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Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home: casa renovada para os próximos anos


Por Alexei Barros

Desfrutando das excelentes partituras preparadas para os concertos de Final Fantasy desde 2002, o Distant Worlds vem crescendo cada vez mais, revigorando o repertório com frequência. A Square Enix, satisfeita com o sucesso e recepção dos fãs, renovou o contrato por três anos, conforme divulgado na visita a Nova York.

Após dois CDs gravados em estúdio, foi lançado o primeiro produto ao vivo da turnê, Distant Worlds: music from Final Fantasy: Returning Home, pacote com um DVD e dois CDs lançado em 19 de janeiro no Japão e 1º de abril nos EUA cobrindo, em sua integridade, as duas apresentações realizadas em Tóquio ano passado, 6 e 7 de novembro, com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Wagner Society Male and Female Choir. Execução excelente. Faço apenas uma ressalva à reverberação além do que considero ideal, não no nível estratosférico do Press Start The 5th Anniversary, é bom que se diga.

Muitas reprises, números requentados e algumas novidades interessantes, correspondentes aos recentes Final Fantasy XIII e Final Fantay XIV. Tomei a liberdade de abordar apenas os segmentos inéditos ou seminovos nos comentários. Você não espera que eu comente outra vez “One-Winged Angel”, espera?
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A track list final do Distant Worlds II


Por Alexei Barros

Cumprir os prazos de lançamento deveria ser o normal entre as gravações de concertos, mas virou algo elogiável diante de CDs que atrasam meses e mais meses e escancaram a falta de profissionalismo de algumas produções. Se você não tem certeza, para que prometer antes da hora e enraivecer os compradores do álbum?

Não foi o caso do Distant Worlds II: more music from Final Fantasy. O disco gravado em estúdio em janeiro na Suécia foi agendado para junho. Depois foi marcado para o primeiro dia do mês. Não parou por aí. Um mês antes o álbum já pode ser comprado digitalmente por míseros 10 dólares no site oficial no formato que você bem entender: MP3 em 320 kbps, AAC, ALAC e, para os tarados por qualidade e com terabytes livres no disco rígido, o ignorante FLAC em HD 24bit / 88,2khz. O pacote virtual inclui ainda um PDF de 12 páginas com as letras, liner notes e fotos da gravação. Mas, de novo, não acabou aqui. O CD pode ser escutado de graça em streaming na íntegra! Não são meros samples, e sim faixas completíssimas em excepcional qualidade. Nem vou precisar republicar no Goear.

Vamos falar sobre a track list. Minha previsão ficou parcialmente furada. A “Kiss Me Good-Bye” (FFXII) e a “Twilight Over Thanalan ~ Beneath Bloody Borders” (FFXIV) não entraram, nem mesmo aquelas duas do FFXIII que vão fazer parte do repertório da turnê. No lugar, “Prima Vista Orchestra” (FFIX) e “Dear Friends” (FFV), de apenas um minuto e meio, que estrearam nos concertos Voices e 20020220, respectivamente. Com isso, sobraram poucas músicas dos concertos passados que ainda não foram gravadas em estúdio nem nesse e nem no predecessor.

A performance da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra e do Elmhurst College Concert Choir (isso sim é um coral) são tão impolutas que, sem exageros, passei a gostar mais de algumas músicas que não estimava muito. A “Suteki da ne”, pela primeira vez com a letra em inglês (é possível conferir os versos no link), é um exemplo por conta do agradibilíssimo timbre da Susan Calloway – acho que o meu problema era com a Rikki, a cantora da “Suteki da ne” original. Sendo assim, tomarei a liberdade de comentar somente as faixas inéditas que estrearam no Distant Worlds II, as que mais ansiava:

01 – “Prelude” (Final Fantasy series)
02 – “The Man with the Machine Gun” (Final Fantasy VIII)
03 – “Ronfaure” (Final Fantasy XI)
04 – “A Place to Call Home ~ Melodies of Life” (Final Fantasy IX)
05 – “Zanarkand” (Final Fantasy X)

06 – “Dancing Mad” (Final Fantasy VI)
Original: “Dancing Mad”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Adam Klemens e Kenichiro Fukui
Órgão de tubo: Oskar Ekburg
Banda: Earthbound Papas

