Posts Tagged 'Hiroshi Kawaguchi'

Game Symphony Japan 14th Concert Sega Special: o dia em que a Sega voltou ao estrelato

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O coral não perdeu a oportunidade de fazer uma coreografia

Por Alexei Barros

Confesso que ultimamente nem tenho me animado muito em falar dos concertos pró-amadores. À medida que eles aumentam de quantidade, os registros diminuem. Os posts sempre ficam na lamentação… Bom, este não será muito diferente, mas não tinha como passar batido.

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O showman Takenobu Mitsuyoshi cantou músicas como “Let’s Go Away” e “Burning Hearts ~Angel~”

No dia 10 de outubro, o Tokyo Art Theater Concert Hall sediou o Game Symphony Japan 14th Concert Sega Special, simplesmente um concerto com músicas da Sega em um total de três atos. O primeiro foi dedicado ao Sonic; o segundo teve jogos variados como Fantasy Zone, Daytona USA, Virtua Fighter 2 e Burning Rangers; e o terceiro foi enfocado no NiGHTS into dreams…, chegando a contar com quase todas as músicas da trilha. Para completar, ainda teve um bis com algumas reprises.

Se isso por si só já não fosse sensacional o bastante, a apresentação ganhou um tom oficial pela presença de diversas personalidades da produtora: Yuji Naka, um dos criadores do Sonic; os compositores Hiroshi Kawaguchi, Takenobu Mitsuyoshi, Jun Senoue, Tomoko Sasaki, Naofumi Hataya e Tomoya Ohtani; o dublador Kagawa Nomizuwari; e o produtor Yosuke Okunari (responsável pela série 3D Classics na Sega). Até porque, para ter tanta gente assim, certamente eles adquiriram a licença para executar as músicas.

Mais fantástico é que tanto o Jun Senoue (na guitarra) como o Takenobu Mitsuyoshi (no vocal) participaram do espetáculo de uma forma que nunca tinha sido feita antes, já que não existiam arranjos orquestrados de Sonic Adventure e Daytona USA. Com regência de Kenichi Shimura, a performance foi da Tokyo Chamber Orchestra e do coral Tokyo Philharmonic Chorus. Também tocaram a banda Meine Meinung, o baterista Issei Machiyama e o tecladista Ryuta. No final, ainda teve o grupo vocal Sega Hard Girls, formado por seis cantoras.

Infelizmente, o Game Symphony Japan não tem costume de publicar gravações das apresentações e parece que não foi dessa vez que eles mudaram de hábito. Veja abaixo o set list, com links para as músicas originais.

Concert Sega Special_03

Jun Senoue tocando guitarra com a orquestra foi uma das grandes atrações do concerto. Como ninguém teve essa ideia antes?

Ato I
01. “Title” ~ “Green Hill Zone” (Sonic the Hedgehog)
02. “Chemical Plant Zone” (Sonic the Hedgehog 2)
03. “Sky Sanctuary Zone” ~ “Title” (Sonic & Knuckles)
04. “Emerald Coast Zone” (Sonic Adventure)
05. “Escape from the City” ~ “Live & Learn” (Sonic Adventure 2)

Ato II

06. “Segagaga March” (Segagaga)
07. “Mexican flyer” ~ “Ulala’s Swinging Report Show” ~ “Spaceport: Introducing Ulala!!” (Space Channel 5)
08. “ハロハロナリヤンス音頭” (New Roommania: Porori Seishun)
09. “Geki! Teikoku Kagekidan” (Sakura Wars)
10. “Opa-Opa!” (Fantasy Zone)
11. “Beginning” ~ “Akira” ~ “Lion” ~ “Kage” (Virtua Fighter 2)
12. “Let’s Go Away” (Daytona USA)
13. “Conquista Ciela” (Cyber Troopers Virtual-On Marz)
14. “I Will Die for You (Complete Version)” (Feel the Magic: XY/XX)
15. “赤ちゃんはどこからくるの?” (The Rub Rabbits!)
16. “Burning Hearts ~Angel~” (Burning Rangers)

