Posts Tagged 'Benyamin Nuss'



“F-Zero (Race for Piano and Orchestra)” – F-Zero (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Um dos assuntos que me fascinam nos concertos de games são as dificuldades de verter as músicas para orquestra, seja arranjos literais ou ousados. Melodias frenéticas e ritmos acelerados dificultam a adaptação do que antes era reproduzido por um chip e agora é feito por dezenas de instrumentistas. Do que acompanhei, já se comentou que “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) e a trilha do Mega Man 2 são difíceis de serem traduzidos para o idioma sinfônico. As duas foram relidas sem grandes traumas no Symphonic Fantasies e Distant Worlds no caso da primeira e Press Start no da outra, e gostei de todos os resultados.

A “Mute City” vem se mostrando muito mais avessa à orquestração, impressão esta confirmada pelo Eric “Cosmonal” Fraga. A música parece simples, mas esconde certa complexidade, desde a introdução até o diálogo entre dois instrumentos sintetizados. No primeiro arranjo oficial, “F-Zero (Race Suite)” do Shiro Hamaguchi para o Symphonic Legends, não me agradou a parte introdutória que parece oriunda de um filme sci-fi  e a inserção de outros enxertos originais que atrapalharam o reconhecimento da melodia e desaceleraram a escalada da música. Além disso, o andamento não correspondia à velocidade que exige um tema ingame de jogo de corrida. Não à toa, o segmento foi reformulado para a revisão LEGENDS com arranjo do finlandês Roger Wanamo.

De fato, se os arranjos fossem os hovercars de F-Zero, o veículo de Wanamo daria três voltas de vantagem no de Hamaguchi. A nova versão, um concerto para piano, é inegavelmente mais lépida e com todas as nuances que caracterizam uma ferrenha disputa do título do Super Nintendo. Em vez de abordar a “Mute City” em sua totalidade, o arranjo se concentra em um trecho, o intermédio da melodia (0:20 a 0:37), abandonando a introdução e o diálogo que vem na sequência, imagino que para privilegiar a fluidez. O piano de Benyamin Nuss se opõe às cordas, madeiras e trompas em alternâncias impressionantes, às vezes com a companhia do xilofone. A “Mute City” é encadeada maravilhosamente na “Big Blue” a partir de 3:15, em referência breve e pulando a introdução, para culminar em um solo virtuosístico de Nuss anunciando a retomada da “Mute City”. A orquestra regressa, cruzando a linha de chegada.

Por mais que as originais já deem uma sugestão para passagens pianísticas (como 0:48 a 0:54 na “Mute City” e 0:50 a 0:54 e “Big Blue”), não há tais alusões. É interessante perceber o desenvolvimento e o conflito de toda a peça, que se desenrola com um tom artístico. Porém, mesmo que excepcional e tão associável a F-Zero a ponto de se imaginar uma corrida com a performance, o segmento não me deixou plenamente satisfeito como fã das músicas originais. Aqui novamente evoco trabalhos pregressos. O único momento da “F-Zero (Race Suite)” que, para mim, foi capaz de captar a empolgação da sintetizada é o diálogo que se estabelece entre flautas e trompas. Pois bem: o tão repetido diálogo é, falando por uma opinião estritamente pessoal, se é que uma opinião pode ser impessoal, a minha parte favorita da melodia da “Mute City”. Sobre a “Big Blue”, a aparição da faixa no “Smash Bros. Great Medley” do Shogo Sakai vai mais ao encontro do impacto que se aproxima do rock que as sintetizadas do SNES pendiam e que se cristalizou na “Endless Challenge” de F-Zero X. Entre a velocidade de Wanamo, a adaptação do diálogo do Hamaguchi e o impacto do Sakai, ainda não há um candidato que possa chamá-lo de definitivo.

De todo modo, aproveite o vídeo, porque é um dos poucos disponíveis dos números inéditos do LEGENDS.

[ATUALIZAÇÃO] Pois bem, chega das minhas especulações. Há sim uma explicação para o concerto para piano omitir o trecho do diálogo dos trompetes sintetizados da “Mute City”. Agradeço ao produtor Thomas Boecker por obter a explicação com o próprio autor do arranjo. Com as palavras, Roger Wanamo:

“Você deve ter notado que a melodia da “Mute City” ficou cerca de 50% mais rápida que a original. Depois de um monte de testes, eu cheguei à conclusão de que tinha que acelerar o tempo para expressar a sensação de velocidade e corrida intensa com o piano. Com esse novo ritmo mais rápido, a outra metade da melodia da “Mute City” não funcionou em minha opinião. Eu tentei incluí-la, mas tive de cortá-la quando ficou bagunçada e não soou bem de jeito nenhum.”

– “F-Zero (Race for Piano and Orchestra)”
Originais: “Mute City” ~ “Big Blue” ~ “Mute City”

Composição: Yumiko Kanki e Naoto Ishida
Arranjo: Roger Wanamo
Piano: Benyamin Nuss

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Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home: casa renovada para os próximos anos


Por Alexei Barros

Desfrutando das excelentes partituras preparadas para os concertos de Final Fantasy desde 2002, o Distant Worlds vem crescendo cada vez mais, revigorando o repertório com frequência. A Square Enix, satisfeita com o sucesso e recepção dos fãs, renovou o contrato por três anos, conforme divulgado na visita a Nova York.

Após dois CDs gravados em estúdio, foi lançado o primeiro produto ao vivo da turnê, Distant Worlds: music from Final Fantasy: Returning Home, pacote com um DVD e dois CDs lançado em 19 de janeiro no Japão e 1º de abril nos EUA cobrindo, em sua integridade, as duas apresentações realizadas em Tóquio ano passado, 6 e 7 de novembro, com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Wagner Society Male and Female Choir. Execução excelente. Faço apenas uma ressalva à reverberação além do que considero ideal, não no nível estratosférico do Press Start The 5th Anniversary, é bom que se diga.

Muitas reprises, números requentados e algumas novidades interessantes, correspondentes aos recentes Final Fantasy XIII e Final Fantay XIV. Tomei a liberdade de abordar apenas os segmentos inéditos ou seminovos nos comentários. Você não espera que eu comente outra vez “One-Winged Angel”, espera?
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“Rad Racer Medley” – Rad Racer (Benyamin Nuss Plays Uematsu)


Por Alexei Barros

No ano passado fiz uma análise da versão física do Benyamin Nuss Plays Uematsu, obra do prodigioso pianista alemão em homenagem ao compositor de Final Fantasy, com seleções da série, além de Blue Dragon e Lost Odyssey. O CD só cobre a porção famosa da carreira dele, e uma faixa corre o sério risco de cair no esquecimento por ser exclusiva da versão digital, apenas na compra de todas as músicas que acabou excluída por falta de espaço: “Rad Racer Medley”, título que foi sugerido por Thomas Boecker na consultoria do projeto.

Aquele sample não deixava enganar. “Rad Racer Medley”, se estivesse no álbum, seria a melhor, isso que o Benyamin Nuss Plays Uematsu por si só já era excelente. Estranhamente, o próprio Uematsu se mostrou envergonhado com suas composições anteriores a Final Fantasy – por falsa modéstia, piada, não importa –, como na revelação do “Uematsu’s Early Years Medley” do Press Start 2008. Acontece que Rad Racer, conhecido como Highway Star no Japão e que não tem créditos (spoiler no vídeo!), nem fez parte do medley, o que mostra um nível extra de menosprezo. Veja só a bobagem que diz o Videogame Music Preservation Foundantion Wiki: “A trilha de Rad Racer não impressiona. Você pode mudar as três estações de rádio no direcional para baixo no controle, mas cada música não é inspirada, e as faixas dificultam a concentração, então a maioria dos jogadores tende a deixar o rádio desligado”. OK. Pior é que tais opiniões acabam virando verdades absolutas ao servirem de base para artigos na internet e afins. A única coisa certa da citação foi a explicação sobre as estações. Como em OutRun – aliás, o jogo todo segue no vácuo da obra de Yu Suzuki –, é possível escolher qual música será ouvida, com a diferença que alternância pode ser feita durante a corrida. Manterei os nomes genéricos, lembrando que não são oficiais como jamais a trilha foi lançada em CD.