Como herança do Fourth Symphonic Game Music Concert (2006), oportunidade em que estreou a “Dancing Mad” orquestrada, depois de tanto tempo intocada, a música passou a fazer parte do programa do PLAY! A Video Game Symphony. Em Estocolmo em 2007, a banda Machinae Supremacy ladeou a orquestra, coral e órgão na “Dancing Mad”. Pelo que acompanhei dos vídeos e gravações a mistura não funcionou muito bem ao vivo, porque é difícil conciliar em um mesmo ambiente instrumentos elétricos e a bateria com os coitados dos violinos e das flautas. Como aqui não é ao vivo, é possível isolar cada parte conflitante e misturar tudo. Isso mesmo o que aconteceu: aquela “Dancing Mad” do Fourth SGMC foi fundida com a “Dancing Mad” do The Black Mages, aqui representado pelo Earthbound Papas, resultando na mais perfeita, majestosa e avassaladora interpretação do tema da batalha final do FFVI. É a versão definitiva, enfim.

Felizmente, o solo de órgão de tubo, outrora limado na apresentação em Chicago, regressou. O ápice, o momento mais arrepiante, é naquele instante próximo do desfecho (8:22), em que a música alcança contornos épicos. Antes era só o coral ou apenas a guitarra. Agora são os dois, igualmente audíveis e não conflitantes. Uma loucura completa. Próximo passo: “Ending Theme”.

07 – “Victory Theme” (Final Fantasy series)
Original: “Fanfare”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Arnie Roth

Meu ceticismo se confirmou: apenas segundos de música. Apesar de sempre desejá-la orquestrada, não deveria ser em um segmento tão diminuto assim, porque não é substancial o bastante. O que custava tocar a melodia que vem logo na sequência?

08 – “Suteki da ne” (Final Fantasy X)
09 – “Terra’s Theme” (Final Fantasy VI)
10 – “Main Theme of Final Fantasy VII” (Final Fantasy VII)
11 – “Prima Vista Orchestra” (Final Fantasy IX)
12 – “Dear Friends” (Final Fantasy V)

13 – “JENOVA” (Final Fantasy VII)
Original: “J-E-N-O-V-A”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Arnie Roth, Eric Roth e Nobuo Uematsu

Quem diria que uma música tão repetitiva e, convenhamos, um tanto quanto sem graça originalmente apresentasse semelhante empolgação na versão orquestrada deste arranjo que é o primeiro preparado especialmente para o Distant Worlds (a “Victory Theme” não conta). A batida da bateria, aqui sem brigar com nenhum instrumento, é uma das principais responsáveis por isso, para não esquecer do coral e dos solos jazzísticos dos metais.

[via Distant Worlds]

“The Revenge of Shinobi Suite” – The Revenge of Shinobi (PLAY! 2007 em Estocolmo)


Por Alexei Barros

Milagrosamente encontrei uma gravação amadora do PLAY! A Video Game Symphony em Estocolmo, Suécia, 2007, e é uma pena constatar que o controverso CD oficial (se é que dá para chamar um CD-R de oficial) não originou desse concerto, mas da apresentação na República Tcheca em 2008. De maneira muito clara nota-se que a performance da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra no Stockholm Concert Hall – mesma orquestra e anfiteatro do Sinfonia Drammatica – foi muito,  muito superior em relação à Czech Philharmonic Chamber Orchestra. As seleções fugiram do lugar-comum, com Lost Odyssey, Shadow of the Colossus, The Darkness, e a maior prova é o encerramento do espetáculo com “Dancing Mad” em vez de “One-Winged Angel”. Bons tempos do PLAY!.

Uma das joias foi a execução da suíte de The Revenge of Shinobi. Volta e meia colocava nos posts o link da “The Revenge of Shinobi Suite” tocada no Fourth Symphonic Game Music Concert (2006), que marcou a estreia do segmento, mas a a qualidade da gravação está deprimente, sobretudo na primeira parte.

