Posts Tagged 'Ensemble Game Classica'

“Snake Eater” – Metal Gear Solid 3: Snake Eater (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Arranjo, arranjo, arranjo. Escrevo tantas vezes a palavra, mas vale frisar sua etimologia: “adaptação de uma composição a vozes ou instrumentos para os quais originalmente não havia sido escrita”. Para a maioria dos concertos de games isso não vale, porque muitas vezes são tocadas versões idênticas às músicas que se ouve no jogo. Isso só ganha um significado especial ao vivo, evidentemente, ou em vídeos. Do contrário é um tanto redundante.

Mais irônico é que o VGL, notório por reproduzir músicas fiéis às originais, fez de certa forma um arranjo ao substituir o vocal da “Snake Eater” pelo saxofone de Norihiko Hibino, ainda que a canção tenha sido interpretada por uma cantora, Laura Intravia, em apresentações mais recentes. Mas apaga tudo: o sax, a voz, os metais. A Ensemble Game Classica adaptou a contento a música para um quarteto de cordas. Toda aquela multiplicidade de instrumentos foi incrivelmente vertida para dois violinos, uma viola e um violoncelo. Nenhum detalhe foi deixado de fora. Eu gostei, fiquei satisfeito. Detalhe é que eles usaram como base a versão americana, não a “Snake Eater (Japanese version)”, que acho menos inspirada.

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“Lufia II Medley” – Lufia II: Rise of the Sinistrals (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Mario, Zelda, Final Fantasy, Dragon Quest, SaGa, Chrono. Mesmo que os japoneses pró-amadores sejam mais ecléticos em geral que os ocidentais, a maioria das performances é dessas séries. É revigorante quando surge a execução de um jogo não muito comentado como Lufia II: Rise of the Sinistrals (Estpolis Denki II no Japão), que testei apenas alguns minutos, não posso esconder. Coisa rara: um RPG que saiu nos Estados Unidos para Super Nintendo sem o selo da Squaresoft, o que aconteceu até com o primeiro Breath of Fire da Capcom. É obra do estúdio Neverland, com publicação da Natsume. Ironicamente, o jogo recebeu uma reimaginação para DS em 2010 sob o nome Lufia: Curse of the Sinistrals, com participação da Square Enix no desenvolvimento da Neverland.

Penei um bocado para identificar todas as faixas executadas, mas, assim como no “Fire Emblem: Genealogy of Holy War Medley”, fiquei com a sensação que a Ensemble Game Classica começa com boa cadência e ritmo, e no final as composições acabam sendo meio que socadas, aludidas muito brevemente. Nada comprometedor, já que a seleção de músicas é das mais felizes, com referências aos temas de batalha que, nas versões originais, puxam para o rock, e arranjos sinfônicos de rock dificilmente dão errado.

De maneira apropriada, a “Main Theme” começa o medley, e dos quase sete minutos originais, os dois iniciais foram aproveitados, o que achei positivo, preservando a essência da faixa e eliminando eventuais excessos. A “Battle theme #1” (2:41) surge bruscamente, como se quisesse passar a surpresa do combate aleatório, o que não procede no jogo, curiosamente. Pouco importa porque na sequência, em uma transição genial, vem a empolgação da “Battle theme #2” (3:56), com um belo rebusque no arranjo dos dois violinos, viola e violoncelo. A miscelânea tinha tudo para acabar com a sensibilidade da “Ending motif” (5:05) – somente uma tranquilidade temporária. “The mystery lady” (6:39) passa todo o… mistério no violino de fundo e no solo de viola. Rapidamente é feita a transição para “The turret forgotten” (7:08), que parece transmitir um perigo cada vez mais iminente.  “The last duel” (7:52), aproveitando o trecho a partir de 0:40 na original – o tanto que demorei para descobrir isso… –, prepara o espaço para o vigor da “Battle theme #3” (8:20) e da tensão da “For the savior” (9:32). No desfecho “Pulifia” (10:40) recupera a emotividade da “Ending motif”. Bem que eu queria compartilhar pérolas perdidas com maior frequência se existissem mais trabalhos assim, mas para isso as pessoas precisam começar a se interessar por coisas novas ou pouco conhecidas…

– “Lufia II Medley”

“Main Theme” ~ “Battle theme #1” ~ “Battle theme #2” ~ “Ending motif” ~ “The mystery lady” ~ “The turret forgotten” ~ “The last duel” ~ “Battle theme #3” ~ “For the savior” ~ “Pulifia”

“Super Mario Bros. 3 Medley” – Super Mario Bros. 3 (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Baseando-se no Mario 1, o grupo Ensemble Game Classica fez o medley “Super Mario Bros. Trio String” com nostalgia e conteúdo. E se essa inventividade fosse canalizada para as quase – estranhamente – intocadas músicas do Super Mario Bros. 3? E se o trio virasse um quarteto (dois violinos, uma viola e um violoncelo)? E se os efeitos de som aparecessem com frequência ainda maior? Então. A EGC realizou outra performance explosivamente criativa com praticamente todas as composições da trilha, imitando a experiência de jogo, pelo menos nos minutos iniciais.

Start, “World 1 Map” (0:08), menu de poderes especiais e a primeira fase, “Overworld” (0:25), coletando várias moedas velozmente, porque o medidor P não para de tocar. Conclui-se o nível, “Course Clear Fanfare” (0:55), retornando para o “World 1 Map” rapidamente e logo ingressando ao estágio seguinte, “Athletic” (1:05). Vitória, “World 1 Map” de novo e “Overworld” (1:47) novamente para entrar na “Kinopio’s House” (2:07). “World 1 Map” e agora é hora de enfrentar os perigos do castelo, “Fortress” (2:25). Não contente em reproduzir perfeitamente nas cordas as primeiras notas, o quarteto bate os pés no chão para emular  o tímpano sintetizado. Flauta, “Whistle Sound” (2:53), atalho “Warp Map” (2:56), passando pelo “World 2 Map” e indo ao “World 3 Map” (3:36), com a suavidade da bossa nova. Vem o ambiente aquático, “Underwater” (3:51), e a animação da “World 4 Map” (4:21). No meio do caminho, o confronto com os Irmãos Martelo na “Enemy Battle” (4:35), mas a batalha está perdida, “Game Over” (5:12). Em seguida, o reggae da “World 5 Map” (5:15) e a fase subterrânea, “Underworld” (5:33), com as  batidas nos corpos dos instrumentos. Depois da estridência da “World 6 Map” (5:50), é momento de tentar a sorte. Parece mentira que conseguiram imitar a “Slot Screen” (6:07), com direito a fade out. Na “World 7 Map” (6:22), a “Music Box” (6:34) coloca os Irmãos Martelo em sono. Chega a vez do “World 8 Map” (6:48) e do “Fortress Boss” (7:03). “World Clear Fanfare” (7:24) declara o êxito. “King’s Chamber Appearance” (7:30) é outra faixa estridente recriada com maestria, com Mario caindo do céu na sala do rei transformado. Do nada surge a “Airship” (7:44) e é travado o combate final com o “The Evil King Koopa” (8:21) e o inimigo é derrotado (8:49). O tema de encerramento “Ending” é acompanhado de novo com a percussão improvisada.

Alguns poderão reclamar que o medley não desenvolve adequadamente os temas e os empacota em 11 minutos, com alusões breves, de poucos segundos. Para mim, o resultado ficou transcendental, e destaco os pontos altos “Enemy Battle” e “Fortress Boss”, duas que sempre esperei por releitura sinfônica.

– “Super Mario Bros. 3 Medley”
“World 1 Map”~ “Overworld” ~ “Course Clear Fanfare” ~ “World 1 Map” ~ “Athletic” ~ “Course Clear Fanfare” ~ “World 1 Map” ~ “Overworld” ~ “Kinopio’s House” ~ “World 1 Map” ~ “Fortress” ~ “Whistle Sound” ~ “Warp Map” ~ “World 2 Map” ~ “World 3 Map” ~ “Underwater” ~ “World 4 Map” ~ “Enemy Battle” ~ “Game Over” ~ “World 5 Map” ~ “Underworld” ~ “World 6 Map” ~ “Slot Screen” ~ “World 7 Map” ~ “Music Box” ~ “World 8 Map” ~ “Fortress Boss” ~ “World Clear Fanfare” ~ “King’s Chamber Appearance” ~ “Airship” ~ “The Evil King Koopa” ~ “Ending”

