Textos categorizados 'Hiroki Kikuta'



Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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Beatles e game music: tudo a ver

Beatles
Por Alexei Barros

Talvez eu seja o único gamer que não estava contando os dias para o lançamento de The Beatles: Rock Band neste cabalístico 09/09/2009. Não só porque sou indiferente para a maioria desses jogos de ritmo ocidentais (japas é outra história), e também porque enfoca uma banda que não sou admirador – revelação que quase me fez ser apedrejado certa vez, como se fosse obrigação gostar, como se fosse a última maravilha musical do mundo.

Desabafos à parte, é evidente que reconheço a popularidade do quarteto e toda a importância na cultura pop que ainda se perpetua na entrada dos anos 2010. Mais incrível, essa influência dos Beatles pode ser percebida nos compositores de jogos, incluindo os que moram bem longe da Grã-Bretanha, no Japão. Não chega a ser uma Yellow Magic Orchestra em termos de preponderância, mas há muitas relações. Diretas e indiretas. Coincidentemente ou não, todos da lista são alguns dos meus favoritos, o que me leva a crer que seja um fã enrustido dos Beatles.

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Symphonic Fantasies: mais quatro seleções do concerto

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Depois de sabermos três faixas para cada uma das quatro suítes de cerca de 17 minutos do Symphonic FantasiesKingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger & Cross e Final Fantasy –, foi anunciado mais um quarteto de músicas, as últimas antes da realização do concerto alemão que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro. As suítes ainda têm outros temas na manga para surpreender quem assistirá às apresentações.

Todas as últimas reveladas se enquadram no caso de músicas que foram negligenciadas ao longo dos anos e finalmente receberão o seu devido valor nos intricados arranjos do finlandês Jonne Valtonen.

- “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsLembre-se: a suíte da série Kingdom Hearts terá ênfase no piano, que será tocado pelo jovem Benyamin Nuss. Sabendo disso, logo vislumbrei a possibilidade de que a “Hand in Hand”, presente no primeiro, na continuação e no Chain of Memories, fosse inclusa, afinal a música ficou soberba no arranjo da Sachiko Miyano e performance do Hiroyuki Nakayama na Piano Collections Kingdom Hearts. Imagino então como ficará orquestrada (talvez com harpa) e com todos os floreios no piano. Parecerá com a versão do Takahito Eguchi, “Hand in Hand -Reprise-”?

- “Prophecy” (Secret of Mana)

Secret of ManaAinda que esta suíte seja de um só jogo, a gama de opções é grande por conta da duração pequena das faixas da trilha. Ainda assim, não esperava pela “Prophecy”, que é tocada em um momento chave, e para evitar spoilers só posso dizer que tem a ver com o dragão Flammie. Pelas características da original, imagino o arranjo enfocando a flauta. Também terá a participação do WDR Radio Choir entoando letras em latim, o que considero uma audácia do arranjo, já que as músicas originais, à primeira vista, não possuem timbres que simulem vozes.

- “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

Chrono CrossSe você falar para alguém que nunca jogou Chrono Cross que a “Prisoners of Fate” é um tema de batalha, talvez ache monótona demais. A questão é que a composição, melancólica e emocionante, casou perfeitamente no combate contra o personagem Miguel. E a luta é travada após um sem-número de alusões (umas sutis, outras descaradas) ao Chrono Trigger. Momento épico. A original, embora seja sintetizada, já possui timbres fiéis às cordas de verdade, e não é difícil vislumbrá-la orquestrada, com maior vivacidade. Não sei se o percussionista Ronny Barrak tocará especificamente no excerto da “Prisoners of Fate”, mas ele terá papel importante na suíte.

- “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

Final Fantasy VITenho carinho especial por FFVI não só porque é o meu preferido da série, como acho o ápice da inspiração musical de Nobuo Uematsu. Apesar de muitos fãs também compartilharem da minha opinião (alguns deles, da Little Jack Orchestra, são aficionados a ponto de organizarem um concerto do jogo), a trajetória de FFVI nos concertos é bem limitada: as duas versões da ópera, “The Dream Oath ‘Maria and Draco’” (Orchestral Game Concert 4) e Opera “Mario and Draco” (debutou no Tour de Japon), “Terra’s Theme” (estreou no 20020220) e “Dancing Mad” (Fourth Symphonic Game Music Concert). Muito pouco. Dentre as muitas opções, eu acreditava na revelação de um tema de personagem, quando, para minha surpresa, surgiu a “The Mystic Forest”, tocada na labiríntica floresta (os cenários palustres são um espetáculo até hoje) que leva ao trem fantasma. Enigmática, sombria… Fantástica.

No site oficial é possível baixar o programa do concerto em PDF. Dia 3 de setembro, na quinta-feira (já na quarta no Brasil), haverá uma nova revelação referente ao Symphonic Fantasies. Se não é mais nenhuma música, o que poderia ser? De acordo com o SEMO, é uma notícia bombástica.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]

Symphonic Fantasies: três das seleções de Secret of Mana

Por Alexei Barros

Das quatro suítes do Symphonic Fantasies – music from Square Enix, a correspondente à série Mana é a única dedicada a apenas um título, Secret of Mana. Será, portanto, o jogo que contará com a maior quantidade de músicas no concerto alemão, sobretudo se levarmos em conta que há diversas faixas de curta duração e que a suíte terá por volta de 17 minutos. É, depois de 16 anos do lançamento, um tributo merecido à trilha sonora que menos orquestrações recebeu dentre as séries homenageadas na apresentação, Kingdom Hearts, Chrono e Final Fantasy.

Assim que ocorreu a confirmação do Secret of Mana no Symphonic Fantasies, tentei quebrar a cabeça para vislumbrar como soariam arranjadas, levando em consideração o estilo do arranjador Jonne Valtonen, da WDR Radio Orchestra e dos solistas. Mas duas informações me deixaram intrigado, conforme revelou o maestro Arnie Roth. Primeiro, a participação do WDR Radio Choir – a primeira do concerto, ou seja, não haverá coral em Kingdom Hearts –, com versos em latim relacionados com a história escritos por Michael Hauser, o mesmo de “X-Out (Main Theme)” (também em latim) e “R-Type (Main Theme)” (em grego) do Symphonic Shades. Como a trilha é sintetizada e não há à primeira vista timbres que simulem um coro, mal consigo imaginar em quais músicas se encaixaria. Talvez nas sombrias. A outra diz respeito à confirmação de uma faixa que comentei abaixo. Seja como for, de acordo com o produtor Thomas Boecker, a suíte ficou fantástica e é um dos arranjos mais espetaculares que já ouviu. Tanto ele como Valtonen ficaram especialmente orgulhosos com o resultado.

Minha maior dúvida é quanto à adaptação dos timbres graves da trilha original que claramente imitam baixo elétrico – não é apenas ênfase, mas há solos em diversas músicas. Já que não é um instrumento convencional em uma orquestra sinfônica como a WDR Radio Orchestra, fica a dúvida, pois não existe, no meu entendimento, um instrumento acústico que tenha o mesmo peso.

Enfim, três das faixas que serão tocadas no concerto:

- “Angel’s Fear”

Secret of ManaApesar de Arnie Roth ter revelado como “Fear of the Heavens”, nome da versão europeia, prefiro manter a nomenclatura japonesa “Angel’s Fear”, que transpassou a série Mana para se tornar uma marca do Hiroki Kikuta – o site pessoal dele chama-se Angel’s Fear. Embora tenha sido orquestrada em duas oportunidades no passado, no Orchestral Game Concert 3 (1993), por Nobuo Kurita, e no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007), pelo próprio Jonne Valtonen, a faixa-título era obrigatória pela representatividade. Minha aposta é que a emotiva música abrirá a suíte.

- “Into the Thick of It”

Secret of ManaSe a intenção de cada suíte é recriar a experiência de jogo, a “Into the Thick of It” não poderia faltar porque é ouvida na área de exploração do mapa, e durante muito tempo. E como havia comentado antes, talvez não se justificaria uma performance apenas dela, mas no meio do medley trará boas recordações – até projeto os solos de flauta. Quem jogou inevitavelmente a reconhecerá e lembrará dos passeios pelas regiões bucólicas.

- “The Oracle”

Secret of ManaEssa é a faixa que havia mencionado na introdução que no jogo ouve-se durante a batalha contra o Dark Licht. É indecifrável, com batidas fortes  da percussão e ruídos bizarros, perturbadora. Não faço a menor ideia de como possa ser orquestrada e ainda assim ficar reconhecível. Indubitavelmente, foi a maior surpresa, e deve ter colocado a criatividade de Valtonen à prova.

Semana que vem é a vez de sabermos três das seleções da série Chrono.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]

“Danger” – Secret of Mana (Kurikinton Fox)

Por Alexei Barros

A quantidade de músicos mascarados do Nico Nico Douga é tanta que até foi criada a Nico Nico Pedia para compilar informações sobre os vídeos dessas bizarras figuras japonesas de talento estratosférico. Várias delas já publiquei aqui.

Mas ainda não havia falado do habilidoso guitarrista Kurikinton Fox. Não é difícil encontrar versões de músicas de games com guitarra. Difícil é achar versões decentes. Mas nas performances dele não.

Como não existem os “The Mana Mages”, as faixas do Secret of Mana não costumam ser arranjadas no estilo hard rock, apesar de algumas penderem para o estilo, a exemplo do fantasticamente melódico tema de combate contra chefes “Danger”.

A composição é tão complexa que em alguns momentos KF precisou tocar duas guitarras ao mesmo tempo. O timbre é poderoso, nem insosso, nem muito pesado. Apenas acredito que o excerto entre 1:54 a 2:00 deveria ter sido feito no baixo elétrico (em outros vídeos ele toca o instrumento) para ficar mais próximo do original.

“Angel’s Fear” – Secret of Mana (syamoday)

Por Alexei Barros

O baixo elétrico (sintetizado) é o instrumento mais preponderante na trilha de Secret of Mana, mas desempenha um papel menor (ainda que importante) na “Angel’s Fear”, o emotivo tema da tela-título que é a música mais difundida do jogo. Ainda assim, o mesmo syamoday da “Meridian Dance” interpretou a faixa inteira em um solo de baixo de seis cordas de maneira fascinante:

“Meridian Dance” – Secret of Mana (syamoday)

Por Alexei Barros

Se pudesse, publicaria aqui mais performances amadoras com baixo elétrico, mas infelizmente são raras as criativas – só tema do Mario não aguento mais. A utilização demasiada do instrumento na trilha de Secret of Mana é um dos motivos para apreciar com tanto fervor as músicas do Hiroki Kikuta. Obviamente, na época do SNES só era possível simular o som de baixo e, ainda assim, percebe-se como Kikuta conseguiu imitar de maneira satisfatória o instrumento.

Poucos foram os que se arriscaram a tocar as faixas do jogo, como a Eminence, com dois violinos, piano, bateria e baixo (que mal se escuta pela captação ruim do vídeo).  O usuário japonês (claro) syamoday não se intimidou e com um indefectível slap reproduziu de maneira espantosa as linhas graves da “Meridian Dance”, tema da batalha final, no baixo de seis cordas. Não se deu por satisfeito. No teclado fez a melodia principal e, sincronizando o vídeo, adicionou outro baixo com pestana extra para os acordes mais complexos. Ainda por cima tirou um sarro disparando hadoukens, tomando suco de laranja e mexendo no telefone celular durante o vídeo – típicas bizarrices nipônicas.

