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“Game Medley” – Zelda, Tetris, Street Fighter II, Sonic e Mario (Game Music Brasil)

Por Alexei Barros

E então… Game Music Brasil. Durante o festival de músicas de jogos realizado 8 de abril, um dia antes do Video Games Live no Rio de Janeiro, foi apresentado um medley preparado especialmente para o evento. O autor do arranjo é o Lucas Lima, músico integrante da Família Lima que tem relação com videogames: além de jogador, chegou a compor as trilhas dos títulos para computador Winemaker Extraordinaire e Avalon desenvolvidos pelo estúdio nacional Overplay.

Como a performance foi da Orquestra Simphonica Villa Lobos, que executou toda a turnê brasileira do VGL em 2011, com imagens sincronizadas de jogos no telão, a miscelânea regida pelo Lucas Lima meio que serviu para mostrar, grosso modo, como seria um Video Games Live totalmente feito no Brasil, a não ser, claro, pela origem japonesa (e russa) dos jogos homenageados.

O problema é que… há muitos problemas. Por favor, sem indulgências ufanistas. Para começo de conversa, é aleatório a peça ter simplesmente o tema “videogame” ou “jogos que todo mundo conhece” ou ainda “jogos preferidos do Lucas Lima”. Repare que em todos os medleys que publiquei, amadores, pró-amadores ou profissionais, sempre teve um elemento comum: gênero, série, produtora, plataforma, compositor, mesmo que o número não apresente uma coerência e seja uma mera sucessão de melodias. Qual o sentido em juntar Mario e Sonic? Tetris e Street Fighter II? Já que foram somente cinco séries escolhidas (as quatro mencionadas e Zelda), preferiria pequenos segmentos para cada uma, em vez de um gigante, de 18 minutos.

Na maioria das mudanças de música, não há transições e sim vazios entre uma faixa e outra. Para mim, isso só é tolerável quando há o intento de recriar a experiência de jogo, afinal de contas a composição de fundo muda abruptamente de um cenário para outro em um Mario da vida.

Prova disso é abrir com “Overworld” de Zelda e pular para a “Type A” do Tetris logo na abertura. A parte que vem na sequência, do Street Fighter II, até que ficou interessante, porque “Title” e “Player Select” (bacanas as linhas graves nos violoncelos), que considero essenciais, não estão no “Street Fighter II Medley” do VGL, além da “Here Comes a New Challenger” e “Chun-Li Stage”. A lembrança de músicas não arranjadas anteriormente também salvou a seção seguinte, do Sonic: não há a “Special Stage” (bela nas cordas e flautas) na obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques. Só que a vinheta “Sega” instrumental perdeu toda a graça sem coral. O sentimento de novidade, apesar de tantos títulos famosos, repete-se com a fatia Mario, pela alusão ao vilipendiado Super Mario Bros. 2. De resto, nada de mais, com tantas interpretações melhores por aí, e o mesmo vale para as seleções do Ocarina of Time que fecharam o extenso medley.

A proximidade da organização do VGL fez com que o GMB importasse um dos pontos negativos (do meu ponto de vista) do afamado show-concerto: a gritaria. De novo, os berros de êxtase nostálgico são exagerados, mais pelo telão do que propriamente pelas lembranças das faixas. Como temia, o VGL deixou o público mal acostumado para apresentações com orquestra, nas quais se deve primeiro ouvir para depois urrar e aplaudir, não tudo simultaneamente, gerando uma salada de sons indecifráveis.

Em contrapartida, a execução abdicou do detestável subterfúgio do VGL: o playback, o que escancarou algumas deficiências:  a falta de sincronia (aqui, momento em que os violinos embolaram legal; ou aqui, instante em que o xilofone se perdeu) e desafinação (atente para os violinos) em alguns momentos. Estranhamente, a Villa Lobos, que, segundo o release do VGL, possui 43 integrantes, parecia estar representada por ainda menos gente pelo que se nota nos vídeos e nas fotos. Inclusive é possível ver uma violinista se assentar quando a performance já havia começado (repare na esquerda do palco). Mais autêntico que o VGL, mas carente de muito polimento.

