Posts Tagged 'Hiroki Kikuta'



Artwork do dia: O quarteto fantástico da Square na floresta de Secret of Mana


Por Alexei Barros

E se os compositores fossem personagens? De cabeça só me lembro que no Tales of Legendia o Go Shiina serviu de inspiração para um pianista que se apresentava em um bar.

Mesmo bem mais famosos que ele, nunca aconteceu algo parecido (que eu saiba) com Nobuo Uematsu, Hiroki Kikuta, Yasunori Mitsuda ou Yoko Shimomoura. Eis que a revista sueca LEVEL fez um artigo sobre o Symphonic Fantasies e trouxe a simpaticíssima artwork acima que transporta o quarteto fantástico para o mundo de Secret of Mana.

O detalhe dos compositores é bem diminuto no ambiente arbóreo, e ainda assim dá para perceber minúcias como Mitsuda com fones de ouvido e tocando violão ou Uematsu (sem bandana) com um copo de cerveja à mesa (ou melhor, árvore cortada usada como mesa).

Dica do Radical Dreamer.

P.S.: A gravura acima é de autoria do sueco jnkboy, que colabora regularmente para a LEVEL e outras publicações, como a EDGE. Entre no perfil dele no deviantART para conferir outros trabalhos.

[via Facebook]

Trilha de Shining Hearts brilha em 15 samples


Por Alexei Barros

Normalmente não me interessaria tanto por alguma trilha recente da série Shining, aquela que muitos consideram que ficou descaracterizada diante do que era na época do Mega Drive especialmente – e quantas franquias não se enquadram nesse perfil, não é mesmo, Sega?

O próximo jogo que será lançado dia 16 de dezembro no Japão para PSP, Shining Hearts, tem como compositor alguém muito inesperado e que eu estimo sobremaneira, Hiroki Kikuta. Lá se vão anos e anos desde Secret of Mana e Seiken Densetsu 3, e nesse tempo o talentoso compositor criou músicas para jogos que os ocidentais nem sonharam em receber, como Koudelka e Soukaigi. Isso para falar dos menos obscuros. Mais recentemente, Kikuta vem voltando ao estrelato. Além do Symphonic Fantasies, participou de dois álbuns da Cave, dodonpachi DAI-OU-JOU [arrange album] e Deathsmiles Arrange Album, um da Taito, Dariusburst Remix Wonder World, e até fará arranjo do fenômeno doujin Touhou no disco Touhou Zerokyo Kitan ~ Sophisticated Insanity.

Mas composição de jogo mesmo, e que tem chance de ser localizado nos EUA não como Shining Hearts. Ainda não foi anunciado o álbum com a trilha completa, mas foi confimado o CD promocional Shining Hearts Kaizoku Hihou Fan Disc, que contém wallpapers e trailers além das músicas.

O que me deixou empolgado mesmo são os quinze samples liberados no site oficial, alguns bem generosos de duração, passando mais de dois minutos. Todas possuem as marcas do compositor que as tornam instantaneamente grudentas. Só faltam aquelas características faixas com melodias alucinantes que dão som às batalhas.

As amostras podem ser baixadas em MP3, mas subi no Goear para sua comodidade. Recomendo com louvor a primeira, pela emotividade, e a segunda, pela inspiração no piano. Sei que o estilo por vezes excêntrico não será de agrado de muitos, porém imagino que quem já tenha uma admiração pelo Kikuta achará promissoras as faixas.

01 – “Shining Hearts”
02 – “Gekko no Miko”
03 – “Umibe no Kaze”
04 – “Kawaita Kaze”
05 – “Hakugin no Kaze”
06 – “Yusen”
07 – “Shori Heno Ketsui”
08 – “Kazehashiru Michi”
09 – “Kiba no Shinobi”
10 – “Shori no Gaika”
11 – “Shiawase no Sanka”
12 – “Kotori no Saezuri”
13 – “Hiso”
14 – “Koigokoro”
15 – “Oinaru Chosen”

 

[via SEMO, VGM Lounge, Shining Hearts]

Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado

Por Alexei Barros

Seis meses de arranjo e orquestração. Catorze dias de ensaios. Para pouco mais de 1 hora e 20 minutos de apresentação. Compensa tanto tempo e labor? Respondo com um decisivo sim (sem esquecer o processo de seleção de faixas, a parte burocrática de licenciamento e a fadiga dos instrumentistas e envolvidos). Vale não apenas pela experiência musical ímpar que se vivencia naquela hora – inesquecível para os 2000 espectadores in loco; memorável para tantos outros mundo afora –, como também porque agora o resultado do processo esmeroso ficou imortalizado em um disco para infindáveis apreciações.

Falo evidentemente do Symphonic Fantasies, concerto em homenagem à Square Enix que foi aclamado em diversas partes do planeta graças à inédita transmissão em streaming de vídeo, a ponto de ser elogiado pelos responsáveis de outras produções, como Tommy Tallarico, do Video Games Live, e Hiroaki Yura, do A Night in Fantasia. A fórmula inovadora delineada pelo produtor Thomas Boecker e idealizada pelo arranjador Jonne Valtonen de coadunar temas das mesmas séries em suítes longas de alto valor artístico se mostrou muito mais acessível do que se poderia imaginar para um público acostumado com arranjos presos aos temas originais, que é o que os concertos de games, em sua imensa maioria, costumam oferecer.

Tudo aconteceu no dia 12 de setembro de 2009, no suntuoso Philharmonic Cologne Hall na cidade de Colônia, Alemanha, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, com aproximadamente 80 integrantes, e do WDR Radio Choir Cologne, formado por 40 coristas, sob a regência de Arnie Roth. Na plateia, estavam Yoko Shimomura, representando a série Kingdom Hearts; Hiroki Kikuta, Secret of Mana; Yasunori Mitsuda, Chrono Trigger e Chrono Cross; e, finalmente, Nobuo Uematsu, a série Final Fantasy.

Depois de rumores esparsos, o disco foi anunciado pelo administrador da WDR Orchestra, Winfried Fechner, em entrevista ao SEMO realizada em março de 2010. A data de lançamento foi veiculada pelo site da Amazon alemã inicialmente para dia 21 de maio com publicação da Sony Classical Germany. Todavia, tratava-se de um equívoco da loja virtual, que alterou a data para 31 de dezembro. Posteriormente ocorreu a revelação oficial para setembro, desta vez com o selo da Decca (Universal Music). Em seguida, o lançamento alemão foi precisado para o dia 24 e, numa decisão rara, adiantado para uma semana antes, 17 de setembro, pouco mais de um ano depois da realização do concerto. Dois dias antes, a Square Enix publicou o álbum no Japão com número de catálogo SQEX-10202.

O conteúdo musical é o mesmo, a diferença é o encarte. A edição germânica possui na capa um estiloso controle-violino de madeira, ao passo que a japonesa possui a imagem da lateral de uma espécie de enciclopédia com os nomes dos compositores em destaque. No livreto há perfis dos principais envolvidos, mas infelizmente a compreensão do texto é limitada aos entendedores dos dois idiomas locais. Um detalhe que poderia ser acrescentado são as letras em latim e tradução das suítes de Secret of Mana e Final Fantasy como foram escritas especialmente para o concerto de acordo com os universos dos respectivos jogos e séries. Cada suíte tem quatro faixas detalhadas (exatamente as anunciadas antes do concerto), e não seria muito pedir que fossem arroladas todas as músicas homenageadas – a ordem é impossível, eu sei, pelo menos a lista completa, ainda que na maioria dos álbuns a informação não seja divulgada oficialmente.

Apesar de planejado para ser executado ao vivo, o conceito do Symphonic Fantasies está muito mais de acordo com um álbum. Explico. Exceção à suíte de Final Fantasy, que segue formato mais simples de medley, ou seja, faixa A + faixa B + faixa C e assim por diante com devidas transições, as outras três suítes são quebra-cabeças, com idas e vindas, variações, sobreposições de melodias e alusões sutis. É impossível absorver tudo de primeira, por isso é um imperativo novas audições. Por que então ouvir o CD se as gravações estão no YouTube e afins?

Primeiro porque é muito mais recompensador possuir uma recordação material de um espetáculo histórico e caprichado como o Symphonic Fantasies, e outro porque a qualidade está ainda melhor, acredite você, como se não bastasse a perfeição da transmissão ao vivo. Editada e mixada no WDR Radio Studios, a gravação passou pelo crivo do arranjador e dos quatro compositores e foi masterizada no Abbey Road Studios. Parece gravado em estúdio pela nitidez de som estonteante, e só se percebe que é ao vivo pelos aplausos no final de cada um dos cinco números e pelos risos ao fundo acompanhado de um “woow!” de um infeliz da plateia quando é tocado o tema dos Chocobos.

Falei cinco números. O sexto, “Encore (Symphonic Fantasies)”, que era um medley convencional de oito minutos com quatro temas de batalha contra chefe, acabou não cabendo no CD e está somente disponível na versão digital. Embora preferisse dois discos para que fosse registrada a experiência do concerto em sua plenitude, não é uma ausência vital. Não deixa de ser uma decisão ousada, visto que a miscelânea acabava com a “One-Winged Angel”, e não é todo dia que sai um álbum de um concerto relacionado com Final Fantasy sem o tema considerado muitas vezes pelos fãs casuais como obrigatório.

Posto isso tudo, revisitei a abertura e as quatro suítes com o perdão da sua paciência porque há muitos detalhes que vieram à tona com a mixagem do CD. Não mencionei novamente as músicas que senti falta ou então comparei com outros arranjos. Seria redundante, sem falar que um ano depois, passo a compreender a ausência de algumas, porque cada segmento possui a própria vibração e complementa o outro no contexto do concerto, em uma escala gradativa. Foi tudo planejado e equilibrado para não enfastiar ou cansar os ouvidos no decorrer das suítes e na récita como um todo.

Depois do Hadouken você também pode conferir no Goear as suítes nas versões do álbum, mas fica o aviso: nada se compara ao CD, que está superior evidentemente. Um concerto com semelhante perfeição de performance suplica para ser apreciado na melhor qualidade possível.

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Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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Beatles e game music: tudo a ver

Beatles
Por Alexei Barros

Talvez eu seja o único jogador que não estava contando os dias para o lançamento de The Beatles: Rock Band neste cabalístico 09/09/2009. Não só porque sou indiferente para a maioria desses jogos de ritmo ocidentais (japas é outra história), e também porque enfoca uma banda que não sou admirador – revelação que quase me fez ser apedrejado certa vez, como se fosse obrigação gostar, como se fosse a última maravilha musical do mundo.

Desabafos à parte, é evidente que reconheço a popularidade do quarteto e toda a importância na cultura pop que ainda se perpetua na entrada dos anos 2010. Mais incrível, essa influência dos Beatles pode ser percebida nos compositores de jogos, incluindo os que moram bem longe da Grã-Bretanha, no Japão. Não chega a ser uma Yellow Magic Orchestra em termos de preponderância, mas há muitas relações. Diretas e indiretas. Coincidentemente ou não, todos da lista são alguns dos meus favoritos, o que me leva a crer que seja um fã enrustido dos Beatles.

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Symphonic Fantasies: mais quatro seleções do concerto

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Depois de sabermos três faixas para cada uma das quatro suítes de cerca de 17 minutos do Symphonic FantasiesKingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger & Cross e Final Fantasy –, foi anunciado mais um quarteto de músicas, as últimas antes da realização do concerto alemão que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro. As suítes ainda têm outros temas na manga para surpreender quem assistirá às apresentações.

Todas as últimas reveladas se enquadram no caso de músicas que foram negligenciadas ao longo dos anos e finalmente receberão o seu devido valor nos intricados arranjos do finlandês Jonne Valtonen.

“Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsLembre-se: a suíte da série Kingdom Hearts terá ênfase no piano, que será tocado pelo jovem Benyamin Nuss. Sabendo disso, logo vislumbrei a possibilidade de que a “Hand in Hand”, presente no primeiro, na continuação e no Chain of Memories, fosse inclusa, afinal a música ficou soberba no arranjo da Sachiko Miyano e performance do Hiroyuki Nakayama na Piano Collections Kingdom Hearts. Imagino então como ficará orquestrada (talvez com harpa) e com todos os floreios no piano. Parecerá com a versão do Takahito Eguchi, “Hand in Hand -Reprise-“?

“Prophecy” (Secret of Mana)

Secret of ManaAinda que esta suíte seja de um só jogo, a gama de opções é grande por conta da duração pequena das faixas da trilha. Ainda assim, não esperava pela “Prophecy”, que é tocada em um momento chave, e para evitar spoilers só posso dizer que tem a ver com o dragão Flammie. Pelas características da original, imagino o arranjo enfocando a flauta. Também terá a participação do WDR Radio Choir entoando letras em latim, o que considero uma audácia do arranjo, já que as músicas originais, à primeira vista, não possuem timbres que simulem vozes.

“Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

Chrono CrossSe você falar para alguém que nunca jogou Chrono Cross que a “Prisoners of Fate” é um tema de batalha, talvez ache monótona demais. A questão é que a composição, melancólica e emocionante, casou perfeitamente no combate contra o personagem Miguel. E a luta é travada após um sem-número de alusões (umas sutis, outras descaradas) ao Chrono Trigger. Momento épico. A original, embora seja sintetizada, já possui timbres fiéis às cordas de verdade, e não é difícil vislumbrá-la orquestrada, com maior vivacidade. Não sei se o percussionista Ronny Barrak tocará especificamente no excerto da “Prisoners of Fate”, mas ele terá papel importante na suíte.

“The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

Final Fantasy VITenho carinho especial por FFVI não só porque é o meu preferido da série, como acho o ápice da inspiração musical de Nobuo Uematsu. Apesar de muitos fãs também compartilharem da minha opinião (alguns deles, da Little Jack Orchestra, são aficionados a ponto de organizarem um concerto do jogo), a trajetória de FFVI nos concertos é bem limitada: as duas versões da ópera, “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” (Orchestral Game Concert 4) e Opera “Mario and Draco” (debutou no Tour de Japon), “Terra’s Theme” (estreou no 20020220) e “Dancing Mad” (Fourth Symphonic Game Music Concert). Muito pouco. Dentre as muitas opções, eu acreditava na revelação de um tema de personagem, quando, para minha surpresa, surgiu a “The Mystic Forest”, tocada na labiríntica floresta (os cenários palustres são um espetáculo até hoje) que leva ao trem fantasma. Enigmática, sombria… Fantástica.

No site oficial é possível baixar o programa do concerto em PDF. Dia 3 de setembro, na quinta-feira (já na quarta no Brasil), haverá uma nova revelação referente ao Symphonic Fantasies. Se não é mais nenhuma música, o que poderia ser? De acordo com o SEMO, é uma notícia bombástica.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]

Symphonic Fantasies: três das seleções de Secret of Mana

Por Alexei Barros

Das quatro suítes do Symphonic Fantasies – music from Square Enix, a correspondente à série Mana é a única dedicada a apenas um título, Secret of Mana. Será, portanto, o jogo que contará com a maior quantidade de músicas no concerto alemão, sobretudo se levarmos em conta que há diversas faixas de curta duração e que a suíte terá por volta de 17 minutos. É, depois de 16 anos do lançamento, um tributo merecido à trilha sonora que menos orquestrações recebeu dentre as séries homenageadas na apresentação, Kingdom Hearts, Chrono e Final Fantasy.

Assim que ocorreu a confirmação do Secret of Mana no Symphonic Fantasies, tentei quebrar a cabeça para vislumbrar como soariam arranjadas, levando em consideração o estilo do arranjador Jonne Valtonen, da WDR Radio Orchestra e dos solistas. Mas duas informações me deixaram intrigado, conforme revelou o maestro Arnie Roth. Primeiro, a participação do WDR Radio Choir – a primeira do concerto, ou seja, não haverá coral em Kingdom Hearts –, com versos em latim relacionados com a história escritos por Michael Hauser, o mesmo de “X-Out (Main Theme)” (também em latim) e “R-Type (Main Theme)” (em grego) do Symphonic Shades. Como a trilha é sintetizada e não há à primeira vista timbres que simulem um coro, mal consigo imaginar em quais músicas se encaixaria. Talvez nas sombrias. A outra diz respeito à confirmação de uma faixa que comentei abaixo. Seja como for, de acordo com o produtor Thomas Boecker, a suíte ficou fantástica e é um dos arranjos mais espetaculares que já ouviu. Tanto ele como Valtonen ficaram especialmente orgulhosos com o resultado.

Minha maior dúvida é quanto à adaptação dos timbres graves da trilha original que claramente imitam baixo elétrico – não é apenas ênfase, mas há solos em diversas músicas. Já que não é um instrumento convencional em uma orquestra sinfônica como a WDR Radio Orchestra, fica a dúvida, pois não existe, no meu entendimento, um instrumento acústico que tenha o mesmo peso.

Enfim, três das faixas que serão tocadas no concerto:

“Angel’s Fear”

Secret of ManaApesar de Arnie Roth ter revelado como “Fear of the Heavens”, nome da versão europeia, prefiro manter a nomenclatura japonesa “Angel’s Fear”, que transpassou a série Mana para se tornar uma marca do Hiroki Kikuta – o site pessoal dele chama-se Angel’s Fear. Embora tenha sido orquestrada em duas oportunidades no passado, no Orchestral Game Concert 3 (1993), por Nobuo Kurita, e no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007), pelo próprio Jonne Valtonen, a faixa-título era obrigatória pela representatividade. Minha aposta é que a emotiva música abrirá a suíte.

“Into the Thick of It”

Secret of ManaSe a intenção de cada suíte é recriar a experiência de jogo, a “Into the Thick of It” não poderia faltar porque é ouvida na área de exploração do mapa, e durante muito tempo. E como havia comentado antes, talvez não se justificaria uma performance apenas dela, mas no meio do medley trará boas recordações – até projeto os solos de flauta. Quem jogou inevitavelmente a reconhecerá e lembrará dos passeios pelas regiões bucólicas.

“The Oracle”

Secret of ManaEssa é a faixa que havia mencionado na introdução que no jogo ouve-se durante a batalha contra o Dark Licht. É indecifrável, com batidas fortes  da percussão e ruídos bizarros, perturbadora. Não faço a menor ideia de como possa ser orquestrada e ainda assim ficar reconhecível. Indubitavelmente, foi a maior surpresa, e deve ter colocado a criatividade de Valtonen à prova.

Semana que vem é a vez de sabermos três das seleções da série Chrono.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]


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