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Garry Schyman ganha concerto com Dante’s Inferno e série BioShock

Por Alexei Barros

Mesmo que as colaborações para jogos de Garry Schyman sejam tão poucas e recentes se comparadas aos grande mestres com décadas de trabalho nas costas, as trilhas gamísticas foram marcantes o suficiente para garantir a realização de um concerto exclusivo com suas composições.

Está marcado para o dia 9 de maio, no Plaza del Sol Performance Hall da California State University Northridge a récita com a Studio Ensemble full orchestra, grupo de laboratório com estudantes e profissionais. O set list é baseado nos trabalhos de games mais famosos de Schyman: BioShock, BioShock 2 e Dante’s Inferno.

Do primeiro BioShock, interessantemente, vão apresentar duas não muito propaladas: “Dancers on a String” e a “Cohen’s Masterpiece”,  já tocada no Video Games Live pelo Martin Leung. Da sequência, o espetáculo sueco Score havia mostrado a avassaladora “BioShock 2 Suite”, da qual somente a “Pairbond (Bioshock 2 Theme)” tomará parte do programa. Estranhamente, a “Bathysphere” não está listada na Sounds From The Lighthouse: Official BioShock 2 Score. A maioria de números vem do Dante’s Inferno e consta nas selecionadas a “Storm of Lust”, que ele demonstrou o interesse em ouvi-la ao vivo naquela entrevista.

Entre as faixas de games haverá uma obra original, “Zingaro” (Second Movement), um concerto para viola com o renomado Andrew Duckles que será executado pela primeira vez.

Relação de músicas:

– “BioShock 2 Suite” (BioShock 2)
– “Bathysphere” (BioShock 2)
“Pairbond (Bioshock 2 Theme)” (BioShock 2)
“Dancers On A String” (BioShock)
“How She Sees The World” – (BioShock 2)
“Cohen’s Masterpiece” (BioShock)
“The Second Circle” (Dante’s Inferno)
“Storm of Lust” (Dante’s Inferno)
“Donasdogama Micma” (Dante’s Inferno)
“Bella’s Secret Revealed” (Dante’s Inferno)
“The Queen of Hell” (Dante’s Inferno)
“Redemption” (Dante’s Inferno)
“Beatrice Taken” (Dante’s Inferno)
– “Zingaro” (Second Movement)
“Eleanor’s Darkness” – BioShock 2)

[via Top Dollar PR]

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“BioShock 2 Suite” – BioShock 2 (Score)

Por Alexei Barros

O estilo modernista em trilhas sonoras de jogos foi importado dos filmes. Do cinema para os games. Dos games para os concertos. BioShock é um exemplo de como um gênero avesso às melodias acessíveis dos jogos pode ser apreciado normalmente em uma apresentação de game music, como a “Welcome to Rapture” do Games in Concert 3 e o “BioShock Medley” – pasme – do Video Games Live.  Pasme porque é um show que procura ser básico e mainstream ao extremo na abordagem. Mais recentemente, o arranjo “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Torsten Rasch para o Symphonic Legends trilhou pela mesma vereda, surpreendendo quem imaginava reconhecer músicas do Super Metroid com mais facilidade.

A tendência é que a safra modernista aumente, e o concerto Score sai à frente por tocar uma suíte da continuação, BioShock 2, com trilha de Garry Schyman como no predecessor. Da mesma maneira que achar que “videogames são apenas diversão” é uma leitura simplista da coisa, é igualmente superficial pensar que “concertos de games servem somente para divertir o público com as músicas mais nostálgicas e conhecidas”. O segmento é totalmente perturbador, transmitindo tensão e medo como poucas vezes se ouviu em espetáculo similar.

“Pairbond – Bioshock 2 Theme” (0:55) parte das cordas melancólicas para um solo de violino tristonho à la “Welcome to Rapture”, seguindo para um diálogo com o violoncelo. Sublime a interpretação dos instrumentistas. Mesmo sem uma transição, caiu bem a “Big Sister On The Move” (3:22) em seguida porque é uma faixa para impactar, com violinos nervosos na sequência. O clima acalma um pouco com a música que começa em 4:40 e vai até 5:49, em participação marcante da celesta. Não consegui encontrar de forma alguma no Sounds From The Lighthouse: Official BioShock 2 Score tal excerto. Se alguém souber a resposta não hesite em se manifestar. A última, “Escape” (5:51), foi aproveitada a partir de 2:01 na original. Permita-me perguntar em caixa alta: O QUE É ESSE CORAL? Na versão do jogo surgem uns bramidos (provavelmente feitos por um coro sampleado). Aqui as 80 vozes esparsas do Gothenburg Symphony Chorus criam uma atmosfera assustadora inigualável.

Pelo estilo incomum, é para ficar contente com as palmas efusivas do público, importante salientar, quando a performance acaba.

– “BioShock 2 Suite”
“Pairbond (Bioshock 2 Theme)” ~ “Big Sister On The Move” ~ “Escape”

Entrevista com o compositor Garry Schyman, de Dante’s Inferno e da série BioShock

Por Alexei Barros

Independentemente dos atrativos exclusivos dos videogames, como a interação, hoje as músicas de um jogo exigem os mesmos esforços que qualquer trilha sonora de filmes ou seriados, seja no custo, na estrutura ou no processo criativo. Com isso, consolida-se uma safra de compositores ocidentais que atuam nestas esferas simultaneamente, das quais se destacam Christopher Tin, Gerard Marino, Cris Velasco, Michael Giacchino, Steve Jablonsky e Harry Gregson-Williams. E Garry Schyman.

Embora tenha despontado com as trilhas de séries famosíssimas na década de 1980, como Esquadrão Classe A (The A-Team), Magnum, P.I. e Super-herói americano (The Greatest American Hero), Schyman mais recentemente se notabilizou pelas colaborações para jogos como BioShock, Destroy All Humans, Dante’s Inferno e Front Mission Evolved. Ele é só o cara que compôs a perturbadora “Dr. Steinman” e a obra-prima pianística “Cohens Masterpiece” do BioShock.

Nesta entrevista totalmente organizada e conduzida pela Rebeca “Bebs” Gliosci do Girls of War, também feita em parceria com os blogs Diário de uma Gamer, Gamus e Level Gamer, Schyman remonta as suas inspirações e comenta a abordagem da sua trajetória nos games, em especial os últimos trabalhos.

Eu e o mestre ClauBioShock Prandoni tivemos a oportunidade de colaborar com três perguntas cada (surpreende que tenha questionado sobre as músicas que foram tocadas em concertos?). O bate-papo gravado via Skype pode ser conferido de várias formas: áudio em inglês com o link abaixo do Vimeo, a transcrição da entrevista em inglês para os visitantes internacionais (sim, eles existem) e a tradução desta para português.

Mais uma vez agradeço a Rebeca pelo empenho e por permitir que os topeiras também sugerissem parte das perguntas.

P.S.: Agora na expectativa pela soberba “Storm of Lust” em algum concerto.


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