Ato III

17. “Fragmented Nights” ~ “Gate of Your Dream” ~ “Paternal Horn” ~ “Gloom of The N.H.C.” ~ “Suburban Museum” ~ “The Amazing Water” ~ “Take The Snow Train” ~ “Under Construction” ~ “The Dragon Gave a Loud Scream” ~ “She Had Long Ears” ~ “Deep It Lies” ~ “E-LE-KI Sparkle” ~ “The Mantle” ~ “NiGHTS and Reala” ~ “Growing Wings” ~ “D’Force Master” ~ “Peaceful Moment” ~ “NiGHTS, Forever in Our Heart” ~ “Sowing Seeds” ~ “DREAMS DREAMS” ~ “Fragmented Nights:Epilogue Ver.” (NiGHTS into dreams…)

Bis

18. “ハロハロナリヤンス音頭” (New Roommania: Porori Seishun) [reprise]
19. “Geki! Teikoku Kagekidan” (Sakura Wars) [reprise]
20. 社歌 若い力 -SEGA HARD GIRLS MIX-

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Mais de 100 pessoas no palco, com convidados, instrumentistas, vocalistas… Dá para chamar esse concerto de amador?

Agradecido ao sempre atento seguista Rafael Fernandes por me manter atualizado sobre as novidades desse concerto.

[via Famitsu]

Diggin’ in the Carts: um fascinante documentário sobre game music japonesa


Por Alexei Barros

Documentários de game music em vídeo não aparecem todos os dias. Focados em game music japonesa então… Por conta da barreira de idioma, são quase inexistentes – uma exceção é o especial francês do Game One que publiquei anos atrás.

Por isso, uma superprodução como a Diggin’ in the Carts da Red Bull Music Academy deve ser aplaudida. Como muitos sabem e demorei séculos para comentar aqui, o documentário é dividido em seis episódios que falam sobre a evolução da game music nipônica, com declarações de compositores, artistas e produtores.

Hally, especialista de game music, e Rolling Uchizawa, ex-editor da Famitsu (que também aparecia no documentário da Game One), são os principais responsáveis pela excelente contextualização dos assuntos abordados, afinal eles viveram tudo aquilo de perto.

Fiquei pasmado com a quantidade de compositores expoentes que a reportagem conseguiu entrevistar: Nobuo Uematsu, Yuzo Koshiro, Hitoshi Sakimoto, Hiroshi Kawaguchi, Yoko Shimomura, Hirokazu Tanaka, Junko Ozawa…

O único problema é que quando isso acontece fica um gostinho de quero mais, já que não aparecem nomes importantes como Koji Kondo, Koichi Sugiyama, Yasunori Mitsuda, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare, Akira Yamaoka, Michiko Naruke, Takenobu Mitsuyoshi, Kenji Ito, Motoaki Furukawa, Hisayoshi Ogura, Masashi Hamauzu, Michiru Yamane, Miki Higashino, Hiroki Kikuta, Norihiko Hibino, Ayako Saso, Daisuke Ishiwatari, Shoji Meguro, Manabu Namiki… É meio impossível falar com todo mundo. Talvez com mais uns 34 episódios…

Ainda assim, fiquei bastante surpreso com as aparições de Akio Dobashi (Lagrange Point) e Masashi Kageyama (Gimmick!), que são extremamente obscuros no Ocidente e só os conhecia de nome. E nunca esperava ver o Hayato Matsuo em vídeo.

Fora isso, pode ser implicância minha, mas algumas falas dos artistas ocidentais não acrescentaram muita coisa e parecem meio deslocadas. Pelo menos alguns deles falaram algo útil e, no geral, foram influenciados pelo trabalho dos mestres japoneses. Não compromete, é claro. Outro ponto que deve ser elogiado é a direção de fotografia: simplesmente exuberante.

Para quem não viu ou já assistiu e quer rever, publico os seis episódios do Diggin’ in the Carts com breves comentários sobre cada parte, além dos episódios extras. Caso queira ver pelos links abaixo, não se esqueça de ativar as legendas do YouTube (tem em português), clicando no botão correspondente em cada janela.

[ATUALIZAÇÃO] Coincidentemente, a Folha de S. Paulo traz hoje (01/01/2015) uma ótima reportagem falando sobre o Diggin’ in the Carts. A parte mais interessante do artigo são as declarações do produtor do documentário, o neozelandês Nick Dwyer. Entre outras coisas, ele diz que o único compositor que queria incluir no vídeo e não conseguiu é o Koji Kondo, porém, por problemas de direitos autorais, a Nintendo não autorizou a participação do músico. Ou seja, ele não pode ser entrevistado em um vídeo jornalístico, mas tudo bem acompanhar no piano uma música do Imagine Dragons no The Game Awards 2014? Qual o sentido disso? E apenas uma chatice de minha parte: o único equívoco do texto foi falar que o NES foi lançado em 1983. Na verdade, o correspondente japonês do NES, o Famicom, é que saiu nesse ano. O NES chegou às lojas em 1985.

