Posts Tagged 'Hayato Matsuo'

Diggin’ in the Carts: um fascinante documentário sobre game music japonesa


Por Alexei Barros

Documentários de game music em vídeo não aparecem todos os dias. Focados em game music japonesa então… Por conta da barreira de idioma, são quase inexistentes – uma exceção é o especial francês do Game One que publiquei anos atrás.

Por isso, uma superprodução como a Diggin’ in the Carts da Red Bull Music Academy deve ser aplaudida. Como muitos sabem e demorei séculos para comentar aqui, o documentário é dividido em seis episódios que falam sobre a evolução da game music nipônica, com declarações de compositores, artistas e produtores.

Hally, especialista de game music, e Rolling Uchizawa, ex-editor da Famitsu (que também aparecia no documentário da Game One), são os principais responsáveis pela excelente contextualização dos assuntos abordados, afinal eles viveram tudo aquilo de perto.

Fiquei pasmado com a quantidade de compositores expoentes que a reportagem conseguiu entrevistar: Nobuo Uematsu, Yuzo Koshiro, Hitoshi Sakimoto, Hiroshi Kawaguchi, Yoko Shimomura, Hirokazu Tanaka, Junko Ozawa…

O único problema é que quando isso acontece fica um gostinho de quero mais, já que não aparecem nomes importantes como Koji Kondo, Koichi Sugiyama, Yasunori Mitsuda, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare, Akira Yamaoka, Michiko Naruke, Takenobu Mitsuyoshi, Kenji Ito, Motoaki Furukawa, Hisayoshi Ogura, Masashi Hamauzu, Michiru Yamane, Miki Higashino, Hiroki Kikuta, Norihiko Hibino, Ayako Saso, Daisuke Ishiwatari, Shoji Meguro, Manabu Namiki… É meio impossível falar com todo mundo. Talvez com mais uns 34 episódios…

Ainda assim, fiquei bastante surpreso com as aparições de Akio Dobashi (Lagrange Point) e Masashi Kageyama (Gimmick!), que são extremamente obscuros no Ocidente e só os conhecia de nome. E nunca esperava ver o Hayato Matsuo em vídeo.

Fora isso, pode ser implicância minha, mas algumas falas dos artistas ocidentais não acrescentaram muita coisa e parecem meio deslocadas. Pelo menos alguns deles falaram algo útil e, no geral, foram influenciados pelo trabalho dos mestres japoneses. Não compromete, é claro. Outro ponto que deve ser elogiado é a direção de fotografia: simplesmente exuberante.

Para quem não viu ou já assistiu e quer rever, publico os seis episódios do Diggin’ in the Carts com breves comentários sobre cada parte, além dos episódios extras. Caso queira ver pelos links abaixo, não se esqueça de ativar as legendas do YouTube (tem em português), clicando no botão correspondente em cada janela.

[ATUALIZAÇÃO] Coincidentemente, a Folha de S. Paulo traz hoje (01/01/2015) uma ótima reportagem falando sobre o Diggin’ in the Carts. A parte mais interessante do artigo são as declarações do produtor do documentário, o neozelandês Nick Dwyer. Entre outras coisas, ele diz que o único compositor que queria incluir no vídeo e não conseguiu é o Koji Kondo, porém, por problemas de direitos autorais, a Nintendo não autorizou a participação do músico. Ou seja, ele não pode ser entrevistado em um vídeo jornalístico, mas tudo bem acompanhar no piano uma música do Imagine Dragons no The Game Awards 2014? Qual o sentido disso? E apenas uma chatice de minha parte: o único equívoco do texto foi falar que o NES foi lançado em 1983. Na verdade, o correspondente japonês do NES, o Famicom, é que saiu nesse ano. O NES chegou às lojas em 1985.

Episode 1: The rise of VGM

Primórdios da game music com Space Invaders e Rally X. Em uma raríssima entrevista, a compositora Junko Ozawa fala sobre seu trabalho em The Tower of Druaga e as limitações da época. Hiroshi Okubo, chefe da equipe de som da Bandai Namco, também ajuda a demonstrar como o áudio era rudimentar nos arcades antigos. Mais adiante, o mestre Hirokazu Tanaka relembra suas influências de reggae e como era trabalhar na Nintendo nos anos 80. Primoroso.

