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Metal Gear in Concert: o início sólido de uma turnê certa na hora errada

Metal Gear Solid 3: Snake Eater abre o concerto por ser cronologicamente o primeiro jogo na história da série

Por Alexei Barros

Se me perguntassem anos atrás uma série que teria potencial para render um concerto, uma das respostas seria Metal Gear. Praticamente todas as apresentações e turnês de game music já tocaram diferentes músicas da franquia, que reúne um grande repertório musical e imensa popularidade mundial. Ficava fácil imaginar a viabilidade de um espetáculo dedicado. Isso anos atrás. Esse dia enfim chegou, mas tinha que ser justo depois que o criador Hideo Kojima saiu daquela forma que todo mundo sabe da Konami? E nesse momento de “expectativa” por Metal Gear Survive?

De qualquer forma, a série completou 30 anos em 2017, e o Metal Gear in Concert estreou no dia 30 de julho no Orix Theater em Osaka com performance da Osaka Symphony Orchestra. Uma segunda apresentação foi feita no dia 2 de agosto no Tokyo International Forum Hall A em Tóquio, dessa vez com a participação da Tokyo Philharmonic Orchestra. Ambos os espetáculos tiveram a regência do australiano Nicholas Buc, que também foi o responsável pelos arranjos. A julgar pelo seu site oficial, ele não tem experiência em games, mas já regeu diversos concertos com músicas de cinema, além de compor para filmes e documentários. A cantora Donna Burke, também da Austrália, participou das duas apresentações de uma forma que detalharei mais adiante.

Em relação ao set list, achei muito bacana a ideia de o programa ser na ordem cronológica da história da série, com medleys dos principais jogos. Só lamento que, apesar de o concerto não se chamar Metal Gear “Solid” in Concert, os dois primeiros jogos para MSX2, Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake, foram ignorados. O único consolo é que a “VR Training”, presente no segmento de Metal Gear Solid, resgata as músicas “Operation Intrude N313” e “Theme Of Tara” da trilha do Metal Gear de 1987. Até por isso fiquei com a impressão que essa música sem relação direta com o jogo principal ficou meio deslocada. Aliás, falando de Metal Gear Solid, não entendi a ausência da marcante “Encounter” pela quantidade de vezes que ela toca durante o jogo.

Minha maior dúvida em relação ao espetáculo é se o tema principal da série assinado por Tappy Iwase – justamente uma das músicas mais memoráveis de Metal Gear –, aparece de alguma forma nesses medleys, já que a Konami abandonou a composição após a revelação de que ela era fortemente inspirada em dois segmentos assinados pelo russo Georgy Sviridov. Além da “METAL GEAR SOLID” Main Theme na versão do Metal Gear Solid 3, a “Debriefing” do mesmo jogo e a “Freedom to Decide” do Metal Gear Solid 2 fazem referências à melodia proibida. Tem que ver isso aí….

Tirando certas faixas instrumentais, sem dúvidas as músicas cantadas estão entre as mais icônicas, mas há dois problemas com relação a isso. Algumas das canções são licenciadas, como a “The Man Who Sold The World” do David Bowie (The Phantom Pain) ou a “Here’s To You” do Ennio Morricone (Metal Gear Solid 4). Essas e todas outras não foram lembradas e honestamente não fizeram falta.

O outro contratempo é que as cantoras originais são de épocas e origens completamente diferentes e me parecia ser impossível reunir todas para um concerto estilo Voices: music from Final Fantasy – inclusive a cantora da “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), Carla White, faleceu em 2007.

A solução foi entregar para a Donna Burke não só as músicas que ela já interpretava originalmente (“Sins of the Father” do The Phantom Pain e “Heavens Divide” do Peace Walker), como também a “Snake Eater”, cantada no jogo pela Cynthia Harrell. É exatamente o que a Susan Calloway faz com as diferentes canções de Final Fantasy no Distant Worlds. Isso é um sinal da intenção de o Metal Gear in Concert virar uma turnê, pois ter apenas uma cantora facilita bastante as visitas do concerto em outros países – estão previstas apresentações na América do Norte e na Europa.

