Posts Tagged 'Final Fantasy V'



Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home: casa renovada para os próximos anos


Por Alexei Barros

Desfrutando das excelentes partituras preparadas para os concertos de Final Fantasy desde 2002, o Distant Worlds vem crescendo cada vez mais, revigorando o repertório com frequência. A Square Enix, satisfeita com o sucesso e recepção dos fãs, renovou o contrato por três anos, conforme divulgado na visita a Nova York.

Após dois CDs gravados em estúdio, foi lançado o primeiro produto ao vivo da turnê, Distant Worlds: music from Final Fantasy: Returning Home, pacote com um DVD e dois CDs lançado em 19 de janeiro no Japão e 1º de abril nos EUA cobrindo, em sua integridade, as duas apresentações realizadas em Tóquio ano passado, 6 e 7 de novembro, com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Wagner Society Male and Female Choir. Execução excelente. Faço apenas uma ressalva à reverberação além do que considero ideal, não no nível estratosférico do Press Start The 5th Anniversary, é bom que se diga.

Muitas reprises, números requentados e algumas novidades interessantes, correspondentes aos recentes Final Fantasy XIII e Final Fantay XIV. Tomei a liberdade de abordar apenas os segmentos inéditos ou seminovos nos comentários. Você não espera que eu comente outra vez “One-Winged Angel”, espera?
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“Clash on the Big Bridge” – Final Fantasy V (Distant Worlds 2010 em Toronto)

Por Alexei Barros

O DVD Distant Worlds music from Final Fantasy Returning Home, que registra os dois concertos recém-realizados da turnê em Tóquio, vai sair dia 19 de janeiro de 2011 com diversos segmentos novos como comentado no post correspondente. Para nosso deleite, tiveram a bondade de executar alguns destes números no último espetáculo do Distant Worlds em 2010, realizado no dia 27 de novembro no Sony Centre for the Performing Arts em Toronto, Canadá, com performance da Kitchener-Waterloo Symphony. Dá para ter uma ideia do que vem por aí, mesmo que a qualidade de som da gravação amadora não seja das mais exemplares.

Minha primeira escolha é, como não poderia ser diferente, a “Clash on the Big Bridge” que tinha feito parte da “Fantasy IV: Final Fantasy” do Symphonic Fantasies no arranjo preparado pelo Jonne Valtonen. Mesmo sabendo que o arranjador do segmento próprio do tema para o Distant Worlds é o Arnie Roth, fico com a forte sensação de que esta versão foi inspirada na releitura do Valtonen. Especialmente pela introdução nas cordas com o auxílio ocasional do coral. Mas notei que o tempo está um pouco mais rápido, o que é positivo para tentar acompanhar uma faixa sintetizada que corre a 300 quilômetros por hora. As intervenções dos metais caíram muito bem também. No mais, um arranjo muito competente, enxuto e substancial em quase três minutos e meio. Poderiam ter feito isso bem antes… e viva o  Final Fantasy V!

Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado

Por Alexei Barros

Seis meses de arranjo e orquestração. Catorze dias de ensaios. Para pouco mais de 1 hora e 20 minutos de apresentação. Compensa tanto tempo e labor? Respondo com um decisivo sim (sem esquecer o processo de seleção de faixas, a parte burocrática de licenciamento e a fadiga dos instrumentistas e envolvidos). Vale não apenas pela experiência musical ímpar que se vivencia naquela hora – inesquecível para os 2000 espectadores in loco; memorável para tantos outros mundo afora –, como também porque agora o resultado do processo esmeroso ficou imortalizado em um disco para infindáveis apreciações.

Falo evidentemente do Symphonic Fantasies, concerto em homenagem à Square Enix que foi aclamado em diversas partes do planeta graças à inédita transmissão em streaming de vídeo, a ponto de ser elogiado pelos responsáveis de outras produções, como Tommy Tallarico, do Video Games Live, e Hiroaki Yura, do A Night in Fantasia. A fórmula inovadora delineada pelo produtor Thomas Boecker e idealizada pelo arranjador Jonne Valtonen de coadunar temas das mesmas séries em suítes longas de alto valor artístico se mostrou muito mais acessível do que se poderia imaginar para um público acostumado com arranjos presos aos temas originais, que é o que os concertos de games, em sua imensa maioria, costumam oferecer.

Tudo aconteceu no dia 12 de setembro de 2009, no suntuoso Philharmonic Cologne Hall na cidade de Colônia, Alemanha, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, com aproximadamente 80 integrantes, e do WDR Radio Choir Cologne, formado por 40 coristas, sob a regência de Arnie Roth. Na plateia, estavam Yoko Shimomura, representando a série Kingdom Hearts; Hiroki Kikuta, Secret of Mana; Yasunori Mitsuda, Chrono Trigger e Chrono Cross; e, finalmente, Nobuo Uematsu, a série Final Fantasy.

Depois de rumores esparsos, o disco foi anunciado pelo administrador da WDR Orchestra, Winfried Fechner, em entrevista ao SEMO realizada em março de 2010. A data de lançamento foi veiculada pelo site da Amazon alemã inicialmente para dia 21 de maio com publicação da Sony Classical Germany. Todavia, tratava-se de um equívoco da loja virtual, que alterou a data para 31 de dezembro. Posteriormente ocorreu a revelação oficial para setembro, desta vez com o selo da Decca (Universal Music). Em seguida, o lançamento alemão foi precisado para o dia 24 e, numa decisão rara, adiantado para uma semana antes, 17 de setembro, pouco mais de um ano depois da realização do concerto. Dois dias antes, a Square Enix publicou o álbum no Japão com número de catálogo SQEX-10202.

O conteúdo musical é o mesmo, a diferença é o encarte. A edição germânica possui na capa um estiloso controle-violino de madeira, ao passo que a japonesa possui a imagem da lateral de uma espécie de enciclopédia com os nomes dos compositores em destaque. No livreto há perfis dos principais envolvidos, mas infelizmente a compreensão do texto é limitada aos entendedores dos dois idiomas locais. Um detalhe que poderia ser acrescentado são as letras em latim e tradução das suítes de Secret of Mana e Final Fantasy como foram escritas especialmente para o concerto de acordo com os universos dos respectivos jogos e séries. Cada suíte tem quatro faixas detalhadas (exatamente as anunciadas antes do concerto), e não seria muito pedir que fossem arroladas todas as músicas homenageadas – a ordem é impossível, eu sei, pelo menos a lista completa, ainda que na maioria dos álbuns a informação não seja divulgada oficialmente.

Apesar de planejado para ser executado ao vivo, o conceito do Symphonic Fantasies está muito mais de acordo com um álbum. Explico. Exceção à suíte de Final Fantasy, que segue formato mais simples de medley, ou seja, faixa A + faixa B + faixa C e assim por diante com devidas transições, as outras três suítes são quebra-cabeças, com idas e vindas, variações, sobreposições de melodias e alusões sutis. É impossível absorver tudo de primeira, por isso é um imperativo novas audições. Por que então ouvir o CD se as gravações estão no YouTube e afins?

Primeiro porque é muito mais recompensador possuir uma recordação material de um espetáculo histórico e caprichado como o Symphonic Fantasies, e outro porque a qualidade está ainda melhor, acredite você, como se não bastasse a perfeição da transmissão ao vivo. Editada e mixada no WDR Radio Studios, a gravação passou pelo crivo do arranjador e dos quatro compositores e foi masterizada no Abbey Road Studios. Parece gravado em estúdio pela nitidez de som estonteante, e só se percebe que é ao vivo pelos aplausos no final de cada um dos cinco números e pelos risos ao fundo acompanhado de um “woow!” de um infeliz da plateia quando é tocado o tema dos Chocobos.

Falei cinco números. O sexto, “Encore (Symphonic Fantasies)”, que era um medley convencional de oito minutos com quatro temas de batalha contra chefe, acabou não cabendo no CD e está somente disponível na versão digital. Embora preferisse dois discos para que fosse registrada a experiência do concerto em sua plenitude, não é uma ausência vital. Não deixa de ser uma decisão ousada, visto que a miscelânea acabava com a “One-Winged Angel”, e não é todo dia que sai um álbum de um concerto relacionado com Final Fantasy sem o tema considerado muitas vezes pelos fãs casuais como obrigatório.

