Posts Tagged 'London Philharmonic Orchestra'

Final Fantasy XV Live at Abbey Road Studios: quase uma hora da genialidade musical de Yoko Shimomura

Por Alexei Barros

Neste movimentado feriado de 7 setembro, com os anúncios do PlayStation 4 Pro e de Super Mario Run para iPhone e iOS, a Square Enix organizou um concerto de Final Fantasy XV no Abbey Road Studios. Alguns afortunados puderam presenciar a performance da London Philharmonic Orchestra e do London Philharmonic Choir, mas o espetáculo foi transmitido ao vivo no YouTube e no Twitch. O mais bacana de tudo é que a própria compositora Yoko Shimomura esteve presente com toda a sua simpatia e ainda tocou piano na última música.

A Shimomura havia sido escalada para o jogo quando Final Fantasy XV ainda era Final Fantasy Versus XIII. Aliás, o projeto vem de tão longe que a primeira faixa que ela compôs para o jogo, a “Somnus”, estreou no álbum drammatica lá de 2008. Tanto essa música, como a “Omnis Lacrima”, presente no disco memória!, foram executadas.

O concerto comprova mais uma vez a capacidade da Shimomura de criar melodias memoráveis, seja em músicas mais introspectivas ou mais pomposas, com direito a coral em latim e ênfase em passagens no piano. Entre as faixas, surpreendeu a aparição, ainda que breve, da bateria e das guitarras na “Veiled Agression”, em um recinto adjacente ao da orquestra e do coral. No mais, a trilha do Final Fantasy XV promete estar entre as melhores da série apenas por essa breve amostragem.

Para assistir o espetáculo na íntegra, vá direto ao play ali embaixo. Se preferir ouvir as faixas individualmente, clique no nome da música correspondente.

01. “Song of the Stars / Dawn”
02. “Fight Fantastica”
03. “Nox Aeterna”
04. “Luna”
05. “End of the Road”
06. “Wonferful View”
07. “Starlit Waltz”
08. “Noctis”
09. “Omnis Lacrima”
10. “Veiled Agression”
11. “Somnus”
12. “Appocalypsis Noctis”

The Greatest Video Game Music 2: desfalcado, mas, ainda assim, um pouco aproveitável


Por Alexei Barros

Quando os concertos e álbuns orquestrados de game music começaram a se popularizar no Ocidente na década passada, eram poucos os nomes que se aventuravam nesse nicho. Hoje, entre tantas iniciativas amadoras e profissionais, a quantidade de produções deve ter triplicado. Dessa nova safra, destacam-se os álbuns The Greatest Video Game Music, cujo segundo volume foi lançado em novembro de 2012.

A track list a mim muito chamou a atenção. Castlevania, Street Fighter II, Sonic e Super Metroid são nomes que de cara me fazem arregalar os olhos. Mas… nem tudo saiu como esperado. Eu sempre disse aqui que a Nintendo e a Square Enix são as empresas mais chatas para liberar as licenças das músicas em coletâneas com jogos de outras produtoras, certo? Pois, se agora as duas não causaram nenhum problema – o álbum inclui faixas de The Legend of Zelda: The Windwaker, Luigi’s Mansion e Super Metroid da primeira e Final Fantasy VII, Chrono Trigger e Kingdom Hearts II Final Mix +  da outra –, desta vez foram as donas Capcom e Konami que deram para trás, conforme noticiado pelo IGN. Resultado: diferentemente do divulgado, nada de Castlevania, Street Fighter II e também Metal Gear Solid 3 no álbum. Muito estranho se considerarmos que o Video Games Live Level 2, lançado em 2010, tem músicas de Mega Man e Castlevania.