– “Game Medley”

“Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Type A” (Tetris) ~ “Title” ~ “Player Select” ~ “Ryu Stage” ~ “Chun-Li Stage” ~ “Here Comes a New Challenger” ~ “Guile Stage” (Street Fighter II) ~ “Title” ~ “Green Hill Zone” ~ “1UP” ~ “Green Hill Zone” ~ “Stage Clear” ~ “Special Stage” ~“Green Hill Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Overworld” ~ “Underwater” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Invincible” (Super Mario Bros. 2) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario World) ~ “World Clear” (Super Mario Bros.) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Zelda’s Theme” ~ “Great Fairy’s Fountain” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

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Chute no estômago


Por Alexei Barros

Ainda me recupero do soco na cara provocado pela trilha sonora do Street Fighter IV. Elogiada por alguns, para mim não passa de um amontoado de arranjos eletrônicos pobres (e podres) das melodias imortais do SFII sem usar nenhum instrumento real sequer – não haveria problema se soassem convincentes, mas aquele sax da “Theme of Zangief -SFIV Arrange-”… que lixo.

Além das novas versões não terem me agradado nada, salvo uma ou outra exceção, fazendo força, como a “Theme of Ken -SFIV Arrange-”, achei bisonha a decisão de determinados personagens antigos, a saber, E. Honda, Dhalsim, Blanka, Balrog (boxeador americano) e Vega (espanhol mascarado) não terem temas próprios.

Posto meu descontentamento, pouco me lixava para a trilha do Super Street Fighter IV já prevendo que novamente Hideyuki Fukasawa cuidaria das músicas. Não foi anunciada a OST por enquanto, e o único produto relacionado é o álbum promocional Super Street Fighter IV Character Sound Collection [Single Cut].

Não se sabe ainda quem é o responsável, mas ao menos os personagens ignorados finalmente têm temas, bem como os re-estreantes T. Hawk e Dee Jay e outros que regressaram. Digo isso porque as músicas foram subidas no YouTube em diversos perfis, a exemplo do 0xkeNzo.

Pelo estilo e escolha de timbres, arriscaria dizer que de novo é o Fukusawa, mas senti que as releituras estão mais inspiradas e menos repetitivas, em especial do Vega e E. Honda. O tema do Adon, que mal me lembrava das poucas vezes que joguei o Street Fighter Alpha, e era uma mistura de Mega Man X e SNK, ficou um dos mais atraentes pela pegada forte das guitarras. Gostei também da música do Dan, com o baixo na introdução.

Separei os links das 18 músicas para a sua comodidade depois do Hadouken, também com as versões originais em que 16 destes temas estrearam na série Street Fighter. Curiosamente, o tema do Cody no SSFIV é uma composição original.

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As três músicas que a Yoko Shimomura não compôs na trilha do Street Fighter II são…

Street Fighter II

Por Alexei Barros

Antes de completar a frase, devo mais uma vez dizer o quanto era injusto ver os compositores de jogos antigos serem creditados com pseudônimos ou então com o nome do estúdio das produtoras. Muitos trabalhos eram coletivos, e ficava impossível saber quem fez cada faixa, a não ser por entrevistas. Isso quando eles lembram.

Uma desses casos é a trilha de Street Fighter II. Quando não eram assinadas como Alfh Lyra, estúdio de som da Capcom que também batizava a banda, as músicas eram creditadas às alcunhas Pii♪ e Oyaji, vulgo Yoko Shimomura e Isao Abe.

Aparentemente, a primeira referência de autoria das músicas está no álbum Sing!! Street Fighter II (1992), que contém versões vocais dos temas dos 12 personagens originais: Ryu, Ken, Chun-Li, Blanka, Dhalsim, Guile, E. Honda, Balrog, Sagat, Vega e M. Bison (cito como se você tivesse esquecido). Desse total, 11 foram assinadas pela Shimomura e apenas Abe criou o tema de Sagat, informação que foi confirmada no histórico Street Fighter Tribute Album (2003), que também possui arranjos dos temas dos mesmos 12 lutadores. Ficava a dúvida: quem compôs o tema da tela-título? Da seleção de personagens? Ou então os temas de encerramento? A dúvida persistia.

Alfh LyraNo site GameSetWatch, o mestre Jeriaska, jornalista residente no Japão, realizou uma fantástica entrevista publicada em agosto de 2009 com Hiroki Kikuta e a Shimomura, abordando especialmente os trabalhos na série Mana. Foi feita a pergunta a ela de quantas faixas não havia feito na trilha de Street Fighter II: “Todas exceto três, na verdade. A música do estágio de Sagat e outras duas foram feitas por outro músico. O resto compus sozinha”, diz. “Naquela época, os nossos nomes não foram incluídos nos créditos, embora fosse creditada pelo meu apelido ‘P-chan’ (risos)”. Nessa mesma entrevista, aliás, ela comenta sua participação como pianista na banda Alfh Lyra na época da antológica série de shows Game Music Festival – a própria quem toca a introdução do “Street Fighter II Medley ’92 GMF Version” no GMF ’92. Faltava saber quais.