Episode 1: The rise of VGM

Primórdios da game music com Space Invaders e Rally X. Em uma raríssima entrevista, a compositora Junko Ozawa fala sobre seu trabalho em The Tower of Druaga e as limitações da época. Hiroshi Okubo, chefe da equipe de som da Bandai Namco, também ajuda a demonstrar como o áudio era rudimentar nos arcades antigos. Mais adiante, o mestre Hirokazu Tanaka relembra suas influências de reggae e como era trabalhar na Nintendo nos anos 80. Primoroso.

Episode 2: The outer reaches of 8-bit

A importância da Konami para a game music por jogos como Castlevania e Contra e pelo uso dos chips de canais adicionais de som, como o VRC6. Uma pena que os compositores que trabalharam na empresa ficaram no anonimato. Em compensação, o músico Akio Dobashi, que não é originário dos games, aparece  para dizer como foi diferente para ele compor a trilha do RPG Lagrange Point. Depois, o produtor Nobuhiro Yoshikawa, que lança trilhas de game music retrô pelo selo Clarice Disc (até onde eu sei, ele não é compositor, como diz o vídeo), lembra a importância musical da Sunsoft durante a era Famicom. Masashi Kageyama, autor da trilha de Gimmick!, faz uma inacreditável participação para rememorar os seus tempos de compositor – atualmente ele não trabalha mais com música.

Episode 3: The dawn of a new era

O advento da era 16-bit, com a surpreendente aparição de Hayaso Matsuo, que, embora hoje seja mais conhecido como um arranjador e orquestrador, relembra sua história como compositor de jogos antigos. Ele mesmo dá o gancho para o documentário abordar a carreira do Hitoshi Sakimoto. Para fechar de maneira magistral, a Yoko Shimomura é escalada para falar sobre a histórica trilha sonora de Street Fighter II. A explicação para a inspiração do tema do Blanka é sensacional.

Episode 4: The cool kid

A importância do Mega Drive na história da game music. O genial Hiroshi Kawaguchi faz uma essencial participação, comentando como foi criar as trilhas de Hang-On e OutRun. Ainda falando da Sega, os artistas se derretem pela nostalgia das trilhas do Sonic. Pena que não há declarações do compositor Masato Nakamura. No final, o mago do som Yuzo Koshiro fala sobre as restrições da época e as trilhas de The Revenge of Shinobi e especialmente Streets of Rage.

Episode 5: The Role of Role Play

Episódio dedicado totalmente ao Nobuo Uematsu e sua participação na série Final Fantasy. A parte de concertos de game music foi muito bem representada. O maestro e produtor da turnê Distant Worlds, Arnie Roth, revela a curiosa inspiração da “One-Winged Angel” em “Purple Haze” do Jimi Hendrix. Depois, o documentário viaja para a Suécia, no Stockholm Concert Hall, por ocasião do concerto Final Symphony. Ao som do piano tocado pela Katharina Treutler, o produtor Thomas Boecker fala sobre o First Symphonic Game Music Concert, primeiro concerto de games realizado fora do Japão que teve o Nobuo Uematsu como convidado. Mais adiante, ele comenta como os compositores não esperavam ser tão reconhecidos e viraram celebridades, com fãs pedindo autógrafos. Os arranjadores finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo também aparecem, embora só o segundo fale sobre o Final Symphony. Enquanto isso, trechos do poema do sinfônico de Final Fantasy VI podem ser apreciados.

Episode 6: The end of an era

O advento dos CDs, mostrando mais uma vez a importância da Namco nesse segmento. Aparece o produtor de Tekken, Katsuhiro Harada, e uma série de compositores que trabalham na empresa ou já estiveram lá: Kanako Kakino, Yoshie Takayanagi, Nobuyoshi Sano, Akitaka Tohyama, Taku Inoue, Rio Hamamoto, Keiichi Okabe e Yuu Miyake. Após esse bloco da Namco, Hideo Kojima fala sobre o áudio e as músicas cinematográficas de Metal Gear. O editor principal de áudio, Akihiro Teruda, também conta como é  produzir o design de som dos jogos da série. Nesse trecho, o único compositor entrevistado é o Ludvig Forssell, da Kojima Productions. A meu ver, este episódio não está no mesmo nível dos demais e fugiu um pouco do tema principal do documentário, embora não deixe de ser interessante.