Elucidada essa questão (ou não, já que o motivo não ficou claro), a track list conta com um generoso número de faixas: 17, garantindo uma boa variedade de estilos, jogos e produtoras. Quanto às seleções de músicas, ao mesmo tempo em que o álbum foge de temas mais manjados, também tromba com as músicas mais mastigadas do universo. Por exemplo: a seleção mais óbvia do Skyrim seria a “Dragonborn”, não seria? Em vez disso, tem a “Far Horizons”. Kingdom Hearts: “Hikari” seria o mais lugar-comum. No lugar, há a “Fate of the Unknown”. Enquanto isso, o álbum traz novos arranjos da “One-Winged Angel” e a “Main Theme” do Chrono Trigger como se eles fossem necessários (até porque não superaram arranjos mais consagrados).

Outro problema recorrente, esse presente no primeiro álbum, é a inclusão de faixas já orquestradas em suas trilhas originais, como é o caso da citada “Fate of the Unknown”. Para quê? Por isso, vou me dar o direito de abordar apenas os números que julguei mais interessantes para serem comentados, infelizmente apenas 4 das 17 faixas: dois medleys inéditos e dois arranjos de faixas sintetizadas. Ah, pode parecer que dei preferência para os jogos japoneses, mas não parece não: dei preferência mesmo.

03 – “Legend of Zelda – The Wind Waker: Dragon Root Island”
Original: “Dragon Root Island”

Esta aí uma escolha totalmente fora dos padrões, tanto o jogo como a música, mas que faz sentido, como a faixa original era sintetizada. Começa no violão, depois vai para as cordas em toda a sua majestade. Mais para frente, o piano dá uma quebrada na música, quando parece entrar, creio, o som de um bandolim e, logo em seguida, um saxofone. As cordas retornam num crescendo até confluir no apoteótico retorno de todos os instrumentos. Se não é a mais estrondosa performance de Zelda, ao menos fugiu do básico – básico que já constava no álbum anterior, a batida “Legend of Zelda: Suite”.

07 – “Sonic the Hedgehog A Symphonic Suite”
Originais: “Title” ~ “Super Sonic” ~ “Casino Night Zone” ~ “Sky Chase Zone” ~ “Aquatic Ruin Zone” ~ “Hill Top Zone” ~ “Title” (Sonic the Hedgehog 2)

Considerando que o arranjo “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” feito pelo Richard Jacques para o Video Games Live é, não tem jeito, insuperável, não precisaria nem tentar fazer algo melhor: bastava seguir para o Sonic 2. Mesmo que o nome da faixa não diga isso, a suíte abrange sim faixas da sequência. Só que quem fez o arranjo devia estar morrendo de sono: a peça é de uma monotonia ímpar, parada demais, nada a ver com a velocidade sugerida por qualquer coisa relacionada ao Sonic.

Vamos ver música por música. Depois da “Title” em uma rendição toda pomposa, surge não a “Emerald Hill Zone”, que seria a melhor escolha, mas a “Super Sonic” nos xilofones, nos clarinetes e nas flautas sem a metade da empolgação da original. Abruptamente (ruim a transição), nasce a “Casino Night Zone” muito suavemente, com acompanhamento da bateria e melodia tocada pelo clarinete e depois pelo trombone. Para dormir de vez, a “Sky Chase Zone” é tocada, quase parando. O solo de violino tristonho transita a suíte para a “Aquatic Ruin Zone”, quando você imagina já o Sonic chorando de tristeza. Inesperadamente, a percussão dá uma animada em um raro trecho com cara de Sonic, com direito a solo de saxofone e um baixo elétrico mais incisivo. Piano e xilofone alternam rapidamente na breve alusão à “Hill Top Zone” e, em um crescendo, a “Title” termina essa agonia. Além de sonífero, o arranjo ignora completamente a “Emerald Hill Zone” e a “Chemical Plant Zone”, que para mim são as mais icônicas do Sonic 2. Uma lástima.