“SaGa 2 Medley” – SaGa 2 Hihou Densetsu (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Quando foi anunciado o Symphonic Odysseys, o concerto em homenagem ao Nobuo Uematsu a acontecer em 2011, fiquei imaginando o que poderia fazer parte do repertório além de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, que já foram executados em tantas oportunidades. Sempre me esqueço que, enquanto ainda trabalhava na Squaresoft, ele colaborou para outros RPGs, como Chrono Trigger, Front Mission: Gun Hazard e em dois jogos da série SaGa.

Este medley muito encantador da Ensemble Game Classica mostra um pouco do trabalho fora de FF do Uematsu, porque as primeiras duas das quatro músicas são de autoria dele – as demais foram criadas pelo Kenji Ito. A performance se refere ao RPG SaGa 2 Hihou Densetsu do Game Boy, aquele que foi nojentamente localizado em 1991 como Final Fantasy Legend II, e refeito em 2009 para DS apenas no Japão.

Somente com violino, viola e violoncelo a EGC consegue conferir nova vida à majestosa “The Legend Begins” da introdução. Mas a miscelânea brilha quando surge (3:14) a “Searching for the Secret Treasure”, que, mesmo com um looping diminuto, aparece por um tempo generoso e recebeu diferentes interpretações. A parte Uematsu do medley acaba aqui, e o trecho Kenji Ito inicia (5:22) com a adorável “Peaceful Land”, que poderia passar por uma música do bigodudo sem o menor ressentimento pela similaridade de estilo – lembra a “Town” do primeiro Final Fantasy. De maneira sutil, praticamente imperceptível, a peça é sobreposta (a partir de 6:29) pela “Theme of the New God”, que mais adiante é executada por todo o trio de instrumentos. É isso, uma beleza. Se amadores fizeram tal maravilha, mal imagino como as músicas ficariam sob os cuidados de um arranjador profissional para serem tocadas por uma orquestra completa.

– “SaGa 2 Medley”

“The Legend Begins” ~ “Searching for the Secret Treasure” ~ “Peaceful Land” ~ “Theme of the New God”

“Fire Emblem: Genealogy of Holy War Medley” – Fire Emblem: Genealogy of Holy War (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Se não fosse pelos personagens ígneos em Super Smash Bros., talvez Fire Emblem nunca apareceria no ocidente. O problema é que quando todo mundo se deu conta da excelência da série já se passaram os episódios para NES e Super Nintendo (e o primeiro de GBA). E junto uma enxurrada de músicas de primeiro nível da compositora Yuka Tsujioko.

O medley da Ensemble Game Classica comprova isso, enfocando o segundo episódio 16-bits intitulado Seisen no Keifu. Curiosamente, a capa da trilha sonora do jogo (bons tempos em que a Nintendo não era indolente neste aspecto) traz o título em inglês, que é Genealogy of Holy War. Então pode ser considerado o título oficial, diferentemente do que diz ao duvidoso Wikipedia em inglês (em japonês é outra história), que se refere ao nome como uma tradução informal.

A miscelânea foi formulada de modo a seguir, não muito à risca, o tema de cada capítulo. Não todos – não há, por exemplo, do 6 ao 10 e o derradeiro. Incomodou-me um bocado que a partir mais ou menos da metade, quando o ritmo é acelerado, a alusão a cada tema é feita muito rapidamente, como se houvesse a necessidade de entupir o máximo possível de faixas em um tempo restrito, coisa que não acontece no início. Talvez o medley até pudesse ser maior de duração sem que ficasse arrastado.

Como comentei em outros vídeos desta apresentação, a qualidade dos instrumentistas é louvável, mas a pianista brilha com passagens encantadoras de “Chapter 1 (Girl of the Spirit Forest)” (no trecho de 4:23) e “The Final Challenge” (começa em 7:29). Suplico que ouças as sintetizadas para comprovar a qualidade da adaptação, embora, muito provavelmente, assim como eu, você jamais tenha ouvido antes a trilha original.

