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Música “Baba Yetu” e álbum Calling All Dawns abocanham o Grammy


Por Alexei Barros

Tema do menu do Civilization IV, a “Baba Yetu” havia entrado para a história como a primeira música originalmente feita para um videogame a ser indicada ao Grammy, em sua 53ª edição. Para completar, a canção ganhou o prêmio de “Melhor arranjo instrumental com vocal de apoio”. Como se a felicidade do autor Christopher Tin não fosse suficiente, o disco pelo qual proveio a faixa, Calling All Dawns, venceu como “Melhor álbum de música clássica crossover”. É mole?

Com os games conquistando um espaço cada vez maior na mídia e as trilhas tão ambiciosas ou mais como as de filmes e seriados (não que isso precisasse ser necessário para constatarmos o valor da game music), o Kotaku, em post traduzido na versão brasileira, lançou a indagação: por que não existe uma categoria específica de jogos no Grammy?

Sou a favor, com ressalvas. Nesse tipo de premiação, a exemplo do Spike Video Game Awards, costuma-se privilegiar as produções ocidentais. Imagino que apareceria muita coisa licenciada, e só entrariam na relação trabalhos de um japonês muito famoso no resto do mundo, como um Nobuo Uematsu da vida. Koichi Sugiyama? Yuzo Koshiro? Duvido.

Agradecido ao Lucas Patrício por comunicar o release.

[via VGL]

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Canção “Baba Yetu” é indicada ao Grammy


Por Alexei Barros

Pela primeira vez na história uma música composta especialmente para um jogo foi nomeada ao Grammy. “Baba Yetu”, o tema do menu de Civilization IV, lançado em 2005 para PC, concorre à categoria “Melhor arranjo instrumental com vocal de apoio” na 53ª edição do afamado prêmio internacional da indústria fonográfica. A cerimônia de revelação acontecerá dia 13 de fevereiro de 2011.

Por que só agora se o jogo é de 2005? A indicação se deu pela inclusão da canção no álbum solo do compositor Christopher Tin, Calling All Dawns, que, por sinal, foi sugerido para a categoria “Melhor álbum de música clássica crossover” (crossover é o termo usado para designar as aparições de um disco em duas ou mais paradas musicais de diferentes gêneros; no caso, música erudita – que seria o correto e não clássica, pois se refere somente às composições do período clássico – e world music).

O disco, que saiu dia 1º de outubro de 2009, chamou atenção por ser cantado em 12 idiomas diferentes, incluindo o português (de Portugal), na “Se É Pra Vir Que Venha”. Somando os processos de composição, arranjo e gravação (no Abbey Road Studios), levou quase quatro anos para ser concluído, e envolveu cerca de 200 músicos.

Estima-se que a “Baba Yetu”, cuja letra é a tradução para o suaíli da Oração do Pai Nosso, foi tocada perto de 1000 vezes em diversos locais do mundo. A quem o compositor atribui tal popularidade? “O fato de que essa música tem vida fora do jogo é devido quase que inteiramente ao Video Games Live”, afirma. “Eles foram os primeiros a trazer essa música a palcos de todo o mundo e lugares que nunca sonhei ser possível”. Parte do repertório do VGL desde 2006, quando estreou no Hollywood Bowl, a canção foi inclusa em um medley com a “Opening Movie Music” no CD Video Games Live: Volume One e no CD, DVD e Blu-ray Video Games Live: Level 2.

Poderia parar por aqui para evitar de dar a tradicional cutucada no VGL e deixar de falar que o release informa erroneamente que a “Baba Yetu” é o tema de abertura do jogo (é o tema do menu, na verdade), e que o Tommy Tallarico diz que este momento histórico vai continuar a construir a ponte entre a música de vapor principal (sic) e game music – está escrito “mainsteam” e não “mainstream” no release. É, tarde demais.

Dessas quase milhares de performances, espetacular mesmo é a “Baba Yetu” do Games in Concert 3, sem a percussão africana de mentira, e com a implementação de bateria, baixo elétrico e metais.

Grato ao Lucas Patrício por comunicar o release.

[via VGL, Christopher Tin]

Se é para vir que venha

Calling All Dawns
Por Alexei Barros

Muitos compositores de games não se contentam em seguir somente as ordenanças dos produtores e se libertam ao publicar álbuns solo com músicas que não precisam acompanhar as cenas de jogo. A lista é extensa dos que se aventuraram: Nobuo Uematsu, Motoi Sakuraba, Motoaki Furukawa, Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Yasunori Mitsuda, Noriyuki Iwadare, Akira Yamaoka, Norihiko Hibino, Kenji Ito, Chris Huelsbeck, Takayuki Aihara… Um monte.