Porém, olhando para o set list, estão listadas duas músicas que originalmente são cantadas e ela não participou. A primeira é a “Love Deterrence” (Peace Walker), que tem a voz da Nana Mizuki na versão original. Por uma coincidência interestelar, dá para ver um trecho do arranjo instrumental dessa canção em uma das gravações amadoras que foram publicadas no canal do YouTube da Donna Burke. J-pop ou J-rock orquestrado não tem como ser diferente: ficou espetacular.  E, para ser sincero, faz uma bela contraposição com a maioria maciça de faixas cinematográficas e pouco melódicas.

A outra música, para minha decepção, é a “The Best Is Yet To Come”, que originalmente é cantada no idioma gaélico pela Aoife Ní Fhearraigh. Não consigo imaginar que uma versão sem voz consiga manter a sublimidade da canção, mas não vou criticar o que não ouvi. O mais curioso é que a própria Donna Burke tinha feito um arranjo da “The Best Is Yet To Come”, dessa vez com os versos cantados em inglês, para o álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks. Se fosse para cantar essa versão, para mim seria melhor nem ter vocal como de fato aconteceu. Confesso que o arranjo não me agrada nem um bocado, já que tira vários elementos que considero essenciais, como a arrepiante introdução a cappella (“An cuimhin leat an grá…”), a flauta de pã que dá o “toque de Yasunori Mitsuda” à música, o bouzouki que foi substituído pela harpa e até mesmo a participação menos presente dos back vocals (na versão em inglês são apenas dois, enquanto que na original é um coral de dez vozes). Fora a letra incompreensível que é parte do charme.

Curiosamente, no mesmo álbum Metal Gear Solid Vocal Tracks a Donna Burke também fez covers da supracitada “Can’t Say Good-bye to Yesterday” (Metal Gear Solid 2), além da “Love Theme” (Metal Gear Solid 4), cantada em hebraico pela Jackie Presti no jogo, e até mesmo da “Quiet’s Theme” (The Phantom Pain), que é interpretada originalmente pela Stefanie Joosten (e que ela própria cantou ao vivo no The Game Awards 2015). As três canções não estão no programa, mas em tese Donna Burke se garantiria em qualquer uma delas.

Outra lamentação é a ausência de compositores importantes da série. Claro que eu não iria imaginar o Tappy Iwase fazendo um solo de bateria, mas o Norihiko Hibino seria um nome bem-vindo no saxofone, apesar de mal ter participado das trilhas do Metal Gear Solid 4 e Peace Walker e nem passar perto do Metal Gear Solid V.

Ainda fico no aguardo do CD do concerto, mesmo com todas as ressalvas. O canal YongYea fez o grande favor de reunir em um único vídeo todos os trechos avulsos publicados da apresentação em Osaka. Apesar de não ter dado para ouvir tão bem pelo áudio meio ruim da câmera, me chamou a atenção que a performance conta com bateria e baixo elétrico na companhia da orquestra, o que muitas vezes não acontece nesse tipo de concerto. Confira no fim do post.

Donna Burke participou de três canções do Metal Gear in Concert – apenas a “Snake Eater”, com a voz da Cynthia Harrell na trilha do jogo, não é cantada originalmente por ela

Set list

Ato I

01. “METAL GEAR SOLID” Main Theme ~ “Across The Border” ~ “The Pain” ~ “Fortress Sneaking” ~ “Sidecar – Escape From The Fortress -“ ~ “Takin’On The Shagohod” ~ “Troops in Gathering” ~ “Life’s End” ~ “Debriefing” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
02. “Rain of Bane” ~ “Marshland” ~ “PUPA” ~ “Uninterrupted Signal” ~ “METAL GEAR SOLID PEACE WALKER Main Theme” ~ “Love Deterrence” (Metal Gear Solid: Peace Walker)
03. “Ground Zeroes” ~ “Bloodstained Anthem” (Metal Gear Solid V: Ground Zeroes) ~ “V Has Come To” ~ “Shining Lights, Even in Death” ~ “Sahelanthropus Dominion” ~ “Sins of The Father” (Metal Gear Solid V: The Phantom Pain)