O medley arranjado pelo luxemburguês Francesco Tristano Schilmé (reitero a recomendação para ver o vídeo da fascinantemente experimental “Strings Of Life”) se concentra nessas três músicas de pista, abarcando quase que a trilha inteira – sobram “Ending Theme” e as vinhetas “Race Complete” e “Game Over”. Alguns trechos são variações arrojadas, e a trinca de temas desponta maravilhosamente na interpretação magistral de Benyamin Nuss.

De início, a introdução genial de “Racing Track 1” é repetida e alternada, quando lanço a pergunta: isso é mesmo game music ou alguma obra perdida de música erudita? O dinamismo da performance é algo impressionante, oferecendo toda a velocidade exigida para uma faixa de um jogo de corrida. Naturalmente a peça conflui na Racing Track 3″ (ou seja, a terceira na ordem das estações) a partir de 3:49. Tudo da anterior vale para esta: agilidade, técnica, destreza. Desacelerando, a miscelânea chega a um breve respiro em 6:05, com um trecho original, ou que não consegui identificar e que lembra bastante a “Revivification” de Final Fantasy II. Voltando a arrancar, o medley alcança a “Racing Track 2” (8:20), minha preferida das três, em versão espetacular, encerrando esta obra-prima pianística.

“Rad Racer Medley”
“Racing Track 1” ~ Racing Track 3″ ~ “Racing Track 2”

P.S.: Não me dou por feliz e me pergunto quando será homenageada a trilha do Rad Racer II, um dos poucos jogos da Square lançados exclusivamente nos EUA. Estranhamente ausente de muitas listas de trabalhos do Nobuo Uematsu (como no SEMO), levando em conta que ele está creditado, é recheada de faixas talvez ainda mais inspiradas, como Coast to Coast” e “Gum Ball Crash” – estavam intituladas desta vez.

LEGENDS: a ambiência aquática de Donkey Kong Country

Por Alexei Barros

“Aquatic Ambiance” é resultado do caso raro de uma composição ocidental em um jogo da Nintendo, e David Wise não perdeu a oportunidade oferecida ao criar um tema inesquecível. Repare que, atualmente, com a produtora terceirizando o desenvolvimento de Donkey Kong Country Returns para o estúdio americano Retro Studios, as faixas foram assinadas por um japonês, Kenji Yamamoto. À época, mesmo não prestando tanta atenção nas músicas como hoje, lembro do impacto que a música provocava.

Com total merecimento, a “Donkey Kong Country (Aquatic Ambiance)” foi escolhida para o Symphonic Legends e recebeu a repaginação de Masashi Hamauzu, que convergiu os holofotes em Benyamin Nuss (piano) e Juraj Cizmarovic (o spalla da WDR Radio Orchestra), com as cordas de apoio. Para o LEGENDS a partitura será  igual à exibida na Alemanha, mas a sonoridade terá maior riqueza pelo aumento da quantidade de instrumentistas. Na plateia, Masashi Hamauzu e David Wise, arranjador e compositor, assistirão ao concerto in loco, no Stockholm Concert Hall na Suécia, dia 1º de junho. E, com isso, é fechada a lista de três releituras do Hamauzu, sendo “Grünende Flur” (Kirby) e “Kleine Suite für einen großen Tag” (Pikmin) as outras duas.

“Nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi o tema aquático de Donkey Kong Country. Fiquei muito feliz quando me pediram para fazer o arranjo. É sempre gratificante se envolver em uma música de jogo que realmente gostamos. Essa segurança me deu coragem para fazer este arranjo ousado”, comenta Hamauzu, que ainda fez uma revelação. “Se escutar atentamente você pode ouvir a melodia de abertura em algum lugar do arranjo. Também é o tema recorrente do jogo original – Donkey Kong tem 30 anos –, e é importante para mim que tenho uma relação de quase a vida toda com a série.” Hamauzu se refere ao “Title BGM”, tema da tela-título do Donkey Kong de NES composto especialmente para esta versão por Yukio Kaneoka que aparece na introdução de DKC como a “Theme”, naquela hora em que o Cranky Kong toca a vitrola. Não consegui encontrar de jeito nenhum. Se achar no vídeo abaixo não deixe de comentar.

[via Facebook]

LEGENDS: a corrida para piano e orquestra de F-Zero

Por Alexei Barros

Nas vésperas do Symphonic Legends proclamei o segmento de F-Zero o mais aguardado por mim, por admirar a trilha e pelo quase ineditismo na orquestração das músicas. Fiquei confiante pela escolha do Shiro Hamaguchi, em decorrência de sua aptidão nos arranjos de Final Fantasy e Monster Hunter.

No momento em que ouvi a transmissão ao vivo da “F-Zero (Race Suite)”, não fui impactado tanto quanto gostaria. “Mute City” ficou devagar. Deveria ser lépida. “Big Blue” ficou formosa. Deveria ser empolgante. Faltou impacto e velocidade. Não que fossem necessariamente obrigatórias, as introduções de ambas (trechos até 0:19 e 0:15 nas originais, respectivamente) nem sequer foram aproveitadas. Para completar, um dos relatos in loco do evento comentou que a percussão eletrônica do Rony Barrak estava mais alta que a orquestra – desnível que não foi tão sentido pelo streaming. Resultado: a suíte é apenas OK, mas OK é pouco para o elevado patamar de releituras estabelecido pelos concertos de games em Colônia.

Acreditava que o número passaria por uma reformulação no LEGENDS, e logo pensei que o Roger Wanamo, até mais que Jonne Valtonen, seria o nome adequado para  verter satisfatoriamente as faixas de F-Zero, pelo que ele já fez no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends. Quem foi o escolhido? Então. Retomei a expectativa.

“Quando me pediram para arranjar F-Zero, a primeira coisa que pensei foi colocar Benyamin Nuss ao piano. Corrida é velocidade – e o piano confrontando a orquestra inteira é a combinação perfeita para traduzir este sentimento para a música”, afirma Wanamo. “Minha peça segue a estrutura de uma corrida intensa de F-Zero em três voltas. Algumas partes do segmento são suaves, enquanto outras contêm viradas rápidas e oferecem grandes oportunidades para ultrapassar o oponente e conquistar a liderança.”

Não esperava por um concerto para piano. Ainda mais do Wanamo, como as releituras não mostravam uma proeminência no instrumento, a não ser por alguns excertos do “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”. Porém, vale ressaltar que Wanamo estudou piano e chegou a dar aulas. Agora sim F-Zero tem tudo para chegar a mil por hora com a “Race for Piano and Orchestra”.

[via Facebook]

Benyamin Nuss Plays Uematsu: quando o prodígio encontra o mestre


Por Alexei Barros

É raro um pianista atuar simultaneamente em orquestras e bandas de jazz. Ainda por cima tão jovem. Quanto mais gamer! Benyamin Nuss é tudo isso com somente 21 anos de idade e logo em seu álbum de estreia homenageia um dos mais afamados compositores de jogos com a missão ambiciosa de introduzir game music aos apreciadores de música erudita.

Filho do trombonista Ludwig Nuss e irmão do pianista Hubert Nuss, ambos compositores e jazzistas internacionalmente conhecidos, Benyamin iniciou o aprendizado de piano com seis anos de idade, e a partir de então iniciou uma trajetória de sucesso sendo agraciado com diversos prêmios, ao mesmo tempo em que buscava se inspirar na técnica e interpretação de pianistas clássicos, como Sviatoslav Richter e Vladimir Horowitz, e na capacidade de improvisação de pianistas jazzísticos, como Chick Corea e Herbie Hancock.

Até aí pouca relação com jogos eletrônicos na música, ainda que tivesse crescido jogando videogames. Foi então que o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, conversou com ele sobre o concerto Symphonic Shades, e Benyamin compartilhou a admiração por game music. Dias depois recebeu uma ligação para gravar a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, na versão que acabou registrada no CD por se aproximar do intento original do compositor Chris Huelsbeck. Tratava-se de uma interpretação mais incisiva que a versão suave da “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” tocada pelo Jari Salmela na apresentação.

Mais famoso entre os fãs de game music Benyamin ficou no sucessor Symphonic Fantasies em 2009, desta vez participando do espetáculo ao vivo, na suíte de 15 minutos “Fantasy I: Kingdom Hearts”, em que o piano ganhou um destaque especial no arranjo de Jonne Valtonen. Em 2010, no Symphonic Legends, demonstrou incrível entrosamento com o violinista Juraj Cizmarovic na “Donkey Kong Country (Aquatic Ambiance)” arranjada por Masashi Hamauzu, e também tocou no bis “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”.

A notoriedade na Alemanha também em breve se estenderá ao Japão. Em 30 de outubro o pianista participará do evento Shinzo Kukaigi 5 e nos dias 6 e 7 de novembro do Distant Worlds music from Final Fantasy Returning Home, todos a acontecer em Tóquio, também para promover o lançamento japonês do disco, que se dará dia 27 de outubro. Isso que de setembro a novembro Benyamin Nuss excursiona por diversas cidades da Alemanha e Luxemburgo com performances do álbum de debute.

Publicado pela renomada Deutsche Grammophon (Universal Music), o disco Benyamin Nuss plays Uematsu foi produzido por Thilo Berg, baterista alemão, líder de big bands e administrador do pianista, com consultoria de Thomas Boecker, produtor executivo dos concertos Shades, Fantasies e Legends. São 15 faixas no total, gravadas nos dias 1, 2 e 4 de maio de 2010 no SWR Studio na cidade de Kaiserslautern. A seleção visitou Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, e contou com arranjadores de renome na game music e fora dela.

Shiro Hamaguchi é o arranjador da Piano Collections Final Fantasy VII, Piano Collections Final Fantasy VIII e Piano Collections Final Fantasy IX, e ficou encarregado de Lost Odyssey. Jonne Valtonen, autor do supramencionado arranjo de Turrican 3, de Blue Dragon. E Final Fantasy foi divido entre os menos versados em game music: Bill Dobbins, jazzista americano que dirigiu a WDR Big Band de 1994 a 2002, Torsten Rasch, alemão modernista que arranjou a ousada “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Symphonic Legends, e o russo Alexander Rosenblatt, compositor de piano. Para completar, Benyamin Nuss escreveu uma faixa em homenagem a Nobuo Uematsu e vice-versa. O encarte do álbum merece ser elogiado. Traz um breve comentário de Uematsu de cada uma das 15 faixas em japonês, alemão e inglês. Serviço completo.

Uma pena que o “Rad Racer Medley” de 10 minutos e meio de duração não coube no CD, que possui 68 minutos, e está disponível exclusivamente em formato digital na iTunes. Como é um jogo de corrida, proporcionaria variedade à supremacia de RPGs. O sample é promissor, ainda mais sabendo que o medley é arranjado por Francesco Tristano Schlimé, pianista luxemburguês que gosta de experimentações. Não bastasse a restrição, por enquanto, aos residentes na Alemanha por conta da limitação da loja virtual da Apple, o medley não pode ser comprado separadamente. Ou seja, quem adquiriu o álbum físico e quiser comprar a “Rad Racer Medley”, é obrigado a pagar os 9,99 dólares por todas as músicas.

Diante de tudo isso, finalmente os comentários faixa por faixa depois do Hadouken.
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Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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