Posto isso tudo, revisitei a abertura e as quatro suítes com o perdão da sua paciência porque há muitos detalhes que vieram à tona com a mixagem do CD. Não mencionei novamente as músicas que senti falta ou então comparei com outros arranjos. Seria redundante, sem falar que um ano depois, passo a compreender a ausência de algumas, porque cada segmento possui a própria vibração e complementa o outro no contexto do concerto, em uma escala gradativa. Foi tudo planejado e equilibrado para não enfastiar ou cansar os ouvidos no decorrer das suítes e na récita como um todo.

Depois do Hadouken você também pode conferir no Goear as suítes nas versões do álbum, mas fica o aviso: nada se compara ao CD, que está superior evidentemente. Um concerto com semelhante perfeição de performance suplica para ser apreciado na melhor qualidade possível.

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“FFV for 9 Clarinets” – Final Fantasy V (Nekketsu High School Wind Ensemble)

Por Alexei Barros

Há mais de um ano publiquei aquele vídeo da “Chrono Trigger for Clarinet Octet”, em que o grupo de clarinetistas intitulado Nekketsu High School Wind Ensemble se destacava pela criatividade. Se você achava que era um caso isolado, engana-se. Mesmo não tendo alguma predileção especial pelo instrumento, a performance contagia pela maneira com que os temas de combate do Final Fantasy V combinaram incrivelmente nessa harmonia estabelecida por nove clarinetes. “Battle 1”, “Battle 2” e mais ainda “The Last Battle” ficaram sensacionais. Impressionante.

De novo surgem aquelas faixas que não costumam chamar atenção à primeira vista, mas que arranjadas são praticamente redescobertas, como é o caso da “Warriors of Dawn”. Falei sobre a criatividade no parágrafo anterior. Pois então: de maneira muito pensada os instrumentistas batem palmas durante a execução da “Harvest”. Mais incrível, o medley, que tem algumas pausas durante a performance, consegue a proeza de passar batido pela “Clash on the Big Bridge” (nem sei se seria possível) e ainda assim encantar.

“FFV for 9 Clarinets”

“Opening”
~ “Four Hearts” ~ “Battle 1”“Victory Fanfare” ~ “Pirate’s Ahoy!” ~ “Town Theme” ~ “Harvest” ~ “Warriors of Dawn” ~ “Battle 2” ~ “The Last Battle” ~ “Final Fantasy V Main Theme”

“FF Great Ensemble Medley” – Final Fantasy II, IV, V, IX e X ([Mint])

Por Alexei Barros

Sei que os vídeos pró-amadores japoneses têm rareado. O problema é que quando estavam acabando me acomodei e parei de garimpar. Pela falta de assuntos gamístico musicais tomei na vergonha na cara para tornar a caçar pérolas nipônicas no Nico Nico Douga.

Minha busca não foi em vão ao encontrar este ambicioso medley da série Final Fantasy com algumas das seleções mais arrojadas que já desfilaram pelo Hadouken, à parte duas músicas. Foi sorte ter encontrado a relação de faixas em um blog porque não reconheci tudo quando escutei pela primeira vez. Apesar disso, como um todo, considerando transições e encadeamento, a miscelânea arranjada por Cap(Assault Door) (sei lá quem é) não faz muito sentido.

No mesmo palco está a banda doujin [Mint] (não confunda com MintJam), a afiadíssima big band de nome 萃々吹奏楽団 (desconheço a romanização) e até, veja você, o saxofonista Muta em uma breve participação na “Theme of Love”.

A primeira “Messenger of Destruction”, que foi uma das que não reconheci,  nasceu para ser arranjada pelos Black Mages, mas não foi lembrada em nenhum dos três álbuns. Deveriam ter vergonha. As guitarras e principalmente o teclado à la Kenichiro Fukui escancaram isso. Porém, se um dia resolverem escolhê-la não deverá ser com metais como aqui.

E são justamente os trompetes e trombones espetaculares o motivo para o ápice do medley, quando é tocada a imbatível “Fight 2”, o tema de chefes do FFIV. Que sensacional! Depois da pausa surge a obscuríssima “My Home, Sweet Home” (outra que não me recordava) nos clarinetes. “At Zanarkand” em uma exibição padrão no solo de piano, e “Theme of Love” em duo com sax e piano (depois com o reforço dos clarinetes) formam a única parte de seleções mainstream.