O próximo a engrossar a relação é o americano de ascendência chinesa Christopher Tin, também compositor de filmes e comerciais. Quem diria, ele já visitou o Hadouken para conhecer a fantástica performance com bateria e baixo elétrico da “Baba Yetu” (Civilization IV) no concerto holandês Games in Concert 3.

Precisamente o tema do menu do jogo de estratégia encabeça as 12 faixas do seu primeiro CD solo Calling All Dawns. Cada uma é cantada em um idioma diferente: suaíli, japonês, mandarim, francês, latim, irlandês, polonês, hebraico, persa (desconhecia a existência), sânscrito, maori e… português! Assim como Noriyuki Iwadare no Grandia II (“A Deus” e “Canção do povo”), Tin compôs uma música para ser cantada no idioma lusitano.

Lusitano entenda português de Portugal. A intérprete de “Se É Pra Vir Que Venha” é a cantora de fado portuguesa Dulce Pontes. Os bucólicos e libertários versos escritos pela poetisa brasileira Patrícia Magalhães que se escuta no sample: “Vou cercar meu gado / Vou deitar no pasto / Vou roubar a cena / Vou sorrir sem pena / Sem puxar as rédeas / Sem seguir as regras / Sem pesar ou ânsia / Sem errar a dança / Se é para vir que venha”.

Christopher TinAlém dela, há as participações especiais do coral Soweto Gospel Choir, do quarteto americano de vocais femininos Anonymous 4, da cantora de ópera americana Frederica von Stade, da iraniana Sussan Deyhim, da chinesa Jia Ruhan e do trio de japonesas Aoi Tada, Kaori Omura e Lia. Todas as músicas são orquestradas e foram gravadas no lendário Abbey Road Studios com performance da britânica Royal Philharmonic Orchestra, que já tocou nas trilhas de Arc the Lad, Suikoden V (“Wind of Phantom”) e Final Fantasy XII (Symphonic Poem “Hope”).

As músicas foram compostas de forma a seguir uma narrativa de três partes – dia, noite e alvorada, representando a vida, a morte e o renascimento –, para serem escutadas de maneira contínua. Cada canção, com letras que passam mensagens relacionadas com cultura e religião, flui naturalmente na outra sem interrupções e a última acaba com o mesmo acorde da primeira, representando a natureza cíclica da vida. Genial o conceito.

O álbum poliglota está à venda no site oficial do Christopher Tin por 15 dólares e será publicado no dia 1º de outubro. Quem comprou pelo sistema de pré-venda não precisa nem esperar o CD chegar pelo correio, porque receberá no dia do lançamento um e-mail com link para baixar todas as músicas.

Também na página é possível escutar os samples de todas as canções desta Torre de Babel auditiva anexadas no Soundcloud no final do post. Sei que muita gente não vai apreciar o estilo world music, achará as músicas chatas ou insípidas, mas há canções belíssimas, como a própria “Se É Pra Vir Que Venha”. Porém,  não gostei muito do sample que está aí embaixo, que é o que imagino estar no CD: o vocal é moroso e cansativo. A que apreciei é a amostra publicada no LakeHouse Sound, que não é a mesma. Cantada pela americana Jen Shyu, a voz  flui mais naturalmente, sem carregar as palavras como na outra. Mais bizarro, no verso “Sem pesar ou ânsia” da versão arrastada ouço claramente “Sem fisgar ou ansiar” na mais suave. Até coloquei no Goear o sample do “Se É Pra Vir Que Venha” para facilitar a comparação com a outra lá embaixo.

E tudo começou (e recomeçou) com a “Baba Yetu”

Track list:

Parte I: All Days Return
01 – “Baba Yetu” (suaíli)
02 – “Mado Kara Mieru” (japonês)
03 – “Dao Zai Fan Ye” (mandarim)
04 – “Se É Pra Vir Que Venha” (português)
05 – “Rassemblons-Nous” (francês)

Parte II: Against the Night
06 – “Lux Aeterna” (latim)
07 – “Caoineadh” (irlandês)
08 – “Hymn Do Trójcy Swietej” (polonês)

Parte III: Calling All Dawns
09 – “Vayehi-Or” (hebraico)
10 – “Hamsáfár” (persa)
11 – “Sukla – Irsne” (sânscrito)
12 – “Kia Hora Te Marino” (maori)

[via OSV, Christopher Tin, LakeHouse Sound]


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