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Concerto de 30 anos de Nobunaga’s Ambition celebra a riqueza musical da série

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A série Nobunaga’s Ambition já foi apresentada nos concertos Orchestral Game Concert 2 (1992) e 3 (1993). Os segmentos da franquia foram regidos pela própria compositora Yoko Kanno

 Por Alexei Barros

Enquanto no Ocidente os concertos dedicados a uma série específica vão de Final Fantasy a Zelda sem muitas variações, no Japão há espaço para outras franquias, como Ace Attorney, Monster Hunter e até Phantasy Star. A mais recente série a entrar nesse rol é a magnânima saga Nobunaga’s Ambition (Nobunaga no Yabou no Japão).

Das 22 músicas tocadas, sete foram assinadas por Kousuke Yamashita

No dia 29 de março (olha a demora para fazer o post de novo), o Yokohama Minato Mirai Hall em Kanagawa foi o palco do concerto comemorativo de 30 anos da longeva série estratégica da Koei. A apresentação foi prestigiada pelo criador de Nobunaga’s Ambition e atual presidente da produtora, Youichi Erikawa, que também é conhecido pelo pseudônimo Kou Shibusawa.

A diferença do Nobunaga’s Ambition para essas outras séries é que ela já tem uma história em concertos de games. Nos cinco Orchestral Game Concert, Nobunaga’s Ambition e outras franquias da Koei dividiram o repertório com jogos da Nintendo, Square e Enix. Além disso, a série possui uma discografia muito vasta e de altíssima qualidade, com álbuns orquestrados desde o final dos anos 80 com a maestria da Yoko Kanno, que anos depois se consagraria como uma compositora de animes, com músicas nos mais variados estilos. Infelizmente, a Yoko Kanno não esteve presente, mas o primeiro ato do concerto foi dedicado em sua maioria às composições dela, como a icônica fanfarra de abertura “Overture ~Nobunaga’s Ambition~”. Já o segundo ato foi praticamente dominado pelas músicas do genial Kousuke Yamashita, que inclusive foi o maestro do espetáculo, conduzindo a Kanagawa Philharmonic Orchestra.

O concerto teve algumas surpresas, não se limitando à série Nobunaga’s Ambition. Foi tocado ainda o tema principal de Sangokushi (conhecido no Ocidente por Romance of the Three Kingdoms), além de “Dream of the Wanderer” (Genghis Khan II: Clan of the Gray Wolf) e a  “Geten no Hana ~ Amor” (Geten no Hana). Essa última música inclusive foi interpretada em português pela Grace Mahya, que também toca piano nessa canção.

Ayaka Hirahara roubou a cena do espetáculo, cantando duas músicas – uma delas sem relação com a série Nobunaga’s Ambition

Outra artista que participou do espetáculo foi a Ayaka Hirahara, que os fãs do Okami já puderam conhecer pela performance da “Reset”. No concerto de Nobunaga ela cantou a “Shine -Mirai He Kazasu Hi No You Ni-”, uma versão lírica estendida da “Overture ~Nobunaga’s Ambition~”. Até onde eu sei, essa releitura não foi feita para algum jogo da série, mas sim foi apresentada como uma nova música como parte do repertório da cantora.

Além dessa, a Hirahara cantou a “Jupiter”, originalmente uma peça orquestral da suíte The Planets do compositor inglês Gustav Holst. Sem relação com Nobunaga’s Ambition, a versão lírica dessa faixa foi a responsável por catapultar a carreira da cantora, que a partir de então se notabilizou por interpretar diversas releituras de músicas eruditas. Por fim, vale destacar a performance especialíssima no shakuhachi de Gazan Watanabe, que já havia tocado nesses álbuns orquestrados de estúdio, como o  Nobunaga no Yabou: Zenkokuban / Sangokushi, de 1989.

Como sempre, fica a torcida para o lançamento do concerto em CD, o que não parece improvável, considerando a dedicação e tradição da Koei em álbuns de game music – não por menos, em dezembro de 2013 saiu a caixa Nobunaga’s Ambition 30th Anniversary CD Box, com 14 CDs.

Segue abaixo o set list tocado no espetáculo. Eu se fosse você conferia algumas dessas músicas. Fico devendo apenas o tema principal do Sangokushi, já que o nome da faixa não bateu com o álbum da trilha correspondente.

