Posts Tagged 'Akira Yamaoka'



“Theme of Laura” – Silent Hill 2 (VGO @ Berklee Performance Center)

Por Alexei Barros

Mais uma confissão: passei bem longe da série Silent Hill, lapso que não impediu de admirar a versatilidade de Akira Yamaoka, uma vez compositor, hoje compositor e produtor. Jamais lembrada nos concertos japoneses, a música “Theme of Laura” é constante no repertório da turnê do PLAY! A Video Game Symphony, e mais fantástico: em muitas das apresentações o próprio Akira Yamaoka tocou guitarra.

Sendo então bastante conhecida, ao menos para quem acompanha o PLAY!, não faria sentido colocar um vídeo da Video Game Orchestra pela redundância redundante. Mas não se engane. A performance da VGO se aproxima mais da original no momento em que a introdução é tocada no violão por Brian McCoy e não na guitarra como no PLAY!, e em certos momentos da música há duas guitarras, uma tocada pelo Shota Nakama e a outra pelo mencionado Brian McCoy. Para completar, no final é emendada a “Theme of Laura (Reprise)”, que é diferente da anterior, com piano e cordas (no original ouve-se somente um violoncelo) em andamento muito mais lento que na versão do jogo.

Se quiser comparar, veja a “Theme of Laura” tocada no PLAY! A Video Game Symphony em Estocolmo, na Suécia, em 2007, com a supracitada atuação do compositor da música, Akira Yamaoka.

[ATUALIZAÇÃO] Apenas um adendo. Como bem me lembrou o produtor Thomas Boecker, antes de fazer parte do set list do PLAY! A Video Game Symphony, a “Theme of Laura” estreou no concerto alemão Third Symphonic Game Music Concert (2005), com participação da banda de rock da República Tcheca, -123min.

“Theme of Laura” ~ “Theme of Laura (Reprise)”

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Otomedius G: o verdadeiro tributo a Gradius e Salamander


Por Alexei Barros

Foi só reclamar do time de arranjadores desconhecidos de GRADIUS house ReMix que a Konami me faz essa. Lança dois pacotes de músicas para o shmup Otomedius G (exclusivo da Xbox Live Arcade no Japão) com faixas de Gradius e Salamander relidas por um time insigne. Entre os destaques, Motoaki Furukawa, um dos compositores de Gradius II e guitarrista das bandas Kukeiha Club (extinta) e Voyager (na ativa); Takahiro Izutani, funcionário do estúdio GEM Impact de Norihiko Hibino e participante de Metal Gear Solid 4; Akira Yamaoka, compositor e produtor da série Silent Hill; Miki Higashino, eterna autora da trilha de Gradius e pérolas do MSX como Knightmare e Yie Ar Kung Fu; e, para fechar com chave de ouro e colocar a cereja no topo do bolo, Yuzo Koshiro, que dispensa apresentações, com o perdão de todos os clichês. Vou ser impertinente: Koshirão já disse que Gradius foi uma de suas influências – algo que ficou patente em Slap Fight do Mega Drive –, então por que fez o remix de uma faixa do Salamander?

Como não tenho nem mesmo os samples, coloco os links do GoEar para todas as versões originais para refrescar a memória. E é incrível como o som dos jogos da Konami no final dos anos 1980 e início 1990 tem algo mágico, totalmente nostálgico… Numa boa, o que são as músicas do Salamander 2?

Para variar, agradeço ao Fabão por ter transmitido a notícia.

Otomedius G BGM Pack Vol.1 – Gradius

“A Shooting Star” (Gradius II): Motoaki Furukawa
–  “Take Care!” (Gradius II): Hiromu Toda
“In the Wind” (Gradius III): Kplecraft
“Synthetic Life” (Gradius II): Motoaki Furukawa
“Sand Storm” (Gradius III): quad(luvtrax)
“Crystal Labyrinth” (Gradius III): Takahiro Izutani
– “Challenger 1985” [a.k.a. “1st Stage”] (Gradius): quad(luvtrax)
– “Final Attack” [a.k.a. “7th Stage”] (Gradius): Sharaku Kobayashi