Symphonic Fantasies: a inesperada presença de Hiroki Kikuta

Hiroki Kikuta

Por Alexei Barros

Uma tacada de mestre da produção do Symphonic Fantasies – music from Square Enix: depois que Yoko Shimomura e Yasunori Mitsuda confirmaram suas presenças no concerto germânico que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro, a maioria dos fãs esperava que Nobuo Uematsu fosse o terceiro compositor. Em vez dele, Hiroki Kikuta, autor das trilhas de Secret of Mana e Seiken Densetsu 3. Decepção? De maneira alguma – principalmente porque a aparição de Uematsu em nenhum momento foi descartada. Totalmente imprevisto e fantástico.

Isso porque, até onde eu sei, Kikuta jamais esteve em um concerto de games, nem mesmo numa apresentação japonesa. Em parte porque suas músicas foram orquestradas profissionalmente em poucas ocasiões, apenas “Angel’s Fear” do Secret of Mana no Orchestral Game Concert 3 (1993), “Meridian Child” do Seiken Densetsu 3 no Orchestral Game Concert 5 (1995) e novamente “Angel’s Fear” no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007), aqui com arranjo do Jonne Valtonen, que fez todas as releituras do Symphonic Fantasies. “Será a minha segunda visita à Alemanha. É um sentimento quase surreal voltar depois de dez anos, mas desta vez para ouvir minha música tocada pela WDR Radio Orchestra”, diz Kikuta. “Estou extremamente grato para quem tornou essa maravilhosa oportunidade possível”.

Além disso, Kikuta é um compositor que atualmente estava meio em segundo plano, embora em seu currículo constem os anos de 1991 a 1998 como empregado na Squaresoft. Vinha se dedicado a trilhas de jogos hentai obscuros que os fãs de game music hardcore conheciam justamente porque ainda atentavam para o seu trabalho.

A presença de Kikuta reforça a ideia de que o set list dará ênfase em Secret of Mana, jogo que fez muito sucesso na Alemanha – aliás, não em Seiken Densetsu 3, que só saiu no Japão. Há muitas músicas que seriam soberbas orquestradas pela inventividade das melodias, como “Danger”, “Meridian Dance” e “The Second Truth from the Left”. Ficarei feliz mesmo se apenas uma das três aparecer. A bem da verdade, qualquer outra que vier também, porque a trilha do começo ao fim é genial.

[ATUALIZAÇÃO] Conforme o produtor Thomas Boecker corroborou diretamente com Hiroki Kikuta, o Symphonic Fantasies será o primeiro concerto de game music em que o compositor verá suas músicas tocadas ao vivo, já que Kikuta-san não chegou a ser convidado oficialmente para o Orchestral Game Concert 3 e 5.

[via Symphonic Fantasies]

O incrível e secreto “Reign of the Mana Sword (Mana for Four Pianos)”

Secret of Mana

Por Alexei Barros

Foram poucas as vezes em que falei da trilha de Secret of Mana, e sinto que deveria comentar muito mais das músicas que, para mim, estão entre as mais geniais composições da Square na era 16-bits, e foram as principais responsáveis por sempre listar Hiroki Kikuta entre os meus favoritos.

No que se refere aos álbuns arranjados, apenas um foi lançado, o secret of mana +, que contém somente uma faixa de 49 minutos, “secret of mana +”, que interliga tantas músicas do jogo. Coletâneas no piano? Nenhuma.

Eis que encontro o medley pianístico de 20 minutos do Secret of Mana escondido por aí no maior tesouro de performances amadoras que atende pelo nome Nico Nico Douga – somente o áudio, não há imagens. O autor desta preciosidade na verdade é uma autora, a britânica Bev Wooff, que atende pela alcunha Rexy, e fez o medley em um concurso do site Dwelling of Duels em novembro de 2005, o Mana Month.

A miscelânea passeia por nada menos do que 17 músicas com naturalidade, desenvoltura e energia impressionantes, vislumbrando que quatro pianos tocassem alternada ou simultaneamente. Sim, faltou “Danger” (tema de chefe) e a “The Second Truth from the Left” (tema de encerramento), mas nem dá para contestar.

Os dois pontos altos são as evocações da empolgante “Flight Into the Unknown” (5:45-7:21) e da gloriosa “Meridian Dance” (16:19-17:50), tema da batalha derradeira que é reproduzida de maneira estupenda.

Segue o link para embarcar na viagem por Secret of Mana e as referências da quantidade de piano utilizadas em cada faixa:

“Reign of the Mana Sword (Mana for Four Pianos)

“In the Dead of the Night” (solo) ~ “Angel’s Fear” (solo) ~ “What The Forest Taught Me” (dueto) ~ “Into the Thick of It” (quarteto) ~ “Phantom and a Rose” (quarteto) ~ “Flight Into the Unknown” (quarteto) ~ “A Wish” (solo) ~ “The Wind Never Ceases” (dueto) ~ “Secret of the Arid Sands” (quarteto) ~ “The Dark Star” (dueto) ~ “Still of the Night” (dueto) ~ “Whisper and Mantra” / “Mystic Invasion” (dueto) ~ “Prophecy” (trio) ~ “Leave Time for Love” (quarteto) ~ “One of Them is Hope” (quarteto) “Meridian Dance” (quarteto) ~ “Now Flightless Wings” (quarteto)

[via The Shizz, Dwelling of Duels]

“Meridian Dance” – Secret of Mana (Passion)

Por Alexei Barros

Se há um RPG que me orgulho de ter terminado, este é Secret of Mana, e não faz muito tempo. Uns dois anos. Parte do quinteto mágico de jogos japoneses da Squaresoft lançados nos EUA para SNES – completam Final Fantasy II e III (IV e VI, na verdade), Chrono Trigger e Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars –, me chamou a atenção, entre tantos aspectos, pela trilha sonora de Hiroki Kikuta, um versátil compositor que também dá os pitacos como ilustrador, diretor etc. Já falei sobre ele aqui.

Entre músicas melancólicas e principalmente animadas até dá para esquecer que são reproduzidas de um cartucho. Como aconteceu com os todos os mencionados acima menos SM RPG, Secret of Mana foi representado na série Orchestral Game Concert no ano de 1993 no OGC3, com a faixa da tela-título, “Angel’s Fear”, orquestrada por Nobuo Kurita – escute-a: “Angel’s Fear”. Surpreendentemente, também reapareceu em 2007 no Fifth Game Music Concert.

Ainda melhor é a “Meridian Dance”, tema de combate final. Foi escolhida para encerrar o concerto Passion, apresentado na Austrália e Cingapura em 2006, com um grupo formado pelos principais musicistas da Orquestra Sinfônica Eminence (do A Night in Fantasia): Hiroaki Yura e a Ayako Ishikawa nos violinos, Zane Banks no violão ou baixo, Joshua Hill na bateria e percussão e Natalia Raspopova no piano. Todos talentosos e até virtuoses, como Yura, o fundador da Eminence de apenas 26 anos.

Detalhes:

1) A gravação do Passion chegou a ser lançada em CD em 2007, mas apenas na Austrália e em edição limitada. Por favor, permitam que o mundo conheça o admirável trabalho publicando os discos de maneira abrangente!
2) Inexplicavelmente, a “Meridian Dance” não foi inclusa no disco. Depois disso e das ausências final fantasístas no VGL Greatest Hits Vol.1 desconfio que a querida Square Enix é a empresa mais ranheta em termos de direitos autorais. Se bem que há músicas do Chrono Cross no CD do Passion…
3) Hitoshi Sakimoto e Yasunori Mitsuda compareceram ao evento. E o Yasunori Mitsuda ainda tocou bouzouki.
4) Falando em Sakimoto, foram tocadas três músicas do Final Fantasy XII (já que o Distant Worlds ignora…): “Clan Headquarters”, “Victory Fanfare” e “Penelo’s Theme”. Nenhuma está no CD…  Veja o set list completo aqui.
5) Minha vontade é que eles tocassem o tema de encerramento “The Second Truth From the Left” e ouvir um dos mais empolgantes riffs de baixo sintetizado com um baixo de verdade.


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