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Last Bible III: 16 anos após o lançamento do jogo, a trilha original em CD


Por Alexei Barros

‘Last o quê?’ você se pergunta. Calma. Pude fazer duas constatações: o montante de álbuns lançado em CD é muito pequeno diante do total de jogos com trilhas memoráveis e existem muitos RPGs 16-bits além do mundo quadrado da Square – isso vale mais para mim, que sempre privilegiou a produtora.

Cavoucando pérolas perdidas naquela lista das 700 melhores composições eleitas por japoneses me deparei com a faixa em 441º lugar: “Devil Forest” do Last Bible III. A OST não tinha sido lançada e só encontrei o arquivo “.rsn” no SNESmusic.org. Fiquei surpreendido. Pela quantidade de boas composições, com um jazz altamente cativante. Não muito tempo depois o melhor foi saber da publicação da Last Bible III Soundtrack dia 5 de outubro de 2011. Com o selo da SuperSweep, o álbum é parte da série “Game Music Discovery”, que procura resgatar trilhas de jogos obscuros que não foram publicadas na época, mesmo que tardiamente. No ano passado inclusive saíram Megami Tensei Gaiden Last Bible Soundtrack e Megami Tensei Gaiden Last Bible II Soundtrack – muito boas, por sinal.

Last Bible é uma saga de spin-offs da longeva série Megami Tensei da Atlus. Os dois iniciais foram lançados primeiro para Game Boy e depois para Game Boy Color somente no Japão; o primeiro chegou a ser localizado nos EUA com o título Revelations: The Demon Slayer. Com o dedo da Sega, o Game Gear teve um port do capítulo original e uma sequência exclusiva, Megami Tensei Gaiden: Last Bible Special. Toda essa confusão só para ilustrar, porque o jogo que interessa é o Last Bible III, o único da série para um console de mesa, o Super Famicom. É de 1995, mesmo ano de Chrono Trigger, Yoshi’s Island e Donkey Kong Country 2. O compositor é o obscuro Hiroyuki Yanada, que, com o mais desconhecido ainda Iwao Mitsunaga, criaram a trilha dos jogos de Game Boy lançadas em CD.

Não que você tenha se interessado, mas em caso de curiosidade passe pelo vídeo abaixo.

Não me contive e destaquei as músicas que mais me agradaram acompanhadas por breves comentários, com a vã esperança de que minhas palavras despertem o seu interesse por essa trilha tão pouco comentada (a não ser pelos mestres hardcore do fórum do Soundtrack Central).

1-10 – “Hometown”

Não dá vontade de sair da cidade natal com uma música dessas: enquanto o violão confere um clima de calmaria, algo que se aproxima de uma sanfona deixa o ambiente mais convidativo. Quando há o teclado, o baixo se engrandece.

1-19 – “Hill”

O que parece ser um sax sintetizado no começo embala uma melodia bastante simpática, que não cansa de ouvir na exploração.

1-29 – “Harry”

Pura animação na música que apresenta timbres que imitam piano especialmente, com algumas flautas eventuais.

1-25 – “Bullton Tower”

Sombria, parece pouco melódica até que surge o inesperado com o timbre indefinido em relevo. Mas o que mais impressiona é a simulação de diversos instrumentos de percussão.

1-26 – “Battle II”

Pense só na alegria que deve ser a batalha no jogo: melodia animada que está mais para uma fanfarra de vitória do que tema de batalha.

1-35 – “Val Ship”

O mistério está no ar. Grande variedade de timbres e camadas melódicas. Mesmo que a qualidade do SNES tenha ensejado composições até mais complexas, sempre impressiona uma faixa com tamanha qualidade.

1-39 – “Red Owl”

Uma espécie de órgão serve de base para dois timbres típicos de instrumentos de sopro mostrarem a que vieram.

2-01 – “Megalopolis”

Pelo nome, a primeira lembrança é do SimCity… nada a ver. De novo sax sintetizado e melodia agradável.

2-06 – “Shark Ship”

Se você achava que as coisas estavam muito calmas… ouço ressonâncias de Streets of Rage nas linhas de baixo ou viajo na maionese?

2-11 – “Gafi Service”

Praticamente um ska, com uma guitarrinha típica e o teclado comandando a faixa animada.

2-14 – “Flara Flower”

Faixa climática, com um baixo fenomenal e uma melodia bacana.

2-18 – “Felest Tower”

A batida é a que mais empolga. Uma breve variação dá um clima meio… alienígena?

2-20 – “Devil City Usher”

A faixa inicia como um jazz preguiçoso, com um solo de flauta. O timbre que parece uma gaita se põe à frente, seguido por assobios. O acompanhamento é da bateria e de um contrabaixo acústico – dá para sentir a típica sonoridade das cordas sendo dedilhadas.

2-21 – “Devil Forest”

Não podia ter ficado de fora. Batida misteriosa de bateria, sons de flautas e assobios esparsos. Passa ou não passa a sensação de uma floresta?

2-22 – “Battle IV”

Tema de batalha bastante atípico, com baixo, bateria e um timbre que parece imitar um vocal. Empolgante.

2-24– “Field II”

Se você não gostou de nada até aqui, espero que mude de opinião com esta. Uma música que instiga a exploração… ao menos foi o que o nome da faixa me induziu a pensar.

2-26 – “Battle With Alec”

Provavelmente a minha favorita, pela levada, de novo, Streets of Rage, com timbres graves e batidas marcantes. Quem poderia imaginar que seria o tema de batalha de um RPG?

2-34 – “Sky Wing”

De novo baixo e bateria se destacam, com uma melodia que cresce em empolgação – sensação que se estende ao ouvir toda a trilha do Last Bible III.


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