– “Fire Emblem: Genealogy of Holy War Medley”

“Beginning” ~ “Theme from Fire Emblem”“Opening Chapter (Awakening of the Holy)” ~ “Chapter 1 (Girl of the Spirit Forest)” ~ “Time of Grief 1” ~ “Chapter 2 (Disturbance of Agustria)” ~ “Chapter 3 (Lion King Eltoshan)” ~ “The Final Challenge” ~ “Chapter 4 (Aerial Dance)” ~ “Chapter 5 (Door to Destiny)” / “Conversation 1” ~ “Nearby Victory” ~ “Victory 1” ~ “Theme from Fire Emblem”

“Mother String Trio Ver.” – Mother (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Na ocasião dos 20 anos da série Mother completados em 2009, publiquei diversos vídeos musicais maternos que você deve se lembrar – ou não. Porém, o que segue suplanta todos os anteriores. Ou pelo menos empata com o empolgante “Mother Medley” da Low-tech Son e T.E.O.

A seleção de faixas é a mais abrangente, e cada vez mais me dou conta da inspiração de Hirokazu Tanaka e Keiichi Suzuki à época – muitas ideias vieram de músicas famosas, aliás. Hits como “Pollyanna (I Believe in You)”, “Snowman” e “Eight Melodies” (esta numa versão que lembra mais o tema de encerramento “The End”) foram interpretadas no trio de cordas da Ensemble Game Classica, mas, como sempre, brilham as seleções de faixas mais obscuras. A divertidíssima “Drugstore” (1:15), também presente na continuação, EarthBound, é uma música icônica que nunca deveria ter sido esquecida em outros arranjos. Melhor ainda ficaram os temas de combate de toada rockabilly (isso que o gênero nem faz minha cabeça), como “Battle with a Flippant Foe” (2:35) e principalmente “Hippie Battle” (4:18). O nervoso “Battle with a Dangerous Foe” (8:41) então ficou um espetáculo – imagino uma orquestra grandiosa interpretando a melodia. Fiquei curioso apenas para ouvir como ficaria a “The Paradise Line” com este tipo de releitura.

A qualidade da gravação está péssima (para completar, há umas manchas esverdeadas bisonhas do vídeo), mas o áudio pode ser contemplado sem contratempos. Abaixo ainda segue a descrição detalhada do medley. Devo revelar, contudo, que não estou muito certo do trecho que inicia em 5:22 e começa a “Magicant”. Acredito que esqueci de alguma faixa, só que já estava ficando maluco tentando descobrir. Portanto avise se souber.

“Mother String Trio Ver.”

“Introduction” ~ “Drugstore” ~ “Pollyanna (I Believe in You)” ~ “Battle with a Flippant Foe” ~ “Snowman” ~ “Hippie Battle” ~ “Cave of the Tail” ~ “Magicant” ~ “Battle with a Dangerous Foe” ~ “Wisdom of the World” ~ “The End”

“Seiken Densetsu: Legend of Mana Piano Quartet” – Legend of Mana (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Vou poupá-lo de qualquer outro comentário sobre o meu desinteresse com Legend of Mana (quem sabe um dia me animo) para me limitar às observações sobre a trilha, a sempre exaltada trilha de Yoko Shimomura que recebeu uma merecida homenagem na mais recente apresentação da Ensemble Game Classica, que nesta performance recebeu o reforço do piano.

É o instrumento quem dita os passos da renomada “Legend of Mana ~Title Theme~”, ora solando, ora com o acompanhamento do trio de cordas. Uma passagem tênue para a emotiva “Nostalgic Song” com o solo de viola – o arranjo lembra a versão “Nostalgic Song ~Ending Theme for Mana’s Story~” e, depois, há uma transição menos refinada para a “Sparkling City Of Ruin”, novamente com ênfase no piano, fechando o afável medley de seis minutos que poderia ser 12, 20…

“Seiken Densetsu: Legend of Mana Piano Quartet”
“Legend of Mana ~Title Theme~”
~ “Nostalgic Song” ~ “Sparkling City Of Ruin”


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