Hidden Levels: Yoko Shimomura & Manami Matsumae

As compositoras relembram como era trabalhar na Capcom. A Manami Matsumae não chegou a aparecer no documentário principal.

Hidden Levels: Shinji Hosoe

Por algum motivo, Shinji Hosoe não é visto nos seis episódios, mas aqui ele discorre sobre a trilha de Ridge Racer. Pela quantidade de jogos na carreira, Hosoe merecia maior destaque.

Hidden Levels: Nobuo Uematsu

Nobuo Uematsu fala sobre as bandas e artistas que o influenciaram, especialmente Elton John.

“Shooting Game Medley” – TwinBee, Fantasy Zone, Gradius, Star Soldier e After Burner (T.Nishino)

Por Alexei Barros

Às vezes pode parecer que publico uma quantidade exagerada de posts relacionados aos jogos da Nintendo ou da Square Enix – ok, não parece, é mesmo. Não tenho nada contra as músicas de outras produtoras, pelo contrário. Eu queria variar mais. Mas a verdade é que performances interessantes que não são de jogos dessas empresas aparecem com frequência muito menor. Como esta aqui, altamente obscura.

Trata-se de uma orquestra de sopro nipônica que nem sequer descobri o nome, apenas o arranjador T.Nishino, que está creditado na legenda do vídeo. Eles fizeram um medley com jogos de navinha e, como não poderia ser diferente, há algumas pérolas aí no meio, mesmo que a execução não seja das melhores (faltou especialmente potência nos metais).

É incrível como todas as músicas selecionadas combinam com orquestra, a começar pelas faixas do TwinBee – a “Game Start” soa de fato como uma fanfarra e é perfeita para abrir a peça. A “1st Stage” também ficou joia com a participação do xilofone, e a “Power-up” foi tocada com toda a velocidade que a original tem direito.

Sem uma transição (as outras passagens também são abruptas) surge a “Opa-Opa!” do Fantasy Zone, empolgando como nunca com sua melodia envolvente – teve até um apito tocado pelo clarinetista. As duas faixas do Gradius são uma pintura, embora não surpreendam por já terem sido arranjadas em outras oportunidades. Em seguida, a “Power-up” do Star Soldier mantém o êxtase… Mas o melhor ficou para o final no trecho que vale o medley, com a imbatível “Final Take Off” do After Burner!

“Shooting Game Medley”
Originais: “Game Start” ~ “1st Stage” ~ “Power-up” (TwinBee) ~ “Opa-opa!” (Fantasy Zone) ~ “1st Stage” ~ “4th Stage” (Gradius) ~ “Power-up” (Star Soldier) ~ “Final Take Off” (After Burner)

Omega Catastrophe: o melhor álbum de fãs com músicas da Sega já lançado

Omega Catastrophe
Por Alexei Barros

Você sabe, há tempos bato na tecla de que as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Com o passar dos tempos, essa tecla ficou amarelada, empoeirada e engordurada. Mesmo completamente imunda, volto a repetir: as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Agora há mais um álbum para mostrar essa discrepância. Omega Catastrophe, que traz algo incomum no meio doujin: músicas da Sega.

Japonês que é japonês costuma ser nintendista. Sem se delongar muito com explicações, como já falei no post anterior sobre o concerto de Phantasy Star, o Sega Mark III (como o Master System ficou lá conhecido) perdeu feio para o Famicom e, na geração seguinte, o Mega Drive acabou ficando atrás até do PC Engine. Ironicamente, o Saturn se deu bem no Japão, mas talvez já fosse tarde demais. Isso sem contar os arcades da Sega sob a liderança magistral do Yu Suzuki, é claro, máquinas de grande sucesso no arquipélago japonês. Não quero dizer que o Japão não gosta da Sega, não é isso, só que, em linhas gerais, a maioria dos álbuns doujin pega músicas da Squaresoft e jogos da Nintendo, ficando atrás somente do fenômeno Touhou Project.