Sabendo que o mestre Chris Greening, editor do site Square Enix Music Online, iria à Alemanha assistir ao Symphonic Fantasies e teria a oportunidade de entrevistar a Shimomura e os demais compositores na companhia do Don Kotowski, colaborador do site, com a tradução inglês-japonês da intérprete Kanako Boecker, não resisti. Lembrei o Chris para que perguntasse a ela quais as três faixas que não havia feito em Street Fighter II. Na não menos fantástica entrevista publicada há pouco, enfim veio a resposta: “(pensa atentamente) Ah, sim. Você sabe o tema do Sagat? Isao Abe compôs em estilo rock ou funk. Além disso, ele criou dois jingles bem conhecidos, “Here Comes a New Challenger” e “Round Start” (suspira)”.

Confesso que não esperava que o Isao Abe tivesse uma participação tão ínfima na trilha – “Here Comes a New Challenger” (quando surgia um novo desafiante) e “VS” (do início de round) têm quatro segundos cada. Como a Shimomura disse, são jingles, música mesmo só o “Sagat Stage”. Com isso, é claro, aumenta o mérito da Yoko Shimomura ao compor uma trilha absurdamente sensacional. As memoráveis “Title”, “Player Select” e todos os temas de encerramento são dela, portanto. Lembre-se que isso não vale para as faixas implementadas nas atualizações Super Street Fighter II e Super Street Fighter II Turbo, já que os temas da Cammy, Dee Jay, Fei Long e T. Hawk e outras músicas foram feitos pelo mencionado Isao Abe e pelo Syun Nishigaki.

Como conversava com o Fabão esses dias, ainda existe uma outra dúvida de autoria de músicas da Yoko Shimomura referente ao Breath of Fire. Em entrevista ao ga-core, ela disse que implorou para compor uma faixa para o RPG do SNES – pois atuava no setor de trilhas de arcades, não de consoles domésticos –, pedido que foi atendido, mas não se recordou em que parte do jogo toca a música. Talvez só se ouvisse uma por uma da trilha novamente viria a lembrança.

Faça o favor de ler a entrevista do SEMO na íntegra, que aborda vários pontos da carreira da Yoko Shimomura, que recentemente foi confirmada no jogo The Last Ranker, para PSP, primeira trilha para a Capcom desde que saiu em 1993 – The Punisher fora o seu último trabalho antes de migrar para a Squaresoft. A entrevista também fala sobre o concerto Sinfonia Drammatica, reunindo perguntas que os editores do site polonês Gamemusic.pl fizeram na Suécia.

[via SEMO]

Soco na cara

Por Alexei Barros

Não gostei. Serei obrigado a destilar o meu azedume mais uma vez com a série Street Fighter no quesito auditivo. A Street Fighter IV Original Soundtrack será lançada, como já disse antes, dia 25 de fevereiro, mas ouvi de antemão um rip (desta vez com os canais de áudio balanceados) e fiquei desapontado.

A Capcom parece não dar o devido valor às músicas do SFII, não obstante as dezenas de álbuns do jogo através dos anos.  Seria a ocasião perfeita para as versões supremas dos temas dos personagens, mas em vez de utilizar uma banda ou então uma orquestra de verdade – o que é padrão hoje praticamente –, tudo é sintetizado e, em alguns casos, com sons de instrumentos pouco convincentes.

Isso fica explícito no tema do Zangief em arranjo jazzístico. Pela introdução, parece explodir numa onda de metais big band quando entra o saxofone sintético mais vagabundo e nauseante que ouvi! Três dos melhores temas – Ryu, Ken e Guile – estão embalados em remixes sem vida. Questiono a adoção do eletrônico. As composições do jogo não combinam com o estilo – claro que sempre aparece um Koshirão com um “M. Bison Stage” (tema do Balrog) para contestar. Perto desses, o tema da Chun-Li está uma obra-prima. O que está melhorzinho é o da Cammy, com uma guitarra até que interessante. Lamentarei para sempre a ausência da nostalgicamente poderosa “Title”. Para completar, bizarramente inexistem os temas de Blanka, Dhalsim, E. Honda, Fei-Long, Balrog e Vega. Alguém poderia me explicar?

O resultado não é abominável, mas eu esperava muito mais – quem sabe uma AST não compense as minhas queixas. Para você também opinar sobre a trilha, coloco links do Goear de todos os temas de personagens nas versões do SFII e IV. Dos novos personagens nem fiz questão.

