharam separadamente com ambos os designers em obras anteriores. Relembremos um por um.

Começamos com Masafumi Takada, o criativo músico de muitos dos títulos de Goichi Suda – para inventar faixas para os jogos dele precisa ser meio doidão mesmo –, que deixou a Grasshopper Manufacture em 2009. Ele foi o compositor principal do insólito killer7, cujo roteiro foi cocriado por Mikami.

Mais ansioso estou pela participação do outrora misterioso Masakazu Sugimori, que compôs toda a memorável trilha do primeiro Phoenix Wright: Ace Attorney, e mais recentemente voltou à baila com Ghost Trick. E também do Viewtiful Joe, produzido por Inaba.

A trinca se fecha com a novata Erina Niwa, que teve uma participação discreta no Bayonetta, este já da Platinum Games, com apenas oito faixas, sendo que duas não entraram na versão final, somente no álbum. Aparentemente ela terá maior envolvimento desta vez, pois foi a autora de um post sobre a trilha no blog do estúdio. Entre outras informações, Niwa conta que está há dois anos na equipe do jogo e que criou músicas que acompanharam a velocidade frenética da ação, adotando techno, industrial, breaks, metal, jungle e até estilo hollywoodiano (leia-se como Harry Gregson-Williams costuma fazer na série Metal Gear Solid).

Ainda que não tenha apreço pela maioria desses gêneros mencionados, estarei curioso para conferir a Vanquish Original Soundtrack, que sai dia 27 de outubro com três CDs e número de catálogo WWCE-31233~5. Sabe como é, sempre na esperança que o Masakazu Sugimori ataque novamente com composições de melodias fortes e inesquecíveis.

A título de curiosidade, um vídeo da demonstração recemente liberada – não que dê para ter grande ideia das músicas com tantos sons de tiros e explosões.

Dica do Fabão pelo Twitter.

[via Platinum Games]

Press Start 2007: o novo Orchestral Game Concert?


Por Alexei Barros

Em 1986, principiava com Dragon Quest Suite os concertos com músicas de jogos no Japão sob a batuta de Koichi Sugiyama. Três anos depois veio Final Fantasy Symphonic Suite, o primeiro de muitos da grife FF. A despeito do pioneirismo dos dois, foi a série Orchestral Game Concert que criou um novo paradigma em apresentações de game music.

Em vez de uma franquia, diversas, incluindo Dragon Quest e Final Fantasy, com ênfase em títulos do Super Nintendo. Pela primeira oportunidade se ouvia o tema do Super Mario Bros. tocado por uma orquestra. Melodias de jogos importantes daquela época também receberam arranjos sinfônicos, tais como The Legend of Zelda, Super Mario World, Yoshi’s Island, Donkey Kong Country, Chrono Trigger, Secret of Mana, Star Fox e Super Metroid. Lá que a ópera “The Dream Oath ‘Maria and Draco” do FFVI foi reproduzida na íntegra, com 23 minutos de duração. No total, cinco apresentações – de 1991 a 1995 –, que inspiraram a criação de outros concertos.

O legado foi herdado por Video Games Live (EUA), PLAY! A Video Game Symphony (EUA), que  organizam espetáculos em vários lugares do mundo, e Symphonic Game Music Concert (Alemanha) e o A Night in Fantasia (Austrália), que realizam uma apresentação por ano. Mas não havia proveniente do Japão de trilhas de empresas diferentes como o Orchestral Game Concert.

Não havia até o ano passado – onze anos depois do último OGC. Eis que surgiu o Press Start ~Symphony of Games~. O repertório estava longe de fazer frente ao OGC em termos de significância, apesar de  ICO, Zone of the Enders 2, Metal Gear Solid 2, OutRun e Zelda.

Pensei que seria uma apresentação única. Estava enganado. Nos dias 17 e 22 de setembro aconteceu em Osaka e Yokohama a edição 2007 do concerto organizado por Nobuo Uematsu, Masahiro Sakurai, Shogo Sakai, Kazushige Nojima e Taizo Takemoto. Os convidados? Yuzo Koshiro e Keiki Kobayashi. E como em 2006, tive a oportunidade de ouvir um bootleg. A qualidade é razoável para ruim, mas o suficiente para ter uma idéia da grandiosidade.

pressstart.jpg

O set list mudou completamente: apenas duas faixas foram reprisadas. Isso sim é renovação. Houve um avanço substancial em relação aos musicistas. No ano passado era apenas a Tokyo City Philharmonic Orchestra e eventuais solistas. Novamente sob a regência de Taizo Takemoto, desta vez formou-se a Press Start Gadget Orchestra, que combina instrumentos de uma orquestra erudita (cordas, metais, madeiras etc.) com a de uma banda (baixo, guitarra, bateria e teclado) – algo que é feito no Brasil pela Orquestra Jazz Sinfônica. Essa combinação permite executar músicas com muito mais impacto e também amplia a gama de melodias que podem ser interpretadas com fidelidade e perfeição. Também estreou um coral.

Minha empolgação foi tanta que preferi comentar cada uma das faixas da apresentação de Yokohama  (e uma exclusiva de Osaka) baseando-se no bootleg.
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