A estupenda “Rebel Army Theme” aparece brevemente na sequência antes do desfecho apoteótico com a “Clash on the Big Bridge”, que ficou ainda melhor do que aquela versão da Low-tech Son com a T.E.O. (comparo pela similitude dos instrumentos).

No aguardo para mais performances megalômanas como esta. E dá um alento ouvir um medley de FF que passe bem longe de OWA, Chocobo, Aerith’s Theme…

– “FF Great Ensemble Medley”

“Messenger of Destruction” (FFIX) ~ “Fight 2” (FFIV) ~ “My Home, Sweet Home” (FFV) ~ “At Zanarkand” (FFX) ~ “Theme of Love” (FFIV) ~ “Rebel Army Theme” (FFII) ~ “Clash on the Big Bridge” (FFV)

As músicas perdidas da série Final Fantasy


Por Alexei Barros

Como em qualquer produção, invariavelmente muita coisa acaba ficando de fora da versão final de um jogo. Isso inclui as músicas. Enquanto modelos de inimigos, diálogos e cenários são jogados na lata de lixo virtual (ou, em alguns casos, aparecem nos extras como no God of War), as composições são aproveitadas para o lançamento do álbum da trilha sonora original ou em um disco promocional.

Em vez de falar de todos os casos de faixas inutilizadas (de cabeça me lembro de ActRaiser, Ys, Chrono Trigger, Suikoden III, Phoenix Wright: Ace Attorney e Shadow of the Colossus), o que soaria pretensioso e correria o sério risco de esquecer de ocorrências importantes, me focarei na série Final Fantasy.

Quando contabilizei o total de músicas do Nobuo Uematsu em decorrência do Symphonic Fantasies, me deparei com tais circunstâncias que são até hoje pouco comentadas. Por não terem sido inclusas no jogo, provavelmente jamais serão arranjadas e cairão no esquecimento.

São de cinco episódios: Final Fantasy II, IV, V, IX e XII. Os três primeiros que citei são o maior motivo de lastimação (especialmente do FFIV e V), porque são daquela época que, não me canso de dizer, de máxima inspiração do Uematsu. Não saberia dizer o motivo para isso ter acontecido no FFII, V e IX, mas é sabido que a produção do FFIV foi um pouco tumultuada, já que originalmente seria lançado para Famicom – como de fato aconteceu com o quarto capítulo da então série concorrente Dragon Quest –, e muito do roteiro original foi descartado na versão do SNES. O FFXII foi uma das produções mais conturbadas dada a saída misteriosa (problemas de saúde?) de Yasumi Matsuno pouco antes de terminar o jogo.

A título de curiosidade, as músicas perdidas do FFII foram lançadas no All Sounds of Final Fantasy I • II e do FFXII na própria Final Fantasy XII Original Soundtrack. As do FFIV não saíram na respectiva OST, mas no Final Fantasy IV Minimum Album, e as do FFV no Final Fantasy V Mambo de Chocobo. Tanto as canceladas do FFIV  como do V também saíram no hediondo F. F. MIX. Por fim, o Final Fantasy IX Original Soundtrack PLUS inclui faixas que estão no jogo e não foram inclusas na OST e músicas ausentes em ambos.

Depois do Hadouken, os breves comentários e lamentações.

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Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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“Final Fantasy V on Sax” – Final Fantasy V (Muta)

Por Alexei Barros

Piano, guitarra e até violino são vistos com maior frequência nos vídeos amadores (ou pró-amadores), agora saxofone é muito mais raro. E maioria é um lixo. Que me desculpem os ocidentais do YouTube, mas ainda estou para ouvir um sax tão eloquente e desenvolto como do Muta. Japonês, sem sombra de dúvidas.

Utilizando as originais de fundo, Muta toca a melodia dos timbres de instrumentos de sopro, só que não sei como ele fez para substituir especificamente esses trechos pelo sax soprano e alto, mantendo o restante da instrumentação sintetizada. A vivacidade que as músicas ganham com essa mudança é impressionante.

A performance do Final Fantasy V, o sempre injustiçado FFV, não é exatamente um medley porque ele toca quatro músicas na sequência com intervalos entre uma e outra. Faltaram várias, como “Walking The Snowy Mountains”, “The Dragon Spreads Its Wings”, “Sealed Away”, “Cursed Earth” e, sonhando, “Clash on the Big Bridge”. Todas as eleitas ficaram fabulosas, viajando pela abertura  “Final Fantasy V Main Theme”, a singeleza de “Lenna’s Theme” (um bonito tema de personagem pouquíssimo lembrado) e finalizando com “Town Theme”, encantadora música dos vilarejos. A “Pirate’s Ahoy!” meio que sobrou, contudo.

Colocarei outros vídeos dele ainda mais geniais.

“Final Fantasy V on Sax”

“Final Fantasy V Main Theme” ~ “Lenna’s Theme” ~ “Pirate’s Ahoy!” ~ “Town Theme”

Symphonic Fantasies: três das seleções de Final Fantasy

Por Alexei Barros

A suíte de Final Fantasy terá a árdua missão de realizar o fechamento do Symphonic Fantasies, concerto alemão que se dará nos dias 11 e 12 de setembro – não está longe. Indiscutivelmente, é a franquia que contou com mais músicas orquestradas no passado, uma vez que é a única que teve espetáculos próprios dentre as quatro séries selecionadas. No entanto, se parece factível condensar em 17 minutos a alma sonora de Kingdom Hearts, Secret of Mana e Chrono Trigger e Cross, já que são poucos jogos, por conseguinte menos músicas, Final Fantasy foi um desafio e tanto criar uma unidade com fanta fartura e diversidade.

Primeiro pela quantidade. Sabendo que na suíte haverá apenas as composições de Nobuo Uematsu (não espere por faixas de FFX, XI, XII e XIII e spin-offs feitas por outros músicos), são nada menos do que 578, levando em conta que as icônicas foram reprisadas no decorrer dos anos. Mas mais que 500 são com certeza. Ademais, o ecletismo de estilos. Enquanto no princípio o erudito era mais adotado, com o passar dos anos Uematsu enveredou pelo rock, techno, celta, pop, e algumas dessas músicas até foram orquestradas.

Final Fantasy: 20
Final Fantasy II: 23
Final Fantasy III: 44
Final Fantasy IV: 44
Final Fantasy V: 67
Final Fantasy VI: 61
Final Fantasy VII: 85
Final Fantasy VIII: 74
Final Fantasy IX: 110
Final Fantasy X: 32 (e mais 14 com Masashi Hamauzu e 2 com Junya Nakano)
Final Fantasy XI: 11
Final Fantasy XII: 7
Total: 578

Na suíte de Final Fantasy, a WDR Radio Orchestra será acompanhada, como no segmento de Secret of Mana, pelo WDR Radio Choir. A confirmação do coral pode sinalizar a presença de músicas como “One-Winged Angel”, “Liberi Fatali” e “FFXI Opening Theme”, mas não necessariamente. É muito provável que o coro seja implementado em músicas que não tenham vozes na versão original. Isso, aliás, já foi realizado, com êxito absoluto, no primeiro concerto da série, Final Fantasy Symphonic Suite, como na “Scene I”, releitura da “Main Theme” (FFII).

Enfim, falemos de três das escolhas. Uma não poderia faltar pela representatividade, outra me agradou, apesar de mais conhecida, e a última… absolutamente fantástica.

“Prelude” (Final Fantasy)

Fina FantasyA melodia que perdurou ao longo da série é uma das mais icônicas, e está intimamente relacionada à Final Fantasy. Até por ser um tema simples, foi executada na maioria das apresentações em medleys, quase sempre abrindo uma longa sequência de músicas – ocorrência que também deve se repetir no Symphonic Fantasies. A primeira lembrança da “Prelude” ocorreu no FF Symphonic Suite, em arranjo do Takayuki Hattori, no medley “Scene V ~Prelude~”, em que é executada na harpa com acompanhamento da flauta (de 1:26 a 3:57), após um início original, sem ser baseado em alguma música do Uematsu. No espetáculo posterior de FF, 20020220, a música abre o “Final Fantasy I-III Medley”, e o mesmo acontece no “Final Fantasy I-III Medley 2004”, que tem seleções diferentes, no Tour de Japon, ambos com arranjo de Shiro Hamaguchi. O tema só veio a ser executado em um segmento próprio no Voices, em que a “Prelude” ficou magnífica com o acompanhamento do coral GYA em arranjo da Sachiko Miyano.

