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Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado

Por Alexei Barros

Seis meses de arranjo e orquestração. Catorze dias de ensaios. Para pouco mais de 1 hora e 20 minutos de apresentação. Compensa tanto tempo e labor? Respondo com um decisivo sim (sem esquecer o processo de seleção de faixas, a parte burocrática de licenciamento e a fadiga dos instrumentistas e envolvidos). Vale não apenas pela experiência musical ímpar que se vivencia naquela hora – inesquecível para os 2000 espectadores in loco; memorável para tantos outros mundo afora –, como também porque agora o resultado do processo esmeroso ficou imortalizado em um disco para infindáveis apreciações.

Falo evidentemente do Symphonic Fantasies, concerto em homenagem à Square Enix que foi aclamado em diversas partes do planeta graças à inédita transmissão em streaming de vídeo, a ponto de ser elogiado pelos responsáveis de outras produções, como Tommy Tallarico, do Video Games Live, e Hiroaki Yura, do A Night in Fantasia. A fórmula inovadora delineada pelo produtor Thomas Boecker e idealizada pelo arranjador Jonne Valtonen de coadunar temas das mesmas séries em suítes longas de alto valor artístico se mostrou muito mais acessível do que se poderia imaginar para um público acostumado com arranjos presos aos temas originais, que é o que os concertos de games, em sua imensa maioria, costumam oferecer.

Tudo aconteceu no dia 12 de setembro de 2009, no suntuoso Philharmonic Cologne Hall na cidade de Colônia, Alemanha, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, com aproximadamente 80 integrantes, e do WDR Radio Choir Cologne, formado por 40 coristas, sob a regência de Arnie Roth. Na plateia, estavam Yoko Shimomura, representando a série Kingdom Hearts; Hiroki Kikuta, Secret of Mana; Yasunori Mitsuda, Chrono Trigger e Chrono Cross; e, finalmente, Nobuo Uematsu, a série Final Fantasy.

Depois de rumores esparsos, o disco foi anunciado pelo administrador da WDR Orchestra, Winfried Fechner, em entrevista ao SEMO realizada em março de 2010. A data de lançamento foi veiculada pelo site da Amazon alemã inicialmente para dia 21 de maio com publicação da Sony Classical Germany. Todavia, tratava-se de um equívoco da loja virtual, que alterou a data para 31 de dezembro. Posteriormente ocorreu a revelação oficial para setembro, desta vez com o selo da Decca (Universal Music). Em seguida, o lançamento alemão foi precisado para o dia 24 e, numa decisão rara, adiantado para uma semana antes, 17 de setembro, pouco mais de um ano depois da realização do concerto. Dois dias antes, a Square Enix publicou o álbum no Japão com número de catálogo SQEX-10202.

O conteúdo musical é o mesmo, a diferença é o encarte. A edição germânica possui na capa um estiloso controle-violino de madeira, ao passo que a japonesa possui a imagem da lateral de uma espécie de enciclopédia com os nomes dos compositores em destaque. No livreto há perfis dos principais envolvidos, mas infelizmente a compreensão do texto é limitada aos entendedores dos dois idiomas locais. Um detalhe que poderia ser acrescentado são as letras em latim e tradução das suítes de Secret of Mana e Final Fantasy como foram escritas especialmente para o concerto de acordo com os universos dos respectivos jogos e séries. Cada suíte tem quatro faixas detalhadas (exatamente as anunciadas antes do concerto), e não seria muito pedir que fossem arroladas todas as músicas homenageadas – a ordem é impossível, eu sei, pelo menos a lista completa, ainda que na maioria dos álbuns a informação não seja divulgada oficialmente.

Apesar de planejado para ser executado ao vivo, o conceito do Symphonic Fantasies está muito mais de acordo com um álbum. Explico. Exceção à suíte de Final Fantasy, que segue formato mais simples de medley, ou seja, faixa A + faixa B + faixa C e assim por diante com devidas transições, as outras três suítes são quebra-cabeças, com idas e vindas, variações, sobreposições de melodias e alusões sutis. É impossível absorver tudo de primeira, por isso é um imperativo novas audições. Por que então ouvir o CD se as gravações estão no YouTube e afins?

