Posts Tagged 'Final Fantasy VIII'



Press Start 2015: o começo do fim

menu_logoPor Alexei Barros

Mais ou menos nesta época do ano começo a ficar na expectativa por novidades da edição anual do Press Start. Mas preciso me acostumar com a ideia de que isso acontecerá pela última vez. Sim, o Press Start vai acabar. De maneira impressionante, o espetáculo se manteve na ativa durante nove anos, mas a récita de 2015 será a décima e derradeira.

O Press Start 2015 acontecerá em duas apresentações no dia 8 de agosto, com a orquestra e o anfiteatros mais recorrentes durante todo esse tempo: a Kanagawa Philharmonic Orchestra, que tocou em 2008, 2010, 2011 e 2014 no Tokyo Metropolitan Art Space, que sediou o espetáculo em 2009, 2010, 2013 e 2014.

Com esse clima de despedida, os organizadores não parecem ter se esforçado muito para introduzir novidades bombásticas. O set list é baseado em grandes hits dos anos passados e, sem esconder o jogo, todos os segmentos aparentemente foram revelados.

– Super Mario Bros.

ps2015_marioCusto a acreditar que aquele mesmo segmento do Orchestral Game Concert já executado em 2009 e 2013 no próprio Press Start vai aparecer de novo. Apesar dessa repetição, devo ressaltar que a série de concertos foi a que se manteve mais atualizada em relação a novos jogos do Mario, com segmentos de New Super Mario Bros. Wii e Super Mario Galaxy 2, embora tenha faltado o Super Mario 3D Land.

– Ore no Shikabane o Koete Yuke

ps2015_oreshikaOre no Shikabane wo Koete Yuke é um RPG obscuríssimo lançado apenas no Japão para PlayStation em 1999 e para PSP em 2011. Esse jogo já teve seu segmento no Press Start 2009, com a participação da cantora Lioko Kihara. A reprise deve ter sido motivada pelo lançamento da continuação, Oreshika: Tainted Bloodlines, que saiu em 2015, inclusive também no Ocidente, apesar do predecessor não ter vindo para este lado do mundo.

– Xenoblade Chronicles

ps2015_xenobladeExecutado em 2011 e 2013, o segmento do RPG para Wii até teve uma excelente apresentação própria. Ainda fico me perguntando como vou jogar esse jogo dada a dificuldade para conseguir uma cópia. E lamento que nenhum concerto tocará tão cedo alguma música do sucessor Xenoblade Chronicles X para Wii U, com a trilha de Hiroyuki Sawano – inclusive ainda devo um post sobre isso.

– Mother

ps2015_motherO RPG para Famicom criado por Shigesato Itoi já apareceu no Press Start 2010 e 2013 em um medley com as belas músicas compostas por Keiichi Suzuki e Hirokazu Tanaka. Os japoneses realmente parecem gostar muito do jogo e da trilha, o que não parece ser motivação suficiente para Itoi cogitar fazer um novo título da série.

– The Legend of Zelda

ps2015_zeldaNão está muito claro exatamente qual segmento de Zelda será tocado neste ano, já que a série apareceu em diferentes números ao longo dos anos. A julgar pela imagem do jogo para NES no site, deve ser um arranjo dos mais mastigados com o icônico tema principal assinado por Koji Kondo. Uma pena que com o fim do Press Start, diminuem as chances de aparecer tão cedo um segmento do próximo e aguardadíssimo jogo para Wii U.

– Rhythm Heaven

ps2015_rhythmO público realmente parece gostar desse segmento interativo do jogo de ritmo para Nintendo DS à la Video Games Live já tocado em 2009, 2010 e 2013. Tanto que o jogo seguinte da série, Rhythm Heaven Fever (Wii, 2012) passou batido e o vindouro Rhythm Tengoku: The Best Plus (3DS, 2015) provavelmente teria o mesmo caminho.

– Classical Music Medley

ps2015_classicTrata-se de uma miscelânea com músicas eruditas utilizadas em jogos. Apareceu no Press Start 2011 e sua gravação em áudio chegou a ser disponibilizada para apreciação no site oficial. Mas negligentemente eu não ripei na ocasião e a tiraram do ar. Não era algo fora de série, levando em conta que essas músicas são executadas pelas melhores orquestras do mundo e as transições não eram elaboradas, mas é um registro que se perdeu.