Episode 2: The outer reaches of 8-bit

A importância da Konami para a game music por jogos como Castlevania e Contra e pelo uso dos chips de canais adicionais de som, como o VRC6. Uma pena que os compositores que trabalharam na empresa ficaram no anonimato. Em compensação, o músico Akio Dobashi, que não é originário dos games, aparece  para dizer como foi diferente para ele compor a trilha do RPG Lagrange Point. Depois, o produtor Nobuhiro Yoshikawa, que lança trilhas de game music retrô pelo selo Clarice Disc (até onde eu sei, ele não é compositor, como diz o vídeo), lembra a importância musical da Sunsoft durante a era Famicom. Masashi Kageyama, autor da trilha de Gimmick!, faz uma inacreditável participação para rememorar os seus tempos de compositor – atualmente ele não trabalha mais com música.

Episode 3: The dawn of a new era

O advento da era 16-bit, com a surpreendente aparição de Hayaso Matsuo, que, embora hoje seja mais conhecido como um arranjador e orquestrador, relembra sua história como compositor de jogos antigos. Ele mesmo dá o gancho para o documentário abordar a carreira do Hitoshi Sakimoto. Para fechar de maneira magistral, a Yoko Shimomura é escalada para falar sobre a histórica trilha sonora de Street Fighter II. A explicação para a inspiração do tema do Blanka é sensacional.

Episode 4: The cool kid

A importância do Mega Drive na história da game music. O genial Hiroshi Kawaguchi faz uma essencial participação, comentando como foi criar as trilhas de Hang-On e OutRun. Ainda falando da Sega, os artistas se derretem pela nostalgia das trilhas do Sonic. Pena que não há declarações do compositor Masato Nakamura. No final, o mago do som Yuzo Koshiro fala sobre as restrições da época e as trilhas de The Revenge of Shinobi e especialmente Streets of Rage.

Episode 5: The Role of Role Play

Episódio dedicado totalmente ao Nobuo Uematsu e sua participação na série Final Fantasy. A parte de concertos de game music foi muito bem representada. O maestro e produtor da turnê Distant Worlds, Arnie Roth, revela a curiosa inspiração da “One-Winged Angel” em “Purple Haze” do Jimi Hendrix. Depois, o documentário viaja para a Suécia, no Stockholm Concert Hall, por ocasião do concerto Final Symphony. Ao som do piano tocado pela Katharina Treutler, o produtor Thomas Boecker fala sobre o First Symphonic Game Music Concert, primeiro concerto de games realizado fora do Japão que teve o Nobuo Uematsu como convidado. Mais adiante, ele comenta como os compositores não esperavam ser tão reconhecidos e viraram celebridades, com fãs pedindo autógrafos. Os arranjadores finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo também aparecem, embora só o segundo fale sobre o Final Symphony. Enquanto isso, trechos do poema do sinfônico de Final Fantasy VI podem ser apreciados.

Episode 6: The end of an era

O advento dos CDs, mostrando mais uma vez a importância da Namco nesse segmento. Aparece o produtor de Tekken, Katsuhiro Harada, e uma série de compositores que trabalham na empresa ou já estiveram lá: Kanako Kakino, Yoshie Takayanagi, Nobuyoshi Sano, Akitaka Tohyama, Taku Inoue, Rio Hamamoto, Keiichi Okabe e Yuu Miyake. Após esse bloco da Namco, Hideo Kojima fala sobre o áudio e as músicas cinematográficas de Metal Gear. O editor principal de áudio, Akihiro Teruda, também conta como é  produzir o design de som dos jogos da série. Nesse trecho, o único compositor entrevistado é o Ludvig Forssell, da Kojima Productions. A meu ver, este episódio não está no mesmo nível dos demais e fugiu um pouco do tema principal do documentário, embora não deixe de ser interessante.

Hidden Levels: Yoko Shimomura & Manami Matsumae

As compositoras relembram como era trabalhar na Capcom. A Manami Matsumae não chegou a aparecer no documentário principal.

Hidden Levels: Shinji Hosoe

Por algum motivo, Shinji Hosoe não é visto nos seis episódios, mas aqui ele discorre sobre a trilha de Ridge Racer. Pela quantidade de jogos na carreira, Hosoe merecia maior destaque.

Hidden Levels: Nobuo Uematsu

Nobuo Uematsu fala sobre as bandas e artistas que o influenciaram, especialmente Elton John.

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Pikmin e Zelda despontam em concerto alemão de música erudita

Por Alexei Barros

Sempre chama a atenção quando um espetáculo sem relação com jogos inclui game music, e é na Alemanha que isso vem acontecendo com recorrência. O mais novo capítulo dessa fusão é o concerto 3-2-1 Ignition, que trará duas reprises do Symphonic Legends: Pikmin, no arranjo do Hayato Matsuo, e parte do poema sinfônico de Zelda preparado por Jonne Valtonen. Para dar uma noção da variedade do programa, também será tocada a Sinfonia n.º 9 de Beethoven. A apresentação está agendada para o dia 31 de maio e terá a performance da Düsseldorfer Symphoniker, conceituada orquestra alemã, no Tonhalle Düsseldorf, uma das melhores anfiteatros de toda a Europa.

Vale lembrar que as partituras são as já conhecidas da récita em tributo à Nintendo ocorrido em Colônia ano passado. O LEGENDS, versão expandida e revisada do Symphonic Legends, que acontecerá 1º de junho de 2011, com estes e outros arranjos repaginados com as idas de Masashi Hamauzu e David Wise à Suécia.

[via Junge Tonhalle]

Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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A Night in Fantasia 2009: eminente só no mundo da fantasia


Por Alexei Barros

Parece até um milagre hoje em dia: o lançamento da gravação de um concerto com arranjos inéditos e exclusivos em meio ao oceano de restrições de direitos autorais que aterrorizam as apresentações de game music, a maioria com versões recicladas. Mas minha empolgação é contida. Serei franco: ainda que o currículo da Eminence seja respeitável, eles ainda têm muito o que aprender com a produção, organização e divulgação, áreas que resistem em permanecer com um pé no amadorismo. Por exemplo, o que aconteceu com Valkyria Chronicles e Diablo III no set list e o Hitoshi Sakimoto na plateia, que chegaram a ser anunciados no site oficial?

Vou além. Mesmo a performance, sempre exaltada, não é tão exímia quanto deveria. Isso me leva a questionar as autopropagandas e o hype exagerado  no site oficial, Facebook e Twitter – na maioria das vezes dispensáveis, como aqui –, e os elogios exacerbados do grande séquito de fanboys espalhados pelo mundo. Eu me incluía no grupo de admiradores (ainda me mantenho, com ressalvas) mais extasiado pelas exclusividades do set list (Final Fantasy XII e The Legend of Zelda: Twilight Princess especialmente) do que pela primazia ou arrojo da execução, muito porque os registros são escassos.

O CD duplo do A Night in Fantasia 2009, que foi oficialmente anunciado para sair no dia 8 de janeiro de 2010, atrasou um pouco, nada digno de nota. Uns dois meses. Quem comprou por pré-venda no site da Eminence recebeu o álbum no final de março e início de abril. Considerando que a apresentação ocorreu dia 26 de setembro de 2009, seis meses é um tempo habitual que separa o concerto do lançamento do CD, então por que anunciar a data de maneira tão precoce? Além disso, em um primeiro momento a gravação seria feita em estúdio, não ao vivo – felizmente a qualidade de áudio é elogiável, com alguns aplausos mais efusivos no final de determinadas performances.

Como fiz na ocasião do concerto, quando comentei sobre as músicas de uma gravação amadora, falarei sobre cada faixa do disco 1 intitulado “Symphonic selection from Video Games” – seleção porque Command and Conquer: Red Alert 3, Darksiders, God of War II, Dragon Age: Origins e Metal Gear Solid 2 / 3 não entraram no CD. O disco 2 traz os segmentos de animes que tomei a liberdade de passar batido. É uma mistura interessante de quatro seleções de jogos japoneses e duas de ocidentais, sendo que estas nunca foram lembradas em outra oportunidade.

Pelo título do post, alguns podem pensar que o CD é um desastre. Claro que não é assim. Tem pontos positivos e negativos. É bom, mas não é tão eminente como comento depois do Hadouken.

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As músicas perdidas da série Final Fantasy


Por Alexei Barros

Como em qualquer produção, invariavelmente muita coisa acaba ficando de fora da versão final de um jogo. Isso inclui as músicas. Enquanto modelos de inimigos, diálogos e cenários são jogados na lata de lixo virtual (ou, em alguns casos, aparecem nos extras como no God of War), as composições são aproveitadas para o lançamento do álbum da trilha sonora original ou em um disco promocional.

Em vez de falar de todos os casos de faixas inutilizadas (de cabeça me lembro de ActRaiser, Ys, Chrono Trigger, Suikoden III, Phoenix Wright: Ace Attorney e Shadow of the Colossus), o que soaria pretensioso e correria o sério risco de esquecer de ocorrências importantes, me focarei na série Final Fantasy.

Quando contabilizei o total de músicas do Nobuo Uematsu em decorrência do Symphonic Fantasies, me deparei com tais circunstâncias que são até hoje pouco comentadas. Por não terem sido inclusas no jogo, provavelmente jamais serão arranjadas e cairão no esquecimento.

São de cinco episódios: Final Fantasy II, IV, V, IX e XII. Os três primeiros que citei são o maior motivo de lastimação (especialmente do FFIV e V), porque são daquela época que, não me canso de dizer, de máxima inspiração do Uematsu. Não saberia dizer o motivo para isso ter acontecido no FFII, V e IX, mas é sabido que a produção do FFIV foi um pouco tumultuada, já que originalmente seria lançado para Famicom – como de fato aconteceu com o quarto capítulo da então série concorrente Dragon Quest –, e muito do roteiro original foi descartado na versão do SNES. O FFXII foi uma das produções mais conturbadas dada a saída misteriosa (problemas de saúde?) de Yasumi Matsuno pouco antes de terminar o jogo.

A título de curiosidade, as músicas perdidas do FFII foram lançadas no All Sounds of Final Fantasy I • II e do FFXII na própria Final Fantasy XII Original Soundtrack. As do FFIV não saíram na respectiva OST, mas no Final Fantasy IV Minimum Album, e as do FFV no Final Fantasy V Mambo de Chocobo. Tanto as canceladas do FFIV  como do V também saíram no hediondo F. F. MIX. Por fim, o Final Fantasy IX Original Soundtrack PLUS inclui faixas que estão no jogo e não foram inclusas na OST e músicas ausentes em ambos.

Depois do Hadouken, os breves comentários e lamentações.

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“Moving Sacred Mountain ~ March for the Hero” – Monster Hunter (Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert)

Por Alexei Barros

O órgão de tubo (seja o timbre sintetizado ou o próprio) é amplamente utilizado em músicas de games, mas pouco usado em concertos. Foram raras as vezes em que isso aconteceu, como no Fourth e Fifth Symphonic Game Music Concert e Symphonic Fantasies, entre outros. Isso ocorre por razões óbvias de logística, já que o próprio anfiteatro deve comportar o instrumento.

O Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert, que aconteceu no Tokyo Metropolitan Art Space, foi uma dessas ocasiões. O quarto segmento abre com o som sombrio do orgão – o detalhe das mãos da organista são exibidos no telão –, abrindo o espaço para a orquestra conferir o clima militar pontuado pela caixa de bateria em “Moving Sacred Mountain”. Por essa característica nota-se que o arranjo é de Hayato Matsuo. Porém, um pouco nesta, mas sobretudo na “March for the Hero” fica a sensação de que um coral poderia ser implementado – não se o concerto fosse nesse local, uma vez que não haveria espaço no palco, totalmente ocupado pela Tokyo Philharmonic Orchestra –, dados os timbres de vozes da original. Ainda assim, a performance é soberbamente executada e magnificamente registrada no DVD:

“Moving Sacred Mountain” ~ “March for the Hero”

A Night in Fantasia 2009: o regresso eminente

Por Alexei Barros

Depois da ausência em 2008, ano ocupado pela gravação das trilhas de Diablo III, Soulcalibur IV, Valkyria Chronicles e do álbum Echoes of War, a série de concertos australiana A Night in Fantasia retornou neste ano em Sidnei, no Sydney Entertainment Centre no sábado passado, dia 26 de setembro. A despeito de algumas informações desencontradas (Diablo III, Valkyria Chronicles, o anime de The Tower of Druga e a presença de Hitoshi Sakimoto nem se confirmaram como anunciado de início), aparentemente a récita foi caprichada, mesmo porque foi realizada em um único espetáculo.

Do total de 20 executadas, 13 serão lançadas no CD A Night in Fantasia 2009 no dia 12 de dezembro. Muito melhor do que fazer várias apresentações na Austrália e restringir a eminência sinfônica para o público local. Como disse antes, o set list possui mais jogos ocidentais e, muito possivelmente para evitar problemas de direitos autorais, não há músicas de títulos da Nintendo e Square Enix – os direitos autorais da trilha de Chrono Cross são do próprio Yasunori Mitsuda.

Em relação àquela lista de convidados comentada no post anterior do A Night in Fantasia 2009, nada muito sério a acrescentar, senão pela ausência de Steve Jablonsky (Gears of War 2), que não pode comparecer e deixou uma mensagem em vídeo. De resto, Yasunori Mitsuda (Chrono Cross), Masaru Shiina (THE iDOLM@STER), Inon Zur (Dragon Age: Origins e Prince of Persia), Cris Velasco (God of War II), Wataru Hokoyama (Afrika) e Kow Otani (Shadow of the Colossus) estavam lá.

Como os relatos australianos costumam ter o péssimo hábito de não citar nominalmente as faixas tocadas, diferentemente dos blogs e sites japoneses, poderia encerrar por aqui se não fosse por uma gravação da plateia que encontrei de quatro músicas, algumas das que estava mais curioso para ouvir – faltou God of War II, Ace Combat V e Soulcalibur. Não é perfeito, mas audível e permite ter uma ideia dos arranjos – alguns que poderão ser futuramente apreciados no CD em todo o esplendor.

“Radical Dreamers” (Chrono Cross)
Original: “Radical Dreamers”

Chrono CrossParece até que foi combinado. A faixa selecionada é exatamente uma que não apareceu no antológico “Fantasy III (Chrono Trigger & Cross)” do Symphonic Fantasies, o que demonstra a fartura de músicas de Chrono Cross. Isso que ainda há tantas outras não aproveitadas. A singela canção dos créditos, originalmente apenas voz (da cantora Noriko Mitose) e violão, já havia sido traduzida para violino, violoncelo e piano no evento Destiny Reunion da própria Eminence, e adquiriu maiores proporções no opulento arranjo de Hayato Matsuo. Mais interessante, ele usou o mesmo recurso do Jonne Valtonen ao verter as partes do violão para a harpa. Aos poucos, o tema é repetido e variado, com forte utilização de metais graves e flautas, explodindo até o apogeu, e encerrando de maneira comedida na harpa. Meu veredicto definitivo só poderá ser dado na versão do CD.

“Shadow of the Colossus”

Shadow of the ColossusVerdade seja dita: o A Night in Fantasia é o concerto que mais rende homenagem à trilha do Shadow of the Colossus, não por menos o spalla Hiroaki Yura é amigo pessoal do compositor Kow Otani. Em todos as apresentações feitas pelo mundo, os segmentos reproduziam uma original ou emendavam várias músicas. Esse é o primeiro arranjo de fato, ou seja, uma interpretação alternativa, não literal, do Shadow. Uma ambiciosa suíte com dez minutos de duração, com Otani ao piano.

De início, me causou aflição por saber da participação da cantora Aika Tsuneoka, a mesma do Echoes of War, por não existir nenhum solo de vocal na trilha inteira. O pessimismo me acometeu quando a primeira intervenção dela me lembrou a “Children of the Worldstone”, mas felizmente aqui não parece que ela está cantando direto da garganta como no Echoes of War. O coral também atua, conferindo um clima sagrado.

Contudo, meu reconhecimento de faixas falhou, e só consegui identificar lembranças de “The Sunlith Earth” (3:00), “Prologue to the Ancient Land” (6:30), e acredito até que existam trechos originais, por isso também nem me arrisquei a detalhar por completo. Outra que precisa ser conferida no CD.

“Tonari ni…” (THE iDOLM@STER)
Original: “Tonari ni…”

Chiaki TakahashiTocar uma canção J-pop de um jogo de karaokê lançado apenas no Japão e para Xbox 360 é o que chamo de uma escolha audaciosa. Como a maioria das composições do Masaru Shiina, a “Tonari ni…”, que está registrada no álbum THE iDOLM@STER Master Artist 07 Azusa Miura, é pontuada por metais jazzísticos e baixo elétrico – que desapareceram na versão de Kazuhiko Sawaguchi. As palmas, o contracanto e outros elementos também foram suprimidos. Apesar da participação da cantora original Chiaki Takahashi e do coral, parece até outra canção. Ficou menos pop e mais erudito. Prefiro a original.

“Metal Gear Solid 2 / 3 Theme” (Metal Gear Solid 2 e 3)
Originais: “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version” ~ “Metal Gear Solid Main Theme” ~ “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version”

Metal Gear Solid 3: Snake EaterEsse arranjo não é novo, é o mesmo apresentado no A Night in Fantasia 2007: Symphonic Games Edition que alterna entre os temas principais do Metal Gear Solid 2 e 3. Inclusive havia publicado antes. Só não sabia que era da Natsumi Kameoka. Foi executado no encerramento, com Hiroaki Yura de bandana e tudo. A participação da bateria, reproduzindo as batidas sintetizadas das originais, é a melhor parte, sem esquecer do emocionante solo de violão no final.

Set list, agora com a ordem da apresentação:

Ato I

01 – Command and Conquer: Red Alert 3*
Composição: James Hannigan
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

02 – Laputa, Castle in the Sky
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

03 – My Neighbour Totoro
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

04 – Princess Mononoke
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

05 – Darksiders*
Composição e arranjo: Cris Velasco

06 – God of War II*
Composição e arranjo: Cris Velasco

07 – Soulcalibur
Composição: Junichi Nakatsuru
Arranjo: Shiro Hamaguchi

08 – Astro Boy
Composição: Tatsuo Takai
Arranjo: Shiro Hamaguchi

09 – Melancholy of Haruhi Suzumiya*
Composição: Satoru Kousaki
Arranjo: Shiro Hamaguchi

10 – Tsubasa Chronicles
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

11 – Ace Combat V: The Unsung War
Composição: Keiki Kobayashi
Arranjo: Wataru Hokoyama

Ato II

12 – Death Note
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

13 – Afrika
Composição, arranjo e regência: Wataru Hokoyama

14 – Chrono Cross
Composição: Yasunori Mitsuda
Arranjo: Hayato Matsuo

15 – Dragon Age: Origins*
Composição e arranjo: Inon Zur
Vocal: Aubrey Ashburn

16 – Prince of Persia
Composição e arranjo: Inon Zur

17 – Shadow of the Colossus
Composição, arranjo e piano: Kow Otani
Vocal: Aika Tsuneoka

18 – THE iDOLM@STER*
Composição: Masaru Shiina
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi
Vocal: Chiaki Takahashi

19 – Gears of War 2
Composição: Steve Jablonsky
Arranjo: Wataru Hokoyama

Bis

20 – Metal Gear Solid 2 / Metal Gear Solid 3*
Composição: Tappy Iwase e Harry Gregson-Williams
Arranjo: Natsumi Kameoka

* Não estarão registrados no CD.

A Night in Fantasia 2009

[via PALGN]


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