Primeiro porque é muito mais recompensador possuir uma recordação material de um espetáculo histórico e caprichado como o Symphonic Fantasies, e outro porque a qualidade está ainda melhor, acredite você, como se não bastasse a perfeição da transmissão ao vivo. Editada e mixada no WDR Radio Studios, a gravação passou pelo crivo do arranjador e dos quatro compositores e foi masterizada no Abbey Road Studios. Parece gravado em estúdio pela nitidez de som estonteante, e só se percebe que é ao vivo pelos aplausos no final de cada um dos cinco números e pelos risos ao fundo acompanhado de um “woow!” de um infeliz da plateia quando é tocado o tema dos Chocobos.

Falei cinco números. O sexto, “Encore (Symphonic Fantasies)”, que era um medley convencional de oito minutos com quatro temas de batalha contra chefe, acabou não cabendo no CD e está somente disponível na versão digital. Embora preferisse dois discos para que fosse registrada a experiência do concerto em sua plenitude, não é uma ausência vital. Não deixa de ser uma decisão ousada, visto que a miscelânea acabava com a “One-Winged Angel”, e não é todo dia que sai um álbum de um concerto relacionado com Final Fantasy sem o tema considerado muitas vezes pelos fãs casuais como obrigatório.

Posto isso tudo, revisitei a abertura e as quatro suítes com o perdão da sua paciência porque há muitos detalhes que vieram à tona com a mixagem do CD. Não mencionei novamente as músicas que senti falta ou então comparei com outros arranjos. Seria redundante, sem falar que um ano depois, passo a compreender a ausência de algumas, porque cada segmento possui a própria vibração e complementa o outro no contexto do concerto, em uma escala gradativa. Foi tudo planejado e equilibrado para não enfastiar ou cansar os ouvidos no decorrer das suítes e na récita como um todo.

Depois do Hadouken você também pode conferir no Goear as suítes nas versões do álbum, mas fica o aviso: nada se compara ao CD, que está superior evidentemente. Um concerto com semelhante perfeição de performance suplica para ser apreciado na melhor qualidade possível.

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A track list final do Benyamin Nuss Plays Uematsu

Por Alexei Barros

Já eram de conhecimento 13 das 15 faixas do álbum solo de piano Benyamin Nuss Plays Uematsu, que sai dia 17 de setembro. Agora não só se sabe todas as músicas arranjadas como a ordem. As duas surpresas, contudo, podem não ser aquilo que eu e você estávamos imaginando. Serão duas composições novas: uma criada pelo Benyamin Nuss em homenagem ao Nobuo Uematsu e a outra vice-versa.

Eis a relação com os links das originais disponíveis e os arranjadores de cada uma:

01 “Prologue” (Lost Odyssey): Shiro Hamaguchi
02 “A Sign of Hope” (Lost Odyssey): Shiro Hamaguchi
03 “A Mighty Enemy Appears!” (Lost Odyssey):  Shiro Hamaguchi
04 “Terra’s Theme” (Final Fantasy VI): Bill Dobbins
05 “Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII): Bill Dobbins
06 “Where I Belong” (Final Fantasy VIII): Bill Dobbins
07 “The Serpent Trench” (Final Fantasy VI): Bill Dobbins
08 “Nobuo’s Theme” – Dedicated to Nobuo Uematsu
09 “A Place to Call Home” (Final Fantasy IX): Torsten Rasch
10 Fantasy over Themes of Final Fantasy VII: Alexander Roseblatt
11 “Main Theme” (Blue Dragon): Jonne Valtonen
12 “Waterside” (Blue Dragon): Jonne Valtonen
13 “My Tears and the Sky” (Blue Dragon): Jonne Valtonen
14 “Release the Seal” (Blue Dragon): Jonne Valtonen
15 “Years & Years” – Dedicated to Benyamin Nuss

Além dessas, não se esqueça do bônus arranjado por Francesco Tristano Schilmé, “Rad Racer Medley”, número de 10 minutos que será vendido digitalmente.  Como a lista foi finalizada, é possível constatar que há uma boa mescla entre peças obscuras e famosas, Final Fantasy e Mistwalker.  Mas talvez tenha faltado mais coisa da velha guarda da Square além de Rad Racer, como Makaitoushi SaGa, SaGa 2 Hihou Densetsu, Hankuju Hero, King’s Knight… o problema é que jogos como esses não são nada populares fora do Japão, e o álbum vai ser lançado a princípio no ocidente. Nada que comprometa, evidentemente, afinal estamos diante de várias faixas inspiradoras de Blue Dragon e Lost Odyssey para começo de conversa.

Também tiveram a piedade de publicar no YouTube duas amostras em vídeo com as performances de Benyamin Nuss, uma delas presenciada por Nobuo Uematsu:

“Nobuo’s Theme”

“Terra’s Theme”

[via Facebook]

Track list parcial do Benyamin Nuss Plays Uematsu; pianista fará turnê com as músicas do álbum


Por Alexei Barros

Se já prometia muito o Benyamin Nuss Plays Uematsu pela proposta de levar para o piano composições do Nobuo Uematsu sob o prisma de arranjadores de diferentes procedências agora com parte das faixas reveladas a expectativa só aumentou.

Há de ser confirmada a ordem das músicas, e leve em consideração que haverá duas surpresas a serem confirmadas. Permita-me elogiar a decisão de deixar Lost Odyssey sob os auspícios de Shiro Hamaguchi. Abomino quando um arranjador é escalado em mais de uma oportunidade para trabalhar com a mesma música. Por exemplo, o Motoaki Furukawa fez várias versões de faixas repetidas nas coletâneas de Gradius, e imagino como é chato dar o melhor para um arranjo, e depois ter que criar uma releitura diferente, que dificilmente consegue superar a primeira. É o que poderia acontecer se o Hamaguchi tivesse que arranjar de novo alguma do Final Fantasy, e que felizmente não vai ocorrer. As seleções me agradaram porque conseguem mesclar as mais manjadas, como “Terra’s Theme”, “Liberi Fatali” e “A Place to Call Home”, com as completamente obscuras “The Serpent Trench” e “Where I Belong”. Lost Odyssey, além de Blue Dragon, são números separados que juntos formam uma suíte de diversos movimentos. Em relação ao Final Fantasy VII, ainda não se sabe quais faixas compreendem a suíte.

Atente para o último item, nada mais, nada menos do que Rad Racer! Sempre achei a trilha subestimada e até hoje lamento que o jogo de corrida tenha sido ignorado naquele medley de composições antigas do Uematsu no Press Start 2008. Vislumbro como ficaria uma “Racing Track 2” no piano. O segmento será exclusivo para quem comprar o álbum digitalmente.

Confira os autores dos arranjos de cada uma, com os tradicionais links para as originais:

Shiro Hamaguchi:
“Prologue” (Lost Odyssey)
“A Sign of Hope” (Lost Odyssey)
“A Mighty Enemy Appears!” (Lost Odyssey)

Bill Dobbins:
“Terra’s Theme” (Final Fantasy VI)
“The Serpent Trench” (Final Fantasy VI)
“Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII)
“Where I Belong” (Final Fantasy VIII)

Torsten Rasch:
“A Place to Call Home” (Final Fantasy IX)

Alexander Roseblatt:
– “Fantasy Over Themes of Final Fantasy VII” (Final Fantasy VII)

Jonne Valtonen:
“Blue Dragon Main Theme” (Blue Dragon)
“Waterside” (Blue Dragon)
“My Tears and the Sky” (Blue Dragon)
“Release the Seal” (Blue Dragon)