Fora desses padrões temos o Omega Catastrophe, mais um álbum do selo doujin Dangerous Mezashi Cat. Eu já os conhecia desde o CD Megalomania (com músicas do Mega Man), imaginando que fosse uma obra única. Quando fui ver eles já tinham lançado mais de uma dezena de discos. Dos que ouvi, todos são recomendadíssimos pelos arranjos focados na guitarra (com um timbre afiado) que se fazem passar por profissionais, coisa que raramente ou quase nunca acontece com bandas ocidentais. Na minha torpe opinião, evidentemente. Apesar de o trabalho doujin ser quase inexistente nas homenagens à Sega, há boas referências profissionais: S.S.T. Band e [H.]. O que é mais incrível: falando como fã das duas, afirmo sem medo que em alguns momentos os arranjos conseguem suplantar versões que considerava imbatíveis. Sério, seriíssimo. Os arranjos, aliás, são feitos por diferentes nomes desconhecidos neste lado do mundo, e há somente um guitarrista que atende pela alcunha Namihei.

O foco do Omega Catastrophe é de jogos de Mega Drive e não apenas títulos da Sega como veremos a seguir. Só não encare isso como uma obra que procura arranjar os maiores medalhões do 16-bit da Sega porque há algumas ausências fortes, como as séries Sonic, Golden Axe, Streets of Rage, Shining Force e por aí vai.

Depois do Hadouken, minha visita por todas as faixas, algumas de maneira mais sucinta que o normal.
Continue lendo ‘Omega Catastrophe: o melhor álbum de fãs com músicas da Sega já lançado’

“After Burner” – After Burner (Blind Spot The Shibuya Concert)

Por Alexei Barros

Das memórias perdidas do Game Music Festival, como em um sonho, a S.S.T. Band renasceu com o nome Blind Spot. E, como em outro sonho, a banda não parou de fazer apresentações. Mais incrível: há registro em vídeo disso. E em boa qualidade.

Eu gosto mais até da “After Burner Medley” pelo trecho da empolgante “City 202” na guitarra do Koichi Namiki, mas a “After Burner” tem uma significação especial: foi a primeira faixa tocada pela banda e também marcou a despedida anunciada no palco do GMF’93.

É sensacional ver os caras em ação de novo mais de 20 anos depois, mesmo que desfalcados do Takenobu Mitsuyoshi e/ou do Hiroshi Kawaguchi (ambos continuam na Sega). Pelo menos, o substituto no teclado, Shoji Morifuji, mostrou a que veio, emulando o timbre que um dos dois faziam. Só não dá para deixar de reclamar, na verdade, do que não escutei pela mixagem do vídeo: o baixo elétrico do Masato Saitoh. Cadê? Não deu para ouvir.

Antes que surja a dúvida, um esclarecimento: o vídeo não é do anúncio de um DVD, mas apenas serve de divulgação para as vindouras apresentações.

Cegamente agradecido ao Rafael Fernandes, que, quando me passou esse vídeo, devia estar com os olhos marejados, quase ardendo – seja por emoção ou por algum problema na vista mesmo.

Power Drift volta a acelerar em coletânea aleatória

Por Alexei Barros

Qual é a obra máxima de Hiroshi Kawaguchi entre os jogos de corrida? OutRun? Não responderia tão facilmente, porque tem Power Drift no vácuo. Ansiando por um lançamento similar das coleções de Hang-On, After Burner e OutRun em 2008, quando o jogo completou 20 anos de existência, achei que a Sega passou batido pela data para nunca voltar a falar até que me anunciam, sem que exista um motivo especial, a Power Drift Original Soundtrack.

Previsto para chegar dia 27 de abril nas prateleiras com número de catálogo WM-0648, o álbum tem a capa idêntica ao do CD-V Power Drift de 1988, que, por sua vez, foi inspirado na arte do flyer da versão japonesa do arcade. Pela tracklist, nota-se que toda a trilha original está lá, com as faixas devidamente separadas – não aglomeradas como no Power Drift & Mega Drive -G.S.M. Sega 2- –, e com os arranjos da adaptação da série Sega Ages para Sega Saturn, os quais já foram lançados no disco Yu-Suzuki produce Power Drift.

Novidades? Três músicas: a autoexplicativa “Not Use”, muito possivelmente composta na época e descartada; “Side Street”, em versão protótipo; e a “Silent Language 2011 (Special Arrange)”, com arranjo do próprio Hiro – não se sabe ainda se executado pela [H.] ou não.