– Final Fantasy VIII

ps2015_ff8Outra novidade… Ou perto disso. Desde a primeira edição, o Press Start sempre teve um segmento da série, mas sempre eram reprises, até que em 2011 o concerto tocou um medley inédito de FFIV. Em 2012, o segmento do FFXI também foi novo. FFVIII nunca tinha aparecido antes no Press Start, e o texto cita as músicas “Eyes On Me” e a “The Man With the Machine Gun”. Apesar de as duas faixas já terem sido arranjadas – a primeira inclusive ganhou uma versão orquestrada no Final Fantasy Orchestral Album -, não existe um único número que inclua as duas, o que me leva a acreditar que se trata de um arranjo novo.

– Legend of Mana

ps2015_seikenA aparição do RPG do PlayStation no Press Start 2012 me surpreendeu na ocasião porque é de uma série deixada de lado pela Square Enix. Resta saber se o medley terá a fantástica “Song of Mana” cantada como na estreia ou instrumental, como na reprise em 2013.

– Chrono Trigger e Cross

ps2015_chronoFalando em Square Enix e em séries escanteadas… Provavelmente, o concerto tocará o mesmo medley executado no Press Start 2010 e 2013. A série também apareceu no Press Start 2008, mas em uma seleção de faixas diferente. Bacana, mas depois do que foi feito no Symphonic Fantasies é difícil que outro arranjo consiga chamar a atenção. Precisa ser muito inusitado, como este medley da Brass Exceed Tokyo.

– Shadow of the Colossus

ps2015_wandaPor incrível que pareça, a trilha magnânima de Kow Otani teve uma aparição única na série, sendo lembrada apenas no Press Start 2007 em um medley bem simples com a  “Revived Power ~ Battle With the Colossus” e a “Grotesque Figures ~ Battle With the Colossus~”. Aproveito a ocasião para soltar um desabafo: ando cansado de ler e ouvi dizer que “jogo X foi inspirado por Shadow of the Colossus” ou “jogo Y tem influências de ICO”. Queria algo direto da fonte, do Fumito Ueda. Puxa vida, Shadow of the Colossus vai comemorar dez anos em 2015. Será que é muito sonhar com The Last Guardian para esta E3 2015 ou é mais fácil eu acreditar no anúncio de um novo console da Sega?

[via PRESS START]

Anúncios

Final Symphony II ganha miniturnê no Japão com a London Symphony Orchestra

Final Symphony II_JapanPor Alexei Barros

Não é a novidade que as produções da Merregnon Studios vêm invadindo o Japão, como as apresentações do Symphonic Fantasies (2012) e Final Symphony (2014) em Tóquio. Com o anúncio do Final Symphony II, concerto com músicas dos episódios V, VIII, IX e XIII de Final Fantasy, seria de esperar que esse espetáculo também aparecesse no Japão. Mas não da forma como vai acontecer.

No total, serão três apresentações do Final Symphony II na Terra do Sol Nascente: uma no Festival Hall em Osaka no dia 27 de setembro e duas no Minato Mirai Hall em Yokohama em 4 de outubro. A novidade é que, em vez de usar orquestras locais, esse trio de concertos terá a performance da renomada London Symphony Orchestra, que também vai executar essa récita em Londres, dia 12 de setembro. Nunca um concerto de games japonês teve a performance de uma orquestra ocidental, e os espetáculos no Japão serão promovidos pela KAJIMOTO, uma das maiores empresas nipônicas na área de gerência de música erudita.

Faltou comentar por aqui também que a première do Final Symphony II acontecerá no dia 29 de agosto no Beethovenhalle em Bonn, Alemanha, com a atuação da Beethoven Orchestra. Todas as apresentações terão a regência do maestro Eckehard Stier; o pianista Slava Sidorenko tocará em Londres e nas demais Mischa Cheung, do grupo instrumental Spark, será o pianista. Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu também estarão presentes em todas essas ocasiões, com exceção da première mundial, que só contará com Hamauzu.