Otomedius G BGM Pack Vol.2 – Salamander

“Combat” (Salamander): Akira Yamaoka
“Poison of Snake” (Salamander): Akira Yamaoka
“Silvery Wings Again” (Salamander 2): Naoki Maeda
“Thunderbolt” (Salamander): Akira Yamaoka
“Planet Ratis” (Salamander): Yuzo Koshiro
“Slash Fighter” (Life Force): Miki Higashino
“Sensation” (Salamander 2): Naoki Maeda
“Destroy Them All” (Salamander): Akira Yamaoka


[via Gpara]

Documentário Game One – As estrelas nipônicas da game music

Por Alexei Barros

Mais uma relíquia extraída diretamente das grutas do Nico Nico Douga. Documentário de 27 minutos sobre game music do canal Game One, com depoimentos de Nobuo Uematsu, Yuzo Koshiro, Hitoshi Sakimoto, Nobuyoshi Sano, Akira Yamaoka e Masaya Matsuura. Não entrevistaram Koichi Sugiyama e Koji Kondo, infelizmente. Para muitos, como eu, há um problema: está em francês. Mesmo com o entrave do idioma, é possível, obviamente, ouvir e relembrar algumas das principais trilhas dos compositores, e acompanhar momentos imperdíveis, os quais eu destaquei abaixo para atear a sua curiosidade:

Parte 1

1:05: Nobuo Uematsu no estúdio Smile Please
4:22: Uematsu toca “At Zanarkand” (Final Fantasy X) no teclado
5:55: Lojas com CDs de game music no Japão
7:00: Yuzo Koshiro menciona Tower of Druaga, Space Harrier e Gradius
9:42: Koshiro interpreta “Offering” (Actraiser) no piano

Parte 2

0:22: Hitoshi Sakimoto comenta sobre Radiant Silvergun, Vagrant Story etc.
4:28: O jornalista Rolling Uchizawa mostra “Xevious”, do primogênito vinil Video Game Music de Haruomi Hosono
4:56: Nobuyoshi Sano fala acerca de Tekken e Ridge Racer
8:00: Akira Yamaoka relembra Sparkster e Silent Hill

Parte 3

2:22: Masaya Matsuura discorre sobre Parappa the Rapper e Vib Ribbon

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Músicos polivalentes

Por Alexei Barros

Resolvi fazer uma versão visual desse tema que chegou até a render um podcast, já que o assunto é bastante interessante (para mim, pelo menos). Já falei de Hirokazu Tanaka, que não feliz em ser um excepcional compositor, idealizou a câmera e a impressora do Game Boy e atualmente é presidente da manufaturadora de cards Pokémon, a Creatures Inc. Nesse mesmo post também citei um caso de um designer que fez músicas: Miyamoto e a sua participação sonora em Donkey Kong. Só que além deles, outros também chegaram a se aventurar em áreas diferentes. Compositores viraram designers. Designers se tornaram compositores. Ou os dois ao mesmo tempo.

– Yuzo Koshiro

yuzo-koshiro1.jpgAntes de qualquer coisa, vou dizer de novo: Yuzo Koshiro fará o arranjo da Green Hill Zone na fase do Sonic no Smash Bros. Brawl. Ponto. Não irei contar de novo a sua trajetória, mesmo porque há uma biografia cabal dele em português. Normalmente, Koshiro já seria versátil por adotar diferentes gêneros musicais, só que ele expandiu ainda mais a sua multiplicidade ao atuar como compositor e produtor em Beyond Oasis, vulgo o “Zelda: A Link to the Past do Mega Drive” desenvolvido pela Ancient, estúdio o qual foi fundado por sua mãe e onde atua a sua irmã, que é designer de personagens. Também se envolveu em games totalmente recônditos, como Culdcept e Vatlva, ambos do Saturno exclusivos do Japão. Não sei se é coincidência ou não, mas depois que Koshiro decidiu fazer não apenas músicas sua inspiração nunca mais foi a mesma. Após aparentemente ter se encontrado, Koshiro então participou de trilhas expressivas como Castlevania: Portrait of Ruin e Super Smash Bros. Brawl, em que remixou o tema da fase de Sonic (tomara!).

– Chihiro Fujioka

fujioka.jpgTudo bem, Fujioka bolou a história do esquecível Final Fantasy: Mystic Quest, só que ele dirigiu Super Mario RPG. Começou sua carreira em 1983 ao ingressar na desenvolvedora de jogos para PC, Xtalsoft, que viria a se fundir com a T&E Soft em 1985 até finalmente ser comprada pela Square. Em 1992, fez a trilha com Ryuji Sasai e a direção de Final Fantasy Legend III, ou SaGa III no Japão, do Game Boy. Seu nome está creditado nos agradecimentos especiais de Mario & Luigi: Superstar Saga e trabalhou ainda no design de campo de Mario & Luigi: Partners in Time. Precisava também voltar a fazer músicas.

