Posts Tagged 'Final Fantasy X'



Entrevista com Thomas Boecker, produtor de concertos de games na Alemanha (parte 2 de 2)

e03afec4b50d36e9e2d69091107993cfPor Alexei Barros

Enfim chegou o dia! Hoje acontece o lançamento digital mundial do Final Symphony no iTunes. O álbum contém 94 minutos de música de Final Fantasy VI, VII e X gravadas no Abbey Road Studios com performance da London Symphony Orchestra e arranjos de Jonne Valtonen, Roger Wanamo e Masashi Hamauzu.

Surpreendentemente, a track list possui algumas novidades em relação ao set list da primeira apresentação feita na Alemanha em 2013. Essas e outras questões foram esclarecidas pelo produtor Thomas Boecker na segunda parte da entrevista para o Hadouken, que também traz mais curiosidades e discute a viabilidade de outros concertos (incluindo até um espetáculo com músicas do Yuzo Koshiro!).

Track list:

01 Fantasy Overture (Circle within a Circle within a Circle)
02 Final Fantasy VI (Symphonic Poem: Born with the Gift of Magic)
03 Final Fantasy X (Piano Concerto)
04 Encore: Final Fantasy X (Suteki Da Ne)
05 Final Fantasy VII (Symphony in Three Movements)
06 Encore: Final Fantasy VII (Continue?)
07 Encore: Final Fantasy Series (Fight, Fight, Fight!)
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Final Symphony: concerto será gravado no Abbey Road Studios com a London Symphony Orchestra

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Por Alexei Barros

Chegou o momento: o espetáculo Final Symphony finalmente vai ganhar um álbum, previsto para o início de 2015. Com extensas suítes de Final Fantasy VI, VII e X arranjadas, respectivamente, por Roger Wanamo, Jonne Valtonen e Masashi Hamauzu, o concerto estreou lá em maio de 2013 na Alemanha e já havia passado pela Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Japão. Até então apreciá-lo com a qualidade que a apresentação merece era um privilégio só para quem viu ao vivo nas respectivas casas de espetáculos desses países (a não ser pelo fantástico vídeo da “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)” gravado em Estocolmo).

Diferentemente dos CDs do Symphonic Shades, Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys, que foram registrados ao vivo, a gravação será feita em estúdio, mas não em qualquer estúdio: no renomado Abbey Road Studios em Londres (a mixagem e a masterização também), com a supervisão de Nobuo Uematsu, compositor original da maioria das músicas da série que foram arranjadas para esse espetáculo (as demais foram assinadas pelo Masashi Hamauzu). Cada local contou com a participação de uma orquestra diferente, mas a escolhida para a performance foi a London Symphony Orchestra, que evidentemente tocou na apresentação do Final Symphony em Londres, no que foi o primeiro concerto de games dessa afamada orquestra.

O maestro Eckehard Stier, que conduziu a maioria das apresentações do Final Symphony, regerá a gravação e quem tocará piano é a Katharina Treutler – ela foi a solista nos concertos na Dinamarca, Suécia e Japão. A distribuição será feita pela X5 Music Group, que recentemente fez o lançamento digital do Symphonic Fantasies Tokyo. “O álbum vai mostrar a game music em sua qualidade mais alta e eu mal posso esperar para compartilhá-lo com o mundo”, afirma o produtor Thomas Boecker.

O anúncio foi feito hoje na rádio britânica Classic FM, a maior rádio de música erudita do planeta, que reservou um especial na sua programação com as melhores composições de game music de 2014 (acompanhei parte da transmissão e achei bem interessante). O melhor é que antes do lançamento do Final Symphony, a Classic FM vai transmitir com exclusividade um trecho do álbum.

[via Spielemusikkonzerte]

Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration: uma celebração aquém das tradições da série

Por Alexei Barros

O que faço comentando um Blu-ray que saiu há mais de um ano? Eu não deveria me importar tanto com a data de lançamento dos álbuns de game music, até porque as trilhas são atemporais. Mas o principal motivo é que a turnê Distant Worlds recentemente adicionou novos números no programa e quando fui ver os posts antigos percebi que passei batido por algumas novidades do ano passado. Então senti que devia reparar essa lacuna.

Lançado em junho de 2013, o Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration registra o espetáculo comemorativo de 25 anos da série da Square Enix realizado no Japão com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Real Singers of Tokyo sob a regência de Arnie Roth. Algumas partituras novas que estrearam no Final Fantasy Orchestral Album foram gravadas oficialmente em vídeo pela primeira vez, como “The Dreadful Fight” (FFIV), “The Mystic Forest” (FFVI) e “The Dalmasca Estersand” (FFXII) – segmentos que, se me dissessem que foram tocados uns anos atrás, eu acharia uma mentira. Fora isso, o concerto é carente de novidades mais relevantes, mas, ainda assim, há dois medleys mais ou menos inéditos. Mesmo que eles não sejam tão bons quanto deveriam, eles reservam algumas curiosidades interessantes.

10. “Chocobo Medley 2012”
Originais: “Choc-a-bye Baby” (Final Fantasy XI) ~ “Mambo de Chocobo!” (Final Fantasy V) ~ “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII)
Composição: Naoshi Mizuta, Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

A versão anterior do medley dos chocobos, “Chocobo Medley 2010”, combinava a “Bo-down” (FFXIV) e a “Brass de Chocobo” (FFX), que, por sua vez, era um segmento próprio de nome “Swing de Chobo” tocado desde o More Friends. A nova edição foi totalmente reformulada, agora com três faixas relacionadas às aves da série. A primeira delas, do FFXI, não traz a icônica melodia dos chocobos e, na realidade, é uma música cortada do jogo, embora tenha sido lançada no Final Fantasy XI Original Soundtrack Premium Box (ela está no sexto disco, que contém 18 faixas não aproveitadas). É a segunda vez que uma composição excluída foi orquestrada, já que a “Battle Scene 3” (FFII) foi arranjada no Symphonic Odysseys. Se isso virar uma tendência, espero que não se esqueçam das faixas excluídas do FFIV e FFV.

Mas voltando aos chocobos… A  “Choc-a-bye Baby” é tocada em toda a sua singeleza, imitando com fidelidade os timbres da composição do Naoshi Mizuta. Essa delicadeza vai embora com a animação da “Mambo de Chocobo!” (FFV), em uma performance lúdica do coral que imita os urros da sintetizada. Com os coristas soletrando “chocobo”, é feita a transição para a fantástica “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII), que considero a melhor versão do tema dos chocobos e enfim encontrou seu lugar no Distant Worlds.

18. “Battle & Victory Theme Medley”
Originais: “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) ~ “Seymour Battle” (Final Fantasy X) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Fanfare” (Final Fantasy)
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Por mais que seja atraente a ideia de juntar três temas de batalha e mais a fanfarra da vitória, esse segmento parece feito no improviso, meio amador, meio aleatório. As transições não ficaram nada boas, e não tenho dúvidas que um arranjador do nível de um Shiro Hamaguchi faria algo muito melhor, isso se a ideia fosse apresentar um arranjo similar às originais. A “Clash on the Big Bridge” já aparecia em um segmento próprio e a “Those Who Fight” foi arranjada em releituras superiores (no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys). A única novidade é a “Seymour Battle” (FFX), que havia participado uns anos atrás de uma enquete feita com o público para decidir qual música devesse ser arranjada. O trecho desse tema ficou decente, com boa participação da bateria e dos metais. Não sei se ela merecia um número só para ela, mas talvez o potencial da faixa não foi completamente explorado no meio das outras duas.

Ah, a apresentação está inteirinha no YouTube. Ou pelo menos enquanto a Square Enix não solicitar a retirada do vídeo.

Final Symphony ganha novas apresentações na Dinamarca, Suécia e Japão


Por Alexei Barros

Depois das apresentações na Inglaterra e Alemanha (em dois horários) em maio de 2013, o concerto Final Symphony agora vai passar pela Dinamarca, Suécia e Japão neste ano. O espetáculo tem o repertório baseado em três episódios da série Final Fantasy: VI, VII e X. Para cada jogo, há uma extensa e trabalhada peça musical de longa duração.

No Japão, a performance será da Tokyo Philharmonic Orchestra no Tokyo Bunka Kaika no dia 4 de maio, em dois horários diferentes. Além de participar de uma grande variedade de trilhas e concertos, essa orquestra foi a mesma que tocou o Symphonic Fantasies Tokyo, o primeiro concerto realizado pelo produtor Thomas Boecker no Japão, isso lá em 2012. Se a produção está voltando para lá, é porque os japoneses, mestres na arte dos concertos de game music, gostaram do que ouviram.

A próxima apresentação se dará na Dinamarca no dia 9 de maio, com a Aarhus Symphony Orchestra no Musikhuset Aarhus. Essa visita ao país escandinavo já havia sido anunciada em novembro do ano passado, mas aproveito a ocasião para mencioná-la.

Por fim, a Suécia – país frequentemente agraciado com concertos de games – terá a sua apresentação em 18 de junho, no tradicional Konserthuset Stockholm. Como não poderia deixar de ser, quem vai tocar as músicas é a competentíssima Royal Stockholm Philharmonic Orchestra, já conhecida de outros espetáculos, como o LEGENDS.

No Japão e na Dinamarca, a regência será do maestro Eckehard Stier, que, na Suécia, passará a batuta para o regente Andreas Hanson. Outra novidade é que o piano terá a performance da Katharina Treutler, pianista que vai substituir o Benyamin Nuss, que tocou nas apresentações em 2013.

Torço para que alguma dessas reprises seja gravada e lançada em CD – no site oficial, a imagem de um álbum coberto por um véu vermelho com três pontos de interrogação, mostrando que alguma coisa está nos planos.

Para informações mais detalhadas do repertório do Final Symphony, não deixe de ver ou rever o report in loco escrito pelo Luiz “Radical Dreamer” Macedo do espetáculo na Alemanha.

[via Square Enix, aarhussymfoni.dkkonserthuset.se]

Press Start 2013: do início ao fim, só no vale a pena ouvir de novo


Por Alexei Barros

Apenas para deixar registrado e não se fala mais nisso: dia 30 de agosto o Tokyo Metropolitan Art Space sediou a realização do Press Start 2013, oitava edição da série japonesa de concertos. Como já adiantado nos posts anteriores, neste ano a equipe organizadora decidiu fazer algo não muito empolgante: dedicar o set list todo às reprises. Para quem não esteve lá ao vivo, realmente não é nada animador. Sob a batuta de Taizo Takemoto, a Tokyo Philharmonic Orchestra tocou as dez faixas mais votadas do público em ordem crescente e mais quatro segmentos adicionais. Tinha a expectativa de que pelo menos os dois números do bis fossem inéditos, mas também foram desanimadores repetecos.

Para não ficar muito repetitivo, o post vai ser menor do que o dos anos anteriores. Apenas algumas poucas observações após o set list.

Ato I

01. Super Mario Bros.: “Overworld” ~ “Underwater” ~ “Underworld” ~ “Overworld” (2009)
02. [10º] Kirby’s Dream Land: “Title” ~ “Green Greens” ~ “Float Islands” ~ “Sweet Potato Shooting” ~ “King Dedede’s Theme” ~ “Ending” (2009)
03. [9º] Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight” (2011)
04. [8º] Okami: “The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~ (2009 e 2011)
05. [7º] Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~” (2012)
06. [6º] Baten Kaitos: “To the End of the Journey of Glittering Stars” (2008)
07. [5º] Mother Medley: “Eight Melodies” (Mother) ~ “Eight Melodies” (EarthBound) ~ “Snowman” (Mother) ~ “LOG-O-TYPE” ~ “Porky’s Theme” ~ “MOTHER 3 ‘Love Theme” (Mother 3) (2006)

Ato II

08. [4º] Wild Arms: “Wild Arms 2nd Ignition” Medley (Intro) ~ “Battle vs Lord Blazer” (Wild Arms 2) ~ “Into the Wilderness” (Wild Arms) ~ “First Ignition” (Wild Arms 2) (2008 e 2010)
09. Rhythm Heaven: “Ninja” (2009 e 2010)
10. [3º] NieR: “Shadowlord” ~ “Emil” ~ “Kainé” ~ “Song of the Ancients” (2011)
11. [2º] Chrono Trigger e Chrono Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger) ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) (2010)
12. [1º] Xenoblade Chronicles: “Xenoblade” ~ “Gaur Plains” ~ “Mechanical Rhythm” ~ “Riki the Legendary Hero” ~ “Sator, Phosphorescent Land / Night” ~ “Those Who Bear Their Name” ~ “Confrontation with the Enemy” (2011)

Bis

13. Final Fantasy X: “At Zanarkand” (2009 e 2010)
14. Monster Hunter: “Proof of a Hero” (2006 e 2008)

– Tirando o Super Mario Bros., que abriu o concerto, o segmento interativo do Rhythm Heaven, “At Zanarkand” e “Proof of a Hero”, o programa segue a ordem dos números favoritos do público japonês como detalhei acima. Fiquei um pouco surpreso por Xenoblade Chronicles na liderança, porque o jogo é recente e os japoneses costumam ser nostálgicos nessas votações. Fora isso, o Yasunori Mitsuda aparece duas vezes na lista, com Chrono em segundo e Xenogears em nono, assim como a Yoko Shimomura com Legend of Mana e Xenoblade Chronicles (este com outros compositores).

– De última hora, a sueca Sofi Persson não pôde comparecer para cantar a “Song of Mana ~Opening Theme~” do Legend of Mana, como ela fez no Press Start 2012. Em vez de improvisar com outra artista, a performance foi instrumental, só com a orquestra.

– De resto, foram todas aquelas participações especiais já previstas: Hide-Hide (Okami), Emi Evans (NieR), Manami Kiyota e ACE (Xenoblade Chronicles), Akihiro Hayakawa (Wild Arms), além do Haruo Kubota (violão) e Vagabond Suzuki (contrabaixo).

– Diferentemente dos anos anteriores, parece que não houve bate-papos com os compositores originais. Pelas fotos, não vi ninguém de diferente.

– Espero que a apresentação tenha servido para gravarem um CD, já que o último, Press Start the 5th Anniversary,  foi lançado lá em 2010. E, por favor, que no próximo ano compensem essa avalanche de repetecos só com novidades.

[via Famitsu]

Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X

Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc. Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também.

Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades. Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, como o Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu.

A novidade é que o Luiz escreveu um report para compartilhar no Hadouken! Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.

Ato I
01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. Kessen”

Ato II
04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI” Continue lendo ‘Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X’

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1” (Final Fantasy II) ~ “Battle 2” (Final Fantasy III) ~ “Fight 2” (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1” (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1” do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2” do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2” (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1”, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.


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