Com tantas apresentações assim, fico na expectativa se alguma delas vai originar algum CD ou se o álbum do concerto será gravado em estúdio como o primeiro Final Symphony. Mesmo após o anúncio do sucessor, esse concerto não foi esquecido e ganhará uma nova apresentação no Concertgebouw em Amsterdã, com a Netherlands Philharmonic Orchestra no dia 7 de maio de 2016.

[via Spielemusikkonzerte]

Final Symphony II anunciado com músicas de Final Fantasy V, VIII, IX e XIII

finalsymphony21Por Alexei Barros

Por esta eu realmente não esperava: Final Symphony II. Enquanto ainda estamos absorvendo o banquete musical do álbum do Final Symphony, já foi anunciado seu sucessor para o dia 12 de setembro de 2015, com a produção de Thomas Boecker e arranjos de Jonne Valtonen, Roger Wanamo e Masashi Hamauzu. O encarte do Symphonic Legends em Londres havia sugerido uma nova apresentação de game music e ontem foi prometido que aconteceria o anúncio. Mas, de novo, essa revelação me pegou de surpresa.

Enquanto o predecessor homenageava as músicas de Final Fantasy VI, VII e X, desta vez os capítulos escolhidos para terem as faixas arranjadas são quatro: FFV, VIII, IX e XIII. Há um imenso terreno a ser explorado por Valtonen e Wanamo, já que, com exceção do FFV, os demais jogos ainda não tinham aparecido no Symphonic Fantasies ou Symphonic Odysseys.

Embora tenha ficado triste com o esquecimento do FFIV, a trilha do FFV me empolga sobremaneira por ter sido feita em um período de grande inspiração do Nobuo Uematsu e que foi lembrada raras vezes nos concertos da série. Também estou na expectativa por FFXIII, já que a trilha original do Masashi Hamauzu está, a meu ver, entre as melhores da série. Inclusive o próprio compositor será o responsável pelo arranjo. Como o primeiro Final Symphony em Londres, o concerto terá performance da London Symphony Orchestra e regência do maestro Eckehard Stier. É interessante notar que, como antes, não haverá coral. A novidade será o ucraniano Slava Sidorenko no piano, substituindo a Katharina Treutler.

Aos interessados, os ingressos estarão à venda a partir do dia 20 de março. Antes do concerto, Nobuo Uematsu vai responder questões do público em um bate-papo que exige ingressos à parte do espetáculo e que também estarão à venda na mesma data.

[via Spielemusikkonzerte]

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco'” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1” (Final Fantasy II) ~ “Battle 2” (Final Fantasy III) ~ “Fight 2” (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1” (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1” do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2” do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2” (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1”, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.

Novos samples do Octave Theory – ouça a “Liberi Fatali”


Por Alexei Barros

Poucos dias depois de liberar as primeiras amostras do Octave Theory, álbum de estreia da Earthbound Papas, sucessora espiritual do The Black Mages, o site oficial da banda foi atualizado com uma nova leva de samples, completando a track list de nove faixas.

A música que mais aguardava enfim pode ser contemplada em quase 50 segundos: “Liberi Fatali”, talvez a única unanimidade do Final Fantasy VIII. Não há orquestra como na original e o coral foi reduzido, aparentemente, a um representante de cada naipe de voz. Mesmo assim, as guitarras pesadas casaram perfeitamente com a levada intensa do tema que ilustra a batalha entre Squall e Seifer.

Lembra que havia ressaltado a “One-Winged Angel” não estar nomeada “Advent One-Winged Angel”, visto que é o arranjo para o Final Fantasy VII: Advent Children? Corrigiram e esse é o nome que estará no CD. Fico na dúvida se a gravação para o Octave Theory terá a companhia da orquestra como na Final Fantasy VII: Advent Children Original Soundtrack. A amostra cobre somente a parte que era toda da banda, daí não dá para saber. Mas o solo de guitarra ficou diferente.

As duas restantes são composições novas: “The Forest of a Thousand Years” e “Homecoming” (Silent Hill?). A primeira, emotiva, acredite se quiser me lembrou a “The Journey Begins” do Phantasy Star III na adaptação da S.S.T. Band. A outra tem um clima psicodélico, um tipo de som que não se ouviu nos anos de existência dos Black Mages.

Tire as suas próprias conclusões baixando os samples em WMA nos links abaixo:

01 Introduction ~ Octopus Theory
02 Liberi Fatali (from FINAL FANTASY VIII)
03 Advent One-Winged Angel (from FINAL FANTASY VII Advent Children)
04 Thread of Fate (from GUINSAGA)
05 Metal Hypnotized
06 Eternity (from BLUE DRAGON)
07 The Forest of a Thousand Years
08 Bo-Kon-Ho-Ko (from LOST ODYSSEY)
09 Homecoming

[via Earthbound Papas Official Site]

Octave Theory, o álbum de estreia da Earthbound Papas


Por Alexei Barros

A debandada do The Black Mages serviu para uma boa coisa: permitir que alguns dos remanescentes, os que tinham tempo à disposição, formassem a legítima sucessora Earthbound Papas. Além de preservar três integrantes – Nobuo Uematsu (órgão), Michio Okamiya (guitarra) e Arata Hanyuda (bateria) –, a banda debuta com um CD que registra um dos maiores hits do falecido grupo, “Advent One-Winged Angel”, atualização hard rock da “One-Winged Angel”.

Agendado para o dia 16 de março de 2011, o álbum intitulado Octave Theory (número de catálogo DERP-10015, com publicação da Dog Ear Records) traz nove faixas. Quatro são originais, sendo que há, para somar ao tema do Sephiroth do Final Fantasy VII: Advent Children que constava na respectiva OST, arranjos de outros trabalhos do Uematsu que não foram contemplados nos tempos de Black Mages: a “Eternity” (Blue Dragon), originalmente cantada pelo Ian Gillan, vocalista do Deep Purple, a poliglota (em japonês e latim) “Howl of the Departed” (Lost Odyssey), que foi renomeada “Bo-Kon-Ho-Ko”, “Thread of Fate” (do anime Guin Saga), e, finalmente com guitarras pesadas, “Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII).

A canção que mais ambicionava escutar não tem sample ainda, mas outras cinco podem ser conferidas em cerca de 40 segundos cada, conforme os links disponíveis na track list abaixo. Duas observações: considerando que a versão da “One-Winged Angel” foi rebatizada para “Advent One-Winged Angel”, não entendo por que o nome original foi mantido no se o site oficial diz que a faixa é do Advent Children. E “Eternity”, desta vez, será entoada em japonês por um cantor a descobrir.

Pelas amostras, constata-se que a sonoridade da Earthbound Papas permanece quase inalterada em relação à predecessora espiritual.

Track list (clique nos links disponíveis para baixar os samples em WMA):

01 Introduction ~ Octopus Theory
02 Liberi Fatali (from FINAL FANTASY VIII)
03 One Winged Angel (from FINAL FANTASY VII Advent Children)
04 Thread of Fate (from GUINSAGA)
05 Metal Hypnotized
06 Eternity (from BLUE DRAGON)
07 The Forest of a Thousand Years
08 Bo-Kon-Ho-Ko (from LOST ODYSSEY)
09 Homecoming

[via Nobuooo, Earthbound Papas Official Site]

Benyamin Nuss Plays Uematsu: quando o prodígio encontra o mestre


Por Alexei Barros

É raro um pianista atuar simultaneamente em orquestras e bandas de jazz. Ainda por cima tão jovem. Quanto mais gamer! Benyamin Nuss é tudo isso com somente 21 anos de idade e logo em seu álbum de estreia homenageia um dos mais afamados compositores de jogos com a missão ambiciosa de introduzir game music aos apreciadores de música erudita.

Filho do trombonista Ludwig Nuss e irmão do pianista Hubert Nuss, ambos compositores e jazzistas internacionalmente conhecidos, Benyamin iniciou o aprendizado de piano com seis anos de idade, e a partir de então iniciou uma trajetória de sucesso sendo agraciado com diversos prêmios, ao mesmo tempo em que buscava se inspirar na técnica e interpretação de pianistas clássicos, como Sviatoslav Richter e Vladimir Horowitz, e na capacidade de improvisação de pianistas jazzísticos, como Chick Corea e Herbie Hancock.