09 – “Luigi’s Mansion: Main Theme”
Original: “Luigi’s Mansion”

Talvez para embarcar no anúncio do Luigi’s Mansion: Dark Moon e na representação do jogo no Wii U, o álbum resgata a música desse jogo que nunca foi orquestrada e provavelmente nunca apareceria em um concerto – se já é muito sonhar com Mario Kart, que é bastante popular, imagine Luigi’s Mansion. O arranjo me faz lembrar muito algum tema de desenho animado (da Disney?), deixando um clima de suspense e terror, mas, no fundo, fundo, tudo aquilo não passa de uma brincadeira, mesmo que sem o Luigi murmurando a música como na versão do jogo. Mas a coisa fica (um pouco) mais séria com o coral, que chega rasgando e depois volta em um momento grandioso da performance.

11 – “Super Metroid: A Symphonic Poem”
Originais: “Theme of Super Metroid” ~ “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” ~ “Brinstar – Red Soil Wetland Area” ~ “Maridia – Rocky Underground Water Area”“Theme of Super Metroid” ~ “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” ~ “Samus Aran Appearance Fanfare” ~ “Theme of Super Metroid”

Se antes só existia o medley do OGC4, de uma hora para outra, todo mundo quis apresentar um arranjo do Super Metroid, o que é curioso, pois poderiam também dar mais espaço para o primeiro Metroid e a trilogia Metroid Prime. Além do Symphonic Legends e LEGENDS (em arranjos diferentes, o primeiro do Torsten Rasch e o outro do Jonne Valtonen), recentemente a turnê Play! A Video Game Symphony também apresentou uma (boa) versão. Mesmo com essa fartura, ainda não dá para nem começar a falar de alguma saturação de Metroid, pois o jogo sempre ficou atrás de Mario e Zelda nos concertos (e ainda falta o Press Start mostrar o seu arranjo).

“Theme of Super Metroid” foi usada para abrir o poema sinfônico e não causa o mesmo impacto para quem já conhecia a versão do OGC4. Mas o trecho correspondente à “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)”, na tela-título, é brilhante, com todos os ruídos fielmente reproduzidos e o clima de ficção científica estabelecido no ar. Muito sutilmente, em uma transição perfeita, essa faixa vai para a “Brinstar – Red Soil Wetland Area”, que cresce de uma maneira contagiante. Para dar aquela acalmada, nada melhor do que um tema de um ambiente aquático, e, nesse caso, o clarinete mergulha na “Maridia – Rocky Underground Water Area”. A harpa lembra a “Theme of Super Metroid”, o piano a “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” e a “Samus Aran Appearance Fanfare” anuncia a chegada da Samus, primeiro com as mulheres, depois os homens em uma rápida participação do coral e mais uma vez com as madeiras. Fechando o arco, tem a “Theme of Super Metroid” vindo com tudo. No fim das contas, é uma peça admirável, a que mais me agradou do álbum, conseguindo transmitir por meio da orquestra a alma sonora de Super Metroid. (É capaz que eu tenha me perdido ou me esquecido de alguma faixa e, caso você tenha reparado em um erro, por favor grite nos comentários.)

“Welcome Aboard The U.S.G. Ishimura” – Dead Space (Video Game Heroes)

Por Alexei Barros

Largando na frente das grandes turnês de concertos, o Video Game Heroes executou a “Welcome Aboard The U.S.G. Ishimura” do Dead Space, jogo lançado em 2008 cuja trilha compartilha um bocado a abordagem modernista que caiu tão bem nas músicas de BioShock. Vendo como foi a performance no vídeo, dá para considerar uma atitude bastante ousada tocar uma música nesse estilo sem o telão. Em um VGL ou Play! da vida, as imagens do jogo ajudariam a ilustrar uma faixa de ambiência como a escolhida e evitar que parte do público possivelmente se entediasse. Sem outros subterfúgios, como iluminações espalhafatosas, a execução se garantiu somente pela atuação da orquestra.