Ato II
04. “VR Training” ~ “Intruder 1” ~ “Mantis’ Hymn” ~ “Hind D” ~ “Escape” ~ “The Best Is Yet To Come” (Metal Gear Solid)
05.  “Opening Infiltration” ~ “Olga Gurlukovich” ~ “Ray Escapes” ~ “Fortune” ~ “It’s the Harrier!” ~ “Battle” ~ “Freedom to Decide” (Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty)
06. “Old Snake” ~ “Gekko” ~ “Mobs Alive” ~ “Guns of the Patriots” ~ “Everything Ends” ~ “Father & Son” ~ “METAL GEAR SAGA” (Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots)

Bis
07. “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater)
08. “Heavens Divide” (Metal Gear Solid: Peace Walker)

Mais uma vez agradecido ao Fabão pelo link do report.

[via Metal Gear in Concert, 2083, Famitsu, NB Press Online, ameblog.jp]

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Gyakuten Saiban 15th Anniversary Orchestra Concert: concerto de debutante na sala de justiça

Nove anos depois, o maestro Hirofumi Narita voltou à sala de justiça para reger a Tokyo Philharmonic Orchestra

Por Alexei Barros

A justiça tarda, mas não falha: no dia 6 de maio aconteceram as duas apresentações do concerto comemorativo Gyakuten Saiban 15th Anniversary Orchestra Concert, que celebrou os 15 anos da série Ace Attorney (na verdade, esse aniversário de debutante aconteceu em 2016, como o primeiro Gyakuten Saiban para Game Boy Advance é de 2001).

O concerto de estreia de Ace Attorney ocorreu lá em abril de 2008 e saiu em CD e DVD – realmente parece que foi outro dia –, com direito a um repeteco em setembro do mesmo ano que incluía dois números inéditos. De lá para cá, a série ganhou seis jogos:

– Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth (DS, 2009)
– Gyakuten Kenji 2 (DS, 2001; inédito nos EUA)
– Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies (3DS, 2013)
– Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken (3DS, 2015; inédito nos EUA)
– Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice (3DS, 2016)
– Dai Gyakuten Saiban 2: Naruhodou Ryuunosuke no Kakugo (3DS, 2017; inédito nos EUA)

Portanto, um novo espetáculo seria totalmente justificado. Como eu falei acima, foram realizadas duas apresentações no Tokyo Bunka Kaikan e cada uma teve três segmentos exclusivos. Dai Gyakuten Saiban 2 foi lançado em agosto de 2017, depois do concerto, e não chegou a ser representado no programa.

Eu demorei tanto para fazer o post que deu tempo de o álbum ser lançado no dia 13 de setembro (no fim do post, há um link do YouTube). Um aspecto muito importante é que a Capcom não deixou nenhuma música de fora, registrando todos os 13 segmentos em um CD duplo. Como em 2008, os arranjos foram feitos por Noriyuki Iwadare, com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e a regência do maestro Hirofumi Kurita, que também conduziu os concertos de Monster Hunter.

As músicas mais icônicas, como o tema principal e dos personagens mais famosos, foram tocadas mais uma vez sem grandes surpresas, mas com muita nostalgia (a suíte dos três primeiros jogos é sempre primorosa). Porém, a meu ver, as suítes “Dai Gyakuten Saiban Suite” e “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (com temas de personagens) referentes ao Dai Gyakuten Saiban é que roubaram a cena por causa da presença do acordeão em diferentes momentos da performance. Chegou a me lembrar Professor Layton (ironicamente, a série com quem Ace Attorney já teve um crossover). Eu certamente apreciaria ainda mais se tivesse jogado, porém não há planos de localização em inglês, infelizmente.