Agora sim é possível desfrutar da suíte arranjada pelo próprio Yuzo Koshiro e orquestrada por Adam Klemens – melhor que isso só com uma gravação profissional. Vai saber se haverá um volume dois. O solo de flauta evoca a “Opening”, e as cordas se juntam numa sinergia contagiante que cresce até explodir, preservando a emoção da composição. Depois, uma emenda sutil para a “The Shinobi”, com as cordas pontuadas pela percussão. Novamente aumenta a proporção da peça, encerrando de maneira bombástica com “China Town”, que perdeu as batidas e a atmosfera oriental da original. É magnífica, suntuosa, apesar de ausências como “Long Distance” e “Terrible Beat”, entre outras – isso que dá o Koshirão não ter feito um álbum Symphonic Suite como ActRaiser.

“The Revenge of Shinobi Suite”
“Opening” ~ “The Shinobi” ~ “China Town”

Symphonic Shades: o CD do melhor concerto que o Yuzo Koshiro já viu


Por Alexei Barros

O primeiro concerto de game music transmitido ao vivo via rádio. O primeiro concerto de game music de tributo a um compositor*. Symphonic Shades – Huelsbeck in Concert, integralmente devotado ao alemão Chris Huelsbeck, rompeu paradigmas no dia 23 de agosto de 2008. Sucesso de público e de crítica. E o que pensar quando um músico como Yuzo Koshiro disse o que disse? Quando solicitado para falar ao site oficial em uma palavra o que havia achado da apresentação, respondeu “Fantástico!”. Não se deu por feliz e emendou: “E se pudesse falar mais de uma palavra, eu adicionaria: foi o melhor concerto sinfônico que já vi!”.

A história do Symphonic Shades começa em 2007, quando o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, foi convidado para assistir e ficou extasiado com a atmosfera do Fifth Symphonic Game Music Concert, quinta e derradeira edição da série produzida por Thomas Boecker, que foi produtor executivo da turnê promocional de 2006 e consultor em algumas performances de 2007, como em Sydney, Austrália, do PLAY! A Video Game Symphony, mas atualmente não está mais envolvido no projeto. Aficionado pelas músicas de Chris Huelsbeck desde o Commodore 64, a ponto de gravá-las em fitas cassete para ouvi-las a qualquer momento, Boecker exprimiu sua admiração pelo compositor ao incluir em todos os anos pelo menos uma faixa de Huelsbeck em meio aos jogos japoneses e norte-americanos, e assim foi com “Apidya Suite” (First), “Turrican Medley” (Second), “The Great Giana Sisters Suite” (Third), “Turrican 3 Piano Suite” (Fourth), “Turrican II: The Final Fight Suite”, “Commodore 64 Medley” – inclui Shades e The Great Giana Sisters – e “Amiga Medley” – finaliza com Turrican II: The Final Fight – (Fifth).

A ideia de organizar um concerto inteiro com músicas do alemão existia há um bom tempo. “Chris Huelsbeck e eu faríamos esse concerto um dia, só não sabíamos a data exata”, disse Boecker ao SEMO. O produtor sugeriu o conceito a Fechner, que logo gostou do modelo. O Symphonic Shades foi divulgado em 4 de dezembro de 2007 e teve o envolvimento de pessoas de extrema confiança, seja do PLAY!, do SGMC ou do projeto original Merregnon: o maestro Arnie Roth na batuta da WDR Radio Orchestra Cologne e do FILMharmonic Choir Prague, o percussionista libanês Rony Barrak e os arranjadores Jonne Valtonen, Adam Klemens, Takenobu Mitsuyoshi e Yuzo Koshiro para interpretações totalmente inéditas, com exceção de “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, tocada no Fourth SGMC e presente no álbum Number Nine, que foi retrabalhada. Não é todo dia que japoneses e ocidentais, de estilos tão díspares, atuam em harmonia. As melhores músicas de Chris Huelsbeck então foram selecionadas para o repertório. Todas as composições estavam à disposição, e a única limitação era a duração do concerto.

Quando foram colocados à venda os ingressos para a apresentação às 20 horas locais no luxuoso Funkhaus Wallrafplatz – onde foi gravado o álbum drammatica -The Very Best of Yoko Shimomura- – em Colônia, Alemanha, esgotaram-se em uma semana. Devido à grande procura, uma reprise foi confirmada para as 23 horas no mesmo dia, e as vagas acabaram em pouco tempo. Diferentemente da série SGMC, que não pôde ser lançada por problemas de direitos autorais, o CD do Symphonic Shades foi anunciado e, para completar, foi apregoada a histórica transmissão ao vivo via rádio da estação WDR4, que acompanhei pela Internet. Mesmo sem entender alemão, deu para perceber o momento em que o público enviou uma saudação para todos os ouvintes espalhados pelo mundo, e quando Takenobu Mitsuyoshi e Yuzo Koshiro levantaram na plateia.

Depois de longa espera, a data de lançamento do CD foi precisada para 11 de dezembro, sofrendo um pequeno adiamento: saiu dia 17. Somente 1000 unidades foram publicadas, com demanda similar às apresentações. Não por menos. Chris Hülsbeck é celebridade em seu país, onde a cena de games foi completamente diferente da norte-americana e da brasileira, o que explica porque é relativamente pouco conhecido por essas bandas. Enquanto aqui, MSX, os clones de NES e principalmente o Master System foram populares, na Alemanha dominaram o mercado os computadores Commodore 64 e Amiga, plataformas as quais Huelsbeck se destacou. Eventualmente, as adaptações de Turrican e Jim Power para Mega Drive e Super Nintendo permitiram que escutássemos as suas composições. Porém, nem é preciso conhecer os títulos para se encantar com as músicas.

Por isso, falarei separadamente de cada uma das 15 faixas do CD (excluindo o solo de percussão de Barrak, 10 são de jogos e 4 de projetos não-gamísticos), situando os games, uma vez que muitos são obscuros para nós, com links para as músicas originais, as versões orquestradas da transmissão do rádio e vídeos do YouTube da récita – só não ligue para a câmera estática da gravação tal como no cinema primitivo – para reparar como os arranjos são magistrais. Confirmando a impressão que tive ao ouvir os samples, a qualidade que já era excepcional pelo rádio, ficou ainda mais apurada no CD, que mescla o melhor das duas apresentações, dos ensaios e do ensaio final. Além de pequenas mudanças na performance, é possível escutar os graves com maior vivacidade – os contrabaixos reverberando nos ouvidos é uma sensação inigualável. A bem da verdade, não me recordo de outro disco de game music em que pude escutar especificamente esses instrumentos de forma tão nítida. O álbum também vem com uma entrevista em alemão com Chris Huelsbeck, e é adornado por uma simpática ilustração de um maestro Turrican com batuta desenhada por Hitoshi Ariga.

Leia, ouça e veja depois do Hadouken sobre o CD do Symphonic Shades.

* Tecnicamente, o italiano Nobuo Uematsu Show (2007) precedeu o Symphonic Shades, só que, além de todos os arranjos serem reaproveitados de outros concertos, não cobriu a carreira de Uematsu na totalidade, apenas Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. As diversas récitas de Final Fantasy e Dragon Quest, apesar de terem músicas de um compositor, Nobuo Uematsu e Koichi Sugiyama, respectivamente, representam as séries, não os músicos.

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“Dancing Mad” – Final Fantasy VI (PLAY! 2007 em Sidnei)

Por Alexei Barros

Os australianos são uns sortudos. Eles já possuem um concerto exclusivo, que não faz turnês mundiais, o A Night in Fantasia. E de 19 a 23 de junho de 2007 receberam a visita do PLAY! A Video Game Symphony. Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco vezes! Sempre às 19 horas…

“Dancing Mad”, do Final Fantasy VI, que jamais foi executada em uma apresentação de FF, estreou em versão orquestrada em 2006 no Fourth Symphonic Game Concert (me espanto ao notar que ela passou despercebida no Orchestral Game Concert) e desde então é tocada esporadicamente no PLAY!. Lamento não ter descoberto o arranjador.

A câmera está a quilômetros de distância, a imagem meia-boca. Em compensação o áudio encontra-se em qualidade aceitável, o suficiente para apreciação. Preste atenção na arquitetura suntuosa da Sydney Opera House, que abriga um órgão de tubo poderoso. Dez minutos de música (a original tem 17 e a do The Black Mages, 12)  e o apogeu para mim é a partir de 8:09, quando o coral retorna majestosamente.


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