Francesco Tristano Schilmé:
– “Rad Racer Medley” (Rad Racer)

Não acabou ainda. Durante três meses, do dia 12 de setembro a 28 de novembro, o pianista Benyamin Nuss realizará uma turnê de 20 apresentações em diversas cidades da Alemanha e Luxemburgo com os arranjos do álbum. Fico na esperança de que ao menos um videozinho pipoque no YouTube. Abaixo as datas:

12/09 – Oldenburg (Theater Laboratorium) – 20:00
25/09 – Trier (Tuchfabrik, Moselfestspiele) – 20:00
01/10 – Dortmund (Konzerthaus) – 20:00
02/10 – Bonn (Beethovenhaus) – 20:00
03/10 – Hamburg (Laeiszhalle) – 18:00
06/10 – Luxembourg (Philharmonie) – 20:00
10/10 – Stuttgart (Schloss) – 17:00
14/10 – München (Gasteig) – 20:00
15/10 – Freiburg (Historisches Kaufhaus) – 20:00
17/10 – Heidelberg (Kongreßhaus) – 17:00
22/10 – Frankfurt (Alte Oper) – 19:00
23/10 – Leipzig (Gewandhaus) – 20:00
30/10 – Braunschweig (Stadthalle) – 20:00
31/10 – Neustadt (Hambacher Schloß) – 17:00
12/11 – Kaiserslauter (SWR Studio) – 20:00
13/11 – Ulm (Stadthaus) – 20:00
14/11 – Nürnberg (Meistersingerhalle) – 18:00
24/11 – Berlin (Philharmonie) – 20:00
27/11 – Göttingen (Aula Universität) – 20:00
28/11 – Düsseldorf (Tonhalle) – 18:00

[via SEMO]

Coletânea no piano homenageia composições do Nobuo Uematsu


Por Alexei Barros

Enquanto fico na expectativa por novidades do concerto Symphonic Legends surge a inesperada novidade: o anúncio do álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu. E o que tem a ver uma coisa com a outra? Ambos envolvem o jovem pianista alemão Benyamin Nuss, o intérprete da “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” na versão do CD do Symphonic Shades e da suíte “Fantasy I (Kingdom Hearts)” do Symphonic Fantasies. Isso que no Legends ele participa da “Fanfare for the Common 8-bit Hero” e também do segmento arranjado pelo Masashi Hamauzu mantido em segredo.

Agendada para o dia 17 de setembro, a compilação administrada por Thilo Berg e supervisionada por Thomas Boecker passeará por músicas de Final Fantasy VI, VII, VIII e IX e, como se não fosse mais surpreendente, Blue Dragon e Lost Odyssey, jogos que, diferentemente dos outros, jamais foram arranjados para piano. Ainda haverá um tributo às primeiras composições do Uematsu. Não sei como foi possível, uma vez que a Square Enix normalmente não permitiria um lançamento assim com composições de outras empresas. O disco será publicado pela Universal Music (Deutsche Grammophon/DECCA), a maior no mundo no que se refere a selos musicais, o que representa uma grande conquista da game music.

As faixas serão de composições avulsas, e foram confirmadas três suítes: dos dois jogos da Mistwalker e do FFVII. O time de arranjadores impressiona pela variedade de estilos e nacionalidades: o japonês Shiro Hamaguchi, o finlandês Jonne Valtonen, o compositor russo de piano Alexander Rosenblatt, o luxemburguês especialista em barroco Francesco Tristano Schlimé, o alemão modernista Torsten Rasch e o norte-americano jazzista Bill Dobbins. Para quem aprecia coletâneas de piano, promete ser um álbum e tanto.