O espetáculo deu tão certo que um novo concerto de Ace Attorney já está marcado para o dia 15 de abril de 2018, também com duas apresentações nesse mesmo esquema de set lists diferentes para cada horário. O site oficial promete arranjos inéditos.

Nas suítes de Dual Destinies e Spirit of Justice, o público foi incentivado a falar em coro os bordões da série

Set list (apresentação 14h)

Ato I
01. “Phoenix Wright ~ Objection!” (Phoenix Wright: Ace Attorney)
02. “Gyakuten Saiban 5 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies)*
03. “Gyakuten Kenji Meeting Suite” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)
04. “Gyakuten Kenji Suite – The Great Path” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)

Ato II
05. “Dai Gyakuten Saiban Suite” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
06. “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All)
07. “Mayoi Ayasato ~ Turnabout Sisters’ Theme” (Phoenix Wright: Ace Attorney)*
08. “Gyakuten Saiban 1~3 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney, Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All e Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations)*

Bis
09. “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
10. “Oo-edo Soldier Tonosaman” (Phoenix Wright: Ace Attorney)

Set list (apresentação 18h30)

Ato I
01. “Phoenix Wright ~ Objection!” (Phoenix Wright: Ace Attorney)
02. “Gyakuten Saiban 6 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice)*
03. “Gyakuten Kenji Meeting Suite” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)
04. “Gyakuten Kenji Suite – The Great Path” (Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth e Gyakuten Kenji 2)

Ato II
05. “Dai Gyakuten Saiban Suite” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
06. “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All)
07. “Godot ~ The Fragrance of Dark Coffee” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Trials and Tribulations)*
08. “Gyakuten Saiban 4 Courtroom Suite” (Apollo Justice: Ace Attorney)*

Bis
09. “Dai Gyakuten Saiban Suite Continued” (Dai Gyakuten Saiban: Naruhodou Ryuunosuke no Bouken)
10. “Oo-edo Soldier Tonosaman” (Phoenix Wright: Ace Attorney)

*Segmentos exclusivos de cada apresentação.

 

[via Capcom, 2083, Famitsu, Gamer, Dengeki Online, 黒薔薇卿歓楽館]

Tokyo Gametakt 2017: Yuzo Koshiro na regência, Hiroshi Kawaguchi no piano, Ace Combat 04 e Lunar 2: Eternal Blue em um mesmo concerto

De DJ a maestro: Yuzo Koshiro regeu o medley de Etrian Odyssey e revelou que ficou nervoso na condução da orquestra

Por Alexei Barros

Da série “deveria ter feito este post meses atrás” e também da série “não acredito que nunca ouviremos este concerto”. No dia 6 de maio de 2017 ocorreram as duas apresentações do espetáculo Tokyo Gametakt 2017. Produzido pelo estúdio noisycroak, do compositor Hideki Sakamoto, o evento buscou reforçar a importância da game music como um elemento cultural reunindo mais de 20 representantes de peso no Japão.

Além do concerto, também foram realizadas palestras com os compositores. Na verdade, esta foi a segunda edição do evento – a primeira foi a Okinawa Gametakt 2014. Agora parece que a intenção é tornar a periodicidade deste festival mais regular, tanto que já foi confirmado o Tokyo Gametakt 2018 para o dia 4 de maio do ano que vem. Um dado curioso é que a organização está recrutando instrumentistas e coristas para participarem dos ensaios e da performance.

Mas voltando para o Tokyo Gametakt 2017, a performance da Ryukyu Philharmonic Chamber Orchestra no Ota Kumin Hall Aprico “Great Hall” teve um aspecto muito interessante e que se aplicava ao saudoso Orchestral Game Concert que é o rodízio de maestros. Isso fez com que acontecessem algumas situações inusitadas, como a de Yuzo Koshiro reger o medley de Etrian Odyssey – aliás, de acordo com o report da Famitsu, ele confessou estar bem nervoso na ocasião.

O set list está recheado de músicas de jogos atuais de nicho para telefones móveis e portáteis, mas, entre esses títulos e mais alguns números de Final Fantasy, me chamaram a atenção três segmentos bastante incomuns que beiram a sacanagem não poder ouvir na íntegra. O primeiro deles é a “Main Theme” do Space Harrier com direito ao próprio compositor Hiroshi Kawaguchi no piano. Já sonhava com a orquestração de qualquer música dele na época áurea de arcades da Sega (After Burner, Power Drift, mais OutRun etc.), só não imaginava ele participando de uma performance orquestral.

Dos teclados da S.S.T. Band e [H.] para o piano acústico: Hiro participou da inesperada performance de Space Harrier

O segundo é a “Blue Skies”, tema dos créditos de Ace Combat 04. A “Zero” do Ace Combat Zero já tinha aparecido no Press Start algumas vezes, mas nunca poderia imaginar que iriam se lembrar dessa canção. A única ressalva que eu faço é que, pelo pouco que dá para ver no vídeo no fim do post, tocaram a versão original, não a adaptação “Blue Skies (Remix)” do Ace Combat 5 que pessoalmente me agrada mais. Pelo que entendi no tradutor do Google, o compositor Hiroshi Kubo estava preocupado com a performance da cantora SAK., já que foi desafiante cantar a música orquestrada sem nenhuma batida de referência por causa da síncope da canção.

E o terceiro e último segmento é de mais um jogo eternamente ignorado pelos concertos: Lunar 2: Eternal Blue, com a condução do próprio compositor Noriyuki Iwadare (ele já tinha regido um número no Gyakuten Saiban Special Courtroom 2008 Orchestra Concert). O set list do report da Famitsu não especificou quais faixas foram tocadas, mas o texto cita a música de abertura e temas de combate desse medley que teve arranjo do Iwadare.

Para deixar um gostinho, o canal do evento publicou um resumão em vídeo do concerto, mas adivinha se Space Harrier e Lunar 2: Eternal Blue aparecem? Pelo menos, como disse anteriormente, deu para conferir um pouco de Ace Combat 04. E no início Iwadare aparece regendo a suíte de Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice. Além disso, o canal do Hideki Sakamoto também publicou dois números completos de Bungo and Alchemist e Time Travelers. Também deixo os set lists com os links para as faixas originais (“set lists” no plural, porque o programa da apresentação da tarde foi bem diferente em relação à da noite).

Set list (apresentação 13h)

01. “Gate of Steiner” (Steins;Gate)
02. “Theme from Thousand Memories” (Thousand Memories) [regência: Keisuke Ito]
03. “Beast and Princess Medley” (Beast and Princess) [vocal: Haruka Shimotsuki]
04. “Main Theme” (Space Harrier)
05. “Awakening” (Final Fantasy XI)
06. “High Sky” (Terra Battle) [vocal: Akiko Kawano]
07. “Monster Strike Symphony 6th Movement ~Colossal~ (Game Takt Version)” (Monster Strike) [regência: Riichiro Kuwabara]
08. “The Days I’m Now Weaving” [String Quartet] (Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo)
09. “Blue Skies” (Ace Combat 04: Shattered Skies) [vocal: SAK.]
10. “Lunar 2: Eternal Blue Medley” (Lunar 2: Eternal Blue) [regência: Noriyuki Iwadare]
11. “Bungo and Alchemist” (Bungo and Alchemist) [regência: Hideki Sakamoto]
12. “Etrian Odyssey Medley 2017”: “Labyrinth I – Emerald Woodlands” ~ “Labyrinth V – The Fallen Capital of Shinjuku” (Etrian Odyssey) [regência: Yuzo Koshiro]
13. “Beyond the Sky” (Xenoblade Chronicles) [vocal: Sarah Àlainn]

Bis
14. “Blinded By Light” (Final Fantasy XIII)
15. “Glory” (Fortune Tellers Academy) [vocal: Sarah Àlainn/regência: Hideki Sakamoto]

Set list (apresentação 17h30)

01. “Main Theme” (Space Harrier)
02. “Juusei to Diamond” (Juusei to Diamond)  [regência: Keisuke Ito]
03. “Monster Strike Symphony 6th Movement ~Colossal~ (Game Takt Version)” (Monster Strike) [regência: Riichiro Kuwabara]
04. “You From a Distance” (Anata wo Yurusanai) [vocal: Akiko Kawano]
05. “Tokiwa-no-Orochi” (Toukiden 2) [regência: Hideki Sakamoto]
06. “Moujuutachi to Ohimesama Medley” (Moujuutachi to Ohimesama) [vocal: Haruka Shimotsuki]
07. “Gyakuten Saiban 6 Courtroom Suite” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice) [regência: Noriyuki Iwadare]
08. “Sweet Dreams” [String Quartet] (100 Sleeping Princes & the Kingdom of Dreams)
09. “City Music Medley” (série Wild Arms) [regência: Michiko Naruke]
10. “Sekai no Owari to Saigo no Kotoba” (Shoumetsu Toshi) [vocal: Emi Evans]
11. “Blue Skies” (Ace Combat 04: Shattered Skies) [vocal: SAK.]
12. “Promised Grace” (Final Fantasy Crystal Chronicles) [regência: Kumi Tanioka]
13. “Azure Revolution” (Valkyria Revolution) [vocal: Sarah Àlainn]

Bis
14. “Blinded By Light” (Final Fantasy XIII)
15. “The Final Time Traveler” (Time Travelers) [vocal: Sarah Àlainn/regência: Hideki Sakamoto]

Resumo

“Bungo and Alchemist” (Bungo and Alchemist)

“The Final Time Traveler” (Time Travelers)

Agradecido ao Fabão, que me me mandou o link do report séculos atrás.

[via Famitsu, 2083]

Project Octopath Traveler: um tema de combate imbatível


Por Alexei Barros

Uma das grandes promessas para o Switch em 2018, Project Octopath Traveler inicialmente me chamou mais a atenção pelo visual retrô. Por mais que todo J-RPG da Square Enix seja candidato a ter uma grande trilha sonora pelas tradições do estúdio, eu não estava tão interessado nesse aspecto sonoro do jogo até ouvir o tema de batalha exibido no vídeo abaixo.

A música bastante empolgante, com reminiscências de Bravely Default e jdk Band, é ilustrada por cenas dos instrumentistas gravando a trilha em estúdio. Em casos assim, a primeira coisa que busco saber é o compositor e, para minha surpresa, surgiu o nome de Yasunori Nishiki, que não conhecia. Porém, bastou ver o currículo dele para ver que esse não é um trabalho tão fora da curva assim. Antes de ser freelancer, ele trabalhou na Konami, onde foi o autor de trilhas da série Quiz Magic Academy, que tem músicas orquestradas fantásticas. Fico no aguardo do anúncio do álbum da trilha original, que ainda não foi confirmada.

[via VGMO]

Turrican – Orchestral Selections: Yuzo Koshiro arranja Chris Huelsbeck mais uma vez

Por Alexei Barros

Depois de ter lançado o Turrican II – The Orchestral Album em 2016 com a ajuda do Kickstarter, o compositor alemão Chris Huelsbeck voltou a usar o financiamento coletivo para um novo álbum orquestral da série Turrican, dessa vez com arranjos não só de Turrican II: The Final Fight, como também do Turrican original e de Turrican 3. O Turrican – Orchestral Selections foi lançado no dia 3 de dezembro e pode ser comprado digitalmente no Bandcamp por 15 dólares (ou então faixas avulsas por 2 dólares).

O detalhe que mais me chamou a atenção é que uma das músicas é arranjada por ninguém menos do que Yuzo Koshiro. O Koshirão inclusive já havia arranjado uma composição do Chris Huelsbeck para o concerto Symphonic Shades, a “Main Theme” (Jim Power in Mutant Planet), e o resultado foi não menos do que sublime. Isso sem contar as versões Retro Remix e Chiptune Arrange da “Main Theme” do Turrican II que o Koshiro arranjou e estão no Turrican Soundtrack Anthology – Maxi Single (como o nome sugere, obviamente não são arranjos orquestrados).

Nessa ocasião, quando fui ver qual a faixa escolhida, não podia acreditar que era justamente uma das minhas favoritas, a “Factory Action” (Turrican 3). Acho pouco provável que alguém tenha jogado o Turrican 3 no Amiga por estas bandas, porém essa mesma música aparece na primeira fase do Mega Turrican do Mega Drive (na verdade,  a versão para o console da Sega é a original, apesar de ter sido lançada depois do Turrican 3) e também na primeira fase do Super Turrican do SNES.

Não é possível ouvir uma amostra dessa música no Bandcamp, mas há poucos dias Huelsbeck compartilhou um megamix de sete minutos que passeia brevemente por todas as faixas no Soundcloud (clique ou ouça no fim do post) e nos poucos segundos já dá para perceber a genialidade do Koshirão em uma passagem pianística (4:58 no Soundcloud). Os demais arranjadores são todos nomes novos para mim: Robin Hoffmann, Matei Gheorghiu, Andreas Hedlund, Ingvar Karkoff, Hans Ek e Michael Fuchs.

Todas as músicas soam excelentes, mas, além da supracitada do Koshiro, duas me pareceram ainda mais maravilhosas, por sinal, ambas arranjadas pelo Robin Hoffmann. A quarta faixa, “Victory”, que corresponde ao tema de encerramento do primeiro Turrican… (2:15 no Soundcloud) Que música mais espetacular é essa? E a outra é a sétima, “Payment Day”, música de abertura do Turrican 3 (4:21 no Soundcloud). Estava mais acostumado a ouvir essa faixa no solo de piano no Symphonic Shades e é muito interessante que ela enfim tenha sido orquestrada.

Considerando tudo isso e que o álbum anterior Turrican II – The Orchestral Album já realizou meu sonho de ouvir “Traps” e “The Hero” orquestradas, a única música que faltou mesmo é a “Wormland” do Super Turrican 2. Quem sabe um dia…

Além da amostra do Soundcloud, deixo também um vídeo compartilhado pelo Huelsbeck que mostra um trecho da gravação da “Air Combat” (Turrican 3) com a performance da Norrköping Symphony Orchestra.

 

“Donkey Kong Country 2 Medley” – Donkey Kong Country 2 (Symphonic Gamers 2)

Por Alexei Barros

Embora seja reconhecido por muitos como um dos maiores jogos de todos os tempos – e parte desse mérito se deve pela trilha sonora –, Donkey Kong Country 2 é um jogo que, em termos de arranjos para orquestra, sofre da “síndrome de Sonic 2”. Enquanto existem ótimas releituras de ambos os jogos originais, as sequências não costumam ser muito lembradas pelos concertos.

No caso de DKC2 até existiu uma tentativa ou outra, porém nada que chegue perto da JAGMO (JApan Game Music Orchestra) neste medley. Eu costumo chamar essas orquestras japonesas de pró-amadoras, mas a JAGMO não tem absolutamente nada que dê para chamar de amador. Por algum motivo inexplicável, notei que ainda não tinha falado deles.

Além da performance exímia, a JAGMO conta com o grande atrativo de ter alguns concertos transmitidos na TV ou na internet, deixando para trás a obscuridade e secretismo que costuma ser inerente a essas orquestras japonesas – às vezes parece que quanto mais interessante o set list menor a probabilidade de ouvir o material. Este concerto em questão, batizado de Symphonic Gamers 2 e apresentado no NHK Hall, foi transmitido pela NHK e conta com uma excelente captação de imagens dos instrumentistas. Não bastasse mostrar na maior parte das vezes os músicos certos no momento exato, a legenda ainda identifica as diferentes faixas que compreendem o medley. A melhor parte disso é que o vídeo chegou aos ouvidos do próprio compositor David Wise, que elogiou a JAGMO no Twitter. O belo arranjo é de autoria da Erika Fukasawa, nascida em 1989.

Não existe maneira mais apropriada que abrir o medley senão com a “Fanfare”, seguida pela “K.Rool Returns”, música perfeita de início de uma longa aventura. A “Welcome to Crocodile Isle”, tema do mapa-múndi, ficou uma joia com solos de fagote, trompete e trombone. Em seguida, a “Jib Jig” aparece em um solo de oboé e depois com toda a orquestra em um trecho empolgante. E, usando a percussão e os martelos, o ritmo e as batidas da “Mining Melancholy” são reproduzidos de maneira inacreditavelmente fiel à original.

Em uma transição que não foi das melhores, devo admitir, surge o momento mais aguardado com a obra-prima “Stickerbrush Symphony” – inclusive dia desses David Wise disse no Twitter que a composição originalmente foi imaginada para uma fase aquática ou nas nuvens e que ela quase não entrou no jogo! Inicialmente no xilofone, depois no piano, a melodia é tocada magnificamente em um solo de violoncelo quando entra a bateria e as flautas. As cordas dão sequência à música, que volta para o xilofone. Um espetáculo. Não sou contra o uso de instrumentos elétricos e eletrônicos na companhia da orquestra (muito pelo contrário, aliás), mas é realmente impressionante que a faixa psicodélica tenha sido orquestrada com tamanha competência sem nenhum desses artifícios (como guitarra ou teclado).

Para terminar o medley, toda a urgência da “Haunted Chase” é exprimida pela orquestra. E o final… Que final é esse? Provavelmente faltaram certas músicas entre as mais marcantes (me vem à mente faixas como “Forest Interlude” e “Disco Train”), mas uma trilha com essa fartura é difícil de ter tudo em um único número. Ainda estou para ver alguém superar a JAGMO.

“Donkey Kong Country 2 Medley”
“Fanfare” ~ “K.Rool Returns” ~ “Welcome to Crocodile Isle” ~ “Jib Jig” ~ “Mining Melancholy” ~ “Stickerbrush Symphony” ~ “Haunted Chase”

Altamente agradecido ao Fabão pela dica.

Novo álbum Streets of Rage Perfect Soundtrack traz três músicas inéditas

Por Alexei Barros

Quando parecia que a coletânea Bare Knuckle Original Soundtrack da Wave Master seria o lançamento definitivo da série, eis que surge o álbum Streets of Rage Perfect Soundtrack publicado pela Wayô Records no dia 15 de dezembro. O CD traz, além da trilha sonora do primeiro Streets of Rage, três músicas inéditas que não foram aproveitadas na ocasião.

De acordo com o depoimento do Yuzo Koshiro no encarte, as composições eram muito similares às fontes de inspiração e nem chegaram a ser finalizadas. Ele também sugere que os fãs tentem imaginar quais fontes de inspiração eram essas.

Eu aprecio esse tipo de material que parece ter sido guardado em uma cápsula do tempo, porque foi algo feito naquele contexto e que não veio a público, não uma composição nova e influenciada que tenta replicar as características da época – seja do próprio compositor ou de um discípulo. O Yuzo Koshiro particularmente é pródigo em fornecer esse conteúdo, haja vista o álbum Misty Blue (1991) que traz faixas não aproveitadas de ActRaiser.

Por algum motivo desconhecido, o canal Spiele Soundtracks já havia publicado a trinca de músicas inéditas antes mesmo do lançamento do álbum. É o caso de aproveitar. Vai que sai do ar…

“Rave Dance in the City”

“Skyscraper Night”

“Quiet Insanity”


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