– Akira Yamaoka

akira-yamaoka1.jpgUm dos poucos compositores que conseguiu transcender as músicas sem deixar de fazê-las com excelência. Yamaoka compôs trilhas de vários jogos, como Sparkster (aquele saudoso game de plataforma 2D para SNES e Mega cujo protagonista aparecerá no International Track & Field 2007) e Winning Eleven 3 e 4. Em Silent Hill se consagrou: compôs todas as trilhas da série, sendo que em SE3 e SE4 também assumiu a produção e no filme, a produção executiva. Ainda se dá o luxo de tocar guitarra em apresentações ao vivo, como acontece esporadicamente no PLAY! com “Theme of Laura” de Silent Hill 2 e como ocorreu no EXTRA Hyper Game Music Event 2007, em que fez dupla da Konami com o saxofonista Norihiko Hibino (Metal Gear Solid) para executar faixas como “Silent Hill” e “Snake Eater” (!).

– Daisuke Ishiwatari

daisuke-ishiwatari1.jpgApesar dos traços orientais, Ishiwatari nasceu em Johannesburg, África do Sul. Ele é a mente por trás da série de luta Guilty Gear, sendo não apenas o responsável pela criação da história, mas ainda pelo design de personagens e por grande parte da composição da ótima trilha sonora hard rock / metal da saga. Ainda por cima dubla os lutadores Sol Badguy e Holy Order Sol. O que falta mais ele fazer?

– Michio Okamiya

michio-okamiya1.jpgCo-produtor de Vagrant Story e Final Fantasy Tactics, produtor de Romancing Saga 3 e outras atividades relacionadas ao marketing: Michio Okamiya era apenas um guitarrista amador quando foi convidado por Uematsu para participar dos The Black Mages. No segundo CD da banda, The Skies Above (e onde está o terceiro?), arranjou “Otherworld” (FFX) e “Maybe I’m a Lion” (FFVIII). Destacou-se a ponto de ser escalado para a releitura de “The Story of the Hero’s Birth” do álbum Etrian Odyssey Arrange Version, cuja trilha original é do Yuzo Koshiro. Aliás, um remix excelente, que declina mais para o fusion do que para o hard rock das supracitadas, o que denuncia o seu ecletismo.

– Hiroki Kikuta

hiroki-kikuta1.jpgEsse é um que não desiste nunca. Possivelmente o mais versátil de todos eles. Envolveu-se em várias atividades, a maioria delas bem obscuras: foi ilustrador do mangá Raven, colaborou com um artigo da coletânea The Ghost in Machine Head 2, escreveu o romance Tennin so Kitan e já fundou duas empresas diferentes: Sacnoth e Norstrilia. Tudo isso. E muito mais.

Na Square, assinou as trilhas de Secret of Mana, Seiken Densetsu 3 e Soukaigi (os dois últimos só no Japão). Em 1998, tornou-se o CEO da Sacnoth, estúdio formado por ele um ano antes com a ajuda da SNK. Lá, praticamente doou seu sangue para o RPG Kouldelka (também apenas no oriente), com a composição, roteiro original e direção das CGs. Com a má fase financeira da SNK, Kikuta saiu da Sacnoth e fundou a Norstrilia em 2001: convergiu suas forças no MMORPG Chou Bukyo Taisen, que acabou sendo cancelado. Nos últimos dedicou-se à composição de músicas de jogos hentai para PC, além do também MMORPG Concerto Gate com Kenji Ito. Para completar, publicou dois álbuns solo: Lost Files (2006), que contém alguns samples do início de sua carreira que o fizeram ser contratado pela Square, e Alphabet Planet (2007), CD duplo com 35 faixas originais que remetem aos bons tempos de Secret of Mana.

Estava quase me esquecendo de comentar o disco secret of mana+, que é um dos mais ousados. Nele, Kikuta apresenta apenas uma música de quase 50 minutos, que mistura fragmentos sonoros do jogo com ruídos de água escorrendo, toques de telefone e outros barulhos. Sim, ele deve ser meio doido mesmo.


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