[via SEMO]

“Fanfare for the Common 8-bit Hero” – Symphonic Legends

Por Alexei Barros

Repetindo a dose da “Fanfare overture” do Symphonic Fantasies, o Symphonic Legends terá uma composição original do arranjador Jonne Valtonen para abrir a apresentação – no caso, de músicas da Nintendo, com franquias como Mario, Zelda, Donkey Kong, Metroid e F-Zero. E mais!

E como há cerca de um ano, foi gravado um vídeo da fanfarra, desta vez no Cologne Philharmonic Hall, que também foi o palco do Symphonic Fantasies, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, aqui sob a regência do maestro Eckehard Stier, o mesmo que conduziu as gravações do álbum drammatica. Chega a ser redundante comentar sobre a qualidade da orquestra, e até começo a reconhecer alguns rostos dos instrumentistas dos espetáculos passados.

Como sou presa fácil para músicas grandiosas de abertura, apreciei a música, que em alguns momentos me passou uma vibração de filmes da Disney. Só esperava que o pianista Benyamin Nuss tivesse uma participação maior na peça, já que ele costuma solar, mas é apenas uma constatação.

O concerto acontecerá dia 23 de setembro de 2010, e também terá arranjos do Shiro Hamaguchi, Hayato Matsuo e um terceiro secreto, e a participação do Rony Barrak na percussão e do coral State Choir Latvija.

P.S.: Ainda sobre o Symphonic Fantasies, recentemente foi divulgada a data de lançamento do CD: 21 de maio de 2010 com publicação da Sony Classical. O álbum na Alemanha sai por 16,99 euros (hoje uns 40 reais ignorando os impostos) e já pode ser adquirido pela Amazon germânica.

Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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Symphonic Fantasies: três das seleções de Kingdom Hearts

Por Alexei Barros

Como previsto, foi revelada uma trinca das músicas da suíte de Kingdom Hearts no Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Evidente que a suíte, que terá 15 minutos de duração, também abarcará muitas outras composições da Yoko Shimomura que serão reveladas apenas na hora das apresentações, que acontecerão nos dias 11 e 12 de setembro. No vídeo, o maestro Arnie Roth tratou de revelá-las. Comentarei-as individualmente:

“Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsO icônico solo de piano da tema da tela-título é uma música maravilhosa que curiosamente foi lembrada somente no “Kingdom Hearts Medley” (de 1:58 a 2:32) do Press Start 2007. Pela própria singeleza, eu imagino que a “Dearly Beloved” abrirá a suíte (até porque é a primeira música que você ouve no jogo, e cada segmento procura recriar a experiência), a não ser que a faixa seja tocada numa interpretação mais energética, no estilo da Concert Paraphrase on “Dearly Beloved” da Piano Collections Kingdom Hearts.

“The Other Promise” (Kingdom Hearts II Final Mix +)

Kingdom Hearts II Final Mix +A WDR Radio Orchestra do Symphonic Fantasies havia tocado a “The Other Promise”, em arranjo da própria Yoko Shimomura e orquestração da Natsumi Kameoka no álbum drammatica: The Very Best of Yoko Shimomura. Porém, será uma releitura diferente, com abordagem distinta, preparada pelo finlandês Jonne Valtonen. Além disso, a escolha é um pouco ousada porque a faixa foi inclusa na versão Final Mix + de KH II, que apenas foi lançada no Japão – talvez somente os hardcores conheçam com mais profundidade. Aliás, a “The Other Promise” também está na Piano Collections Kingdom Hearts.

“A Fight to the Death” (Kingdom Hearts II)

Kingdom Hearts IIConforme Arnie Roth revelou no vídeo, o pianista Benyamin Nuss, que tocou a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” na versão que está registrada no CD do Symphonic Shades, será a estrela da performance, e certamente a faixa demonstrará a habilidade virtuosística do talento de apenas 20 anos de idade. De fato, Nuss tocará piano durante toda a suíte de Kingdom Hearts, então a ênfase será no instrumento.

Semana que vem é a vez de três faixas de Secret of Mana serem reveladas. Mal posso esperar.

[via Symphonic Fantasies]


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