Infelizmente, o CD não tem a pretensão de cobrir tudo o que já foi feito em relação ao jogo, e inclua aí a “Like the Wind” em versão estúdio da S.S.T. Band, a maravilhosa “Like the Wind” no violino do Scream no Hito e o fabuloso “Power Drift Medley”, em performance ao vivo da S.S.T. Band.

Aproveitando o ensejo, não é muito de minha alçada (por completa ignorância), mas fatalmente interessará aos retrogamers: a Sega também anunciou para o mesmo dia a The Fantasm Soldier Valis ~PC Sound Orchestra~, referente à série de RPGs Valis. Peço que entre no VGMdb para mais informações dado o meu desconhecimento.

Grato ao Fabão que, sem derrapar, me passou a notícia.

[via Game Watch]

Press Start The 5th Anniversary: desfalcado, reverberado e abrupto


Por Alexei Barros

Arranjos exclusivos, fartura de jogos nipônicos, seleções obscuras… são alguns motivos para mostrar tanta admiração pela série de concertos Press Start, que conta com apresentações desde 2006 no Japão. A cada ano lamentava pela inexistência de CDs e DVDs, o que significava que as performances se perderiam no tempo e no espaço, exceto pelas gravações da plateia que surgiram em 2006 e 2007, sendo que de 2008 em diante não passou do terreno da imaginação.

Então o impossível aconteceu: em agosto foi anunciada a compilação comemorativa de aniversário Press Start The 5th Anniversary, à venda em 11 de setembro, dia da realização do Press Start 2010. Apesar de celebrar o quinto aniversário, o álbum mescla seleções de somente duas apresentações: do Press Start 2008, com a Kanagawa Philharmonic Orchestra no Bunkamura Orchard Hall, e do Press Start 2009, com a Tokyo City Philharmonic Orchestra no Tokyo Metropolitan Art Space. Sempre que um produto muito aguardado finalmente é lançado, vem a inevitável pergunta: a espera valeu a pena? Respondo de cara: não. O que leva a outro questionamento: “você ficava elogiando toda hora e agora vem dizer que não é tão bom assim?”. Calma.

À primeira vista chateia a pouca quantidade de faixas para uma coletânea: nove, em um total de 50 minutos – para efeitos de comparação, o Video Games Live: Level 2 e o Play! A Video Game Symphony Live estão entupidos até a boca, com 74 minutos. Ou seja, sobraram 24 minutos de CD. Se fossem segmentos de seis minutos, caberiam mais quatro faixas. Imagino a substância que trariam Out Run, Castlevania, Mega Man 2 e Wild Arms. Isso até daria para relevar.

O principal problema do álbum é a equalização equivocada, que conta com muita reverberação (valeu, 00Agent!), prejudicando a nitidez dos instrumentos, a ponto de parecer que a orquestra está muito mais longe do que verdadeiramente está. Fora isso, não existe a profundidade sonora que torna as performances orquestradas tão especiais. Ainda que gravado ao vivo, é inaceitável para um CD como ambas as apresentações aconteceram em salas de concerto, onde a arquitetura privilegia a acústica. Seria covardia comparar com o Symphonic Fantasies, um exemplo de perfeição entre os concertos de games. Para pegar um caso mais próximo, japonês, cotejo com o Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert ~Hunting Music Festival~, que, inclusive, aconteceu no Tokyo Metropolitan Art Space, o mesmo local do Press Start 2009, e viceja uma qualidade invejável de produção. Mais desanimador é que a reverberação exagerada persiste no Super Mario Bros. 25th Anniversary Special Sound Track Press Start Edition, que ainda farei um post específico.

Segundo, os arranjos não são tão bons quanto deveriam. As transições que reclamo tanto são irregulares em vários números do álbum. Não que sejam ruins, é que o Kazuhiko Toyama e o Nobuyuki Nakamura definitivamente não estão entre os melhores arranjadores do mundo. Falta polimento em muitas passagens e percepção de como encadear as músicas em um medley. Às vezes parece que as faixas e a sequência são pré-definidas por alguém e eles têm que se virar com isso, no momento em que mudanças e cortes poderiam ser feitos para o bem dos arranjos.

Mesmo assim, a track list foge do padrão do que se costuma ouvir nos concertos ocidentais. Importante ressaltar que o disco não representa a totalidade da experiência, como não há nada da Square Enix e da Nintendo. Depois do Hadouken minhas pútridas impressões do álbum que, mesmo com os já mencionados contratempos, tem os seus momentos.

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