World Warriors:

“Ryu Stage” (SFII) – “Theme of Ryu -SFIV Arrange-“ (SFIV)
“Ken Stage” (SFII) – “Theme of Ken -SFIV Arrange-“ (SFIV)
“Chun-Li Stage” (SFII) – “Theme of Chun-Li -SFIV Arrange-“ (SFIV)
“Guile Stage” (SFII) – “Theme of Guile -SFIV Arrange-“ (SFIV)
“Zangief Stage” (SFII) – “Theme of Zangief -SFIV Arrange-“ (SFIV)

Four Two Devas (considerando versão japonesa):

“Sagat Stage” (SFII) – “Theme of Sagat -SFIV Arrange-“ (SFIV)
“Vega Stage” (SFII) – “Theme of Vega -SFIV Arrange-“ (SFIV) [M.Bison]

New Challenger:

“Cammy Stage” (SSFII) – “Theme of Cammy -SFIV Arrange-“ (SFIV)

Trilha de SSFIITHDR terá remixes de fãs


Por Alexei Barros

A Capcom é engraçada. Ela é uma das empresas que melhor sabe lidar com remakes: Mega Man Powered Up, Mega Man Maverick Hunter X, Resident Evil: Rebirth, Bionic Commando: Rearmed… Nenhum deles é picareta ou preguiçoso. Sempre há novidades substanciosas que justificam a jogatina mesmo (e principalmente) para quem conhece os originais.

No que concerne à trilha sonora, somos costumeiramente agraciados com novos arranjos. E o melhor exemplo de como a produtora presta atenção no quesito auditivo foi ter convocado um compositor do quilate de Norihiko Hibino para as músicas do shooter vertical 1942: Joint Strike, lançado hoje na Xbox Live Arcade e amanhã na PlayStation Store.

Não se pode dizer o mesmo, a princípio, do remake Super Street Fighter II Turbo HD Remix. Na esperança de que os arranjos fizessem por merecer os temas icônicos dos lutadores, acompanhava os vídeos, mas a empolgação inicial foi se diluindo paulatinamente. A fantasia de ouvir as faixas orquestradas? Fica para uma próxima. Melhor, para Street Fighter IV.

O produtor do SSFIITHDR, Rey Jiminez, ouviu o projeto de remixes de fãs do site OverCloked Remix, Blood on the Asphalt: A Super Street Fighter 2 Turbo ReMix Collaboration (entre e baixe, o álbum é gratuito) e gostou muito, a ponto de querer que aquelas releituras estivessem no jogo. Conseqüência: os remixes foram revisados e outros totalmente novos criados. Será o primeiro trabalho profissional de game music da comunidade comandada por David “djpretzel” Lloyd, que contém iniciativas semelhantes de Super Metroid, Donkey Kong Country, Kirby’s Adventure, Sonic the Hedgehog 2, Sonic 3 / Sonic & Knuckles, Final Fantasy VII, Chrono Trigger, Radical Dreamers e Doom.

Queria saber o que Jiminez viu de mais no Blood on the Asphalt. Já conhecia e achei os remixes nada impressionantes. Acreditando ter sido injusto, procurei escutar novamente e minha percepção não mudou. Gostei menos ainda. Nos outros projetos, uma ou outra releitura interessante pipocava. No do SFII nenhuma é fora de série para receber o título de o melhor arranjo de determinado tema.

Em tempos de conteúdo colaborativo e jogos criados amadoramente o fato não deixa de ser inédito e curioso, porém preferiria muito mais que houvesse uma reunião dos melhores compositores na atualidade, e eles fizessem os arranjos, como no Super Smash Bros. Brawl, o que não deixou de acontecer com o Street Fighter Tribute (Yuzo Koshiro, Yasunori Mitsuda, Motoaki Furukawa, Yoko Shimomura, Hiroaki Yoshida, Manami Matsumae, Shinji Hosoe, Takayuki Aihara…). Poderiam ter aproveitado o conteúdo do álbum, se bem que faltariam os temas de Akuma, Fei Long, Cammy, T. Hawk e Dee Jay (o tributo não era Super), sem esquecer das irregularidades, não é mesmo Takenobu Mitsuyoshi e o nauseabundo “Ryu Stage”? Aquilo não é uma homenagem, e sim um desatino… Se o álbum fosse feito hoje tenho certeza que o resultado sairia muito melhor com a H.

Obrigado ao Fabão, que me passou a notícia.


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