Gazan Watanabe (direita) participou de vários álbuns da série com o seu shakuhachi

Ato I

01. “Overture ~Nobunaga’s Ambition~” (Nobunaga no Yabou: Zenkokuban)
02. “Opening ~Rival Chiefs Rising to Action~” (Nobunaga no Yabou: Sengoku Gun’yuuden)
03. “The Beacon” (Nobunaga no Yabou: Bushou Fuuunroku)
04. Prologue to the Supreme Ruler (Nobunaga no Yabou: Haouden)
05. The Hawk of Turbulent Times (Nobunaga no Yabou: Tenshouki)
06. “Main Theme” (Sangokushi)
07. “Opening” (Nobunaga no Yabou Online)
08. “To Distant Friends” (Nobunaga no Yabou: Sengoku Gun’yuuden)
09. “Dream of the Wanderer” (Genghis Khan II: Clan of the Gray Wolf)
10. “Geten no Hana ~ Amor” (Geten no Hana)

Ato II

11. “Neverending Dream, Heat Haze (Shikoku)” (Nobunaga no Yabou: Shouseiroku)
12. For a Glorious Tomorrow (Siege Battle · Medium) (Nobunaga no Yabou: Reppuuden)
13. Field of Evening Calm -Ending- (Nobunaga no Yabou: Ranseiki)
14. “Land of Profusion -Opening-“ (Nobunaga no Yabou: Soutenroku)
15. The Path of Righteousness Pierces the Sky -Supreme Ruler Theme (Nobunaga)- (Nobunaga no Yabou: Tenka Sousei)
16. Trace of Light of the Warrior -Ending- (Nobunaga no Yabou: Kakushin)
17. Thoughts of Different Possibilities -Initialization- (Nobunaga no Yabou: Tendou)
18. “Shine -Mirai He Kazasu Hi No You Ni-“ (álbum What I am)
19. “Wind of Ambition” (Nobunaga no Yabou: Souzou)

Bis
20. “Jupiter” (álbum Odyssey)
21. “Rebirth” (Nobunaga no Yabou: Souzou)
22. “Overture ~Nobunaga’s Ambition~” (Special Edition) (Nobunaga no Yabou: Zenkokuban)

Composição: Yoko Kanno (01~06, 08, 22), Kenji Kawai (07), Shinichiro Kawakami (09), Shin-ichiro Nakamura (10), Kousuke Yamashita (11~17), Ayaka Hirahara e Yoko Kanno (18), Masako Otsuka (19, 21), Gustav Holst (20)
Arranjo: Kousuke Yamashita (22)
Vocal: Grace Mahya (10), Ayaka Hirahara (18, 20)
Letra: Goro Matsui (18) e Yumi Yoshimoto (20)

Grace Mahya fez uma improvável participação sentada ao piano, cantando uma música em português

[via Famitsu, 4Gamer.net, Game Watch]

Quase game music: seleção de cinco músicas orquestradas com guitarra

Por Alexei Barros

Orquestra e guitarra. Unir os dois elementos é um desafio e tanto em espetáculos, sobretudo em salas de concerto, onde o som dos instrumentos da orquestra é reproduzido sem auxílio de microfones, enquanto que da guitarra é amplificado evidentemente. Quando bem executada, a mistura tem um resultado esplendoroso, pois abundam músicas de games com a junção.

Exemplos não faltam. Nem sonhando dá para dizer que no Video Games Live a mescla é um sucesso, já que, pelo menos nos shows que vi no Brasil, a pequenez da orquestra é eclipsada pelo guitarra – veremos se no Video Games Live: Level 2 a coisa toda funcionou pelo menos. Nos demais concertos, foram convocadas bandas de rock, como a -123min no Third Symphonic Game Music Concert, Machinae Supremacy no PLAY! em Estocolmo em 2007, After Forever no Games in Concert 3, além de todas as vezes que o The Black Mages tocou a “Advent One-Winged Angel”. No Press Start, desde a primeira edição, o guitarrista Haruo Kubota participou de diversos segmentos. Para completar as exemplificações, no próprio Games in Concert a Metropole Orchestra possui um guitarrista que talvez seja o responsável pelos melhores resultados da mistura em concertos de games, a exemplo da versão suprema da “Moon Over the Castle” (Gran Turismo 4). Todas têm em comum o fato de as gravações oficiais inexistirem ou serem amadoras. Mesmo no Games in Concert, em que há registro profissional, mal se consegue ver onde está o guitarrista.

Mas você sabe como é. Aquela coluna lateral de vídeos relacionados do YouTube é uma bênção, e por meio dela em deparei com performances orquestradas sensacionais com guitarra, só que não de game music. Antes que alguém diga “esse de games virou blog de musica”, todos os vídeos tem relação indireta com compositores que eventualmente fizeram músicas para jogos ou pela orquestra que tocou em determinada trilha. Por certo, quem acompanha o blog há algum tempo não se surpreenderá ao constatar que quatro são de compositores nipônicos, e o que não é foi tocado no Japão.

A ideia do post é justamente mostrar como a guitarra poderia ser aproveitada de várias formas diferentes na companhia da orquestra, e de como os espetáculos de games, em especial os japoneses, estão atrás do que se faz em outros nichos, tanto em performance, como em disponibilidade de gravação. Claro que isso depende do estilo. Não estou dizendo que a guitarra é obrigatória. Por fim, você sabe que quase não gosto de comparar e dar indiretas. Então, em todos os casos não vi o guitarrista saltitar ou fazer estripulias exibicionistas.

Os bons achados depois do Hadouken que provavelmente você discordará da ordem.
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