Detalhe que esta e a “Athens Harbour Chase”, pelo que diz o programa do evento, possuem versões exclusivas para a apresentação. Porém, as diferenças em relação à original me pareceram sutis demais, quase imperceptíveis em uma escutada menos atenta, ao menos nessa gravação amadora. Não é o tipo de música que me faz querer ouvir muitas vezes, mas o Video Game Heroes ganha pontos pelo arrojo.

“Athens Harbour Chase” – James Bond 007: Blood Stone (Video Game Heroes)

Por Alexei Barros

O mundo dos concertos de games, apesar de ter crescido muito nos últimos cinco anos, ainda é consideravelmente pequeno, por isso lamento quando acontece uma baixa nesse nicho, como foi o caso da série holandesa Games in Concert encerrada em 2008, mesmo que todos os comentários relatassem casas cheias e os vídeos mostrassem uma qualidade invejável.

Eis que do nada surge uma iniciativa promissora na Inglaterra, como se já não bastassem as visitas por lá das turnês The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony dia 21 de outubro e Distant Worlds dia 5 de novembro. Intitulado Video Game Heroes, o concerto se deu 2 de setembro no Royal Festival Hall em Londres com a execução da London Philharmonic Orchestra, que possui em sua história longa relação com games, por álbuns como Gradius in Classic I e II, Xenosaga Original Soundtrack e uma plêiade de discos de Dragon Quest. Compositor de filmes e seriados, Andrew Skeet foi o maestro.

O set list é no mínimo interessante. A parte japonesa é bem básica, levando-nos de volta para meados da década passada, na época em que espetáculos de games eram raros fora do arquipélago nipônico: Zelda e Mario (em versões do OGC), tema principal de Final Fantasy, “Liberi Fatali”, tema do Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty e Tetris. Como exceções, “Wind Garden” (Super Mario Galaxy) e especialmente, uma surpresa completa, a “The Last Movement” (Enemy Zero). Embora seja assinada pelo renomado compositor inglês Michael Nyman – motivo que talvez explique a escolha da faixa –, é daquele jogo de Saturn e PC do Kenji Eno. Inclusive foi no Enemy Zero que certo gênio começou sua carreira como animador: Fumito Ueda, o diretor de ICO, Shadow of the Colossus e The Last Guardian.

Do lado ocidental, ficou incrível, considerando as importâncias dos jogos: Little Big Planet, Tom Clancy’s Splinter Cell: Conviction, Dead Space, Fallout 3, Call of Duty: Modern Warfare, Call of Duty: Modern Warfare 2 e até Angry Birds. Menos empolgantes por já terem sido tocados em outras oportunidades: Advent Rising, Battlefield 2, The Elder Scrolls IV: Oblivion, Mass Effect, Halo 3, BioShock e por aí vai.

Dessa leva, para mim, a música que mais me fisgou é a “Athens Harbour Chase”, por ser de autoria do competentíssimo Richard Jacques. Pouco importa se o James Bond 007: Blood Stone não foi lá grande coisa. É a melhor do jogo, com as trombetas em efervescência como manda o estilo musical 007. Ouça e repare na quantidade de instrumentistas: isso é um concerto, isso é uma orquestra de verdade. Mais uma vez evoco o Games in Concert, que havia, aliás, tocado a “Bond Theme”. Uma das virtudes das performances holandesas era a capacidade de conciliar banda e orquestra com pleno êxito. Não dá escutar com perfeição por ser um registro amador, mas note que há baixo elétrico. E tem bateria também.

Antes que apareça um comentário padrão “queria estar lá, torço pelo lançamento do CD”, saiba que o concerto originou uma gravação em estúdio, e o álbum correspondente será lançado apenas digitalmente ainda em 2011. Tudo bem que a maioria das faixas usa as mesmas partituras das trilhas e não sei se vai dar para incluir todas as músicas executadas por prováveis empecilhos de licenciamento, mas é para ficar animado.


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