“Bombing Mission” (Final Fantasy VII)

Final Fantasy VIIA música da primeira missão de FFVII é bem conhecida, embora seja muitas vezes preterida por outros temas de popularidade ainda maior do jogo. Debutou no Tour de Japon, foi reprisada no More Friends e faz parte do repertório do Distant Worlds. Sou fascinado pela versão do Shiro Hamaguchi, e ainda não me cansei dela. Fica a dúvida de que forma a “Bombing Mission” aparecerá na suíte como é uma música de abertura – papel que presumo ser desempenhado pela “Prelude”.

[ATUALIZAÇÃO] Interessantemente, a parte “Opening” da música não será executada no Symphonic Fantasies, somente a “Bombing Mission”, apesar de ambas estarem juntas em uma mesma faixa na Final Fantasy VII OST. Na original “Opening ~ Bombing Mission”, a “Bombing Mission” inicia em 1:13.

“Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)

Fina Fantasy VMorri. Alguém poderia explicar como uma das músicas mais criativas do Nobuo Uematsu jamais foi orquestrada? Vai me dizer que porque FFV é injustamente considerado um jogo inferior? O fato é que no Orchestral Game Concert 2 foram tocadas quatro faixas do jogo, mas não a “Clash on the Big Bridge”. No 20020220, mais uma, “Dear Friends”, nome que inspirou a turnê americana Dear Friends, e no Tour de Japon, outra, a “Ahead On Our Way”, que havia aparecido no OGC2, mas não a “Clash on the Big Bridge”. E revoltante é que a música poderia ser eleita para a turnê Distant Worlds, e o público acabou escolhendo a “J-E-N-O-V-A” (FFVII), mas não a “Clash on the Big Bridge”. Depois de tantas indas e vindas, enfim Jonne Valtonen será o responsável pelo famigerado arranjo sinfônico, agora sim, da “Clash on the Big Bridge”.

Na terça-feira que vem, no dia 1 de setembro, saberemos mais uma música de cada suíte, totalizando outras quatro. Todo o restante será surpresa.

[via Symphonic Fantasies]

“Clash on the Big Bridge” – Final Fantasy V (Low-tech Son e T.E.O.: 9th Live)

Por Alexei Barros

Minha infindável busca pela “Clash on the Big Bridge” orquestrada foi tão afoita que até me fez colocar performances imperfeitas da música do Final Fantasy V. Pois bem, a procura acabou. Sim, ainda não é uma orquestra com cordas e madeiras, mas ouvi-las com a adicional dos metais já é algo de outro mundo.

O arranjo é da banda doujin Low-tech Son, que inclusive tinha mostrado uma impressionante (só que perto dessa ficou eclipsada…) versão a quatro mãos da “Clash on the Big Bridge” no piano. Na última apresentação, 9th Live, realizada em fevereiro de 2009, o grupo instrumental resolveu se juntar à big band T.E.O. (sigla para Tezuka Yusuke Enharmonic Orchestra), e como resultado a execução ficou simplesmente ESTONTEANTE. Aliás, perdão pelo excesso de palavras em caixa alta no texto a partir de agora.

A soberania da performance é tamanha que chega a ser covardia comparar com qualquer outra versão já feita da música – e falo de The Black Mages, CellythmFFXII etc. Mostra também como os amadores japoneses estão a anos-luz dos amadores ocidentais. Os primeiros são pró-amadores e os outros amadores esforçados. Claro que há exceções.

Sou a favor da completa exibição do talento, mas os instrumentistas são tão talentosos, mas tanto, que exageraram na exibição virtuosística. Isso fica muito claro na introdução no piano, com floreios altamente excessivos. Aí entram em cena os metais da T.E.O. AFIADÍSSIMOS. AFINADISSÍSMOS. FANTÁSTICOS.

Aproveitando a presença da big band, o arranjo ficou com uma entoada jazzística, com a intervenção de solos de shakuhashi (flauta de bambu), que surpreendentemente não ficou deslocada perto da sonoridade potente de outros instrumentos, e da guitarra arrebatadora. Para completar, as alternâncias entre os metais e a bateria (só o abuso dos pratos me incomodou um bocado) são incríveis.

Aviso aos apreciadores da “Clash on the Big Bridge”: assistir ao vídeo é uma imposição.


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