Até aí pouca relação com jogos eletrônicos na música, ainda que tivesse crescido jogando videogames. Foi então que o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, conversou com ele sobre o concerto Symphonic Shades, e Benyamin compartilhou a admiração por game music. Dias depois recebeu uma ligação para gravar a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, na versão que acabou registrada no CD por se aproximar do intento original do compositor Chris Huelsbeck. Tratava-se de uma interpretação mais incisiva que a versão suave da “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” tocada pelo Jari Salmela na apresentação.

Mais famoso entre os fãs de game music Benyamin ficou no sucessor Symphonic Fantasies em 2009, desta vez participando do espetáculo ao vivo, na suíte de 15 minutos “Fantasy I: Kingdom Hearts”, em que o piano ganhou um destaque especial no arranjo de Jonne Valtonen. Em 2010, no Symphonic Legends, demonstrou incrível entrosamento com o violinista Juraj Cizmarovic na “Donkey Kong Country (Aquatic Ambiance)” arranjada por Masashi Hamauzu, e também tocou no bis “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”.

A notoriedade na Alemanha também em breve se estenderá ao Japão. Em 30 de outubro o pianista participará do evento Shinzo Kukaigi 5 e nos dias 6 e 7 de novembro do Distant Worlds music from Final Fantasy Returning Home, todos a acontecer em Tóquio, também para promover o lançamento japonês do disco, que se dará dia 27 de outubro. Isso que de setembro a novembro Benyamin Nuss excursiona por diversas cidades da Alemanha e Luxemburgo com performances do álbum de debute.

Publicado pela renomada Deutsche Grammophon (Universal Music), o disco Benyamin Nuss plays Uematsu foi produzido por Thilo Berg, baterista alemão, líder de big bands e administrador do pianista, com consultoria de Thomas Boecker, produtor executivo dos concertos Shades, Fantasies e Legends. São 15 faixas no total, gravadas nos dias 1, 2 e 4 de maio de 2010 no SWR Studio na cidade de Kaiserslautern. A seleção visitou Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, e contou com arranjadores de renome na game music e fora dela.

Shiro Hamaguchi é o arranjador da Piano Collections Final Fantasy VII, Piano Collections Final Fantasy VIII e Piano Collections Final Fantasy IX, e ficou encarregado de Lost Odyssey. Jonne Valtonen, autor do supramencionado arranjo de Turrican 3, de Blue Dragon. E Final Fantasy foi divido entre os menos versados em game music: Bill Dobbins, jazzista americano que dirigiu a WDR Big Band de 1994 a 2002, Torsten Rasch, alemão modernista que arranjou a ousada “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Symphonic Legends, e o russo Alexander Rosenblatt, compositor de piano. Para completar, Benyamin Nuss escreveu uma faixa em homenagem a Nobuo Uematsu e vice-versa. O encarte do álbum merece ser elogiado. Traz um breve comentário de Uematsu de cada uma das 15 faixas em japonês, alemão e inglês. Serviço completo.

Uma pena que o “Rad Racer Medley” de 10 minutos e meio de duração não coube no CD, que possui 68 minutos, e está disponível exclusivamente em formato digital na iTunes. Como é um jogo de corrida, proporcionaria variedade à supremacia de RPGs. O sample é promissor, ainda mais sabendo que o medley é arranjado por Francesco Tristano Schlimé, pianista luxemburguês que gosta de experimentações. Não bastasse a restrição, por enquanto, aos residentes na Alemanha por conta da limitação da loja virtual da Apple, o medley não pode ser comprado separadamente. Ou seja, quem adquiriu o álbum físico e quiser comprar a “Rad Racer Medley”, é obrigado a pagar os 9,99 dólares por todas as músicas.

Diante de tudo isso, finalmente os comentários faixa por faixa depois do Hadouken.
Continue lendo ‘Benyamin Nuss Plays Uematsu: quando o prodígio encontra o mestre’


RSS

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: