Archive for the 'Games in Concert' Category



Games in Concert terá especial na TV holandesa


Por Alexei Barros

A maior baixa entre os concertos de games de 2009 foi, indubitavelmente, a não-realização do Games in Concert 4, que seria o mais recente representante da estimada série de concertos holandesa iniciada em 2006. Resultado da sociedade entre a NCRV Radio, que ensejou a utilização da espetacular Metropole Orchestra, e do site Gamer.nl, que facilitou o processo de aquisição da licença das músicas pelo contato com as produtoras, o Games in Concert se destaca pelas seleções arrojadas, arranjos exclusivos com pendor para o jazz e performances exímias. Caso não já tenha feito, procure pelos vídeos e áudios que publiquei especialmente no final do ano passado. Inacreditavelmente, é pouquíssimo comentado nos fóruns, não sei bem o porquê. Fica mais cerceado aos holandeses. Sortudos!

A notícia também diz mais respeito ao público local, mas achei importante. Representa um alento que pode indicar o retorno do Games in Concert em 2010. Na madrugada do dia 3 para o dia 4 de abril, às 12h30, o canal Netherlands 3 transmitirá um compilado de performances do Games in Concert 2 (2007) e Games in Concert 3 (2008), que inclui “Hell’s March” (Red Alert 3), com a banda After Forever (atualmente extinta), “Opera Maria and Draco” (Final Fantasy VI), com a soprano Tania Kross, “The Chosen” (Assassin’s Creed), com o rapper Brainpower e a banda Intwine, segmento de Leisure Suit Larry com o saxofonista Benjamin Herman e ainda um medley do Super Mario 64 no piano interpretado pelo virtuose holandês Wibi Soerjadi. Nos entremeios, haverá entrevistas com os compositores, espectadores e organizadores. A bem da verdade, algumas (não todas) destas performances estão disponíveis no site oficial, mas nada impede que apareçam outras – cruzando os dedos para “Moon Over the Castle”, “Egg Planet” e “The Best Is Yet to Come” – e que alguém tenha a bondade de publicá-las no YouTube, como já aconteceu antes.

[via Games in Concert]

Anúncios

“Today” – Burnout Revenge (Games in Concert)


Por Alexei Barros

O que eu, que sempre reclamo quando aparece uma música licenciada em um concerto e me chateio quando me falam que a trilha de qualquer FIFA ou GTA é game music, venho fazer com esse post?

Calma. Assim como a série alemã Symphonic Game Music Concert rendia homenagem anualmente ao maior compositor local Chris Huelsbeck, a holandesa Games in Concert traz em todas as edições faixas de compositores dos Países Baixos.

Um dos holandeses mais proeminentes – e não apenas pelas colaborações em game music –, é Tom Holkenborg, mais conhecido pelo cognome Junkie XL. A canção “Today”, que empresta o nome para o quarto álbum, consta nas trilhas de Burnout Revenge e Burnout Legends, e é interpretada por Nathan Mader. Vale ressaltar um detalhe: a primeira aparição se deu nos jogos, visto que os dois títulos saíram em 13 de setembro de 2005 e o CD em 18 de abril em 2006.

Floor JansenPor ser no estilo house trance, poderia receber o prêmio de escolha mais insólita de um concerto de games já feita. Martin Fondse não arranjou a música, e sim REVOLUCIONOU a música. Se eu escrevesse em caixa baixa não conseguiria expressar suficientemente o efeito da releitura.

A guitarra atordoante, as batidas eletrônicas e o vocal masculino são suprimidos em favor de baixo elétrico, bateria física, uma profusão de metais e a voz poderosa da Floor Jansen em uma toada mais pop com pitada jazzística. Devo revelar que a original não está de acordo com o meu gosto. Em contrapartida, a versão da Metropole Orchestra preservou a nata da composição (cerca de dois minutos e meio foram limados) e ficou espetacular, sem deixar de ser reconhecível. Quem me dera se todas as licenciadas fossem tocadas assim.

Infelizmente, o link abaixo é da gravação da plateia, já que esta canção não foi transmitida pelo rádio.

“Today” (Burnout Revenge, Games in Concert)

“Sound of Wind” – Final Fantasy Crystal Chronicles (Games in Concert)


Por Alexei Barros

Como cansei de falar por tantas oportunidades, é muito raro ver em concertos músicas de Final Fantasy que não sejam do Nobuo Uematsu. Se já é difícil com composições do Hitoshi Sakimoto ou Masashi Hamauzu da série principal, imagina os spin-offs.

Logo no primeiro Games in Concert em 2006 os holandeses tiveram a ousadia de colocar a onírica canção de abertura do Final Fantasy Crystal Chronicles do GameCube assinada pela Kumi Taneoka. A “Sound of Wind” (originalmente intitulada “Kaze No Ne”) na versão japonesa tem a voz da Yae Fujimoto, enquanto a “Sound of Wind (English Version)” americana é interpretada pela cantora australiana Donna Burke. O melhor é que a faixa foge do padrão de baladas pop de Final Fantasy seguido até por faixas que não são do Uematsu, como a “1000 Words Orchestra Version” (Final Fantasy X-2) escrita pela dupla Noriko Matsueda e Takahito Eguchi e tocada no Beginning of Fantasy.

Como sempre, impressiona a aptidão da Metropole Orchestra seja qual for o estilo executado. Harpa e violão na introdução são exímios, bem como baixo elétrico, bateria e percussão. Mas quem comanda mesmo é a amazona Floor Jansen, vocalista da recém-extinta banda de metal holandesa After Forever. Ouvi outras atuações dela, e é incrível a sua versatilidade porque consegue cantar tanto no pop quanto no erudito com semelhante aptidão. Uma outra moça, que não consegui identificar, ainda faz o contracanto. Não por menos, para mim, a performance ao vivo  ficou melhor do que a versão do jogo em inglês e quiçá em japonês por ser mais animada.

O link do Goear provém da transmissão do rádio, e abaixo há também um vídeo do ensaio. Não causa surpresa que tenha cantado tão bem: cerca de dois meses antes dessa gravação ela recebeu a música em MP3 do arranjador Martin Fondse para ouvir reiteradas vezes no iPod.

“Sound of Wind” (Final Fantasy Crystal Chronicles, Games in Concert)

“Overworld” – The Legend of Zelda (Games in Concert 2)

Por Alexei Barros

O quê? Você que sempre reclama das músicas sendo executadas à exaustão me publica um arranjo completamente manjado da “Overworld” do Zelda?

Calma. A “Legend of Zelda Theme” originalmente arranjada por Toshiyuki Watanabe (o compositor da “Waves of Morning Haze” do Shenmue citada no post anterior) no seminal Orchestral Game Concert (1991) foi executada até não poder mais em quase todos os concertos do mundo, mas inexistiam até então registros em vídeo com qualidade de imagem e áudio e performance decentes. Sobretudo sem reações endoidecidas da plateia.

Pois então, os holandeses tocaram a versão do OGC no primeiro Games in Concert (2006) e a reprisaram no Games in Concert 2 (2007), que corresponde à gravação publicada abaixo. Tem um detalhe importante também: a Metropole Orchestra não é exatamente uma orquestra sinfônica, e por isso o arranjo do OGC foi adaptado para uma gama maior de instrumentos. Repare logo de início como os saxofones – instrumentos que geralmente inexistem em uma orquestra convencional – conferem um tempero extra. No mais, é uma performance de alto nível: eu prefiro a repetição com qualidade do que a novidade porcamente realizada.

“Waves of Morning Haze” – Shenmue (Games in Concert)


Por Alexei Barros

Shenmue. Superprodução de 50 milhões de dólares de Yu Suzuki, com trilha elaborada por um time competente que incluiu Takenobu Mitsuyoshi, Yuzo Koshiro e Hayato Matsuo. Embora existam músicas muito bonitas, jamais apareceu em um concerto japonês, e somente veio a ser executada a “Shenmue ~Sedge Tree~” no First Symphonic Game Music Concert (2003), com reprises na turnê PLAY! A Video Game Symphony e no PROMS That’s sound, that’s rhythm (2008).

Os holandeses do Games in Concert (2006) não se contentaram em escolher o mesmo tema apenas por ser o mais difundido. Pegaram a deslumbrante e inspiradora “Waves of Morning Haze”, assinada e arranjada por Toshiyuki Watanabe no álbum Shenmue Orchestra Version. Como tocar a faixa se utiliza um instrumento raro, o kokyu (como um shamisen diminuto)?

O atrativo de reproduzir game music ao vivo nem sempre é imitar todos os instrumentos da original, mas sim encontrar saídas dentre as possibilidades disponíveis para que fique parecido, apesar de não 100% idêntico. Não raro, o resultado supera a versão do jogo. Para isso é preciso criatividade. Solução encontrada: o kokyu foi satisfatoriamente substituído pela guitarra. Apurada e sutil, não sobressai de maneira estridente. Mistura-se à sinfonia com naturalidade.

Seria tudo perfeito se não fosse por um detalhe. Tiveram a infeliz ideia de incluir durante a execução a participação do Eboman, um rapaz que cria ruídos eletrônicos com os movimentos do corpo por meio de um traje personalizado. Veja o vídeo incompleto dessa performance para entender melhor. Se no segmento de Metal Gear Solid 2 com muita boa vontade quase combinou, no número de Shenmue ficou totalmente fora de contexto e deslocado com o clima de introspecção da peça. Pelos relatos que vi, foi unanimidade o repúdio ao Eboman, tanto que ele nunca mais voltou na série Games in Concert. Confesso que até fiquei com pena do coitado.

Não obstante, recomendo a audição (se possível ignorando os incômodos barulhos discrepantes), pois foi gravada da transmissão do rádio, ou seja, apresenta boa qualidade. Obrigado ao Laurens Kemeling por fornecê-la.

“Waves of Morning Haze” (Shenmue, Games in Concert)

“A Deus” – Grandia II (Games in Concert 2)


Por Alexei Barros

Sinceramente, não achei que um dia fosse ouvir a “A Deus” executada no Games in Concert 2 em 2007. Uma performance histórica eu diria. Foi a primeira (e até agora única) vez que uma faixa da série Grandia foi tocada ao vivo. Curiosamente, o compositor Noriyuki Iwadare só se tornou mais ativo em concertos ano passado não com Grandia ou Lunar, mas com Ace Attorney.

E que seleção mais ousada! Grandia II foi lançado originalmente para Dreamcast em 2000, e desse capítulo mesmo a “Canção do Povo” é um pouco mais comentada. Naquele ano do concerto Grandia III já havia surgido, e o Grandia original seria uma escolha que se imaginaria mais facilmente – a Metropole Orchestra poderia tocar a “Theme of Grandia” numa boa com todos os instrumentos que tem direito. Levando em consideração que a apresentação não foi no Japão, e sim na Holanda, a audácia atinge níveis estratosféricos.

Cristina BrancoPara completar, a canção divinal é em português, o que torna tudo ainda mais singular. Se na original era interpretada com uma pronúncia terrível pela japonesa Kaori Kawasumi, ao vivo foi cantada pela portuguesa Cristina Branco. Como é o seu idioma nativo, a canção soa muito mais natural e fluida.

Os versos são entoados duas vezes (e não uma como na original) e na primeira repetição do refrão o PA’ dam Choir também acompanha a cantora antes do encantador interlúdio com os solos de flauta e violoncelo. Toda a parte instrumental é uma pintura, e mostra que a Metropole Orchestra não tem apenas um naipe de metais potente, como demais músicos de excelente nível. A harpa etérea, as cordas majestosas… e ainda o baixo elétrico sutil. Sublime.

O site do concerto holandês nunca publicou o vídeo da música, mas esta e “Moon Over the Castle” foram as duas escolhidas para a transmissão de rádio – preciso dizer que são as que estava mais maluco para conhecer?

Abaixo, a letra da música, que não faz o menor sentido (é um verdadeiro amontoado aleatório de palavras bonitas), e o link da gravação, que consegui graças ao colega Matthijs Koole:

Nascer do Sol, palavras, milagre
Água pura, uma lágrima
Paz, luz, amor…
Fruto agreste, respiração, liberdade
Harmonia, vento da benção
Agradecimento…
Tempestade, inquietação, escuridão
Luz do Sol, alegria, graças a Deus…

“A Deus” (Grandia II, Games in Concert 2)

“Title” – Metroid Prime 2: Echoes (Games in Concert)


Por Alexei Barros

Não, você não leu errado. Sempre pensei que qualquer jogo da trilogia Metroid Prime nunca havia aparecido em uma apresentação quando dia desses descobri que uma música foi tocada no Games in Concert, que marcou o limiar da parceria entre o site Gamer.nl e a NCRV Radio para a organização do primeiro concerto de game music na Holanda em 2006.

Sabendo que o segmento não constava na relação de faixas veiculadas na transmissão parcial de rádio, o que não é surpresa alguma em se tratando de um jogo da Nintendo, sempre draconiana com os direitos autorais, entrei em desespero mais uma vez. Mas milagrosamente encontrei uma gravação da plateia dias depois. De maneira inacreditável, mais ou menos do nível de qualidade dos bootlegs do Press Start. Ou seja, não é perfeita, mas o suficiente para ter uma noção da performance.

É obrigatório enaltecer novamente o arrojo da seleção no set list logo no primeiro concerto de game music em um país, de uma trilha mais enfocada na ambiência do que na melodia, nunca lançada em CD e  jamais executada ao vivo anteriormente, nem no Japão, e da Nintendo para completar o pacote. Ainda foram feitas outras escolhas interessantes, como God of War, Civilization IV, Shenmue e Killzone. Também teve “One-Winged Angel”. A diferença é que não tocaram depois todos os anos na mesma versão do Shiro Hamaguchi como se fosse a coisa mais legal do mundo.

Voltando ao Prime, quem sonhava com um medley terá que se conformar somente com a “Title” do Metroid Prime 2: Echoes – o arranjo salienta a melodia original. Abre com passagens dissonantes do piano e das cordas, e as próprias cordas começam a execução da melodia, sendo interrompida pela entrada da bateria e do baixo elétrico. Força total. No prosseguimento, a música parece que vai encerrar com o desfecho da bateria e percussão, momento em que desejei que fosse emendada a “Menu Select” (Metroid Prime), quando o piano confere a última interpretação do tema, adornada pela harpa, à moda de “Ice Valley”. A performance é relativamente breve, com dois minutos e meio, mas são dois minutos e meio quem ninguém se atreveu a fazer.

“Title” (Metroid Prime 2: Echoes, Games in Concert 2)


RSS

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: