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“Phantasy Star Medley for Sympathy 2013” – Phantasy Star I, II, III e IV (Phantasy Star Series 25th Anniversary Concert Sympathy 2013 Live Memorial Album)


Por Alexei Barros

Enfim chegamos ao lançamento de um dos álbuns de game music mais aguardados do segundo semestre: a gravação do concerto comemorativo de 25 anos da série Phantasy Star ocorrido em março deste ano.

O Phantasy Star Series 25th Anniversary Concert Sympathy 2013 Live Memorial Album é bastante generoso, cobrindo todos os segmentos do espetáculo. Até mesmo músicas sem relação com a série estão presentes, como a Burning Hearts ~Burning Angel~” do Burning Rangers. Aliás, a performance ficou muito aquém do que poderia: em vez da parte dos metais ser feita pela Tokyo Philharmonic Orchestra, esses instrumentos foram pré-gravados, apenas com a banda tocando ao vivo. Para completar, o Takenobu Mitsuyoshi não estava em um dos seus melhores dias.

Não vou falar de todos os números do álbum e me concentrar somente em comentar o aguardado “Phantasy Star Medley for Sympathy 2013”, miscelânea dos quatro primeiros episódios da série (o jogo inicial para Master System e os demais para Mega Drive). Afinal de contas, não é surpresa alguma ouvir uma orquestra tocando Phantasy Star Online; o ineditismo está em ouvir as músicas do Tokuhiko Uwabo (PSI e II), Izuho Numata (PSIII e IV) e Masaki Nakagaki (PSIV) em versões orquestradas. Embora seja um mal da Sega essa baixa representação em concertos e álbuns sinfônicos, por algum motivo Phantasy Star ficou atrás até de outros RPGs do Mega Drive, como Shining Force, com o Symphonic Suite the Another Story of Shining Force e Symphonic Suite Shining Force II ~Ancient Sealing~ e o obscuro Tougi Ou: King Colossus, com o álbum supremo Image from King Colossus -Warrior King Fantasy Suite-. Vinte e cinco anos de espera depois…

Já ouvia escutado as trilhas antigas, mas na tentativa de identificar cada parte do medley voltei a visitar as músicas e havia me esquecido o quão boas elas são. Dava tranquilamente para cada um dos quatro episódios de Phantasy Star receber um medley próprio. Porém, eles decidiram colocar tudo em um segmento só de pouco mais de oito minutos que segue a ordem de lançamento dos jogos. Por conta desse formato, as melodias algumas vezes são abordadas muito rapidamente, sem nenhum grande desenvolvimento sinfônico – nada como uma suíte, por exemplo. Mas é o suficiente para as faixas serem reconhecidas e apreciadas, ainda mais que não havia nada antes disso para comparar em termos de qualidade. Felizmente, as transições são competentes e a partitura do Masamichi Amano tem um começo, meio e fim; não é uma mera colagem de faixas sem lógica.

O senso comum dos medleys de jogos geralmente costuma indicar que o tema da faixa-título costuma ser o mais apropriado para abrir o segmento. No entanto, aqui no caso, a animada música de “Palma” faz esse papel – e muito bem. Pouco depois a “Title” surge um pouco mais rica, com um belo trabalho das madeiras e depois das cordas. Não se acostume muito, porque da tela inicial a peça já mergulha de cabeça em uma dungeon, com a fantástica “Dungeon 2”, em uma empolgante participação dos instrumentos de sopro. O mistério e a tristeza latente de “Sky City” se manifestam em seguida nas cordas.

Pouco mais de dois minutos de medley depois já prosseguimos para o Phantasy Star II, com a “Rise or Fall”, que se manifesta de maneira vigorosa por toda a orquestra. Dando uma acalmada, surge a introspectiva “Power” em uma sequência do oboé, fagote e flauta. Ela prepara o terreno para o Phantasy Star III, com a obrigatória “Main Theme”. Embora o tema seja perfeito para orquestra, os arranjos oficiais da música até então tinham sido tocados por bandas, como na “A New Journey” da S.S.T. Band. Nessa versão do concerto, após um breve pizzicato, as cordas fazem uma bela participação.

Como uma marcha, aparece depois a “The Ground(Quintet)”. Aos poucos a tensão aumenta até a caótica “Wings of Evil”. Nesse clima de urgência, o Phantasy Star IV irrompe com o tímpano avassalador que traz a “The end of millennium”. Suavemente o xilofone relembra as primeiras notas da esperançosa  “The Promising Future 2”, logo interrompida pela aparição da sensacional “Land master AXV-25”. A faixa animada ganhou uma releitura mais pomposa e triunfal, avisando que estamos próximos do final dessa jornada. A “The Promising Future 2” cintila mais uma vez até o desfecho apoteótico.

Mesmo sendo um fã nominal da série, devo confessar que senti falta de algumas músicas, embora seja incapaz de mensurar com certeza a importância delas na experiência de jogo. Da parte do primeiro Phantasy Star, por exemplo, lamentei a ausência da  “Motavia” (e imagino que o comparsa Eric “New Motavia” Fraga Cosmonal esteja lamentando mais ainda). De tanto que eu gosto da  “Field Medley” do Phantasy Star Collection: Sound Collection I também acho que a simpática melodia da “Restration” (Phantasy Star II) cairia muito bem no medley. Mas, por ora, só nos resta agradecer ao Masamichi Amano pelo grande trabalho e realização de um sonho.

“Phantasy Star Medley for Sympathy 2013”

“Palma” ~ “Title” ~ “Dungeon 2” ~ “Sky City” (Phantasy Star) ~ “Rise or Fall” ~ “Power” (Phantasy Star II) ~ “Main Theme” ~ “The Ground(Quintet)” ~ “Wings of Evil” (Phantasy Star III: Generations of Doom) ~ “The end of millennium” ~ “The Promising Future 2” ~ “Land master AXV-25” ~ “The Promising Future 2” (Phantasy Star IV: The End of the Millennium)

Fantasiosamente agradecido ao fã enrustido de RPGs Rafael Fernandes pelo auxílio na identificação das faixas.

Omega Catastrophe: o melhor álbum de fãs com músicas da Sega já lançado

Omega Catastrophe
Por Alexei Barros

Você sabe, há tempos bato na tecla de que as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Com o passar dos tempos, essa tecla ficou amarelada, empoeirada e engordurada. Mesmo completamente imunda, volto a repetir: as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Agora há mais um álbum para mostrar essa discrepância. Omega Catastrophe, que traz algo incomum no meio doujin: músicas da Sega.

Japonês que é japonês costuma ser nintendista. Sem se delongar muito com explicações, como já falei no post anterior sobre o concerto de Phantasy Star, o Sega Mark III (como o Master System ficou lá conhecido) perdeu feio para o Famicom e, na geração seguinte, o Mega Drive acabou ficando atrás até do PC Engine. Ironicamente, o Saturn se deu bem no Japão, mas talvez já fosse tarde demais. Isso sem contar os arcades da Sega sob a liderança magistral do Yu Suzuki, é claro, máquinas de grande sucesso no arquipélago japonês. Não quero dizer que o Japão não gosta da Sega, não é isso, só que, em linhas gerais, a maioria dos álbuns doujin pega músicas da Squaresoft e jogos da Nintendo, ficando atrás somente do fenômeno Touhou Project.

Fora desses padrões temos o Omega Catastrophe, mais um álbum do selo doujin Dangerous Mezashi Cat. Eu já os conhecia desde o CD Megalomania (com músicas do Mega Man), imaginando que fosse uma obra única. Quando fui ver eles já tinham lançado mais de uma dezena de discos. Dos que ouvi, todos são recomendadíssimos pelos arranjos focados na guitarra (com um timbre afiado) que se fazem passar por profissionais, coisa que raramente ou quase nunca acontece com bandas ocidentais. Na minha torpe opinião, evidentemente. Apesar de o trabalho doujin ser quase inexistente nas homenagens à Sega, há boas referências profissionais: S.S.T. Band e [H.]. O que é mais incrível: falando como fã das duas, afirmo sem medo que em alguns momentos os arranjos conseguem suplantar versões que considerava imbatíveis. Sério, seriíssimo. Os arranjos, aliás, são feitos por diferentes nomes desconhecidos neste lado do mundo, e há somente um guitarrista que atende pela alcunha Namihei.

O foco do Omega Catastrophe é de jogos de Mega Drive e não apenas títulos da Sega como veremos a seguir. Só não encare isso como uma obra que procura arranjar os maiores medalhões do 16-bit da Sega porque há algumas ausências fortes, como as séries Sonic, Golden Axe, Streets of Rage, Shining Force e por aí vai.

Depois do Hadouken, minha visita por todas as faixas, algumas de maneira mais sucinta que o normal.
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Phantasy Star Series 25th Anniversary: o dia em que a fantasia foi escrita com “ph”


Por Alexei Barros

Em dezembro de 2012, Final Fantasy completou 25 anos de existência. De 2002 para cá, houve pelo menos um concerto a cada dois anos dedicado à série. Também em dezembro de 2012, Phantasy Star celebrou o aniversário de 25 anos. Apresentações musicais até então? Nenhuma. Se colocarmos as duas séries em uma balança, fica difícil de comparar por pesos-pesados como Square e Nobuo Uematsu, mas enfim a Sega se mexeu e encerrou a espera no dia 30 de março, dois dias depois muitos fãs não acreditariam e achariam uma mentira – como eu demorei para fazer o post. Nesse dia, aconteceu o Phantasy Star Series 25th Anniversary.

Foram duas apresentações no Hibiya Kokaido em Tóquio, Japão, com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra regida por Masamichi Amano. Pelas fotos, achei a arquitetura do Hibiya Kokaido, que possui 2000 assentos, extremamente humilde e simples. Em contrapartida, um gigantesco telão com as imagens dos jogos da série tratou de melhorar a aparência no quesito show.

Agora, vamos ao que interessa: o set list. O que vinha causando mais apreensão nos fãs da série é o quanto da tetralogia inicial tomaria do programa. Fazendo uma rápida observação, a estima que os brasileiros têm hoje pelo Master System não equivale no Japão, onde o console equivalente Sega Mark III foi pulverizado pela liderança avassaladora do Famicom (o NES por aqui). Sendo assim, já considero uma vitória saber que melodias do primeiro Phantasy Star apareceram no “Phantasy Star Medley for Sympathy 2013”. De resto, foi um festival de músicas da vertente Phantasy Star Online que guarda sim boas composições, mas sem o mesmo impacto nostálgico evidentemente.

Para quebrar um pouco dessa erudição sinfônica, alguns números foram tocados sem orquestra, apenas por uma banda (pelas fotos, não me pareceram ser os integrantes da [H.]) formada por baixo, guitarra e keytar tocada pelo Hideaki Kobayashi, o compositor do Phantasy Star Online. Nos vocais, a cantora Annette Marie Cotrill, que participou de episódios recentes, e o carismático e imbatível Takenobu Mitsuyoshi. Ele ainda se deu ao direito de interpretar a “Burning Hearts ~Angel~” com essa formação de instrumentos – poxa vida, todo tema estilo tokusatsu que se preze deveria ter um naipe de metais acompanhando.

Aliás, o que Burning Rangers tem a ver com Phantasy Star? Nad… opa, ambos têm a participação de Yuji Naka. Mesmo há anos não trabalhando mais na Sega, o YU2 subiu ao palco. No sentido de homenagear figuras históricas, o concerto foi muito especial. Eu tenho a impressão que por algum motivo, a criadora Rieko Kodama não esteve por lá, mas a apresentação contou com as milagrosas e raríssimas aparições dos compositores veteranos Tokuhiko “Bo” Uwabo (Phantasy Star I e II) e Izuho “Ippo” Numata (Phantasy Star III) – foto acima. Depois de muito tempo longe dos holofotes, o Bo deu as caras no Facebook, ajudando a minimizar o mistério que havia em torno dele. Mas o caso da Ippo foi mais sério. Por muito tempo, houve quem acreditasse que esse era apenas um pseudônimo do Ippo Yamada, compositor de jogos recentes do Mega Man. Isso mesmo: nem se sabia se era “ele” ou “ela” ou se a pessoa existia mesmo. É a primeira foto que vejo dela.

Quando chego nesse trecho do texto, geralmente digo “agora é hora de aguardar pelo CD”, “não espere pelo CD”… A boa notícia é que a gravação do concerto já foi anunciada em CD, com lançamento marcado para setembro de 2013. Não chegou a ser anunciado um DVD, mas o Jorge, amigo do Orakio “O Gagá” Rob que mora no Japão e afortunadamente assistiu ao concerto, disse que viu câmeras e avisos de que o público poderia aparecer no vídeo. Então ainda há uma esperança.


Abaixo, o set list. Ficarei devendo os links para as faixas originais. Por desconhecer as trilhas, ficou difícil identificar as músicas.
01 – Fanfare
02 – Phantasy Star Medley for Sympathy 2013
03 – Phantasy Star Online OPENING THEME ~The whole new world~
04 – Can still see the light ~Phantasy Star Online ENDING THEME~
05 – “IDOLA” have the immortal feather & the divine blade Medley
06 – World with me ~Phantasy Star Online EPISODE2 ENDING THEME~
07 – “LET THE WINDS BLOW” – Theme of Phantasy Star Online Episode III-
08 – Underworld -equilibrium-
09 – Phantasy Star Zero
10 – たいせつなもの
11 – Save This World – Orchestra Version –
12 – Save This World – νMIX – (Hideaki Kobayashi com
Annette Marie Cotrill)
13 – Living Universe (Hideaki Kobayashi com
Annette Marie Cotrill)
14 – Go Infinity (Hideaki Kobayashi com
Takenobu Mitsuyoshi)
15 – Burning Hearts (Hideaki Kobayashi com
Takenobu Mitsuyoshi)
16 – Ignite Infinity (Hideaki Kobayashi com
Annette Marie Cotrill)
17 – Title – PSO2 –
18 – Stage Medley – PSO2 –
19 – Dark Ragne
20 – Big Varder & Quartz Dragon Medley
21 – Falz Arm & Dark Falz Elder Medley
22 – For Brighter Day – Orchestra Version –

Números 1 a 11, 17 a 22 tiveram a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra com regência do Masamichi Amano.

Peço desculpas pela incrível demora não só ao Gagá, que me passou algumas informações aqui compartilhadas, como outros fãs desta série muito estimada que conheço, infelizmente, só de nome.

[via Game Watch, 4Gamer.net e Famitsu]


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